REFLEXÕES Nº 229 — 13/09/2026
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.
A HUMANIDADE ESTÁ PERDENDO O ÚLTIMO MINUTO INÚTIL
A minha vida sempre foi recheada de esperas. Esperava o ônibus. Esperava alguém atender ao telefone. Esperava o elevador chegar no 7º andar do Computer Center, lá em Jundiaí, onde eu dava aula. Esperava minha mãe fazer o almoço, sem pressa nenhuma, como quem cozinha achando que o tempo é infinito.
Nesses pequenos vazios, eu olhava para algum lugar. Pensava bobagens. Inventava coisas. Era o meu momento de filosofar, sem saber que estava filosofando.
Hoje, qualquer intervalo de quinze segundos é imediatamente preenchido pelo celular.
A questão não seria simplesmente “usamos demais o celular” — isso todo mundo já sabe, todo mundo já ouviu, e ninguém muda por ouvir de novo. A pergunta que me interessa é outra: o que a humanidade produzia dentro dos minutos em que aparentemente não fazia nada? Porque talvez boa parte de nós — do que somos, do que pensamos, do que sonhamos ser — tenha nascido justamente ali, no vazio, não na ocupação.
A modernidade pode estar exterminando uma espécie de território mental: o intervalo. Não o lazer organizado, não a viagem planejada, não o hobby com nome e horário marcado. Falo do intervalo puro, sem função nenhuma, esse tempo que antes a gente não sabia nem que estava vivendo, só vivia.
Era o meu momento de ócio — aquele em que eu observava as nuvens formarem coelhos, pássaros, cavalos, até um Cristo de braços abertos, uma vez, se não me falha a memória. No quintal de casa, sob o calor do sol, lia meus autores favoritos: Ray Bradbury, Stephen King, Luis Fernando Veríssimo. E até formava opinião sobre eles, sozinho, sem ninguém para concordar ou discordar — coisa que hoje é quase impossível, porque toda ideia nova já nasce buscando validação em forma de curtida.
E os momentos em que eu queimava formigas com uma lente de aumento? Comecei testando numa folha de papel — o fascínio de ver o papel escurecer, fumegar, até pegar fogo de verdade. Depois passei para folhas de planta, e por fim para as formigas saúvas, aquelas grandonas, de ferrão que doía pra cacete. Não era crueldade consciente, era ciência de quintal, era física aplicada ao tédio. Um menino sozinho, um sol de meio-dia, uma lente e um exército de formigas — hoje aquilo seria vídeo de trinta segundos, feito para viralizar. Na época, era só eu e o silêncio, sem plateia nenhuma, sem necessidade de mostrar para ninguém que eu tinha feito aquilo.
Hoje envio mensagem no celular e fico olhando se a pessoa respondeu. Email? Nem uso mais — é tempo demais esperando resposta, e ninguém mais tem paciência para tempo demais. Se eu somasse todos os minutos que antes passava esperando — o ônibus, o telefone, o elevador, o almoço da minha mãe —, provavelmente chegaria a horas por dia. Horas que hoje o celular engoliu inteiras, sem deixar sobrar nada.
E aqui está o que mais me intriga: eu não estou dizendo que essas horas de espera eram produtivas. Elas não eram. Eu não estava “aproveitando o tempo”, não estava me desenvolvendo, não estava aprendendo nada que valesse lembrar. Estava, literalmente, sem fazer nada. E é exatamente por isso que hoje desconfio que aquele nada valia tanto. Porque a cabeça, sem tarefa, sem estímulo, sem notificação me chamando a atenção, vai para lugares que ela nunca vai enquanto está ocupada — nem que seja ocupada com bobagem.
O celular não roubou só o meu tempo livre. Roubou o tempo sem função — que é bem diferente. Tempo livre a gente ainda organiza, decide o que fazer com ele. Tempo sem função é o que sobra quando a gente nem decide nada, só existe ali, esperando o ônibus, esperando o telefone tocar, esperando a comida ficar pronta. E é justamente esse tempo, o mais inútil de todos, que eu acho que estamos perdendo primeiro — porque ninguém sente falta do que nunca aprendeu a valorizar.
Não sei se um dia vamos recuperar esse tipo de vazio, ou se ele vai virar coisa de gente da minha geração, contada como quem descreve hábito extinto — “antigamente, eu esperava...”. Meus netos provavelmente nunca vão saber o que é ficar cinco minutos olhando para o nada, sem culpa e sem pressa de preencher aquele nada com alguma coisa.
Talvez a humanidade não esteja perdendo tempo nenhum. Talvez esteja perdendo justamente o contrário: a coragem de não fazer nada.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
CRUZANDO DESERTOS-ENCONTRANDO OÁSIS
Essa reflexão é uma poderosa metáfora sobre a jornada da vida, a resiliência humana e os momentos de renovação. É acreditar na superação e na esperança, valorizando a nossa força e fé interior.
Pense no que você necessita e siga de cabeça erguida, queira semear vitórias, planeje sua jornada diária e se cuide.
Sem pressa e quietude, tudo pode acontecer para melhor.
O oásis não teria o mesmo valor sem a dureza do deserto.
A água é mais doce para quem tem sede real.
O deserto é um lugar de passagem, não de morada. Por mais difícil que seja a fase atual, ela vai passar.
Não há por que se desesperar.
Você vai chegar aonde precisa.
Pense no melhor, afinal, no mundo tem coisas adoráveis!

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
O MELHOR DA VIDA TE ESPERA
Em meio ao caos dentro dessa sociedade
Dispersos, nós vivemos em um ritmo alucinado
E sem se dar conta da nossa vulnerabilidade
O cenário atual nos deixa frustrado.
Sem olhar a nossa volta, seguimos na correria
E, ligados no automático, vivemos a era do ter
E sem recarregar a nossa bateria
Nós não pensamos no ser.
E movidos pela ganância
Não cuidamos da nossa saúde emocional
E, em vez de viver uma em abundância,
E ultrapassamos as barreiras daquilo que é moral.
E quando caímos na realidade
Diante do espelho, aquela vida de aparência
Revela que tudo termina em vaidade
E que toda escolha tem uma consequência.
E, movidos pelo poder, somos iludidos
E, vivendo no limite, vem a revelação
E pela mídia somos massacrados e abatidos
Vivemos entre a mentira e a contradição.
E muitos não aguentam essa pressão
Porque não enxergam nenhuma solução
E, diante deste estado profundo de depressão,
Temos que nos ajoelhar e seguir em oração.
E seja por Jesus Cristo renovado
E afaste-se deste lugar de solidão
E arrependa-se do seu pecado
E peça ao nosso Deus perdão.
E torne-se um homem solidário
E, dentro dessa atmosfera,
Comece a viver o extraordinário
Porque o melhor da vida te espera.

AUTOR Kenia Pauli
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
E SE A VIDA TIVESSE UM BOTÃO DE FECHAR?
Esta noite, sonhei que a vida era um jogo. Um sonho só com diversas informações.
Parecia que eu estava dentro de uma enorme tela de computador, eu e outras muitas pessoas. Estávamos lá dentro, tentando descobrir as regras de um jogo.
Havia pequenos “X” espalhados por todos os lados. Daqueles que a gebre clica em cima e apaga. Pois bem, como se fosse possível simplesmente clicar e apagar aquilo que já não deveria existir.
Eu estava procurando um deles. Já havia encontrado e acertado um anterior.
Mas não encontrava o seguinte, pois essa era uma das regras: clicar ali para apagar.
Então, tudo começou a desabar.
Foi aí que percebi uma coisa curiosa: enquanto todos corriam tentando escapar, eu procurava entender. Onde me esconder? O que fazer? Qual era a saída? Como recomeçar?
Talvez eu faça isso também quando estou acordada.
Talvez algumas pessoas tenham dificuldade em simplesmente deixar as coisas acontecerem. Precisam entender, prever, organizar, encontrar uma saída antes mesmo de saber se existe um problema.
Mas a verdade é que a vida não vem com manual de instruções.
Não existe um “X” para tudo.
Algumas coisas não podem ser apagadas. Outras precisam apenas passar.
E talvez amadurecer seja aprender a diferença entre aquilo que precisa ser resolvido e aquilo que, por enquanto, só precisa ser vivido.
Acredito que o segredo não seja descobrir todas as regras do jogo e, sim, aprender a jogar mesmo sem conhecê-las.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
BELEZA
Certa vez, li a frase de Vinícius de Moraes:
“Nada mais lindo que as feiurinhas da mulher amada”.
Fiquei pensando nisso por dias.
Vivemos em um tempo em que a beleza é perseguida como troféu. Ela está nas vitrines, nos filtros, nos cremes que prometem milagres, nas clínicas que apagam rugas ou cicatrizes, nos aparelhos que moldam o corpo, nas roupas de marca que dão status.
Mas o que é, afinal, beleza?
Será que ela desaparece à medida que os anos passam?
Já vi rostos perfeitos carregarem olhares vazios.
E já vi rostos marcados pelo tempo brilharem como se guardassem um segredo antigo.
A juventude encanta, é verdade. A pele lisa, o sorriso alinhado, a postura firme. Mas há uma beleza que não se compra nem se fabrica. Ela nasce da meiguice, cresce na sinceridade e floresce na graciosidade do caráter.
Essa beleza não depende do espelho, depende da alma.
A beleza exterior pode chamar atenção.
A interior constrói permanência.
Uma mulher pode usar o melhor creme, vestir a roupa mais cara, exibir a forma mais admirada, mas se não houver ternura no gesto, verdade na palavra e delicadeza no trato, algo sempre parecerá faltar.
Já a beleza interior…
Essa transborda!
Ela escapa pelos olhos, pelo sorriso, pela forma de ouvir, pelo jeito de tratar.
E o curioso é que o caminho inverso não acontece.
O exterior não consegue preencher o vazio do interior.
Com o tempo, compreendi: a beleza que dura é a que amadurece.
É aquela que as rugas não apagam; pelo contrário, revelam.
Talvez a verdadeira beleza seja essa:
Ser alguém cuja presença ilumina, independentemente da idade.
E como diz o ditado:
"Quem ama o feio, bonito lhe parece."
E isso explica as “feiurinhas” tidas como lindas por Vinícius, pois sugerem o encantamento provocado pelo amor.

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
DOIS AMORES
Sei como é,
Ter que viver a sombra de um amor,
Amar-te e não lhe ter,
Querer te abraçar e não poder...
Tentar viver,
Como a onça no pantanal,
Não para fazer algum mal,
Mas tentar sobreviver...
Sonhar e não lhe ter,
É como chegar às portas do paraíso,
E mesmo assim, não poder comparecer...
Então me resta orar para nosso momento chegar,
E finalmente, eu possa te amar
Ao menos uma única vez.

AUTOR Eduardo Grabovski
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
É BOM EVITAR A DOR DO ARREPENDIMENTO.
Um dia qualquer na vida de qualquer pessoa pode ser marcado por diversas nuances, vivências e observação de histórias alheias. Ouvi um conto que começou assim:
Lindolfo era um chefe rígido, implacável; não admitia erros e muito menos os dele mesmo. Um dia ele alterava o tom de voz, no outro sobrecarregava o setor com tarefas quase impossíveis de serem realizadas.
O incrível era a maneira como elas se realizavam, e a transtornada gestão de conflitos exercida por Lindolfo em sua função. Ele gostava de alimentar seu ego, utilizando pequenos erros de sua equipe e infiltrando picuinhas entre todos os outros setores. Ele se utilizava de certo despeito e criava historinhas e anedotas para fazer as pessoas rirem, mas, no fundo, era sua maneira mais profunda de distorcer a realidade de uma vida cheia de desafios, dor e fracassos.
Lindolfo, certa vez, fez-se de amigo e foi coletando as deficiências, medos e fraquezas de cada um de sua equipe. Até mesmo buscou sorrateiramente descobrir a deficiência física de um funcionário, o qual realizava sempre com perfeição toda tarefa, causando certo temor em Lindolfo. Mas saber a fraqueza do amiguinho do lado pode ser muito útil em um dia que não está muito bom, mesmo que seja para sentir a sensação de poder e domínio exercido sobre a pessoa como forma não de manipulação, mas de controle de ego.
Em certos momentos, Lindolfo ironizava as deficiências físicas do funcionário e se enaltecia por parecer uma pessoa no mínimo adequada; era sua forma de conectar.
Em um dia, tudo virou pesadelo não só para Lindolfo, mas para sua equipe, pois, de tanto manipular o ambiente, acabou fazendo todos perceberem que, no fundo, as atitudes de Lindolfo mereceriam atenção, zelo e afago.
Pois um dia, ele estava em sua sala e todos o ouviram ao telefone aos berros com sua filha mais velha, e o que ele falou impactou a todos de uma forma triste, porém esclarecedora.
Lindolfo havia gritado com a filha e dito que estava cansado de gastar dinheiro com ela. O que ele havia gastado com remédios daria para tomar cerveja por mais de um ano.
Sem perceber, ao desligar o telefone, ele percebeu o silêncio que imperava no departamento, e o ambiente que era sempre tenso, com clima de tensão, deu lugar a um breu silencioso, como se o ego houvesse entrado em colisão com um buraco negro que sugou o restante da luz que havia em Lindolfo.
Dias se passaram, Lindolfo ficou mais contido, entregava as tarefas e nada falava, parecia ser outra pessoa, mais calma, e era mais direto em suas atribuições; porém, ninguém falava com ele, pois, devido à excessiva e exagerada forma de lidar com a equipe, só o afastava e fazia com que ele fosse assunto de motivo de chacotas.
Em um final de mês, ele parou para pensar e refletiu por que sempre cutucava o rapaz que se divorciou, a moça que perdeu o filho, o rapaz com deficiência física e o ansioso que falava sempre sem parar e não se entendia nada do que ele dizia.
Lindolfo reuniu a equipe e, com lágrimas correndo aos olhos, pediu perdão por seu comportamento e informou que iria se retirar por uns dias para cuidar da filha, que estava já há um tempo sofrendo de lúpus, e, devido à maneira grossa e ríspida dele, acabou tendo que levar a menina para tratamento com psicólogo.
Para alguns, a frase foi bem-feita; para outros, a pena e tristeza eram vistas no olhar, mas para Lindolfo, só restou pedir desculpas e sair da sala de forma triste e sem brilho, e seguir para se reestruturar e cuidar da saúde física e mental de sua filha e família.
Nem sempre a vida imita a arte, mas devo confessar que parte da história eu vi e vivi pessoalmente, e atesto que a vida trará a repetição de ciclos. Será que a maneira como nos comportamos pode nos levar a vivenciar uma situação dolorosa como a de Lindolfo? Ou será que seremos como muitos que sofrem de abusos psicológicos ou assédios velados disfarçados de chacota?
Pensemos melhor em como nos posicionar diante de um episódio de assédio ou abuso, e digo que pode-se achar que existe um Lindolfo por aí, mas o Lindolfo da história que conto não está mais entre nós, e não foi por culpa de drogas ou alcoolismo, e sua filha vive hoje em dia o sabor da vitória ao controle da doença e busca sua felicidade, porém sem a presença do pai.
Existem muitas pessoas que precisam de um simples abraço para começar a mudar tudo em sua vida. Comece você sendo a solução, em vez do problema.
Universo do Tio Dudú

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
MESINHA DE ESTUDOS
Todos os dias, depois de realizar as atividades domésticas que lhe eram atribuídas, ela preparava sua pequena mesinha de estudos de madeira e um tamborete, no quintal da casa de sua avó materna. Ali, naquele cantinho simples, organizava sua agenda, estudava, fazia os trabalhos escolares e buscava manter-se sempre atualizada.
Aquela mesinha, tão simples aos olhos de quem a visse, representava muito mais do que um lugar para estudar. Era um espaço de sonhos, descobertas, responsabilidades e esperança. Era ali que, entre livros, cadernos e anotações, ela construía, pouco a pouco, os caminhos do seu futuro.
E você? Quais são as suas lembranças da sua mesinha de estudos? Você tinha uma? Onde costumava estudar? Que sonhos e planos faziam companhia a você naquele espaço?
Hoje, quando pensamos em uma mesinha de estudos, percebemos que sua importância continua a mesma. Ela representa um espaço de concentração, organização e aprendizagem. Mais do que um móvel, é um lugar onde se cultivam sonhos, se vencem desafios e se constroem possibilidades.
Talvez as mesas tenham mudado, os recursos sejam outros e a tecnologia tenha transformado a maneira de estudar. Mas uma coisa permanece: o desejo de aprender e a esperança de construir um futuro melhor.
A mesinha de estudos de ontem pode até ter ficado na memória, mas os sonhos que nasceram ao seu redor continuam vivos.

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
MEU REDENTOR
O Criador vê nossas tempestades,
Ciclones, tsunamis,
Entende nossos temores,
Sente nossas dores...
Provê ajuda no momento certo,
Guia-nos no “deserto”.
Ao tropeçar, cair, Ele estende a mão
Ajudando-nos a prosseguir.
Quando eu estava naufragando,
Tua mão poderosa me sustentou,
Infundiu poder em mim,
Do “fundo do poço” me libertou.
Pai, como sou GRATA POR TEU AMOR!
Consegui enfrentar tantos percalços...
Enxugaste meu pranto, aliviaste a dor.
Tu és meu Redentor, gratidão, Senhor!

AUTOR Arléte Creazzo
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
PARA SERMOS GRANDES, NÃO PRECISAMOS DIMINUIR NINGUÉM
Ouvindo recentemente uma propaganda eleitoral no rádio do carro, me dei conta de que temos péssimos candidatos. Afinal, quando a pessoa é boa, íntegra, basta falar bem de si mesma para fazer uma propaganda digna. Mas, ao contrário do que deveria acontecer, os candidatos passam mais tempo falando mal dos adversários, do que enaltecendo suas qualidades.
E isso não acontece apenas no setor político. Acontece em qualquer setor onde há disputas – mesmo que pequenas.
O vendedor passa a falar mal do produto alheio, em vez de mostrar as vantagens do seu. Um funcionário passa a maldizer as qualidades de um colega, em vez de mostrar suas habilidades e de como ele será bom para o cargo.
Parece que aprendemos uma regra curiosa na vida: para parecermos melhores, precisamos encontrar alguém que seja pior.
Na religião também encontramos esse tipo de competição. “O meu caminho é o caminho certo.” “Só minha igreja ensina o que é verdadeiro.” Que bom que você encontrou o caminho que te faz bem, agora me deixe procurar o meu.
Nas relações pessoais, isso também acontece.
Há maridos que vivem criticando suas mulheres, parecendo mais estar fazendo um boletim de ocorrências. O mesmo acontece com mulheres em relação aos seus maridos. Sogras enumeram os defeitos de suas noras, como se não tivessem nenhuma virtude. Noras que fazem um verdadeiro dossiê de suas sogras. Vizinhos que conhecem mais os problemas da casa ao lado, do que os próprios problemas.
Há pessoas que passam o maior tempo da conversa falando mal dos outros, em vez de falar sobre seus grandes feitos ou simplesmente comentando algo agradável, como uma viagem.
Existe uma enorme diferença entre mostrar quem somos e diminuir aqueles que estão ao nosso lado.
Quem se valoriza, não precisa desvalorizar ninguém. O bom profissional mostra o seu trabalho. O candidato honesto apresenta suas propostas sem desmerecer o oponente. Um bom vendedor demonstra a qualidade do seu produto. A pessoa de fé vive dentro de seus princípios. O marido conta sobre as qualidades de sua esposa, que agradecerá fazendo o mesmo. A sogra pode aceitar o quanto a nora faz seu filho feliz. A nora, por sua vez, respeitará a mãe de seu marido.
Falar mal dos outros é fácil. Difícil mesmo é nos tornarmos tão bons que os nossos defeitos não apareçam.
Afinal, talvez a melhor virtude das pessoas, seja não precisar diminuir ninguém para mostrar o seu valor.






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