REFLEXÕES Nº 223 — 02/08/2026
- Luiz Primati
- há 3 horas
- 17 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
O MAL COMO PROBLEMA FILOSÓFICO
Outro dia vi na TV um homem que matou a própria mãe a facadas porque ela não deu dinheiro para droga. No dia seguinte, mesmo noticiário, mesma hora, um tornado atingiu o estado do Rio Grande do Sul, elevou o nível do Rio Guaíba e levou embora um bairro inteiro. Duas desgraças, uma feita por mão humana, outra pela natureza cega, e eu fiquei pensando bobagem, sentado no sofá: qual das duas é pior? A que teve escolha ou a que não teve nenhuma?
Não sei responder. Só sei que fiquei sem fome naquele dia.
A gente cresce ouvindo que o bem vence no fim. Filme americano, novela das nove, sermão de domingo — todo mundo garante o final feliz, cedo ou tarde. Só que a vida não segue esse roteiro com muita disciplina. O bem, quando vence, vence apertado, suado, e às vezes só depois que o estrago já foi feito. O mal, esse não precisa vencer: basta persistir. Basta continuar aparecendo amanhã, e depois de amanhã, e não dar trégua.
Tem um detalhe que me incomoda mais do que o mal em si: a facilidade dele. Fazer o bem exige esforço — acordar cedo, pedir desculpa, dar o troco certo mesmo quando ninguém ia notar o erro. Fazer o mal, às vezes, é só não fazer nada. Deixar passar. Fechar a cara. Não atender o telefone de quem precisava de ajuda. O mal tem um atalho que o bem não tem, e isso não é justo, mas parece ser assim mesmo.
Meu avô Otércio nunca foi para guerra nenhuma, mas tinha um amigo que foi, e esse amigo contava tudo para ele — sem pressa, sem drama, do jeito de quem já não sente mais nada ao lembrar, ou finge que não sente. Meu avô repetia aquilo revirando o estômago só de lembrar do amigo narrando os detalhes, sem a perna direita, como se a perna fosse o menor dos problemas que se paga numa guerra. "Coisa que homem não devia ver", dizia meu avô, e nem tinha visto, só ouvido — e mesmo assim carregou aquilo a vida inteira, feito dor emprestada do amigo. E ele, que soube de tanta desgraça feita por mão de gente, ainda assim guardava ferramenta velha achando que "ainda funciona". Não sei explicar direito por que isso me toca tanto, mas toca: soube do pior do homem, de segunda mão, e continuava acreditando em consertar coisa. Talvez seja essa a única resposta que valha alguma coisa — não explicar o mal, só continuar consertando as coisas, apesar dele.
Porque explicação, no fim, eu penso que não existe uma que preste. Já ouvi um monte: que o mal é ausência do bem, como sombra é ausência de luz. Bonito, mas duvido que consolasse a mãe daquele rapaz da faca. Já ouvi que o mal existe para testar o caráter, para a gente crescer, para dar sentido ao livre-arbítrio. Cada explicação parece feita para quem está de fora olhando, filosofando, nunca para quem está dentro, sangrando.
O que eu acho, sem citar ninguém e sem querer converter ninguém à minha opinião, é que o mal prospera porque ele é mais rápido que o bem. O bem precisa de tempo — criar vínculo, criar confiança, criar costume. O mal é instantâneo: um gesto, uma facada, uma palavra maldosa numa hora ruim, e pronto, o estrago está feito para sempre. Bem se planta; mal se detona. E não tem safra que compense certos detonamentos.
Ainda assim — e aqui confesso que não sei bem por quê — continuo plantando. Continuo fiando para quem talvez nunca me pague de volta. Continuo acreditando que vale a pena arrumar gaveta para quem vai viver depois de mim. Não é porque tenho prova de que o bem ganha no final. Não tenho prova nenhuma. É porque a alternativa — parar de plantar, por pura estatística — me parece o verdadeiro triunfo do mal. Não o crime em si, mas a gente desistir de duvidar dele.
Aquele rapaz que matou a mãe também foi criança um dia. Alguém deve ter feito cafuné nele, deve ter cantado para ele dormir. Não sei em que esquina da vida dele o mal ganhou terreno que o bem não conseguiu segurar. Essa é a pergunta que realmente me tira o sono, mais do que qualquer resposta bonita sobre teodiceia: em que momento a gente perde alguém para o lado de lá? E será que dava para adiar o inevitável?
Não sei. Só sei que continuo mudando de canal quando o noticiário fica pesado demais, e no dia seguinte volto a ligar de novo, como quem se sujeita ao próprio incômodo por dever ou curiosidade.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
ALEGRIA - AUTÊNTICA FELICIDADE
Refletindo sobre esse estado espiritual, percebo que a alegria pode estar em nós a qualquer hora, instantes ou momentos, sem ansiedades ou correrias. O importante é saber usufruir dessa sensação de bem-estar, que enriquece a alma e o coração. Recordo a música… “Balada do Louco”, composta por Arnaldo Batista e Rita Lee, a qual tem um significado profundo celebrando a individualidade e a liberdade de ser autêntico, mesmo que isso signifique ser considerado “louco” pela sociedade. A frase central, “Mas louco é quem me diz que não é feliz”, critica a hipocrisia de quem julga a felicidade alheia sem buscar a própria satisfação, e a música na totalidade questiona os padrões sociais de normalidade e sucesso. A canção, convida o ouvinte a questionar o que é realmente ser feliz e a valorizar a autenticidade, mesmo que isso implique em ser considerado “diferente”. Importante é, abrir o coração para alegrias diversas e repletas de significados. Compartilhar nossos melhores momentos, talentos e sentimentos, uma nobreza sem fim; pois é dando alegrias que recebemos mais alegrias, de todas as maneiras, zelando e cuidando, dizendo para as pessoas: “Seja feliz”!
Penso que pode ser assim, olhando para o nosso mundo interior, reconhecendo a alegria, com caminhos para o encontro com a felicidade, que não chega de um dia para a noite, mas como um rio que teima em ser mar.
Seja a sua alegria feliz, despertando belezas e positividades.
Afinal, a alma pode ser eternamente iluminada com a luz da alegria espontânea, leve e encantadora.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
UM LUGAR ESQUECIDO
No anteparo para o mar do outro lado
Da ilha, a fome é costumeira, a infância
Diariamente, é roubada e a exploração
Há tempos já foi normalizada e o
Poder aquisitivo é quem manda
E quem comanda esse flagelo
Humano e tudo isso acontece
Diante de tantas belezas naturais.
E em seus navios e iates pomposos,
Cheios de requintes estão os milionários
E os usurpadores que adentram no rio
Amazonas e logo ficam fundeado
À espera das canoas que vêm do
Povoado ribeirinho transportando
A inocência do pequeno infante
Que sem saber se lança para o Vilipêndio cheio de esperança.
Na beira do rio, as crianças anseiam por
Um pedaço de pão e, paralisadas, elas olham
Fixamente para o mar e infelizmente
Muitas são lançadas ao rio e pelos
Próprios pais, elas são jogadas aos
Tubarões brancos e após isso
Infelizmente, elas são devoradas.
E diante das nossas retinas, esses abutres
Seguem com esse rito de barbárie que
Na cidade, já se tornou normal onde Muitos fingem não ver, até quando Vamos aguentar essa situação,
Ver e ter que fechar os olhos Com medo das represálias E dos aliciadores que
Alimentam esse mercado sombrio.
Até quando!
Até quando vamos ser coniventes com isso!
Até quando crianças vão ser vilipendiadas!
Precisamos defender a criança e os seus direitos!
Precisamos abrir os olhos!
O governo federal precisa olhar para Marajó!
O Brasil precisa clamar por Marajó!
Salvem as nossas crianças!

AUTOR Kenia Pauli
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
QUANDO A GENTE SENTA NA MESA
Essa semana eu vivi uma experiência muito simples, mas que me fez refletir.
No fim de semana, comemoramos o aniversário do meu filho e, entre os presentes, chegou o Monopólio. Para quem não conhece, ele é muito parecido com o nosso Banco Imobiliário. O jogo foi lançado em 1935 e, quase cem anos depois, continua conseguindo algo que, muitas vezes, a tecnologia não consegue: reunir pessoas em volta de uma mesa.
Na hora, era só um jogo. Mas eu não imaginava o que ele despertaria dentro da nossa casa.
Na segunda-feira, meus filhos resolveram jogar. Na terça, meu marido, que estava de folga, entrou na partida. Em outro dia, fui eu. Quando percebemos, passamos horas em volta da mesa. Conversando, rindo, negociando, implicando um com o outro… simplesmente estando juntos.
E foi aí que veio a minha reflexão.
A gente vive dizendo que não tem tempo. Mas, muitas vezes, o que falta não é tempo. É presença.
Cada um fica no seu celular, nas suas redes, nos seus compromissos e, sem perceber, vamos deixando de viver os pequenos momentos que alimentam os vínculos.
Enquanto jogávamos, eu pensava que não era sobre o Monopólio.
Era sobre o que acontece quando uma família se reúne. Quando cada um ocupa o seu lugar e, por algumas horas, só existe aquele momento. É ali que o pertencimento se fortalece. É ali que a nossa história continua sendo escrita.
Quem veio antes de nós sabia da importância desses encontros. As memórias eram construídas ao redor da mesa, nas refeições, nas conversas, nas brincadeiras. Eram esses momentos simples que fortaleciam os laços e davam continuidade àquilo que cada geração recebia e também transmitia.
Talvez seja por isso que essa semana tenha me tocado tanto.
Porque, no fim das contas, o Monopólio foi apenas o pretexto.
O verdadeiro presente foi o tempo que compartilhamos.
Daqui a alguns anos, provavelmente ninguém vai lembrar quem venceu a partida.
Mas acredito que todos vamos nos lembrar das risadas, das conversas, das brincadeiras e da alegria de estarmos juntos.
E, pensando bem, talvez seja isso que realmente deixamos para quem vem depois de nós: não apenas uma história para contar, mas memórias cheias de presença, vínculos fortalecidos e raízes que continuam sustentando as próximas gerações.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
DIAS ASSIM
Tem dias assim: nem tristes, nem alegres.
Parecem mornos, mas deixam o coração acelerado e emotivo ao mesmo tempo.
E não se sabe bem o que é.
É um querer e, ao mesmo tempo, não é só querer…
Talvez o tempo nublado traga esse tipo de dia para a gente.
Só sei que existem dias assim.

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
GRATIDÃO À MINHA MANA
Gratidão é
O coração festejar
A visita da irmã,
Passear com ela todas as manhãs.
Gratidão é
Refletir sobre o passado
E lembrar do teu grande cuidado.
É ser consciente
De que você é um presente.
Cuidou muito bem dos irmãos,
De modo excelente.
Apesar da pouca idade,
Demonstrou maturidade,
Ajudando a educar os irmãos
Com muita responsabilidade.
Uma adolescente
Com tamanhas atribuições:
Cuidar da casa, de vários irmãos,
Estudar... Enfim,
Eram muitas preocupações.
Mas você foi sábia, exemplar,
Bem-sucedida em nos educar,
Ajudando nossos pais nessa missão.
Meu coração transborda de gratidão.
Mana, querida,
Como eu te amo!
Obrigada por cada gesto de amor.
Você foi essencial
Na pessoa que hoje sou.
Ao revisitar minhas memórias,
Escrevi estes versos singelos,
Pois teu amor é parte da minha história.

AUTOR Eduardo Grabovski
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
RECARREGUE SUA PERFUMADA FORMA DE SER.
Perfumar é uma maneira bem sutil de trazer sensações para o corpo e atingir indireta ou diretamente a nossa alma, é trazer para o cérebro sensações de beleza, estima e empoderamento para mulheres com o complemento das skin cares e outros complementos cosméticos que valorizam a estima feminina.
Comprei um perfume novo para meu uso pessoal e fixei no momento a sensação que ele me trouxe e parti para imaginar seus efeitos, logo pesquisei e olha só como a perfumaria age em nossa mente.
Para o ser humano o olfato é um instrumento que trás ao nosso cérebro a sensação de memória, traz emoções e identidades.
A palavra perfume vem do latim com significado: “Per Fumum” e quer dizer: “através da fumaça”.
Uma conexão de espiritualidade onde aromas utilizados em rituais sagrados por povos antigos por meio de ervas e essências confeccionadas para serem sentidas e ritualizadas como uma forma de conectar o material com o sagrado espiritual. Ainda hoje existem incensos e óleos utilizados em eventos religiosos, mas se olharmos com uma visão generalizada, sem buscar conexões ou mensagens subliminares, veremos que os aromas da vida representam personalidades e maquiam a maneira de ser de uma pessoa por meio de um cheiro.
Já experimentou antes de sentir as provas de perfumes que até confundem nosso olfato no momento em que você quer escolher um perfume nas lojas do ramo, e perceber que você, ao escolher uma fragrância, acaba se conectando com a sua personalidade no momento, vamos exemplificar.
- Se você é uma pessoa positiva e otimista, ama a rotina e prática esportiva, sua sensação de personalidade se conecta com essência cítricas de perfumes.
- Quando você é uma pessoa romântica, doce, sensível e delicada, valoriza laços profundos e empatia preponderantemente, sua personalidade se conecta com essências florais.
- No passo de que uma pessoa altiva, elegante racional e naturalmente segura que impõe respeito através da simples presença tem conexão olfativa diretamente ligada a essências amadeiradas.
- O magnetismo da sedução, exuberância e mistério e deixa um rastro de magnetismo por onde passa, tem a combinação perfeita com perfumas orientais e ambarados.
- A personalidade jovial, alegre, cheio de vida e descontraída se comunica muito bem com essências florais/gourmand.
Incrível ver a personificação de caracteres que se fundem com a essência extraída da natureza e estimulam, através dos sentidos, a maneira de ser de um indivíduo por meio da perfumaria olfativa.
Maravilhoso é perceber como os aromas não são apenas complemento de autoestima ou beleza física e social, eles são combustíveis da alma humana acima de tudo, trazem calma e no fundo são instrumentos de recarga emocional para nós humanos.
Quem nunca ficou um tempão tentando escolher um perfume novo entre as diversas fragrâncias do mercado e acabou se deparando com aquele perfume que você diz com propriedade que é o seu cheiro? Não digo somente sobre uma fragrância, afinal eu mesmo escolho uma para cada ocasião como um instrumento de auxílio à autoestima e segurança para encarar um evento social, um encontro íntimo ou manter o bom vigor durante a prática de um esporte, isso vai além de odores e aromas, falo sobre o elixir mágico da segurança de nossa maneira de ser e encarar a vida.
Utilize a aromaterapia para encontrar segurança e realçar sua personalidade. Inspire-se, inspire-se em ser sempre quem você é, sem permitir que fatores externos influenciem suas ações, pensamentos ou realizações. Imagine que, muitas vezes, você vai a uma loja de perfumes para escolher um novo perfume, mas acaba sendo influenciado inconscientemente pela essência da sua alma através de fragrâncias que refletem a sua essência, apenas com um aroma distinto.
Afinal, não é regra. E faça como eu, pensei em algo diferente, mas não deixei de ser atraído pela minha essência amadeirada de ser para todos os momentos e sem deixar de ter atitudes acaloradas de forma oriental com vigor cítrico de não perder a intensidade em minhas realizações.
No fundo, quando houver dúvidas de como você ser ou se comportar, pode ser a hora e o momento exato de recarregar sua personalidade, sendo escolhido por uma profunda essência inspirada por uma família olfativa que pode ser encontrada numa loja de perfumaria bem perto de ti, mas que está ali apenas para servir de combustível para sua personalidade.
Universo do Tio Dudú

AUTOR Miguela Rabelo
Miguela Rabelo escritora de crônicas, contos e poemas, com seu primeiro livro solo de poemas: "Estações". Também é mãe atípica e professora da Educação Especial no município de Uberlândia-mg.
O VALOR DA VIDA
E de repente, mais uma manhã com um sol suave, uma brisa gélida, característica do mês que acabou de chegar, sem ressalvas: enfim, agosto chegou... a gosto de Deus, espero dias melhores, mais leves, prósperos... e agradeço, por mais um dia estar presente no hoje, pois no ontem não estou mais... exceto nas lembranças do que fui e fiz... e assim, espero que tenham sido especiais, divertidas, emocionantes, intensas, profundas e preciosas... esse as vezes é um erro meu, audacioso em ser marcante em algum aspecto... não me agrada ser insonsa. Talvez, em alguns momentos, até tente ser, por naquele exato momento, querer passar despercebida no meio da multidão, mas... do nada, tropeço e ali viro o centro das atenções ou... não consigo segurar minha língua diante um assunto que muito me instiga, e por isso quero perguntar ou comentar algo e minha impulsividade me trai...
E do futuro, nesse conheço apenas nos meus sonhos, ideais... ele é impossível de plenamente estar, porque primeiramente, cruzar a faixa do relógio no próximo segundo, é nossa fatídica incerteza... a vida, mesmo diante de todas suas belezas, potencialidades e possibilidades ainda sim, é uma raridade, permeada de imprevisibilidades... e diante dessas constatações, nossa única certeza é martelada, porém sem hora certa e data marcada e por isso, cada segundo, deveria ser tão precioso: escutar o uivar do vento, sua temperatura, a forma como sacode nosso corpo, tirando ele do centro... o som da chuva, o frio que ela invade nossas roupas e congela a pele e o cheiro que ela deixa, sabor de capim molhado... sentir a sensação do sol aquecendo nosso corpo, iluminando o que até então estava abrigado e congelado em um centro de UTI... essa sensação é indescritível... voltar a sentir a sensação da água irrigando sua língua, laringe e esôfago... são sensações como inundar uma terra seca e batida com o frescor e doçura de um rio... o calor de um abraço, que te faz ter a sensação de estar dentro do útero materno, a sensação de paraíso do sabor de um beijo apaixonado com o pertencimento de lar.... o valor de um café após uma noite mal dormida... a importância da presença de um olhar que não te condena ou de uma escuta repleta de resiliência e compaixão....
São momentos que não temos como comprar, pois eles acontecem o tempo todo, infelizmente e, muitas das vezes de maneira automática, entretanto a ampulheta do tempo que nos mostra do valor que eles possuem... se somos jovens, acreditamos ter o tempo todo no depois para degusta-los, porém, essa é uma doce e enganosa ilusão: pois o depois, pode simplesmente não existir no segundo seguinte e tudo isso parece muito absurdo... mas, é apenas um aterrorizante fato, que muita das vezes ignoramos e por isso, no esquecimento, choramos e sofremos em prol daquele último abraço, conversa, pedido de perdão e último beijo... Mas, se já estamos a nos arrastar com três pernas, como ilustrada na metáfora imposta pela Esfinge a Édipo, ali, o tempo e cada segundo se tornam preciosos, e a hipótese no depois é inexistente. E por esse motivo que o valor do tempo geralmente é mensurado pela idade que temos, mas que de fato é uma total ilusão de percepção.
Talvez a beleza e dor da vida seja o quanto ela ao parecer ser banal, na sua recorrência e repetição dos atos, onde tudo aparentemente parece previsível... simplesmente se mostra, imprevisível e preciosa e as vezes, impiedosa, não por maldade, mas porque cada um recebeu uma ampulheta invisível no qual nosso tempo esteja escoando, e o valor dele não está nos bens adquiridos, nos troféus conquistados, nas medalhas recebidas ou nos cargos e planos de carreira alcançados... entendi, no auge dos meus quase 43 anos, que o valor da vida, esta na escuta atenciosa de alguém angustiado e com dor, no estranho ou no amigo que necessita de um abraço apertado, no olhar em perceber alguém que se sente insignificante, mostrando a ela que tem seu valor. Então, por isso, o valor da vida está em justamente fazer diferença na existência dos outros.
E por ultimo e não menos importante, a impossibilidade de estar presente no futuro, mesmo que cruze a linha dos ponteiros do relógio é que de fato, aquela no segundo seguinte não será a mesma do segundo anterior... pensamentos, ideias e ideais mudam, sonhos são alcançados ou substituídos, o olhar, sorriso e o andar mudam... Como aquela garotinha que tinha medo de soltar a barra da saia da mãe para dar os primeiros passos e que no segundo seguinte soltou para caminhar até as gotas de água que caiam da mangueira suspensa, simulando uma chuva... é diferente da moça que já dançou na chuva, que pedalou de baixo dela ou que também correu amedrontada para não se molhar... e vai ser diferente da senhora que irá se arrastar, com dificuldades de locomoção para se esconder da tempestade na próxima marquise...
Por isso, o que literalmente temos, é o aqui e agora para apreciar... o passado é apenas uma fumaça nostálgica que pode ser admirada pelo retrovisor... o futuro é a paisagem idealizada no fim do horizonte, que sempre nos motiva a caminhar, mas que é exatamente infinita... sem destino certo, sem hora marcada... precisamos apenas continuar caminhando, sem desistir ou olhar para trás. Entretanto, se o cansaço apertar, precisamos apenas sentar, fechar os olhos por alguns segundos, respirar fundo e admirar o percurso já caminhado, valorizando toda a caminhada até ali, mas... não esquecer... que se ainda há oxigênio, existirá forças suficientes para reagir e continuar a seguir, sempre em frente.






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