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REFLEXÕES Nº 236 — 01/11/2026

há 11 minutos
15 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


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Imagem criada com IA

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.

DOCE OU TRAVESSURA


A primeira vez que vi teia de aranha na amoreira da entrada da casa da Natasha, achei que estávamos sendo atacados por aranhas gigantes. Era algodão, de enfeite. No dia seguinte apareceram seis abóboras de plástico na entrada, uma com cara de brava e outra com cara de quem foi pega no flagra, e depois uma caveira de plástico pendurada na porta. Pelo condomínio inteiro, morcegos de papel, aranhas, pés e mãos ensanguentadas. Em poucos dias a rua estava fantasiada.


Na semana que antecedeu o Halloween, quando ventava, alguém batia na porta de entrada. Dava arrepio, até eu lembrar que era só a caveira de plástico se chocando contra a madeira. Fui abrir mesmo assim, duas vezes.


No meu tempo de criança, o dia de pedir doce de porta em porta era o de Cosme e Damião, em setembro. Ninguém se fantasiava, e ninguém falava em travessura. Se alguém tivesse perguntado o que era Halloween, eu diria que era coisa de filme. Meus avós nem isso. O Antônio, a Brígida, o Otércio e a Maria nunca viram um neto de máscara na porta, nunca ficaram esperando criança estender a mão. Atravessaram o que atravessaram, trabalharam o que trabalharam, e morreram sem uma noite dessas.


Uma semana antes, o meu genro chegou com mais de duzentos doces. A Mônica e a Natasha passaram a tarde embalando, de dois em dois, em saquinhos com laço, e eu fiquei só olhando, porque quando tentei ajudar estraguei o laço do terceiro.


Os meninos passaram a semana decidindo de que iam. O Mateus mudou de ideia três vezes e acabou indo de Homem-Aranha, e o Gabriel, que não ia ficar atrás, foi de Homem-Aranha também. Dois Homens-Aranha diante de uma amoreira cheia de teia de algodão. A deles era melhor. A Natasha foi de Wandinha. Eu fui de Tio Chico, com olheiras e a cara branca, roupa toda preta. Já não tenho quase cabelo, então a careca fez metade do trabalho. Fui nomeado acompanhante oficial, o que quer dizer que fiquei parado na calçada em frente a cada casa, de longe, com a lanterna do celular, como quem faz plantão.


A casa da minha filha Natasha não tem portão. A frente é toda aberta, como nas casas americanas, e quem quer chegar até a porta vai caminhando pelo gramado. Naquela noite ninguém precisou tocar nada. As crianças subiam o degrau, diziam “doce ou travessura” e já iam estendendo o saquinho. Os dois Homens-Aranha subiram juntos, de mãos dadas, tropeçando um no outro, e na hora de dizer a frase falaram ao mesmo tempo, errado, e riram. Senti a garganta apertar. Fiquei na calçada com o celular na mão e a lanterna acesa em cima do chão, sem apontar para lugar nenhum, e a cara branca escorreu. Limpei com a manga da camisa preta.


Em quarenta minutos, não tinha mais nenhum laço na vasilha. Voltaram crianças que já tinham passado, com outra fantasia, e a gente fingiu que não reparou.


Numa das casas, uma senhora abriu a porta, encheu o saquinho dos meninos e estendeu a cestinha para mim também. Eu disse que não precisava. Ela insistiu. Peguei um chocolate. Estou morando aqui há duas semanas e ainda não falei com nenhum desses vizinhos, e naquela noite uma delas me deu doce sem saber meu nome, de cara branca, olheira e maquiagem escorrida.


Procurei a Mônica, que tinha ficado na porta com a vasilha. Ela olhava os meninos descendo o degrau e passou a mão no rosto sem disfarçar. Na minha vida e na dela nunca tinha existido uma noite assim. Em Botucatu, a essa hora, eu estaria trabalhando, e nem lembraria que existia Halloween.


O chocolate ficou no bolso da calça. Ainda não comi.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

LUZIR


A estrela não se esforça para brilhar; sua luz nasce daquilo que carrega em si. Da mesma forma, nosso brilho mais verdadeiro floresce quando a vida pulsa em harmonia com nossa essência, nossos dons e as verdades que habitam o nosso ser.


Às vezes, o ato de luzir é o resultado de uma longa jornada de superação. Cada desafio vencido, cada cicatriz acolhida e cada aprendizado incorporado tornam-se fontes de luz que fortalecem nossa caminhada.


O verbo luzir significa emitir, irradiar ou refletir luz. Aqui, porém, ele ganha um sentido mais profundo: representa aquilo que nos define por meio da nossa luz própria. É o brilho interior que fortalece a autoestima, inspira boas atitudes e ilumina caminhos, mesmo nos tempos mais desafiadores.


Luzir, no sentido mais humano, é transformar cicatrizes em pontos de iluminação. É permitir que as experiências vividas, inclusive as mais difíceis, revelem a força e a beleza que existem dentro de nós.


Sejamos presença que clareia ambientes e acalma corações, compartilhando luz, cores e esperança. Quando escolhemos luzir com humildade, tornamo-nos faróis que ajudam outras pessoas a encontrar o caminho para o seu próprio brilho.


Sigamos em direção à imensidão das novas experiências, buscando o luzir da felicidade. Permita-se ocupar o seu espaço no mundo e reconheça que sua existência é, por si só, um ponto de luz único, precioso e insubstituível.


Passamos por situações que não esperamos, mas elas nos revelam o quanto somos fortes e iluminados. Muitas vezes, é justamente nas adversidades que descobrimos a intensidade da luz que carregamos dentro de nós.


Nossos olhos são portais para os estímulos luminosos que nos conduzem por diferentes caminhos. E, quando aprendemos a olhar com a clareza das estrelas, passamos a perceber a poesia que existe em nós e nos outros. Assim, luzimos não apenas para a vida, mas também para a beleza que habita cada encontro, cada aprendizado e cada novo amanhecer.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

TEMPO PERDIDO


Mãe, me perdoa pela falta de atenção e me perdoa

Pelos meus erros e pela ingratidão que pratiquei no 

Meu tempo de moleque, época em que eu achava

Que tinha o mundo inteiro nas minhas mãos

Enquanto a senhora batalhava dia após dia

Para ganhar o pão de cada dia enquanto

Isso, eu vivia alucinado e a vida curtia.


E, diante desse mundo de ilusão, logo vi que

Me enganei buscando os prazeres deste mundo  Enganoso, onde me tornei escravo e com isso,

Comecei a cultivar a minha morte que passou

A ser orquestrada pelo diabo, que estava me 

Cegando e uma hora iria me pegar e me 

Transformar em mais um na multidão.


Mas, um dia alguém me evangelizou e me contou

Os milagres que Jesus havia feito em sua vida e que

Após isso, todas as feridas foram curadas e graças

Ao nosso Rei Jesus e Salvador, eu encontrei a 

Redenção que me aproximou de Cristo, me

Trazendo a possibilidade de salvação e Segurando na minha mão, Jesus me

Tirou da multidão e graças a Deus

Hoje entendi o que é honrar uma

Mãe, a quem agradeço, obrigado, Minha mãe, obrigado, Jesus, meu salvador.



AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

O OUTONO E AS ESTAÇÕES DA VIDA


Já reparou como a natureza consegue nos surpreender, mesmo nas coisas mais simples?

Aqui na Inglaterra, o outono tem uma maneira muito especial de se apresentar. As árvores vão mudando de cor, vestindo tons de laranja, vermelho e amarelo, enquanto algumas ainda conservam o verde. E, mesmo nos dias nublados, quando o sol parece não querer aparecer, a paisagem continua encantadora.

Hoje, ao passar de carro por um desses corredores de árvores a caminho do trabalho, fiquei admirando tanta beleza. E me veio uma reflexão: quanto podemos aprender com a natureza!

As árvores nascem, crescem, dão frutos, perdem suas folhas e atravessam suas estações. Suas raízes as sustentam, e existe todo um ecossistema contribuindo silenciosamente para a vida continuar acontecendo.

Nós também temos nossas estações. Há momentos de florescer, de dar frutos, de mudar e até de deixar algumas folhas pelo caminho.

Mas, ao contrário das árvores, muitas vezes temos dificuldade de aceitar nossas próprias mudanças. Queremos estar sempre bem, sempre fortes, sempre produzindo. Esquecemos que também precisamos de pausas, de cuidado e, principalmente, uns dos outros.

Talvez uma das principais lições da natureza seja justamente essa: não precisamos florescer o tempo inteiro. E ter raízes fortes não significa não precisar de ninguém.

Afinal, o outono não tira a beleza das árvores. Apenas revela uma nova forma de ela existir.

Que saibamos respeitar nossas estações, cuidar das nossas raízes e compreender que até os dias nublados guardam uma beleza que merece ser contemplada.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

SOBRE NÃO APAGAR SEU BRILHO


Às vezes a gente está feliz, alegre, sorrindo,

e parece que incomoda tanto as pessoas.

Incrível ter que fazer cara triste

para não incomodar.

E por que o outro não tenta, então,

ficar junto para se sentir um pouco feliz?

A felicidade pode ser partilhada sim,

desde que o outro aceite ser feliz também,

ou pelo menos tente,

sem querer tirar o brilho do outro.

Então compartilhe um pouco,

só um pouco,

e siga com a certeza

de que deu o seu melhor.


Sobre não apagar o seu brilho

Às vezes a gente está feliz, alegre, sorrindo,

e parece que incomoda tanto as pessoas.

Incrível ter que fazer cara triste

para não incomodar.

E por que o outro não tenta, então,

ficar junto para se sentir um pouco feliz?

A felicidade pode ser partilhada sim,

desde que o outro aceite ser feliz também,

ou pelo menos tente,

sem querer tirar o brilho do outro.

Então compartilhe um pouco,

só um pouco,

e siga com a certeza

de que deu o seu melhor.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

ENTRE O AMOR E A PAZ


Houve um tempo em que me permiti.

Eu, tão correta e contida, atravessei a linha do previsível e mergulhei em um amor que tocou meu ego, minha vaidade e minha alma.

Eu sabia que não era o caminho mais alinhado com minha fé. Ainda assim, escolhi sentir.

Ser desejada reacendeu em mim uma mulher que talvez estivesse adormecida sob tantas responsabilidades e prudências.

Houve conflito.

Houve drama.

Houve oração misturada com emoção.

Mas houve, sobretudo, aprendizado.

Descobri que não deixei de ser quem sou. Meus valores não desapareceram. Minha essência não foi apagada. Eu apenas vivi uma experiência que revelou partes de mim que ainda não conhecia por completo.

O mais importante não foi o amor.

Foi o que fiz depois dele.

Não me tornei amarga.

Não me fiz vítima.

Não me escondi atrás da culpa.

Eu refleti.

Eu compreendi.

Eu me perdoei.

E o autoperdão é o ponto mais alto da maturidade. Ele não nega o erro — ele o transforma em sabedoria.

Hoje sei: não foi falta de juízo. Foi humanidade.

O amor passou.

A lição ficou.

A fé permaneceu.

E eu continuo inteira.

Eu escolhi transformar os meus erros em reflexão, porque acredito que a paz nasce quando temos coragem de olhar para nossa própria história com verdade.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

CANSAÇO


Cheguei à conclusão,

Não sou de aço,

Estou um bagaço,

Consumido pela solidão.

O cansaço,

Que me domina,

Meus sonhos abominam,

Eu não agüento levantar os braços.

Estou dominado,

Pela tristeza,

Vivo isolado.

E na incerteza,

De to meu ser,

Só queria saber...

Se algum dia serei feliz



AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

A MAÇÃ QUE CARREGO NA BOLSA


A maçã sempre me acompanha. Olho para ela e vejo uma sinuosidade sensível e plena, um desenho que desperta um desejo imenso de morder, mas também de acolher e guardar feito enfeite. É uma fruta que me devolve a satisfação e a alegria simples de estar vivo. Quando penso nela, minha boca se enche da água que meu corpo precisa; ela fertiliza meu prazer e sacia minha fome, garantindo bons e longos momentos de paz.


Por isso, ela tem lugar cativo na minha bagagem. Se saio para uma caminhada ecológica em meio à natureza, posso até flertar com a ideia de uma pera ou de uma laranja, mas a maçã nunca falta na mochila. É ela quem me acompanha no carro em viagens longas, ou no ônibus, me salvando de gastos excessivos. No trabalho, quando abro a gaveta para fugir dos produtos ultra-processados, lá está ela: pronta para evitar que eu caia na tentação de um pacote de bolachas sem nutrientes. Acho divino e prático esse ritual de se alimentar nos intervalos. Diante daquela fome que surge no decorrer do dia, ter uma maçã é a certeza de que até a necessidade de água será saciada.


Mas é contrastante pensar que uma presença tão cotidiana e prática carregue significados tão intrigantes e pesados dependendo da cultura. Ora é símbolo do pecado, ora de sabedoria. Em um momento representa a vida e o amor, no outro remonta à imortalidade.


Diante disso, pergunto-me: não seria a maçã uma espécie de instrumento que depende puramente da mão que a empunha?


Convenientemente, o mundo lhe deu uma conotação de proibição. Mas quando essa proibição foi quebrada, o que nasceu ali também foi o prazer humano, a sensualidade, a união dos corpos e a fertilidade. Não falo aqui de quebra de conduta, mas da celebração da vida em sua essência. Quando quebramos os nossos próprios pré-julgamentos, passamos a absorver tanto as frutas quanto as pessoas pelo que elas realmente são.


Ainda assim, o risco do engano existe. Quem nunca se encantou com uma maçã vermelhinha no cesto e, logo na primeira mordida, sentiu o amargor de um interior oco, estragado ou bichado?


No fundo, o segredo está em não fechar as portas. O melhor da vida é manter a oportunidade de se aproximar de novas pessoas, dando a elas a chance de serem "maçãs" na nossa trajetória. Daqui a quatro anos, talvez, poderemos parar e analisar a safra: se eram frutos sem sabor, se eram ricos em conteúdo, ou se tinham apenas uma boa aparência que escondia um interior impelido pelo erro.

Concluo que viver exige esse voto de confiança. É necessário acolher o outro, carregá-lo por um tempo na bolsa da nossa vida, para só então decidir se o que escolhemos levar conosco era, de fato, um fruto de verdade.


Universo do Tio Dudú


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

O QUE MACHUCA


O que machuca

Precisa ser dito.

Não guarde a dor no peito,

Fale, mesmo sem jeito.


Não esconda a tristeza,

Expresse seus sentimentos com clareza.


Sem receio de desagradar,

Nem imagine o que irão pensar.

A verdade é libertadora,

Não deixe a dor lhe calar.


AUTOR Arléte Creazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

DEMOCRACIA HIPÓCRITA


Na última eleição, uma das palavras mais ouvidas foi democracia. Palavra que esteve na boca de muita gente, mas nem sempre encontrou espaço dentro do grupo de amigos ou da própria casa.


As pessoas brigam por liberdade de expressão ao mesmo tempo que inibem o outro a falar quando tem uma opinião diferente. Democracia com concordância obrigatória é uma ditadura com decoração moderna.


Basta alguém postar algo nas redes sociais sobre seu candidato que a discussão começa. Se for o mesmo candidato que o meu, é uma pessoa inteligente, honesta, capaz de entender as necessidades do país. Agora, se for um candidato contrário, coitado! É burro, incapaz de votar, fascista, ladrão, não enxerga o óbvio ...e quantos mais adjetivos negativos puder encontrar.


Engraçado como a inteligência alheia diminui, quando colocamos um número na frente!


O pior é que essa briga não permanece apenas nas redes sociais. Ela invade a nossa casa, o nosso ambiente de trabalho e a nossa roda de amigos.


Precisamos defender o direito de escolha de cada um da mesma forma que defendemos nossos candidatos. Cada um tem seu voto e sua convicção. Podemos argumentar, discordar e até tentar fazer o outro ver por nossos olhos. O que não podemos é diminuir a inteligência de ninguém por não pensar como nós.


Política é importante e precisamos falar sobre ela. O que não podemos permitir é que esse diálogo se transforme em uma verdadeira batalha, onde os opositores desembainhem suas armas e partam para o ataque.


Afinal, se eu fizer um churrasco ou quiser tomar um café com alguém, não será nenhum político que será chamado à minha mesa. Chamarei meus amigos, irmãos, primos e parentes com quem cresci. Pessoas que fizeram parte da minha história de vida muito antes de eu ter uma história política.


A democracia não exige que eu pense igual aos outros, mas exige que eu respeite a opinião alheia. Democracia sem respeito é apenas um discurso enfeitado.


No próximo churrasco, deixemos as diferenças políticas de lado e tragamos mais risadas e abraços. Afinal, entre brigas políticas e reuniões de família, é preciso saber quem merece um lugar à nossa mesa.









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