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REFLEXÕES Nº 228 — 06/09/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno
Imagem criada com IA

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.

A GERAÇÃO QUE NÃO TERÁ OBJETOS MISTERIOSOS


Outro dia, mexendo no molho de chaves, encontrei uma que não abre porta nenhuma que eu conheça. Já escrevi sobre ela. O que não escrevi foi o que pensei depois, dias mais tarde, sem querer, enquanto arrastava o dedo na tela do celular procurando uma foto antiga: essa chave sem explicação talvez seja uma espécie em extinção.


Porque toda foto que tiro hoje já nasce com ficha completa. Data, hora, latitude, longitude, até o modelo do aparelho que registrou. Toda compra fica no extrato, carimbada com estabelecimento e minuto exato. Toda conversa mora salva em algum servidor, pesquisável por palavra-chave, prontinha para eu redescobrir o que disse para quem, num domingo qualquer de 2019. Nada mais se perde de propósito. Nada mais fica largado no mundo sem dono.


Fico pensando na Natasha e na Ana, e principalmente nos filhos que Ana ainda vai ter — e meus netos, Mateus e Gabriel, filhos da Natasha. Eles estão crescendo cercados de arquivos que estão guardados em algum disco na nuvem, cada foto que tiram deles desde bebê, com legenda automática, rosto reconhecido, local identificado. Ainda são pequenos, mas daqui alguns anos vão perceber que não precisam perguntar “quem é essa pessoa aqui do lado da minha mãe, nessa foto amarelada?” — porque a foto não vai amarelar, e o nome da pessoa já vai estar escrito embaixo, gerado pela própria máquina que tirou a foto.


Isso devia ser conforto. Em parte é. Ninguém vai perder a data do próprio casamento, ninguém vai discutir se a viagem foi em 2015 ou 2016. Mas fico pensando se a gente não está trocando uma coisa por outra sem perceber o preço.


Porque o mistério não era só falha de arquivo. Era espaço. Um objeto sem explicação — uma chave, uma foto sem nome atrás, uma carta sem assinatura legível — obriga quem encontra a inventar. A imaginação entra exatamente onde a informação falta. Eu, com a chave enferrujada, fiquei imaginando cadeado, portão, infância — nenhuma dessas hipóteses é fato, são todas invenção minha, preenchendo um buraco que a própria chave deixou. Se aquela chave viesse com etiqueta dizendo “portão da casa da Rua X, 1987”, eu não teria pensado em nada. Teria só lido a etiqueta.


Os meus netos, cercados de etiqueta, talvez nunca precisem imaginar a própria história. Vão poder consultá-la. E consultar não é a mesma coisa que reconstruir — uma é leitura, a outra é invenção, e são exercícios completamente diferentes da cabeça.


Não sei se isso é perda mesmo, ou só mudança que me incomoda por eu ter nascido em outra época. Toda geração deve ter achado que a geração seguinte ia perder alguma coisa importante — meu pai provavelmente achava estranho eu não saber consertar uma torneira, e o avô dele achava estranho que ninguém mais soubesse tirar leite de vaca. Talvez eu esteja só fazendo, agora, a versão nova dessa reclamação antiga.


Mas hoje, especificamente, me ocorreu uma coisa que acho que nenhuma geração anterior teve que enfrentar: não é só que os netos vão ter menos mistério sobre os objetos deles. É que também não vão ter mistério nenhum sobre nós. Cada mensagem que troquei com a Mônica, cada foto boba que tirei sem querer publicar, cada pesquisa idiota que fiz de madrugada — tudo isso, tecnicamente, pode sobreviver a mim, guardado em algum servidor que eu nem sei localizar. Meus netos podem, um dia, se quiserem e tiverem acesso, saber mais sobre os meus dias comuns do que eu mesmo lembro. Enquanto eu, do meu pai, tenho só o que ele me contou, e o que sobrou na minha memória, que já era pouco e ficou menor com o tempo.


Isso inverte uma coisa que sempre foi natural: os mortos sempre foram mais misteriosos que os vivos. A gente sabia menos do avô do que sabia de si mesmo, porque a memória dele morreu com ele, exceto o que nos contaram. Agora talvez não seja mais assim. Talvez eu deixe, sem querer, mais dados sobre minha vida do que consegui deixar de sabedoria. Mateus e Gabriel, meus netos, daqui a sessenta anos, podem saber a que horas eu dormia em 2026, mas não vão saber o que eu realmente pensava sobre a vida — porque isso, esse tipo de coisa, ninguém salva em servidor nenhum. Fica só se eu escrever. Fica só numa crônica dessas.


Talvez seja por isso que continuo escrevendo. Não para deixar registro do que aconteceu — isso a nuvem já faz sozinha, sem minha ajuda. Escrevo para deixar o que a nuvem não sabe guardar: o que eu pensei sobre o que aconteceu.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

RESGATANDO MEMÓRIAS AFETIVAS


As recordações movem moinhos, são nossas histórias e seus detalhes.


Podemos trazer coisas lindas de volta para o tempo presente, então reveja antigos álbuns de família, cartas ou deixe em destaque em um cantinho de seu ambiente objetos que pertenciam a pessoas queridas.


Recordo-me do cheiro e sabores das comidas que minha avó preparava e ainda bem vivo o aroma daquela macarronada a bolonhesa; na minha memória, relembrando o almoço em família da minha infância.


As músicas que marcaram épocas importantes da sua vida ou da sua ancestralidade levam-nos para as linguagens secretas de nosso coração. Elas são inspirações que brotam no nosso momento, renascendo em nossos pensamentos.


As flores, os jardins, as tardes de passeios são encontros afetuosos resgatados por nossa memória afetiva, desnudando sentimentos e emoções.


Não importa se são lampejos de afetuosidades, importa que nos façam bem; estes fazem parte de um tempo que pode construir fortalezas em nós. Resgatar memórias afetivas são pontos positivos para trazer o que foi bom, com belezas renovadas.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

NOS BASTIDORES DA IGREJA


O cair é do homem e o levantar

É de Deus o único que pode nos julgar

Mas Ele sempre preferiu nos perdoar

É só a gente se arrepender e a Ele amar.

A adicção é um pecado, que está exposto

Diante dos nossos olhos, ele deturpa

E corrompe o caráter do homem que

Começa a viver sob o jugo da escravidão.


Muitos conhecem Jesus e buscam a sua Salvação e na igreja, eles só querem receber O amor de Cristo e um abraço de um irmão, Mas acabam se deparando com a acepção De pessoas e logo vem o fel da decepção.


Infelizmente, na igreja tem muito crente rico e 

Pobre de espírito que não entendeu o evangelho

De Cristo e lutam por status em cima do altar para 

Mostrar ao homem algo que Jesus não nos ensinou.


Que é apontar o dedo para aqueles que os Valentes,

Mas nos bastidores eles têm uma vida indecente,

Jesus veio para curar aqueles que estão doentes 

E para Ele somos corpo e parte da mesma gente.


AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

O TERRENO QUE RECEBEMOS.


Toda família entrega alguma herança. Às vezes, são casas, terras e histórias. Em outras vezes, podem ser medos, silêncios, crenças e maneiras de amar entregues que scabsm atravessando gerações.


Mas  sempre chega um momento em que percebemos que nem tudo o que recebemos precisa continuar conosco.


Um momento em que conseguimos honrar  nossa história sem repetir as dores de um sistema. Podemos amar nossa família sem renunciar a nós mesmos. Desejando o bem, fazendo nossas orações e, ainda assim, escolhendo a distância quando ela se torna necessária.


Algumas vezes precisamos, sim, colocar limites; essa também é uma forma de amor,  inclusive por nós.


Talvez romper um ciclo seja aprender a olhar para o terreno que a vida nos entregou e dizer, com carinho:


“Eu respeito de onde vim, mas agora posso escolher o que vou plantar.”


E, pouco a pouco, começamos a construir uma vida que não precisa agradar ninguém.


Uma vida que tenha a nossa verdade, a nossa paz e o nosso jeito de amar. E continuar respeitando o terreno do outro. 


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

BAÚ


No baú da vida, guardamos, aprendemos e ensinamos que o céu é azul, as árvores são verdes, o fogo queima, a água afoga, o carro mata. Carregamos um baú imenso, cheio de nossas verdades, muitas das vezes, erradas e sem importância, e ensinamos às gerações vindouras.


Nesse baú há ideias, lendas, vícios, lembranças, frases, textos, histórias, várias versões, espetáculos, amores, ensinamentos, mágoas, decepções.


Nesse baú, carregamos tantas coisas desnecessárias! Tanto peso que faz doer a coluna e do qual precisamos nos livrar! A dúvida é: qual peso retirar? Do que precisamos desapegar? Por que precisamos acumular tantas coisas ao longo da vida? O que retirar do baú? Por que retirar um item pode prejudicar o outro? Por que acariciamos o que nos faz sofrer? Por que temos pesos de estimação?


No baú da vida, precisamos selecionar, abrir, jogar a chave fora, deixar fluir o que não faz bem, deixar voar pela janela, como pensamentos voláteis, aliviando o baú da nossa alma.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

NA ESCURIDÃO


Na escuridão de meu quarto,

Dores nos rins são como dor de parto,

Desabo de chorar,

Por amar e não te ver...


Fico querendo saber,

Como foi sua noite,

Saber sobre seu repousar,

Se esta manhã, estarei em seus pensamentos...


É tanto sonho e desejo,

É tanta vontade de te amar,

É muito mais que apenas querer...


E mesmo que a vida não aceite,

Por todos os momentos que me restam,

Quero passar eles, te amando eternamente.



AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

AMIZADE


Quando uma amizade nos ajuda a seguir em frente, a gente percebe que ela pode nos dar confiança e coragem para realizar tantas coisas que antes pareciam difíceis.


Até andar a cavalo eu já andei e atravessei lagoas!


Sabe, tudo isso é só a gente sendo a gente, do nosso jeito, sem rótulos e sem se importar tanto com o que os outros pensam de nós.


É acreditar mais no que somos capazes de realizar, sorrir mais vezes, dançar cedinho, acordar sorrindo e aproveitar a vida, porque só temos essa vida para viver.


É assim… a gente se sente mais leve, mais feliz.


Ser quem somos, sem magoar ninguém, mas aprendendo também a nos colocar em primeiro lugar.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

FACILIDADES


Facilidades

Aplicativos para quase tudo.

Frutas sem sementes.

Tapioca já hidratada.

Lata de sardinha que abre sem precisar de faca.

Água na torneira, dentro de casa.

Controle remoto.

Portão automático.

IA para perguntar e responder.

Texto? Nem precisa mais digitar, já tem aplicativo para transcrever.

Quem viver, verá quanta coisa ainda vai surgir para facilitar a nossa vida.


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

SOMOS DIAMANTES BRUTOS DE TORRA ESCURA


Pontos de vista são interessantes de ter e observar.


Como um bom apreciador de café, esta semana fui pesquisar um pouco sobre cafés e tentar apurar meu conhecimento e definir qual meu gosto.


Surpreendi-me com a seguinte constatação: eu gosto demais do sabor intenso, forte e robusto, daquele amargor marcante. Quando o tomo bem quente, encorpa na boca; praticamente sou adepto de café expresso.


Enquanto o café de torra média ou clara é mais suave, delicado e mantém o sabor original do grão, os cafés especiais são mais ácidos.


Indo um pouco mais fundo na pesquisa, descubro que a minha preferência é justamente pelos cafés de torra escura, os quais não são os mais indicados para consumo, pois contêm certas impurezas e os grãos são imaturos e inferiores, mascarados pelo calor intenso. Devo concordar, pois gosto de café de torra escura, pelando a boca. Me dá uma satisfação imensa tomar goles e goles desse tipo de café bem quente.


Penso que este tipo de café pode ser menos rentável comercialmente, contudo, para mim, ele é bastante amargo. A sua torra o torna com sabor de carvão e diminui a quantidade de óleos essenciais presentes nele.


Porém, para muitos brasileiros, em geral, os cafés de maior sucesso são os de torra média e escura, sem se apegar a marcas. Nós crescemos e nos adaptamos a diferentes tipos de café. O café é algo que todos nós gostamos. Nós tomamos café logo de manhã, no trabalho ou em eventos. Muitas vezes, nem percebemos como isso é importante.


No fundo, o mal que os cafés de torra escura fazem é dar uma azia ou queimação no estômago, mas se você é como eu, que conta a quantidade de café que toma em litros ao invés de xícaras, deve saber que a diferença entre o veneno e o remédio é a concentração. Então, dependendo da quantidade de dose, é que terá melhor ou pior efeito em seu organismo.


Flutuando na imaginação, fiquei preso às características da minha preferência por café de torra escura, e indago-me: será que sou uma pessoa bruta? Quebrei minhas origens por ser pressionado durante a vida toda, até o que esvai de mim em certos momentos, seja fumaça do carvão ardente de algum desconforto intelectual fictício, ou horas em que extravaso o fulgor das minhas decepções ao longo da vida, meus fracassos e meus desamores não correspondidos.


Teria perdido a acidez da alma que reagia mais friamente a tudo e hoje tenho um ar meio arrogante de expor minha visão com tanta convicção que chega a ofender quem diverge de mim e se afasta lentamente?


Convicções são necessárias e penso que, igual a uma pesquisa de preferência nacional, o ideal para o fabricante é ter o café na sua qualidade mais original em evidência, que é o caso do café de torra clara. Seria mais satisfatório do ponto de vista de produto matriz, mas não vejo ninguém se importando com o sucesso da venda do café de qualidade incorreta e alterado pela torra de ingredientes de baixa qualidade. Porém, na visão comercial, o café incorretamente político é o grande sucesso de vendas e redistribuição, ao menos nacionalmente.


Então a alusão ao gosto do café pode ser talvez uma fusão de personalidade minha, unida ao gosto de grande maioria nacional. Afinal, podemos não conseguir ter mais aquela inocência do berço em que nascemos, mas, devido às fumaças de pressão sofridas durante a vida inteira, acabamos como carvão fundido pelas altas temperaturas e, quem sabe, lá na frente, seremos não só um exemplo de café de torra escura, sem certa originalidade, mas sim peças de diamante bruto forjadas ao calor intenso de nossas vivências, experiências e sofrimentos devidamente auto trabalhados.


Pensemos em qual café iremos tomar amanhã: de torra escura ou de classe média?


Universo do Tio Dudú


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

NOVA JORNADA


Jornada de muitos percalços,

Temporariamente, deixou a alma angustiada,

Com a visão desfocada.


Um mosaico de cicatrizes

Desenhado no peito,

Momentos infelizes,

Lembranças terríveis...


O passado precisa ser superado.

Após uma tenebrosa tempestade,

O sol volta a brilhar.

O tempo leva os enfados, as decepções

E planta a semente da esperança nos corações.


A vida acorda

Para mais uma jornada.

Talvez haja mais alegria, afeto, cumplicidade,

Oportunidade para sonhar e viver,

E amenizar as cicatrizes

Que a fazem padecer.









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