REFLEXÕES Nº 203 — 15/03/2026
- Luiz Primati
- há 1 dia
- 21 min de leitura


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
REFLEXÕES SOBRE "SOULMATES": A ILUSÃO DA CERTEZA
Assisti à minissérie da Netflix "Soulmates" e ela me despertou uma pergunta que não consigo parar de pensar: será que realmente existe uma alma gêmea, ou apenas queremos nos convencer de que a encontramos para não admitir mais uma vez que falhamos?
A série mostra casais em relacionamentos acomodados — aquele estágio em que a paixão ardente virou rotina e os desejos espontâneos desapareceram. Quando somos jovens, fazemos loucuras pela pessoa amada. Mas, com a idade, a coragem cede lugar ao medo: medo de parecer ridículo, medo do julgamento, medo de sermos descobertos em gestos considerados infantis.
Então chega essa máquina que promete a solução perfeita. E o que me intriga é como as pessoas ao redor da protagonista começam a abandonar tudo — relacionamentos, vidas inteiras — para estar com a pessoa que a ciência indicou. Elas poderiam recuar, rejeitando a indicação. Mas como fariam isso sem admitir que fracassaram novamente? Estariam elas mentindo a si mesmas?
Penso que Sartre diria que essas pessoas caem em má-fé — aquele autoengano onde abdicamos da responsabilidade por nossas escolhas. A máquina se torna o bode expiatório perfeito: "Não foi minha culpa, a ciência indicou." Mas Sartre insistiria que somos condenados à liberdade, e fugir dela é uma forma de covardia existencial.
Schopenhauer, por sua vez, riria dessa ilusão. Para ele, toda escolha amorosa já é engano — a natureza nos engana biologicamente. A máquina apenas mecaniza uma ilusão que já existia. Não há diferença fundamental entre escolher alguém por "química" e escolher por indicação científica. Ambas são formas de sermos enganados.
Mas é Kierkegaard quem realmente me toca nessa história. Ele dizia que toda escolha genuína exige um salto de fé — um ato de coragem diante da incerteza absoluta. O relacionamento autêntico não é baseado em certeza, mas em compromisso apesar da incerteza. A máquina promete eliminar essa incerteza, mas ao fazer isso, elimina também a autenticidade. Amar alguém porque uma máquina disse é o oposto do amor verdadeiro.
E há ainda Bauman, que veria nessa série a materialização do "amor líquido" — aquela mentalidade contemporânea em que relacionamentos são descartáveis. Se este não funcionar, há sempre outra alma gêmea esperando. Isso reflete nossa incapacidade de nos comprometermos profundamente, de enfrentarmos o trabalho real que é amar alguém.
O que a série me faz perceber é que não existe uma alma gêmea — existe a coragem de escolher alguém, dia após dia, apesar da imperfeição. Existe o risco de errar, de fracassar, de ter que recomeçar. E sim, errar é humano. Vamos errar eternamente. Mas quanto antes admitirmos nossos erros, mais cedo estaremos prontos para tentar novamente — não com máquinas, não com garantias, apenas com a vulnerabilidade de quem ama genuinamente.
A pergunta que fica é: quantas vezes preferimos a ilusão de certeza ao risco da autenticidade?

AUTORA STELLA_GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
"A ÁRVORE TORNA-SE FORTE COM O VENTO" — SÊNECA
A imagem da árvore que se fortalece com o vento é uma das metáforas mais potentes do estoicismo. Sêneca nos lembra que não é na calmaria que crescemos, mas no encontro com aquilo que nos desafia. O vento que balança a árvore e a obriga a aprofundar suas raízes é o mesmo que, em nossa vida, se manifesta como dificuldades, frustrações, perdas e mudanças inesperadas.
Somos retirantes e, ao mesmo tempo, habitantes de algo maior: a coragem. Nada melhor do que nos inspirarmos na força da natureza, tão imensa que divide conosco seus próprios desafios. Também somos gigantes, acolhidos pelas experiências que nos renovam de forma profunda e frutífera. Aprendemos com a sabedoria dos ventos e, em sua velocidade, percebemos a força eterna e invisível que habita nossas maneiras de ser.
Assim como a árvore, somos moldados pelas forças que tentam nos desequilibrar. Cada obstáculo funciona como um teste silencioso: ele pergunta até onde vão nossas raízes, o quanto confiamos em nossa própria estrutura e quanta flexibilidade somos capazes de desenvolver.
A árvore é magnífica. Diante das imprevisibilidades, ela nos inspira, e uma música de resistência parece tocar dentro de nós. Quanto mais atravessamos adversidades, mais transformamo-nos e nos adaptamos. É justamente essa capacidade de ceder sem quebrar que a torna — e nos torna — mais forte. Em nós, isso se traduz na habilidade de enfrentar a vida com resiliência: não negando o que acontece, mas respondendo com consciência e coragem.
O fortalecimento não acontece de um dia para o outro. A força é um processo discreto, quase invisível, que se acumula a cada vento que passa. Quando olhamos para trás, percebemos que aquilo que parecia nos derrubar foi, na verdade, o que nos preparou para permanecer de pé. Foi o que nos fez crescer, sentindo a vida em sua totalidade.
Os desafios que surgem no seu caminho não são sinais de fraqueza, mas convites para expandir sua coragem. Assim como a árvore aprofunda suas raízes para não cair, você também encontra dentro de si recursos que talvez nem soubesse possuir. A cada obstáculo vencido, você se torna mais resistente, mais sábia, mais capaz.
O que hoje parece pesado, amanhã será apenas mais uma prova de que você pode ir além do arco-íris.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
NATUREZA IMPIEDOSA
Nos últimos anos, o Estado de Minas Gerais tem sofrido na pele com algumas catástrofes e com algumas irresponsabilidades. E de Juiz de Fora até Ubá, a chuva segue devastando com um rito de tensão e de pavor em meio a tempestade que está asfixiando os rios e os córregos que vomitaram os seus dejetos, transformando ruas e avenidas em um mar de lama.
E, após as águas baixarem, o retrato do caos foi exposto ao mundo e a mídia e os jornais retratavam o rastro da destruição com casas que vieram ao chão após os deslizamentos de terras que soterraram inúmeras pessoas, vidas que abruptamente foram interrompidas. A cidade segue devastada em meio a lama, onde animais mortos são encontrados entre a mobília arrastada para a beira da calçada.
O corpo de bombeiros, juntamente com os voluntários, segue trabalhando incessantemente em prol de resgatar vidas, enquanto os sobreviventes enterram os seus mortos e tentam resgatar o pouco que restou entre os escombros. Muitos tentam relutar em sair de suas casas, que foram interditadas pela defesa civil, que faz o papel de testemunha ocular desse filme de terror e da devastação que a população mineira está sofrendo nos últimos dias.
E infelizmente em meio ao caos em Juiz de Fora e Ubá em plena madrugada bandidos estão invadindo os imóveis que foram desocupados e interditados para furtar tudo aquilo que podem, — um absurdo — e mesmo diante dessa tragédia, nos deparamos com essa falta de empatia da natureza humana — nas redes socias golpistas tentam comover a população com essa tragédia real criando uma falsa vaquinha on-line, enfim, esse é o Brasil dos brasileiros que exigem a prisão dos corruptos — mas muitos se esquecem daquela velha marolinha e do jeitinho brasileiro e que só existe a corrupção porque existe os corruptores.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
RECIPROCIDADE
Há dias em que o corpo acorda cansado mesmo após muitas horas de sono. Como se a alma tivesse passado a noite organizando pensamentos, emoções, expectativas… e acordasse ainda no meio da arrumação. Nesses dias, o mundo parece um pouco mais barulhento e as exigências silenciosas dos outros pesam mais do que deveriam.
Vivemos em uma época curiosa: espera-se que estejamos sempre bem, sempre disponíveis, sempre sorrindo. Como se o sorriso fosse uma espécie de uniforme social obrigatório. Se sorrimos, somos educados. Se ficamos quietos, somos mal-humorados. Se respondemos rápido, somos atenciosos. Se demoramos, somos indiferentes.
Mas raramente alguém pergunta: como você está de verdade?
Existe uma pressão invisível para agradar, para corresponder, para manter a engrenagem das relações girando suavemente mesmo quando por dentro estamos solicitando pausa. E, muitas vezes, nessa tentativa constante de ser gentil, compreensivo e presente, acabamos nos afastando de quem mais precisa de nós: nós mesmos.
A reciprocidade, que deveria ser um fluxo natural entre as pessoas, às vezes se transforma em uma estrada de mão única. Damos tempo, atenção, cuidado… e, em troca, recebemos pequenos gestos que mal conseguem preencher o espaço que abrimos. Não é que as pessoas sejam sempre ruins; muitas vezes elas apenas estão distraídas demais consigo mesmas para perceber o quanto alguém tem oferecido.
E então nasce essa pergunta silenciosa: por que continuamos dando tanto quando recebemos tão pouco?
Talvez porque fomos ensinados que amar é se doar sem medida. Que ser bom é estar sempre disponível. Que colocar limites é quase um gesto de egoísmo. Mas a vida, com o tempo, começa a nos ensinar algo diferente: existir também é escolher a si mesmo.
Escolher-se não significa deixar de amar o outro. Significa apenas não se abandonar no caminho.
Há uma coragem muito bonita em quem decide diminuir o ritmo, observar melhor as relações e buscar paz nas pequenas escolhas do dia. Não é frieza. Não é indiferença. É maturidade emocional nascendo devagar, como quem aprende que nem toda batalha merece ser lutada.
Porque, no fundo, quem vive para os holofotes precisa da plateia. Já quem busca paz aprende a gostar da própria companhia.
E talvez seja justamente isso que esteja acontecendo agora: um reencontro silencioso consigo mesma. Uma fase na qual o coração começa a filtrar melhor onde coloca energia, onde entrega afeto e onde decide simplesmente descansar.
No fim das contas, a vida não solicita que sejamos perfeitos nem que estejamos sempre sorrindo. Ela apenas solicita verdade.
E às vezes a forma mais honesta de viver é exatamente essa: diminuir o ruído do mundo, respirar fundo e escolher, com carinho, o próprio caminho.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
QUANDO O SILÊNCIO ADOECE
O que é ser rejeitado
pelas pessoas,
pelos amigos?
O silêncio
que adoece,
entristece,
e dá vontade de sair por aí
em busca de perguntas
para as quais
não encontramos respostas.
O silêncio do outro,
preso em seu próprio mundo,
deixa feridas
no coração alheio.
Confunde,
assusta,
faz pensar
que há defeitos
sem explicação,
num vazio imenso.
Às vezes,
a melhor saída
é conversar
com sinceridade:
mostrar o que se quer,
para onde se quer ir.
O silêncio é tortura.
Converse.
Diga o que sente.
Não silencie sentimentos.

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
NO MEIO DA MADRUGADA
No meio da madrugada,
Ouço o canto do grilo distante,
Uma música constante,
Linda como a alvorada.
Meu coração pediu para voltar,
A insônia não vai me deixar,
Precisava voltar para te ver,
Pois impossível é te esquecer.
Sei que agora você nem imagina,
Que a solidão me domina,
E em seus braços queria estar.
E nesta noite fria,
Transformaria a tristeza em alegria,
Por toda a noite eu iria... Amar-te

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
O QUE ESPERAM DE NÓS?
Vivemos em um tempo curioso. Um tempo em que as pessoas parecem acreditar que a vida deve ser apresentada como uma vitrine bem organizada, onde só ficam expostas as partes bonitas.
Sorrisos são bem-vindos, viagens encantam, fotografias alegres recebem aplausos. Amo tudo isso! Amo conhecer lugares em que ainda não pude ir!
Mas há certas coisas que o mundo parece preferir que fiquem escondidas.
A dor, por exemplo, a doença ou o cansaço da alma.
Os dias em que o corpo falha ou em que o coração simplesmente não encontra motivo para sorrir, ou dias comuns, como: às vezes, posto fotos com a mesa do café da manhã, com o que tenho no momento, não há variedades, muitas guloseimas, é um café real, da rotina mesmo, não é para exibir, nem mostrar cenário bonito ao redor. É apenas um registro sincero de um momento da vida em que a gratidão reina pelo simples fato de ter acordado viva e de ter algo para comer.
Posto fotos dos livros que leio e faço resenha.
Posto fotos dos meus livros e sou minha maior fã!
Posto sobre a Bíblia, minha regra de fé!
Posto sobre minha família, meu bem maior!
Já postei fotos com dente quebrado; outras com hemorragia no olho; essas são minhas duas realidades frequentes e que não tenho como esconder e nem quero!
Algumas pessoas estranham, outras criticam.
Parece até que quebrei uma regra invisível: a regra de que devemos mostrar apenas aquilo que se espera.
Fiquei pensando no quanto nos acostumamos a esconder partes importantes da nossa própria existência. Como se a vida fosse algo que precisasse ser guardado em silêncio, longe dos olhares do mundo. A vida é para ser vivida em todas as suas fases. Mas a vida não é feita apenas de momentos perfeitos. Ela também é composta de sustos, de pequenas enfermidades, de dias em que o corpo pede pausa e o espírito pede cuidado.
Mostrar isso não é fraqueza. É apenas uma forma honesta de existir.
Talvez o mundo espere que escondamos muitas coisas. Mas quem aprende a viver com verdade entende que não precisa esconder a própria humanidade.
Porque, no fim, aquilo que tentamos esconder também faz parte da história que somos.
Quem aceita apenas o meu sorriso, talvez não esteja preparado para compreender a minha humanidade.

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
RETORNO
Há lugares que guardam ecos. Não apenas de passos, vozes ou portas que se abrem e se fecham, mas de sentimentos.
Retornar a um hospital depois de uma perda é como atravessar um corredor de memórias.
As paredes parecem silenciosas demais, os corredores parecem mais longos do que antes, e o coração revive aquilo que tentou aprender a suportar.
O medo e a insegurança não vêm apenas do lugar, mas da lembrança do amor que ficou marcado ali.
Ainda assim, voltar também é um gesto de coragem. É olhar para a dor que um dia nos atravessou e, mesmo com o peito apertado, continuar caminhando.
Porque quem ama profundamente também aprende, aos poucos, a transformar saudade em força.
E cada passo dado naquele corredor não é apenas um retorno, é uma prova silenciosa de que, mesmo ferido, o coração continua seguindo.

AUTORA ARLÉTE CREAZZO
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
TEMOS PERSONALIDADES MÚLTIPLAS
Ninguém é uma única pessoa. Somos uma coleção de versões: a que realmente somos – ou tentamos ser – a de como nos enxergam e até mesmo a que imaginam que somos. Nos tornamos uma mistura de olhares e ideias que fazem de nós, sem muitas vezes imaginarmos o que os outros pensam de nós.
Se todos nos vissem da mesma forma - essa forma fosse a correta sobre nós - seria muito simples viver, e simplicidade não é um forte do ser humano. Afinal, gostamos de um pouco de caos na vida (e não faço ideia do porquê).
Para alguns, somos a pessoa de riso fácil, que está sempre feliz, como se a vida nos facilitasse a existência, como se vivêssemos em um conto de Cinderela acordando com passarinhos arrumando nossa cama. Para outros, somos a guerreira que luta bravamente para conquistar seu lugar ao sol. Há ainda os que nos veem como amiga, conselheira, quase uma terapeuta, enquanto os outros nos acharão distantes ao demorarmos para responder uma mensagem.
Podemos também ser simpáticas ou antipáticas, calmas ou dramáticas, verdadeiras ou hipócritas. Tudo dependerá do momento vivido e do olhar que nos cerca. Ninguém nos olha de forma a não nos julgar – sempre temos olhares nos analisando, querendo enxergar aquilo que querem ver ou o que realmente podemos ser.
Tentar agradar a todos é uma questão que não nos trará vitórias, além de esgotar as nossas forças e paciência. O importante é percebermos que não temos tantas personalidades assim, mas que nosso público é misto, com mais personalidades do que nós.
Afinal, não conseguiremos controlar a opinião alheia, mas é necessário respeitarmos o próximo para sermos respeitados. É preciso aprender a rir dos próprios erros e aceitar que cada pessoa é única. O importante, é sabermos quem realmente somos, quando ninguém está olhando.

AUTORA MARINALVA ALMADA
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
DESEJOS
Que todo dia seja dia de respeitar as mulheres.
Que toda mulher receba flores em vida.
Que o direito
de ser feliz não seja interrompido.
Que o sim do amor prometido no altar seja por toda vida.
Que as mágoas sejam curadas e esquecidas.
Que a alegria de viver seja sincera.
Que toda mulher tenha a felicidade de todo ano completar mais uma primavera.
Que o seu pedido de socorro seja ouvido.
Que nenhuma mulher esteja desprotegida.
Que haja sempre alguém para denunciar, socorrer, ajudar, acolher uma mulher em situação de risco e salvar uma vida.

AUTORA SIMONE GONÇALVES
Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
MEU DESEJO
Eu desejo...
O amanhecer trazendo o vento
Soprando pela janela
Anunciando os primeiros minutos
Do outono
Nuvens coloridas feito algodão-doce
Deixando no ar um cheirinho de infância
Na lembrança que ativa minhas memórias
Matando um pouco da saudade da vovó "Bastiana"
Eu desejo...
O silêncio do balé das borboletas
Um canto meigo de algum pássaro
O nascer de uma rosa, que mesmo despertando quietinha
Transforma tal momento numa festa
Eu desejo...
Ainda sentir o gosto do beijo, do amor proibido
Dançar num jardim de girassóis
Rodopiar uma saia de chita
E depois descansar sob um chão de terra molhada
Eu desejo...
Uma tarde de sol
Mas comer bolinhos de chuva
Olhando o dia que se vai
Sob o pôr do sol do seu olhar...

AUTOR EDUARDO GRABOVSKI
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
REPLICÂNCIA OU DESPEITO – UMA FORMA DE IRONIZAR
Fiquei refletindo sobre situações ocorridas esta semana durante meu trabalho. Claro que houve muito stress, cobrança e pressão, que, diga-se de passagem, são os componentes corriqueiros da vida de qualquer profissional, dona de casa ou empresário de qualquer ramo.
Na minha forma normal de ser, acabei me autoavaliando e reparando em como um pouco da nossa maneira ansiosa reflete nas pessoas ao nosso redor, da mesma maneira em que somos atingidos pelas peculiaridades alheias. Veja:
No laboratório em que trabalho, um rapaz entrou e falou sobre um assunto de futebol com uma pessoa em específico. Como em grupo a gente acaba, por impulso e motivação da mente coletiva, replicando comportamentos, o que é normal para um grupo de pessoas que convivem por cerca de 10 horas diárias, como uma família ou local de comunhão, espontânea ou não.
Voltando ao rapaz que citei, ele entrou no laboratório e fez o comentário em voz alta, e acaba que todos ouvem. Porém, mesmo ele citando o nome da pessoa, sempre alguém tem o impulso de fazer um comentário em cima. Pode ser uma situação normal, corriqueira do dia a dia, apesar de soar grosseira e invasiva. Porém, vi que eu tenho muito esta mania e acabo dando meu parecer, que, a partir do momento, não é bem-visto, mas noto que existe uma pertinência. Vou confessar que, antes de me conhecerem, eles demonstravam que não gostavam. Hoje, o que vejo é o acostumar do setor com o modo e a maneira que cada um tem em particular. Porém, ao notar no olhar das pessoas, vejo o descontentamento com a intromissão e, assim, me recolho, mas noto ser tarde, pois a invasão ao espaço alheio já foi cometida.
Fico mal no momento, mas sabe o que noto que faz o desequilíbrio acontecer nesta situação? É que acabo virando assunto e motivo de zoação e brincadeira. Vejo que alimento a necessidade que as pessoas têm de replicar o que as afetou. Sendo assim, notei que a mesma pessoa, quando entrava no laboratório, fazia um comentário e já o fazia olhando para mim, e, com o tempo, e como disse, fiz isso repetidamente com outras pessoas e, ao me policiar, contei 7 vezes. Isso é o suficiente para se tocar, mas o estrago já está feito, pois, como o ser humano gosta de utilizar a zombaria e o sarcasmo para satirizar o outro, infelizmente o sarcasmo e a ironia viraram uma arma nas mãos das pessoas que estão sob o efeito das exigências diárias e pressões por entregar resultados e cumprir prazos.
De certa forma, a ironia e a sátira se tornam uma arma do medo. Medo de quê?
— Medo da perda.
— Medo da rejeição.
— Medo da humilhação.
— Medo da reprovação.
— Medo de errar.
Ser original se tornou uma forma de pressão social, e é interessante verificar como um ambiente de pessoas inteligentes se torna o picadeiro para exibição de sentimentos e comportamentos imaturos e, quem dera, pelas atitudes que desencorajam a aproximação e o afeto.
Mesmo que as risadas tenham a conotação humana de extravasar sentimentos, também extravasam dor e tristeza. De forma que notei, quando foi minha vez de falar com alguém, em outro momento, sobre outro assunto, com outra pessoa, onde expus meu comentário e, em cima do que falei, ouvimos ao longe e em alto tom, tom debochado e desrespeitoso, um colega fazer brincadeira, falar em cima do que eu falava, num tom que era perceptível que era o de chamar atenção, não para ele, mas sim para o desespero do momento. Veja, seria um caso simplesmente de vingança, mas tinha algo mais; essa pessoa estava com problemas: saúde, familiar, pessoais e pressão de extremo rigor por parte da chefia para executar um trabalho. Como ele não estava tendo pertencimento no momento, acabo por refletir como a gente ignora padrões quando eles não são tocantes à nossa vida, e como pessoas que estão tão cercadas de pressão têm dificuldades em lidar com a maneira de expor suas dificuldades.
Óbvio que existe, por trás de todo grupo de pessoas, sentimentos tais como: inveja, ciúme, despeito (um sentimento triste e silencioso que acomete quem batalha tanto tempo em uma instituição a fim de tentar um lugar ao sol, e vê uma pessoa recém-chegada na instituição galgar honestamente e com afinco por uma posição de destaque que ela vem tentando e ainda não conseguiu, e acaba vendo o outro como um competidor, o levando à não aceitação do sucesso alheio). Às vezes, estes sentimentos transformam uma pessoa em uma espécie de replicante.
Sabe a maneira que você reconhece um replicante? Quando sua fala se torna a repetição das palavras e frases em tom igual ao citado. Para alguns, pode ser chamado de implicância, mas tem mais. Com o tempo, você conhece a história de vida da pessoa e descobre que as limitações não são somente do coração ou aptidão, mas são marcas de tristeza que se impregnam na alma e fazem com que ela trate o incômodo como uma causa, mas deixe de notar a sua autoconsequência.
Imagine um palhaço que quer trazer alegria a seu público, mas, por dentro, está gerando desconforto e tristeza por não estar lidando bem com seu eu interior. Ele pode estar desequilibrado por problemas pessoais, sim, mas também pode estar acometido de problemas com seu ego, suas frustrações, suas imperfeições e suas não conquistas, o que acaba criando essa forma vazia e inútil de gritar por socorro.
Fica aí uma reflexão interior e até autocrítica, como eu mesmo percebi que criei consequências ao não controlar minha ansiedade e me atravessar na sala do chefe e ir falando, sem perceber que ele estava com o telefone do outro lado do ouvido, e foi mal-educado da minha parte não notar. É natural ou até normal, mas, quando a gente afeta as outras pessoas com o desequilíbrio da nossa afobação, acaba por trazer consequências de desconforto ao ambiente e, no caso, escalando para outros setores da empresa. Imagina: o rapaz de um setor percebeu, outros entraram no setor e repetiram a atitude de falar algo e já olharem para mim esperando a intromissão. Quem dera isso escale de uma forma que chegue até a sala da direção da empresa ou gerência. Ser chamado à atenção ou ser acusado de fazer parte de uma situação negativa não é bom para a vida de ninguém.
A pegadinha nisto tudo é que quem realmente está precisando de apoio fica isolado. O rapaz com problemas, que me usou como foco de desabafo através de zombaria, ao ser confrontado por mim com outro tipo de afeto, pôde desabafar e expor sua situação. No final da semana, já estava mais em paz, por efetuar as atitudes pessoais com tranquilidade e agora só aguardar o resultado de exames médicos e seguir mais confiante.
No fundo, você, eu ou qualquer outra pessoa que seja não pode resolver a vida de ninguém, alheia à sua, mas pode contribuir para construir um ambiente em que, se você não puder equilibrar, não seja afetado pela mesma maneira de alguém lidar com seus problemas internos e sentimentos negativos.
Com este miniconto, deixo uma reflexão para podermos nos avaliar mais internamente e saber perceber como refletimos nas pessoas o que estamos fazendo, e tentar nos atentar para os replicantes que existem em todos os lugares e podem estar demonstrando que não são amigos e, sim, estão incomodados com sua forma de conseguir sucesso. Lembre-se: eles repetem não só o que é negativo ou positivo, eles querem ser você e tentam te afetar repetindo quem você é.
Mas quem precisa se encher por dentro de aptidões alheias, com certeza, está muito vazio por dentro.
Que cada um aprenda a encher seu copo vazio e aumente o nível interno de sua casca ou carapaça interior. Afinal:
É impressionante viver em um mundo onde pessoas doentes analisam pessoas anormais.
Universo do Tio Dudú






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