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REFLEXÕES Nº 23 — 05/06/2022

Grandes escritores, grandes reflexões. Aqui, todas as vozes podem se expressar.


Leia, reflita, comente!


Photo by Pixabay: https://www.pexels.com/photo/city-man-person-people-35011/



CERTO OU ERRADO


por Joana Pereira


Sabem? Não, não sabes.

Que sabes tu?

Que sabemos nós?

Espalhar o bem,

Dissimular o mal.

Mas o que é o mal?

E o que é o bem?

Conhecemos a diferença?

Pelos olhos do outro, que diferença tem?

Pouco sabemos.

Sabemos o que sentimos,

Mesmo não sabendo,

Sentindo somos.

E o que sentes tu?

O que sabemos nós do que sentimos?

Por vezes, nada sabemos.

Ainda assim, sentimos.

E quem sente, o é.

Verdadeiros ou falsos?

Mas somos.

Quando ser é mais que saber.

Somos, mesmo não sabendo

O que realmente somos.

Entre o certo e o errado,

E variadas definições do bem e do mal,

Nada sabemos sobre a verdade.

E a minha verdade,

Não é a mesma que a tua.

Nada sabemos, de verdade.

Num confuso remoinho

Entre ser, saber e sentir,

Sabemos que somos,

Aquilo que sabemos sentir.

E o que sentimos,

Aparentemente, parece-nos ser

A nossa verdade.




POETA PERDIDO


por Ipê


A perdição do poeta

não tem a ver com poema perdido.

O poeta é poeta, pois é perdido.

Inventa seus versos como se fossem o mundo.

O mundo do poeta é o verso inventado.

A impossibilidade mais tem a ver com o poeta,

do que a possibilidade

de qualquer outra coisa

o poeta poder ser.




EXPERIMENTAÇÕES


por Antônio Carlos Machado


Querer não é poder, pode ser uma perspectiva negativa ou realista, depende de quem ou do estado de espírito de quem interpreta.


De maneira simplista pode-se chegar à conclusão de que a grande sacada da vida é saber o que desejar, querer, ter, ser... para a partir de aí diminuir a possibilidade das nossas frustrações.


Identificar vontades e desejos, talvez seja a parte mais suscetível a enganos.


E por que nos enganamos tanto?


E mais, o que é um engano? Um desacerto pura e simplesmente ou aquilo a que nos leva o nosso próprio desconhecimento, a rigor só se pode dizer que nos enganamos ou que fomos enganados quando algo que pensávamos ser de uma certa maneira, de fato é de outra...


Formamos conceitos a partir de nossas vivências e de vivências emprestadas, a capacidade de reconhecer que o que sabíamos, não sabíamos realmente, ou melhor ainda que nossos conceitos precisam de reformas periódicas ou coisa assim.


Na verdade, queremos a parte boa das coisas; seria sensacional uma banana sem casca, um abacate sem caroço, um abacaxi lisinho, coisas assim, nascidas, destinadas, e compostas só daquilo que nos dá prazer, isentas de cascas, espinhos e outras inconveniências.


E não será surpresa se a ciência providenciar essa improvável mudança ou evolução para nosso deleite, mas quanto às pessoas?


Quando será que inventarão fórmulas para que os seres nos sejam endereçados conforme nosso desejo?


Parece utopia ou uma reinvenção Frankesteniana e é de fato, mas alguém duvida que em tese é isso que gostaríamos que existisse?


O que fica evidente ou bem próximo disso é que não sabemos o que queremos e muito menos sabemos que nosso querer muda, muda ao sabor do vento que ontem soprou à deriva, hoje sopra a noroeste e amanhã não soprará mais.


Sim, essas escolhas todas nos confundem porque não sabemos fazê-las o tempo todo, não sabemos esperar e aprender e não esperamos saber para escolher, ora por que tudo isso é uma teoria impraticável.


Seguimos desejando, querendo, ser e ter e julgamos assim estar fazendo o que é bom pra nós mesmos e para todos, por que somos fatalmente humanos, nós apenas sentimos a falta e quando não conseguimos supri-las, choramos, maldizemos o resto do mundo e procuramos um novo desejo, não importa se isso vai dar em boa coisa ou não, afinal somos assim, experimentadores de realidade e ilusão.


FAMÍLIAS


por Alessandra Valle


Uma vez por semana realizo o culto do Evangelho no lar. Durante essa sessão, leio um trecho do evangelho segundo o Espiritismo em voz alta, faço reflexões e prece de agradecimento e irradiação para que familiares, amigos e todos aqueles que necessitam possam receber as boas vibrações proporcionadas por este momento.


O ensinamento evangélico da última reunião me proporcionou diversas reflexões e fui chamada à aplicação deste na prática. Vou compartilhar com vocês.


Jesus estava reunido com grande multidão, o ambiente estava repleto de pessoas e muitos queriam estar o mais próximo possível do Cristo. Alguns parentes foram ter com Ele, mas não conseguiam adentrar, então, alguns apóstolos foram avisá-Lo de que a mãe os irmãos estavam do lado de fora e por Ele o chamavam. Jesus, passando o olhar por todos que estavam assentados ao seu derredor, disse: “EIS AQUI MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS; POIS TODO AQUELE QUE FAZ A VONTADE DE DEUS, ESSE É MEU IRMÃO, MINHA IRMÃ E MINHA MÃE”.


Jesus me fez refletir sobre o conceito de família, pois o Mestre o amplia de forma a abranger todos que se esforçam por cumprir as Leis Divinas. Estas leis não estão em códigos ou jurisprudências escritas pelos homens, mas sim gravadas na nossa consciência. São elas que nos fazem distinguir o certo do errado e nos torna mais ou menos felizes à medida que a cumprimos ou delas nos afastamos.


Se pensarmos desta forma como Jesus nos apresentou, temos muitas famílias durante nossa jornada na Terra, seja no seio íntimo familiar, no trabalho, no ambiente espiritual ao qual frequentamos ou no lazer do qual desfrutamos.


Percebi que os laços de sangue não criam forçosamente os liames entre os espíritos e que os verdadeiros laços são os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais unem os espíritos antes, durante e depois suas encarnações.


Percebam se em cada um dos ambientes familiares aos quais pertencemos, não somos a todo tempo chamados a enfrentar desafios, provas rudes, situações nas quais precisamos amar e sermos amados, perdoarmos ou sermos perdoados?


Durante a semana fui chamada a cumprir as Leis de Deus em cada uma das famílias as quais pertenço e fico muito feliz pela oportunidade de servi-las, acertando ou reconhecendo meus erros, mas procurando me melhorar sempre.


Termino esta reflexão da mesma forma como terminei a sessão do culto evangélico no meu lar, convidando a todos para refletirem sobre qual missão temos na família universal a qual pertencemos, através da prece que Francisco de Assis nos ensinou.


Senhor, Fazei de mim um instrumento de vossa Paz. Onde houver Ódio, que eu leve o Amor. Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão. Onde houver Discórdia, que eu leve a União. Onde houver Dúvidas, que eu leve a Fé. Onde houver Erro, que eu leve a Verdade. Onde houver Desespero, a grandeza da Esperança. Onde houver Tristeza, a tua doce Alegria. Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!


Ó Mestre, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois, é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e é morrendo, que se vive para a vida eterna


Fontes de consulta:

O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap XIV, Honrai a vosso pai e a vossa mãe.

Evangelho de Marcos, 3 – 20 e 21 e 31 a 35.




APRENDENDO A MORRER


por Luiz Primati IG: @luizprimati


Às vezes me pego pensando na minha infância e adolescência. Como fui uma criança curiosa, com sede de aprender algo novo diariamente e ainda sou assim.


Muitos amigos, da minha geração, eram do mesmo jeito.


A primeira lembrança que tenho de criança era de querer aprender a mexer com uma chave de fenda e desmontar as coisas para saber como funcionavam. A desculpa que eu dava para a minha mãe era de que eu iria consertar e, na verdade, queria saber como aquela geringonça funcionava.


Meu pai tinha um relógio cuco na parede da sala e o passarinho enroscava ao sair da casinha para cantar as horas. Quem conhece o relógio sabe como ele funciona. Foi uma das primeiras coisas que desmontei.


E com uma chave de fenda eu me sentia o Professor Pardal. Desmontava tudo que podia, arrumando cuidadosamente as peças e parafusos que ia tirando dos objetos e decorando a posição deles para depois remontar tudo. Raramente eu falhava na missão de remontar.


E fiz isso com relógios, carrinhos, brinquedos, máquinas, câmera fotográfica, tudo. Bastava que o objeto fosse lacrado para eu querer abri-lo e olhar por dentro como fora montado.


Com essa minha curiosidade me aventurava em subir no telhado, consertar a boia da caixa d’água, instalação elétrica, construir caixa de som, prateleiras, fazer pipas, fazer balão, arapuca para apanhar passarinho, estilingue, zarabatana, e mais uma infinidade de coisas.


Após pensar em tudo isso, olho para a geração Z e não vejo nada disso, nenhuma curiosidade. Sei que o mundo que eles encontraram está muito mais evoluído do que o que encontrei, entretanto, muitas coisas que citei da minha infância ainda existe.


Eu sinto que minha geração viveu com muito mais dificuldade, mas aprendemos muitas coisas e o conhecimento adquirido, jamais será perdido. Depois da infância tive muitas experiências na área profissional e amorosa, formei uma família. Hoje, com quase 60 anos, sou a soma de todas as idades que vivi. Os jovens da geração Z não valorizam isso e pensam que quando ficamos velhos, ficamos burros, não sabemos nada sobre a vida. Eles pensam que tudo mudou e que não vimos essa mudança acontecer. Hoje eu tenho conhecimento de toda mudança através das décadas por isso digo aos jovens: eu sei muito mais do que vocês imaginam.


E esses jovens, o que fazem para se destacarem na multidão? A maioria tem preguiça mental e segue algum influenciador, assim não precisam pensar em nada, nem ter ideias próprias, nem gastar um tempo de seu dia divagando.


Enquanto eles aprendem a viver, eu aprendo a morrer, pois, a vida é uma longa estrada, cujo destino é a morte. Se alguém pensa que a vida é infinita está enganado. A alma é imortal, mas a vida atual é finita. Então, porque não assumimos o destino e aprendemos a morrer um pouco a cada dia?


Sei que tem pessoas que não querem ouvir falar de morte, pois atrai o azar e coisas ruins. Trazer a morte para perto é aprender a morrer. E temos que aprender a matar coisas ruins que adquirimos no caminho, como os vícios, pré-conceitos, ira, ganância, gula, inveja, luxúria, preguiça, vaidade.


O que os jovens deveriam ter pelos anciões era respeito, pois eles são sabedoria. Se soubessem o benefício que poderiam extrair de uma pessoa mais velha, poderiam se tornar adultos melhores.


Eu não me importo de ter a idade que tenho e nem de ser chamado de velho. O que me incomoda é os jovens chamando as pessoas de velhas no sentido de menosprezá-las, diminuindo-as.


Somos eternamente a criança + o adolescente + o adulto. É isso que somos! Uma versão melhorada de tudo que já vivemos. Portanto, antes de desprezar uma pessoa mais velha que você, tenha em mente que amanhã é você que terá a idade dela. Aprenda a morrer! Eu ainda estou aprendendo!



AMIZADE


por Simone Gonçalves


Brisa suave

Leve meu sorriso singelo

De encontro ao mar da vida

Faça das ondas meus abraços

Como refúgio das almas cansadas

Da tristeza da falta de amor

Vento que emana paz

Quero poder em cada aperto de mão

Doar afeto e atenção

Nas palavras saltitantes de minha boca

Transmitir carinho e toda a energia

Que emana do meu coração

Sentir que alguém ficou feliz

Com meu gesto que transformo em amizade

Se assim desejar acontecer

Na areia deixo registrado meus passos

Que até se apagarão rapidamente

Mas se comigo alguém estiver ao lado

Sentirá a força do meu caminhar

Para que sempre possa contar

Com a amizade que ali brotará

Por toda a vida




USUÁRIO, TRABALHO E TRABALHADOR


por José Juca


Espaço físico

És meu, és seu, és da função

Do funcionário, do usuário ou do patrão?


Espaço físico e estética

Fundamental ou não?

Pra consciência, pra convivência, pro ego ou pra função?


Espaço físico e conservação

Limpeza e manutenção

Sujeira e conservação

Minha, sua ou do cidadão?


Convivência

Liderança e autoritarismo

Colega ou amigo?

Falar ou calar?

Soltar sem frear?

Olhar falar – olhar calar?

Calar – sentir – refletir – agir?

Calar – se resguardar – esperar?

Resultado e reflexão?

É da omissão ou da ação?

Usuário, trabalho e trabalhador


ESSÊNCIA

Atitude e caráter

(Sinceridade, Respeito, Responsabilidade, Zelo, Senso de justiça, Cidadania).




O QUE VOCÊ FEZ HOJE?


por Arléte Creazzo


A maior parte das pessoas acorda cedo, sai para o trabalho, passa o dia todo fora voltando tarde para casa.


Muitas vezes antes de saírem deixam almoço para os que ficam, ajeitam a casa, lavam roupa, louça e mais alguma pequena tarefa.


Ao voltarem, recomeçam os afazeres domésticos, organizando o máximo possível para que não sobre muito para o dia seguinte.


E todos os dias se faz a mesma coisa.


Nos finais de semana, para não acumularem serviço durante o período de trabalho fora de casa, aproveitam para colocarem alguma coisa em ordem, lavar alguma roupa, organizar algum armário.


Mas como ficam nossas vontades? O que fazemos por nós mesmos?


É claro que organizar e limpar a casa é feito para nós, todos merecemos uma casa limpa.


O trabalho remunerado nos ajudará a realizarmos alguns sonhos, como comprar algo que queremos ou realizarmos uma viagem.


Mas será que é preciso esperarmos meses para realizarmos algo? Não sobra nada do nosso dia para nós mesmos?


Temos tantos sonhos pequenos que vão ficando para trás, os quais poderíamos perfeitamente realizá-los aos poucos, um pouquinho por dia.


Tocar um instrumento, aprender uma atividade nova como pintura ou bordado. O livro que sonhamos escrever.


Por que sempre esperamos tanto para no final vermos que não fizemos nada?


Somos imediatistas, queremos tudo pra agora. E aí é que está o problema.


Se for para começar agora e não terminar agora mesmo, então não quero.


Gosto do antigo ditado: “devagar se vai ao longe”. Acredito mesmo que podemos realizar muitas obras (sonhos) se tivermos paciência para vê-las prontas.


Muitas obras fantásticas demoraram para serem finalizadas como a Capela Sistina que levou 4 anos para ficar pronta.


O filme Avatar, para ficar como o conhecemos hoje, foram 15 anos.


Então por que você não pode levar alguns meses para concretizar sua obra tão sonhada?


Basta começar hoje. Reserve algum tempo do seu dia para colocar a mão na massa.


Não importa qual seja o seu “pequeno” sonho, se ao final você conseguir realizá-lo.


Seja tocar uma única música no instrumento desejado, pintar um único quadro realizando seu sonho de artista ou escrever uma única crônica em um livro.


Podemos separar uma pequena parte do nosso dia para nós mesmos, e no final de vários dias teremos realizado um sonho.

Afinal, o que você fez hoje?




HERÓIS DO COTIDIANO


por Miguela Rabelo


Demorei para pegar no sono... pouco depois disso, ele despertou e foi para sala... estava relutante e com muito custo, dormiu no sofá e eu desabei na cama.


E assim, começamos o domingo ressaquiados... ambos com extrema dificuldades em acordar. Eu me arrastei, para levantar da cama, ele eu tive que empurrar para o banho..., mas depois do café, fomos pegando o embalo do dia.


E entre uma louça e outra, tinha que serrar a janela por conta da fumaça da vizinha que teima em acender um cigarro atrás do outro na janela da sua área de serviço, que da de encontro a minha cozinha..


E infelizmente este artigo, me persegue desde a infância, quando meu pai fumava... na escola tinha duelos de olhares com as alunas fumantes, na faculdade acabei andando ao lado e sendo amiga de fumantes… me apaixonei por um fumante e fui casada com alguém que se tornou fumante... morei ao lado de alguns fumantes… ou seja, eles sempre estão por perto, mesmo os evitando sempre.


A tarde foi passando e tentamos fazer algumas atividades pedagógicas e sensoriais com mais sucesso que as anteriores por isso pensei em darmos novamente um pulo no parque..., porém de repente o céu se fechou e agradeci por não ter saído minutos antes.


O temporal que caiu foi algo devastador… era um misto de granizo e vento que tinha forma e cor… tive que desligar todos aparelhos e percebi que ele estava irritado... também pudera, era muito para ele... então, de longe ouvi um estouro, mas com o barulho excessivo da chuva com a ventania, acabou sendo imperceptível…


Quando a queda d'água foi diminuindo e o sol retornou estonteante... percebi que de fato independente das tempestades, ele sempre retorna... e por este motivo, precisamos ter fé.


Então estávamos lanchando, quando ouvi um grito na escada do bloco. Corri para ver e levei um choque... a porta de vidro havia explodido com o temporal. Fiquei atônita, como iríamos sair… tinha que dar uma volta com ele… fui respirando fundo e organizando as coisas até providenciarem a limpeza... quando ouvi um som... era um senhor, com seus mais de 70 anos limpando a entrada, era um morador. Fiquei admirada com sua coragem e disposição, era perceptível sua dificuldade e cansaço. Mas ele com empenho e coragem desobstruiu a entrada, deixando os cacos na lateral de acesso ao bloco. Outros vizinhos vieram e terminaram a limpeza. Então pensei comigo mesma: "que herói este senhor, queria ter ajudado ele, mas não pude…".


Então ele se sentou na calçada de entrada do bloco, tirou do bolso um maço de cigarro e acendeu com seu isqueiro. Então engoli em seco minha insatisfação com o maledeto do cigarro e pensei: "mais que justa está pausa em forma de recompensa"..., pois ele como tantos outros são heróis do cotidiano, de carne e osso, permeados com suas fraquezas, dramas, dilemas e imperfeições.


Por isso, envergonhada de me achar sempre a dona da razão... silenciosamente me recolhi na minha insignificância E fechei a janela sem pestanejar. E graças aquele senhor, podemos sair para fazer nossa caminhada no fim da tarde e foi o que ajudou meu filho a relaxar diante um dia todo preso em nossa "gaiola".


No restante da noite, a rotina seguiu normal e ele adormeceu no fim da noite no sofá. E antes de levá-lo para cama, estava organizando o quarto dele, quando olhei de relance na cortina na janela e percebi um inseto imenso. Parecia uma vespa, mas 10 vezes maior, era praticamente a metade da minha mão aberta. Aquilo me fez entrar em pânico. Meu coração estava disparado, respiração ofegante, mãos suando... estava desesperada e não sabia o que fazer dentro daquela situação, pois não queria matar ou ferir aquele inseto. Apenas queria que ele saísse da minha casa.


Porém, apesar de ter fobia de insetos voadores, e já fugindo inúmeras vezes deles... desta vez era inevitável o enfrentamento. Por isso respirei fundo, tentei organizar meus pensamentos e meu lado racional para encarar está situação.


Então diante ao desespero, tive uma ideia que poderia dar certo. Providencie uma vasilha com uma folha que dobre ao meio. E com muito cuidado e segurando a respiração para não tremer, posicionei a vasilha em cima do inquilino e fui arrastando ela por cima da cortina e ele começou a se debater enquanto puxava a vasilha para cima do papel e pegando atenciosamente a armadilha, lanchei ela pata fora da janela com grandes, fechando está desesperadamente e agradecendo imensamente a Deus por conseguir alcançar aquela façanha e sobreviver a todo aquele estado de pânico.


Então um insight necessário me ocorreu: "ter fadas madrinhas e anjos ao nosso encalço é de extrema importância. Porém, às vezes nós precisamos enfrentar nossos medos pessoais, vestirmos nossas armaduras e sermos heróis de nós mesmos para enfrentarmos nossas batalhas cotidianas quando a segurança de nossa retaguarda é predestinada somente à nós mesmos, heróis do cotidiano".




LENDA LITERATURA


por Joana Rita Cruz


Flui numa menina

uma força rara na sociedade

é aquele amor à arte

que nasce já fora de idade.


Alma velha

imaginação fértil

cabelo rebelde

e uma vida em nada débil.


São presságios de poesia,

crenças de beleza

vinda numa epifania

destinada como realeza.


Nos olhos inocentes

no choro de uma criança

surgiam da escrita sementes

que seriam eterna lembrança.


Os versos saem apressados,

como entra o ar nos pulmões

quando à muito não podemos respirar,

esta arte toca corações.


Era uma menina ansiosa,

triste, mas artista,

trabalhadora preciosa

mas tão pessimista.


E quando as palavras se formularam

soletrou a r t e

e o universo assim se viu

todo sobre o mesmo estandarte.


O da beleza mais humana

da criação mais inimaginável

da literatura lendária

que surge lado a lado com o inquestionável.




DEIXAR FLUIR


por Wanda Rop


Na roda do destino a vida gira

Devir transmutando energias

A felicidade não baterá na mesma porta todos os dias

Golpes de sorte são divinais, basta observar os sinais

Seja afortunado, ame, sorria, abrace e dance

Na impermanência do gravitar, sinta o melhor de cada instante

Transforme-se, evolua, abra seu coração ao surpreendente

Deixe fluir suas emoções no redemoinhar do tempo presente



CANTEIRO DA VIDA


por Lucélia Santos


A vida não retrocede. Cada dia vivido é um aprendizado. Se você conseguiu suportar uma prova de fogo e passar por ela, está mais preparado para as centenas de próximos capítulos que a vida te trará. Não desistir, não retroceder, é uma atitude sábia.


As dificuldades da vida, deve servir para a valorizarmos mais. Temos um canteiro de oportunidades na vida, para tomar as melhores decisões e ser bem sucedidos.


O trem da vida nos apresenta dezenas de pessoas, muitos descem nas paradas, e no fim, alguns ficam conosco no mesmo destino. Você também é único e insubstituível, alguém é mais feliz por tem você e sua valiosa amizade.


Você pode ficar triste e até chorar, deixar derramar tristezas, mas não permita que essa tristeza perdure, a substitua por razões para sorrir e deixar o coração transbordar de alegria.

As batalhas da vida, às vezes nos pegam de surpresa, de fato, é desafiador, mas, a coragem e persistência nos levarão a lutar e vencer.


Se você ama, ame intensamente, beije demoradamente, abrace fortemente, perdoe rapidamente, ria incontrolavelmente, seja flexível, não se cobre tanto. Se permita ser livre para sentir a leveza da felicidade e das emoções que a vida nos proporciona e nos surpreende. Assim, carregará um brilho inconfundível no olhar, que nenhum dinheiro consegue comprar.


No canteiro da vida, não terão só flores, mas, também, ervas daninhas e espinhos. Cabe a nós, limpá-lo, para ser digno de ser admirado.




NOSSOS COLUNISTAS


Da esquerda para a direita: Alessandra Valle, Luiz Primati e Antônio Carlos Machado. Depois Joana Pereira, José Juca e Ipê. Depois Joana Rita Cruz, Simone Gonçalves e Miguela Rabelo. Por último: Lucélia Santos, Wanda Rop e Arléte Creazzo.

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5 komentarai


sidneicapella
sidneicapella
2022-06-07

Em forma de gratidão, uma rima, para vocês colunistas deste caderno abençoado! Domingo maravilhoso! Amo de coração O caderno, Reflexão


Patinka

Luiz Primati
Luiz Primati
2022-06-06

Todos que escrevem aqui agregam. É um espaço fantástico para divulgarmos nossas ideias, perspectivas das situações. Isso nos faz crescer, refletir, evoluir! Feliz por tantos textos ricos em significado.

Patinka

Stella Gaspar
Stella Gaspar
2022-06-06

Quanta perfeição nestes relatos, todos maravilhosos.

Quem sou eu neste momento?

Sou um gosto de ler com satisfação e admiração, seus textos reflexivos! 😍😍😍

Patinka

Boa tarde! É gratificante poder ler textos tão repletos de significados e refletir sobre questões profundas do nosso viver. Gratidão!

Abraços e que Deus derrame chuvas de bênçãos sobre todos!

Patinka

miguelarabelo
miguelarabelo
2022-06-05

Fantásticas reflexões acerca da vida e do cotidiano que é nosso presente diário. Gratidão em poder agregar com minha percepção neste lindo espaço!

Patinka
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