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BECO DOS POETAS Nº 139 — 30/04/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR LUIZ PRIMATI


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

OS ANOS QUE CONSUMEM A VITALIDADE


Os espelhos conspiram contra nós. Não de repente, mas com a paciência minuciosa de quem sabe que o tempo é inevitável. Os anos chegam como chuva — imperceptível no primeiro instante, torrencial quando enfim acordamos para seu peso nos ombros.


Vejo uma mulher passar. Seus olhos carregam aquela chama que já foi minha, quando a pele ainda obedecia aos desejos do coração e o corpo respondia à urgência das emoções. Não é lascívia o que me toca — seria demasiado simples, demasiado terrível. É o luto silencioso de reconhecer, em sua vitalidade radiante, exatamente aquilo que meu espelho já não devolve. Ela caminha como se o tempo fosse um companheiro, não um predador.


Há algo de vertiginoso em amar a vida alheia porque a sua própria já não fervilha da mesma forma. Os músculos não respondem com a mesma avidez. A respiração cansa mais depressa. O rosto que me encarava — aquele que prometia eternidade — agora desenha outras histórias, linhas que falam de madrugadas mal dormidas, preocupações, pequenas mortes cotidianas. A pele que um dia era pura promessa tornou-se palimpsesto.


E ainda assim — ainda assim — carrego comigo coisas que nenhum espelho consegue captar.


Há uma biblioteca inteira nos silêncios que aprendi a guardar. Cada engano me ensinou um sentimento que os jovens ainda confundem com dor. Cada perda me deu a língua para reconhecer alegrias que não são brutas, mas sutis — aquelas que vivem nos intervalos, nas pequenas vitórias que ninguém celebra porque ninguém as vê. Decodifiquei parte do mundo. Conheço os mecanismos secretos das pessoas, os silêncios que antecedem decisões, o peso invisível das escolhas.


Mas ninguém enxerga isso.


Passam por nós e veem apenas o que falta — a elasticidade da juventude, aquele brilho que a luz refletia em pele intacta. Não veem que foram necessários trinta, quarenta, cinquenta anos para que eu compreendesse realmente o que significa estar vivo. Não reconhecem que a inteligência é uma forma de beleza que não cabe em fotografia. Que a experiência é um tipo de luxo que dinheiro nenhum consegue comprar no tempo dos apressados.


A memória é minha herança — essas histórias que habitam meu corpo, esses encontros que deixaram suas marcas como constelações invisíveis. Cada rosto que amei, cada escolha que fiz ou recusei, cada momento em que percebi estar verdadeiramente presente. Tudo isso permanece, enquanto o espelho envelhece.


Os jovens acreditam que a beleza é uma linguagem universal. Ainda não sabem que é apenas um dialeto — temporário, iridescente, fadado a desaparecer. O que realmente dura é mais discreto. É a maneira como você escuta. O silêncio sábio que você oferece quando alguém está quebrando. A capacidade de ver além das aparências, porque as aparências já não o iludem.


E os anos continuam. Implacáveis, metamorfoseadores. Transformam o corpo em monumento de sua própria história. Cada ruga é um livro que ninguém lê. Cada fio branco é uma palavra em um idioma que apenas os velhos conseguem falar com fluidez.


Vejo a garota passar novamente, e há compaixão em meu olhar — não pelo que ela é, mas pelo que ainda lhe aguarda. Esse espetáculo de se tornar invisível lentamente. Essa descoberta terrível de que quanto mais se sabe, menos se é visto. Que a verdadeira inteligência é um tipo de solidão bela e amarga.


Mas há uma paz também. A paz de quem finalmente entende que a vitalidade que observa não é inveja — é reverência. Reverência pelo mistério de estar vivo em qualquer forma, em qualquer idade. Reverência pela coragem de continuar quando o espelho diz que já deveria ter parado.


Envelhecer é perder um disfarce. É descobrir que você nunca foi apenas beleza. Que você sempre foi mais. E que essa verdade — mesmo invisível, mesmo negligenciada — permanece. Imperturbável. Eterna de uma forma que a juventude nunca conseguirá compreender.


AUTORA STELLA GASPAR


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros técnicos e didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

CONSIGO


Consigo tocar-te.

Consigo ver-te.

Consigo abraçar-te.

Consigo sentir-te.

Consigo beijar-te.

Consigo amar-te.

Consigo sonhar-te.

Consigo desejar-te.

Consigo ver-te ideal.

Consigo ouvir-te

Consigo lembrar-te

Consigo guardar-te

Consigo eternizar-te em mim.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

A DOÇURA DE UMA RECONCILIAÇÃO


Entre encontros e desencontros

Nós nos entregamos aos súbitos desejos

E, ao mesmo tempo, vivíamos entre tapas e beijos.


Mas com uma paixão pungente

Ardíamos em fogo e brasa ardente

E buscávamos o amor urgente.


Enfim, como dois adolescentes

Que buscavam prazeres indecentes

Nós não resistimos a tentação

E nos entregamos a doçura da reconciliação

E nos amamos intensamente.


AUTORA ILZE MATOS


Ilze Maria de Almeida Matos nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

ENTRE NUVEM E MAR


Ei, bem ali já é o mar?

Não, ainda é nuvem.

Tem certeza?

Mais tarde vamos ver o mar,

como quem encontra um silêncio.

Vamos…

AUTORA CÉLIA NUNES


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

A LUA


A lua está sempre reluzindo no céu

Ela derrama seus feixes cor de prata

Sobre tudo e todos.

Ela não sabe que é contemplada por uma multidão

 Ela chora um choro contido

E sente uma tremenda solidão.

Ela fica no firmamento tão distante

Girando em torno dela mesma

E do sol tão quente!

Às vezes, ela se enche

E inunda tudo

Refletindo sua luz até no mar!

Outras vezes, ela se encolhe

E se acha tão insignificante!

Acha que ninguém a vê.

Ela não sabe que é testemunha de tantas coisas!

Ela não entende a sua importância

Sobre a terra, o mar

A natureza e nós

Com toda a sua influência!

Tudo fica encantado com sua luz

Ela faz a festa dos namorados

E a todos seduz!

Ó lua, continue brilhando daí

E nos inspira daqui.

AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

AMOR INABALÁVEL


O amor está presente nas palavras,

Sobretudo nas atitudes,

Nos pequenos gestos de afeto e empatia

Demonstrados no dia a dia.


O amor eterno não se abala

Com a intempéries da vida,

Quanto mais o tempo passa,

Mais intenso ele fica.


Os olhares se encontram

Veem uma só direção,

As mãos se entrelaçam em união,

As tempestades são superadas,

As alegrias compartilhadas

Quando o AMOR

É o ALICERCE da relação.


Esse amor,

Não é o amor que arde em Camões.

Ele é brisa, aplaca os corações...


Quero teu amor pela eternidade,

Que seja reciprocidade,

Proporcionando mútua felicidade.


AUTOR WAGNER PLANAS


Wagner Planas nasceu em 28 de maio de 1972, na capital paulista, estado de São Paulo. Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suíça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

CÍRCULOS


A vida,

São como grandes círculos,

Que as pontas se fecham,

No final do dia.

 

Nestes círculos,

Fechamos ciclos,

Abrimos portas,

Conquistamos vitórias,

Fechamos a memória,

No tempo das derrotas.

 

Talvez,

Um sorriso,

No final do dia,

Seja um momento de glória,

Talvez,

Deus,

Naquele dia,

Resolva mudar nossa história,

Mas a verdade,

É que os círculos vão se fechando.

 

Nossa vida,

Torna-se um circo,

Um espetáculo da vida,

Onde somos palhaços,

Para alegrar uma platéia,

Mesmo que,

Se estivermos a ponto de chorar.


 

Somos domadores de leões,

Para acalmar os corações,

Todas as vezes,

Que os problemas tentam nos domar.

 

A vida é assim,

Círculos,

Com ciclos,

Num verdadeiro circo.


AUTORA SIMONE GONÇALVES


Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.

NOITES FRIAS


Mais uma vez...

Você volta à dominar

Meus sonhos e pensamentos

Por noites frias de uma eterna solidão

No abandono do meu quarto


Mais uma vez...

As paredes são testemunhas

Das lágrimas perdidas

E da tristeza que cerca meu corpo

Na saudade que atormenta as horas

Que insistem em me angustiar

Pois, o tempo não passa

O relógio parou

Você se foi

E  não voltou...


E mais uma vez

Tudo volta no mesmo lugar

Onde fiquei quando me deixou

Aquele quarto escuro e vazio

Sem vida

Só na companhia

Das paredes cinzas

E das noites frias

De uma eterna solidão...


AUTORA MARINALVA ALMADA


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.


VISITA DE DOMINGO


A poesia não bate à nossa porta todo dia.

Ela chega devagarinho, pede licença,

entra e senta sem fazer alarde.


Geralmente, lá em casa,

me visita aos domingos.

Inusitada às vezes, inspirada sempre.


É começo de semana cheia de correria,

mas para a poesia

a gente sempre arruma um lugar com amor e alegria.


AUTOR SIDNEI CAPELLA


Sidnei Capella, natural e residente em São Caetano do Sul — São Paulo, Graduado em Administração. Escrevendo e publicando poesias e contos nos cadernos semanais da Editora Valleti Books. Participou da II Copa de Poesias da revista Cronópolis, em janeiro de 2022. Escreve textos poéticos, contos e mensagens, grande parte dos seus textos é publicada na página do Instagram que administra. Utiliza a frase criada por ele: “Inspiração me leva a escrever sobre tudo, a inspiração vem de Deus, escrevo para o meu próximo, de modo a despertar sentimentos e mexer com suas emoções.”

AMIGO


Amigo fraterno.

Amigo singelo.

De peito aberto.

De sorriso sincero.


Amigo verdadeiro.

Amigo de luz.

Amigo presente.

Em dia cinza e azul.


Amigo do dia.

Um ombro amigo.

Amigo da noite.

Sempre comigo.


Amigo é Anjo.

Com olhar caridoso.

O meu anjo amigo.

Amigo bondoso.


Amigo de luta.

Amigo de jornada.

Na mesma estrada.

De longas caminhadas.


Amigo protetor.

Que oferece a mão.

Segura bem forte.

E levanta do chão.


Amigo gentil.

Amigo do peito.

De palavras acolhedoras.

Merece respeito.


Amigo parceiro.

Guardo no coração.

De vitórias e derrotas.

Amigo é irmão.

AUTORA GABRIELY BRANDÃO


GABRIELY BRANDÃO RAMOS, 28 anos, nascida em Itaguaí – Rio de Janeiro. Técnica em mecânica, poeta, participou da sétima e oitava edição da coletânea de jovens poetas na cidade de Itaguaí. Viu na escrita uma forma de expressão da arte e cultura. Escritora na antologia suspiros poéticos.

O ESPELHO E A SOMBRA


Onde o sol toca o solo, nasce a lealdade,

Um pacto sem firma, escrito no olhar,

É o braço que estende na tempestade,

E a voz que silencia para nos escutar.


A amizade real é o fogo que não consome,

É saber que o "nós" é maior que o "eu",

É o eco constante que chama o nosso nome,

Mesmo quando o céu do peito escureceu.


Mas logo ali, onde a luz não se atreve,

Mora a falta, gélida e camuflada,

A promessa de açúcar que o vento remove,

A mão que se solta no meio da estrada.


É o vazio deixado por quem era espelho,

Mas preferiu ser vidro, quebrando o cristal,

Transformando o conselho num corte vermelho,

E o abraço fraterno num frio punhal.


Entre o porto que abriga e o mar que isola,

A vida nos ensina o valor da peneira:

A lealdade é o ouro que o tempo consola,

E a traição é o resto, poeira passageira.


Pois quem tem um amigo, tem o mundo inteiro,

E quem não tem honra, caminha sozinho,

Pois é melhor um deserto que seja verdadeiro,

Do que um oásis de farsa no meio do caminho.


AUTORA NAYARA SANTOS LOPES


Nayara Santos Lopes, natural de Feira de Santana, Bahia, é Técnica de Enfermagem, Tradutora e Intérprete de Libras e poetisa, cuja relação com a escrita nasceu ainda na adolescência e permanece viva como expressão de sua essência. Entre palavras e sentimentos, encontra na poesia um refúgio e uma forma de dar voz ao que pulsa em sua alma. Com sensibilidade e profundidade, tem seus versos publicados em antologias poéticas, onde compartilha fragmentos de emoção, vivências e amor pela arte de escrever.

ASSIM É A VIDA


Que a vida te ensine que tudo é passageiro

Que nem sempre temos controle o tempo inteiro.


Tá difícil? Calma, respire, pare e pense

Pra que tanta pressa?

Maus momentos não são para sempre.


Aproveite sua história, seja gentil com você

Que a vida te surpreenda

Com sorrisos e abraços pra você não se esquecer.


E se adversidades chegarem sem avisar,

Não permita que a esperança deixe de florescer.


Pois, assim como a noite dá lugar ao sol,

A vida sempre se renova em um belo amanhecer.


AUTORA SIMONE CAETANO


Simone Caetano Farias, nasceu em Salvador (BA) e traz consigo a força de uma leonina. Desde a infância, foi inspirada pelas obras de Monteiro Lobato e pela coleção “Tesouro da Juventude”, pertencentes a seu pai, Almir de Abreu Farias — ex-combatente da Marinha do Brasil e escritor autodidata. É Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo (Faculdade Social da Bahia, 2010), pós-graduada em Relações Públicas (Universidade do Estado da Bahia, 2002) e também Bacharel em Química (Universidade Federal da Bahia, 1992). Atua como Perita Criminal Grafotécnica e Documentoscópica do Estado da Bahia. Publicou artigos, textos acadêmicos e reportagens, como “Major Cosme de Farias – Vida e Memória” e “O choro alegre de Salvador”, entre outros. É autora do livro-reportagem “A voz de Armandinho Macêdo” (Ed. Vento Leste, 2012 / Ed. Garimpo, 2024) e participou de onze coletâneas de contos e poesias com as editoras Neila Bruno (Canal 6 e Kibbutz) e Luiz Primati (Valleti Books), entre 2022 e 2024, com textos como “Reverso da Tristeza”, “Lar dos Pets”, “É Natal”, “Por Toda a Minha Vida”, “Mãe, Olhe para Mim” e “Vidas Entrelaçadas”. Em 2025, organizou “Versos e Universos de Meu Pai Almir de Abreu” (Valleti Books). Recentemente, concluiu o curso de Sommelier pela ABS-RS, unindo o jornalismo à paixão por vinhos, eventos e cultura. Viajante entusiasta, escreve sobre as cidades que visita — no Brasil e no exterior —, transformando suas experiências em crônicas e reflexões que revelam seu olhar sensível e poético. Email: simonecaetanofa@gmail.com | IG: @simonecaetanofa


MEUS AMORES ANCESTRAIS


Felippa, trisavó querida, fale-me da senhora, sussurre que eu te escuto de coração comovido suas dores sentidas, os desejos femininos, solitários, que não podias expressar,

O seu prenome lhe definia: “Benicia”.


Conte-me, Guilhermina, linda trisavó, como conseguiu sobreviver nesse seu mundo hostil e machista, de homens que proibiam às mulheres soltarem a voz, e até a amarelinha.

Infelizmente, muito tempo passou e essa mazela psico-cultural ficou, esse ranço nojento que mata e ainda dizem ser “por amor”.


Quem ama de verdade ceifa da mulher a tristeza e a dor, e ainda transforma em beijos românticos como um herói no seu cavalo branco,


Diga-me bisavó Ana, a senhora que trilhou caminhos escusos que eu não vou mais trilhar, grata eu sou, por mim sofreu por amor:

Esse seu espanhol sedutor, que te arrancou do clã de afeto, aonde a levou no seu cavalo negro? Ao lhe desonrar, disse palavras de paixão?


Gratidão por perdoar, e assim me ajudar a quebrar esse ciclo violento e nocivo que traz vontade de morte à mulher subjugada. Mas, a justiça divina fez retornar essa dor ao algoz gerador, eu creio!


Maria da Assunção, te honro, minha bisa ancestral, prometo trilhar caminhos mais seguros e calmos do que a senhora trilhou, pois já sofrestes nas pedras da sua caminhada, sem conforto, mimos nem condição, sem sombras nos dias de sol, tudo transformou em castelo de amor: guloseimas fazia com maestria, bordava e costurava as roupas dos meus entes passados.


Vovó Zilda, te guardo no coração e honro sua memória, pois te conheci atrevida, falante e sagaz, e no abandono do meu avô por outra mulher sem graça e rica, buscou novos prazeres ao invés do amor, este ficou na raiva incontida que lhe arrancou a saúde e vida. Ser leitora voraz me inspirou, por isso lhe tenho amor.


Júlia, vozinha amorosa, sinto ainda o seu abraço com cheiro de talco de flor, herdei sua fé religiosa em Jesus e nos Santos, na sua reza diária no santuário de luz com minha mãe Marina, ficou registrado no meu coração e assim fiz o meu altar de devoção.


Honrar nossas raízes, em especial às mulheres, é resgatar tesouro de memórias, retirar da sombra a força feminina, nos espelhar na sua coragem, respeitar seus limites e condições primárias; é ressignificar suas dores, pois elas sofreram por nós. É comprometer-se na prece a quebrar ciclos de aflições, e refazer caminhos mais seguros usando o conhecimento inexistente no passado,


É agradecer o dom da vida, nossos talentos herdados, tradição e cultura,

É rezar pelos reencontros e reconhecer a dignidade dos nossos ancestrais, que realizaram o melhor possível para nossa felicidade.


AUTOR MAXIMILIAN SANTOS


MAXIMILIAN SANTOS, natural de Feira de Santana, Bahia, é escritor, poeta e técnico em computação. Escreve desde os 17 anos, quando descobriu na palavra um refúgio e uma forma profunda de expressão. Coautor de cinco antologias poéticas, encontra na escrita não apenas arte, mas libertação, um espaço onde a alma se aquieta e o coração encontra voz.

INCERTEZAS


Ainda paira a dúvida em ti,

como quem não tem certeza do amanhã,

como quem ainda não sabe o que quer.


Entre medos e incertezas,

me afogo no desespero

ao ver que a indecisão

ainda reina dentro de você.


Ainda não sabe o que deseja,

nos teus olhos dá pra ver.

Ainda existe uma menina perdida,

que ainda não aprendeu a ser mulher.


Por que não se decide?

Ainda vive presa ao passado.

Suas escolhas te condenam

como folhas caídas no outono.


A ansiedade toma conta,

e a dúvida agora paira em mim:

será que eu te amo?

O silêncio responde por nós.

Uma decisão me amedronta,

sem reação, sem dizer nada.


Às vezes, o silêncio parece

ser a única resposta.

Talvez o que eu dissesse mudasse tudo,

mas um simples olhar já revela:

para corações inseguros,

um adeus parece solução.


Pessoas inseguras ferem as seguras,

pessoas feridas ferem as curadas.

E nem mesmo o amor seria capaz

de trazer você de volta.


AUTORA LUCÉLIA SANTOS


LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.


O FRIO DAS AUSÊNCIAS


Está frio lá fora...

Um frio que não é só do vento

Mas do vazio que ecoa

Nos cantos do pensamento.


O chá, antes quente

Agora esquece o calor que um dia teve

Assim como o tempo adormece

O que o coração não escreve.


E eu, sozinha, em silêncio

Envolta em saudade e espera

Sinto que teu amor seria abrigo

Um girassol na minha primavera.


Mas a noite é longa e quieta

E o frio insiste em ficar

Enquanto o chá esfria na xícara

Eu tento aprender a te aquecer sem te tocar.








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