BECO DOS POETAS Nº 163 — 15/10/2026
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.
O COMENTÁRIO QUE NINGUÉM LÊ
Abri esta semana um arquivo MS Access do tempo do início dos anos 2000 e achei, no meio de uma função, um comentário meu: “não mexer, senão quebra o relatório do fechamento de caixa”. Sem data, sem mais detalhes. Reconheci a mão, porque escrevo comentário assim, em minúsculas e com pressa. Procurei o relatório do fechamento de caixa e não achei. Mexi na linha mesmo assim, só para ver, e não quebrou nada que eu tenha percebido. Desfiz a alteração e deixei o aviso onde estava. Se eu mesmo avisei, algum motivo existia.
Tenho mais de trinta anos de programação e uma infinidade de códigos comentados dessa maneira. “Gambiarra, arrumar depois.” Depois de quê? “Provisório.” Tem um provisório que fez dezenove anos. “Ver com o cliente se isso ainda vale.” Nunca vi, e o cliente, dr. Arymar, se me lembro bem, desencarnou em 2021.
O pior são os comentários que explicam o que o código já diz. Em cima de uma soma, “soma os dois valores”. Nenhuma palavra sobre por que o segundo valor às vezes vem negativo, que era a única coisa que eu precisaria saber hoje. Na hora achei óbvio, e o óbvio é o que a gente nunca anota.
Escrevo esses recados para um homem que imagino mais calmo e mais esperto do que eu, e que vai entender de primeira. Quem abre o arquivo sou eu, sem lembrar de nada, e quase nunca estou calmo. Já fui à procura de um culpado por uma lógica absurda e dei com o nome do autor no controle de versão. Era o meu, com data de três anos atrás. Fiquei um tempo olhando, meio ofendido, como quem encontra a própria letra num bilhete que não escreveu.
A Mônica deixa recado na porta da geladeira. “Descongelar.” Descongelar o quê? Abro o freezer e fico lá, olhando as marmitas sem etiqueta, e ela diz que está escrito, que era só ler. Estava escrito, e eu li. Faltou o que ela tinha na cabeça quando escreveu.
Passei este ano mostrando onde ficam as coisas para o Ximenes, o Arthur e o Juninho. Explicava apontando para a tela, e eles anotavam. Nunca perguntei o que anotaram, nem se vão entender daqui a seis meses o que anotaram hoje. Sei que a gente entende na hora e esquece rápido, e que quem lê depois só tem as palavras.
Hoje, numa função que migrei, escrevi um comentário novo, e dessa vez foi uma frase inteira, com o motivo: “só vale para o cliente de Bauru, que ainda usa o menu antigo”. Li de novo e ficou bem claro. Daqui a um ano não vou saber de que cliente de Bauru eu estava falando ou vou, sei lá.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
LAMPEJOS DE VERSOS
Versos misturados com flores, meus olhos a lampejar. É tempo de continuar a amar. Eu sonorizarei o amor docemente e, entre duas flores, nossas vozes escutarei. Cristalizando sonhos de amor, guardando em mim o infinito presente, amando o amor guardadinho em nós dois, ardente como o sol acordando, como eu, com ânsias de te amar.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
CHOKITO
O sol se põe e de longe, ouço o grito da minha
avó Maria me chamando para entrar, tomar banho
e fazer a minha lição, na cozinha, o barulho da
panela de pressão, que chia, anuncia o cheiro
do feijão gordo que exala pela casa, enquanto
isso vou para o banho e ao terminar, após
vovó Maria ralha muito comigo; sento à
mesa para fazer a minha lição, mas fico
de olho em vovó, que lava o arroz
enquanto se distrai com a novela
das seis, logo termino a lição e
começo a olhar e admirar cada
gesto de vovó, que se desdobra
para cuidar de dois netos, eu e
o Adriano, claro além disso,
ela tem os afazeres da casa.
Enfim, já passa das 19h e a minha mãe está prestes
a chegar, por isso, eu e o meu primo ficávamos
ansiosos e atentos ao barulho no portão para
ver qual mãe chega primeiro e quando
escutávamos o barulho do portão,
saíamos correndo para ver, mas
logo eu me deparava com uma
das minhas tias e voltava frustrado,
até que alguém novamente mexia
no portão e ao olhar, me deparava
com a minha mãe e para os seus
braços, eu corria, cansada, ela me
abraçava, me beijava e logo
tirava da sua bolsa um chocolate
Chokito que era o meu doce preferido…
Ah, que saudades da minha “Nhenhá”.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
UM VESTIDO FLORIDO
Um forró,
se arruma,
tenta sair,
mas a poesia chama pelo braço:
Não sai.
Faz poesia.
E ainda pergunta:
Onde você comprou
esse vestido
com flores amarelas?

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
CORAÇÃO DE ESTUDANTE
Ser professor é ser um eterno estudante
Lendo e escrevendo
Ouvindo música, cantando
Contando histórias
Sendo curioso
Despertando a criança que há dentro de si
Poetizando sempre, pois a vida é bela
As flores são lindas no jardim!
Ser professor é se cuidar e cuidar do outro.
É se parabenizar e parabenizar o outro.
É ter comunhão com gente
É gostar de gente!
Cada um sabe o que passou para chegar onde chegou.
A educação com seus professores
É como uma bússola
Ela direciona para um caminho de transformação.
É preciso ser plural para ser professor
Todavia, cada professor é único
Cada aluno é singular.
Professores
Heróis de resistência nesse mundo
Formadores de todas as profissões
Vocês não estão sós
São revoadas, são bandos
Sempre com coração de estudantes
Unidos em prol de um objetivo comum
Em um voo de renovação e superação
Migrando de coração para coração.

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
MATURIDADE
Cheguei a um ponto de maturidade na vida, em que, às vezes, o silêncio é a direção a ser tomada na vida.
O silêncio torna-se respostas e palavras ditas não fazem sentido.
O silêncio, muitas vezes, é a resposta que diz tudo e muitas vezes, por mais que digamos tudo, o vazio não diz nada.
Aprendi, mais uma vez, que não adianta pintar uma bela obra no teto, se ninguém olha para cima.
Não adianta oferecer um céu estrelado, um universo, se as pessoas se preocupam com as nuvens.
E novamente, vou do céu ao inferno bem mais rapidamente do que um dia eu sonhei que estaria entre os anjos.

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
SER PROFESSORA É...
Ser professora é ser colo que acolhe. Ser médica que cura com palavra. Ser psicóloga que escuta sem contar o tempo. Ser artista que transforma a lousa em significado. Ser escritora da história de cada aluno. Ser sementeira do presente e do futuro.
Ser professora é...
Estar de pé, mesmo cansada. Estar sorrindo, mesmo preocupada. Estar acordada de madrugada, planejando a aula do dia seguinte. Estar atenta a quem ainda não aprendeu. Estar presente, mesmo quando ninguém percebe.
Ser professora é...
Ficar até mais tarde, corrigindo provas, trabalhos e atividades. Ficar feliz ao ouvir: “Tia, consegui ler!” Ficar com o coração apertado quando um aluno falta. Ficar se perguntando se fez o suficiente. Ficar guardando cada rabisco, cada cartinha, cada desenho. E, sem perceber, ficar marcada para sempre na vida de alguém.
Ser professora é tudo isso e muito mais!
É ser ponte, caminho, estrada... É ser luz quando o mundo lá fora está escuro. É acreditar quando tudo parece difícil. É não desistir de ninguém. É segurar na mão, oferecer esperança e conduzir pelo caminho do bem.
Ser professora é plantar sonhos, cultivar saberes, despertar talentos e acreditar que cada criança, cada jovem, cada estudante carrega dentro de si a possibilidade de transformar o mundo.
É compreender que ensinar vai muito além de transmitir conhecimentos: é tocar corações, formar consciências e ajudar a construir futuros.
Ser professora é...
Missão. Amor. Paciência. Resistência.
É doação, coragem e esperança. É semear hoje, mesmo sem saber quando virão os frutos.
Porque ser professora é deixar um pouco de si em cada aluno e descobrir, ao longo da caminhada, que também levamos um pouco de cada um deles dentro de nós.
Ser professora é fazer da educação um ato diário de amor e da própria vida uma eterna lição de humanidade!
Feliz e abençoado dia!

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
CALOR NA PRINCESA DO SERTÃO
O calor é gigante Na Princesa do Sertão, Na pele, a ardência, Provocando insolação.
Banhos não adiantam, A água é quente demais, Nem refresca o corpo Esse sol tão voraz!
A barriga chega a doer De tanta água beber, Mas não há saciedade, Nem a sede quer ceder!
O ar-condicionado não esfria E duplica o valor da energia. O corpo derrete, escorre suor... Meu Deus, que agonia!
Tomara que Deus mande chuva Para o nosso Maranhão, Que refresque nossa vida E traga alívio à população!

AUTOR Walter Berg
WALTER BERG, pseudônimo de Valter Alves da Silva, poeta contemporâneo, professor de Língua Portuguesa, Licenciado em Letras Português e Literatura pela Universidade Estadual do Maranhão-UEMA, especialista em Gestão, Supervisão e Coordenação escolar pela FAVENI, tem participação em várias antologias nacionais.
PASSARINHO
Passou na minha vida um passarinho.
Cantou, cantou.
Marcou a minha vida, um passarinho.
Não foi a pombinha fogo pagô.
Foi a tia Cicinha,
Foi a professora Ires Melo.
E tantos passarinhos que não passaram.
Esses, me fizeram ser o professor que sou.
Sou um Ferreira que canta para o beija-flor.






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