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REFLEXÕES Nº 193 — 04/01/2026

Máquina de escrever antiga
Imagem criada com a ferramenta de IA ChatGPT

AUTOR LUIZ PRIMATI


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.


A VIDA EDITADA


Nossa mente não guarda tudo por igual. Ela funciona de forma seletiva, destacando as boas lembranças, os momentos de alegria e afeto, e deixando-as mais fáceis de acessar. É um mecanismo para tornar nossa história pessoal mais fácil de carregar, uma forma de nos proteger. O cérebro tenta ativamente minimizar o impacto do que foi doloroso.


É natural que a gente prefira essa versão editada da nossa história. Nela, somos feitos só de acertos e de decisões das quais nos orgulhamos. É tentador pensar que nossa identidade é apenas o conjunto de coisas boas que mostramos aos outros, como uma coleção de fotos escolhidas a dedo. A gente se apega à ideia de que somos apenas o nosso melhor lado.


Só que a vida não funciona assim. As lembranças não são só uma coleção de bons momentos; são também as marcas de tudo o que vivemos. Ignorar as partes ruins não as faz sumir. Na verdade, o que tentamos reprimir com força acaba voltando de outras formas, muitas vezes quando menos esperamos.


Muitas vezes, o que nos define de verdade é justamente aquilo que escondemos. São as histórias que não contamos, os sentimentos que não admitimos. É aquele esforço para fingir que “já passou”, quando na verdade só escondemos o problema. Tentar esquecer de propósito não apaga a dor, apenas nos obriga a construir nossa vida ao redor dela, sempre com o cuidado de não tocar na ferida.


Esse processo tem um custo alto. A mente pode nos distrair com pensamentos agradáveis, mas a energia gasta para manter o que é doloroso reprimido cobra seu preço com o tempo. Conseguimos manter uma aparência de que está tudo bem para o mundo, mas, por dentro, uma parte de nós continua lidando com aquilo que foi deixado no escuro.


Isso talvez explique muito daquele cansaço que sentimos sem uma causa aparente. Não é só a rotina que esgota. É o trabalho invisível e constante de manter de pé uma imagem incompleta de quem somos. É como usar toda a sua força para segurar uma porta fechada, sabendo que o problema continua ali, do outro lado.


E se o caminho for outro? E se, em vez de lutar contra as partes que escondemos, nós as aceitássemos como parte do que nos tornamos? Talvez amadurecer seja isso: parar de brigar com a própria história e aceitá-la por completo. O objetivo não é ser definido pelo sofrimento, mas impedir que ele nos controle. Não é reviver a dor, mas tirar dela o poder de ditar nossas ações.


No fim, a identidade de uma pessoa não é um resumo dos melhores momentos. É o resultado honesto de tudo o que ela viveu: o bom e o ruim, o que orgulha e o que envergonha. É um conjunto que inclui tanto as memórias felizes quanto aquelas que ainda são difíceis de encarar.


A verdadeira liberdade talvez comece quando paramos de correr daquilo que tentamos esquecer. Quando aprendemos a olhar para essas memórias de frente, sem que elas nos dominem. É nesse ponto que a nossa história, com todas as suas partes, deixa de ser um peso e se torna o caminho para uma compreensão mais inteira e honesta de quem realmente somos.


Até quando você vai gastar sua energia segurando a porta, em vez de descobrir quem você se torna quando finalmente a abre?

 

AUTORA STELLA_GASPAR


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.


O CANTO DO BEM-TE-VI


Acordei com um canto que vinha das profundezas de uma alma bela e pura. Era o canto inconfundível de um bem-te-vi, na varanda do meu quarto de dormir.

Forte e afinado, lá estava ele. Com cuidado, fui mexendo minha cabeça e ele, com a sua sensibilidade, sentindo a minha presença, voou.


A sua beleza cantante se foi e em mim deixou uma carícia maravilhosa no meu coração. Agora o privilégio que eu tive será do vento.


O final do ano trouxe para mim uma atmosfera de reflexão e renovação, marcada pelo canto do bem-te-vi que ecoava suavemente pela varanda. Ao iniciar um novo ciclo, desejo que esse canto se transforme em fonte de especial significado, tornando cada momento mais tranquilo, celebrando a beleza que há na simplicidade da vida.


Na cultura popular brasileira, o bem-te-vi simboliza sorte, alegria e boas notícias. Há quem diga que, ao ouvir seu canto, é sinal de que algo positivo está a caminho. Poetas, músicos e artistas frequentemente se inspiram nessa ave para compor versos e canções, eternizando seu canto na memória coletiva dos apreciadores da boa música e da amorosa e inspiradora poesia.


Bem-te-vi… quero o teu canto nos meus 365 dias de 2026. Te receberei e de ti me lembrarei nas minhas alegrias. Quando o meu coração estiver triste, te chamarei e, com o teu canto, juntos saudaremos o sol do amanhecer e do entardecer.


Com a tua coragem, nada temerei, seguirei e, com o teu canto na simplicidade de meus momentos, de ti me recordarei. Que cada manhã me traga a esperança renovada desse canto alegre, lembrando-me de valorizar as pequenas felicidades diárias e de acolher com gratidão cada nova oportunidade.


Que 2026 seja preenchido com essa suave melodia, motivando-me a celebrar o momento presente, a alimentar sonhos e a compartilhar sorrisos com as pessoas que amo. Deixarei que o bem-te-vi seja a trilha sonora dos dias mais iluminados e dos mais desafiadores, pois sua presença, mesmo efêmera, permanece para sempre no coração de quem sabe escutar, se comover e jamais desistir.


AUTOR ANDRÉ FERREIRA


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.


MEDO DA REALIDADE


O medo é o algoz do meu subconsciente  

E está corrompendo a minha mente,

Por isso sinto que não sou forte o suficiente

Para enfrentar esse ambiente

Hostil que é proveniente

Desse mundo indecente.

 

E nele os meus pensamentos são pérfidos,

Os meus pensamentos são sórdidos

Os meus pensamentos são distorcidos,

Por que vivo em uma sociedade

Que confundiu o sentido de liberdade

E mergulhou definitivamente na promiscuidade.

 

E, diante disso, vejo mulheres da vida

Disputando o mesmo espaço com os viciados

Que levam uma vida bandida,

Por isso são renegados

Pela sociedade, que está rendida

E tem os seus direitos negados.  

 

Vivemos sem o mínimo de saúde,

Sem o mínimo de educação

E sem o mínimo de segurança

O Congresso Nacional não toma atitude

E o que a gente vê é o mar de corrupção

Nos engolindo enquanto os políticos enchem suas panças.

 

AUTORA KENIA PAULI


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, Título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.


O BAILE DE NOSSOS DIAS


A vida é como uma teia que criamos sem notar. Sempre observei a vida como uma dança. Às vezes, danço tranquila sob um céu cheio de estrelas. Outras vezes, erro ao tocar as músicas, tentando achar o ritmo certo.


Você já se percebeu nesse baile da vida?


Quantos ritmos precisamos aprender para driblar, de uma forma extraordinária, os nossos passos?


E olha, eu já tentei praticar cada passo e adiantar cada movimento. Mas a vida, que gosta de brincar, sempre consegue me surpreender.


Eu me lembro de quando era pequena e achava que o mundo todo estava no quintal da roça do meu avô. Eu e meu pai íamos todos os sábados. Eu não tinha ideia da imensidão e da proporção do mundo.


Tinha uma árvore de jambo que, para os meus olhos pequenos, parecia chegar até o céu. Eu a subia com a segurança de quem nunca sentiria medo. Não sabia que um dia a vida ia me mostrar o que são quedas.


Crescer é entender que nem sempre temos um apoio forte para nos segurar. Às vezes, cair é algo normal que acontece.


O tempo passou e notei que a vida não é como um plano. O que antes parecia verdade agora se perdeu, como areia que escorrega pelas mãos. Amigos se foram, amores se perderam durante a jornada e sonhos mudaram de jeito.


Teve dias em que fez sol e outros em que a chuva não parou. E mesmo nos dias mais escuros, eu percebo que a vida sempre encontra um jeito de trazer a alegria de volta.


Até mesmo um abraço que não esperávamos, uma risada que surge do nada ou pelo fato de acordar e ter mais um dia para começar de novo.


Não temos como controlar a música da vida. Aprendi a confiar em fazer as coisas na hora, a achar coisas bonitas nos contratempos e a entender que nem todas as perguntas precisam de uma resposta rápida.


E a vida continua me chamando para dançar. E, mesmo sem praticar, vou em frente. Estou de braços abertos para a próxima música.


Viver é assim: um baile sem fim entre o que pensamos em fazer e o que a vida traz para nós.

Com o coração tranquilo e os pés firmes, estejamos prontas para dar mais um passo e aprender novos ritmos.


AUTORA ILZE MATOS


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.


MESMO ASSIM


E quando nem todos querem

a mesma coisa?


Divisão.

Dúvidas.

Silêncio.

Mar.


Como se resolve?


Se moldando,

se perdendo no seu eu,

ou seguir

como o mar…

sempre, mesmo assim.

 

AUTOR WAGNER PLANAS


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.


AMOR ETERNO


Todo amor é eterno,

O que é esquecido é paixão,

Fantasia e tesão passam,

Já o amor ultrapassa...

 

Todas as barreiras

Não importa nada e nada importa,

Sejam muros a transpor,

Ou abrir portas,

O amor tudo supera.

O que se espera,

É união e fé,

 

Não importa onde esteja.

E que assim seja,

Na vontade de Deus,

Pois para o amor não tem adeus, apenas até breve.



AUTORA CÉLIA NUNES


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.


COLCHA DE RETALHOS


Quero fazer uma grande colcha de retalhos — diferente de todas — pois ela é minha, feita de tudo o que tenho vivido. Cada pedacinho terá uma cor, um tamanho, uma história.


Quero remendar, costurar de novo aquilo que se rasgou.


O valor dessa colcha não estará na perfeição, mas na beleza de quem insistiu em fazê-la.


Vou preencher os espaços vazios, criar novos pontos, com novas cores e novas memórias. Vou construir com amor, recomeçar quantas vezes for preciso, adicionando retalhos e ampliando a colcha — e a minha existência.


E, quando olhar para trás, vou ver que nada foi em vão.


Aquilo que parecia fora do lugar, o pedaço que não combinava… depois fará sentido. Tudo encontrará o seu lugar.


Assim tem sido a minha vida: minha colcha de retalhos, que enfeita a minha cama e o meu caminho. Ela tem sido costurada com fé, alinhavada com esperança e aquecida com amor.

 

AUTORA MARINALVA ALMADA


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.


ANO NOVO


Mais um ano terminou...

E o que você fez?

Cumpriu seus projetos? Realizou os seus sonhos? Alcançou os seus objetivos?


Um Novo Ano começou!

O ano é novo, e as atitudes?


Quais os seus planos e metas?

Quais suas estratégias para realizar os seus novos projetos?

O que aproveitar do ano velho?

Quais expectativas para o Ano Novo?


Passadas as festas, é hora de ativar o modo "ON".

É hora de recomeçar e seguir em frente!

Há muito o que fazer; por isso, é preciso planejar, priorizar e escolher.


AUTORA LUCÉLIA SANTOS


LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.


SOMBRAS DE INVERNO


A xícara de chá esfriou de repente com o vento gélido que entrou por entre as frestas

O inverno me reprimiu e, envolvida em um casaco, saí em busca de ti.


Chovia lá fora e eu, com meu rosto pálido, olhos tristes e tristeza expressa

Em meio à densa névoa, perdi-me caminhando lentamente e tudo parecia embaçado diante de mim.


O frio envolveu-me em seu abraço gelado e segui com o suspiro doloroso na esperança de te encontrar

Para que tu, meu raio de sol fugidio, me aquecesses, fazendo-me esquecer as mazelas da vida.


Ao te avistar, senti um grande alívio, foi como se uma luz atravessasse as frestas da névoa para iluminar

E tu encontraste-me perdida nas sombras do inverno, em que me abandonaste entorpecida.


AUTORA ARLÉTE CREAZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

INVEJA OU ADMIRAÇÃO?


Após anos passando o réveillon com amigos em um rancho, neste ano, por motivos particulares, meu marido e eu não pudemos ir. Esses amigos, então, acabaram fazendo uma viagem para a praia — para a qual também não poderíamos ir — e nos enviaram fotos diárias mostrando como estavam se divertindo, sempre comentando que fizemos falta.


Em uma das fotos, cheguei a comentar que estava com inveja, mas que era uma “inveja branca”, daquelas sem maldade. Depois desse comentário, passei a refletir sobre o que realmente é a inveja.


Lembrei-me de uma vez em que, ao passar por um carro, li em voz alta um adesivo que dizia: “A inveja é uma merda.” Meu marido, que estava ao meu lado, zombando da frase, imediatamente rebateu: “Merda é não ter o que a inveja quer.”


Desejar ter algo que outra pessoa tem, imaginar-se no lugar de alguém em uma viagem maravilhosa ou até mesmo observar amigos em férias enquanto se está trabalhando não nos torna pessoas invejosas, desde que estejamos felizes pelas conquistas deles.


O que realmente nos torna invejosos é desejar que o outro não tenha aquilo que possui. A inveja é inimiga da amizade, pois nos torna competitivos, e nem toda competição é saudável. Não basta termos o que o outro tem; muitas vezes queremos, simplesmente, que o outro não tenha, para podermos nos sentir melhores. Isso, sim, é inveja.


Querer o que o outro tem por achar bonito, admirar um lugar onde alguém está ou desejar viver experiências semelhantes não é inveja, é admiração. Admiramos quando nos alegramos pelas conquistas alheias e permitimos que elas nos inspirem.


Quando desejamos que o outro perca aquilo que não temos, nutrimos um sentimento negativo que não nos traz crescimento algum. Reconhecer que o que o outro conquistou é fruto de esforço e lutar para alcançar o mesmo nos torna mais humildes e conscientes do valor da caminhada alheia.


Entender que cada pessoa tem seu próprio tempo para conquistar e aprender a aproveitar as oportunidades que surgem nos dá liberdade para viver de forma mais equilibrada, onde a felicidade do outro deixa de ser uma ameaça e passa a ser uma inspiração.


AUTORA ALESSANDRA VALLE


Alessandra Valle é escritora para infância e teve seu primeiro livro publicado em 2021 - A MENINA BEL E O GATO GRATO - o qual teve mais de 200 downloads e 400 livros físicos distribuídos pelo Brasil. Com foco no autoconhecimento, a escritora busca em suas histórias a identificação dos personagens com os leitores e os leva a refletir sobre suas condutas visando o despertar de virtudes na consciência.

LEMBRAR ALE


Não sei vocês, leitores, mas eu tenho muitas coisas que não podem ser esquecidas.


Na minha mente, elas já não cabem mais. Perto dos 45 anos de idade e após três enfermidades por COVID, vamos combinar que os neurônios já não concatenam com tanta facilidade.


Dizem que, se comermos banana, a memória tende a não falhar. Eu já fiz até chá de banana, mas não adiantou.


Então, para facilitar essa memória frágil, criei quatro grupos de WhatsApp comigo mesma.


Isso mesmo: só tem eu no grupo. Foi a forma que encontrei de me achar, me relembrar, me reencontrar.


Um desses grupos é mais ativo do que os demais: o LEMBRAR ALE, criado para armazenar informações mais pessoais, poemas, pequenas crônicas e até ideias para livros infantis.


Os demais grupos são destinados aos diversos trabalhos que exerço; assim, me organizo melhor e procuro evitar perder prazos.


A vida é realmente feita de informações, que criam memórias afetuosas — ou não. O importante, mesmo, é saber o que faremos com elas.


Às vezes, só quero esquecer e fingir que não sei de nada, mas já estou tão comprometida que o senso de dever se mantém desperto e não me deixa desligar.


No fim das contas, talvez não seja a memória que esteja falhando, mas o excesso de vida que insiste em caber em nós. Entre grupos silenciosos e mensagens para mim mesma, vou aprendendo que lembrar também é um ato de cuidado. E se esquecer, às vezes, é um descanso necessário, lembrar é o que me mantém inteira — mesmo cansada, mesmo confusa, ainda presente, ainda seguindo.



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