REFLEXÕES Nº 208 — 19/04/2026
- Luiz Primati
- há 1 dia
- 19 min de leitura


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
CORRENDO SEM PARAR
Vivemos num tempo em que estar ocupado passou a parecer virtude. A agenda cheia virou sinônimo de importância, o cansaço virou prova de esforço, e a pressa quase sempre é confundida com compromisso. No entanto, há uma armadilha silenciosa nisso tudo: fazer demais nem sempre significa viver melhor. Muitas vezes, significa apenas se afastar de si mesmo.
A cultura da produtividade nos ensinou a medir o valor dos dias pela quantidade de tarefas concluídas, como se a existência pudesse ser reduzida a uma lista marcada com caixas de confirmação. Produzir, entregar, responder, resolver, antecipar. Tudo precisa acontecer rápido, de preferência agora. Mas, no meio dessa corrida, quase nunca se pergunta o essencial: para quê?
Para quem trabalha com análise, programação e solução de problemas, essa pressão se torna ainda mais visível. Há sempre algo para otimizar, um processo para acelerar, um sistema para corrigir, uma demanda para entregar. A lógica da eficiência invade não apenas o trabalho, mas também a vida. Aos poucos, o descanso começa a parecer culpa. O silêncio parece desperdício. A pausa parece atraso. E então a pessoa já não vive, apenas administra urgências.
O grande paradoxo é que, ao tentar otimizar tudo, arriscamos empobrecer o que realmente importa. Relações humanas não florescem na pressa. Ideias profundas não nascem sob ansiedade constante. A lucidez não surge do excesso, mas do espaço. Há coisas que só amadurecem quando não são forçadas.
Talvez o verdadeiro progresso não esteja em fazer mais, mas em discernir melhor. Não em preencher cada minuto, mas em dar sentido ao tempo. Fazer menos, quando esse menos é mais consciente, mais inteiro e mais verdadeiro, pode ser um gesto de sabedoria. Porque uma vida frenética pode até parecer produtiva por fora, mas, por dentro, pode estar apenas esvaziada.
No fim, a pergunta permanece como um espelho incômodo e necessário: estamos, de fato, melhorando a vida ou só aprendendo a correr mais rápido dentro do mesmo labirinto?

AUTORA STELLA GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
A ARTE DO ENCONTRO
O ser humano é ontologicamente diferente dos demais seres, tendo recebido, em sua humanidade, condições específicas para dar conta da própria vida, sustentá-la e ampliá-la. Ele é um feixe de possibilidades sempre em aberto, capaz de transcender e surpreender a si mesmo, lançado ao mundo sem controle sobre a vida e sem certezas quanto ao próprio destino.
Existe uma sensação natural de afinidade e conexão com o mundo físico e social, onde desenvolvemos relações com pessoas conhecidas ou que encontramos ao acaso.
As ideias de Martin Buber — filósofo, teólogo e escritor austríaco-israelense — contribuem para compreendermos essa arte do encontro. A relação humana produz diferentes possibilidades de estar no mundo. Eu-Tu e Eu-Isso fazem parte do movimento humano, inseparáveis, alternando-se constantemente a cada relação.
A vida é feita de encontros e desencontros. Um encontro genuíno entre pessoas, seja na amizade ou no amor, nos molda e nos prepara para o próximo passo. Alguns encontros são breves, outros duradouros, mas todos essenciais. A vida é um encontro constante: com o outro, consigo mesmo e com o mundo. Mesmo permeados por perdas e finais, os encontros nos permitem celebrar e olhar para o futuro com esperança.
Cada pessoa que passa por nossa vida traz um pouco de si e leva um pouco de nós, motivando-nos a refletir sobre a arte de viver, de encontrar e de encontrar-se. Valorize as conexões sinceras, pois são elas que dão sentido ao caminho.
Encontrar alguém que ressoa com a nossa alma é um dos maiores presentes da vida. São pessoas que nos enriquecem, que nos reconhecem como gentis e amorosos, que percebem que somos amor, que vivenciam conosco poemas de vida e enxergam a alma do outro como a de um ser amado.
Cito, nessa arte do encontro, o amor que nos conduz a um mistério maior, que nos leva ao encantamento ao longo do tempo.
Viver é oferecer ao outro o melhor que possuímos e encontrar, em cada pessoa, o melhor que ela tem a oferecer. Agradeça a quem ficou e aprenda com quem passou. Surpreenda-se com quem te encontra e se faz presente nas páginas da sua história.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
ABUSO DE PODER
Arrogância e soberba precedem a queda!
A vaidade por trás de uma patente.
Abuso de poder!
Perseguições!
Represálias!
Afinal, quem pode com alto escalão!
Um rito de assédio!
Denúncias sobre a mesa e ninguém faz nada!
Um psicopata!
Um dissimulado!
Um gentleman!
Um Dom Juan!
Um príncipe encantado que após o amor
Conquistado revela o seu lado mais amargo.
O lobo que revela o seu egocentrismo
Que anda de mãos dadas com o machismo.
Assim vem a violência psicológica!
A brutalidade é revelada com os
Constrangimentos e humilhações!
Até que acontece a primeira violência física!
Mas o pedido de perdão sempre vem
Até que acontece a próxima agressão
Que antecede o trágico desfecho!
Ouve-se um estampido
E estranhamente só após
Vinte e nove minutos
A tragédia é anunciada.
Friamente foi feito um pedido
De socorro que foi atendido,
Mas diante do tiro fatal, não.
Foi possível fazer mais nada
E a morte foi confirmada,
A família foi avisada
Enquanto a mídia anunciava
Um possível suicídio
Mas a câmera mostrou as contradições
E muitos que estiveram no local
Disseram que aquela cena foi
Adulterada pelas mãos
Inescrupulosas e covarde
Com o objetivo de esconder a verdade.
Enfim, o laudo revelou
Que o crime perfeito
Na verdade, foi uma cortina de fumaça
Para esconder mais um feminicídio,
Assim, mais uma mulher foi silenciada,
Mais uma mulher foi assassinada,
Mais uma família ficou destroçada
É mais uma criança órfã
É mais um pai e uma mãe enlutados.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
ENTRE O SOL E A CHUVA
Aqui na Inglaterra, o tempo muda o tempo todo.
E a gente está na primavera agora.
Uma época que, em teoria, deveria ser mais leve, mais florida, mais com cara de recomeço.
E tem dias assim.
Dias em que o sol aparece bonito, o céu abre, e tudo parece mais leve mesmo.
É muito gostoso quando isso acontece.
Mas a chuva também aparece bastante.
O frio volta, o céu fica cinza, e o tempo muda sem muita explicação.
E isso me fez pensar sobre a vida e sobre as pessoas.
Porque a convivência também é assim.
Tem dias em que tudo flui.
O ambiente está leve, as pessoas estão bem, e parece que tudo está no mesmo ritmo.
E isso também é bom de viver.
Mas tem outros dias em que o clima muda.
O tom muda, o jeito muda, a energia muda.
E a gente vai aprendendo a lidar com isso.
Uma coisa importante é entender que nem tudo é sobre a gente.
Assim como não é pessoal quando o tempo muda de repente, também não é sempre pessoal quando alguém está mais quieto, mais fechado ou mais introspectivo.
Mas ainda assim a gente sente.
A gente percebe o clima do outro, mesmo sem saber exatamente o que está acontecendo.
E isso tem muito a ver com o que cada pessoa carrega.
As inseguranças, as histórias, os dias bons e ruins que todo mundo tem.
Tem gente que se expõe mais, outros que se recolhem mais.
Tem gente que tenta organizar o ambiente, e tem gente que só observa e vai encontrando seu espaço.
A gente também muda o tempo todo e, provavelmente, o incrível da vida esteja justamente aí.
Não em esperar constância…
Mas em entender que a vida tem movimento.
Assim como o clima aqui muda, as pessoas também mudam, e isso não é necessariamente ruim.
Depois da chuva, o sol volta.
E talvez maturidade seja isso:
Não exigir que tudo seja sempre igual.
Mas aprender a aproveitar o sol quando ele vem…
E atravessar a chuva com mais leveza, sabendo que ela também passa.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
A FORÇA DE UM AMOR
O ser amado é capaz de
revolucionar o mundo,
porque o amor é uma das
maiores forças que
existem.
Amar, ser amado
e dizer a um amigo
o quanto ele é importante
faz toda a diferença.
Com amor, vivemos mais
felizes,
pois amar o amor
é trazer doçura, leveza e
alegria
para o próximo
e para si.
Por isso,
tente amar…
tente se amar…
só tente
e verás tudo
florescer
ao seu redor.

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
OBSERVAR
Observar pela janela,
O frio lá fora a todos agasalhar,
E eu aqui, na imensidão de meu quarto,
Se você para me abraçar...
Observo crianças na rua a Brincar,
Jogando futebol, para variar,
Lembro-me de minha infância,
Antes de saber o que é me apaixonar...
O vento gelado bate forte,
A minha sorte,
Do vidro da janela fechada...
E eu retorno meus pensamentos à minha amada,
Enquanto uma lágrima escorre em minha face gelada
Sem você, minha desejada mulher.

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
VESTIDA DE FELICIDADE
Nada me veste melhor que a felicidade
Estar feliz me faz mais bonita
Meus lábios sorriem radiantes
Meus olhos brilham feito estrelas
Minha energia fica fascinante!
Minha pele transborda
A luz divina que habita em mim
Fico leve, transparente
Elétrica, saltitante
Bailando para lá e para cá.
A alegria estampa meu rosto
Fico radiante feito sol!
A alegria me veste tão bem!
Dizem que amarelo é a cor da felicidade
Então me visto de girassol
Espalho tanta luz
Que brilho feito uma estrela amarela!
Vestida de felicidade, então
Feito uma fada encantada
Com sua varinha de condão
Apontada para alguém
E dizendo:
Fique feliz também!

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
À ESPERA DE UM DIA...
Ela guardava o melhor de si como quem guarda um segredo antigo, bem dobrado, perfumado, protegido do desgaste do mundo.
No fundo do armário, suas roupas mais bonitas estavam à espera de um dia que nunca se anunciava. Os sapatos, ainda com o brilho intacto, pareciam ansiar pelo som de passos confiantes que não vinham. As joias carregavam um brilho que não encontrava pele para usá-las.
Havia sempre uma ocasião especial por vir. Um amanhã idealizado, uma promessa, um momento perfeito que justificaria o uso daquilo que ela julgava precioso demais para o cotidiano. Como se a vida comum, os dias simples, como o café passado na hora, o vento na janela, não fossem dignos de sua beleza.
E assim, sem perceber, ela adiava a si mesma.
O tempo era implacável, não esperava. Corria ligeiro, esculpindo linhas em seu rosto, mudando o tom de seus dias, levando embora instantes que jamais voltariam. E, enquanto ela esperava pelo extraordinário, tudo se esvaía, silencioso, irrepetível...
Havia uma certa tristeza nisso. Não na espera em si, mas na crença de que era preciso merecer o agora. Como se a beleza precisasse de permissão. Como se o encanto da vida estivesse resumido a eventos raros, quando, na verdade, ele mora nas pequenas coisas, no jeito de sorrir sem motivo, no cuidado consigo mesma, no simples ato de existir.
Um dia, porque sempre chega um dia, ela abriu o armário e percebeu que o tempo não havia esperado junto a ela. Algumas peças já não lhe serviam mais, outras já não combinavam com quem ela se tornara. E ali, entre tecidos e memórias, ela entendeu: o especial nunca esteve no dia, mas nela.
Talvez tarde, talvez a tempo, ela vestiu o que antes guardava. Calçou os sapatos esquecidos, adornou-se de si mesma e saiu, não para um grande evento, mas para a vida.
Porque viver, afinal, sempre foi a ocasião mais especial de todas.

AUTORA MARINALVA ALMADA
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
VERDADEIRO OU FALSO
Antigamente, a vida era muito simples, só tínhamos essas duas alternativas nas provas escolares.
Marcava-se a resposta, entregava-se, e o mundo seguia seu curso normal e monótono, sem muitas novidades.
Hoje, não sabemos mais o que é verdadeiro ou falso.
A linha que separava os dois foi apagada com apenas um toque.
Com a evolução tecnológica, tudo pode ser modificado: a voz, o rosto, a história, a notícia.
A IA é uma ferramenta brilhante, quando usada para o bem:
ensina, aproxima, ajuda, facilita a vida.
Mas quando usada para o mal, é altamente prejudicial, um veneno invisível:
espalha fake news, cria perfis falsos, aplica golpes, rouba certezas.
E agora, o que fazer?
Quem nos devolverá a confiança?
Quem separará de novo o verdadeiro do falso
quando até os olhos podem ser enganados?
Talvez a resposta não esteja mais na prova.
Esteja no cuidado, no olhar atento,
na coragem de duvidar, verificar, questionar, checar, antes de repassar qualquer informação.
E você, ainda sabe quando marcar verdadeiro ou falso?

AUTORA SIMONE GONÇALVES
Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
OUTONO E SEUS SEGREDOS
Outono tem mistério
Mistura de todas as estações
Embala nossos desejos
Encontro de corações
Outono tem segredos
Revelam-se no voo de uma borboleta
Criando caminhos coloridos
No toque suave em beijos compartilhados
Outono tem perfume, sabor
Um "que" de querer sempre mais
Em descobrir como chegar ao céu
E entregar-se ao puro amor
Outono, eu e você
Desde o despertar das manhãs
Até o cair da noite
Sensações de puro prazer
Num único laço, dentro de um abraço
Que nunca irá se desfazer...

AUTOR EDUARDO GRABOVSKI
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
UM INESPERADO ENCONTRO COM O CRISTAL RELUZENTE
Recentemente, um miniconto se desenrolou em minha mente, nascido de uma manhã serena. Pedalava alegremente em minha bicicleta, carinhosamente apelidada de "minha eguinha duas rodas", por uma vila que evocava a beleza histórica de Paraty ou Trindade, no Rio de Janeiro. As ruas centenárias, com suas estradas de tijolos, desenhavam um perfil que parecia saído da época do império.
Em meio a esse cenário, meus olhos capturaram algo inusitado: em uma cocheira, na soleira da porta da baia, repousava uma garrafa de água. Não era uma garrafa comum; era reluzente, cristalina e resplandecente. Sua beleza e a forma como estava ali, desacompanhada, sem ninguém por perto, me impactaram profundamente. Afinal, um objeto de tamanha beleza raramente se encontra em tal abandono.
Continuei meu passeio até uma padaria, onde me deliciei com o café e a torta que sempre me esperam pela manhã. Sentado à mesa, meu olhar divagou para o lado e, para minha surpresa, vi outra garrafa de água. Esta, igualmente bela, parecia ser feita de um cristal raro. Após o café e a torta, ao sair, permiti-me o privilégio de mergulhar na imaginação, iniciando um devaneio sobre a garrafa que havia encontrado.
Você, por acaso, aprecia histórias de duendes, gnomos, leprechauns ou fadas, como a Sininho? Imagine a fantasia de encontrar, de forma inesperada, uma garrafa de cristal capaz de realizar seus desejos e aplacar seus infortúnios com apenas um gole, tal qual a lâmpada mágica de Aladim e seus três pedidos.
Contudo, nesta nossa história, a garrafa não concede desejos. Em sua plenitude e resplandecência, ela limpa e purifica suas piores sensações, transformando-as em uma mola propulsora para que você, por si só, realize seus anseios mais profundos.
Pense no primeiro gole: suas indecisões se transmutariam em certeza. Mais um gole: seus temores se converteriam em convicção. Com outro gole, o conteúdo da garrafa começa a diminuir, enquanto o brilho luminescente da satisfação toma conta de seu ser.
Sem que perceba, antes mesmo do próximo gole, seu olhar para as pessoas e para o mundo se transforma. Você nota o brilho da água pura, vislumbra as nuances de um céu límpido e, ao observar alguém, sente como se estivesse diante de uma bela estátua de mármore de brilho excepcional.
Mas, ao se deparar com olhares ranzinzas e rostos descontentes, você se surpreende: isso não o assusta mais. Como por mágica, aprende a respeitar a ira alheia sem se amedrontar. Descobre que o medo daquilo que antes o paralisava perdeu seu poder. Aprende a respeitar o que é diferente, sem a necessidade de interferir no rumo natural das coisas, das pessoas e de suas vontades.
Você aprende o riso fácil que não ofende, a estender a mão sem esperar nada em troca. E quando se dá conta, sente tamanha confiança que decide deixar a garrafa em um canto especial da vida, em uma esquina qualquer, na esperança de que outra pessoa especial a encontre, assim como você, e seja presenteada com o mais profundo banho de limpeza.
Acredito que a força de vontade para preservar os melhores sentimentos reside em garimpar as pedras preciosas de nossa consciência, permitindo que elas lapidem nossa essência. O quartzo das bolas de cristal de bruxas de contos de fadas, ou mesmo o estilo de Yennefer na série "The Witcher", não é assustador; é, na verdade, encantador, não no sentido pejorativo, mas no sentido libertador do ser.
Busquemos inspiração para realizações criativas! Um conselho de um amigo só é prejudicial se você não limpar as lentes dos olhos da alma e discernir quem realmente torce por você. Não permita que um conselho vazio sufoque suas metas.
Esta não é uma história de Aladim, sem lâmpadas mágicas. Falo de uma limpeza de caráter, do ego, da ira. É sobre acabar com os sentidos furtivos que impedem suas realizações. Pode não ser hoje, mas amanhã você pode cruzar com alguém — um ex-amigo, um novo amigo — que já desfrutou de sua garrafa de cristal e a deixou em um lugar onde você possa alcançá-la. E, melhor ainda, ela pode conter gotas de um líquido resplandecente, capaz de limpar o ego e a carência mal resolvida.
Então, se pararmos para pensar, só precisamos imaginar de qual material seria o conteúdo dentro da garrafa de cristal que encontramos em nosso caminho: seria um quartzo branco resinado, cristal puro, turmalina negra ou um diamante ônix?
Deixo a reflexão para você, amigo leitor. Responda aqui na Valleti Books: de qual material é confeccionada a garrafa de cristal que você gostaria que limpasse os desenredos de sua vida?
Afinal, é preciso sair da plateia e eliminar o lixo tóxico que reside em nossos próprios pensamentos. Lapide-se.
Universo do Tio Dudú

AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
CORRERIA
Passos apressados,
Por todos os lados.
Na correria
Do dia a dia,
Congestionamento nas ruas.
Almas nuas,
Sem a vestimenta da empatia.
Pessoas seguem apressadas,
Como pétalas despedaçadas,
Levadas pelo vento do cansaço,
Perdendo a vida a cada passo.

AUTORA ARLÉTE CREAZZO
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
AS PALAVRAS QUE NÃO SÃO DITAS
Já assisti a muitos filmes em que pessoas podem ler os pensamentos alheios. Penso se isso seria divertido ou uma total catástrofe mundial. Afinal, será que eu gostaria realmente de saber o que os outros pensam de mim?
E se toda a humanidade pudesse ler o pensamento uns dos outros?
Talvez coisas desse tipo nos levassem à 3ª Guerra Mundial, ou apenas a uma pequena guerra civil entre parentes e vizinhos. O caos se instalaria todos os dias, logo após o primeiro “bom dia”.
– Bom dia, D. Judite – e lá vem o pensamento: velha imbecil, acha-se dona da rua, totalmente louca. Vive reparando nas casas da vizinhança, criticando o modo de vida de cada morador. Gente assim deveria morar em uma ilha deserta.
E se, nesse mesmo tempo, D. Judite já estivesse pensando em mim – vizinha barulhenta, canta o dia inteiro, achando-se a própria Elis Regina. Onde já se viu incomodar os vizinhos dessa forma? Gente assim deveria morar em uma ilha deserta.
Com certeza não sobrariam ilhas desertas para a população mundial.
O fato de lermos os pensamentos das pessoas não nos tornaria pessoas melhores, já que com certeza usaríamos esse poder para nos aproveitar e tirar vantagem das pessoas próximas.
Surpresas seriam desfeitas, já que saberíamos onde e quando aconteceriam. As brincadeiras de adivinhação perderiam sua graça, já que saberíamos de imediato a resposta, sem sequer ter a chance de pensar em uma.
O segredo sobre Papai Noel e o coelhinho da Páscoa seria revelado logo nos primeiros anos de vida da criança, não dando a ela a chance de viver essa fantasia.
Na verdade, acredito que nem todos os segredos devam ser revelados. Será que eu gostaria mesmo de saber o que os outros pensam de mim, ou posso continuar convivendo com o sorriso que me é dado ao encontrar parentes e amigos? Em contrapartida, será que eu gostaria que os outros soubessem o que realmente penso deles em determinado momento?
O fato de não gostar de certa atitude não significa que eu não goste da pessoa, e pensar nisso em um momento de raiva não me daria a chance de rever meu pensamento, antes que seja dito.
Como ficaria a chance de darmos uma segunda oportunidade a alguém que acabamos de conhecer e que, de pronto, não nos causou uma boa impressão? Se lessem nosso pensamento no momento – as palavras que não são ditas –, tirariam a chance de nos conhecermos melhor e, quem sabe, termos uma bela amizade.
Talvez o verdadeiro valor esteja justamente em podermos escolher nossas palavras, dando-nos tempo para refletir sobre o que realmente queremos e devemos dizer.







Encontros de palavras, sentimentos e emoções. Aprendizagens nas escritas, lindas palavras para o nosso domingo. Seguimos... 😍🤩🥰