REFLEXÕES Nº 196 — 25/01/2026
- Luiz Primati
- há 18 horas
- 18 min de leitura


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
DEPENDÊNCIA INVISÍVEL
Hoje, uma simples notificação da fornecedora de energia me pegou de surpresa: um corte programado entre 11:20 e 17:20. No primeiro momento, pensei em me adaptar, como se fosse apenas uma pausa no fluxo da rotina. "Beleza, vou me programar", disse para mim mesmo. Aproveitaria a manhã com a energia disponível, adiaria o banho para depois, tiraria a tarde para maratonar Netflix, jogar algo no tablet ou até dar uma volta de carro para espairecer. Parecia simples, quase um convite para um dia descontraído. Mas, ao planejar os detalhes, a realidade me acertou como um balde de água fria – literal e figurativamente.
Banho? Só se fosse gelado, já que o chuveiro elétrico ficaria inoperante. Netflix? Impossível sem energia para a TV e a internet cairia junto, deixando o streaming como um sonho distante. Sair de casa? Moro no sexto andar de um prédio, e o elevador viraria uma relíquia inútil, exigindo que eu enfrentasse as escadas – uma aventura exaustiva para subir e descer. E o portão eletrônico? Sem eletricidade, ficaria trancado, transformando meu lar em uma prisão involuntária. Foi aí que a ficha caiu: o quanto somos dependentes da eletricidade para praticamente tudo. Ela não é apenas uma conveniência; é uma necessidade insubstituível da nossa existência moderna.
Essa dependência vai muito além do óbvio. Pense na comunicação: sem energia, o celular descarrega rapidamente, e recarregá-lo vira uma missão impossível. Como manter contato com familiares, amigos ou colegas de trabalho? Uma ligação urgente para um médico ou um e-mail profissional urgente ficaria suspenso no limbo. No trabalho remoto, que se tornou norma para tantos, o laptop morre, o Wi-Fi some, e a produtividade evapora. Imagine um dia sem poder acessar documentos na nuvem, participar de reuniões virtuais ou até mesmo ligar o computador – o mundo corporativo para, e com ele, nossa sensação de controle sobre o tempo.
E a comida? A geladeira para de funcionar, acelerando o apodrecimento de perecíveis como leite, frutas e carnes. Cozinhar? O fogão elétrico ou o micro-ondas viram enfeites, forçando-nos a improvisar com lanches frios ou, pior, jejuar involuntariamente. Em uma sociedade onde a conveniência reina, isso nos lembra da fragilidade da cadeia de suprimentos: sem eletricidade, supermercados fecham caixas eletrônicos, bombas de gasolina param, e o simples ato de comprar pão vira uma odisseia.
Saúde e bem-estar também entram na equação. Aparelhos como nebulizadores, bombas de insulina ou até ventiladores para o calor intenso (especialmente em um país tropical como o Brasil) dependem de uma tomada viva. Em Botucatu, por exemplo, onde o clima pode variar de quente a úmido, um corte prolongado poderia transformar uma tarde comum em um desconforto físico real, afetando idosos, crianças ou pessoas com condições crônicas. E o lazer? Além do Netflix, jogos no console, música no Spotify ou até ler um e-book no Kindle – tudo exige energia. Sem ela, voltamos a um silêncio analógico, forçados a confrontar o tédio ou, quem sabe, redescobrir livros físicos, conversas cara a cara ou uma caminhada reflexiva (se o portão permitir).
Essa reflexão me leva a um ponto mais profundo: a eletricidade não é só uma ferramenta; ela molda nossa identidade coletiva. Vivemos em uma era de hiperconexão, onde a ausência de energia nos despoja de camadas de conforto e nos obriga a encarar nossa vulnerabilidade. Lembro de histórias de avós que contavam sobre noites à luz de velas, cozinhando no fogão a lenha e entretendo-se com jogos de tabuleiro. Hoje, isso soa romântico, mas na prática, revela quanto perdemos em resiliência. Somos uma sociedade plugada, onde um apagão não é apenas uma interrupção técnica, mas um espelho que reflete nossa fragilidade perante o imprevisível – seja um corte programado, uma tempestade ou uma falha no sistema.
No entanto, há uma lição positiva nisso tudo: gratidão. Esses momentos nos convidam a valorizar o que temos e a preparar-nos melhor. Carregar dispositivos com antecedência, estocar lanches não perecíveis, ou até investir em geradores portáteis ou painéis solares. Mais que isso, é uma oportunidade para desconectar deliberadamente – meditar, escrever um diário, ou simplesmente observar o mundo sem distrações digitais. A dependência da eletricidade nos torna eficientes, mas também nos rouba a essência da adaptabilidade humana.
Dos males o menor, pois, hoje é domingo. Mas tem uma coisa que não depende da eletricidade e que vou aproveitar: colocar a leitura em dia. Ainda bem que sou viciado em livros impressos. Enquanto o mundo digital hiberna por algumas horas, eu abro um romance, ou uma poesia, e deixo que as páginas – e não os pixels – me levem para longe. No silêncio sem zumbido de ventiladores ou luzes piscando, talvez eu encontre exatamente o que precisava: um tempo sem plugs, só eu, o papel e as ideias que resistem a qualquer apagão.
No final das contas, esse corte de energia não será só um contratempo; será um lembrete de que, por trás das tomadas e fios, há uma cadeia de dependência que sustenta nossa vida. E se pararmos para pensar, talvez precisemos de mais "apagões" intencionais para reconectar com o que realmente importa: nós mesmos, sem plugs.
E você? Faria o que se passasse pelo mesmo que eu?

AUTORA STELLA_GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
VENTOS FAVORÁVEIS
No âmbito simbólico, a expressão “ventos favoráveis” representa a importância de reconhecer oportunidades, adaptar-se ao contexto e agir estrategicamente para tirar o máximo proveito das condições presentes.
Seja no sentido literal ou metafórico, “ventos favoráveis” simbolizam condições positivas e oportunidades de seguir adiante. Saber reconhecê-los e utilizá-los é fundamental para navegar com sucesso pelos desafios da vida, do trabalho e das jornadas pessoais.
Para o filósofo estoico romano (Sêneca, Séc. I) Não há vento favorável para marinheiro que não sabe para onde ir. Sentir a brisa dos ventos, a calmaria no ar. A frase alerta para o perigo de viver à deriva, reagindo apenas às circunstâncias, sem uma direção clara para a vida pessoal ou profissional.
Em alguns momentos, perguntamos:
— Onde é que estou indo com tanta pressa?
Afinal, a viagem é tão importante quanto o ponto de chegada.
O mundo funciona com seus mistérios. O estudo dos ventos abrange desde a compreensão científica de sua formação até o uso de ferramentas como a rosa dos ventos para navegação e orientação.
Diante deste grande fenômeno, nos sentimos impotentes. O vento, com sua força e imprevisibilidade, revela como somos pequenos diante da natureza. Cada experiência geográfica traz consigo ventos especiais, com velocidades e características únicas, que nos desafiam a reconhecer e respeitar os limites do nosso controle sobre ele.
Essa diversidade dos ventos reflete a pluralidade de situações que enfrentamos na vida: ora nos impulsionam, ora exigem cautela e adaptação. Assim, compreender e aceitar nossa impotência diante dos ventos é parte essencial do processo de aprender a navegar pelas oportunidades e desafios que se apresentam.
A vida é cheia de desejos, ela germina esperanças e, de olhos, corpos e corações, ficamos facilmente inclinados aos desejos de que bons ventos nos tirem das cegueiras e nos deixem enxergar possibilidades favoráveis para a realização de nossos sonhos.
É maravilhoso sentirmos momentos jubilosos e compreendermos que podemos renovar nossas opções e concepções, pois os ventos não repousam e, com suas forças, podemos atravessar a intensidade de nossos medos.
Ventos e movimentos…
Ventos favoráveis.
Magnificência nos rodeando.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
O COMEÇO DO FIM
Vivemos a era da tecnologia,
A era das orgias e da vida de aparência,
Onde as pessoas vivem num mundo que ainda
Não existe onde as pessoas estão paralisadas
E, com medo, elas fogem do amanhã.
Vivemos em um mundo onde as
Pessoas são reféns da culpa que
Habita na sua consciência,
E por isso elas ficam
Presas ao passado.
Vivemos em um mundo onde as pessoas Confiam mais em si próprio e desprezam
A dependência de Deus, vivemos era da
Comparação onde as pessoas são ingratas E não valorizam aquilo que têm.
Vivemos uma onde as pessoas estão se Isolando e adoecendo com as dores
Internas na alma e vivem dentro de
Um mundo cinzento.
Vivemos uma era onde as pessoas estão
Cada vez mais estressadas, cultivando o
Ódio e a raiva elas não praticam a empatia.
Vivemos uma era onde as pessoas vivem Em um mundo onde as pessoas estão
Desperdiçando o seu tempo com distrações.
Basta ver os stories e os reels no Instagram, Sem falar no OnlyFans, um cardápio De mulheres nuas que fomentam a Prostituição virtual, além do TikTok
E do Kawai, que infelizmente virou Modinha com as suas dancinhas,
E eu lamento que a sociedade
Não se deu conta de que
Está se autodestruindo.
Já que vivemos com a Ciência em humanidade
Com muita oração,
Sem a caridade
Com políticas sem princípios,
Com prazer, sem compromisso, Com riqueza sem trabalho, Com sabedoria, sem caráter, Com negócios imorais que são Realizados na calada da noite Para ninguém ver a troca de malas,
Com muitos direitos, sem nenhuma obrigação
E sem nenhum pingo de gratidão.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, Título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
PROCRASTINAR EM RESPEITO AO PASSADO
Outro dia, sentei-me diante da tela em branco, pronto para começar um projeto importante. O prazo estava ali, piscando em vermelho na minha mente. Mas, em vez de escrever, senti uma estranha necessidade de arrumar gavetas, verificar e-mails sem importância e até assistir a um vídeo sobre como dobrar lençóis de elástico — algo que eu, sinceramente, jamais pretendia fazer.
Por que, afinal, eu adiava aquilo que mais precisava ser feito? Era só preguiça? Falta de disciplina? Talvez. Mas e se houvesse algo mais?
Foi assim que me lembrei de uma história que minha avó contava. Falava sobre um antepassado, que perdera tudo em uma crise econômica. Um homem que trabalhava de sol a sol e, ainda assim, mal conseguia colocar comida na mesa. “Ele dizia que gente honesta sua, mas não enriquece”, repetia minha avó, como quem crava um destino na terra.
E ali estava eu, décadas depois, empurrando para amanhã o que eu poderia fazer hoje. E me perguntei: será que estou, sem perceber, sendo fiel a essa história? Será que, em algum canto da minha alma, eu temia que avançar significasse desonrar aqueles que não puderam ir tão longe?
Então, diante da tela em branco, eu me perguntei: E se eu pudesse avançar não apesar deles, mas em honra a eles?
E me veio uma imagem: aquele ancestral, com suas mãos calejadas, me olhando nos olhos e dizendo:
“Vá em frente. Eu fiz o que pude com as condições que tive. Agora, você pode mais.”
Naquele instante, refleti e compreendi mais uma vez que honrar a dor dos que vieram antes não significa carregá-la como uma corrente nos pés. Significa dar novos passos, em reverência ao caminho que eles abriram, mesmo que com sangue e suor.
Levantei-me, fiz um café e voltei à tela. Escrevi sem pressa, mas sem adiar. Como se, ao terminar, eu dissesse a todos os que vieram antes de mim:
“Eu vejo vocês. Eu carrego sua força, mas não o seu fardo. Eu escolho avançar.”
E o prazo, de repente, deixou de ser um inimigo. Tornou-se somente mais uma chance de seguir em frente.
Me libertei do peso.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
DIÁLOGOS COM A SAUDADE
Essa saudade
sempre nos apertando,
mesmo sem braços
e sem abraços.
Só sei que,
se a saudade fosse gente,
diria a ela:
saudade,
deixa de ter saudade
e alivia nosso coração.
Vai passear,
se divertir,
deixa a gente
respirar um pouco
sem você.
Você é insistente,
persistente…
assim não aguentamos.
Então, alivia —
só um pouquinho.
Prometo que tiro um dia
só para você,
e assim um pouco de você
fica em mim,
e outro de mim
fica em você.
Às vezes,
o coração só precisa de uma trégua.

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
SE MEUS SONHOS VÃO SE TORNAR REALIDADE
Se meus sonhos vão se tornar realidade,
Eu não sei, o que sei é que,
Optei por viver o resto de minha vida calado,
Amando-te, mesmo distante.
Talvez. Você não veja,
Talvez você nunca me beije,
Mas nunca deixe esquecer,
Que vivi para amar você.
Sei que sua alma sente minha presença,
E que eu nunca fui ausência,
Em toda a sua vida.
Como também. Sei,
Que na hora da loucura, paixão e tesão,
Na sua imaginação, é a minha presença que te faz ter prazer

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
O CASO DAS ANDORINHAS
Eu tenho um irmão caipira, que é do campo, é sertanejo, que gosta de cuidar e mexer com a terra, plantar e colher.
Hoje, ele foi, mais uma vez, como sempre faz, cuidar das plantas, mas um fato curioso chamou sua atenção. Ele viu uma andorinha na goiabeira, até aí, tudo bem, normal! Só que ele saiu, fez outras coisas, retornou e a andorinha continuava no galho da goiabeira.
Como curioso que é, muito interessado nas coisas da natureza, subiu na árvore, porém a andorinha não se movimentou para voar, ele achou isso mais estranho ainda. Chegando perto, viu que a andorinha estava com os pezinhos enrolados em uma linha de pipa.
Com muito cuidado, tomou a andorinha em suas mãos, tirou a linha de seus pezinhos, viu que estavam machucados, cuidou do ferimento e depois, com as mãos estendidas, soltou a andorinha no ar.
Para a sua surpresa, a andorinha rodopiou em volta dele por uma fração de segundo. Ele interpretou esse voo circular como uma forma de agradecimento por parte da andorinha, que depois, totalmente liberta, alçou um voo pleno, deixando meu irmão com o coração cheio de gratidão e muito emocionado por ter salvado uma vida!
É preciso tomar cuidado com as linhas de pipa e com o uso do cerol, pois vidas podem ser ceifadas.
E todas as vidas importam, mesmo que seja a de um passarinho!
Obrigada, meu irmão Reinaldo, por compartilhar essa história com sua irmã escritora!

AUTORA ARLÉTE CREAZZO
ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
FOTO MERAMENTE ILUSTRATIVA
Em letras bem miúdas, quase escondidas, podemos ver a frase próxima a uma belíssima imagem, principalmente de produtos que pensamos em comprar. Os desavisados que não enxergam a frase – e não se atentam ao anúncio verdadeiro – compram seu objeto de desejo na mais completa alegria. Mas ao receber o produto, chega também a decepção de ter sido engando, ou ao menos iludido.
Isso tem acontecido também, cada vez mais, em redes sociais. Pessoas postando constantemente fotos lindas, em locais maravilhosos, onde muitos gostariam de estar naquele momento, mas quando se descobre a verdade, os locais lindos não passam de um fundo verde ou painéis ilusórios para que tenhamos a impressão de que realmente estão vivendo aquele momento.
Esse fenômeno se estende também ao corpo humano. Pessoas desesperadas por uma bela aparência, se tornam alvos de injeções, bisturis e substâncias criadas pelo homem para que se parece mais jovem ou consigam o nariz dos sonhos, fazendo com que as pessoas percam sua essência, se transformando em versões editadas de si mesmas. Muitos acabam se transformando em verdadeiros monstros, deformados pela ciência em busca da perfeição.
O problema não está na tecnologia das fotos ou procedimentos, mas da ilusão que tudo isso cria. A ilusão de que a vida é perfeita, sem falhas, e quando isso acontece nos afastamos do que é real, do que é imperfeito e humano. Talvez seja a hora de pararmos de valorizar a imagem e passemos a valorizar o verdadeiro conteúdo, para que não tenhamos que nos atentar às letras miúdas.

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
ENQUANTO HOUVER
Enquanto houver poesia
Amor louco em demasia
Enquanto houver inspiração
Paixão que explode o coração.
Enquanto houver palavras
Doces contos que acalmam
Enquanto houver melodia
Que traz recordação e alegria.
Enquanto houver romances
Amores puros e constantes
Enquanto houver fantasia
Sonhos que encantam o dia.
Há de haver esperança
Boas memórias, lembranças
Regada de paz infinita
E celebraremos a vida.

AUTORA MIGUELA RABELO
MIGUELA RABELO escritora de crônicas, contos e poemas, com seu primeiro livro solo de poemas: "Estações". Também é mãe atípica e professora da Educação Especial no município de Uberlândia-mg.
BILHETE PREMIADO
O ano chegou novo em folha, permeado de sonhos, metas e promessas... acreditando que esse ano vou crescer, prosperar, amar e quem sabe voltar a ver o mar...
Mas estão, ele mal nasce a desilusão de mais uma vez não ser uma milionária, porque para mim apenas 1 milhão dos mais de 1 bi, já estava perfeito... então, de novo recomeçar a pensar em como quitar os boletos, pois realizar os sonhos exige rotina, racionalidade e por isso, astiar novamente as velas, recaucular a rota, metas e respirar fundo... São essenciais.
Então, 2026 sorri como um bebê matreiro e lhe diz baixinho: meu bem, você ainda não viu nada....
Então de repente, caio do 13° andar de um sonho, enquanto galopava em um cavalo branco desgovernado e no no qual me percebi ter que tomar às rédeas sozinha desta condução...
Reconhecendo minha força,coragem e determinação, mas também percebendo minhas fragilidades e limitações. Entretanto, enxergando que sim, não sei tudo que quero ,mas enfim, sei o que não quero e por isso, sou de fato a heroína da minha própria saga... mas sem forças ou estruturas para salvar o mundo ou quem estão além do meu território...
Então meu pai adoece e meu braço direito é torcido, meu filho também padece e mais crises se iniciam, e meu braço esquerdo também se imobiliza... E assim, me sinto presa como em uma "camisa de Vênus". Mas ainda com um vislumbre de que as coisas possam melhorar enquanto me dissolvo entre a água quente e salina que meus olhos temperam durante o banho silencioso pela queda da ducha que abafam meus soluços... Então logo mais, já era quase dia 03, e o ano mal começou...
Então o dia clareia, antes da hora com um murmurar na sala, era ele acordado novamente, por dois dias seguidos.. 3:30 hs, marcava na tela do celular. Com muita persistência e resistência do outro, ele pega no sono, eu apago na sequência com a certeza de que de hoje não passaria, de uma conversa eu não poderia fugir..
O peso das horas passam, e tento encanar Roberto Benine em "A vida é bela", transformando a tragédia em uma comédia, mas não para ele, que era um excelente ator, mas para quem amava e pouco entendia sobre a dor da saudade e medo da morte...
A noite cai e as máscaras também... pois não poderia sustentar a heroína boazinha o tempo todo e a lucidez do fel inevitável, descobri ser necessário me acompanhar, pois não sou tão forte ou desatenta como pareço ou gostaria... muito do que representamos são projeções alheias. Confesso que ainda estou me autoconhecendo e o não, ainda é um estranho para mim, ele sempre é um vilão que desperta irá, tristeza... enquanto o sim, é pura alegria, festa e folia para os outros, mas nem sempre para mim....
Pelo sim, muitas coisas já fiz sem querer, muitas vezes deixei-me atropelar e machucar... por ele temia o desamor e a desistência da vida alheia... me sentindo sempre, sempre e inexplicavelmente responsável pelo ânimo ou desencanto dela...
Então levou anos, décadas para compreender que longe de mim está esse poder, de controlar o que os outros sentem ou o que fazem. Porém, posso controlar minhas atitudes relacionadas a isso, e o que faz a total diferença. E foi por isso que o não prevaleceu.. não por capricho, mas frustrações de projeções pessoais, expectativas, sonhos frustrados, mas principalmente por ausência de ação e comprometimento. Porque quando nos apegamos aos planos sem estratégias eles se perdem como fumaça... E passar a vida em plena maresia é demasiadamente doloroso... pois de um lado, frustrados na expectativa cotidiamente abortada, e do outro , caminhando em um círculo fechado, não em uma movimenta espiral.... com suas surpresas impreviveis que podem ser boas ou ruins, mas que no entanto nos fazem crescer e sair do lugar comum.
Então, as horas passam e você também se percebe adoecer, e o vento frio da solidão bate a porta naquele prédio gelado e Permeados de estrangeiros a lhe encarar, cada um com sua dor particular, que na maioria das vezes, está para além da carne, latejando da alma...
Entretanto, as mensagens, mesmo que a distância vão chegando, permeadas de carinho e de afeto vão aquecendo, e me dizendo: quem quer se faz presente, mesmo sem saber do seu temor, a sintonia faz-se presente por uma brincadeira ou por um desabafo inesperado, com um "se precisar, pode chamar"...
Então o temor suaviza com os resultados dos exames e agora é a casa bagunçada que me assusta, junto com o vazio da ausência do meu filhote em plena terça-feira que nesta hora estaria correndo, gritando e cantarolando alguma bela canção inigualavelmente enigmática.
Então término o pouco que consigo, lembrando uma memorável frase e lema da Nike, compartilhada por um querido amigo "Just do it" apenas faça, que ele acrescentou brilhantemente, bem feito, já que terá que fazer.
Terminei a noite, com uma dica se filme do Bula: "A arte de correr na chuva" que conta s belíssima história de um cão preguiçoso, mas grande filósofo. E nada mais coerente, para se pensar é necessário observação, ócio e silêncio. E nisso ele era mestre... então ao final da película, me dei conta da saudade imensa que minha Nina me faz evfos inúmeros momentos que vivemos juntas e que ela nos salvou e nos divertiu e comoveu, pois se com o Heitor aprendi sobre a maternidade, mas com ela entendi o que é amar, mesmo diante as adversidades de clima, condições e limitações...
Então me lembrei do sorteio da loteria... existem pessoas que são como bilhetes premiados. Vislumbramos todas nossas expectativas e quando deixamos de ganhar sofremos, choramos.. outros seguem continuando apostando no cacino da vida , e existem outros que simplesmente acreditam que é melhor esquecer e desistir...como eu...
Porém, Enzo, o cão filósofo deixa essa mensagem: nunca desista dos seus sonhos e assim, ele luta até o fim para ver quem ele ama realizá-los.
Então, saí da ilha e me percebi melhor: não sou eu que preciso procurar o bilhete, pois sou eu o "bilhete premiado". No instante que pensei não ter acertado os números da sorte, foi exatamente o outro que acertou meus números e foi o sortudo... porém que se perdeu em meio às comemorações deste feito e sonho e me guardou no bolso, e inevitavelmente me perdendo na esquina seguinte...
Entretanto, continuo por ali... ora no ar rolando, outrora pairando numa poça de água repousando... mais ainda por aí voando e quem sabe acreditando que alguém mais atento ei de me achar e também sacar... porque o bilhete premiado, é apenas um papel rasurado, se você não retirar o prêmio ele sempre será apenas uma fantasia de uma promessa... enfim, uma ilusão... miragem, como no deserto.




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