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BECO DOS POETAS Nº 164 — 22/10/2026

há 5 minutos
8 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.

DO QUASE-NADA QUE NINGUÉM REPARA


Ontem choveu um pouco, daquela chuva que não chega a molhar tudo. Senti o cheiro e parei. Não era o cheiro de campo que todo mundo descreve nos livros. Era o cheiro do asfalto quente da rua onde eu morava, a água batendo no cimento esquentado pelo sol e levantando uma coisa que não tem como nomear, só endereço da Rua Pedro Alexandrino, 172. Fiquei ali um tempo, no meio da calçada, e ninguém em volta notou que eu aspirava o cheiro de asfalto quente e molhado. Não sei se ninguém sentiu esse cheiro ou se todo mundo já sentiu tantas vezes que deixou de reparar.


Tem tanta coisa assim que eu não reparo mais. O barulho da geladeira quando desliga. A hora em que a luz da tarde muda de cor no poste. O jeito de alguém atravessar a rua olhando para os lados. Deve ter gente reparando nisso agora, em algum lugar, mas é gente de dez anos de idade.


Porque criança repara em tudo. Eu reparava, meus irmãos reparavam, minha mãe Mercedes e meu avô Otércio me parecia que também, cada um do seu jeito. A gente queria aprender o mundo, e o mundo vinha em pedaços pequenos: uma formiga carregando folha, o som de um portão, a cor do pão quando saía do forno. Hoje a gente só repara quando dá problema. Quando o portão range, quando o pão queima.


Na casa onde morei em Jundiaí, tinha uma escada enorme, quase vinte degraus. Eu contava todos, subindo e descendo, e sabia de cor. Hoje não lembro. Vinte? Dezoito? Vinte e dois? Subi aquela escada milhares de vezes e esqueci o número, o que é uma forma curiosa de perder uma coisa que a gente tinha na ponta da língua.


A parede de divisa com o vizinho ladeava a escada, e nela subiam umas trepadeiras. Nas trepadeiras apareciam lagartas, e as lagartas faziam casulos. Eu ficava ali, um pouco a cada dia, olhando. Não lembro de ninguém me mandando olhar. Via o casulo parado, via o casulo diferente, e um dia via a borboleta. Era laranja e preta. Monarca, acho. O nome me lembra “Sob a Redoma”, do Stephen King, e já não sei se me lembro da borboleta da escada ou das vezes que li esse livro sob o sol da tarde. Passei décadas sem procurar saber.


Não sei quando parei de olhar uma coisa por vários dias seguidos. Nenhum dia marcou isso. Foi uma dessas coisas que a gente deixa de fazer sem avisar nem a si mesmo.


Agorinha de tarde, esperando o elevador, reparei que o botão tem uma luz fraquinha que acende quando a gente aperta. Fiquei olhando um tempo. O elevador chegou e eu quase não entrei.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

O AMOR... É VIDA!


O amor é extraordinário.

O amor é o abraço que poetiza e floresce.

O amor é a fragrância exclusiva dos corações apaixonados.

Amor é também cumplicidade.

Amor é um sentimento eternal.

Amor é uma feliz emoção.

É uma frase perfeita, um sorriso cativante, um olhar com brilhos.

O amor é o caminho.

O amor é nobre.

O amor é oceânico.

Amor...

Um grande amor...

É vida...


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

GRATIDÃO POR MAIS UM DIA VENCIDO


Um dia me perguntei como seria o meu

Rei Jesus, e hoje a pergunta é a poesia

É o assunto dessa segunda-feira Ensolarada que o Criador nos

Proporcionou pela sua bondade

Neste lugar onde habita

O Espírito Santo.


Hoje é dia de poesia e de alegria neste

Lugar que tanto edifica a minha vida

Através da poesia, aqui eu sinto

Que encontrei uma nova, tenho

Uma família, por isso estou 

Feliz e sei que com Cristo

Jesus, vou conquistar 

O extraordinário. 




AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

ENTRE O VENTO E O MAR


Sem notícias,

o mar infinito

e tão distante.

Não há navio à vista,

nem a gaivota

que costuma aparecer

por aqui.

Então, parece

que a gaivota está no

convés do navio,

que avança devagar,

dançando pelas águas

revoltas do mar.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

CRIAÇÃO DE DEUS


A criação de Deus geme e grita.

A beleza da natureza não está sendo suficiente para protegê-la.

A silhueta rendada da serra

As nuvens de algodão

Os raios de sol sobre a terra

O som do riacho

O coaxar do sapo

A sinfonia dos grilos

Tudo ecoa na imensidão.

Precisamos ter olhos para ver

Ouvidos para ouvir

Os barulhinhos do silêncio

Coração para sentir

A mudança de estação.

As flores vêm com a primavera

Embelezar a vida e a morte.

Depois de um rigoroso inverno

Vem o verão.

A chegada do outono repleto de frutas

Vêm nos lembrar da riqueza da plantação.

A beleza do mundo

Atrai e cativa a alma

De quem sabe apreciar

E enxergar Deus na criação.

Faz bem para o corpo e a alma

Ter um lugar bonito

Para viver nesse mundo

Onde somos peregrinos

De passagem para o infinito!


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

AMOR É JARDIM.


Mudando um pouquinho de versos para prosa, uma coisa que aprendi em toda minha vida, com toda experiência amarga nos últimos 44 anos.


O amor entre um homem e uma mulher é como um jardim que, às vezes, nós regamos demais as plantas e as encharcamos; suas raízes tornam-se fracas e, quando deixamos de regá-las, tornam-se secas, sem vida, murchas, e morre todo o jardim.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

SAUDADES BOAS


Saudade boa de um tempo que não volta mais.

Saudade de sentar na porta à noite e jogar conversa fora.

Reunir a família no almoço de domingo.

Dos banhos na lagoa, açude ou riacho.


Saudade do cheiro de café coado na hora.

Da rede armada na varanda no fim da tarde.

Do bolo de arroz repartido ainda quentinho.

Do rádio sintonizado na rádio nacional no finalzinho de tarde.


Saudade de brincar na rua até anoitecer.

De contar estrelas no céu, ouvir e inventar histórias.

De carta escrita à mão, com letra caprichada, selada e remetida via correios.

De visita sem avisar, que entrava e já era da casa.


Saudade do quintal varrido e molhado.

Do beija-flor que vinha todo dia, na mesma hora.

Do respeito pelos mais velhos.

Do "bença, mãe!", "bença, pai!" "bença, vô!"  e do "bença, vó!"


Saudade do tempo em que a gente tinha pouco,

mas tinha tudo.

“Do pouco com Deus é muito

do muito sem Deus é nada.”

Tempo em que a gente era feliz e não sabia.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

CHUVA, UM SONHO


Pele queimando,

Que calor abrasador!

A chuva, um sonho.









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