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BECO DOS POETAS Nº 158 — 10/09/2026

há 11 minutos
10 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.

A TAMPINHA DE GARRAFA QUE SOBREVIVE A TUDO


Há um tempo escrevi uma crônica sobre um par de tênis pendurado num fio elétrico — muitos já leram. Foi na rua Curuzu, aqui em Botucatu. Depois desse episódio, comecei a reparar em tudo que o homem cria e que não se decompõe. O tênis, pelo menos, é feito de material que vai apodrecer: o tecido, o cadarço, a palmilha e a sola vão demorar, mas serão absorvidos pela natureza, cedo ou tarde.


Tudo que produzimos vira lixo, e o que não pode ser reciclado é soterrado em algum aterro sanitário, esperando que a natureza dê um jeito naquilo tudo. É a nossa forma de varrer a poeira para debaixo do tapete, como se tentássemos esconder algo de que não nos orgulhamos. E isso passa despercebido pela maioria das pessoas. Mas não por mim.


Pense agora em algo mais trivial, corriqueiro: a tampinha de uma garrafa. Sim, aquela de refrigerante, de água, de um frasco de remédio. Essa, jamais será destruída. A natureza levará milhões de anos para decompô-la, e mesmo assim continuará sendo um incômodo indesejado.


Agora imagine as relações humanas — aquelas que descartamos, esperando que se resolvam sozinhas, e das quais muitas vezes nem lembramos mais. E as pessoas de idade? Aquelas mesmas que consomem tempo da nossa vida, que invadem nossa rotina, e que muitas vezes é mais fácil colocar numa clínica para que alguém cuide por nós.


Não fazemos com os humanos, às vezes, algo parecido com o que fazemos com a tampinha plástica? A diferença é que a tampinha não sente. Um dia, ainda que demore milênios, vai desaparecer para sempre. Para nós, ela deixa de existir no instante em que a jogamos no lixo ou no meio-fio de uma rua deserta — o resto é problema do planeta, não é mais problema nosso.


Meu pai foi alcoólatra por anos. Deu trabalho para a família e desgosto para minha mãe. Sem saída, nós o internamos numa instituição para pessoas com vícios, que também recebia gente com problemas mentais. Ele ficou anos por lá, e eu nunca o visitei. Confesso que, por algum tempo, me senti aliviado por ele estar fora do nosso dia a dia. Um dia ele voltou. Parecia outra pessoa — pálido, fraco, cheio de remédio no corpo. Deu dó. Aos poucos se recuperou e voltou a ser quem era, sem os vícios. Fico pensando se, naquela época, cheguei a tratá-lo como se trata uma tampinha — algo que se joga fora e se para de olhar. Não sei responder com certeza; talvez isso só se resolva num divã, algum dia. O que sei é que já o perdoei. Falta só dizer isso a ele, quando o reencontrar.


Minha esposa colocou a mãe numa clínica de tratamento para idosos quando as ideias dela começaram a ficar confusas. Foram poucos anos, e a gente sempre a visitava, embora quase sempre com pressa. Ela desencarnou ali mesmo, engasgada com um pedaço de bolo. Foi triste. Minha esposa se conformou, do jeito que dá para se conformar com essas coisas. Fico pensando se, sem perceber, também tratamos ela como se trata algo que se coloca de lado — não por falta de amor, mas por cansaço, por rotina, por não saber lidar de outro jeito.


As tampinhas são fáceis de resolver, mas e as pessoas? Essas não desaparecem quando a porta do quarto se fecha na clínica. Continuam ali, existindo, sentindo, esperando — só que fora do nosso campo de visão, que é onde, convenhamos, boa parte das coisas deixa de doer tanto. A tampinha, pelo menos, não cobra nada de ninguém. Não espera visita. Não guarda mágoa de quem a jogou fora. A pessoa, essa, espera — muda, sem fim marcado — e é essa espera que a diferencia de qualquer plástico: ela dói em quem descarta, ainda que a gente finja que não.


Talvez o que a gente mais tenha dificuldade de reciclar não seja plástico nenhum. Seja o jeito de amar que segue firme quando a pessoa está por perto, e enfraquece quando a rotina, o cansaço ou a distância entram no meio.


Não sei se um dia vamos aprender a fazer diferente. O que sei é que, assim como a tampinha, essas pessoas não deixam de existir só porque a gente para de olhar.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

AS MAIS BELAS HISTÓRIAS DE AMOR


Têm a fluidez das gotas de orvalho,

transformando-se em oceano.

São intensas como um mar de sonhos.


Elas têm olhos e toques,

como o encanto da noite,

desvirginando o amor nascente.


As mais belas histórias de amor nos engravidam antes da luz do dia.

Nelas, o amor é inédito, belo e parceiro.

Com elas, nossa experiência de vida não é uma sobrevida,

mas uma vivência profunda do amor.


Um amor que alcança lugares suficientes para aquecer o frio das almas.

As mais belas histórias de amor realmente têm o poder de mudar tudo,

fazendo-nos sentir, a cada estrofe, o quanto são bonitas e aconchegantes.


As histórias dos amores que se amam ao longo da vida,

não carregam o peso da dominação narcisista.

Os amores se oferecem, se convidam, juntos inventam sentidos.

O amor é presença nas linhas dos destinos.


Naquele encontro, eu te conheci, fui apresentada ao amor.

Nós nos aprendemos, bordando poesias,

na companhia de um pôr do sol,

belo como o lirismo de Shakespeare.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

VEM PRA MESA


A poesia que inspira, que cura,

Que edifica e enaltece o nosso Rei Jesus

Que diariamente renova o homem Que precisa entender que sem Ele Nós não somos nada, por isso,

Precisamos mergulhar nas Escrituras do livro sagrado Que aberto nos traz o alfabeto De Gênesis ao Apocalipse.


E revela o que o mestre nos deixou escrito

Naquelas sábias palavras que transformam

Pecadores em cartas vivas, cura os doentes

E converte o ladrão, ele me tirou de uma Vida de perdição transformando essas

Histórias que conectam o homem Com o Criador.


E faz a gente entender o preço que na cruz,

Jesus por nós pagou, provando que tudo

Foi por amor e que as vidas que Renascem após conhecerem e Provarem o amor incondicional Que Jesus Cristo tem por todos Nós e quando isso acontece, Entendemos que somos

Todos filhos amados.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

O CALENDÁRIO


Risco, com uma caneta vermelha, cada dia que passa.

Enquanto isso…

observo o calendário das flores

no pé de romã.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

A CIDADE INSONE


A noite é insone por si mesma

A cidade se tornou insone

A cidade não mais para

Não mais dorme

Funciona 24 horas ininterrupta

São luzes acesas

Piscando intermitentes

As pessoas se movimentam impacientes.

O comércio se tornou frenético

A música toca

É difícil ouvir os barulhinhos do silêncio como outrora

Não há mais luz da aurora

Não há mais vagalumes piscando

A luz artificial superou

Não ouvimos o coaxar dos sapos

O canto das cigarras

A buzina dos carros suplantou.

Insônia, mal do mundo

Que urge na urgência

Que não pode parar para descansar

Que não pode contemplar

O brilho das estrelas

A luz do luar.

Ó cidade insone,

Até quando você vai aguentar?

O caso é que a cada dia ou noite

Você tem mais apetite

E com isso, vidas se perdem no vício

Dos trabalhos excessivos

Dos turnos e seus rodízios

Das baladas regadas a drogas

Da vida desregrada!

Ó noite, descansar é preciso!

Dormir faz bem!

Fazer uma pausa também!


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

LUZ, AMOR E FÉ


Luz, Amor é fé, É tudo que eu preciso, Para reerguer-Me na vida, Curar minhas feridas, Seguir em frente.


Luz, Amor e fé, É que move o homem, Que inspira os dias, Que impulsiona meu ser.

Luz para minha escuridão, Amor para meu coração, Fé para minha vida, E será minha amada, Para todo sempre.


Que este sempre, Seja eterno, Que seus carinhos, Sejam o caminho, Que leve a felicidade.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

ESPERANÇA


Não, não podemos perder a esperança.

Não podemos perder a esperança de que este mundo ainda tem jeito.

Não podemos perder a esperança de que as pessoas aprendam a se respeitar.

Não podemos perder a esperança de conquistar os nossos direitos.

Não podemos deixar de acreditar que ainda existem muitas pessoas boas.

Precisamos crer que a vida pulsa e continuará pulsando em favor do bem da humanidade.

Unidos em um só pensamento, guiados pelo amor e pela paz, precisamos continuar acreditando que dias melhores virão.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

CONCENTRE-SE NO PRESENTE


Viva o presente,

Esqueça os erros do passado.

Por que relembrar

O que deve ser ignorado?


Foque no hoje,

Deixe o que passou.

O importante é o agora,

Esqueça o que magoou.


Feche as portas do passado,

O que feriu,

Deixe do lado de fora.

Viva o hoje,

Usufrua do agora.


Deus perdoa,

Apaga os erros

E dá a oportunidade de acertar.

Por que se martirizar?


O coração é traiçoeiro,

Às vezes, quer nos condenar.

Mas lembre-se: Deus é amor.

Ele está sempre pronto a perdoar

Quando há desejo de mudar.


AUTOR Nayara Santos


NAYARA SANTOS LOPES, natural de Feira de Santana, Bahia, é Técnica de Enfermagem, Tradutora e Intérprete de Libras e poetisa, cuja relação com a escrita nasceu ainda na adolescência e permanece viva como expressão de sua essência. Entre palavras e sentimentos, encontra na poesia um refúgio e uma forma de dar voz ao que pulsa em sua alma. Com sensibilidade e profundidade, tem seus versos publicados em antologias poéticas, onde compartilha fragmentos de emoção, vivências e amor pela arte de escrever.

SEM QUERER


No silêncio da tua presença

Me vi presa em teu olhar

E sem querer me apaixonei

Não é fácil, nem sei explicar


Ao sentir o teu perfume

O teu calor a se aproximar

Pensei que era um sonho

E sem querer voltei a amar


O som da tua voz vinha me acalmar

Não era nada efêmero

Sem querer veio o sentimento

Puro e sincero, sem exagero.


Agora eu te amo por completo

E meu corpo grita desesperado

Sem querer virei refém

Meu coração está quebrado.









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