REFLEXÕES Nº 227 — 30/08/2026
- Luiz Primati
- há 10 minutos
- 17 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.
O MOLHO DE CHAVES
Esses dias resolvi rever meu molho de chaves. Tenho um cheio, pesado, e estava tentando me livrar de algumas para aliviar o bolso.
De verdade, hoje, só preciso de duas. Ou três: a do carro, a do apartamento e a do depósito de quinquilharias.
Mas existem outras, e fiquei tentando lembrar de onde eram as outras. Algumas devem ser da minha antiga casa. Lá tinha portão de entrada, portão lateral, porta principal, porta da cozinha, porta da varanda, e por aí vai — uma casa dá bem mais trabalho de chave do que um apartamento. Agora, compactado num só andar, preciso de uma única porta para controlar. E ando pensando em colocar fechadura eletrônica, dessas de senha ou digital — aí não vou precisar de nenhuma chave mais.
Entre jogar fora e um dia me lembrar que precisava delas, acabei deixando tudo no molho por mais um tempo.
Reparei numa chave em especial, pequena, meio enferrujada na ponta, que não faz ideia de que fechadura abria. Era parecida com a do depósito e testei, por curiosidade — não entrou nem na metade. Deve ser de algum cadeado que já nem existe mais, de algum portão de infância, de alguma coisa que eu trancava e destrancava no automático, há tanto tempo que a lembrança não ajuda mais. Achei estranho guardar uma chave que não abre porta nenhuma no meu mundo — e ainda assim não consegui separar ela das outras para jogar fora. Ela ficou. Vai continuar ali no molho, provavelmente por muito tempo.
E pensando bem, a gente faz isso com tanta coisa. Os contatos antigos do celular que eu já discuti aqui nesse blog — meu pai, meu sogro, gente que já morreu e continua salva. Os aplicativos que a gente baixa, usa um mês, esquece, e que seguem ocupando espaço na memória e na tela, ícone empoeirado entre os que a gente realmente abre. Os recibos e notas fiscais de anos, socados numa gaveta, guardados “por precaução”, de compras que já nem lembro o que eram. Uma caixa de sapato vazia no fundo do armário que ninguém abre, mas também ninguém joga fora.
Por que será que acumulamos tanta coisa inútil?
Acho que não é bem sobre acumular coisas. É sobre o medo de se desfazer de coisa importante. Jogar fora é decisão sem volta — pequena, mas definitiva — e decisão errada dói mais do que acúmulo incômodo. Ninguém nunca se arrependeu de guardar demais; muita gente já se arrependeu de jogar fora e precisar no momento seguinte, como a foto que era a única cópia, o documento que ia precisar mês que vem. Então a decisão vira não decidir. Guardar é sempre reversível. Jogar fora, não.
Só que tem um custo nisso que a gente não calcula direito: o molho de chaves engrossa, o app ocupa espaço, a gaveta emperra de tanto papel — e a gente carrega o peso de decisões que nunca tomamos, achando que estamos só adiando, quando na real já decidimos, sim, por omissão. Decidimos guardar. Só não admitimos que foi uma escolha.
Fico pensando se a memória funciona parecido. Será que carrego, também, lembranças que não abrem porta nenhuma? Rancor de alguma coisa que já nem lembro a causa, mágoa de gente que nem lembro mais o rosto, hábito de desconfiar de um tipo de pessoa por causa de alguém que me machucou há quarenta anos e cujo nome eu mal lembro. Chaves emocionais enferrujadas, testando fechaduras que não existem mais, e mesmo assim continuo carregando elas comigo, no bolso da alma, sem separar para jogar fora.
Talvez, um dia, eu troque a fechadura de casa por senha digital e finalmente jogue o molho inteiro fora — a chave certa e as enferrujadas juntas, sem dó, sem separar. Vai ser um alívio, imagino. Vou sentir o bolso mais leve.
Mas duvido que eu faça o mesmo com o resto.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
UM MUNDO DE COMPETIÇÕES
Vivemos em um mundo em que a competição parece estar presente em todos os lugares. Desde muito cedo, somos incentivados a vencer, a sermos os melhores, a conquistar bons empregos e a receber reconhecimentos. Aos poucos, com esse modo de vida que nos é imposto por uma sociedade competitiva, passamos a acreditar em um poder ilusório, como se cada atividade feita por nós, precisasse provar o nosso valor diante dos outros. Mas será que competir com ânsias de superar o outro, nos torna realmente melhores? Nossos objetivos e metas são alcançados, e a felicidade nos chega facilmente?
A competição pode ser saudável quando nos motiva a crescer, a estudar mais, a lutar pelos nossos sonhos e a superar dificuldades. No entanto, precisamos de métodos m éticos e humanos, mais adequados ao respeito pelo espaço conquistado pelo outro. O essencial está na confiança que existe dentro de nós: cada pessoa tem seu próprio tempo, sua própria história e seus próprios limites. Precisamos enxergar a força que nos move e não devemos ter a pretensão de que seremos os melhores em tudo.
Em muitos momentos, a sociedade nos leva a comparar nossa vida com a dos outros. Observamos conquistas, aparências e resultados, principalmente nas redes sociais, e acabamos nos sentindo atrasados ou insuficientes. É importante enxergar nossas verdades e valores sem nos afastarmos de nossas capacidades.
Portanto, em um mundo de competições, é preciso estarmos bem e confiantes, buscando com serenidade desfrutar de nossos momentos de êxito, sejam eles quais forem. Mais importante do que chegar em primeiro lugar é caminhar com consciência, respeito e equilíbrio. Afinal, a verdadeira conquista não está apenas em vencer, mas em evoluir sem perder a nossa essência.
Todas as pessoas podem ser maravilhosas e merecedoras!

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
VIA DE MÃO DUPLA
Eles te olham por cima e com
Desmerecimento julga o livro
Pela capa e entre eles dizem
Quanto tempo esse aí vai durar.
Muitas vezes o diabo não precisa
Fazer nada porque o inimigo do crente
É o próprio crente que torce pela queda
De um irmão que está lutando diariamente
Contra adicção negando a si mesmo E a própria carne para se manter
Sóbrio e firme na palavra de Deus.
E em busca de status na frente do pastor
Eles se comportam como cordeirinhos,
Mas, em meio à multidão, eles revelam
Os lobos acusadores que são e
Confundem servir na igreja com
Ser empregado e dividem quando
Deveriam somar e na rádio pião
Eles agem como santarrão
E apontam o pecado do
Outro, porque o deles
Não está exposto.

AUTOR Kenia Pauli
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
QUANDO A PAZ NOS INQUIETA
Às vezes sentimos que está faltando algo. E nem sempre sabemos exatamente o que é.
Para melhor entendermos, não é que necessariamente exista um problema concreto acontecendo.
Quando a vida está aparentemente tranquila, com períodos em que não acontece nada de muito especial, não havendo grandes conflitos, novidades ou acontecimentos que nos tirem do lugar, mesmo assim surge uma inquietação. A tranquilidade, em vez de ser confortável, pode parecer estranha.
Buscamos movimentos. Uma vontade de fazer algo diferente. Criar compromissos, mudar alguma coisa de lugar. Como se, ao ficarmos parados, fôssemos perder tempo. Uma dificuldade em permanecer onde estamos.
Daí eu me pergunto:
Por que temos tanta dificuldade em ficar em paz?
Por que sentimos a necessidade de preencher o silêncio?
Por que o descanso e a tranquilidade às vezes provocam ansiedade?
Quando voltamos para o ser humano de milhares de anos atrás, podemos imaginar a existência em que estar atento ao ambiente era fundamental para sobreviver.
Perigos, predadores, escassez de alimentos, mudanças no clima e diversos conflitos exigiam vigilância constante. Pois o corpo e a mente precisavam estar preparados para qualquer alteração ao redor.
E tudo isso, de certa forma, pode ter permanecido em nós.
Apesar de nosso mundo ter mudado, ainda existe algo de alerta em nós. A tranquilidade incomoda, a calma vira tédio.
E talvez a nossa maior dificuldade não seja encontrar a paz, mas reconhecê-la quando ela chega.
Passamos tanto tempo tentando aprender a procurar, reagir, resolver, que, quando não temos nada o que fazer, nos parece estranho.
Nossos ancestrais aprenderam a ficar em alerta; podemos aprender justamente o contrário: perceber quando o perigo passou, quando não precisamos mais correr, quando podemos simplesmente baixar a guarda.
Estar onde estamos pode ser a possibilidade de não precisar transformar o momento. Apenas aprender a ficar.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
ACERTOS
Um bolo recheado de ameixa e doce de leite caiu do pratinho sobre a mesa.
Assim acontece, às vezes, na nossa pressa do dia a dia.
Algo cai, algo sai do lugar, e precisamos parar um pouco para fazer os acertos.
Ou simplesmente descansar.
Porque a vida também pede esses pequenos intervalos para ajeitar tudo e seguir mais leve.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
AUSÊNCIA
Metade do meu coração ficou no caminho do adeus.
Desde então, aprendi que a ausência tem vida própria. Ela chega devagar, quase sem fazer barulho, e quando percebemos já está instalada, como uma hóspede insistente que não demonstra intenção alguma de ir embora.
A ausência mora nos detalhes. No cheiro do café que continua sendo coado, mesmo quando não há mais quem se sente à mesa para compartilhá-lo. Mora também no lugar vazio, no silêncio que ficou entre uma frase e outra, no jeito de falar que, insiste em permanecer.
A cama se tornou espaçosa demais, sem dó pelo amor que se foi. Há noites em que o espaço ao lado parece gritar mais alto do que qualquer palavra.
A ausência também passa pelo portão que já não se abre para quem partiu. Passa pelo cachorro que, por alguns dias, ainda espera, balançando o rabo, como se a qualquer momento aqueles passos conhecidos fossem voltar, mas a espera é em vão.
A ausência se esconde nas conversas lembradas, nos trejeitos, nos gracejos que só aquela pessoa sabia fazer. E, de repente, nos pegamos recolhendo memórias como quem junta pedaços de um mosaico: uma história aqui, um riso ali, um gesto guardado no coração.
Às vezes, sorrimos ao lembrar. Outras vezes, choramos sem entender direito por quê. As lembranças chegam sem pedir licença, trazendo junto uma saudade que aperta, e faz as lágrimas correrem devagar.
E no silêncio dessas reflexões, uma pergunta sempre aparece:
Por que algumas pessoas vão embora tão cedo?

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
DORES
Por mais que as dores,
Consuma todo o meu intimo,
Mesmo que eu sinta os horrores,
De um coração sofrido...
Eu estarei sempre sorrindo,
Pois dentro do meu ser,
Só há espaço para o amor e o saber,
E assim vou tocando minha vida, como dizem... Vou indo...
Mesmo que as dores sejam infernais,
Mesmo que eu não esteja impedido de percorrer os quintais,
Minha alma vagará até você, para lhe proteger...
Mesmo que meus pés causem a dificuldade,
De minha locomoção,
Eu estarei aqui com meu coração, pois, para amar o próximo, não há adversidade.

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
RECLAMAR POR QUÊ?
Enquanto o mundo desaba.
Lama que soterra casas.
Água que leva pontes, sonhos e vidas.
E aqui, reclamamos do Wi-Fi que caiu,
da comida que esfriou,
do frio ou do calor,
da fila que não anda.
dos serviços de saúde que não melhoram.
Gente perdendo tudo.
E a gente reclamando por tão pouco.
Reclamar por quê, se ainda temos chão firme?
Diante de tanta dor, de tanto clamor.
De famílias soterradas, de vidas interrompidas,
o que são as nossas pequenas reclamações?
Que a tragédia do outro nos ensine a dar valor ao que temos,
e a ter compaixão pelo que o outro perdeu.
Que Deus nos ensine a agradecer mais e reclamar menos.

AUTOR Eduardo Grabovski
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
DISCURSO EM DISCUSSÃO.
Um dia o diálogo e a discussão se encontraram.
O discurso falou da roupa com seus confortos claros e beleza;
A discussão se irritou com as pregas da roupa desajustadas e antiquadas.
O discurso elogiou a música clássica: "Ode à Alegria" de Beethoven tocada em clave de dó maior no violão;
A discussão alterou a voz por causa da melodia indigesta clássica recitada em uma nota tão básica que deveria ser adaptada em bemol ou outra tonalidade para talvez ser melhor que dó.
O discurso elogiou a posição da poltrona na sala;
A discussão empurrou a poltrona para o lado, indignada por ninguém perguntar sua opinião.
O discurso escolheu colher no quintal uma flor violeta para a menina;
A discussão fechou a cara por não achar que uma flor sem graça era melhor que um buquê de rosas coloridas.
O discurso cumprimentou educadamente a esposa do amigo, pegando a mão;
A discussão perguntou se a mulher mordia e um abraço não arranca pedaço.
O discurso elogiou com respeito o sorriso da atendente de restaurante;
A discussão perguntou se já rolou alguma coisa ou era cantada barata.
O discurso calculou a melhor rota;
A discussão ironizou, mostrando programadas rotas no GPS.
O discurso sorriu com carinho;
A discussão enciumou, achando que tinha ali uma traição.
O discurso ofereceu a mão;
A discussão o chamou de trouxa.
O discurso removeu a pedra no caminho;
A discussão disse que nem ligava para quem tropeçasse no caminho.
No fundo, a etimologia pode dizer que um bom discurso aceita ouvir ambos os lados e tomar um posicionamento, enquanto uma discussão se torna um cabo de guerra, tentando convencer o outro de que sua opinião deve prevalecer.
Realmente é necessário se irritar com uma simples pergunta no momento de encontrar um ponto comum, ou já estamos estranhamente acostumados a querer ter nossa razão como soberana?
Um pouco de falar e ouvir é peça-chave nesse equilíbrio de equilibrar ideias de teor negativo e firmar realmente o objetivo de o discurso ditar o propósito e dar clareza aos objetivos, enquanto a discussão fará a troca de ideias respeitosa e direcionará a todos rumo à melhor solução.
Fica contraposto o início do texto entre posicionamentos negativos aqui relatados e uma forma mais complacente de interagir com todos, sustentando um bom discurso e alternando os contrapontos de uma discussão de ideias.
Afinal, eu posso gostar de ouvir uma música no violão sem me importar se ela te incomoda e ponto; posso querer trocar carinho com a menina, mantendo a escolha de coração por eu dar uma flor violeta, em vez de coletar inúmeras flores, mesmo sem precisar explicar que a menina é novinha, e se eu der um monte de flores, ela vai fazer uma bagunça e talvez nem ligue para a singela doçura de uma pequena flor.
Bora ouvir mais e não ter necessidade de guiar tudo moldado à nossa própria opinião para manter uma moral da história que alivie o ego, não o infle como balão de festa.
Universo do Tio Dudú

AUTOR Akira Ordine
AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.
CICLOS
Talvez encerrar ciclos seja uma das coisas mais difíceis para todos nós como espécie humana. Desde a infância ao doar aquele brinquedo que não usamos mais e que nos viu crescer, até o idoso que enterra seu par de uma vida inteira, passando pela estudante que faz intercâmbio e deixa a família para trás, e chegando ao casal que encerra uma conexão duradoura que não fazia mais sentido, nós como os animais afetivos que somos nunca estamos preparados para lidar com o fechar de portas. Parece o fim do mundo.
Porém, uma porta nunca permanece fechada para sempre. Nem que seja necessário destruí-la para a mesma abrir. Todo fim é um começo. Nada permanece inalterado até o fim, e os ciclos que se fecham hoje abrirão outros amanhã, com novas possibilidades, novos rumos e toda uma rede de conectividade que nos proporcionará momentos igualmente inesquecíveis aos passados.
Por mais dolorido que seja, amanhã vai ser outro dia.

AUTOR Arléte Creazzo
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
O QUE COLHEMOS NA VELHICE?
Tenho observado os idosos que convivem ao meu lado. Membros da família, amigos, vizinhos, e sem querer generalizar, percebo algo que me faz pensar: muitas vezes, colhemos aquilo que plantamos.
Há dois anos perdi duas pessoas que me eram muito importantes, um tio e minha mãe. Em seus últimos dias, os dois tiveram o que considero mais importante para alguém que tem mais dias vividos do que a viver: estavam cercados de carinho. Havia filhos, sobrinhos, esposa, neta, todos bem próximos a eles.
Minha mãe especialmente, partiu agradecida pela família que havia construído e pela união que existia entre nós. Morreu sabendo que não estava sozinha e era amada.
Isso tudo me fez pensar em como construímos nossa velhice.
Alguns idosos de minha convivência, passaram seus dias criando intrigas entre os filhos, fofocando entre amigos, maldizendo locais onde frequentavam com reclamações descabidas, e qualquer outra atitude que pudesse afastá-los de um bom convívio com as pessoas.
Então, quando se chega a velhice, podemos encontrar dois tipos de idosos: aqueles que souberam estar presentes, cultivaram vínculos e ofereceram afeto. E outros que chegaram cercados de silêncio e solidão. Em alguns casos, não foi a idade que os afastaram dos outros. Eles já vinham construindo essa distância há muitos anos.
É claro que a vida não é uma matemática exata. Um pai pode cuidar de dez filhos com o mesmo carinho, mas na hora da precisão, não encontrar quem o cuide.
Uma tia sempre disse que o tempo não muda ninguém, apenas aperfeiçoa o que a pessoa já é. Mas conheço pessoas que mudaram sim, nem que fosse por um tombo que levaram na vida.
Por outro lado, há quem permaneça teimoso, orgulhoso, dono da verdade, incapaz de reconhecer o próprio erro. E, com o tempo, vai afastando justamente aqueles que poderiam ter por perto.
O mais triste quando cuidamos de alguém, é que muitas vezes não o fazemos por amor, mas por caridade. Cuidar é um ato que exige responsabilidade, mas não nos obriga a ter carinho pelo que está sendo feito.
Nunca me importei em cuidar de alguém. Se for preciso, troco até fraldas de um adulto sem reclamar. O que pesa não é o trabalho. O que pesa é cuidar daquele que não nos respeita e nunca respeitou.
Talvez o melhor investimento para a velhice não seja dinheiro, patrimônio ou uma casa confortável. Mas aquilo que construímos nas relações.
Porque, quando os anos diminuírem e os dias ficarem mais longos, talvez o que mais desejemos seja ter alguém por perto.
E, para ter alguém por perto, é preciso ter deixado portas abertas ao longo da vida.

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
AGRADEÇO
É maravilhoso viver, Abrir os olhos a cada amanhecer, Com o peito feliz, agradecer.
O coração transborda de gratidão Pela vida, pela casa, pela família e pelo trabalho; Sussurra de satisfação.
O coração medita, Às vezes, sem perceber, O que a alma revela sem querer.
A vida passa rapidamente, Às vezes, desliza serenamente. Como é bom agradecer O milagre de estar presente.
Pelas frestas do pensamento, No silêncio barulhento, Agradeço a Deus cada momento, Por ser meu amparo e sustento.






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