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REFLEXÕES Nº 12 — 20/03/2022

Atualizado: 26 de mar. de 2022

Nossos colunistas: Arléte Creazzo, Rick Soares, Antônio Carlos Machado, Joana Pereira, Joana Rita, Alessandra Valle, Simone Gonçalves, Lina Veira, Lucélia Santos e José Juca.

Leia, Reflita, Comente!


Foto: https://www.cnnbrasil.com.br/



FILOSOFÁBULA


por Antônio Carlos Machado

Disse o Engano a Fuga:


— Venha! Me acompanhe, eu te levarei ao caminho certo, verá que o que te aflige ficará distante.


A fuga balbuciante, olhou para o Engano e perguntou:


— A Certeza sabe de sua escolha? Ela me acompanhará?


Nesse instante a Insensatez quis fazer parte da conversa, mas acabou por manter-se quieta, apenas observou os demais.


O Engano esperto disse que a Certeza andava ocupada com a Verdade, mas que em breve ela poderia confirmar que aquele caminho era o melhor para a Fuga.


A Fuga sentiu-se estranha, pensou que se a Certeza andava ocupada com a Verdade seria melhor esperar, pois, assim se sentiria segura e disse para o Engano:


— Agradeço seu apoio, mas vou tentar um caminho mais curto enquanto aguardo a opinião da Certeza, quem sabe outro dia iremos juntos.


A espreita estava a Sonho, muito jovial, saltitante, porém não disse nada a ninguém, esperou que a Fuga se distanciasse e assim que o Engano ficou sozinho lhe indagou:


— Engano por que está triste, por acaso foi por que queria que a Fuga, aquela hesitante, o acompanhasse?


Ora! A Fuga era mesmo inconstante e ele já devia saber que alguns que por ele passaram, o olhavam com reservas...


O Engano sorriu, porque, no fundo, não esperava que lhe dessem ouvidos, afinal seu trabalho era só esse e logo mais, certamente encontraria alguém para fazer suas sugestões.


— Sonho, estou tranquilo! Impressão sua! Estou bem.


O Sonho sorriu, procurou a Fuga, mas esta já estava distante e não podia mais alcançá-la, o Sonho pensou que seria uma boa opção para a Fuga naquele instante.


Até agora calada, a Insensatez, que já era por todos conhecida e que tinha influenciado desde sempre a Fuga, disse ao Sonho:


— A Fuga está cada dia ainda mais aturdida e agora procurava a Certeza por todo lado, sem sucesso, é claro, mas era o que se podia esperar da Fuga...


O Sonho entendeu que não tinha mais lugar ali.


A Fuga se perdeu, o Engano vagava novamente, a Certeza continuava ocupada demais com a Verdade e a Insensatez voltou para o seu lugar, onde todo mundo passava, mas nem sempre dava conta que ela queria atenção.


Eu contei tudo como eu vi, só que eu me escondi.




QUE BOM TE VER


por Arléte Creazzo


Estamos liberados do uso de máscara.

Durante o dia de hoje, observei as pessoas na rua, no shopping, nos restaurantes e vi que muitas ainda não se libertaram de suas máscaras.


Passamos tanto tempo usando o objeto, que para muitos será um pouco mais difícil se ver livre de seu uso.


Eu mesma ainda não tenho uma opinião formada.


Às vezes, utilizo, outras vezes não.


Mas o que passei a perceber mesmo, foi o fato de encontrar pessoas conhecidas sem a máscara, e como de certa forma me pareciam estranhas.


Não porque estão diferentes, mas por perder o hábito de vê-las de rosto livre.


Fora as pessoas que conheci no período da pandemia. Pessoas que conheci de máscaras.


Hoje percebi que não as reconhecia.


Porém, as poucas pessoas que encontrei hoje, me fizeram ver como é bom ver um rosto livre, um sorriso, até mesmo uma língua de fora.


Percebi então, como é bom ver um rosto livre, conhecido ou não.


Um sorriso puxa outra, a felicidade se torna contagiante.


Os cumprimentos eram livres. Abraços, beijos, apertos de mão, tudo com um sorriso no rosto.


E hoje, depois de muito tempo, pudemos literalmente dizer: que bom te ver.



DE UM PODER ABSOLUTO


por Joana Pereira IG: @temjuizo_joana


Num turbilhão de história, de evolução, criaram-se etapas, conceitos, regras, criaram-se sequências comportamentais intituladas como "normais" ou "habituais", foram determinadas fases de vida onde é suposto acontecer isto ou aquilo.


Na imensidão do que é ser, definiu-se o que é certo e o que é errado, sem contextualização.


Questiono-me que sentido faz alguém ter a capacidade divinal de distinguir o certo do errado, num mundo cheio de adversidades e diferenças. Quem foi esse alguém que determinou o que é certo ou errado para mim, que me indicou os caminhos mais corretos. Quem?


Achamos que temos poder de escolha, mas em certa parte, não o temos. Somos ovelhas que seguem o rebanho, o da sociedade, com os valores, princípios e regras previamente estabelecidos. Quem foge ao rebanho é visto como esquisito ou louco. Que sistema de justiça é este que faz da abrangência de todos os seres, um contrato com pré-requisitos próprios?


As etapas e as fases da vida humana foram de tal forma enraizadas na medula óssea das pessoas, que deixaram de haver relógios biológicos, para serem substituídos por alarmes. Deixamos de ser surpreendidos pela magia do amor, para procurarmos descomedidamente um par para partilhar a vida. Tomámos a solidão como algo errado, para nos fazermos rodear de tudo e todos. Perdemos a audição para o nosso interior, para ouvirmos as vozes que vêm de fora e nos dizem o que devemos fazer, porque é assim. É assim que a vida funciona, porque alguém a pôs a funcionar assim, em massa.


É como jogar um jogo onde alguém, de um poder absoluto, já te ditou as regras.


Mas, trata-se de uma vida. Trata-se da minha vida, da tua, das nossas vidas, que tivemos a sorte de ter esta oportunidade. De poder sentir a vida.


A "grande" sorte de nascermos já limitados a regras, a princípios, a conceitos onde temos forçosamente de encaixar.




COMO VEJO?


por Alessandra Valle


Um dia desta semana, pela manhã, fiquei observando minha imagem refletida no espelho. Não procurava defeitos ou imperfeições em meu corpo, tentava olhar minha alma.


Recordei-me de um ensinamento de Jesus que disse: “SE OS TEUS OLHOS FOREM BONS, TODO O TEU CORPO TERÁ LUZ” e uma vasta reflexão pus-me a fazer.


Fiquei pensando que durante o tempo em que o Mestre esteve entre nós, seus apóstolos foram chamados a experimentar o recurso divino da visão para lhes ajudar a compreender as verdades, para se conhecerem e se reformarem.


Eles viram a figueira que secou depois da ordem proveniente de Jesus, para simbolizar todo aquele que aparenta propensão ao bem, mas que em realidade nada de bom produz.


Eles viram o paralítico que se levantou; viram os leprosos que se curaram, mas viram também apenas um deles voltar para agradecer a Jesus seu milagre.


Um dos discípulos tudo queria ver para crer, enquanto a fé ainda era pequena e falível.


Outro, quando a Jesus pode ouvir, à porta da cidade de Damasco, a claridade das verdades divinas chegou a cegá-lo.


Entretanto, Jesus via em cada um de seus apóstolos e em cada um que Ele auxiliou, o potencial para evoluírem, para se aprimorarem.


O Divino Amigo de todas as horas têm bons olhos.


Quanto a mim, que ainda estou nesta jornada evolutiva na Terra pela busca do autoconhecimento e do autoaprimoramento, preciso seguir o conselho de Jesus para enobrecer o recurso da visão que me foi dado, de modo que eu tenha “olhos bons”, para amar e ajudar, aprender e perdoar, aceitar e confiar sempre.


Fontes de consulta:


Evangelho de Mateus, 6: 22,23.

Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIII, 7.

Livro dos Espíritos, Q. 919.



LIBERDADE ATÉ CERTO PONTO


por Rick Soares


Se você tem um amor, daqueles que você tem certeza que o ama.


Você o guarda às sete chaves. O guarda e o deixa com as chaves lá dentro.


Não no sentido de aprisioná-lo, mas dando-lhe escolhas de ficar apenas se quiser. A única forma de perdê-lo será de dentro pra fora. E a cada dor causada por ele é como se ele estivesse abrindo uma das portas.


E você sentirá ele saindo, mas não poderá fazer nada. Caberá a ele mesmo decidir se volta ou se continua. E apenas se ele sair, você deve pegar as chaves para, caso ele queira voltar, você decidir se abrirá a porta novamente ou não. E aí só depende de você.




A MAGNIFICÊNCIA DA PALAVRA


por Joana Rita Cruz


Quando me sai da alma

É como a mais intensa tempestade

Traz-me uma calma e serenidade

Que só ao vislumbre de um céu estrelado

Se assemelha.


Exalta-se em mim a simplicidade

Das artes e musas mais profundas

E o meu coração recolhe-se num êxtase

Que só com a brisa fresca das montanhas

Desvanece.


E quando pelos meus sinceros lábios

Se manifesta de rompante

Até as majestosas criaturas do imaginário

Param para escutar

A beleza única da palavra.


Cada sílaba causa um tímido

E inocente sorriso

Pelo reconhecimento desta magia

Deste feitiço da natureza da linguagem

Que me revela tudo o que é preciso.


Para ser feliz.


Inspirado em: "A magnólia" de Luiza Neto Jorge



ALICE


por Simone Gonçalves


Um sorriso sincero

No olhar, a vida se renova

Dia a dia, como anjo aqui na terra

Nos teus sonhos dourados de infância

A esperança toma conta

E teu coração é uma casa

De portas abertas para a alegria

Onde encantos e magias

Em harmonia formam um arco-íris

Gargalhadas transbordam energia

Que transmite toda a emoção de viver

Passos dados com delicadeza

No caminho guiado por Deus

Sua ousadia se expande e nos engrandecem

Na força que brota do seu coração

Venha sempre assim, sorrindo

Doce Alice

Traga toda sua garra e nos brinda

Com a luz que de teus olhos nos ilumina

Deixa florescer toda a candura da tua alma

Em cada amanhecer das nossas vidas.




UM DE MEUS OLHARES


por Lina Veira


Chega de se adequar a tudo

A felicidade passeia perdida como o vento no mar

Segure-a

Pessoas falam demais

Se justificam demais

Invejam o vento que tudo vê

E fingem ser.




O CORAÇÃO DE UM ANSIOSO


por Lucélia Santos


Mais um dia vai embora, já é noite lá fora, chega o momento mais temido, é hora de se deitar para dormir. Dormir? Não! Passar a noite em claro. Os olhos não se fecham, nas pernas sentimos uma agonia, é a terrível insônia, que atormenta todos os dias.


Então o sol nasce, aquele lindo espetáculo, é como uma chama de esperança, mais um dia para tentar sobreviver. O dia se inicia, com aquela correria, e começam os pensamentos acelerados, coração a disparar, fadiga, dor no peito, dificuldade para respirar... a vontade é imensa, para cumprir todos os afazeres de vez, porém, o desanimo não deixa, e desistimos mais uma vez. Sentimentos de inutilidade vêm, insatisfação consigo mesmo, baixa autoestima, e a busca por algo que preencha o vazio.


Se algo der errado, nos desmorona, um pequeno problema é uma tempestade, a tristeza nos aprisiona, a mente inquieta, anceia algo que talvez nem aconteça, a emoção soa mais forte, a decepção nos leva ao chão, mas lutamos para ser fortes, e nos libertar desta prisão.


O coração de um ansioso, sofre tudo de uma vez só, às vezes, seria um refrigério, um abraço, sem precisar nada dizer, ou uma pergunta sobre como estar, e esperar para se responder.


Um ouvido atento, um ombro amigo, palavras confortantes e positivas, pode acolher um coração sofrido.


Não peça para não ficar ansioso, não peça para não ficar triste, apenas diga: estou aqui! Conte comigo! Você não está sozinho.


Este transtorno emocional, é um caos na vida de alguém, ainda tem aqueles que sofrem, porém, não transparece, achamos que está tudo bem.


As expectativas são como um combustível para seguir, os sonhos dão esperança para sobreviver, as possibilidades são um gancho que mantém a força. Talvez sonhar, não custe nada, regar o amor pode aliviar a dor.


E assim segue um coração ansioso, a lutar para sobreviver, derramando as angústias em forma de lágrimas, enxergando o dia como um desafio infinito, na esperança de ser útil para alguém, porque os monstros que enfrenta, fazem a insegurança ir mais além.




O QUE PENSAR?


por José Juca


É cedo, acabara de acordar. Indisposto! Não dormira bem! Cansado do dia anterior, da semana, do mês, a insatisfação é latente… Tudo doía, da cabeça ao dedão do pé. E segue a rotina. Mede glicose… Vish! “Não é possível! Não tem jeito! Melhor deixar pra lá!”. Ele pensa! E segue em busca de conferir a saúde. Aferir a pressão… Tudo normal. Cozinha é o caminho. Água na cafeteira… Ao banheiro, da higiene às necessidades vitais… Volta! Tudo concluso. E vai-se ao café! Não pode ser… Mas pode! Esqueceu de comprar algo para comer no desjejum. Vai só de cafezinho mesmo. No trabalho se alimenta adequadamente. Enfim! É seguir estrada. O dia parece não estar a contento… Olha através da sua janela. Sua vista é maravilhosa! Mais de cento e oitenta graus de alcance. É incrível! Tem, aos olhos parte de cinco cidades do Distrito Federal. Mas hoje, nublado, pista molhada, céu encoberto por nuvens escuras… Contudo, o caminho é o trabalho. Segue rotina… Antes de sair, fecha a porta, nem todo dia com a tranca. A esperar o elevador. Momento triste. Pensa! Nunca viu tão lento. Acesso à garagem. Entra no carro. Liga GPS… Não que não conheça o caminho. Todavia, ajuda quanto aos radares da estrada. Ele é muito desligado. Vira e mexe recebe uma multa. Ao sair de casa… Começa, lentidão, trânsito, quase parando, todos os dias é a mesma coisa. É acalmar e meditar, ouvir uma música, esperar que a morosidade acabe. Espera-se que o trânsito discorra, flua… Não devia preocupar-se. Fazer o quê? Nada por resolver quanto o exterior a você… Domínio, só do seu interior. E continua pela estrada… Depois de algum tempo, no escritório. E a demanda é outra: lidar com a chefia. Sim! Seu chefe é um indivíduo complicado. Um ser excepcional! Dinâmico, trabalhador, astuto, político, gestor como poucos… Mas, ainda assim, difícil. A meses insiste com um prestador de serviço que não consegue resolver problemas. Tratante. E que nunca conclui o que começa. Aparece todos os dias, para tentar resolver o mesmo problema. Já que é chamado diariamente. Imagine! Um ano voltando para tentar uma solução e nada. É ou não, de perder a paciência? E volta, e chama, e no outro dia, de novo… Mas, nada de resolver o que precisa. O trabalho não flui, no que depende desse. E como tudo depende do serviço a que ele presta, nada anda. A irritação é generalizada. E todos reclamam. E todos os dias, quem aparece para resolver o problema… Digo, supostamente resolver o problema. O que se observa é uma seção inteira sentada, fofocando e olhando para o gestor e seu prestador de serviço, cochichando e revoltados! Por ficarem à toa todos os dias, com uma demanda que não anda, clientes insatisfeitos… Reclamação global e nada do gestor se tocar. Tudo supostamente resolvido. Trabalho se inicia. Em suas mesas, aos seus computadores… Tudo fluindo bem. Até que… Meia hora depois, a internet cai. Uma hora faz que o funcionário da manutenção saiu, e tudo começa de novo. Todos parados. Enfim! O que fazer? Quem vem? O chefe… O teimoso! O mesmo liga pra quem? Sim! Ele! E assim, o dia segue, sem produtividade. Muito estresse. O dia termina. Trabalho prejudicado, sem fluência, com muitas demandas por resolver. E pensa-se, como pode? Uma cabecinha teimosa… Insistente! E tantos prejuízos para uma instituição. Um pouco de diálogo, trabalho em equipe, ouvir o outro, como poderia ser diferente. Hora de ir pra casa. Sair, entrar no carro, ligar GPS, pegar trânsito… Até que, chega em casa… Tenta relaxar. É noite que segue… E pensa! Aquele teimoso não muda nunca.




NOSSOS COLUNISTAS


Da esquerda para a direita: Arléte Creazzo, Alessandra Valle e Rick Soares. Depois Joana Pereira, Simone Gonçalves e Joana Rita. Depois Lina Veira, Lucélia Santos e Antônio Carlos Machado. Fechando: José Juca.

54 visualizações5 comentários

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5 opmerkingen


joanapereira.ft
joanapereira.ft
22 mrt. 2022

Adoro vir aqui e deparar-me com modos de escrita tão diferentes e tão bons! Obrigada por estes momentos! António Carlos Machado, está incrível! Adorei as personagens serem "aspetos" de personalidade. E o coração da Lucélia deixou-me ansiosa de tanta honestidade! Parabéns a todos!

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sidneicapella
sidneicapella
20 mrt. 2022

Viajo! No caderno de reflexões.

Obrigado, Colunistas!

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dittrich.eclair
dittrich.eclair
20 mrt. 2022

Quanta informação .... Um café da manhã muito bem acompanhado. Gratidão a todos por seus escritos carregadinhos de "vocês". Bom domingo 😘

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jusejuca.ps1502
jusejuca.ps1502
20 mrt. 2022

Antônio Carlos

Filosofábula


Boa fábula! muito interessante, um pouco do que dia-a-dia nos remete... Sábio relato do cotidiano de seres em geral e suas atitudes. muito a debater... Concluso só o saber que a sociedade precisa de mais debates e discursões a ponto de termos melhoras significativas. Parabéns Antônio! Por todo contexto.


Arléte Creazzo

Que bom te ver!


Nada como a boa e transparente expressividade de rostos sem máscaras a nossa frente, não Arléte? É uma pena não podermos ainda usufruir com segurança, como possibilidade concreta. Mas, a que chegar o dia. Talvez, mais próximo que longe.


Joana Pereira

De um poder absoluto


Até porque, né Joana? Vivemos em uma diversidade cultural infinita. Em que nada dá pra se fechar,…


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joanapereira.ft
joanapereira.ft
22 mrt. 2022
Reageren op

Juquinha, meu juquinha! É isso mesmo e cheguei à conclusão que nem há decisões definitivamente acertadas! Obrigada pelo comentário, beijinho

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