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REFLEXÕES Nº 21 — 22/05/2022

Grandes escritores, grandes reflexões. Mais uma colunista se junta ao time que, a cada semana, fica maior e com mais qualidade: Wanda Rop. Uma paulista que mora em Porto Velho/Rondônia, chega com tudo e nos brinda com sua poesia "SABER VIVER". Seja bem-vinda! Aqui, todas as vozes podem se expressar.


Leia, reflita, comente!


Imagem divulgação Netflix


SEXO, COMO QUEM FALA DE TIPOS DE CAFÉ PELA MANHÃ

por Joana Pereira

Um dia eu falaria sobre sexo. Num dia de sol, mesmo em cima dos meus saltos elegantes, vou falar sobre sexo. Um dia, destemida, com a coragem na língua e numa língua firme, falo sobre sexo.


Falar deste assunto, enquanto mulher, é delicado. Uma delicadeza que me pode custar uma nova rotulagem. Rameira, talvez, entre outros nomes mais arrojados, que prefiro não dizer.


Enquanto mulher, é delicado falar sobre sexo em praça pública. Porque ainda está enraizado na sociedade, que a mulher que fala de sexo não é princesa alguma, que não tem o recato entre as pernas. Num mundo que ainda não está acostumado à igualdade de géneros. Isento de rótulos e os piores, no que toca ao sexo, recaem (quase) sempre sobre as mulheres, acreditem!


Falamos de todos os prazeres da vida, mas no que toca ao sexo, shhhh, silêncio. Esse, que devia ser mais falado, para poder ser mais sentido e talvez até, menos dominante por género.


Hoje falo-vos de sexo, como quem fala de tipos de café ao pequeno almoço.


E vou chamar-lhe assim que é o nome dele - Sexo. Gostam de chamar-lhe fazer amor, triqui-triqui... etc etc. Dependendo do “tipo”, se mais carinhoso, se mais agressivo. É sexo, nas suas mais variadas formas, assim como temos vários estados de humor.


Ora, é suposto transformarmo-nos e sermos prazer, numa sensualidade própria. É suposto não sermos pudicos, muito menos, decentes. É o prazer carnal da vida, não se harmoniza com modéstia ou acanho.


Sexo, não é desonra. Também não é submissão. É um consumar de prazer entre corpos, num prazer percepcionado de vários ângulos, de diferentes formas, velocidades e contornos.


E a hipocrisia que há na questão do prazer? Sim, hipocrisia. Gemidos falsos só para mostrar trabalho “bem feito”. Não é hipocrisia? É. O pior é que não leva a lado nenhum, se não ao desprazer. Que é triste. Se não houvesse tanta hipocrisia nos gemidos e orgasmos fingidos, talvez houvesse mais satisfação e mais entusiasmo pela luta do que é lá chegar. Sexo mais justo, com prazer equânime. Entendem? Porque não tem mal não sentir prazer hoje, faz parte e vai acontecer muitas vezes. O que faz mal, é não tomar as rédeas para se atingir os êxtases, é não falar sobre isso, não explorar e fingir prazer onde não existe, por vergonha, ou por imitação, por ignorância, medo ou até mesmo, em forma de recompensa ao outro(a).


Falar sobre sexo, como quem fala de tipos de café pela manhã, não deveria ser uma opção mas uma regra. Faz-nos chegar ao melhor entendimento quer do nosso corpo quer do outro(a). Aumenta a cumplicidade, a confiança.


Como quem aprecia vários tipos de café, vamos falar de sexo. Só porque o sexo tem de ser sem simulações, sem imitações. Vamos contar os desejos carnais, falar sobre as fantasias. Tomamos café e recordarmos memórias sexuais. E com a nossa, só nossa sensualidade, bebemos mais um gole de café intenso e enxergamos que o sexo é aquilo que nós quisermos que seja, ao nosso jeito. Porque podemos tudo. Até no sexo.


E uma chávena de café.




CIDADE


por Ipê (Odilon Azevedo Filho)


Onde é a rua? Tem chão lá fora? A sombra daquela árvore virou um teto refletindo o Sol… Que pra bronzear pegamos um avião ou queima sem querer. O mar ficou quadrado. Colocamos cloro na água para nunca tomarmos banho de chuva. O céu é cinza quando conseguimos levantar a cabeça. Que convém abaixar por medo, como se isso fosse sinal de respeito. Quanto mais livre no ar o corpo, mas risco de uma bala bater. Vista-se bem. O segurança pode desconfiar de você. O carro vai te matar. A polícia cobrirá seu corpo com uma lona preta pra ninguém sentir horror ao ver o que aconteceu com mais um.




A FAMA NOSSA DE CADA INSTANTE


por Antônio Carlos Machado


Andrew Warhola (Andy Warhol), nascido na longínqua década de vinte, profetizou que no futuro seríamos famosos por quinze minutos, talvez nem ele próprio tivesse consciência de que hoje, décadas após, vivêssemos a realidade dessa frase de maneira tão profunda, às vezes cruel e diariamente eloquente.


Na verdade, sentimos, talvez os mais velhos mais ainda, que a velocidade da comunicação, e toda interação que dela advém, já nos submete a situações que exercita uma superficialidade de tudo, de todos que beira ao consumismo, a satisfação imediata de necessidades simples, desejos complexos, exemplos simples da voracidade das pessoas.


As redes sociais, são prova disso, vivemos nos exibindo, postando nossa vida, nossas impressões sobretudo em flashes e fotos que não tem lá grandes pretensões a não ser a de serem notadas por nós mesmos e nosso grupo.


Admitamos ou não, somos influenciados pelas quantidades de curtidas que recebemos, uma mãozinha, um coraçãozinho ou qualquer outro emoji tornaram-se indicadores de felicidade, mesmo felicidade virtual é sentida, afinal satisfação e felicidade são frutas do mesmo balaio...


A parte interessante dessa nova era é justamente descobrir a utilidade de tanta informação, “quem lê tanta notícia?!” já dizia a letra de Caetano, muito antes da internet.

Não é o saudosismo desse sessentão que vos fala que está se inquietando, é a mesma voz de muitos que percebem por um mínimo de consciência de que hoje temos outra vida, vivemos nosso dia a dia de maneira muito diferente do que viveram nossos pais, ou melhor dizendo de gerações anteriores.


Será que nos damos conta de que essa vida, dita virtual, que ocupa seu espaço e que espaço! Nas nossas ações, atitudes e comportamentos, nos damos conta principalmente não só do tempo, mas da atenção que dispensamos a tudo isso?


É claro que a grande maioria ou pelo menos, boa parte de nós, sabe discernir uma coisa da outra e que o “preto no branco” os tão jocosamente chamados “boletos no fim do mês” chegam e tudo e muito mais que tudo mais é outra coisa. Outra vida, a que vale enfim, ao fim e ao cabo e esta é a hora do verdadeiro “pega pra capar”.


O que se indaga e o que precisamos enfrentar é a divisão e aglutinação disso tudo, será que é tudo a mesma coisa ou tudo se funde?


Quanto de nós hoje está em qual parte?


Perguntas, como já coloquei em títulos de posts, Perguntas Impertinentes...


Outras delas estão por aí, pululando em nossas mentes e nas pranchetas dos psicólogos, por exemplo, me ocorre dizer, quanto da nossa ilusão, fantasia, abstração, fuga, procrastinação, existe por conta dessa outra parte em rede social?


A dúvida que porventura este texto, tenha feito brotar agora em você já é um começo de questionamento e isso é muito bom.


Bom fim de semana!


QUEM SOU EU?


por Luiz Primati IG: @luizprimati


Li uma matéria publicada na BBC Brasil em setembro de 2020 que me deixou a pensar sobre quem sou.


Na matéria falava que um corpo de 70 kg tem 7.000 quatrilhões de átomos, e eu nem consigo quantificar isso. A alteração desses átomos é tão intensa que em 10 anos a maioria dos nossos átomos já tenham mudado. Então ainda sou o mesmo, já que toda a composição atômica do meu corpo foi renovada? E essa renovação acontece nas células de nosso corpo, com exceção dos neurônios que se renovam mais lentamente.


A quantidade de átomos que existe em um só corpo é 100 mil vezes maior do que todos os seres-humanos que já viveram na face do planeta.


Os átomos de nosso corpo são obtidos através do ar que respiramos e dos alimentos e líquidos que ingerimos. Esses átomos que podem ter origem nas plantas, animais ou minerais, podem ter feito parte de um ancestral como Leonardo da Vinci, Buda, Madre Tereza ou até mesmo de Adolf Hitler, já pensaram nisso?


Então pergunto novamente: "Quem sou eu?".


Fiquei imaginando que os átomos não morrem e quando eles saem de mim, seja pelo gás carbônico que meu organismo expele, pela urina, fezes ou suor, podem ir parar num outro ser humano. Imagine o ar pelo qual eu expeli o gás carbônico... Você pode tê-lo respirado e ter meus átomos incorporados em seu corpo, não é mesmo?


No momento em que o átomo saiu de meu organismo já não me pertence mais. Se formos mais longe, os primeiros átomos vieram de uma poeira cósmica durante uma explosão estelar e do Big Bang.


Hoje não podemos afirmar nada a não ser, supor, que os átomos que compõe o nosso corpo, estiveram em plantas, minerais, humanos, animais, insetos e até em bactérias. Parte de meus átomos pode ter pertencido a um dinossauro.


Pela minha crença nada disso define quem eu sou e sim o corpo físico que meu espírito habita.


O meu espírito, chamado por alguns de alma, é imortal e sofre evolução moral, intelectual e emocional. Os átomos que constantemente entram e saem do meu organismo, não modificam as minhas qualidades. Nem que um átomo, antes no corpo de Hitler, passe por mim, jamais serei como ele, pois sou único.


Os átomos não modificam a minha forma de pensar.


Alterando a pergunta: "Quem é você?".




MOMENTO DE PRECE


por Alessandra Valle


No decorrer do dia temos muitos afazeres, cada qual com sua rotina, mas posso confessar a todos os amigos leitores: minha rotina é frenética.


Só para terem uma ideia do ritmo acelerado e da necessidade de organizar as atividades no tempo, preciso de quatro grupos no WhatsApp, sem integrantes, apenas comigo mesma, todos para anotar informações, ideias, pequenos textos de minha autoria e outras ponderações.


Fácil adivinharem os temas dos quatro grupos a que me refiro: Valletibooks, DDPA – Delegacia de Descoberta de Paradeiros, Escola de Evangelização Espírita São Francisco de Assis e Lembrar Alê, sendo este último utilizado para assuntos pessoais vinculados à família e rotina doméstica.


Todos podem estar se perguntando, a que horas ela para? Em qual momento ela faz uma pausa e refleti sobre seu dia?


Respondo com sinceridade: ao fim do dia, antes de dormir.


Aprendi valioso ensinamento de Santo Agostinho presente no Livro dos Espíritos. No fim do dia, interrogo minha consciência, passo em revista o que fiz e me pergunto se não faltei com o dever, se ninguém tem do que se queixar de mim.


Essa é a oportunidade que tenho para me conhecer e identificar o que há para reformar em mim. Trata-se de meio prático e eficaz para me melhorar nesta vida e resistir aos arrastamentos do mal.


Aproveito a oportunidade para relembrar todas as ações que pratiquei no dia e me pergunto: “O que fiz de bom ou de mal? Quais foram as verdadeiras intenções que me fizeram agir em determinadas circunstâncias?”


E, sem olvidar, me faço o questionamento mais importante: "Fiz qualquer coisa que censuraria em outras pessoas?".


Verdade é que as respostas, às vezes, trazem repouso para minha consciência, mas é comum indicarem um mal que preciso curar.


Tão logo acabo a reflexão íntima, início o momento de prece, em que elevo meus pensamentos a Jesus e em diálogo mental, sem rituais, conversamos como bons amigos que somos.


Nesse momento, entrego ao Mestre Jesus minhas angústias e frustrações, reconhecendo-as como consequência da minha imperfeição e as ressignifico transformando-as em aprendizado.


Percebo-me como aprendiz dos Seus ensinamentos morais e peço força, fé e coragem para seguir adiante no propósito de ser uma pessoa melhor.


Ao final, agradeço ao Amigo de todas as horas, o amparo e a proteção espiritual que tive durante o dia e rezo a única oração que Ele nos ensinou, o Pai-Nosso.


Após o momento de prece, posso enfim descansar.


Fontes de consulta:

Evangelho de Mateus 6:9-13.

O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XVII – Sede perfeitos

O Livro dos Espíritos, questão 919.



NA PAZ DAQUELE LUGAR


por Simone Gonçalves


Sinto-me leve

Até parece que posso voar

Diante de tanta beleza

Que vislumbro nesse lugar...


Lugar onde posso sonhar

À cada cantar de um pássaro

Ou na melodia que vem das águas

Ah! Aqui eu posso me encontrar...


E ao me encontrar

Vejo que tudo ao meu redor

Transpira paz, vida

E tudo mais que reflete amor


Sou grata, me sinto bem

Aqui, ali… em todos os lugares

Onde num círculo tudo se junta

Em harmonia e alegria


Um sorriso que vem da alma

Passa o que nasce do olhar

Que bom ainda sentir nas pessoas

Que podemos crer ser possível amar

Sem deixar interferir as diferenças

Basta se deixar na amizade

Sermos conduzidos aos bons momentos

Que a vida pode nos proporcionar...




GLOBALIZAÇÃO


por José Juca


Num país sem educação…

Num país sem saúde pública adequada…

Num país sem segurança "qualificada"…

Num país de inflação alta…

Num país onde três poderes são pra privilégios…

Num país de incentivo a armar-se individualmente,

em detrimento da segurança resguardada na constituição…

Num país de moradia de rua…

Num país de alimentação de rua…

Num país que mata e desprotege minorias…

Num país da fé, "de quem paga mais"…

Num país de impostos guardados no próprio bolso…

Num país de hipócritas e hipocrisias…

Não generalizando…

Em assunto nenhum…

Sem julgamentos ou preconceitos…

Mas constatações…

A quem interessa…

A quem favorece…

A globalização?




COMEÇAR É FÁCIL


por Arléte Creazzo


Começamos uma dieta nova, um novo emprego ou até mesmo um novo relacionamento.


Estamos sempre começando algo; novos projetos, novos amigos.


Academia então não se conta, quantas vezes começamos, e esta parece ser a mais fácil para se começar.


A vontade de ficar com o corpo sarado, dentro de uma mensalidade que te possibilita fazer exercícios vinte quatro horas por dia, sete dias por semana, enche os olhos de qualquer pessoa disposta a começar.


O desconto dado caso você feche um pacote anual ou mesmo semestral, é tentador.

Então você começa.


Mas até se finalizar o plano, você encontrará mil razões para não frequentar a academia diariamente como havia programado.


No primeiro mês você começa diariamente. No segundo, já passa a frequentar apenas 3 vezes por semana e até o último dia do plano, você já não está mais frequentando têm 3 meses.


Começamos um relacionamento empolgados com o novo companheiro, as alegrias que ele nos dá, as novas visões do mundo, mas nos esquecemos que todos temos defeitos, e que ele terá também.


E quando os defeitos começarem a aparecer, a tendência será nos cansarmos e querermos partir para outro.


Um novo emprego nos traz ótimas sensações, afinal teremos uma graninha para o final de semana, uma saída com amigos ou até mesmo um curso novo que gostaríamos de fazer.


Mas em pouco tempo, nos cansaremos do emprego e ao invés de tentarmos melhorar algo que já temos, a ideia é partir para outro.


Cursos também são algo que começamos muito facilmente, mas que no decorrer das aulas ficamos entediados, acreditando não termos escolhido o curso certo.


A verdade é que não damos chances para nada na vida. Não damos tempo para saber realmente se algo será ou não, bom para nós.


Sempre começamos algo, mas não permanecemos nele, seja o que for.


Não damos oportunidade para sabermos se realmente não gostamos daquilo. A ideia é sempre partir para outro.


Outro curso, outro compromisso, outro emprego.


Também não tentamos mudar aquilo que nos incomoda, aprimorar algo que pode ser melhorado. Não damos chance ao que já temos.


Afinal, começar é fácil.




UTOPIA DE ASAS: DESEJO


por Miguela Rabelo


Enquanto a Terra gira, podemos acompanhar seu movimento de rotação sentados na poltrona numerada desta locomotiva Vida, esperando no vazio nossa estação derradeira chegar…


Ou podemos caminhar entre os vagões conhecendo pessoas e suas histórias, partilhando experiências e criando mitos... mesmo sabendo a ilusão de tudo isso.


Porém, permanecer inerte a vida que perpassa diante dos nossos olhos velozmente, sentindo nosso corpo e alma perecerem no vazio, dói mais do que quando caminhamos, mesmo de baixo da tempestade ou de um dia escaldante... de alguma forma, mesmo que exaustiva… o tempo passa, saímos do lugar de outrora, nos transformamos, assim como a metáfora da borboleta... diferente de quando vemos apenas a locomotiva correr… cada dia o tempo passa mais arrastado e escuro, o que infelizmente só potencializa a dor e o desejo do desembarque…


Passei anos desejando ser a importante, popular, inteligente e gostosa... correndo atrás de estratégias para alcançar estas ilusões de outrora… Porém, quando cai em mim... percebi que tudo eram ilusões... Por isso, fiquei anos, deitada no escuro, apenas observando a vida passar... acreditando de fato no absurdo de insistir em perseguir uma ilusão.


No entanto, permanecer ali me adoeceu... e quase de fato desembarquei... sendo internada com severa pancreatite, ocasionada por inúmeras pedras na vesícula... enfim, sobrevivi com os cuidados de anjos que me trataram em todos os aspectos... e assim, retomei o gás e o gosto novamente pela vida, advinda da eterna batalha de Eros e Thanatos (pulsão de vida e morte).


E assim, pouco a pouco retomei meus mitos, criados pelos meus sonhos alavancados pelos meus desejos, incentivados por pessoas queridas que foram me presenteadas nesta jornada.


Hoje sei, que muitas das vezes essas ilusões são transitórias e efêmeras, se transformando em fumaça na memória que sucumbe ao passo dos anos. Mas algumas ilusões se efetivam, e me mostram que aquele sonho não era tão colorido como idealizava..., no entanto, é uma realização que me fez caminhar entre os espinhos e pétalas pela estrada da vida. E mesmo que o instante seja de fato volátil como as recordações que se perdem como fumaça... São elas que fazem o presente ter sabor e ser um presente.


E o instante embriagado pelo desejo, que nunca cessa, infinito na sua incompletude... sempre irá pedir mais uma dose, seja de algo distinto de outrora ou... um pouco mais do que vida lhe seduziu, queimando assim como o Sol no topo do céu.


Por isso que enquanto há vida, há desejo latejando na carne e palpitando no coração. E é por esse motivo que escrevo, danço, canto, pinto, ouço música, passo horas a fio entre carinhos, longos diálogos sobre a vida, entendendo assim que a arte e seus desdobramentos são os mitos necessários que precisamos nesta existência para aliviar a carga que muita das vezes pode ser demasiadamente dura, sombria, intensa e densa... e que apesar de não ter alcançado meus mitos de outrora, o desejo de os tê-lo me fez descobrir que não sou a gostosa que sonhava… mas me encontrei em ser a pessoa gostosa de ser e estar ao lado, mesmo nos dias mais tempestivos…


E que mesmo sendo todos passageiros nesta embarcação... correr atrás dos nossos desejos, fazem nos deixar um fragmento nosso nesta estrada e pode fazer sentido para o próximo passageiro desta lotação.




A BELEZA VISTA NOS ESPELHOS


por Stella Gaspar


A beleza está em toda parte, seja no claro ou no escuro, a beleza tem mil encantos e com ela os vaidosos narcísicos se perdem nas suas ilusões. Ninguém é mais belo do que um raio de sol em plena floração primaveril, nenhuma beleza é mais vibrante do que uma folhagem verde recebendo o cantar dos pássaros.


Onde está a originalidade humana?


Muitas se banhando em rios de águas douradas e imaginárias, a todo o momento querendo mostrar beleza, boniteza e não olham que estão sendo iludidos por imagens irreais, não se cansam de querer ser mais, de possuir poderes e de ser provocação. Toda beleza de espelhos viciados, são inúteis e passageiras.


A todo o momento um novo aroma cheio de novas oportunidades, de novos amanheceres nos chega e parece que certas criaturas só sabem mostrar sorrisos inverídicos, pensando que a fingida ação de sorrir espalha atrações e amor sobre todos os seus servos, como é triste passar pela vida e não viver suas verdades, viver escravos de espelhos, é tão pouco para a vida que nos foi tão divinamente presenteada.


A pele é nossa, o tom de voz, os sentimentos e nossas profundidades.

Mas a chama de dentro do coração precisa resistir ao fogo das motivações externas e ser chama de dentro, evocando sentimentos.


O caminho das imagens espelhadas pode levar a um deserto solitário.

Se amar, para amar, ter o seu espelho primeiramente no seu mapa interior que é o mais importante. É o que dá sentido ao crescimento, às transformações. De repente os rostos se modificam e onde ficou o prazer pela alegria de viver?


Vamos deixar um pouco o mundo dos espelhos e saudar a saúde física e mental, e ter a felicidade de ser alegria, paz, poesia, música entre outras coisas úteis. Como diria Guimarães Rosa. “Que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração”. O paraíso não está nos reflexos espelhados, mas nas estrelas, no sol, na lua, nas flores, pássaros e borboletas.


Enfim, encerramos este texto com as palavras de Martin Buber quando disse que o mundo do isso e o mundo do tu. É tudo a mesma coisa.




CÓDIGO GENÉTICO: POESIA


por Joana Rita Cruz


Tenho um poema entrançado

no ADN que me faz,

está por minh' alma espalhado,

como notas de uma sinfonia.


Na história da minha vida

há versos em CAPSLOCK,

e subtis frases que me enchem

de arte e epifania.


Sou poeta de nascença

até no sangue há ocorrência

de escrita e estórias

de menina.


Tenho uma rima entalada

na garganta

que teima em ser

cantada.


Não tenho escolha se não

a eterna liberdade de criar

parece prisão

mas é dádiva de artista.


As tristezas devem ser derramadas,

como a água benta no batismo,

elas correm apressadas

e formam fenómenos de solstício.


Mudam-se as estações com um poema

trocam-se as ideias

sem causar guerra,

com a inocência de uma melodia.


É essa verdade que me forma

é de minha genética escrever

o lápis é ferramenta de metamorfose

e como borboleta sei viver.


Quem diz que arte e ciência

são Némesis

nunca leu uma poesia

são irmãs da histeria.


Das ideias malucas

aquelas que mudam o mundo

dos ADNs preservados em âmbar

dos sortudos.


Que sofreram como génios

e foram guardados na história,

que tiveram coragem de criar

por isso ficaram em memória.


É genética esta epifania

que está gravada

entre a adenina e a guanina

e a citosina e a timina.


Oh, é genética esta história,

esta arte,

esta poesia,

esta substância intensa.


Que biologicamente me dá vida.




SABER VIVER!


por Wanda Rop


Neste mundo tão diverso

Pessoas insistem em preconceitos

Vivo a vida sem amarras

Liberdade aflora em meu peito


Sou mulher, forte e decidida

A independência é o meu lema

Não tenho tempo para críticas

Sou feliz e livre em minha consciência


Nossa vida é limitada

Não temos tempo a perder

Se você não tiver ousadia

Não saberá o que é viver


A liberdade é uma benção

Que muitos não sabem aproveitar

Tenha tempo para os outros

E jamais esqueça de se amar!




UM DIA DAQUELES


por Lucélia Santos


Tem dias que já amanhecem nublados só para nós, escuros, sem cor, parecemos estar sem chão, como se o mundo tivesse desabado sobre nós.


E não é aquela tristeza como quando choramos se sentimos uma dor forte de enxaqueca, é uma tristeza profunda, dor dilacerante que vem de dentro, como se estivéssemos recebendo flechadas no peito, ele vai se rasgando e nos deixando sem reação.


Pode estar acontecendo uma festa ao nosso redor, a dor insiste, resiste, e nos sentimos sós.


O querer estar bem nos traz ainda mais angústia, na agonia e ansiedade pelo dia seguinte, e junto as preocupações com detalhes difíceis.


Neste dia, toma conta de nós a melancolia, ansiamos pelo brilho do sol, pensando que brilhará a alegria. Neste dia, desejamos paz no coração, uma gotinha de esperança de dias melhores, no vasto oceano.


Neste dia, desejamos caminhar, por uma estrada com árvores grandes e florida, com o vento leve e contínuo balançando os cabelos, com uma canção agradável na mente, e então, cantando seguindo caminhando, em coisas boas pensando, indo encontrar um lugar verde para se sentar, e com o caderno e caneta na mão, escrever, deixar transbordar tudo que há no coração.




NOSSOS COLUNISTAS


Da esquerda para a direita: Alessandra Valle, Luiz Primati e Antônio Carlos Machado. Depois Joana Pereira, José Juca e Ipê. Depois Joana Rita Cruz, Simone Gonçalves e Miguela Rabelo. Por último: Wanda Rop, Arléte Creazzo, Stella Gaspar e Lucélia Santos.

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6 Comments


sidneicapella
sidneicapella
May 22, 2022

Parabéns a todos colunistas do caderno Reflexões!

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Luiz Primati
Luiz Primati
May 22, 2022

Como já disseram muitos por aqui, o Caderno de Reflexões tornou-se obrigatório nos cafés da manhã de domingo. Ao invés de ficar olhando futilidades nas redes sociais, leio as reflexões de nossos colunistas. Fico feliz de termos cada vez mais pessoas engajadas nessa missão de levar as pessoas a refletirem. Bem-vinda Wanda Rop. Faça desse caderno o seu canto a partir de agora. Obrigado a todos que escrevem e compartilham suas palavras.

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Estou encantada com os textos que li, são de extrema sensibilidade e com assuntos relevantes. Neste domingo é uma honra integrar o rol de colunistas da Valleti Books, a sensação é deliciosa em apreciar as temáticas trabalhadas por cada autor, que são inspiradoras de profundas reflexões. Parabéns e meu abraço poético a todos que apreciam o blog da Valletibooks.

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Luiz Primati
Luiz Primati
May 22, 2022
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Wanda, seja bem-vinda. Aqui todos se esforçam para dar o seu melhor e fazer as pessoas refletirem. Não é uma tarefa fácil. No entanto, nossos colunistas não se cansam de produzir tantos textos. E você, Wanda, continue preenchendo nossas almas com suas palavras.

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Stella Gaspar
Stella Gaspar
May 22, 2022

Quantas ousadias maravilhosas, as verdades de nossas íntimas almas, somos o que pensamos ser? Temos a oração que nos faz estar no mundo celeste e quanta paz, querida Simone, senti nas tuas palavras, cheguei a respirar profundamente. Juca meu querido amigo, que Brasil transformado e desgovernado!!! Sim, começar é fácil, mas acompanhar o processo requer habilidades. Profundos textos, lindos para os olhos da alma! 😍

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Luiz Primati
Luiz Primati
May 22, 2022
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Stella, minha querida, sempre caridosa com as palavras, nunca economizando elogios. Você é parte da Valleti Books e é sempre bom ler seus textos e seus comentários. Obrigado!

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