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REFLEXÕES Nº 210 — 02/05/2026

Máquina de escrever antiga
Imagem criada com a ferramenta de IA Nano Banana Pro

AUTOR LUIZ PRIMATI


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.


O ABSURDO COMO PONTO DE PARTIDA


Será que nossa vida não tem mesmo sentido? Vivemos de forma randômica, crendo que existe um porquê, um objetivo maior que nos guia — ou será que um ser supremo já designou, antes mesmo do nosso primeiro choro, o caminho que devemos trilhar? Essa dúvida não é fraqueza nem crise passageira. É o sinal mais honesto de uma mente que se recusa a aceitar respostas prontas — e é exatamente desse ponto de recusa que nasce uma das filosofias mais corajosas do século XX.


Albert Camus não tinha respostas confortáveis para oferecer. Mas tinha algo mais valioso: a coragem de olhar para o vazio sem piscar.


Para Camus, o absurdo não é uma conclusão pessimista sobre a vida — é o ponto de partida de qualquer filosofia honesta. Ele nasce do confronto entre duas forças irreconciliáveis: de um lado, a necessidade humana de encontrar sentido, ordem e propósito; de outro, o silêncio obstinado do universo diante dessa busca. O homem grita por significado. O mundo não responde. Esse abismo entre o grito e o silêncio — isso é o absurdo.


Mas atenção: Camus não nos convida ao niilismo. Ele não diz que, como a vida não tem sentido, devemos desistir ou sucumbir ao desespero. Pelo contrário. Em O Mito de Sísifo, ele toma emprestada a figura da mitologia grega — aquele homem condenado a empurrar uma pedra montanha acima para vê-la rolar de volta, eternamente — e faz uma afirmação que parece provocação, mas é filosofia pura: é preciso imaginar Sísifo feliz.


Por quê? Porque Sísifo conhece sua condição. Ele não se ilude. Não espera que a pedra chegue ao topo e lá permaneça. Ele empurra sabendo que vai rolar. E é justamente nessa consciência lúcida, nessa recusa de se render à ilusão ou ao desespero, que reside sua liberdade. A revolta contra o absurdo — não a fuga dele — é o que nos torna humanos.


Há três respostas possíveis diante do absurdo, segundo Camus. A primeira é o suicídio físico — a rendição definitiva, que ele rejeita como uma confissão de derrota. A segunda é o suicídio filosófico — a fuga para a religião, para sistemas de crença que prometem sentido externo, transcendente, revelado por um ser supremo. Camus compreende essa tentação, mas a recusa também: ela é, para ele, uma forma de desonestidade intelectual, um salto de fé que evita o confronto real. A terceira resposta — a única que ele abraça — é a revolta: permanecer diante do absurdo, sem negá-lo, sem fugir dele, e ainda assim escolher viver plenamente.


Então, voltemos à pergunta que abriu este texto: a vida tem sentido?


Talvez a resposta mais honesta seja: não um sentido dado, não um propósito embrulhado em destino ou dogma, não um roteiro escrito por mãos invisíveis antes do nosso nascimento. O universo não nos deve uma explicação — e nunca nos dará uma. Mas isso não nos condena ao vazio. Nos liberta dele.


Somos donos do nosso destino não porque o universo nos garante isso, mas porque, mesmo sem essa garantia, insistimos em agir, criar, amar e resistir. O sentido não é encontrado — é construído, tijolo por tijolo, escolha por escolha, nos intervalos entre uma pedra que sobe e outra que desce.


Talvez a pergunta mais importante não seja "qual é o sentido da vida" — mas sim o que você fez com o tempo em que esteve aqui.

 

AUTORA STELLA GASPAR


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.


APOIO NECESSÁRIO


Há uma força humana dentro de nós que nos impulsiona a realizar grandes feitos. Uma direção invisível, movida pela vontade, conduz nossos corações aos comportamentos voltados para a solidariedade. Nem sempre conseguimos atender às solicitações de familiares e amigos — e isso é compreensível. Nem sempre nossos sentimentos estão disponíveis para responder a um pedido.


O apoio necessário é aquele que respeita o tempo de cada um, assim como as estrelas distantes, que não podem simplesmente entrar em nós. Há apoios que não se anunciam: chegam como o vento que toca a pele sem pedir licença. São presenças silenciosas, mas que iluminam o caminho, fazendo renascer o invisível dentro de nós.


É preciso refletir que aquilo que recebemos precisa ser transformado e adaptado. Apoiar é um gesto de amor, com todas as possibilidades de ajudar. É oferecer sem cobrar, sem esperar retorno. É caminhar junto, estender a mão sem assumir o comando, perguntar “como posso ajudar?”. É um olhar que diz “eu te vejo”.


É compreender que cada pessoa tem seu próprio modo de lidar com o que sente, e que o cuidado mais verdadeiro nasce do respeito por essa singularidade.


Por fim, apoio é presença, é escuta, é gentileza. É lembrar ao outro, que ele não precisa atravessar tudo sozinho. Há dias em que o mundo parece grande demais e nós, pequenos demais. Por isso, é preciso mantermo-nos caminhantes, buscando oportunidades e conquistas.

E, quando finalmente reencontramos o fôlego, percebemos: não foi alguém que nos salvou, mas alguém que nos permitiu continuar sendo a fecundação mais autêntica e profunda de tudo que nos forma.


É essencial compartilhar, compreender e construir um entendimento cúmplice.


O importante é deixar felicidades nas pessoas, despertando nelas forças,  desenvolvendo novas formas de viver.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.


A DIFICULDADE DE OUVIR NÃO


Essa é a geração que só pensa no ter

Ao invés de pensar no ser,

Essa é a geração com direitos sem deveres,

Essa é a geração que é amante do prazer,

Essa é a geração da liberdade promíscua,

Essa é a geração da ostentação,

Essa é a geração dos ídolos fajutos,

Essa é a geração que prega o vitimismo

E enaltece a implantação do socialismo,

Essa é a geração sem princípios

Com ideais distorcidos,

Essa é a geração que prega

Que o mundo é dos espertos,

Essa é a geração que vive intensamente

Sem se dar conta de que existe eternidade,

Essa é a geração que aceita o errado

E condena aquilo que é certo 

Essa é a geração que tem

Dificuldade para ouvir não,

Essa é a geração que enaltece um bandido

E crucifica quem é honesto

E isso nos remete a uma escolha

Que foi feita a mais de dois mil anos atrás

Quando Jesus foi crucificado

Entre dois bandidos.

 

AUTORA KENIA PAULI


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.


NEM TUDO O QUE SE CARREGA É SEU


Tem histórias que começam antes da gente nascer.


Famílias também transmitem confusão, dor, comportamento distorcido. E quem nasce ali cresce achando que aquilo é normal.


Mas não é.


Uma criança não deveria se sentir culpada por existir. Não deveria ser tratada como problema, nem colocada em situações que não entende. Quando isso acontece, ela cresce com uma sensação constante de estar errada, mesmo sem saber por quê.


E isso acompanha.


Primeiro vem a adolescência, depois a vida adulta, e com isso, as relações. Vira dúvida, vira insegurança, vira necessidade de aprovação. Muitas vezes vira busca por atenção e eu digo  qualquer atenção.


Porque, quando falta em casa, a pessoa tenta encontrar fora.


Só que isso cobra um preço. Nem sempre o que parece acolhimento é saudável. Nem sempre o que parece escolha é, de fato, escolha.


Muita decisão vem do cansaço, da vontade de sair de um ambiente ruim, de tentar construir algo diferente sem saber como.


E aí vêm os erros. Relacionamentos difíceis. Repetições que a pessoa jurava que nunca faria.

Até que, em algum momento, começa a perceber: nem tudo que ela carrega é dela.


Tem coisa que veio da forma como foi criada, do que ouviu, do que viveu. E entender isso não é desculpa, é um ponto de partida.


Porque, quando fica claro o que é seu e o que não é, dá para começar a separar.


Não é rápido. Não é simples. Mas é possível.


E talvez o passo mais importante seja esse: parar de aceitar como normal o que sempre foi só repetido.


A partir daí, já dá para fazer diferente.


AUTORA ILZE MATOS


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.


CONTO OU ENCONTRO


As palhas do coqueiro balançam suas folhas secas,

enquanto as folhas verdes, novinhas,

vão se fortalecendo a cada dia.

Imagino um dia sereno,

o céu azul

e ela sentada escrevendo

até formar uma doce palavra

que fica a pintar devagarinho,

para não terminar a pintura tão cedo.

Vestida de renda,

cabelo com laço vermelho,

parece feliz e saltitante,

como quem vai abraçar alguém

com todo o carinho.

Os olhos brilham mais que estrelas

em dia de lua,

porém não sabe

se o que sente

é verdade ou ilusão.

Só sabe

que precisa continuar a pintura devagarinho,

para não acabar a beleza

antes do tempo.

Isso é um conto

ou um encontro?

Não sei.

Só sei

que li os meus pensamentos.

 

AUTOR WAGNER PLANAS


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.


AMIGO


Penso em sua presença,

Nem a ausência de sua forma fica,

Deixa nossa amizade ser menor,

Pois a amizade é bem mais que estar presente...

 

Um amigo,

Pode ser virtual,

Que não deixará de ser real,

Quando nos quer escutar...

 

A amizade,

Quando é verdadeira,

É para a vida inteira...

 

Sorrimos juntos,

Derramamos lágrimas juntos e até amamos juntos,

Pois o amigo é o irmão que escolhemos para a vida toda.



AUTORA CÉLIA NUNES


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.


A CACHORRINHA


A mulher sentiu um grande pesar pousando sobre seus ombros e uma tristeza pairando no seu olhar.


É que ela teve uma cachorrinha chamada Katucha, que foi a alegria de seus filhos, porém, com o passar do tempo, os filhos cresceram e a cachorrinha tornou-se um fardo. Eram as coceiras, frieiras, peladeiras, que mesmo sendo levadas ao veterinário, usando os remédios, fazendo tratamento caseiro, nada dava jeito. Daí veio a fatídica ideia de levá-la para longe e soltá-la. E isso foi feito.


Mas depois, ao colocar a cabeça no travesseiro, ficou pensativa.


E se ninguém achasse a cachorrinha? E se ninguém a quisesse? Se ela não a quis por estar doente, quem iria querer? E se ela se enrolasse nos galhos das árvores, pois na pressa de livrar-se dela, esquecera-se de tirar a coleira e a corrente? E se ela ficasse latindo a noite toda? E se chovesse?


Tantas perguntas sem respostas. Tantos pensamentos e sentimentos de culpa!


Mal amanheceu, ela pediu ao marido para ir ao local em que a cachorrinha foi deixada e, para seu alívio, encontrou a cachorrinha perambulando, triste, triste!


Ao avistar os seus donos, ela latiu e abanou o rabo de tanta felicidade e seus olhos brilharam tanto que mais pareciam duas estrelas.


E a pobre mulher chorou de emoção e prometeu a si mesma continuar cuidando da cachorrinha com toda dedicação e carinho, pois ninguém merece ser abandonado no momento em que mais precisa.


AUTORA LUCÉLIA SANTOS


LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.


FORÇA INTERIOR


A vida não segue uma linha reta, ela acontece entre luz e sombra, entre dias leves e outros que parecem pesar mais do que conseguimos carregar. Há manhãs em que acordamos já cansados, como se o coração tivesse passado a noite em batalha. E, nesses dias, o céu dentro de nós também se fecha, nublado, silencioso, quase sem esperança.


As dores que acumulamos não desaparecem, elas deixam marcas. Cicatrizes que contam histórias que ninguém vê, mas que moldam quem nos tornamos. Perdas, despedidas, frustrações… tudo isso constrói uma espécie de inverno interno, onde parece difícil acreditar que a primavera ainda existe.


Mas, mesmo no meio desse cenário, algo resiste.


Existe uma força silenciosa que nasce de dentro, uma respiração mais profunda, um impulso quase invisível que nos impede de desistir. É como se a alma, mesmo ferida, sussurrasse: Continue! E a gente continua.


E então, como um gesto inesperado de cuidado, surge alguém. Alguém que não exige palavras, que não se afasta diante do silêncio, que permanece. Essa presença, simples e constante, se torna abrigo. Não resolve tudo, mas aquece. Não apaga a dor, mas a torna suportável.


É nesse encontro entre a nossa resistência e o amor que recebemos que acontece o recomeço.

Percebemos, pouco a pouco, que a dor não é o fim da história. Que cair não nos define, mas levantar nos transforma. Que os dias difíceis não são eternos, e que dentro de nós existe uma capacidade imensa de reconstrução.


No fim, a vida continua sendo feita de altos e baixos. Mas também é feita de recomeços. E isso, por si só, já é uma forma de esperança.


AUTORA MARINALVA ALMADA


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.


MAIO


Mês que já se aproxima do meio do ano.

Mês das flores, das noivas e das mães.

Mês bonito, tão infinito quanto o amor de mãe.

Maio chega após as chuvas de abril, que lavam os telhados.

É tempo de colheita e de fartura.

Vem devagar, clareando e aquecendo os dias.

O céu se colore de pipas, e as ruas se enchem de meninos disputando um lugar ao sol.

Ali, soltam seus sonhos em pipas brilhantes e coloridas — e que voem alto, mas sem cerol.


AUTOR EDUARDO GRABOVSKI


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

VENDA ACALORADA DE COMPORTAMENTOS OU CAOS


É muito interessante poder ver e ouvir em palestras, treinamentos comerciais o que discorre sobre as atitudes humanas, suas aptidões e seus conflitos, mas também pode se ter um olhar mais profundo e analisar por outro lado, de outra maneira, assim se indagando:


Será que o que eu analiso não é, na realidade, o reflexo do que respiro, inspiro e devolvo ao universo? Veja, se eu olhar para minhas opiniões e a maneira como eu acho que as coisas são, não estaria me analisando ao espelhar minha opinião em relação ao que eu mesmo analiso?


Vou me colocar no lugar de alguém ao qual eu possa analisar suas atitudes e trazer para meu ser o que eu reflito na forma de analisar, tendo foco na minha própria opinião. Encontro uma pessoa em um museu de Curitiba e a abordo, a fim de vender uns produtos que carrego na mala. Pois bem, observo a pessoa como um leão observa a presa, atento, fico a observar o que a pessoa está observando, como ela fala, quais assuntos ela fala com outras pessoas, e como uma agenda eletrônica, guardo todas as informações possíveis para um primeiro contato, a fim de ser o mais convincente possível para vender meu produto.


Com todas as informações que eu achar suficientes, vou tentar um primeiro contato. Neste instante, utilizo a linguagem da pessoa, iniciando da seguinte forma: Olá, tudo bem? Você viu só como as armas de guerra expostas têm um acabamento peculiar à época? Como deve ser interessante o manejo dela, e como seria poder utilizar um artefato destes num estande de tiros e praticar o esporte com algo assim desafiador? Mas aí que eu me pego, pois eu começo a utilizar a linguagem através da observação, através das técnicas de Rapport (criar conexão de confiança e empatia a fim de conseguir vender algo), e mesmo a pessoa demonstrando surpresa com a maneira a qual nosso encontro e as similaridades se tornarem coincidentes, eu continuo a tentar criar mais empatia, mas a pessoa tem um certo conhecimento de técnicas de Gestalt (técnica de terapia que analisa comportamentos, separando isoladamente os comportamentos das pessoas, a fim de entender, na simplicidade dos atos, o objetivo todo). Através deste embate de técnicas, a pessoa, na hora, já se liga que eu sou um vendedor, estou tentando uma aproximação aleatória a fim de executar uma venda de um produto.


A pessoa percebe que eu, no fundo, estou querendo apenas efetuar uma venda, e por isso, só acompanha meu espelhar nela, tentando criar esse vínculo de empatia com objetivo unilateral.


Tem momentos em que achamos que nossa visão é a mais interessante, e ficamos com certo desconforto quando alguém tem atitudes próprias e age de uma forma indiferente ao que achamos pertinente. Sabe, isso causa desconforto nos outros, que podem causar barulho a fim de demonstrar esses desconfortos, do tipo: jogar coisas no chão da cozinha, bater portas, falar alto e satiricamente tentando expor a fraqueza de outra pessoa, e até mesmo remedar o outro. Olha só, remedar é coisa da minha infância, tipo imitar o outro para tentar descontrolá-lo e assim o manipular, e essa manipulação seria tirar o ar perfeitinho da outra pessoa e mostrar superioridade. Ah, nossa humanidade se manifesta de formas imagináveis. É o mesmo que matar um dragão todo dia. Quem não mata os seus? Utilizemos então a técnica de Behavior (foco no comportamento e observação dos gatilhos mentais que geram uma resposta física, a fim de uma venda ou até compra). Na minha tentativa de vender, acabei por não ser comprado, pois a pessoa a quem abordei tinha uma melhor vivência que eu. E, no final, ela desconversou e me deixou sem terminar minha interação com ela e expor meu objetivo.


É assim no dia a dia: tem pessoas que não irão fazer parte do seu círculo, tem pessoas que não irão comprar suas ideias, e ainda mais quando você tentar expor suas opiniões, você pode ser recebido pelo espelhar de suas próprias convicções, e elas podem ser positivas ou negativas, vai depender do contexto. Pois você pode criar um vínculo com alguém ou não, e nisto está tudo bem. Não há problema em não caber onde não lhe é promissor. Assim é uma venda: você tenta entrar mesmo sem convite e aposta em ser efemeramente recebido até conseguir seu objetivo: uma venda, uma amizade, uma conexão qualquer.


Reflito que às vezes a gente espelha nossas opiniões, esquecendo que também estamos sendo analisados. Se não mantivermos boas conexões, estaremos alimentando nosso caos interior e nossa ira por não conseguir o que queremos. Por que falei sobre a visão de um vendedor? Pois um vendedor expõe seus produtos (ideias) sem temer que elas serão bem ou mal recebidas, pois no fundo ele só quer: conexão e empatia.


Quem dera possamos trazer conforto interior quando lidamos com esse caos interior de não ter nosso produto aceito, e sim, possamos agir como um vendedor que se maravilha com o encanto das descobertas que cada novo cliente lhe traz. Saibamos que ele, o cliente, espelhará nossas fraquezas e mostrará que nosso comportamento será o mais importante para evoluir em nossas conexões e criação de empatia, até acharmos nossa tribo ou, mais ironicamente, como um cão, achar o caminhão de onde caímos na mudança. E retornar ao centro do eu e simplesmente partir para o próximo cliente alvo, a fim de comungar nossas ideias.


Criar a empatia diariamente é igual a matar um dragão, pois tem que tomar cuidado para não se queimar.


Universo do Tio Dudú


AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

A DOR


Quanto tempo para uma ferida cicatrizar?

A dor passar e não voltar?

Fico a indagar...

Apesar de muito tempo,

Parece que ainda é muito recente

Essa dor latente,

Que no peito está presente.

Às vezes, cachoeira,

Às vezes, gotejante,

É faca afiada, cortante.

Às vezes, silenciosa, distante,

Reaparece num instante

E se torna constante.

Procuro esconder, disfarçar,

Mas a memória traz à tona

O que não quero lembrar.

A dor começa a pulsar,

E a minha alma a sufocar.

Mas sigo resiliente,

Carregando sentimentos,

Na esperança de um novo dia

Ver a dor virar poesia.


AUTORA ARLÉTE CREAZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

O ORGULHO INVISÍVEL


Em muitas rodas de conversas com pais, parece existir uma espécie de competição silenciosa. Vejo-os se orgulharem de seus filhos estarem se tornando - ou já terem se tornado - médicos, engenheiros, dentistas, advogados, ou qualquer outra profissão considerada motivo de orgulho.


Muitos mostram as fotos de formatura, diplomas, se vangloriando muitas vezes pelo fato de seus filhos mal terem tempo para um telefone perguntando como estão, porque a “profissão” não permite.


Não me interpretem mal: é claro que todas essas conquistas são motivos de orgulho – e um verdadeiro orgulho. Afinal, batalharam para chegarem onde estão, na maioria das vezes, com ajuda dos pais.


Mas eu gostaria de falar sobre um orgulho invisível. Aquele que não vem com prêmios, diplomas ou certificados. O orgulho de ter filhos bons.


Filhos que dizem “bom dia” olhando nos olhos, que estendem a mão para ajudar a um estranho, que se importam com os mais velhos e se lembram sempre de ligar e perguntar como andam as coisas.


Em um mundo onde pais se preocupam tanto em saber em que seus filhos se tornarão, eu já vejo os meus sendo.


Sem diplomas, sem troféus, sem certificados que o tempo pode apagar, mas com méritos que não se emolduram, nem ficam expostos.


Eu não tenho filhos para exibi-los como troféus, mas para admirá-los como seres humanos.


E, se algum dia se tornarem grandes profissionais, em qualquer área que escolherem, meu orgulho será o mesmo. Aplaudirei com o mesmo carinho.


Não preciso anunciar ao mundo seus grandes feitos ou exibir suas conquistas - suas atitudes falarão por eles.


No fim da vida, ninguém será lembrado apenas pelos títulos conquistados, mas por quem se tornou.


Eu, da minha parte, sigo orgulhosa.


Não dos títulos que receberam, mas das pessoas que se tornaram.


AUTOR MAXIMILIAN SANTOS


MAXIMILIAN SANTOS, natural de Feira de Santana, Bahia, é escritor, poeta e técnico em computação. Escreve desde os 17 anos, quando descobriu na palavra um refúgio e uma forma profunda de expressão. Coautor de cinco antologias poéticas, encontra na escrita não apenas arte, mas libertação, um espaço onde a alma se aquieta e o coração encontra voz.

A ESPERANÇA MORREU


Hoje morreu a esperança

de um dia ser amado e respeitado.

Aquela que jurou carinho eterno

já não existe ao meu lado.

Jogado ao vento, esquecido,

palavras feriram meu peito,

trouxeram de volta a tristeza

e tudo voltou ao velho jeito.

Meu coração, mais uma vez, fechado,

já não se deixa alcançar.

Remorso e raiva por dentro

me ensinam de novo a esfriar.

Já não parece possível amar,

nem confiar outra vez.

O afeto que antes eu tinha

se perdeu na distância que fez.

Arrependo-me em silêncio,

ferido no mais fundo sentir,

por quem prometeu amor intenso

e me deixou a ruir.

Agora só resta o descanso,

não mais me entregar em vão.

Ser levado pelo tempo,

como poeira sem direção.

E termino estas palavras

com o peito cansado e pesado,

carregando sombras por dentro

de um sonho que foi quebrado.


AUTORA NAYARA SANTOS LOPES


Nayara Santos Lopes, natural de Feira de Santana, Bahia, é Técnica de Enfermagem, Tradutora e Intérprete de Libras e poetisa, cuja relação com a escrita nasceu ainda na adolescência e permanece viva como expressão de sua essência. Entre palavras e sentimentos, encontra na poesia um refúgio e uma forma de dar voz ao que pulsa em sua alma. Com sensibilidade e profundidade, tem seus versos publicados em antologias poéticas, onde compartilha fragmentos de emoção, vivências e amor pela arte de escrever.

QUANDO O VALOR VEM DE DENTRO


Não cobre aquilo que deve vir naturalmente.

Não obrigue o outro a ver seu valor.

Não espere demais com expectativas irreais.

Não aceite menos do que merece.

Só você sabe o seu valor.

Só você conhece os passos que deu até chegar onde estar.

Nunca duvide da sua capacidade de seguir em frente.

Só não permita receber migalhas.

Levanta a cabeça e vai.








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