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BECO DOS POETAS Nº 156 — 27/08/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

A SENHA DO TOTEM DA FILA


Sabe aqueles dias em que você está morrendo de pressa e torce para que tudo corra o mais rápido possível? Foi assim que cheguei aos Correios do centro da cidade. Lá tem atendimento preferencial para idosos, que podem "furar a fila". E como já tenho mais de 60 anos, por direito eu iria aproveitar desse benefício.


Cheguei ao Correio e havia duas pessoas aguardando. Com minha senha preferencial, eu seria o próximo. Logo chegou um rapaz de uns 30 anos, malhado, forte que nem um touro, e pegou a sua senha.


O atendente terminou de atender uma pessoa e foi embora — pausa, sei lá, café, banheiro — e fiquei aguardando ser chamado. Mas a senha chamada foi a do rapaz de 30 anos. Olhei para as outras pessoas, que se entreolharam, também sem entender nada. Eu é que deveria ser chamado, e não fui. Falha do sistema?, pensei.


Quando ele se foi, perdi minha vez para uma das mulheres, e só depois fui chamado. Aí fui entender o que tinha ocorrido. Existe um painel de autoatendimento ali na entrada: cada um se identifica apertando um botão na tela conforme idade ou necessidade especial, e eu, claro, pensei estar no topo da cadeia. Mas existe uma opção acima de idoso e PCD: 80+.


Caramba! O rapaz jovem, forte como um touro, aperta o botão de 80+, é atendido na hora, e nenhum funcionário do Correio questiona nada? Então para que ter esses botões todos? Fiquei com raiva, mas logo passou. Vai que ele estava com pressa por causa de um parente acamado, ou coisa pior — quem sou eu para julgar o que não vi.


Quando saí dos Correios, vi o papel dele jogado na cesta de lixo, com a sigla 80+ ainda legível. O meu papel deixei no console do carro, e ali ficaria esquecido até algum dia ir para o lixo também.


Fiquei pensando naquilo o resto do trajeto de carro. Aqueles cinco minutos em que fui só um número — não Luiz, não pai de duas filhas, não sócio de empresa nenhuma, só uma senha preferencial numa fileira de plástico piscando em vermelho — foram, ali dentro, mais representativos de mim do que meu nome completo. O sistema não perguntou meu currículo. Perguntou minha idade e me deu um número. E foi esse número, não meu nome, que decidiu quem seria atendido antes de quem.


É engraçado pensar como a gente aceita isso sem estranhar, o dia inteiro, em toda fila que enfrenta: banco, hospital, cartório. A gente vira número por escolha própria, aperta o botão que melhor descreve a própria urgência, e entrega àquele pedacinho de papel o poder de decidir a ordem da nossa manhã. Rapaz forte que aperta 80+ é trapaça, com certeza — mas é uma trapaça que o próprio sistema permite, sem checar nada, sem pedir documento. A máquina confia em todo mundo - até demais.


Fico pensando também no destino de cada papel depois que cumpre a função. O dele, jogado com raiva ou pressa na cesta mais próxima, sigla ainda visível, denunciando a mentira para quem quisesse ver. O meu, mais discreto, esquecido no console do carro — nem joguei fora de propósito, só esqueci, e ele vai ficar ali, entre moeda avulsa e recibo de estacionamento, até um dia eu limpar o carro e ele sumir sem que eu perceba o momento exato.


Nenhum dos dois papéis vale nada, cinco minutos depois de cumprida a função. Mas naquele instante, na hora exata em que o painel piscou o número, aquele pedacinho de papel decidiu, sozinho, quem primeiro era atendido. Fez isso melhor — ou pior, dependendo de quem se aproveitou — do que qualquer identidade que eu carrego há sessenta e quatro anos.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

O AMOR INFINITO E SUA ESPERA


Ele se amplia em um mar,

com espumas de sentimentos.

Poderoso como sorrir com o vento.


Esse mar infinito nos espera no tempo,

na espuma de suas ondas,

com movimentos pendulares de amor.


Amar para além da paixão.

Com o brilho intenso da luz da aurora

Amor na palma de tuas mãos.


Existir na construção do desejo.

Entrelaçar partilhado.

Desfrutando desse mar

Que me apresentou ao amor.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

NA BELEZA DE UM PALHAÇO, EU VI JESUS


Naquela tarde ensolarada de terça-feira

Sem agendas e sem combinações, o coletivo

Da Casa recebeu a ilustre visita de homem

De Deus que estava vestido com aquelas

Vestes coloridas e com a alma de um

Palhaço e com um propósito ele nos

Trouxe alegria e uma palavra de fé

Para os nossos irmãos que estão

Enfrentando um processo doloroso.


Mas eles estão firmes na rocha,

Plantando a sua semente para colher

Bons frutos e entre risos e gargalhadas,

A plateia foi convidada a participar

Das brincadeiras e na humilde e Singela figura de um palhaço,

Nós enxergamos o próprio Cristo


E naquele instante eu me senti uma

Criança e o amor de Jesus me pegou E fluiu na leveza do tom e na sensibilidade

Circense que se apresentou naquele chão

Batido da Casa dos Valentes que virou

Um simplório picadeiro na Casa de

Deus que nos trouxe de volta as Nossas memórias de infância Que nos remete às velhas

Brincadeiras que fizeram         

Daquela tarde única e maravilhosa,

E eu não tenho dúvidas de que isso

Foi um verdadeiro presente de Deus.


E naquele momento Jesus se admirou com

O sorriso do palhaço diante dos nossos

Irmãos que formaram uma plateia Contagiante que interagiu com

Aquele humilde homem de Deus

Que se vestiu de palhaço, mas Fez a gente enxergar nele

O amor de Cristo.


E através das suas palavras, dos seus

Conselhos, das suas histórias engraçadas

E do seu testemunho vivo, logo todos da

Casa se misturaram com as crianças e

Fizeram uma roda no campo para ouvir

A palavra de Deus, que é universal e

Que foi ministrada de forma sutil e

Engraçada por um homem de Deus

Que se vestiu de palhaço e fez Adultos e crianças sorrirem

Numa terça-feira muito

Especial que encheu o Coração de todos, de

Alegria e de emoção.


E hoje quero dizer para o palhaço

Berinjela muito obrigado por tudo

E por este dia, não desista, porque

Você é a inspiração de muitos irmãos

Que a tempos não sorriam, por isso

Eu creio que através da sua vida

E da sua alegria muitas vidas Serão alcançadas.


Portanto você, palhaço Berinjela ainda vai

Alegrar muitas gerações, então continue

Em frente com essa alegria contagiante,

Cumprindo o seu propósito, espalhando

O amor de Cristo no coração das

Pessoas que deixaram a tristeza

Fazer ninho no seu coração, Mas que nessa terça-feira,

Sorriram novamente, como

Se estivessem em um palco De circo, assistindo uma Apresentação em um chão

Batido com o querido

Palhaço Beringela.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

PERFUME DE CANELA


Como um perfume que se espalha pela casa,

o aroma da canela trouxe doces recordações.

Um simples chá levava ao coração a quietude de que ele precisava.

Tardes serenas. Conversas, risos e biscoitos com sabor de baunilha.

Assim… a vida seguia por lá.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

CHOVE CHUVA


A chuva cai torrencialmente

Raios, relâmpagos e trovões

Ecoam e rasgam o céu.

O medo é horripilante

O barulho também!

Chove chuvarada

Chuva no telhado

Barulho dobrado!

Após um tempo

A chuva cessa

Foi chuva de verão

Rápida e abundante.

O solo ficou encharcado

O cheiro da terra molhada subiu

O temporal passou

O calor diminuiu

O arco- íris surgiu

O sol surge imponente e belo

Parecendo um girassol amarelo!


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

NUNCA DIGA ADEUS


Nunca diga adeus,

Pois o dia de amanhã,

Pode ser feito,

Com a mais doce maçã,

Vinda da árvore do paraíso.


Nunca dia adeus,

Pois o vento da mudança,

Faz das crianças,

Os homens de amanhã.


Nunca diga Adeus,

Ao seu passado,

Pois quando,

Você é,

Menos esperado,

Ele vem para te abraçar


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

VIAJAR


Viajar para conhecer.

Viajar para fotografar e postar.

Viajar para relaxar.

Viajar para florescer.

Viajar para se encontrar.

Viajar para se perder e se achar.

Viajar para curar.

Viajar para sentir novos cheiros.

Viajar para provar novos sabores.

Viajar para ouvir novas histórias.

Viajar para ver novos horizontes.

Viajar para expandir a mente.

Viajar para ser mais consciente.

Viajar para sair da rotina.

Viajar para criar memórias.

Viajar para celebrar a vida.

Viajar para melhor viver.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

CANSAÇO


Planejei tirar um momento para escrever,

Mas o meu corpo é invadido pelo cansaço.

A mente insiste em adormecer,

Contrariando o coração que deseja escrever.


Trabalho secular e atividades domésticas,

Muitos afazeres...

Às vezes, sugam nossas energias.

Como eu queria ter disposição

Para escrever uma poesia

E aquietar o coração.


Nesse embate acabo cochilando,

Abro os olhos assustada

E percebo que não escrevi nada.

Imediatamente pego o celular,

Começo a digitar...


AUTOR Akira Ordine


AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.

PSICOSE


Como um psicopata ele degustava seu café

Sentado à mesa do estabelecimento

Sem celular, tablet, computador, livros ou até mesmo cardápio

Em que estaria pensando?


Na guerra? Na fome? Planejando algo?

Parecia uma grande aberração

Um enigma, uma fotografia idiossincrática ao vento

Poderia existir um ser tão anti-contemporâneo?


Não estava acompanhado de ninguém

Provavelmente nem dele mesmo

Era uma xícara e um olhar vazio


Quando pensei em cumprimentá-lo

Suas feições se liquefizeram no reflexo do café

E de repente ele era eu









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