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BECO DOS POETAS Nº 157 — 03/09/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.

O MOTOBOY QUE SABE MEU ANDAR DE COR


Um dia desses pedi comida pelo iFood. A portaria interfonou, peguei o elevador no sexto andar e fui até o térreo. Ao chegar no portão onde recebemos a entrega, o entregador me disse:

— Oi, Primati. Não sabia que você morava aqui... quanto tempo...

Dei um sorriso amarelo e soltei um:

— Pois é... quanto tempo...

Peguei a entrega e dei um até logo. Quando o motoboy se foi, não fazia ideia de quem era. Mas ele me conhecia.

Fiquei remoendo aquilo subindo no elevador. "Quanto tempo" — quanto tempo do quê? Ele falou como quem reencontra um conhecido de faculdade, não como quem entrega um X-tudo. Devia ser de outro prédio, outro endereço, outra fase da minha vida que ele acompanhou de fora, sem eu nunca ter reparado que estava sendo acompanhado.

Desse dia em diante passei a prestar atenção nos motoboys que me entregam alguma coisa toda semana. E é engraçado: nos vemos por alguns segundos, sempre, ano após ano, e nos conhecemos de vista — completos estranhos ao mesmo tempo. Não faço ideia se a pessoa que toca o interfone tem família, se só namora, se estuda, se ama ou odeia o trabalho que faz. Sei só o capacete, a mochila cúbica nas costas, o jeito de segurar o celular esperando eu descer.

Tem um, moreno, magro, sempre de boné por baixo do capacete, que já trouxe pedido meu um tantão de vezes. Nunca troquei mais que "boa noite" e "obrigado" com ele. Não sei o nome. Ele, aposto, sabe meu apartamento de cor, sabe que gosto de esfiha às sextas e sábados, talvez até tenha reparado que ultimamente ando pedindo mais tarde, sinal de que estou trabalhando até mais tarde também. Ele me lê pelos pedidos. Eu não leio ele em nada.

Quantas pessoas nos conhecem e a gente não? O porteiro do prédio vizinho, que me vê passar todo dia sem eu nunca ter reparado nele direito. A caixa do mercado que já decorou meus produtos, sabe que eu sempre esqueço de informar o CPF para obter descontos, talvez até comente comigo alguma coisa na fila e eu responda no automático, sem fixar o rosto. O sujeito do ponto de ônibus que via minha rotina de longe, anos atrás, e que eu nunca reparei que existia.

Seria falha de memória minha, ou é outra coisa — algum tipo de assimetria natural entre quem presta serviço e quem recebe? Porque quem entrega repete o mesmo trajeto, os mesmos prédios, os mesmos rostos, dia após dia — memorizar vira quase profissional, tipo garçom que lembra o pedido do cliente antigo. Quem recebe, não. Cada entrega é só mais uma entrega, um evento igual ao de ontem e ao de amanhã, sem nada que force a memória a fixar um rosto, capacete ou cor da moto.

Fico pensando se são dimensões diferentes se cruzando por um instante — a minha, onde ele é figurante de dois segundos; a dele, onde talvez eu seja personagem recorrente, "aquele cara simpático do sexto andar" ou "aquele cara que nunca dá gorjeta pelo aplicativo", vai saber. Nunca vou descobrir qual das duas versões eu sou, na cabeça dele.

O curioso é que essa intimidade não é pouca coisa, só é descartável. Ele sabe onde eu moro. Sabe meu nome e sobrenome, coisa que colegas de trabalho às vezes levam meses para aprender. Sabe meu horário de fome. Isso é informação íntima, na prática — só que embalada em isopor, entregue e esquecida, sem virar relação nenhuma.

Devia ter perguntado o nome dele naquele dia. Não perguntei. Vou continuar não perguntando, provavelmente, porque o roteiro do interfone e do portão não deixa tempo para isso — ele já está de volta na moto antes que eu formule a pergunta direito.

Mas da próxima vez que alguém me chamar pelo nome com aquela intimidade de quem já me viu de pijama, de mau humor, com fome, de ressaca — vou tentar, ao menos, olhar de verdade para o rosto. Só isso. Já é mais do que costumo fazer.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

UMA ÚNICA VIDA


Estarei em todos os teus nascimentos,

para amar.

Me aninharei nos recantos de teu corpo,

na doçura dos teus abraços,

nas explosões de amor.


A eternidade habitará nossos beijos.

Te abraçarei no ar,

seguirei teu caminhar

como ondas calmas do mar.


Para ti me insinuarei

em todas as horas do teu mundo.

Andarei no ar, cantando que te amo,

satisfeita e ardente,

vida de amantes.


Tua fêmea, louca de amor,

sem jejuar abraços,

na transcendência poética.


Desertos se tornam ritmos de desejo,

pensando no amor que move meu mundo.

Andarei no ar,

numa única vida,

eterna no amor.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

ENTRE O FEIO E O BELO


No fel amargo do amor duelado Sentimos uma dor na alma Que inflama o coração de Quem foi desonrado,


Mas que não se deu por vencido

E deseja honrar a sua amada que

Foi difamada no seu âmago onde

A tristeza de uma calúnia foi Plantada por quem clama Pelo fim do duelo entre O feio e o Belo.

Que se enfrentam com uma lâmina

De uma espada empunhada em Suas mãos onde eles se lançam

Na arena em um desafio pela Honra e pelo ego ferido onde

Só um deles permanecerá de pé.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

CHUVA NA VIDRAÇA


O barulho da chuva

Batendo na vidraça

Fazia um som constante

Durante a noite que não passava

Ela caía fininha e translúcida

Parecia um carinho

Para me fazer dormir

Mas o sono não vinha!

Fico a olhar para a chuva

Que parecia conversar comigo

As gotinhas sorriam para mim

Eu chorava um choro contido.

A chuva cessou um pouco

Como a dizer: tudo vai passar!

Depois continuou fazendo barulhinhos

Calmos, serenos, gotejando fininho

Afagando a minha tristeza

Como a me ninar.

A chuva sussurrava como se fosse uma canção

E me fez adormecer, enfim

Descansando meu subconsciente

Do turbilhão de pensamentos

Que insistiam em vir!


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

MADRUGADAS


Acho que as madrugadas

foram feitas

para as poesias.

O silêncio...

A inspiração

que chega

com o entardecer

embala o sono

e faz sonhar

com a poesia

que ainda

se quer escrever.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

A VIDA É ASSIM


A manhã acorda

E sussurra sinais,

Relâmpagos e trovões,

Temporais,

Vendavais.


Às vezes, destila perfumes

Refrescantes como jasmim.

A vida é assim.


Dias cinzentos pedem calma,

Coração sem norte,

Às vezes perdido, mas se acalma,

Encontra serenidade.


Nos labirintos de dúvidas,

Enfim, Deus aplaca a tormenta.

No horizonte, renasce a esperança.

Depois da chuva intensa,

O sol volta a brilhar,

Fazendo a fé triunfar.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

FELICIDADE


Felicidade que irradia.

Felicidade que contagia.

Felicidade, o teu nome é poesia!

Setembro é o mês de Ipês floridos.

É tempo de celebrar a vida.

É um mês belo, colorido.

A beleza dos ipês enfeita a vida.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

O QUE É SAGRADO


Oh, que é sagrado,

A vida é sagrada,

O amor é sagrado,

Nós somos sagrados.


Um amigo é sagrado,

Uma família é sagrada,

A dor é sagrada.


Tudo é sagrado,

Porque, de alguma forma,

Tudo nos ensina,

E conhecimento é sagrado.


Um beijo é sagrado,

Viver ao lado de quem ama.


Além de sagrado,

É consagrado,

Por uma conquista na vida.









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