REFLEXÕES Nº 222 — 26/07/2026
- Luiz Primati
- há 8 horas
- 18 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
A LINGUAGEM COMO LIMITE DO PENSAMENTO
Fui aprender o que é cringe com a filha de uma ex-funcionária, aqui no prédio mesmo. Ela falava com a mãe, e eu, velho intrometido, perguntei:
— Ah, os Clingers, aquele filme da Apple?
Ela riu e explicou com a paciência de quem ensina um avô alheio a usar controle remoto:
— É tipo vergonha, mas vergonha dos outros.
E eu fiquei ali, matutando, porque percebi que passei a vida inteira sentindo isso — em festa de firma, em discurso de político, em gente cantando alto no karaokê — sem ter onde pendurar o sentimento. O sentimento existia. Faltava o prego.
Tem um filósofo, o Wittgenstein, que li faz muitos anos numa edição que peguei emprestada na Biblioteca Rui Barbosa, lá em Jundiaí, e nunca devolvi — eles devem ter meu nome anotado numa ficha de "ladrão de livros", mas isso já foi há 40 anos ou mais. Wittgenstein dizia que os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo. Na época, achei bonito e meio exagerado, coisa de austríaco sisudo. Hoje, depois da aula sobre cringe, acho que ele foi até modesto.
Porque a pergunta que fica é essa: o que não tem nome, existe? Existir, existe — o corpo sente antes de alguém catalogar. A vergonha alheia me apertava o estômago décadas antes de virar palavra de internet. Mas existia de um jeito minguado, sem destino. Sentimento sem nome é hóspede que dorme no sofá: está na casa, mas ninguém sabe dele, ninguém arruma o quarto, ninguém pergunta se quer café. O nome não cria a coisa. O nome dá morada.
E aí vem o que me espanta nos jovens de agora: nunca uma geração fabricou tanto termo novo. Crush, ghosting, gaslighting, ansiedade isso, tóxico aquilo. Tem gente da minha idade que torce o nariz, diz que é frescura, que no nosso tempo ninguém tinha nada disso. Engano. A gente tinha tudo isso — só não sabia o que era. O sujeito era "sistemático". A moça "sofria dos nervos". O namorado que sumia sem explicação era "cafajeste", e olhe lá. O sofrimento era o mesmo; o vocabulário é que era limitado. E sofrimento sem palavra é sofrido duas vezes: uma pela dor, outra pela solidão de não conseguir contá-la.
Minha tia Ana Maria, irmã de meu pai, por exemplo. Passava temporadas calada, olhando o quintal, e na família se dizia que ela estava "com o pensamento longe". Vai saber o que era aquilo. Hoje talvez tivesse nome, tratamento, grupo de apoio. Naquele tempo, tinha quintal. Diziam que ela ia no psiquiatra, mas eu nem sabia o que era na época.
Não estou dizendo que dar nome às esquisitices resolve. Tem até o risco contrário, e o filósofo do meu livro "emprestado" talvez torcesse o nariz para o uso que se faz dele por aí: gente que aprende a palavra e sai carimbando o mundo com ela. Todo desconforto vira "trauma", toda pessoa difícil vira "narcisista", todo desencontro vira "relacionamento abusivo". A palavra que ilumina também pode virar carimbo — e carimbo dispensa a gente de olhar. Mas, entre o excesso de nome e a falta, fico com o excesso. Nome demais, a gente devolve. Nome de menos, a tia Ana Maria que o diga.
O curioso é que o mundo se expande. Palavra nova é o mundo ganhando um lugar ao sol. Quando aprendi "saudade" não sei — vim ao mundo dentro dela, que é privilégio de falar português. Mas lembro de aprender "nostalgia" e pensar: ué, não é saudade? Não é. É prima. E lembro, já velho, de aprender com a internet que os japoneses têm uma palavra para a luz do sol atravessando as folhas das árvores. Desde que soube disso, reparo. A luz sempre esteve lá. Eu é que não tinha como chamá-la.
Fico pensando em quantas coisas estou sentindo agora, nesta idade, que ainda não sei como chamar — e que algum filho de alguém vai batizar daqui a trinta anos, com a mesma paciência de quem ensina o avô a mexer no controle. Vou descobrir o termo correto tarde demais para mim. Tudo bem. Alguém vai saber um dia.
Por enquanto, sigo com o meu dicionário incompleto, apontando para as coisas que não sei dizer, como um estrangeiro em país de língua difícil. O Wittgenstein, aliás, terminou o livro dele mandando calar: sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se guardar silêncio. Respeito, mas discordo, com a liberdade de quem nunca devolveu o livro. Sobre aquilo de que não se pode falar, a gente aponta, gagueja, inventa gíria, escreve crônica. O silêncio que ele pediu, com todo respeito, nunca foi o forte da humanidade — e ainda bem. Foi teimando em falar o que não sabia dizer que ela encheu o dicionário.
E o dicionário nunca vai ficar pronto. Ainda bem: sinal de que a gente também não.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
ENTRE A DOR E O PRAZER DE VIVER
Uma lástima que muitos não saibam interpretar o que é existir, valorizar a vida e desenvolver o dom de serem capazes de ser felizes e fazer o outro feliz.
A aprendizagem da vida é esse movimento entre a dor e o prazer. Saber lidar com esse paradoxo frenético é um dos maiores desafios para o homem moderno.
Entre a dor e o prazer de viver, vivenciamos a compreensão da “espera” paciente, amiga e doce. Nesses espaços de tempo, amadurecemos.
É tão importante cuidar-se, ter a cura emocional por meio do perdão; a vida é longevidade e um sopro como uma bolha de sabão.
Viver é aprender a celebrar o instante e, ao mesmo tempo, suportar o peso das sombras, das dúvidas, das incompletudes.
E assim, destacamos esse achado em uma leitura:
"A dor ensina o que o conforto jamais ensinaria."
"Não existe diferença entre a dor que te aprisiona e a dor que te transforma."
"A dor do crescimento é mil vezes mais valiosa do que a dor da inatividade."
"Cicatrizes são apenas a prova de que a ferida foi superada e a vitória alcançada."
No prazer de viver, brindemos o que nos faz sorrir, à toa, sorrir com o vento que acaricia nossa pele.
A dor ou sofrimento é de cada um, pertence à história de vida de cada um. É singular e intransferível.
A nossa dor, por mais pesada e incômoda que seja, nos pertence.
A vida acontece no equilíbrio entre o prazer da alegria e a dor.
A vida é longa como um rio e breve como um sopro.
É uma dinâmica transformadora e enriquecedora.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
NO DIVÃ DA VIDA
Ao deitar-me, o teto vira um céu de gesso branco
Como as nuvens de algodão e agora de camarote
A imensidão está pronta para testemunhar um
Relato sombrio da escuridão que vivo e sinto Em dizer que este vazio está me esmagando
E me levando para uma solidão interna que
Insiste em não delatar os segredos que o
Mundo ignora e que dentro da minha
Mente tem me causado dor.
Mas preciso falar e no divã sinto-me livre dessa
Obrigação de esconder aquilo que me atormenta,
Porque aqui não existe pergunta, não existe
Julgamentos, ninguém ri, pelo contrário Aqui é um lugar de abraço, um lugar
Que acolhe e que entende que ansiedade Não é frescura, por isso preciso tirar O peso das minhas costas, por que não
Aguento mais, enfim, ali sei que Sou fala, sou presente e existo e em Cada palavra dita sinto o alívio da Amargura me esvaziando.
Sinto que estou me curando por dentro e sinto Que estou pronto para enfrentar o mundo lá Fora e sem máscaras, agora enxergo uma
Vida cheia de cores porque curei todas as
Minhas dores e por onde eu andar mesmo Se o dia estiver cinzento, vou fazer de
Conta que estou caminhando em um
Jardim repleto de flores.
E no jardim da vida sou verso sem rima E, sem pressa, eu me deito e me exponho No divã que não me julga e me orienta A ser firme na minha decisão de buscar Ajuda para me curar e mesmo se doer
Em voz alta, eu afirmo que vou Enfrentar essa dor interna que me aflige.

AUTOR Kenia Pauli
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
QUANDO A DOR QUER COMPANHIA
Há quem acredite que o amor só é verdadeiro quando sofre junto. Como se a dor fosse um idioma obrigatório para que alguém se sentisse visto, pertencente ou importante. E, sem perceber, algumas pessoas passam a esperar que o outro adoeça um pouco também, que diminua o próprio brilho, que interrompa a própria caminhada, apenas para que a distância entre as duas realidades pareça menor.
Existe uma diferença delicada entre caminhar ao lado de alguém e carregar aquilo que pertence ao outro. A presença acolhe. A culpa aprisiona. O cuidado fortalece. O peso que não nos pertence apenas multiplica o sofrimento.
Em muitos vínculos, aprendemos que amar é sacrificar-se, que lealdade significa repetir destinos, emoções ou dores. No entanto, há uma sabedoria silenciosa que mostra outro caminho: cada pessoa ocupa um lugar único, atravessa suas próprias experiências e encontra, no seu tempo, os recursos necessários para lidar com elas. Quando ultrapassamos esse limite, confundimos compaixão com responsabilidade, e acabamos impedindo que a vida siga seu fluxo natural.
Curiosamente, quem está em sofrimento nem sempre deseja que o outro sofra. Muitas vezes, o que existe é um pedido profundo para não se sentir sozinho. Outras vezes, porém, a dor desperta uma parte infantil que implora por atenção, reconhecimento e exclusividade. É um lugar humano, compreensível, mas que pode transformar o amor em cobrança e o afeto em dívida.
A maturidade dos relacionamentos nasce quando compreendemos que a felicidade de alguém não diminui a dor de quem sofre, assim como a dor de alguém não deve apagar a luz de quem está vivendo um momento de paz. A vida nunca foi justa porque distribui experiências iguais; ela é sábia porque oferece a cada um exatamente a travessia que lhe pertence.
Talvez uma das maiores demonstrações de amor seja permanecer disponível sem abandonar a própria vida. Continuar sorrindo sem culpa. Continuar vivendo sem pedir desculpas. Continuar saudável sem a necessidade de adoecer para validar a experiência de quem enfrenta uma enfermidade, uma perda ou qualquer outra dificuldade.
Quando respeitamos o lugar de cada um, algo se reorganiza silenciosamente. A dor deixa de ser uma herança compartilhada e passa a ser uma experiência que pode ser acolhida sem ser reproduzida. E é justamente desse lugar que nasce um cuidado mais verdadeiro: aquele que oferece presença, não sacrifício; amor, não culpa; apoio, não resgate.
Porque ninguém cura o outro ocupando o lugar da sua dor. Mas todos podemos contribuir quando permanecemos inteiros no nosso próprio lugar. E, às vezes, a maior generosidade que podemos oferecer a quem sofre é mostrar, com delicadeza, que a vida continua possível, sem abandonar quem precisa, mas também sem abandonar a si mesmo.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
LÁGRIMA FLOR
Uma lágrima pode aguar uma orquídea e dela nascer uma bela flor.
Pode se transformar em força e colorir uma sala inteira de amor.

Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
AMIZADE
Ao longo do tempo, vemos as amigas de infância, com quem compartilhamos momentos de travessuras, envelhecerem. Observando -as, nos olhamos também. Começamos a reparar as rugas, as dobras do pescoço, a flacidez da pele. Estamos envelhecendo, o brilho da pele está ficando embaçado, o rosto está ficando caído, os ridículos pés de galinha estão se formando ao redor dos olhos, as rugas entre as sobrancelhas. Tudo isso é um processo natural, mas notamos que cada uma envelhece de uma maneira. Algumas amigas ficam com os cabelos ralos e finos, umas engordam, outras emagrecem, umas permanecem com energia, outras ficam mais vagarosas…
O importante nisso tudo é continuar regando a amizade iniciada há anos.
Com o passar dos anos, tivemos tempo de nos avaliarmos, de nos julgarmos, de nos respeitarmos, de sabermos o que cada uma gosta, e percebermos as diferenças entre cada uma.
Nossa amizade não tem interesses, nem vantagens, nem lucros. São as nossas alegrias ao nos encontrarmos que contam!
O que seríamos se não fossem elas, nossas amigas, nos acrescentando histórias? Relembramos como eram as coisas antigamente e, se o passado foi bom, é porque fizemos parte dele.
Dizem que os velhos voltam à infância, estigmatizando o declínio da razão e das funções cognitivas. O fato que não envelhecemos somente por fora, amadurecemos também no conhecimento e nos tornamos mais sábias, no sentido de ter paciência, saber ouvir, saber a hora certa de falar, etc.
A vantagem de se ter amigas e ser amiga é que sempre teremos pessoas para cumprimentar, para sorrir juntas, para dispensar atenção na mesma intensidade umas com as outras e com esta capacidade, alternar os momentos de tristeza para felicidade, ao sorrir juntas.
Podemos ficar tempo sem nos ver, mas quando nos reencontramos, parece que foi ontem. Sem cobranças, sem cara feia. Entendemos as lutas de cada uma.
Ficamos felizes ao sorrir juntas de tudo, até de nós mesmas, dos nossos micos e gafes.
Temos uma base sólida, passamos anos nos acompanhando, horas papeando, relembrando momentos, com vivacidade, flashbacks, risadas escandalosas. São momentos abençoados onde escutamos umas às outras, nos condoemos, tocamos na alma, choramos juntas, sorrimos juntas, confidenciamos, passeamos, programamos, numa cumplicidade-irmã.
Aproveitamos o hoje, animadas, sempre afirmando que tudo vai ficar bem!
Somos nós mesmas, sem segundas intenções, sem falsidade, sem máscaras, porque elas não se sustentariam por tantos anos!
Amizade simples, verdadeira, que os anos, a distância, não puderam apagar!

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
SAUDADES
Carrego no peito a saudade,
De quem te amou,
De quem te desejou,
Mesmo sem contigo estar.
Meu. Corpo todo estremece,
Não sei o que acontece,
Um vazio imenso em mim,
De alguém que não te esquece.
Seus lábios, sua boca,
São lembranças que tenho,
Sem você, me sinto uma pessoa oca.
Restou-me a solidão,
Uma danada chamada saudade,
Paixão não tem idade.

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
DESCONECTAR PARA FLORESCER
É necessário desconectar,
Às vezes, colocar o celular
No modo avião
Para evitar perturbação.
É necessário desconectar
De pessoas vazias e barulhentas
Que deixam a vida cinzenta.
É preciso desconectar-se
De pensamentos negativos
Que deixam o coração aflitivo.
É preciso desconectar os ouvidos
Das conversas que causam agitação
E maltratam o coração.
É preciso conectar-se
Com amigos de verdade,
Que agregam princípios, tranquilidade
E nos enchem de felicidade.
Como é bom silenciar,
Deixar a alma meditar
E se conectar
Com a voz do amor,
Espalhar afeto,
Suplantar a dor,
Retirar os espinhos
E florescer, sendo flor!

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
CUIDAR
Cuidar de quem já cuidou da gente.
Trocamos hoje as fraldas de quem trocou as nossas.
Calçamos e vestimos quem nos vestiu.
Damos a mão para quem nos ensinou a andar.
Procuramos entender, com paciência, o que eles querem dizer.
Porque quem tanto ensinou, hoje tem dificuldade de se comunicar.
Cuidar é honrar a história de quem nos criou.
Cuidar é agradecer com atitudes o que não cabe em palavras.
Cuidar é ser colo agora, como eles foram o nosso.
É retribuir com amor cada cuidado que recebemos.
Cuidar é ter paciência quando a memória falha.
Cuidar é falar mais devagar e mais perto.
Cuidar é não ter pressa na conversa.
Cuidar é ouvir a mesma história e sorrir.
É ter paciência quando a palavra demora.
É oferecer água, remédio e um abraço.
Cuidar é dizer um sincero "eu te amo" todos dias.
Assim deve ser a nossa atitude com os nossos pais.
Cuidemos de quem cuidou de nós.

AUTOR Eduardo Grabovski
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
SETENTRIONAL ESTILO DE PENSAR
Você imagina que a vida humana foi construída em 7 dias, e 7 passa a ser um número universal, 7 maravilhas do mundo, por exemplo, é uma inspiração, até a neurociência expandiu os 5 sentidos para sete, trazendo a propriocepção e a interocepção para a lista, é o conhecimento do que acontece fora e dentro do seu próprio corpo, resultando em 7 sentidos.
Sabe que me lembro da minha infância até meus sete anos? Tenho uma lembrança de pura alegria e acolhimento de meus pais e consciência de minhas irmãs. Após os sete anos, lembro do início das responsabilidades de criança, que além de brincar, era o início do aprender.
Aos sete anos, a criança começa a rotina na escola, aprende a ler, escrever e se relacionar, fazer amiguinhos e sentir os sentimentos que aparecem sempre gradativamente dia a dia e são compartilhados externamente com os pais, ou guardados no interior de sensações de medo que se manifestam sempre estimulados pela sensação de perda.
Daí reflito sobre experiências e ciclos que seguem inconscientemente a influência universal ou divina inspirada pelo cíclico espaço de tempo dividido a cada 7.
Em exemplo cito minha própria vida, minhas escolhas e o resultado delas que duram até quase 7 anos até eu despertar ou aprender com a fase: um emprego que passou a se tornar não promissor após sete anos na empresa para perceber que era hora de mudar; O período escolar que abrangeu da primeira série até o final do chamado colegial, um casamento que já demonstrava ter acabado em 7 anos e uma perda de bens pré-pandemia que hoje, após 7 anos, exemplifica o tempo que levei para retomar todo o rumo de minha vida.
A diferença está na maneira como absorvemos o aprendizado elencado pelo período de 7 anos, não creio ser regra para ninguém, mas me refiro a que cada um pode conter o ímpeto de conquistas a longo prazo e se dar o descanso de refletir não no final de 7 anos ou a cada 7 dias, mas se inspirar em a cada final de semana reiniciar seus objetivos focando em fazer o melhor para si.
Não é imprescindível que o descontrole para atingir seus objetivos seja estimulado pela acumulação de tarefas diárias, mas sim adotar a postura de sempre olhar para dentro e compreender que, em apenas 7 dias, a maravilha universal chamada vida foi formada. A vida é um ciclo. A cada sete períodos, independentemente de serem dias, meses ou anos, uma nova chance se apresenta, seja para você restabelecer-se fisicamente, reequilibrar sua vida financeira, experimentar novas alegrias relacionadas à saúde ou até mesmo iniciar um novo relacionamento.
Nunca é tarde para começar de novo e se inspirar nos 7 ciclos de sabedoria. Com calma e discernimento, é possível atingir seus objetivos.
Universo do Tio Dudú

AUTOR Simone Gonçalves
SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
FILHOS DE DEUS
Olhares assustados
Curiosos
Mas cheios de vida
Semblante manso
Que cada qual carrega como uma marca
Que destaca a alma num sorriso leve
Pequenos gigantes
Já vencedores por chegarem ao mundo
Mesmo enfrentando absurdos desafios
A inocência se destaca na vontade
De todos os dias, desejarem apenas viver
Seres iluminados que nos ajudam
A compreender o mundo com outra percepção
Com um olhar mais humano
Seres de luz... Filhos de Deus!
"Texto dedicado a todas as crianças que vivem em orfanatos"

AUTOR Miguela Rabelo
Miguela Rabelo escritora de crônicas, contos e poemas, com seu primeiro livro solo de poemas: "Estações". Também é mãe atípica e professora da Educação Especial no município de Uberlândia-mg.
A LUZ QUE INSTIGA, INSPIRA E QUE SECA O CÁLICE DE CICUTA.
Ontem, uma luz bela se projetou no estrado da cama do Heitor. Fiquei intrigada, porque não tinha foco de luz naquele ângulo... então fiquei a procurar de onde vinha aquela bela luz (coisa de gente doida, eu sei... mas quando encasqueto com algo, é difícil de passar...).
Então, assim ao olhar para cima, tudo entendi: era o reflexo do sol que incidia na janela do último andar do bloco em frente ao meu e que, em um belo e coincidente raio, invadia o quarto do meu filhote.
Achei aquele acaso tão raro e lindo, me rendendo algumas reflexões curiosas...
Mesmo que a Luz não seja direcionada para nós, podemos ser iluminados por ela por meio de pessoas generosas que assim compartilham e nos iluminam com sua luz...
Quantas vezes estive estirada no breu e assim, alguém iluminado me estendeu as mãos?
Porque o que importa de fato nesta viagem, não são quantos destinos fomos, trajetos fizemos ou presentes compramos... o que realmente vale a pena é como fui especial para quem se sentou ao meu lado ou de quem segurei as compras ou cedi ao assento... qual foi a qualidade das marcas que deixei nos corações das pessoas que por minhas jornadas cruzaram... quem eu realmente me descobri ser... quantos abraços, sorrisos e beijos compartilhei?
Provavelmente parta algum dia no ostracismo como foi Van Gogh, e seus dissidentes... Talvez envelheça solitária ou na correria como hoje em dia... existem dias que a vontade é partir imediatamente... mas sei que, apesar de tudo, preciso sim continuar a correr, como Forrest Gump fez. Mesmo sem saber ao certo para onde...
Então, cada poesia minha, versos, mensagem, contos, ou história... cada abraço e sorriso compartilhado, contará uma história permeada de afeto e intensidade sobre mim e se parte de mim tocou alguém de maneira profunda e significativa, sinto que de alguma forma, terei cumprido meu papel por aqui... gratidão a todos pelo carinho, admiração e apoio... continuamos a nadar contra a correnteza da vida, como Ulisses na Odisseia, assim também o fez.






As reflexões desse domingo estão incrivelmente belíssimas, com os textos se conectando e trazendo tanta riqueza nas palavras...