BECO DOS POETAS Nº 149 — 09/07/2026
- Luiz Primati
- há 8 horas
- 10 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
A VIDA SECRETA DAS COINCIDÊNCIAS
Existe um universo inteiro feito de "quases". Ninguém mora nele, mas todo mundo já passou por lá.
Hoje de manhã, na Padaria Santa Cecília, o rapaz na minha frente pediu o último pão quentinho. Coisa boba. Mas fiquei pensando: se eu tivesse acordado dois minutos mais cedo, o pão seria meu, ele levaria outra coisa, sairia de lá com outro humor, talvez respondesse diferente a uma mensagem, talvez atrasasse um encontro que ainda nem sabe que vai ter. Dois minutos. É dessa essência que o destino é feito — não de tragédias gregas, mas de pães na chapa.
E olha que o pão da Santa Cecília merece a disputa. Tem uma casquinha que estala quando mordemos — mas isso não vem ao caso.
A gente gosta de imaginar a vida como uma estrada, rumo a um destino. Eu desconfio que ela é mais parecida com uma esquina. Esquina não tem começo nem fim: tem cruzamento. E o que me tira o sono, às vezes, não é o que aconteceu nos meus cruzamentos. É o que passou raspando.
Quantas pessoas viraram a mesma rua trinta segundos antes de mim? Quantas sentaram na cadeira do café que eu ocupei em seguida, ainda morna, e deixaram ali um pedaço do dia delas que eu nunca vou conhecer? O mundo está cheio dessas pontas soltas. Alguém que teria sido meu amigo a vida inteira comprou um refrigerante na outra lanchonete. Alguém que mudaria minha vida pegou o ônibus das sete e quinze, e eu peguei o das sete e vinte, e pronto: seguimos sendo estranhos para sempre, sem nem saber que fomos quase alguma coisa.
Foi o Marcos quem me apresentou, há muitos anos, uma ideia dos gregos que nunca mais esqueci. Eles tinham duas palavras para o tempo. Chronos era o tempo do relógio, esse que anda igual para todo mundo. Kairós era o outro: o instante certo, a brecha, o momento em que alguma coisa podia acontecer — e às vezes acontecia, às vezes não. As coincidências moram no Kairós. E os quase-encontros também, só que do outro lado.
Você pensa numa pessoa e ela liga. Você abre o livro na página exata. A ciência torce o nariz, e com razão: nosso cérebro é uma máquina de achar padrão, enxerga rosto em tomada, sinal divino em placa de trânsito e até em resultado de jogo da Copa do Mundo. Eu sei disso. Mas saber não me impede de sentir aquele arrepio pequeno quando o acaso acerta a mão. Talvez a coincidência não seja mensagem de ninguém. Talvez ela seja só o universo mostrando, por um segundo, a costura que normalmente fica escondida.
Porque é isso que me comove nas coincidências: menos o mistério do que a revelação. Elas provam que estamos todos ligados uns aos outros o tempo inteiro, mesmo sem saber. O sujeito que segurou a porta do elevador. A mulher que desistiu da vaga de estacionamento bem na hora em que eu dava a terceira volta no quarteirão, já conformado. O desconhecido que espirrou e me fez atravessar a rua no minuto errado — ou certo, nunca vou saber. Cada um deles mexeu na minha vida sem perceber e sem deixar evidências. E eu mexi na de tantos outros, fazendo figuração em histórias que nunca vou descobrir.
Tem um assombro nisso. Mas tem também um consolo estranho. Pensa comigo: de todos os desencontros possíveis, alguns encontros aconteceram. Contra toda a matemática, você conheceu quem conheceu. Naquele dia, naquela hora, nenhum dos dois se atrasou. O ônibus não quebrou, a chuva não caiu, ninguém pediu o último pão. As pessoas que amamos são, todas elas, improbabilidades que deram certo.
Talvez seja por isso que eu não consiga escolher: acaso puro me parece pouco, plano divino me parece demais. Prefiro tratar as coincidências como lembrete. Um cutucão discreto da vida dizendo: presta atenção, tudo aqui é passageiro — e no entanto, importante.
Hoje, em algum lugar, alguém vai virar uma esquina segundos depois de mim. Não vamos nos ver. Não vamos nos conhecer. Nossas vidas vão se roçar sem se tocar, como duas ondas que passam uma pela outra no mesmo mar e seguem adiante, cada qual carregando, sem saber, um pouco do balanço da outra.
E amanhã, quem sabe, acordo dois minutos mais cedo.

AUTORA Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
QUERO TE BEIJAR
Com o meu coração voluptuoso,
exalando aromas de rosas brancas e vermelhas,
quero te beijar, não só por instinto,
mas porque na tua boca,
encontro mundos inteiros de amor.
Deixa tuas digitais com teus beijos,
na minha pele, na minha memória afetiva.
Quero te beijar e, depois da ducha,
nos secarmos com a toalha laranja-avermelhada.
Olhando-nos no espelho, continuaremos
a escrever a nossa história,
Que cabe nos tempos.
Juntos somos poesias;
como nossos planos de amanhã
Quero te beijar e me apaixonar.
Todos os dias,
Repleta de eternos para sempre.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
VINTE E TRÊS ANOS
As pessoas mergulham no mundo
Imaginário da poesia e apreciam
As obras de um poeta e com isso
Conhecem os seus mundos,
E um poeta habita em vários mundos,
Anda sempre disfarçado de eu lírico,
Muitos não sabem a sua história,
Onde nasceu o que te move a escrever,
Qual foi o seu primeiro poema?
E como tudo começou.
Comigo foi assim:
Ao longo e vinte e três anos
Eu vivi uma vida de ilusão
E em meio ao alcoolismo
Mergulhei no fundo do poço
E me vi atolado em uma poça de lama,
Preso na escuridão, só encontrei
O vazio e a solidão que me levou
Para o novamente para
O jugo da escravidão.
Mas um dia o amor de Jesus me encontrou
E, com a sua infinita misericórdia, ele me resgatou,
E, como filho, Jesus me amou,
E, como Pai, Jesus de mim, cuidou,
E das minhas dores, Jesus me curou,
E dos meus vícios, Jesus me libertou,
E o seu amor, Jesus, me ensinou
E a minha vida Jesus transformou,
Enfim, nasceu um Poeta!

AUTORA Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
O SILÊNCIO DA NOITE
O silêncio da noite é um mistério.
Tudo se acalma.
Às vezes, chega o som distante de uma televisão… A voz de alguém que ainda não dormiu.
Enquanto isso, outros escrevem sobre a lua e fazem da madrugada um mistério de poesia.

AUTORA Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
BEIJA- FLOR
Os beija-flores fazem ninho
Fazem banquete com o néctar
Que sugam das flores do jardim
Voam rapidamente
Fazendo acrobacia sem fim
Pairam no ar graciosamente.
Sobem, descem,
Parecem helicópteros
Imóveis no ar
Parecem cata-ventos
Lançando -se para baixo
E para cima
Voando na leveza do vento.
Mergulhando de cabeça
Numa rapidez
Para subir de vez!
Oh bichinhos travessos!
Com um corpo bem pequenino
Parecem esmeraldas
Brilhantes como uma coroa.
Outros são vermelhos como rubi
Reluzindo ao sol.
Parecem arco-íris riscando o céu
Parecem seres de conto de fadas
Rodando como carrossel.
Que maravilha vê-los voando!
Versáteis na natureza
Parecem mágicos
Encantam olhos e coração
É uma delicada beleza
Que trazem boa sorte
Esperança e renovação!

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
ALMA DE POETA
Passando pela vida,
Escrevendo poesia,
Colecionando dissabores,
Criando esperanças,
Consumido pela desilusão.
Esta é a vida de um poeta,
Onde tudo é uma grande ilusão,
O que é de um poeta,
Se não acreditar,
Que um amor impossível,
É possível,
Se um milagre,
Não pode acontecer,
Se a dor da alma,
Não pode florescer.
Ah, são tantas coisas,
A alma de um poeta,
Nunca será dele.
A alma de um poeta,
É o portal entre,
O impossível e o provável,
Onde tudo que é dor,
Torna-se amável.
Onde cactos espinhentos,
Perder os espinhos,
Mostrando sua flor.
A alma de poeta,
É onde brota o amor,
Que vira poesia,
Que à colher a flor,
Prepara nova terra,
Para uma nova dor.
A alma de um poeta,
É um turbilhão de emoções,
Guardada as devida proporções,
São furacões e tornados,
De momentos de paixões e amados,
Que às vezes,
Vazam pelos olhos,
Escorrem a face,
A cada letra,
A cada verso.
A alma de um poeta,
É algo incompreensível,
Apaixonada e incorrigível,
Na prática do bem,
Sem ver a quem.
É a oportunidade de amar,
Em verso e poesia,
Transformar dor em poesia,
Seja de noite, madrugada ou dia,
Sempre respeitando,
E de um jeito “maroto",
Se apaixonando,
Pois, poesias,
Sem paixão,
São meras palavras,
Sem nenhuma conexão.
Sim, Fernando Pessoa tem razão,
O poeta pode ser fingidor,
Mas ninguém pode dizer,
Ninguém pode negar,
Que em suas poesias,
Ele não empregue o amor.
Minha alma,
A muito “falecida",
Acostumou-se a cultivar,
Entre tantas feridas,
Entre tantas injustiças,
Entre tantos abandonos,
Cultivar a poesia.
Sim, confesso,
Eu amo a todos,
Pois amar,
Está acima de qualquer relação,
Amar é o ato de caridade,
Amar é ter compaixão.
Então,
Minha alma deplorável,
É morte é ressurreição,
A cada fim de poesia,
A cada verso.

AUTORA Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
A TORCIDA CONTINUA
A torcida continua por um país mais justo.
A torcida continua pelo combate à violência contra a mulher.
A torcida continua pela honestidade dos governantes.
A torcida continua por uma escola que ensina e acolhe
A torcida continua por saúde que cuida de verdade.
A torcida continua por terra pra quem planta e colhe.
A torcida continua por criança com livro na mão e pão na mesa.
A torcida continua por melhores condições de trabalho.
A torcida continua por mais solidariedade.
A torcida continua com força e garra para vencer o analfabetismo, o desemprego, a falta de moradias.
A torcida continua no combate à fome e às desigualdades sociais.
A torcida continua pela esperança de um país melhor.

AUTORA Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
SOLIDÃO? NÃO!
Sozinho?
Não!
Os amigos estendem a mão.
Eles são como o sol
Que aquecem nosso dia.
São flores
Que embelezam e perfumam nossa vida.
São estrelas que enfeitam nossa noite,
Lua que ilumina as noites escuras.
Cobertor nos dias de chuva.
Ah, ter amigos é uma preciosidade,
Independente da idade,
Proporcionam felicidade.
Só?
Jamais!
Espante a solidão,
Amizade é dádiva de Deus,
Afaga o coração.






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