BECO DOS POETAS Nº 165 — 29/10/2026
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.
O QUE O RIO LEVA
Tem um rio atrás da casa da Natasha. Fiquei sabendo no segundo dia, quando o Mateus apontou da janela e disse “olha o rio, vô”. É o Rio Sorocaba.
Então fui contar o que cada rio levou.
Em Jundiaí foi o Córrego do Mato, perto da casa onde cresci. Na época estavam canalizando o córrego, e os caminhões tiravam terra do leito e deixavam em montes por perto. Com aquela terra, nós fizemos um dique. Funcionou bem demais. A água foi subindo e quase inundou as casas. Não lembro direito como acabou, só que não alagaram. Quem sabia as histórias daquele córrego era a minha mãe, Mercedes, e as lembranças dela o rio levou. Hoje não tem mais a quem perguntar. Meu avô Antônio também morava perto dele, tinha vindo da Itália, e eu nunca perguntei por que foi morar tão perto daquele córrego.
Em Botucatu foi o Rio Bonito, o balneário onde a gente ia nos fins de semana. Ele levou o meu chinelo num domingo. Um só pé. Desceu boiando, e eu voltei para casa com o pé direito, sem coragem de ir atrás do esquerdo.
Em São Paulo foi o Tietê, que transbordava nas enchentes. Nos dias difíceis que a gente passou lá, ele levou as tristezas junto. Se tem rio que aguenta carregar tristeza, é esse.
Hoje cedo abri o mapa para ver para onde o Rio Sorocaba vai. Vai dar no Tietê. Fui atrás do Rio Bonito e descobri que o balneário fica às margens do Tietê, a uns trinta e cinco quilômetros de Botucatu. A água em que eu boiava nos domingos era a mesma que transbordou em São Paulo, só que rio abaixo. Passei a vida trocando de casa e morando ao lado do mesmo rio, com nome diferente em cada cidade.
Só não consegui descobrir para onde vai o Córrego do Mato. O mapa mostra uma linha azul que some no meio da cidade. Acho que vai dar no Rio Jundiaí, que também é Tietê, mas isso é palpite.
Ainda não sei o que o Rio Sorocaba vai levar. Por via das dúvidas, passei a olhar o rio pela janela todo dia. De olho nele.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
DIA E NOITE - NOITE E DIA
Nas faltas e nas metades
Dia e noite...
Noite e dia...
Poesias e girassóis,
Ascendem sentimentos.
Te quero a tanto tempo
Te abraço, com imaginações e nostalgias
Noite e dia...
Dia e noite...
Vivendo o possível
Sem pensar no impossível.
Brotos de rosas
Nascem no canteiro do meu coração
O que posso então, dizer-te?
Que noite e dia...
Dia e noite...
Sou tão feliz contigo!
Por ti, transformo-me em pássaros e borboletas.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
TRISTE LEMBRANÇA
Eu conheci uma mulher valorosa
Que exalava um cheiro de flor perfumosa
Uma mulher, Deus, uma pedra preciosa
Uma mulher destemida e corajosa
E, como poucas, uma mulher virtuosa
Dona de uma beleza impiedosa.
E nela eu conheci o meu grande amor,
Um amor que me fez feliz até o dia do ceifador
Que bateu à nossa porta, trazendo o fel da dor
Que chegou e a sua luz pouco durou
Porque o seu brilho, infelizmente, se apagou
Naquela manhã de domingo, quando ela descansou.
E hoje creio que ela não sente mais dor
Porque ela está nos braços do Criador
Mas ela continua sendo o meu amor,
E hoje ela brilha no meu coração
De onde busco inspiração
Para alcançar a minha redenção.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
LÁ LONGE
Uma brisa doce
não vem do mar...
vem do terraço mesmo.
Luzes acessas,
música preferida,
um sorvete de abacaxi
e as flores da madressilva
parecem alegres,
dançando com o vento.
E a gente, lá longe,
pensando na dança,
que faz a alma sonhar.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
DESABAFO
O choro não cai torrencialmente
É um choro contido
Lágrima silenciosa
Para não incomodar ninguém
Para não dar ao mundo
Sua tristeza, sua angústia.
Ela é forte
Ela é bonita
Ela sai para a vida
Ela sorri
Ela distribui bom dia, boa tarde, boa noite
Mas queima no peito
A sua rotina
A sua solidão
Ter que dar conta de tudo
Não deixar a peteca cair.
Sua emoção fica retida
Um nó preso na garganta
Mas ela sabe
Que a qualquer momento
Tudo pode ruir!
Nada se sustenta por muito tempo
E ela procura um jeito
Uma saída para a sua vida
Dividir a carga é preciso!
Todavia ela se sente sozinha
Caminhar junto seria a solução
Pois a vida fica mais bonita
Quando se divide afeto e atenção!

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
TRAIÇÃO
O que eu penso sobre traição.
Quem ama mostra para todos (as), quanto (a) ele (a) o (a) valoriza.
O amor é um sentimento acima dos prazeres carnais.
Quem perde tempo traindo, está perdendo tempo em ser amado.
Quando se ama, não tem ninguém ou nada que desvie o curso.
Se houver desvios, significa que não havia amor.
Independentemente de onde as pessoas estejam e com quem estavam.

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
ESCRITA TERAPÊUTICA
Se estiver cansado/a, escreva.
Se estiver feliz, escreva.
Se estiver triste, escreva mais ainda.
Se conquistar algo, escreva para agradecer.
Se pensar em desistir, escreva para resistir.
Se estiver fraco/a na fé, escreva para se fortalecer.
Escrever é um exercício da alma.
É oração, é desabafo, é cura.
Não espere o momento perfeito.
Simplesmente escreva a sua história.

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
O TEMPO
O tempo muda rotas,
Frustra planos,
Traz à tona desenganos,
Expõe mentiras,
Faz a verdade triunfar,
Custe o que custar.
O tempo reconstrói percursos
E nos ergue quando desmoronamos.
Ah, o tempo é paradoxal:
Às vezes, é brisa suave
Que embala nossas memórias;
Outras vezes, é furacão
E nos deixa na escuridão.
Não é inimigo nem aliado,
Mas transforma o que foi vivido
Em aprendizado.

AUTOR Akira Ordine
AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.
ALVORADA
As trevas são assustadoras de fato
mas não infindas, não incontornáveis
Eu mesmo nas minhas andanças por aí assisti uma batalha campal
liderada por elas, as belas formigas, que com seus galhos e folhas se ajudaram
Carregando a velha rainha, rumo ao formigueiro
mais uma vez, antes que o assustador besouro-golias pudesse lá chegar
Agora as pequenas operárias da natureza poderão
se reorganizar, articular seu exército e derrotá-lo
Elas são pequenas e o besouro é enorme, bem verdade
mas são muitas, e sua união as tornam Davi
Eu sou uma delas, enquanto penso no meu passado carcomido pelo tempo
e extasiado, ligo para o meu filho que não vejo há anos
Ainda podemos sonhar e fazer tudo diferente
reconectar, recuperar o tempo perdido e dar sentido ao que ainda temos
Planejo visitar o túmulo da minha ex-mulher para dizer isso
seus restos brutalizados estão há cinquenta anos em algum lugar da ponta da praia
Quem sabe os escafandristas algum dia os encontrem assim como o amor buarqueano
Mas ela, saúva como eu, está mais do que nunca comigo
Pronta para ver no horizonte o despontar da homérica e inadiável alvorada.






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