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REFLEXÕES Nº 235 — 25/10/2026

há 12 minutos
17 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


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Imagem criada com IA

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.

A COXINHA DO NILSON


Meu amigo Nilson, dono da livraria Papirus, em Botucatu, botou uma vez no Facebook uma pergunta que parecia inofensiva: qual é o lado certo de comer uma coxinha, pelo bico ou pela parte gorda? Em pouco tempo tinha gente brigando, e gente defendendo o seu lado com uma convicção que eu só tinha visto em torcida de futebol. A discussão rendeu dias. Eu li tudo e não escrevi nada. Só ri.


Hoje moro em Sorocaba, e aqui sou um estranho. O pão que compro numa padaria daqui é tão bom quanto o de Botucatu, e confesso que me custou admitir isso. Só que ninguém pergunta se vai ser o de sempre. Pedem para eu repetir o que quero, me chamam de senhor, e eu pago e saio com a sacola como quem faz compra em lugar de passagem.


Sorocaba tem uma padaria famosa, a Padaria Real, e a fama dela é a coxinha. Fiquei uns dias sem ir. Não sei dizer por quê.


Quarta-feira, voltando do trabalho, parei. Pedi uma coxinha e comi em pé, perto do balcão. É boa. É uma coxinha boa, dessas que a gente reconhece de primeira, e nada que eu já não tenha provado.


Na segunda mordida lembrei do Nilson. Lembrei da polêmica inteira, daquela gente defendendo o lado da coxinha, e comecei a rir. Sozinho, com a boca cheia, no meio da padaria. Um homem ao lado olhou. A moça do caixa olhou. Ninguém ali sabia de livraria nenhuma, nem de Facebook, nem de Botucatu, e eu não tinha como explicar. Continuei rindo e comendo.


Só na terceira mordida reparei de que lado eu estava comendo. Não vou dizer qual.


Depois da risada veio a saudade, de repente. Dos dias de trabalho de antes, da Rua Curuzu por onde passei a vida inteira, do meu apartamento.


Pensei no meu avô Otércio e no meu avô Antônio. Eles imigraram da Itália no início do século passado, fugindo da miséria e das guerras que assolavam a Europa. Imagino que também se sentiram assim, perdidos numa terra nova, cheios de esperança e com saudade da terra natal. Eu só mudei de cidade e já me sinto assim.


A minha amiga Sara me contou que está passando por isso agora. Nós dois escrevemos há pouco um livro, “O vazio que me habita”, em que descrevemos esse sentimento e damos dicas para ele não virar o centro da vida e ficar só como uma fase. Hoje experimento exatamente o que escrevemos, e sei que vai passar. A Sara também, que perdeu o pai e vai se recuperar.


A coxinha esfriou um pouco na minha mão. Depois, comi até o fim.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

A ARTE DE SER AMÁVEL


O que a maioria de nossa cultura considera ser amável é, essencialmente, uma mistura de ser popular e possuir atração física, um rosto bonito.


Sendo amáveis, nos tornamos agradáveis para aquelas pessoas que vibram de uma forma parecida com a gente, e isso é que é o importante… Ser amável é maravilhoso.


Ser amável é ser tolerante, atencioso e empático consigo mesmo e com os outros. 


Por que é tão difícil ser amável?


Talvez porque não paramos para refletir sobre a importância disso. Estamos mais focados no sucesso, riqueza ou status quando, na realidade, são esses fios que tecem as relações humanas que têm o maior impacto positivo em nossas vidas.


Pessoas amáveis são tranquilas e calmas, gentis e humildes, simples; elas sentem uma grande empatia pelos sentimentos dos outros e estão dispostas a ajudar e fazer com que as pessoas ao seu redor se sintam confortáveis.


Um olhar compreensivo, uma palavra de conforto ou um sorriso conhecedor são capazes de iluminar o dia cinzento de outra pessoa. Portanto, a amabilidade é um bálsamo para o coração.


Sentir junto, sentir o outro.


A amabilidade abre o fluxo da vida.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

VENDAVAL


Na estrada da vida fiz muitas escolhas erradas

E fui buscar refúgio em um mundo que só

Oferece ilusão e, nele, eu me deparei com

Com as drogas e com a adicção que entrou

Na minha vida, como um vendaval, sou movido

Pela soberba e pela vaidade, me tornei

Um homem vazio e cheio de razão

Que terceirizava a sua responsabilidade

E se afundava no poço da perdição. 



E, sob o jugo da escravidão, o vento forte

Engoliu-me e transformou-me em um

Farrapo de homem que estava preso

Na escuridão entre a sombra e a

Morte, uma pedra no cachimbo

Para acalmar a alma que está

Dessecando o corpo que já

Não corresponde, perambula. 



Mas Jesus trouxe o vento leve e me alcançou

Me resgatando dessa vida de miséria que

Eu vivia, e agora aquele furacão cessou

E sinto a paz do Cristo vivo soprando

No meu coração, que pertence a Deus

Que me fez discípulo e agora sou

Um homem de fé e fervendo de

Amor por Jesus, estou pronto

Para viver o meu propósito.


AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

O QUE UM PEQUENO IMPREVISTO REVELA SOBRE NÓS


Às vezes, uma situação corriqueira revela muito mais sobre o comportamento humano do que longas conversas sobre empatia, respeito e inteligência emocional.


Imagine um salão de beleza em que duas pessoas chegam para o mesmo horário, porque houve um erro na agenda. O que poderia ser apenas uma falha de organização transforma-se num exercício de convivência: como encontrar uma solução sem desconsiderar nenhuma das pessoas envolvidas?


É nesse momento que a consciência sistêmica se manifesta.


Olhar sistemicamente significa compreender que nossas ações não acontecem isoladamente. Cada decisão afeta outras pessoas, modifica relações e produz consequências que vão além do problema imediato. Por isso, diante de um erro, não basta perguntar quem falhou. É preciso compreender o contexto, reconhecer os envolvidos e buscar uma solução que considere o conjunto.


Uma pessoa pode reagir com irritação, outra com compreensão. Quem cometeu o erro pode se defender ou assumir a responsabilidade. Não são apenas reações individuais: são expressões de como cada um lida com a frustração, com a responsabilidade e com o lugar que acredita ocupar nas relações.


A maturidade está em perceber que resolver um problema não exige constranger alguém. É possível reconhecer uma falha, estabelecer limites e reorganizar as coisas sem transformar uma situação desconfortável numa disputa de poder.


Consciência sistêmica é entender que, ao cuidar de uma situação, também precisamos considerar as pessoas que fazem parte dela.


No fim, não são os imprevistos que revelam tudo sobre nós, mas a maneira como escolhemos lidar com eles. Porque, quando deixamos de olhar apenas para o nosso lado e passamos a enxergar o sistema inteiro, percebemos que uma boa solução não é simplesmente aquela que resolve o problema, mas aquela que preserva a dignidade de quem foi afetado.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

SINAIS


Às vezes, a gente sente e escuta a intuição.

Outras vezes, a gente sente, mas não escuta.

Talvez seja só isso: aprender a confiar um pouquinho mais no que o coração diz.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

ENTRE IDAS E VINDAS!


A vida está passando e nada acontece na vida da mocinha!


Ela acha que nunca vai encontrar um amor para chamar de seu.


É sempre assim: do trabalho para casa, de casa para o trabalho.


Mas é de repente que acontece! Assim diz o ditado!


E um dia, ela foi chamada para um novo trabalho. Foi o primeiro dia, trabalhou, gostou.


Na volta, se dirigiu ao motorista do ônibus para buscar informações sobre os horários de todos os dias.


Dali nasceu uma amizade, depois um interesse maior e eles começaram a namorar.


A mocinha não sabia que viveria momentos tensos!


O rapaz foi em sua casa, conversou com sua família, pediu autorização para o namoro. Depois foi à igreja da moça, conversou com o pastor.


Tudo seguia muito rápido! O rapaz tinha pressa! Quis ficar noivo! E assim se fez! Ficaram noivos em cima da passarela em um dia em que vinha do trabalho.


E ela pensava em como o amor crescia!


Dali veio o pedido de casamento. Pensaram na data, a mocinha fazia planos, fazia o enxoval. Chegou o dia que ele a chamou para irem comprar os móveis, pois ele já havia comprado a casa. Com euforia, compraram os itens da cozinha na cor azul, a cor da moda da época, cama com criados mudos do lado, penteadeira com banqueta, etc.


Passado uns meses, a mocinha questiona se o noivo não vai colocar os papéis para correr. E fala nos documentos.


Daí ele a convida para um passeio.


Ela vai passear, será bom para combinar as coisas do casamento.


Chegando lá, entre beijos, abraços e juras de amor, o rapaz diz que o casamento terá que demorar um pouquinho. Ela questiona o porquê. E ele, muito sem graça, diz que é casado oficialmente, que está separado, que tem um casal de filhos.


A mocinha sentiu o chão se abrir sob seus pés! A mente irrompe em perguntas! Como é que pode? Você se apresentou aos meus pais, ao meu pastor, nós ficamos noivos, compramos casa, compramos móveis, gritava ela, sem entender!


Ele gritava: eu ia te falar, mas não tinha coragem! Eu estava esperando o momento certo.


E você acha que existe momento certo? Você me enganou! Isso não se faz!


Ele gritava que a amava, que merecia ser feliz, que pelo fato de ser casado, não queria dizer que eles não poderiam ser felizes juntos, etc.


Ela não aceitou, rompeu o namoro, chegou em casa, contou tudo aos pais. Que confusão! Que falatório!


Passado uns dias, o rapaz voltou à casa da moça, não aceitava o fim do namoro, insistia, implorava, chorava. Ela se rendeu aos apelos e voltou a namorá-lo. Mas ela não se conformava, pensava na mentira, no engano, e terminava novamente. Essas idas e vindas se deram por quatro vezes. A esta altura dos acontecimentos, a mocinha chorava, tremia, emagrecia. A família estava em polvorosa, falando o tempo todo, de maneira que todos estavam muito nervosos.


Até que o rapaz, em sua insistência, disse que iria se suicidar.


A mocinha pirou de vez! Meu Deus, alguém morrer por causa dela? Ela ser culpada pela morte de alguém? E lembrou que já havia um caso de suicídio na família dele e temeu mais ainda!


Foi a gota d’água! Ele insistiu mais um pouco e ela voltou ao namoro, no que ele deu um ultimato: você vai viver comigo agora! E chamou um táxi que vinha, a colocou dentro do carro e só parou em frente à casa dela. Chegando lá, falou com a família dela que o fato dele ser casado não iriam impedir de fazê-la feliz. Pediu as coisas dela, começaram a carregar o enxoval e foram embora.


A família ficou boquiaberta!


Na nova residência, a mocinha se fez mulher, dona de casa, rainha do lar, com responsabilidades do dia a dia.


O casamento se deu sete anos depois, pois ainda não existia o divórcio no Brasil.


E lá se vão 42 anos de casamento, com quatro filhos e oito netos! Atualmente, ele é aposentado como motorista de ônibus, e ela aposentada como professora.


Essa história se deu entre as idas e vindas não somente do trabalho, mas da vida, superando todos os desafios do meio do caminho.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

TEM DIAS


Tem dias,

Que a vida me isola,

Coloca-me num canto,

E passo o dia te observar.


Seja na penumbra da madrugada,

Na calada da alvorada,

Junto com minhas lágrimas,

Fico a te admirar... 


Talvez você não compreenda,

Mas, para poder amar e te sentir,

Meu silêncio faz meu amor fluir.


Minhas palavras nada mais são,

Que os clamores do coração,

Querendo toda noite te amar.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

OPÇÕES


Sou a favor de termos cada vez mais opções quando se trata de transações financeiras, especialmente na hora de escolher como efetuar nossos pagamentos. Afinal, podemos pagar em dinheiro, via Pix, cartão, transferência bancária e por outros meios. O importante é termos liberdade para escolher a forma que melhor nos convém.


Diante de tantas possibilidades, fico pensando: por que ainda precisamos deixar o troco no comércio ou aceitar balinhas, bombons, xuxinhas de cabelo e serrinhas de unha, como substitutos de pequenas quantias em dinheiro?


Os tempos mudaram, a tecnologia avançou e as formas de pagamento se modernizaram. Hoje, com poucos toques na tela do celular, podemos transferir até mesmo alguns centavos. Por isso, parece razoável que o troco seja devolvido em dinheiro ou por outro meio de pagamento, quando possível e aceito pelas partes.


Afinal, se temos tantas opções para pagar, por que não ampliar também as possibilidades de receber o nosso troco?


Mais do que uma questão de praticidade, essa é uma reflexão sobre respeito, educação financeira e valorização do dinheiro. Pode parecer pouco, mas cada centavo tem seu valor. O que é insignificante para uns pode fazer diferença para outros.


No fim das contas, não se trata do valor do troco, mas do respeito ao direito de cada pessoa de receber exatamente aquilo que lhe pertence.


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

A CURVA SEMÂNTICA DAS ESTRADAS HUMANAS


Vinha caminhando por estreitas ruas e sinuosas curvas. A paisagem se parecia muito com aquela estrada que a gente ouviu na música de Roberto Carlos, "As Curvas da Estrada de Santos", ou com os caminhos do interior de Minas Gerais. A música é bem sugestiva, afinal, a letra começa com a pergunta: “Se você quiser saber quem eu sou, eu posso te dizer: entre no meu carro, na estrada de Santos, e você vai me conhecer”.


É uma belíssima canção, que me faz pensar sobre o que a maioria das pessoas não sabe sobre mim — e o que não sabem, inclusive, umas sobre as outras. Quando frases são ditas sem um contexto claro, seja por falta de expressão minha ou por desconhecimento de quem me ouve, fica difícil se conectar. Diante de tantas pessoas que já têm suas atribuições de família e trabalho, imagino que, às vezes, uma simples conversa pode ser igual a trafegar por estradas belas, tortuosas ou até perigosas.


Às vezes, o humor de cada um pode ser o estopim que instiga no outro uma reação inesperada. Já imaginou como seria conhecer alguém que se equivale à estrada de Santos? Uma pessoa cheia de desvios acentuados e curvas, mas que, no final, tem as mais belas e deslumbrantes formas de apreciar e demonstrar ideias. Imagine estar chegando à praia e observar o mar ao longe: aquela paisagem linda e a brisa refrescante que chega primeiro aos olhos. Existem pessoas que são exatamente assim.


Afinal, divagar sobre aspectos semânticos conotativos é muito interessante. Se você já viajou pelas estradas da Zona da Mata mineira, meu amigo, sabe que é tanta curva que a gente chega a descobrir o que é ter labirintite sem querer. Mas relaxo, pois certas estradas são como pessoas que é melhor evitar a proximidade, já que somente alguns sabem como lidar. Falo de pessoas do famoso "gênio forte" — e me coloco como uma delas.


Temos opiniões e visões diferentes: eu, você, nossos vizinhos e, quem dera, um país inteiro. Cada um tem uma receita mágica, uma opinião posta e a escalação ideal da Seleção Brasileira de futebol. O que mais me estimula a indagar é: se eu estivesse na direção de um veículo, sem saber como guiar o carro em uma estrada tão sinuosa, que requer a devida atenção em cada manobra, eu me sairia bem?


Pois é. Fico aqui pensando nas vezes em que expus minhas opiniões, firmemente baseadas em minhas experiências de vida, sem temer errar, mas me limitando a opinar bem tranquilo no sofá de casa. Principalmente em relação à Seleção Brasileira. Afinal, quando o Brasil foi desclassificado na Copa, não fui eu quem teve que me explicar perante a nação.


Acho que, no fundo, quando uma situação está se dirigindo naturalmente para um desfecho, pode ser o melhor momento de ficar quieto. Sem desrespeitar minha própria opinião, mas sendo coerente com a decisão que escolhi tomar. Se eu não consigo interagir com uma pessoa de gênio forte que não me dá brecha para opinar, melhor guardar minha opinião para mim. Decidi descer pela estrada de Santos, torcendo e orando para que o motorista acerte precisamente nas suas manobras. Que ele nos leve até a praia em segurança, a tempo de curtir e se maravilhar com o pôr do sol, antes que anoiteça, as curvas fiquem escuras e eu não possa mais vislumbrar a cor do horizonte com clareza.


Universo do Tio Dudú


AUTOR Arléte Creazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

VAMOS FALAR DE POLÍTICA?


Calma! Não precisa torcer o nariz, mudar de página ou sair da sala. Não vou falar de candidatos, partidos, eleições ou promessas feitas e não cumpridas. Quero falar de uma política mais perto de nós: a política do dia a dia.


Aquela política da boa vizinhança, que nos permite conversar com alguém que está no elevador conosco, sem ficarmos prestando atenção a cada andar que passa ou fingindo estar olhando para o celular.


Tem também a política do trânsito, quando paramos para um pedestre ou damos passagem a um carro que tenta entrar na rua ou sair de uma vaga de estacionamento.


A política que nos lembra de recolher o cocô do nosso cachorro na rua, que nos faz jogar o papel do sorvete no lixo e devolver a bandeja ao seu devido lugar na área de refeições de um shopping.


A política que nos permite aceitar uma opinião diferente da nossa, sem julgamentos ou ofensas.


Estou falando da política da boa educação, que deveria ser ensinada em casa e cobrada nas escolas.


Mas como cobrar das crianças algo que nem mesmo os pais possuem?


Percebemos logo na entrada das crianças na escola a presença de pais folgados, que param seus carros no meio da rua para que seus filhos desçam (e não rapidamente!) e entrem na escola, enquanto se forma uma fila de carros atrás deles.


Tudo porque o infeliz se acha dono do mundo, acredita estar sempre certo e tem preguiça (ou não sabe como) de estacionar corretamente.


O grande problema é que queremos direitos, mas não os deveres. Queremos ser ouvidos, mas não esperamos o outro terminar de falar. Queremos entrar em um elevador sem esperar que as pessoas que estão dentro saiam. Exigimos respeito, mas estamos sempre julgando o próximo.


A mudança começa com pequenas atitudes. E o melhor de tudo: não precisamos aguardar a aprovação de um projeto de lei para colocá-las em prática.


Portanto, gostaria de propor uma nova política: sem santinhos, sem campanhas e sem promessas impossíveis. Uma política em que cada um faça a sua parte, fiscalize primeiro as próprias atitudes e vote diariamente na gentileza.


Este mandato será vitalício!


E então, vamos falar de política? Porque, se cada um governar as próprias atitudes, poderemos transformar o mundo sem a necessidade de trocarmos de vereadores, prefeito ou presidente.


Basta trocar o egoísmo pela solidariedade, o orgulho pela empatia e a grosseria pela educação.


Afinal, a melhor política é aquela que faz bem a todos, sem precisar deixar ninguém para trás.









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