REFLEXÕES Nº 200 — 22/02/2026
- Luiz Primati
- há 1 dia
- 18 min de leitura


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
GRATIFICAÇÃO INSTANTÂNEA
Hoje em dia, percebo que basta deslizar o dedo na tela de um celular para que as crianças e adolescentes passem de fase rapidamente em um jogo, recebendo moedas virtuais, luzes piscantes e vitórias quase automáticas. A gratificação tornou-se instantânea, meticulosamente projetada para evitar qualquer traço de frustração. Mas essa mudança vai muito além dos aparelhos eletrônicos; ela alterou a própria estrutura de como a juventude atual enxerga a vida.
Para mim, que vivi a infância nas décadas de 1970 e 1980, a relação com o entretenimento exigia uma dose cavalar de paciência. Lembro-me do cobiçado Atari e do clássico Pitfall, onde um pulo milimetricamente errado significava o fim da linha, sem direito a "vidas extras". Ou dos primeiros computadores, como o TK 85, em que eu passava horas a fio copiando códigos impressos em revistas apenas para jogar uma versão rústica de Space Invaders. Se eu errasse uma única tecla, o jogo não rodava, e a minha única opção era caçar o erro pacientemente. A nossa diversão era forjada na resiliência. A frustração, longe de ser um trauma, era a nossa professora mais frequente.
Ao observar a juventude atual, noto que essa aversão ao esforço transbordou das telas para o comportamento social, emocional e intelectual. Vivemos a era da terceirização da paciência. Se um vídeo tem mais de quinze segundos, é arrastado para cima. Se um texto exige interpretação profunda e leitura crítica, é sumariamente ignorado. Como resultado, vejo o crescimento alarmante do que costumo chamar de "papagaio de pirata": jovens que reproduzem opiniões prontas, manchetes de redes sociais e discursos rasos, sem a capacidade ou a disposição para o questionamento. A busca pelo conhecimento, que antes exigia o "suor" da investigação, foi substituída pela ilusão de sabedoria entregue já mastigada pelos algoritmos.
Essa urgência em pular etapas reflete-se drasticamente na forma como se relacionam com o mundo e com o outro. Nos aplicativos e nas relações interpessoais, se algo desagrada, basta um clique para silenciar, bloquear ou praticar o ghosting — o desaparecimento súbito. Não há o exercício exaustivo de "consertar", de debater ou de lidar com a divergência. Criamos uma geração hiperconectada que, paradoxalmente, foge do atrito como se foge de uma doença, incapaz de suportar o desconforto do contraditório.
O perigo desse esvaziamento é que a vida real não possui atalhos ou moedas virtuais para pular os problemas. Quando essa juventude esbarra em um obstáculo inescapável — uma demissão, um término, uma crise financeira —, a emoção imediatamente substitui a razão. A indignação e a raiva tomam conta, não apenas pelo problema em si, mas pela absoluta falta de bagagem emocional para processar a falha. Como não aprenderam a perder no ambiente controlado da infância, desmoronam diante da realidade inegociável da vida adulta.
A verdadeira vitória que experimentei na minha época não estava nos pixels de uma tela minúscula, mas no processo: a paciência cultivada, a tolerância ao erro e o orgulho que vinha com uma conquista suada. A tecnologia moderna nos entregou atalhos brilhantes para quase tudo, menos para o amadurecimento humano.
E isso me leva a uma reflexão que deixo para você: se continuarmos anestesiando nossa juventude com vitórias fáceis, cliques mágicos e a ausência absoluta de frustração, como eles terão força para suportar as inevitáveis derrotas que o "jogo da vida real" não nos permite pular?

AUTORA STELLA_GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
O AMANHECER É LINDO
Esta reflexão tem uma força interior bonita, quando descobrimos em nós a nossa coragem. Podemos amanhecer imaginando uma vida tranquila com o sol nos bronzeando a pele, em uma praia afrodisíaca.
O amanhecer não acontece no longe, ele está em nós como abraços apertados presenteados. Acontece quando algo em nós finalmente decide abrir os olhos. O mundo pode seguir escuro lá fora, as nuvens podem insistir em ficar, e ainda assim uma claridade silenciosa começa a se espalhar por dentro. É o instante em que percebemos que a vida não depende apenas do que vemos, mas do que escolhemos enxergar.
O sol nasce e não sentimos nada. E há dias em que nada muda no céu, mas algo muda em nós — e isso basta para transformar tudo.
Amanhece e está claro e lindo, íntimo, quase secreto.
Com a respiração calma, a felicidade parece estar por perto.
O renascer a cada novo dia é fascinante e nos deixa com sede de viver, com uma vontade louca tomando conta de nós, com uma insaciável alegria e um desejo inenarrável de aproveitar cada momento, sentindo que vale a pena estar novamente em um lindo amanhecer.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
SALVEM AS NOSSAS CRIANÇAS
Crianças estão morrendo envenenadas!
Crianças estão sendo abusadas sexualmente! Crianças estão sofrendo maus tratos por
Parte dos pais e neste exato momento
Tem uma criança mantida em cárcere
Privado que está sofrendo nas mãos
Daqueles que deveriam amá-las!
Crianças são assassinadas pelos próprios pais
Que deveriam cuidar delas, mas eles preferiram
A vingança contra o seu cônjuge ceifando a vida
Do próprio filho! Crianças são traficadas e
Transformadas em escravas sexuais para
Servir a elite que se veste com a hipocrisia
E sobem em palanque nacional para
Pregar valores familiares.
E mesmo diante dos escândalos da prostituição
Infantil e da pedofilia, o mundo finge não ver
O óbvio, e segue com esse rito de omissão
Diante de crimes que beiram a crueldade,
E, enquanto isso, os políticos discursam
Pautas insignificantes que rendem aplausos,
Enquanto as crianças continuam embarcando
Em canoas e se entregando para os ceifadores
Da pureza e da inocência de uma criança.
E diante dessa luta contra a fome visceral
E contra essa desigualdade social que é
Vergonhosa e imoral, as nossas crianças
Precisam de proteção e essa luta
Jamais pode ser esquecida
E o som da liberdade não
Pode ser calado, salvem
As nossas crianças.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, Título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
QUANDO OS DESAFIOS BATEM À PORTA
Era uma segunda-feira qualquer — daquelas que já nascem com cara de cansaço. O despertador tocou como um aviso de que o mundo lá fora não ia esperar minha vontade de ficar na cama. Abri os olhos devagar, com a sensação de que algo estava prestes a desabar. E estava. O dia ainda nem tinha começado, e eu já me sentia derrotado por dentro.
Tem dias assim, em que os problemas batem à porta sem avisar. E eles não vêm sozinhos. Chegam trazendo a conta atrasada, a notícia ruim, o “não” inesperado, a dúvida que pesa mais que o próprio corpo. Nessas horas, a gente se pergunta se vale a pena continuar tentando ou se é melhor se encolher num canto e esperar a tempestade passar.
Mas, curiosamente, é nesses momentos que a vida planta sementes invisíveis.
Às vezes, um tombo é o único jeito de enxergar a direção certa. Às vezes, o que parece o fim é só o começo com outro nome. Quantas vezes, sem perceber, a dor me empurrou para lugares que eu jamais teria ido por vontade própria? Quantas vezes um “fracasso” me salvou de um caminho que não era meu?
A verdade é que nem sempre percebemos quando um desafio começa a se transformar em oportunidade. Isso só fica claro depois, no silêncio das madrugadas ou no alívio de um sorriso que a gente achava que nunca mais daria.
A vida tem dessas ironias bonitas. Ela fecha portas com barulho, mas abre janelas em silêncio. Só entende isso quem tem paciência para esperar, para respirar fundo e seguir — mesmo sem entender tudo.
E foi naquela segunda-feira cinza que aprendi, mais uma vez, que o que nos derruba hoje pode ser exatamente o que nos levanta amanhã.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
SEMPRE LÁ E CÁ
Não sei…
Sei e não sei.
Ficar aqui ou seguir para o rumo de lá?
Talvez quisesse ficar um pouco,
ou já tenha ficado tempo demais.
É sempre essa saudade,
inquieta e persistente,
que faz a gente duvidar de tudo
e não tem pena de nós.
Fica saudade cá e lá,
lá e cá:
ora aperta,
ora afrouxa,
ora quer ir,
ora quer ficar.
E a gente…
fica no meio,
sem saber o que fazer com ela,
lá ou cá,
onde ela quer ficar?
Saudade dói, não dói?

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
MINHA OPÇÃO
Minha opção,
Escutar a razão,
Ou coração,
Difícil a decisão.
Meu coração,
Quer a razão,
Transpor a paixão,
Loucura e tesão.
A razão,
Destina-me a solidão,
Sem esperança para emoção.
Desilusão,
Não! Solidão,
Pois nunca serei dono de seu coração.

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
SOLIDÃO
Adolescência — fase em que ainda não se é adulto, mas também não se é mais criança.
Sinto falta de algo que não sei nomear.
Sinto-me só, incompleta e incompreendida.
Tenho consciência de que não consigo me expressar com ninguém; está difícil até entender o que sinto.
Diante de tudo, sinto-me sufocada.
Preciso respirar ar puro.
Saio para a noite.
Aqui não há luz elétrica. Tudo é escuridão.
Aos poucos, meus olhos se acostumam, e percebo a luminosidade da lua.
Passo a ver tudo com nitidez.
Passo a ouvir os pequenos sons noturnos.
Fico encantada com a lua.
Penso em suas fases, nas mudanças que atravessa.
Sinto-me abraçada por ela.
Sinto que ela me entende.
Converso com ela, observando-a cercada de estrelas no firmamento.
No entanto, ela é única.
Não há outra igual.
Ela tem luz própria, brilha e seduz.
E assim me sinto acolhida em minha solidão.
Também não há outra igual a mim — com minha essência e minha sensibilidade.
Após meditar sob o olhar da lua, levanto-me melhor, pronta para brilhar.
Não importa em que fase eu esteja.

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
QUANDO SE TEM UM AMOR
O olhar tem um brilho diferente
Coração dispara inconsequente
Ao sentir o seu cheiro
Se desmancha por inteiro
Sorrisos são mais frequentes
Fica mole o coração da gente
Indiferenças conseguem-se resolver
O amor verdadeiro sabe como proceder
Tem alguém para segurar a mão
Um abrigo quando sente solidão
É maravilhoso ser recíproco
O coração não anda mais aflito
Quando se tem um amor
Cuida-se com zelo e fervor
Deleita-se em um mar de carinho
E já não se sente mais sozinho.

AUTORA MARINALVA ALMADA
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
COMO ESTOU DIRIGINDO?
Sempre que viajo, observo nos carros de empresas a seguinte frase: "Como estou dirigindo?" Cada motorista deveria se fazer essa pergunta, porque há muita imprudência no trânsito, acidentes com vítimas, lesões graves, traumas físicos e emocionais para muitas famílias.
Lembre-se: a direção segura é uma escolha. Mantenha a atenção no trânsito, respeite as regras e evite distrações. Seja um motorista consciente. A vida é um bem precioso demais para ser colocada em risco por uma pessoa imprudente.
No trânsito, faça a diferença: dirija com cuidado, prudência e respeito à vida. Para isso, siga essas dicas de segurança:
Manter a atenção no trânsito;
Respeitar as regras de trânsito;
Evitar distrações (como usar o celular);
Manter uma distância segura do veículo à frente.

AUTOR LUIZ FELIPE AMIL
Luiz Felipe de Lima mais conhecido por Luiz Felipe Amil nasceu no dia 22 de abril de 2005, é um escritor natural da cidade de Santarém no estado do Pará. No ano de 2022, Luiz Felipe participou de uma Antologia Poética de sua cidade chamada TERCEIRO ENCONTRO, daí Luiz passou a escrever seus próprios livros e à colocá-los pra fora da gaveta. Ele é o autor dos livros ÉBRIO DE TANTA POESIA (Kindle, 2023) e CHUVAS DE INSPIRAÇÃO (Kindle, 2023). Conhecido por escrever sonetos clássicos, contos, crônicas, seu estilo contemporâneo varia entre o clássico e o verso livre. É membro de duas academias literárias: Academia de Letras, Ciências e Artes da Amazônia Brasileira (ALCAAB) cadeira número 37 do patrono Olavo Bilac, e da Academia Internacional de Literatura Brasileira.
CRÔNICA A MANOEL CARLOS
Perder um autor consagrado é perder parte de um panteão da nossa cultura, é deixar um espaço vazio, mas seu legado e seus feitos grandiosos que contribuíram de forma sensata, relevante e significativa para a dramaturgia brasileira jamais se apagarão da memória afetiva do público. Fãs, colegas de trabalho e amigos jamais esquecerão o teu brilho, que decidiu virar uma estrela, já era uma estrela consagrada e renomada aqui na terra, decidiu fazer a grande viagem para o andar de cima. Maneco, como era carinhosamente conhecido, se foi, mas suas obras ficam para o público ver, rever e apreciar, sempre valendo a pena ver de novo. Hoje a noite do dia 10 de janeiro de 2026 foi diferente, não ligamos mais a televisão após o Jornal Nacional no horário nobre, não temos mais uma novela do Maneco nos esperando reunidos na sala para assistir e se emocionar com o roteiro, com os conflitos familiares em quatro paredes num apartamento do Leblon, bairro que ganhou destaque em suas obras magníficas, o apartamento imaginário que cada família brasileira sonhava em morar no Leblon jamais se apagará da mente daqueles que amavam ligar a televisão e ver uma Helena amorosa, forte, destemida, tomando café e conversando com os filhos, amando cada um deles e que jamais baixou a cabeça para os vilões da trama bem escrita por Maneco. Elas eram mulheres que andavam de cabeça erguida, nas ruas do Leblon, mesmo com uma bolsa no braço, em busca do melhor a cada dia, e sempre armadas para matar um leão diário.
Os núcleos das suas novelas eram um luxo, do calçadão da beira da praia do Leblon onde jovens e atletas tomavam água de coco, à livraria, ao saguão do apartamento, cada um bem estruturado e dividido, cada um enfrentando uma luta interna, um cotidiano familiar que também fez parte e faz pois as tramas do Maneco são atemporais, faz parte da vida de muitos brasileiros, a correria do dia a dia, a polêmica e as campanhas de incentivação ao abordar temas polêmicos como o alcoolismo, violência doméstica e a violência de tiroteios nas grandes cidades. Nem só de Helenas o Maneco sabia bem escrever, nos presenteou também com vilões inesquecíveis, icônicos, mulheres sem escrúpulos, mães narcisistas, loucas, preconceituosas, dependentes emocionais à homens agressores de mulheres e possessivos. Nos presenteou com garotas de programa como a inesquecível Capitu de Laços de Família (2000), uma obra-prima do autor no início da virada do milênio. Maneco quebrava regras e tabus. Os galãs das Helenas nem se falam, eram homens de palavras, sensatos e acima de tudo apaixonados em conquistá-las, ofício muito bem vivido pelos atores Tony Ramos e José Mayer. E as loucuras de Heloísa na novela Mulheres Apaixonadas (2003), essa ninguém esquece, a violência contra os idosos Flora e Leopoldo, partidas da neta Dóris dentro do próprio apartamento. O amor que não tinha idade para florescer no Leblon. E as filhas mimadas das Helenas? Que vontade o telespectador não tinha naquele momento de entrar na televisão e dizer umas verdades na cara da Joyce de História de Amor (1995), fazer a Camila pagar o mal que fez para a mãe em Laços de Família (2000), que logo se redimiu e nos emocionou ao enfrentar um tratamento de leucemia, e a ingrata Eduarda de Por Amor (1997), quantas mães maravilhosas o Maneco soube nos presentear, mas que tinham filhas altamente ingratas geradas do embrião da ingratidão.
Falou abertamente de assuntos delicados como a troca de bebês na novela Por Amor (1997), o tratamento de leucemia em Laços de Família (2000), a inclusão social e o racismo em Páginas da Vida (2006), e fora a novela Mulheres Apaixonadas (2003), que era um poço de mulheres e suas polêmicas como lutas internas do cotidiano, como o amor proibido de uma mulher com um padre, o amor de duas mulheres lésbicas e o amor de uma professora com um aluno mais jovem. Manoel Carlos e suas Helenas são uma simplicidade em uma grandeza que é morar no Rio de Janeiro. Manoel Carlos escreveu o cotidiano das famílias brasileiras com a música de Tom Jobim ao fundo, as lutas internas, os conflitos no café da manhã, o amor nunca dito em silêncio pelas mães amorosas que fazem de tudo pelos filhos, e mais, temas polêmicos que pararam o Brasil e incentivaram com suas campanhas. Hoje à noite, o piano de Tom Jobim, que tocava a trilha sonora da vida de cada personagem da trama, se calou. Cada personagem em seu núcleo no Leblon estende o luto por um grande dramaturgo da nossa cultura brasileira. Obrigado, Manoel Carlos, por dar um final feliz a cada personagem, a cada Helena bem escrita por você, uma Helena inspirada na Helena de Troia, outra na literatura de Machado de Assis. Obrigado por deixar essa marca registrada, sempre ao lado das duas filhas, uma lhe ajudando no roteiro, Maria Carolina, e a outra, Julia Almeida, em cena nos seus capítulos. E o público sempre querendo ver mais um capítulo do Maneco, mesmo se uma Helena sofria a trama inteira, ela não baixava a cabeça, seguia em frente firme e forte no Leblon com a sua sabedoria em busca de uma felicidade e um final feliz vivendo uma linda história de amor. Manoel Carlos se tornou icônico com o seu roteiro bem escrito, suas frases e citações a cada capítulo se tornaram um marco histórico na dramaturgia brasileira. Descanse em paz, Maneco. Espero aqui no sofá da sala com a minha família a próxima história, mesmo se for uma minissérie impactante como a rebelde e provocante Anita da clássica Presença de Anita (2001) e a deliciosa e bem escrita biografia de Maysa (2009).
Manoel Carlos, seu legado jamais será esquecido. Lembra de mim, lembra de nós nas longas cenas que você escreveu, fazendo o Brasil chorar de tanta emoção bem escrita. Obrigado, Maneco, pela luz dos olhos teus, baila comigo nessa ode de Tom Jobim, piano da Bossa Nova à felicidade, a cada trilha sonora que você escolhia para suas novelas, uma emoção falando de amor, um toque especial nos ouvidos ficará guardado no coração dos brasileiros. Até logo, meu mestre. Das Helenas de Lilian à Júlia Lemmertz, meu muito obrigado. Regina, que fez uma trilogia icônica dessas mulheres, Vera, Torloni, Tais, muito obrigado. O poeta da televisão se despede finalizando seu livro de poesias do cotidiano numa noite de janeiro, fechando mais um capítulo das crônicas familiares que não eram somente para entreter o público mas para tocar os corações de quem se identificava com suas histórias bonitas, sem derramamento de sangue mas com sentimentos, personagens discretos, intensos, sem vaidade à personagens barraqueiros, moradores dos apartamentos, local onde Maneco escolheu passar o resto da vida no lindo bairro do Leblon, onde observava, escrevia, desenhava para o Brasil dando sentido às suas histórias dos cafés da manhã em família às noites cariocas de Bossa Nova no Leblon com samba de verão ao fundo. Um pai criador de tantos personagens ícones para atores e atrizes que se tornaram os talismãs dos seus sucessos contínuos. Maneco queria uma palavra apenas para descrever você e a sua bagagem literária e dramatúrgica, mas a palavra que eu tenho para você hoje é gratidão. Maneco, que influenciou através da novela estatutos e adoção de crianças, escreveu o amor como poucos: imperfeito, profundo e verdadeiro. As areias brancas e águas da praia do Leblon vão te saudar onde você estiver, Maneco.

AUTORA SIMONE GONÇALVES
Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
ETERNAMENTE, SUSI
Sorriso leve, sua marca registrada
Sim, sempre com ternura num doce sorriso.
Olhar cativante e misterioso
Tinha algo de feroz misturado com a magia
De uma gatinha atrevida.
Mandava em tudo e em todos
Era a dona do pedaço!
Quando chegamos, mal pediu licença
Na verdade, ela quem nos permitiu ficar.
Inspecionava cada cantinho
Miava pedindo atenção de todos
"Hey, não se esqueçam... sou a síndica desse prédio."
Só fica quem eu quero
E assim foi, na sua autoridade felina
Se permitindo ao mesmo tempo
Dividir o mesmo espaço
Num único lar, o nosso.
De pouco a pouco, uma moradora especial.
Susi, uma gata frajola
Foi mãe adotiva aqui em casa
Amiga de outros do seu quintal
Adorava calangos e subir em árvores
Ficava nos telhados das garagens
E recepcionava, quando queria
No portão de entrada...
Susi cuidou de todo o prédio
Mesmo na sua tranquilidade e sossego.
Foi rainha, foi docemente companheira...
Hoje descansa no seu lugar preferido
O quintal do prédio
Sua lembrança jamais se apagará
Cuida de nós aí do seu paraíso
Que aqui sempre vamos te amar!
* Susi partiu no dia 18/02/2026
Conosco viveu por 10 anos

AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
QUEM CUIDA DE VOCÊ?
Servir,
Doar-se.
Como diz a Bíblia: “Há mais felicidade em dar...”
Sim, é gratificante, você pode comprovar!
Doação
Em prol dos pais, dos filhos.
Você faz de coração,
Por amor.
Anos a fio de intensa dedicação,
Árdua jornada.
Após longo tempo,
A alma está exausta.
Mesmo com toda a abnegação,
Nunca é suficiente,
Sempre exigem mais...
Sempre cuidando dos outros.
E quem cuida de você?
Alma faminta de atenção,
Sedenta de compreensão,
Perdida nos labirintos da solidão.
Sentimentos reprimidos,
Versejar sofrido,
O peito flameja em dor,
Anseia compreensão e amor.
E assim, exaurida,
Vejo a vida fenecendo...
Quem cuidará de você?




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