REFLEXÕES Nº 220 — 12/07/2026
- Luiz Primati
- há 2 dias
- 17 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
A REALIDADE DE CADA UM
Discuti com o Felipe, semana passada, sobre a cor de uma parede. Eu jurava que era cinza. Ele jurava que era azul. Ficamos ali, os dois diante da mesma parede, recebendo a mesma luz nos mesmos olhos, e cada um vendo uma coisa. No fim, rimos e mudamos de assunto. Mas a pergunta ficou me acompanhando o resto do dia, como um cachorro sem dono: se nem numa parede a gente se entende, o que mais estamos vendo diferente sem saber?
A gente cresce acreditando que o mundo é uma coisa e nós somos outra. O mundo está lá fora, sólido, pronto, e nós apenas abrimos os olhos e o recebemos, como quem abre a janela e recebe a manhã. Bonito. Só que não é bem assim que funciona.
O que chega até mim não é o mundo: são sinais. Luz, som, pressão, temperatura. Matéria bruta, sem legenda. Quem transforma isso em casa, rosto, música, ofensa e saudade sou eu — ou melhor, é essa fábrica silenciosa que trabalha atrás dos meus olhos sem nunca me pedir opinião. Eu não vejo o mundo. Eu vejo o relatório que meu cérebro escreve sobre ele. E relatório, todo mundo sabe, depende de quem redige.
Lembro de ter topado com essa ideia pela primeira vez num livro de introdução à filosofia, desses de banca, que comprei mais pela capa do que pelo conteúdo. Kant desconfiou disso há mais de duzentos anos, sem precisar de laboratório. Dizia ele que a coisa em si — o mundo como ele é, independente de nós — a gente nunca alcança. O que alcançamos é o mundo já traduzido pelas nossas formas de perceber. Na época, achei exagero de filósofo. Hoje acho que ele foi até educado.
E se fosse só a biologia, ainda ia. Mas tem as outras camadas. A memória, que edita o passado toda vez que o visita e ainda garante que não mexeu em nada. O humor do dia, que pinta a mesma rua de promessa ou de ameaça conforme a noite que dormimos. As crenças, então, nem se fala. Duas pessoas assistem ao mesmo telejornal e saem indignadas com lados opostos. Ninguém mentiu para elas. Cada uma apenas assistiu de dentro de si.
Isso podia me levar ao desespero cético: se cada um constrói sua realidade, nada é real, tudo é opinião, e viva o vale-tudo. Mas eu desconfio desse pensamento simplista. A parede pode ser cinza para mim e azul para o Felipe, mas se qualquer um de nós tentar atravessá-la, o resultado é o mesmo. O mundo existe e cobra. A gravidade não pergunta no que eu acredito. A construção não é da realidade — é da nossa versão dela. Quem confunde as duas acaba, cedo ou tarde, dando com a testa em alguma parede que jurava não estar ali.
Talvez a sabedoria more exatamente nesse ponto: saber que existe um mundo, e saber que eu nunca o vejo por inteiro. Que entre mim e ele há sempre um tradutor apressado, cheio de manias, que já errou antes e vai errar de novo. Não dá para demitir o tradutor. Mas dá para desconfiar dele de vez em quando.
Porque, no fundo, é isso que a conversa com o Felipe me ensinou: quando alguém vê diferente de mim, a primeira hipótese não precisa ser que a pessoa está cega. Pode ser que ela esteja apenas em outro ponto da sala, com outros olhos, outra vida inteira por trás do olhar. A realidade dela é tão construída quanto a minha. E tão sincera, imagino — pelo menos até alguém tentar me convencer de que aquela parede era azul.
Ainda acho que era cinza. Cinza-azulado, provavelmente. Mas hoje, quando passo por ela, olho duas vezes.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
QUE NADA NOS TIRE O EQUILÍBRIO
A maturidade nos ensina. Com ela, ganhamos clareza, ouvimos melhor nossos pensamentos e nos animamos mais para as vivências que nos chegam. O mundo é um constante desequilíbrio: nada é longe e, ao mesmo tempo, tudo é perto. Nossos sonos são tranquilos e, em outras horas, perturbados. Resta continuar, com vistas aos mares, que tantas vezes poetizam em nós um mundo de felicidades.
Devo dizer que simpatizo com o viver em tentativas de equilíbrio — com o essencial, com o verdadeiro, com a coragem de pensar.
O que significa, para você, estar em equilíbrio?
Amar a humanidade, sermos doadores de motivações e buscarmos a harmonia. O equilíbrio pode estar nas nossas vontades de sermos melhores a cada momento, na grandeza que nos forma. Na dinâmica das nossas singularidades, ao sermos carinhosos com as pessoas que fazem parte da agenda dos nossos dias, amadas por nossos olhos e por outros, aliviamos pesos.
A melhor forma de ser e estar no mundo é poder ser nascente do nosso próprio equilíbrio.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
QUEM CUIDA DE MIM, NÃO DORME
Seja humilde e grato, simples e educado,
Paciente e gentil, manso e acolhedor
Mas nunca baixe a cabeça para ninguém, Porque só você e Deus sabem da sua história.
Siga firme na sua caminhada e não
Esqueça de sempre expressar a sua gratidão
E de joelhos dobrados no chão
Não deixe de fazer uma oração
E sempre que puder, ajude um irmão
E guarde os ensinamentos de Jesus no seu coração
E lembre-se que mesmo se o mundo inteiro
Estiver contra você, segura na mão de Deus
Porque Ele é quem define a sua história.
Infelizmente, nós vivemos em uma sociedade Onde grande parte das pessoas age nos Bastidores e querem ver você bem, mas Não melhor do que elas e por essas pessoas Eu oro e sinto em dizer que elas vão se
Assustar com aquilo que Cristo tem
Para realizar na minha vida a ponto
De que elas vão sair correndo,
porque quem tem um propósito
De Deus para viver não morre.

AUTOR Kenia Pauli
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
OS ENCONTROS QUE A VIDA PREPARA
Hoje, enquanto escrevia uma mensagem de aniversário para uma amiga que conheci há cerca de quatro anos, me dei conta de como alguns encontros transformam a nossa vida de maneira silenciosa.
Nossa amizade começou de forma simples, sem grandes expectativas. Apenas uma conexão que foi crescendo com o tempo, por meio das trocas, do respeito, da generosidade e da admiração mútua. Percebi que, ao longo desses anos, aprendemos muito uma com a outra.
A visão sistêmica da Constelação Familiar nos convida a olhar para os encontros com mais consciência. Ela sugere que cada pessoa que cruza o nosso caminho pode trazer um aprendizado, um convite ao crescimento ou uma nova forma de enxergar a vida. Nem todos permanecem, mas todos, de alguma maneira, deixam a sua contribuição.
É bonito perceber que as relações mais significativas nem sempre nascem de grandes acontecimentos. Muitas vezes, elas começam em um gesto simples, em uma conversa despretensiosa ou em uma afinidade que, lentamente, cria raízes.
Hoje, mais do que escrever uma mensagem de aniversário, senti gratidão. Gratidão pelos encontros que a vida prepara e pelas amizades que, quase sem perceber, encontram um lugar permanente no nosso coração.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
A SAGA DA GARRAFA TÉRMICA
Achei que minha garrafa estava velha e encardida! Daí comprei uma garrafa cor-de-rosa com a tampa preta. Linda, linda!
A garrafa não conservava o café quente de jeito nenhum! Era bonitinha, mas ordinária! rs
Meu marido começou a reclamar, dizendo que não sabe por que eu fui trocar de garrafa, que a garrafa antiga estava boa, que troquei só porque estava velha, se eu ia fazer isso com ele também, etc.
Vejam a que ponto chegou!
Daí comprei uma terceira garrafa, bem maior que a outra, de tampa rosa choque!
Todas eu ferventei para depois usar! Pareciam estar boas!
Depois desse processo, passei a pôr o café!
O fato é que, mais uma vez, a garrafa não conservava a temperatura de jeito nenhum, quanto mais dar choque! rs
Eu e meu marido gostamos de tomar um cafezinho após o almoço, mas o café já estava morno. E o que tem que ser quente, não pode estar morno ou frio!
E meu marido sempre lamentando a garrafa velha que eu havia levado para o trabalho! Então, acabei trazendo a garrafa velha e levando a nova.
Que sirva de lição!
Por isso que têm os ditados: panela velha que faz comida boa, vassoura velha que conhece os cantinhos, etc.
Não despreze o que você tem por estar velho!
Compartilhando dessa minha saga, recebi a dica de enrolar o interior da garrafa com papel alumínio para conservar o café mais quente, lavar a garrafa sempre com água fervente, adicionar o café sempre na capacidade total da garrafa, etc.
E lembre-se desse outro ditado: beleza não se põe em mesa! Não é porque a garrafa é bonita que vai cumprir o seu papel!
Bom café para todos!
E pode ser um café corajoso, aquele que tem a coragem de te enfrentar sozinho, ele sabe ser encorpado na medida certa, confia no seu sabor marcante, ou um café medroso, aquele que precisa vir acompanhado de bolo, bolachas, etc!
Você escolhe como tomar o seu cafezinho de acordo com sua necessidade!

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
AH MEU AMOR
Ah, meu amor,
Que distante agora está,
Não sei como te chamar,
Só sei que quero amar.
Meu corpo não sente o seu,
Mas minha alma contigo está,
Não sinto o toque de seus beijos,
Mas meu corpo quer te amar.
Parece loucura,
Todo este meu desejo,
Mas é uma doçura...
Um dia sentirei seu beijo,
E nossos corpos ardentes,
Contentes em união.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
O ARREPIO DO ENCONTRO
Senti o chamado.
O arrepio só de lembrar que pode haver um encontro de almas, próximo à praia, com as folhas dos coqueiros balançando alegres, enquanto o sol, amarelo e latente, espalha seus raios de luz sobre o alto-mar.
Parece um sonho, um doce sonho, que pode se materializar, ou não, com o passar dos dias.

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
CASAMENTO FELIZ
O casamento não é um mar de rosas. No entanto, quando marido e esposa cultivam o amor, o respeito, o perdão e a boa comunicação, colocando Jeová no centro de sua união, conseguem superar os desafios, fortalecer o vínculo e viver felizes.
Embora muitos relacionamentos se desfaçam, há casais que enfrentam as dificuldades juntos e vivem em harmonia, guiados pelos princípios bíblicos. É claro que não existe casamento perfeito. Por isso, marido e esposa precisam unir esforços para vencer os obstáculos que surgem ao longo da vida a dois.

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
O SOL E A VIDA
Houve um tempo em que o sol era um grande companheiro do ser humano. O trabalhador rural despertava com seus primeiros raios e encerrava o dia quando ele se escondia no horizonte. As roupas secavam no varal, as crianças corriam descalças pelo terreiro e as avós tomavam café à porta de casa, aguardando o sol para esquentar o frio.
Ninguém tinha medo do sol. Havia respeito, gratidão e admiração. Ele era o relógio natural da vida, fonte de energia, saúde e esperança.
A luz atravessava as frestas das portas e janelas, aquecia os ambientes e fortalecia o corpo. Um banho de sol era recomendado como remédio; um fim de tarde na praia, um privilégio. O pôr do sol oferecia, diariamente e sem cobrar nada, um dos mais belos espetáculos da natureza.
Hoje, porém, nossa relação com o sol mudou. Vivemos cercados por telas, entre paredes de escritórios, quartos, shoppings e aparelhos de ar-condicionado, sempre correndo de um compromisso para outro de carro ou de UBER. Em muitas regiões, como a que moro, o calor intenso faz com que procuremos sombra o tempo todo. Pouco a pouco, passamos a enxergar o sol como um inimigo, quando, na verdade, o problema não é sua existência, mas os excessos e as mudanças climáticas que o próprio planeta vem enfrentando.
O resultado dessa distância aparece no corpo: mais cansaço, imunidade enfraquecida, ossos fragilizados e, muitas vezes, até o humor parece perder o brilho. Isso acontece porque a vitamina D não chega apenas em cápsulas. Ela nasce do encontro entre a luz do sol e a nossa pele.
Talvez seja hora de reaprender a conviver com o sol. Não de forma imprudente, mas com equilíbrio, proteção e consciência. Afinal, ele continua sendo o mesmo "astro-rei" que iluminou a infância de tantas gerações. Talvez quem tenha mudado demais tenha sido a nossa maneira de viver.

AUTOR Eduardo Grabovski
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
PACIENTADO A CONSCIÊNCIA
Paz é ter tranquilidade e, de certa forma, estar em ausência de problemas, conflitos ou desvios. A serenidade mental é um bom exemplo de paz, afinal, para se pensar, é necessário auto-relatar o que vem à mente ou o que marca a mente mediante emoções, a paz interior é uma utopia de sentimentos inebriantes.
O interior do ser em mentalização ideal é até terapêutico, afinal, no dia a dia, lidamos com altos e baixos de emoções e problemas e, como sempre existem aquelas belas palavras de momentânea sabedoria popular:
- Calma, respire, relaxe que tudo passa ou se encaixa e no final vai ficar tudo bem.
Se ter paz em momentos de tribulação é importante e inerente ao real problema, mesmo que seja momentâneo, é de se esperar o resultado utópico inspirado na frase que pede ao indivíduo por manter o relaxado pensar a se aguardar que tudo se acalme somente por inspirar idealmente a percepção na mente de quem precisa relaxar e resolver algo, com ou sem pressão.
Não é fácil ser idealista, mas se devemos reverter uma situação desconcertante, vem a ideia miraculosa de utilizar a consciência em prol da solução. Veja, se inteirar de você mesmo e do ambiente ao redor é uma intensa forma de encontrar a bússola moral que resolve as questões e equilibra com paz a resolução de uma situação, afinal a consciência desperta o estado de vigília e nutre a mente em prol de ser dono de si e resulta em uma saída.
Digo que às vezes a consciência nos priva de situações e escolhas desastrosas, afinal, quando erramos, achamos nos altos, tirando da nossa zona de paz e sim nos transferindo como um passe de mágica para um cenário de trevas mentais e falta de consciência.
Eu penso sobre o papel da ciência em tudo isso. A ciência ajuda o progresso da tecnologia da humanidade em várias áreas. Essas áreas incluem política, saúde e a capacidade de pensar criticamente. A ciência busca novas maneiras de resolver problemas nessas áreas. Isso ajuda a melhorar a vida das pessoas na sociedade, tanto dentro de casa quanto fora. Assim, podemos fazer mudanças de forma mais rápida e certeira.
Acredito que a reflexão moral diária, influenciada pela ciência em favor da consciência das conquistas e decisões, é um poderoso meio de inspirar a humanidade a ter serenidade, controle e discernimento suficientes para encontrar as respostas internas. Isso é feito através do bom senso, que analisa com clareza a melhor forma de unir todo o conhecimento obtido através das próprias experiências. Dessa forma, podemos agir com serenidade, sabendo que cada passo dado com serenidade não equivale a agir sem consciência.
Em última análise, a mente é ritmada de maneira consciente; a compreensão adequada é alcançada na determinação de agir com lentidão e refletir serenamente. Este é o percurso para uma evolução satisfatória, que transcende meras combinações de palavras, significando na mente que, ao unir consciência e tranquilidade, é possível empregar até mesmo os mecanismos evolutivos propostos pela ciência. Pode-se verdadeiramente alcançar objetivos inspirados com paciência.
Afinal, nem sempre o que é dito obviamente serve como referência.
Universo do Tio Dudú

AUTOR Arléte Creazzo
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
MATEMÁTICA DA VIDA
Existe uma fase da vida em que passamos a fazer contas curiosas.
A cada dois anos trocamos de carro (ou sonhamos em trocar). Compramos mais roupas do que conseguimos vestir, sapatos suficientes para mais de vinte pessoas e substituímos o celular como se, em poucos meses, ele já tivesse se tornado peça de museu.
Com o passar do tempo, porém, nossa matemática muda.
De repente, percebemos que o carro ainda tem quatro rodas, anda perfeitamente, os freios funcionam e continua nos levando aonde precisamos.
O celular ainda envia e recebe mensagens e, quando necessário, faz exatamente aquilo para o que foi criado: liga para as pessoas.
Descobrimos que precisaremos viver muitos verões e invernos para conseguir usar tudo o que já existe no guarda-roupa antes de pensar em comprar novas peças.
Também percebemos que guardamos sapatos que provavelmente nunca serão usados, porque, no fim, estamos sempre calçando os mesmos quatro pares.
Começamos a entender que o dinheiro gasto em um carro novo talvez seja muito mais bem investido em uma viagem com as pessoas que amamos. Que uma tarde de jogos em família vale mais do que uma ida ao shopping para comprar mais um par de sapatos. Que, em vez de perder horas escolhendo um celular mais moderno, é muito melhor usar esse tempo conversando com os contatos que já estão salvos no aparelho antigo.
Com a idade, percebemos que existe um patrimônio que nunca aumenta: o tempo. E a única maneira de fazê-lo valer mais é vivê-lo intensamente.
Por isso, passamos a gastar o tempo com mais sabedoria — e o dinheiro também.
Porque, no fim das contas, ninguém olha para trás e sorri ao lembrar quantos carros teve ou quantas vezes trocou de celular. O sorriso aparece quando recordamos as viagens, os almoços demorados, as conversas sem pressa, as risadas em família e os abraços que colecionamos.
Afinal, as maiores aquisições da vida nunca precisaram de nota fiscal.






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