REFLEXÕES Nº 214 — 31/05/2026
- Luiz Primati
- há 1 hora
- 20 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
O TEMPO QUE NÃO SE VIVE
Começo esta reflexão com uma confissão: sou um homem do meu tempo. Daqueles que correm atrás da tecnologia, que farejam a novidade antes mesmo que ela amadureça, que querem estar sempre um passo à frente do que ainda nem aconteceu. Há um orgulho discreto nisso — o orgulho de quem não se deixou ficar para trás. Mas existe também uma pergunta teimosa, dessas que me alcançam justamente quando baixo a guarda: tudo isso me faz bem?
Não nego minha obsessão pela produtividade. Mas não permito que a experiência do presente escorra entre meus dedos como areia. E talvez seja exatamente aí que mora a tensão de viver hoje: queremos abraçar o futuro sem soltar a mão do agora. Sêneca, há dois mil anos, já advertia os apressados da sua época com uma frase que ainda nos pega de surpresa: "não é que tenhamos pouco tempo, mas que muito perdemos". A vida não é curta — nós é que a encurtamos, adiando o viver para um amanhã que insiste em não chegar.
O curioso é que essa pressa mudou de natureza. O filósofo coreano Byung-Chul Han observa que não vivemos mais sob o chicote de um senhor que nos obriga a trabalhar; tornamo-nos, cada um de nós, ao mesmo tempo o explorado e o explorador de nós mesmos. Ninguém precisa mais nos cobrar — nós nos cobramos sozinhos, sem trégua, e chamamos isso de liberdade. O cansaço deixou de ser o repouso merecido de quem cumpriu sua jornada e virou um estado permanente, uma exaustão que nenhum domingo cura. E o tempo, antes um rio que corria com leito e direção, virou uma sucessão de pontos soltos, sem ritmo, sem narrativa. Vivemos depressa, mas não temos mais a sensação de irmos a lugar nenhum.
Dia após dia, convivo com muita gente diferente. Pensamentos, histórias e objetivos de vida que pouco se parecem entre si. E aprendo algo com cada um — porque ninguém atravessa nossa vida por acaso. Mas observo, e a pergunta retorna: será que todos conseguem separar o trabalho do lazer? Ou será que arrastamos um para dentro do outro até que nenhum dos dois exista por inteiro? O trabalho contaminado pela culpa do descanso, o descanso contaminado pela ansiedade do trabalho que espera.
Muitos repetem, como um mantra, que devemos reservar o fim de semana para o descanso, para o lazer. Guardamos a vida, então, para dois dias — como quem economiza a felicidade num cofre, à espera de uma ocasião especial que talvez nunca venha. Pascal já dizia que boa parte da nossa infelicidade nasce da incapacidade de permanecermos quietos, sozinhos, num quarto silencioso. Fugimos do presente porque o presente nos obriga a estar inteiros com nós mesmos — e isso assusta. Preenchemos cada vão de silêncio com notificações, listas e metas, como se a quietude fosse um defeito a ser corrigido.
E se o engano estiver justamente aí? E se, em vez de tentarmos compensar o excesso de trabalho uma única vez por semana, fizéssemos isso todos os dias? Penso numa ideia simples, quase artesanal: por que não repartir o dia de modo que nele caibam o trabalho, a leitura, o exercício do corpo, o lazer — um pouco de cada coisa, todos os dias? Não seria mais humano viver um naco de tudo a cada amanhecer do que adiar a vida para depois?
Henri Bergson chamava de duração o tempo realmente vivido — esse tempo qualitativo, feito de instantes que se interpenetram, tão diferente do tempo morto do relógio, fatiado em horas iguais e produtivas. O relógio mede; a duração sente. E nós, de tanto medir, esquecemos de sentir. Thoreau foi para a beira de um lago porque queria viver deliberadamente, enfrentar apenas os fatos essenciais da existência e não descobrir, na hora da morte, que não havia vivido. Aristoteles, muito antes, já entendia o ócio não como preguiça, mas como o solo fértil de onde brotam a contemplação, a amizade e o pensamento — o verdadeiro fim de toda a labuta.
Os poetas talvez tenham dito isso melhor do que os filósofos. Manoel de Barros fez da lentidão e das coisas miúdas uma forma de sabedoria, ensinando que há grandeza no que o mundo apressado descarta. E Fernando Pessoa, pela voz de seu guardador de rebanhos, lembrava que existe metafísica bastante em simplesmente sentir o sol na pele e não pensar em nada. O carpe diem de Horácio nunca foi um convite ao desperdício, mas o contrário: colher o dia de hoje porque confiar demais no amanhã é a forma mais sutil de perder a vida.
Adapto-me aos tempos, sim. Continuarei correndo atrás da novidade, porque essa também é a minha natureza. Mas aprendi que estar à frente do tempo não vale nada se eu não estiver presente nele. Produzir é necessário; mas viver é urgente. E talvez a maior das produtividades seja esta, tão fora de moda: a capacidade de habitar plenamente o instante que tenho nas mãos — antes que ele, silencioso, se vá.
O tempo que não se vive não volta. E nenhum fim de semana, por mais longo que seja, devolve os dias que deixamos passar enquanto corríamos atrás de uma vida que estava, o tempo todo, aqui.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
ACORDAR SORRINDO...
Você já acordou com um sorriso no rosto, sem saber exatamente o motivo, como se o dia já começasse com o pé direito? Acordar sorrindo é um lembrete de que o cérebro trabalha a noite inteira organizando emoções, memórias e esperanças. Mesmo quando a vida está difícil, esse sorriso pode ser um sinal de que ainda existe espaço interno para bom-humor e leveza.
Durante o sono, emoções, lembranças e desejos se misturam nos sonhos. Alguns se desfazem em segundos. Outros deixam apenas um rastro de sensação agradável. E é justamente esse rastro que pode se transformar em um sorriso espontâneo ao despertar.
Acordar sorrindo costuma indicar que o cérebro passou por experiências maravilhosas durante a noite. Mesmo que você não se lembre dos detalhes, algo foi processado de forma positiva. Para algumas pessoas, isso é raro. Para outras, quase rotina. E isso não significa ter uma vida perfeita. Na prática, revela um momento de equilíbrio emocional, um sono de melhor qualidade ou até uma fase de esperança em relação ao futuro.
Em muitas situações, o sorriso está ligado a sonhos paradisíacos, mas também pode surgir de uma sensação de alívio, de tarefas resolvidas, de um período mais tranquilo ou até de hormônios liberados de forma mais equilibrada ao longo do sono.
Às vezes, basta um sonho em que você se sente amado, vencedor ou simplesmente em um lugar sereno para que o hormônio do estresse diminua e o humor desperte mais leve.
Acordar sorrindo é, no fundo, um mimo presenteado pelo inconsciente — um sinal silencioso de que, mesmo enquanto você dorme, sua mente continua trabalhando para encontrar caminhos de equilíbrio, conforto e esperança.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
GATILHO
Quando damos brecha para as decepções
Inevitavelmente, nós caímos e entramos
Em um campo minado difícil de sair,
E onde só os francos sobrevivem,
Logo sentimos uma dor implacável
Que configura uma amargura
Que traz uma tristeza intangível
Que vai mutilando aquela figura.
Muitos vão dizer que é só mais um tiro!
Que é só um mais trago!
Que é só um mais gole!
Que é só um mais furto!
Em tempos de abstinência
Dentro de nós ecoa uma voz
Que nos incita a cometer vários atos de violência
Pela fissura da droga que é o nosso algoz.
A queda começa dentro da sua mente,
Quando você tem uma decepção,
Quando você perde um familiar,
Quando você cultiva traumas internos,
Entenda que sempre vai existir um gatilho
Mas é você quem vai dar o primeiro disparo,
Então reconecte-se com Jesus e sem nenhum empecilho
Deixa Deus fazer na sua vida aquilo que ele fez com Lázaro.
Jesus disse: no mundo tereis aflição
Mas o importante é você não deixar a frustração
Se tornar morada no seu coração
A ponto de te levar para a perdição,
Arrependa-se e entregue a sua vida para Jesus!
Liberte-se das amarras do mundo e siga Jesus!
Se posicione, seja constante e tenha uma vida com Jesus!
E seja ponte para espalhar o evangelho transformador que provém de Jesus!
E entenda definitivamente que Jesus te ama!
E, se você permitir, Jesus te resgata!
E, através do seu poder, Jesus te liberta!
E a sua vida Jesus transforma!
E, mesmo vivendo uma tempestade, não se esqueça
Que foi para a liberdade que Cristo nos libertou,
Portanto, permaneçam firmes e não se deixem
Submeter-se novamente ao jugo do vício que
Vai te levar novamente para a escravidão.

AUTOR Kenia Pauli
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
O DOMINGO QUE NÃO SABE DESCANSAR
Há domingos que nasceram para o descanso. Mas nem todos conseguem descansar dentro deles.
Para algumas pessoas, o domingo é pausa natural. Para outros, ele se torna apenas mais um dia de movimento. O corpo até poderia parar, mas algo interno não permite.
Acorda-se cedo, às vezes sem necessidade. Ou até se dorme mais, mas com culpa silenciosa, como se o descanso precisasse ser justificado.
Na linguagem da constelação familiar, isso é visto como padrões herdados. Formas de viver que não começaram em nós, mas foram aprendidas no sistema familiar e repetidas ao longo das gerações.
Frases que não foram necessariamente ditas, mas vividas: “é preciso estar sempre fazendo algo”, “parar é perder tempo”, “descansar demais não é certo”. E o que é vivido, muitas vezes, se torna verdade interna.
Assim, o domingo chega, e nem sempre encontra descanso.
Há quem não consiga parar, não por falta de tempo, mas por uma inquietação que parece maior do que a própria vontade. Como se o simples ato de descansar ativasse uma culpa antiga.
Mas nem todo cansaço é nosso. Alguns são herdados. Alguns ritmos são repetidos sem perceber.
E o domingo, então, pode ser um espelho: mostra quem já consegue descansar e quem ainda está preso a movimentos automáticos que não fazem mais sentido.
Talvez a pergunta mais importante não seja por que estamos cansados, mas de onde vem essa dificuldade de parar.
Perceber isso já muda algo.
Porque lentamente podemos diferenciar o que é nosso do que é repetição. E transformar o domingo em algo novo: não um dia de culpa, mas um dia de reconciliação com o próprio tempo.
Descansar pode ser simples. Mas, para alguns, ainda é um aprendizado.

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
UM AMOR DISTANTE VERDADEIRO
Querida,
Hoje a distância separa nossos corpos,
Pode até provocar ferida,
Mas não desistirei.
Amo-te com tudo,
Meu coração,
Minha alma,
Meu espírito.
Entrego-me aos meus sonhos,
Onde você está presente,
Todas as noites.
E te amar,
Distante de meu corpo,
Mas numa só alma.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
ALÉM DO MEDO
Sair do lugar de conforto é desafiador quando tudo está no seu devido lugar. Fazer o movimento que desarruma, começar de novo, traz insegurança e receio de falhar. Mas, se buscarmos dentro de nós a força que está guardada, podemos ir além. Quando temos apoio, o caminho fica mais leve, mas, mesmo sem ele, seguimos. Não podemos parar diante das mudanças, embora sejam difíceis. E você… já sentiu essa sensação também? Quando se mover, vai perceber o quanto é libertador. Confie. Vá, com receio ou com coragem, mas vá.

AUTOR Lucélia Santos
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
SE AME PRIMEIRO
Há amores que chegam para preencher vazios, mas nenhum deles consegue permanecer quando a alma ainda sangra em silêncio.
Antes de oferecer o coração a alguém, é preciso voltar os olhos para dentro de si e aprender a habitar a própria companhia com ternura. O amor-próprio não nasce da vaidade, mas do reconhecimento do próprio valor. É ele quem ensina quais portas devem permanecer fechadas e quais afetos merecem entrar.
Quem se ama verdadeiramente não aceita migalhas emocionais, porque compreende que carinho não deve ferir, diminuir ou confundir. O coração que aprendeu a se acolher já não implora presença, nem se perde tentando caber em lugares onde nunca foi respeitado.
Também é necessário curar as feridas antigas. Há dores que, quando ignoradas, transformam qualquer gesto em ameaça e qualquer silêncio em abandono. Uma alma ferida vive em constante defesa, como quem espera ser machucado outra vez. Mas a cura traz leveza. Ela permite amar sem medo excessivo, confiar sem precisar lutar o tempo todo, e viver relações sem transformar o passado em prisão.
Amar alguém é bonito, mas amar a si mesmo primeiro é o que torna esse amor saudável, maduro e verdadeiro.
Porque quando o amor transborda de dentro, ele deixa de ser dependência e passa a ser escolha.

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
ENVELHECER
Por mais que nos cuidemos,
envelhecemos.
Fazemos exercícios.
Envelhecemos.
Tomamos vitaminas, suplementos.
Envelhecemos.
Usamos maquiagem.
Mesmo assim, envelhecemos.
Envelhecemos sem dar permissão ao tempo.
Envelhecemos e isso é viver muito.
Por mais que a gente lute,
o tempo vence.
A gente corre.
Ele nos alcança.
A gente se esconde.
Ele nos acha.
A gente nega.
Ele afirma e mostra os sinais.
Envelhecer não é derrota.
É vitória de quem ficou, de quem lutou, de quem se cuidou.
O que você pensa sobre isso?
Como você lida com os sinais da idade?
Deixo como dica de leitura para reflexão, os poemas: "Retrato" de Cecília Meireles e "O tempo" de Mário Quintana.

AUTOR Eduardo Grabovski
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
EVENTUAL RESILIÊNCIA TRANSMUTADA EM EXPERIÊNCIA
Inicia-se mais um mês, antecipando o inverno vindouro. Preparo o cobertor mais aconchegante, a roupa mais resistente, o casaco mais impermeável, as luvas e assim por diante, tudo isso para ir de bicicleta para o trabalho, saindo às 6 da manhã, enfrentando aquele frio intenso que resseca a pele e olhos.
Com os olhos secos, lacrimejantes e vermelhos, já me vejo planejando o que vestirei neste inverno que parece bastante rigoroso este ano. As temperaturas amenas de outra estação agora são vistas como salvação, do tipo a serração que no outono é sinal de frio pela manhã e calor durante o dia, agora é sinal de geada pelo amanhecer e sol reconfortante durante boa parte do dia.
As noites mais quentes agora são sinônimo de cobertor que a gente carrega para a sala ao assistir um filme na TV, aquela bela frase: Nos aquecer embaixo dos cobertores, ah, muitas boas lembranças da época de inverno em que eu sempre estava de férias escolares, e passava o dia no aconchego de um bom sofá.
A mudança de estações nos mostra como podemos nos preparar e ser surpreendidos pelo bailar das nossas escolhas e sermos obrigados a acatar o resultado de nossas decisões.
Penso que efetuar decisões cotidianamente é importante. Se decido pelo aconchego de uma roupa pesada, pode ser bom no momento, mas logo o clima muda e ela se torna um peso. Penso na decisão de usar luvas e, passando um tempo durante o dia, minhas mãos estão extremamente ressecadas e que devo ter outros cuidados. Uso proteção de cachecol durante o pouco período de geada e logo tomo um choque térmico ao enfrentar ar condicionado de diversos setores com climatizações variadas.
É impressionante pensar que a gente pode ter informações suficientes para tomar uma decisão baseada na média gerada pela experiência de determinada situação e ser, no mesmo instante, impactado pela mudança que ocorre quando o ambiente faz sua parte e muda repentinamente.
No dia a dia é assim, você toma a decisão de comprar algo, parece se programar bem, mas o inesperado sempre aparece, uma conta surpresa porque uma torneira quebrou ou algo na casa quebrou, o jardim precisa de um cuidado, e inesperadamente um cano quebra e temos que consertá-lo, tudo gerando novos e inesperados gastos.
Eu decidi, depois de muito tempo, não reagir e sim agir, afinal, com a idade a gente pensa estar preparado para tudo, daí vem uma guerra lá no outro lado do mundo e muda a perspectiva, o que faço, me adapto.
Mais uma Copa do Mundo vem e, sabendo dos jogos do Brasil e sem saber se ele irá passar de fase e teremos aquela dispensa do horário de trabalho para assistir, vai acontecer, fico só me preparando para o que vou ter que fazer e como agir no momento, penso em cozinhar, e antes do tempo o gás acaba. É incrível viver na minha pequena redoma que é minha casa e perceber o quanto pequenas situações me fazem ter que agir e me adaptar como em um círculo infindável de repetições.
É bem desse jeito que espero transmitir uma forma de idealizar o eventual, o eventual é teste de fogo e força, o inesperado e eventual é conjuntura para a mente agir com rapidez e manter a coerência, o inesperado eventual baseado no que esperamos é uma síntese de como a mente deve expandir horizontes além da experiência e se abrir para evolução.
Acredito que evoluir vai muito além do básico, sair da zona de conforto, pois às vezes a zona de conforto também nos faz evoluir. Uma mãe ou pai de família tem que se virar repetidamente para poder resolver as situações mensais de gastos com despesas familiares e, no final do mês, após o seu pagamento, reunir toda a família, mesmo que alguns boletos fiquem para trás, mas efetuar uma reunião de partilha, fartura e ensinamento.
Afinal, o ciclo diário do aprendizado e evolução, que vai além da evolução física e de bens, se sustenta na evolução de conquista de reação e agir com base nas inesperadas mudanças que ocorrem no mesmo lugar, seja trabalho, casa e/ou sociedade, pois o ambiente tem a mesma forma de nos estimular, mas como nos manteremos estimulados pelas eventuais mudanças que ocorrem repentinamente no ambiente é o segredo incutido do pensar que reage à mudança de rota no exato momento em que é exigido.
Continuarei aqui tentando decidir o que vou usar amanhã quando sair de casa. Se estiver geando, acho que vou, em forma de exercício, levar uma roupa corta-vento embaixo de uma boa jaqueta impermeável para evitar respingos que podem me causar uma gripe, e imaginar que após as 10 horas, quando estiver um pouco mais quente, sei que esta roupa não vai ficar pesada, e sim confortável.
Carregue para seu dia os melhores pensamentos, mesmo se o ambiente ao qual você tem que frequentar não traga nenhuma leveza ao seu dia, mas que a cada dia você aprenda a transmutar a indiferença em experiência de resiliência interior.
Universo do Tio Dudú

AUTOR Arléte Creazzo
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
MEMÓRIAS
Conversando com os mais jovens, percebemos que eles guardam na memória assuntos dos quais se lembram instantaneamente, e que nós, com um pouco mais de vida, levamos um tempo maior para recordarmos.
A questão não é a falta de memória, mas o excesso. Temos tanta memória acumulada em nosso cérebro, que demoramos muitas vezes para encontrar o que procuramos.
Funcionamos como um computador antigo, com mais de cinquenta anos de atualizações, sem nunca ter passado por uma limpeza de disco.
A criança, por outro lado, é um computador de última geração, recém lançado no mercado. Sistema operacional novinho, memória quase vazia, com poucos arquivos. E tudo funcionando com uma velocidade absurda. Qualquer informação recebida, a criança já arquiva e guarda em seu HD, praticamente intacto. Sendo assim, questionada sobre o assunto alguns meses depois, poderá facilmente ter acesso.
A criança guarda todas as músicas que ouve, nomes de pessoas próximas, os amiguinhos da escola e os alimentos preferidos.
O idoso tem anos de músicas arquivadas, milhares de pessoas com as quais conviveu e convive, se lembra do nome do amigo da quarta série que se sentava ao seu lado e uma lista infinita de alimentos consumidos ao longo dos anos.
Quando se pergunta algo a criança, ela responde de bate-pronto:
- Qual é sua cor preferida?
- Amarelo - responde rapidamente.
O idoso, ao ser questionado sobre qualquer coisa, pensa em todas as possibilidades de resposta.
- Cor preferida? Na minha infância, gostava muito do azul, mas depois ganhei uma roupa verde e mudei de opinião. Quando adulto, comecei a gostar muito de vermelho, então passei a gostar do laranja...
E assim passa a percorrer toda a memória, para chegar a um resultado plausível.
Porque, no fundo, o cérebro do idoso não está falhando, ele apenas está com excesso de memória.
Atingiu sua capacidade máxima, está com a máquina cheia, um pouco lenta..., mas guarda arquivos que não existem em lugar nenhum do mundo.

AUTOR Nayara Santos
NAYARA SANTOS LOPES, natural de Feira de Santana, Bahia, é Técnica de Enfermagem, Tradutora e Intérprete de Libras e poetisa, cuja relação com a escrita nasceu ainda na adolescência e permanece viva como expressão de sua essência. Entre palavras e sentimentos, encontra na poesia um refúgio e uma forma de dar voz ao que pulsa em sua alma. Com sensibilidade e profundidade, tem seus versos publicados em antologias poéticas, onde compartilha fragmentos de emoção, vivências e amor pela arte de escrever.
EXPECTATIVAS
A gente sempre espera por algo, o olhar atento, o afeto espontâneo logo cedo, o "eu te amo" de verdade.
E nessa espera sentimos a decepção
Ela vem em forma de lágrimas e sentimos o vazio mesmo acompanhados.
Esperamos a mudança que não vem.
A importância nos detalhes, lembranças de datas especiais.
É difícil, eu sei, dói aí dentro, pois espera demais a importância que outro não dá.
Mas guarda o teu valor e presta atenção no teu caminho. Não demore onde não se cabe, pois a vida é ligeira, então não espere demais.
Se cuida e se ame antes que seja tarde, aproveite cada minuto da sua vida, pois ela é preciosa demais para esperar.
Não espere por quem não sabe amar.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
A PIOR VERDADE
Há frases que nascem no calor de uma discussão, mas carregam verdades que ficaram guardadas por anos. Palavras que, quando finalmente saem, já não podem voltar.
Em uma dessas brigas de marido e mulher, daquelas em que o silêncio acumulado pesa mais que as próprias palavras, ele dispara, quase como acusação:
— Você leva uma vida de mentira.
A frase cai no ar como pedra lançada em vidro. Não quebra apenas o momento; estilhaça sentimentos guardados, lembranças, decepções, expectativas que um dia foram sonhos.
Ela o olha por alguns segundos. Não responde de imediato. Há um misto de dor, cansaço e lucidez em seu olhar.
Então, com a voz firme, mas carregada de uma serenidade que só nasce após muitas feridas, ela responde:
— E você é a minha pior verdade.
Silêncio.
Porque às vezes a mentira não está na vida que se leva, mas na esperança que insistimos em alimentar.
Mentimos para nós mesmos quando acreditamos que o amor suporta tudo, que o tempo conserta o que nunca foi cuidado, que a convivência pode sobreviver sem respeito.
E a pior verdade não é descobrir que alguém nos enganou.
A pior verdade é perceber que permanecemos tempo demais onde o coração já não esta.
Há verdades que libertam.
Outras apenas revelam o quanto demoramos para enxergar, que algumas frases nascem de uma discussão, mas carregam a verdade de uma vida inteira.

AUTORA Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
RIVALIDADE
Uns chegam Querendo excluir quem já estava. Parece que estão em uma competição. Por que anular o outro, Se é tão fácil somar, dar a mão? Juntos, são mais produtivos. Primem pela união!
Há pessoas que não gostam de ser coadjuvantes; Querem, exclusivamente, o papel principal. Almejam ser o centro de tudo, Do início ao final.
Cada pessoa tem o seu brilho, Independentemente do seu papel, Como lindas estrelas Que embelezam o céu.






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