REFLEXÕES Nº 209 — 26/04/2026
- Luiz Primati
- há 3 dias
- 22 min de leitura


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
MULHERES BRASILEIRAS "RAÇA MALDITA"
Há uma frase que circula agora nas telas e nos noticiários, uma frase dita por Paolo Zampoli — conselheiro de Trump para assuntos globais — em entrevista a uma TV italiana. Ao comentar sobre sua ex-esposa, Amanda Ungaro, que o denunciou por agressões físicas cometidas quando ela se recusava a manter relações sexuais, Zampoli declarou que mulheres brasileiras são uma "raça maldita programada para confusão".
Não vim aqui repetir a notícia. Vim refletir sobre o que ela revela.
Porque quando um homem usa palavras assim, não está falando sobre mulheres. Está falando sobre si mesmo. Está revelando o espelho que carrega por dentro — e o que aparece nesse espelho é feio.
O homem e a caverna que nunca abandonou
Há cerca de trezentos mil anos, o Homo sapiens organizava sua sobrevivência em torno de um princípio simples: quem tem força, domina. Os homens carregavam lanças. As mulheres carregavam filhos. A divisão não era ideológica — era pragmática, brutal, necessária para uma espécie que lutava contra predadores maiores do que ela mesma.
Mas esse tempo passou.
O problema é que o corpo evoluiu mais rápido do que a mente. Nietzsche diria que o homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem. Muitos ainda estão presos na ponta animal, seguros de que a força física é a última medida de valor. Dormem em cavernas mentais que acreditam ser palácios.
E nessas cavernas, cercados de outros primatas que batem no peito e aplaudem a brutalidade, esses homens se sentem imunes. Sentem-se invencíveis. Porque sabem, no fundo, que contra outros homens poderiam se dar mal. Então escolhem o alvo mais silencioso. Escolhem quem historicamente aprendeu a engolir o grito.
A violência contra a mulher não nasce da força. Nasce da covardia.
A mulher e o peso que carregou sozinha
Simone de Beauvoir escreveu que "a mulher não nasce mulher — torna-se". E nesse tornar-se, há séculos de aprendizado forçado: ceder, suportar, permanecer. A submissão não é uma característica feminina. É uma cicatriz social, inscrita a ferro e fogo ao longo de gerações.
Por isso tantas demoram tanto para denunciar. Por isso, muitas jamais denunciam.
Não é fraqueza. É o peso de um sistema inteiro que, por milênios, ensinou à mulher que o silêncio era sua única proteção. Que reclamar era provocação. Que sair era abandono. Que ficar era amor.
E mesmo assim — mesmo carregando esse peso invisível — as mulheres construíram. Criaram filhos, criaram famílias, criaram literatura, ciência, arte, movimentos. Fizeram isso muitas vezes sem reconhecimento, sem apoio, sem o simples gesto de um obrigado.
Eu vi essa força na minha avó. Vi na minha mãe. Na minha irmã. Na minha esposa. Na minha filha Natasha. Não é força barulhenta, não é força de lanças — é a força silenciosa de quem aprende a florescer mesmo no chão árido.
O que Zampoli revelou sem querer
Quando um homem chama mulheres de "raça maldita", ele entrega sua própria sentença.
Porque o maldito não é quem reage à violência. O maldito é quem a pratica e depois se surpreende com as consequências. Amanda Ungaro denunciou. E isso, para um homem acostumado à impunidade, deve ter soado como uma traição cósmica — como se a vítima tivesse quebrado as regras de um jogo que só ele conhecia.
Mas as regras mudaram. E continuam mudando.
A grande questão que fica
Se durante milênios os homens precisaram da força física para se impor e as mulheres precisaram da resistência silenciosa para sobreviver — e se hoje vivemos num mundo onde a força física não deveria mais ser moeda de poder — então o que impede, verdadeiramente, que nos tornemos iguais?
Não é a lei. Temos leis. Não é a inteligência. As mulheres provam, todos os dias, que a têm de sobra.
O que falta, talvez, seja o mais simples e o mais difícil de tudo: que os homens parem de ter medo das mulheres que são livres.
Porque um homem que precisa submeter uma mulher para se sentir inteiro ainda não descobriu quem ele realmente é.
E, enquanto ele não descobrir, ela continuará sendo, para ele, uma ameaça.
E para o mundo, uma força.

AUTORA STELLA GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
CADA EXPERIÊNCIA DE VIDA É ESPECIAL
A experiência é muito interessante. É nos servindo dela que aprendemos grande parte daquilo que sabemos; por ela orientamos, muitas vezes, os nossos passos; com ela evitamos a repetição de dissabores e procuramos aquilo que já sabemos ser bom.
Cada momento, ciclo ou acontecimento tem um poder que nos eleva, nos descomplica.
Somos destinos pensantes, conscientes de nossa existência no dia a dia com saberes acumulados.
Somos fortalecidos com tudo que nos ensina o mundo. Cada experiência de vida é especial, porque carrega em si um significado único — mesmo quando só entendemos isso muito tempo depois.
É preciso disposição para agarrarmos o que estiver ao nosso alcance para realizarmos nossos sonhos.
Seguir em frente, robustos de experiências e fortes com a coragem que a canção da vida nos embala, moldando quem somos.
Clarice Lispector via a vida como uma experiência intensa, profunda e muitas vezes assustadora, focada no “agora” e na necessidade de autoaceitação. Para a escritora, essa intensidade pode ser bela, mas também assustadora, porque nos coloca diante de emoções que não controlamos. Como ela, também acredito que só é possível viver plenamente quando se aceita quem se é — com contradições, fragilidades e forças.
Cada experiência pode ser surpreendente com as da vida.
Com experiências, apreendemos as coisas. Tudo que nos acontece, quer desejemos ou não, pode nos conduzir adiante.
A vida não exige perfeição, exige movimento.
Exige que a gente tente, aprenda, recomece, ajuste a rota e siga adiante com confiança.
As experiências dão colorido à nossa vida, cada instante carrega lições valiosas e oportunidades de crescimento. Refletir sobre a própria história permite enxergar a beleza dos detalhes e encontrar forças para seguir em frente.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
O DESAFIO DE SE PERDOAR
O ser humano está praticando
Cada vez mais atos de pura maldade
Que beiram a total crueldade,
Pois tamanha é a perplexidade
Desses atos que ferem a dignidade
Da nossa humanidade.
E, ao longo dos anos, esses atos imorais
São cometidos pelas mãos desses marginais
Que só querem satisfazer os seus desejos carnais
Que estão se tornando cada vez mais banais.
Essa corja de abusadores
São uma raça de estupradores
Que são protegidos pelos nossos legisladores
Que são coniventes com esse show de horrores
Onde as mulheres são vítimas desses predadores.
Enfim, até quem é do crime
Reprime esse tipo de crime,
E considera essa raça a escória da sociedade
E diante dessa situação chocante
No ato da prisão em flagrante
Frente a tela da TV, o suspeito
Foi indagado sobre os seus crimes,
Mas, pasmem, o criminoso disse
Que não quer o perdão de ninguém
Por que ele mesmo não consegue se perdoar.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
O QUE ENCONTRO EM MIM PELO CAMINHO
Esta crônica nasce de uma travessia breve no tempo, mas profunda na alma, um encontro comigo mesma através do outro. Inspirado por um olhar sensível e pela compreensão sistêmica das relações, como propõe a constelação familiar, o texto convida à reflexão sobre os julgamentos que carregamos, os gestos que nos atravessam e as histórias invisíveis que seguimos perpetuando. Entre o visível e o sutil, revela-se aquilo que verdadeiramente nos transforma: aquilo que, no encontro com o mundo, desperta em nós.
Voltei de Istambul com mais do que lembranças, voltei com pequenos deslocamentos internos, quase imperceptíveis, mas profundos. Foram apenas dois dias, e ainda assim algo em mim se reorganizou em silêncio, como se eu tivesse tocado, ainda que de leve, em camadas antigas da alma.
Eu carregava uma ideia pronta: a de que encontraria descuido, desordem, talvez até uma certa dureza cotidiana. Era uma memória emprestada de outras terras, de outras experiências. Mas Istambul me respondeu com delicadeza, não aquela delicadeza frágil, mas uma que vem do hábito, do respeito silencioso pelas coisas simples. Vi mãos limpando, varrendo, organizando. Vi cuidado onde eu não esperava. E, de repente, me dei conta de como também carrego julgamentos que não são meus. Julgamentos herdados, repetidos, quase automáticos.
Na constelação invisível que me habita, há histórias que se entrelaçam sem que eu perceba. Olhares que aprendi antes mesmo de enxergar por conta própria. E ali, naquela cidade viva, entre o antigo e o contemporâneo, senti como se algo dentro de mim dissesse: "olhe de novo".
E eu olhei.
Olhei para pessoas que talvez não tivessem muito, mas que sustentavam uma dignidade silenciosa no modo de existir. Como se a ordem externa fosse também uma forma de honrar a própria história. Como se limpar fosse, de algum jeito, permanecer.
Mas o que mais me tocou não foi o que vi, foi o que recebi.
Um gesto simples, quase despretensioso. Um motorista, um trajeto comum, uma despedida qualquer. E, então, um livro. Um presente sem contexto, sem expectativa, sem troca. Apenas um oferecimento. Ele não sabia quem eu era, não conhecia minha trajetória, não sabia que escrevo, e, talvez por isso mesmo, o gesto tenha sido tão puro. Ele perguntou em qual língua eu preferia ler, como quem reconhece, mesmo sem saber, que cada um carrega sua própria forma de compreender o mundo.
E ali, naquele instante, algo em mim se alinhou.
Pensei nas histórias que me atravessam. Na cultura que me sustenta. Nos pequenos rituais que mantêm viva a memória de quem veio antes de mim. Talvez aquele homem estivesse, sem saber, repetindo um gesto antigo: de partilha, de transmissão, de cuidado com o outro.
Talvez alguém tenha feito isso por ele um dia. Talvez isso pertença ao campo maior ao qual todos estamos ligados.
Na constelação da vida, há movimentos que não precisam ser explicados, mas sim sentidos.
Voltei com um livro nas mãos, mas, sobretudo, com uma pergunta pulsando em mim: o que estou transmitindo, mesmo sem perceber?
Porque, no fim, não é sobre o tempo que passo em um lugar. É sobre o que, nesse breve encontro com o mundo, eu consigo encontrar em mim.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
A VIDA ESTÁ MUDANDO
A vida está mudando
A vida está mudando.
Cada dia, uma surpresa,
e alguma flor
com um colorido diferente.
O dia, calmo e agitado
ao mesmo tempo.
Parece um encanto
em qualquer canto
por onde vamos passando.
Como uma estampa de retalhos
que vai se unindo devagar,
formando algo
que ainda não sabemos nomear.

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
SABE...
Sabe,
Aquele momento de solidão,
Onde bate forte a Saudade,
Dentro do coração?
Então,
Acabou de acontecer,
E para me entristecer,
Você não estava aqui para saber...
Amar-te demais é belo,
Até tardes chuvosas,
Tempestades sem fim...
Tornam-se harmoniosas,
Quando tenho você para mim,
Tardes de céu azul e sol bem amarelo...
Você não sabe a falta que faz seu sorriso,
Que surge sem aviso,
Você não sabe como é bom amar,
E como é lindo por você se apaixonar...
Mas a solidão,
Chegou de "supetão",
Deixo-me sem você,
E a solidão para variar...
Então fico sozinho em meu canto,
Lágrimas para tantos,
Soluções sem parar...
Mas a minha fé chama-se você,
Meu amor chama-se você,
E sem Você eu já não sei mais viver...

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
A IDADE
A idade alonga a distância, tanto geográficas, quanto sentimentais.
Pensamos que um dia, todos os conhecidos se reunirão novamente em torno da mesa farta, que nos abraçaremos cantando, bebendo e que tudo voltará a ser como antes, mas jamais voltaremos ao tempo de outrora!
Quando estivermos juntos, se isso acontecer, perceberemos que já somos outras pessoas, mudamos muito em todos os sentidos, incorporamos outras impressões, mágoas e ficaremos perdidos, falando das lembranças, do tempo e da distância.
Podemos falar em novos encontros, talvez pela melancolia, nostalgia dos velhos tempos, lembranças do que passou, mas que não voltarão mais.
Naufragamos no tempo, no espaço, no mar da vida! Percebemos que estamos ficando cada dia mais sozinhos, esquecidos dentro de casa, dentro de nós mesmos, trazendo uma presença constante de vozes, lembranças e casos.
O tempo passa! Os dias passam de maneira assustadora! De segunda a segunda, mal começa a semana! E a vida vai passando também!
E vamos ficando mais seletivos, escolhendo aonde ir, a hora de chegar, com quem ir.
Os cabelos vão embranquecendo, os ossos vão enfraquecendo, vamos perdendo o equilíbrio, as vistas escurecendo, esquecendo mais coisas, lembrando de tantas outras!
As horas passam vazias, cheias de tédio e amargura.
Já cumprimos nossa missão e a vida parece sem objetivo.
O ninho fica vazio, as visitas se tornam esporádicas, pois quase todos do nosso círculo de convivência estão na mesma situação.
E vamos ficando somente com nossos pensamentos e conosco mesmo.

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
O TEMPO NOS NEGOU
Se o tempo abrisse novos caminhos
Eu pisaria sem medo em cada um deles
Percorreria distâncias
Romperia o silêncio dos mundos
Só para encontrar o teu nome
ecoando de novo na minha vida.
Arriscaria a vida não por coragem
Mas por amor
Porque te perder foi um abismo
E eu ainda caio nele
Toda vez que lembro.
Eu te envolveria em meus braços
como quem protege o próprio coração
Te guardaria do frio das dores
que o mundo insiste em espalhar.
Seguraria tua mão com firmeza,
até que o medo esquecesse
o caminho até você.
Se pudesse te daria meu cobertor nas noites mais duras
Teceria calor com o pouco que me resta,
Enxugaria tuas lágrimas
uma a uma,
Como quem salva estrelas
antes que toquem o chão.
E ficaria…
Ficaria até o fim do tempo
Até o último suspiro do universo
Tentando, insistindo, lutando e
fazendo do impossível
apenas mais um gesto de amor.
Ah, se houvesse outra chance…
eu viveria tudo outra vez:
as lutas, as dores, as quedas,
porque até o sofrimento contigo
era vida pulsando em mim.
E então, quem sabe,
não haveria despedida
Apenas nós dois
De mãos dadas
Eternos no agora
que o tempo nos negou.
Pois tivemos pouco tempo...

AUTORA MARINALVA ALMADA
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
A ESCOLHA DE CADA DIA
Há tanto bem a ser feito, por que muitos escolhem fazer o mal?
Este mundo está cheio de oportunidades para fazer o bem sem olhar a quem. A partilha de um prato de comida, uma palavra que conforta, um perdão que cura e liberta, um tempo doado sem esperar nada em troca. O bem não exige grandeza — ele mora nos detalhes do dia a dia.
Então, por que, mesmo assim, tantos escolhem o caminho do mal?
Às vezes, o mal parece mais atrativo. Promete vantagem rápida, poder, aplauso fácil. Outras vezes, nasce da dor não tratada, do vazio, do medo, da falta de exemplo. É mais fácil destruir do que construir, ferir do que curar, ignorar do que se importar. É o egocentrismo falando mais alto: pensar só em si mesmo.
Mas toda escolha tem uma consequência. Quem planta o mal colhe solidão. Mesmo no meio da multidão, sente-se sem rumo. Já quem insiste no bem, ainda que pareça pequeno ou invisível, muda o ambiente ao redor. Uma boa atitude desperta outra. Uma vida que escolhe servir revitaliza a coragem, a fé e o entusiasmo de quem está desanimado.
Diante de tanto bem a ser feito, o que você escolhe alimentar hoje?

AUTORA SIMONE GONÇALVES
Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
CRIATURAS DIVINAS
Algo fascinante
Nem os deuses conseguem explicar
A maneira como podem
Nos encantar
Chegam de mansinho
Sem nada pedir
Num estalo, na verdade... num miado
Nos fazem lembrar do nosso existir
Acolhem com um olhar penetrante
Ronronar de amor mais puro
Companhia mais que perfeita
Em qualquer momento
Sem nenhum tipo de interesse
Não precisam de riquezas materiais
Apenas querem um colo, às vezes
Se deixam levar se for para nos acompanhar
Em todos os cantos da casa
Quando ainda a preguiça não os convence
Que descansar é em qualquer hora que bem entendem
Falo de quem?
Ora, dos majestosos gatos, é claro
Quem tem, sabe bem
Ou melhor, quem teve a sorte de ser escolhido por algum
Porque conviver com essas criaturas
Não é só dizer "eu tenho"
É ser agraciado pela honra de ter um coração que transmite
A energia do bem
Que os atrai pela vida
E assim eles nos devolvem mais... vida!

AUTOR EDUARDO GRABOVSKI
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
NÃO HÁ TRIBULAÇÃO EM ESCOLHER UM SENTIDO
Sentido seria um sinal de advertência que antecede o que se deve ou não fazer, ou pode ser simplesmente uma ordem a ser seguida na direção de realizar um objetivo estabelecido.
Sentindo o sentido, sinto que existe um dever a ser cumprido, um alvo a ser alcançado e uma tarefa a ser realizada, sempre tentando manter a melhor sensação descrita em vários sentimentos — felizes, tristes, reais ou até mesmo pejorativos.
Há sentido em ter opinião divergente de um amigo; pode ser apenas pontos de vista que diferem, ou pode existir um sentimento encoberto. Sabe, nem sempre todos dizem o que a mente pensa, para evitar atritos. Mas será que é realmente saudável manter todo sentimento escondido? É difícil conceber o valor das palavras quando o medo de causar um mal-entendido fala mais alto.
No vislumbre de uma opinião que parece até errônea ou insensata, saiba que no final ela pode fazer sentido. Vejo o sentido em muitas coisas — como, por exemplo, realizar na academia um exercício no aparelho chamado Hack (destinado a trabalhar os músculos isquiotibiais da coxa, pelve, fêmur e tíbia). Nele, somos levados a manter a coluna na posição correta para garantir o movimento no sentido adequado, ativando a extensão muscular e fortalecendo os joelhos, glúteos e quadril. No equipamento, você é obrigado a respeitar o sentido de execução correto para, sabe o quê? Fortalecer.
Fico imaginando o que acontece com quem trabalha na construção civil e, no dia a dia, mexe a massa pronta para assentar cerâmica na parede. Certa vez, eu estava mexendo no sentido anti-horário e ouvi que aquele não era o movimento correto para executar a mistura. Mas veja: podemos escolher obedecer ao nosso superior direto e experiente, ou tentar executar da maneira em que sentimos estar dando o melhor de nós e alcançando resultado similar. Afinal, mesmo mexendo a massa no sentido horário, percebi o mesmo resultado — então não dá para se apegar a dogmas sistemáticos sobre a forma de executar tarefas.
Existem pessoas que se incomodam quando outras têm opiniões divergentes e, pior ainda, não entendem a fundo o sentido das discordâncias. Vou dar um ou dois exemplos para refletir: falando do exercício Hack, um colega de trabalho disse não concordar em aplicá-lo para iniciantes — bela opinião do ponto de vista dele, que o considera excessivo. Em contrapartida, eu, que realmente necessito da ativação muscular e de aprofundar o tratamento, discordei e sigo o exercício conforme orientações da instrutora da academia.
Em outro caso, um ex-colega de trabalho certa vez me questionou por que eu colocava na xícara primeiro um pouco de leite e só depois completava com o café, se não seria a mesma coisa fazer a mistura mudando o sentido e colocar o café primeiro. Respondi que o resultado pode ser o mesmo, mas a minha escolha nessa ordem se deve à satisfação pessoal de ver o redemoinho se formando até o café com leite tomar a coloração que me agrada e me traz prazer em tomar a bebida.
Em ambos os casos, foi uma conversa tranquila, relaxada, simplesmente no sentido do diálogo. E aí está o sentido do meu texto: se nos tornamos pessoas de sensações bloqueadas, presas em achar que somente nossa experiência é adequada, não estamos cometendo nenhum equívoco — pois, se analisar bem, cada um reage ao sentido das coisas, dos diálogos e das opiniões da melhor maneira que sente. Então ainda podemos encontrar, nas divergências de metodologia, o equilíbrio para nos comunicar sem ressentimentos ou mal-entendidos.
Falo principalmente sobre os mal-entendidos: uma opinião ou ponto de vista nem sempre tem o objetivo de causar furor ou duplo sentido. Se isso ocorre, pode haver algum sentimento suprimido, ou a falta de expor o que se sentiu no momento. Expor o que não te agrada pode ser feito de forma simples, como “não concordo” — assim como os amigos citados no texto fizeram. E sabe o que me marcou em ambos os casos? No momento de expor o desacordo, seus olhares estavam firmes e seguros de suas opiniões. Isso não me causa mal-estar; ao contrário, traz um bom sentido, pois certas discordâncias podem ser usadas para fortalecer nossa opinião e manter firme aquilo que, para cada um de nós, faz sentido.
Assim me refiro ao objetivo de, mesmo com algum desconforto, manter meu treino de isquiotibiais em dia e, com o mesmo prazer de ver o café tingir o leite, seguir utilizando o equipamento até atingir meu objetivo.
Você pode exercitar o discordar com qualquer pessoa ao seu redor, mas peço que observe o olhar de cada uma delas — pois o olhar pode revelar, no momento, se o que está sendo conversado traz um bom sentimento e se está sendo agradável para ambos. Afinal, se o assunto, antes mesmo da discordância, trouxer desconforto, isso estará exibido no olhar de ambos, e assim cada um pode seguir certo do que melhor faz para si, sem precisar prolongar um mal-entendido.
Se entenda nos seus objetivos — principalmente se, no fundo, faz sentido para você.
Universo do Tio Dudú

AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
NAS ASAS DO TEMPO
Nas asas do tempo, encontro forças
Para ignorar o passado
Que deixou meu coração desacreditado.
Nas asas do tempo
Meu coração percorreu tempestuoso caminho,
Enfrentou ciclones, tsunamis,
Decidiu viajar sozinho.
Nas asas do tempo,
Expulso a dor
Que se instalou
Quando teu coração me enganou.
Nas asas do tempo
Esqueço os labirintos que meu coração trilhou,
Foco na jornada que se inicia,
Procurando resgatar a minha alegria.

AUTORA ARLÉTE CREAZZO
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
DROGAS NA MINHA INFÂNCIA
Hoje, quando falamos em drogas, o assunto é bem sério, cheio de alertas, debates e campanhas. Mas quem viveu a infância em outros tempos experimentou um mundo paralelo, onde nossas “drogas” eram inocentes (ou quase), vícios que pertenciam, inclusive, ao ambiente escolar. Afinal, quem nunca se apressou em levantar a mão na sala de aula quando a professora pedia para passar a folha de exercícios no mimeógrafo?
Ah, o mimeógrafo! O cheiro de álcool que exalávamos ao passar a folha por aquele rolo movimentado por uma manivela, a qual girávamos lentamente para que o “prazer” durasse mais tempo. E a felicidade quando começava a secar e as folhas saíam quase sem tinta, permitindo um pequeno êxtase quase instantâneo ao enchermos a almofadinha com o precioso líquido.
Ao levarmos as folhas para a professora, ainda as balançávamos para que o deleite permanecesse por mais alguns minutos.
Outro prazer viciante era sentir o cheirinho da gasolina quando o pai enchia o tanque no posto, ou quando nossa mãe limpava o chão com o precioso líquido (sim, sou do tempo em que pegávamos gasolina em pequenos galões para limpezas domésticas).
O cheiro de lápis de cor e de cadernos novos era outro deleite. Demorávamos nas prateleiras das livrarias até encontrarmos o material que nos atraísse — não apenas pelas belas capas, mas também pelo perfume exalado.
E as famosas canetinhas com cheirinho de frutas? Essas eram o auge do luxo, já que muitas vezes só conseguíamos sentir o aroma através dos amigos mais abastados, que exibiam seus objetos de “prazer” aos colegas menos favorecidos. O melhor era que, mesmo depois de a tinta acabar, o perfume ainda permanecia no pequeno tubo plástico.
Hoje, adultos, lembramos desses preciosos momentos cheios de nostalgia e nos perguntamos: como fazíamos tudo isso sem sermos julgados — e ainda achávamos bom? Achávamos? Na verdade, quando sinto o cheiro de gasolina ou de álcool, sinto a mesma felicidade da infância, pois isso me remete a tempos felizes.
A melhor lembrança de tudo isso é perceber que éramos felizes com coisas simples. Um pequeno aroma era capaz de nos proporcionar grandes momentos de alegria.
Dizendo tudo isso em voz alta, pode até não fazer muito sentido... mas que nos dava uma felicidade inexplicável, isso dava.

AUTOR MAXIMILIAN SANTOS
MAXIMILIAN SANTOS, natural de Feira de Santana, Bahia, é escritor, poeta e técnico em computação. Escreve desde os 17 anos, quando descobriu na palavra um refúgio e uma forma profunda de expressão. Coautor de cinco antologias poéticas, encontra na escrita não apenas arte, mas libertação, um espaço onde a alma se aquieta e o coração encontra voz.
MADRUGADA SOMBRIA
Quando a madrugada chega, meu coração se entristece. O que antes era calma vira um deserto vazio, sozinho, abandonado.
Em instantes, sou tomado por sentimentos sombrios, inquietantes.
E o amanhecer não vem para dizer que foi só um sonho.
A madrugada é longa, infinita, um poço sem fundo, sem esperança.
Já não me restam forças, vontade virou algo distante.
Perdido em mim mesmo, sem caminho de volta, guardado a sete chaves, onde o medo me prende e me arrasta para dentro dos meus próprios pensamentos.
Ali, me afogo no remorso, numa cena amarga, carregada de dor e ódio.
Palavras bonitas passam por mim, mas já não tocam.
Madrugada de medo e ansiedade, madrugada sem esperança, nem mesmo verdade.
Promessas que um dia me deram o mundo me trouxeram até aqui, sem dó, sem amor, sem fazer mais diferença.






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