BECO DOS POETAS Nº 148 — 02/07/2026
- Luiz Primati
- há 2 dias
- 10 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
O CAMALEÃO EM NÓS
Outro dia, me flagrei num daqueles momentos reveladores que a rotina, vez ou outra, nos revela. Saí do dentista, onde fui um paciente dócil e monossilábico, entrei no elevador, onde comentei o tempo com um desconhecido usando uma convicção que não tenho sobre o assunto, e terminei a manhã na fila do supermercado, exibindo uma paciência que minha família juraria não me pertencer. Três lugares, três homens diferentes. E todos, curiosamente, atendiam por Luiz.
Ao refletir sobre isso, minha reação foi de estranhamento. Seria eu um farsante? Um ator que troca de máscara conforme a plateia? Mas bastou pensar um pouco para perceber que não há farsa alguma nisso. Há adaptação. Somos camaleões, e o camaleão não finge ser outro bicho quando muda de cor — ele apenas responde ao ambiente. Continua sendo camaleão o tempo inteiro. A cor muda; o animal, não.
O sociólogo Erving Goffman explicou isso melhor do que eu jamais saberia. Para ele, a vida social é uma espécie de teatro: em cada situação, representamos um papel adequado àquele palco. Não por desonestidade, mas porque a convivência exige. O médico não conversa com o paciente como conversa com os filhos; o professor não fala em sala de aula como fala no bar. Isso não é hipocrisia — é a gramática invisível que torna a vida em sociedade possível. Jung chamava de persona essa interface entre o que somos e o mundo: uma necessidade, dizia ele, e não uma mentira. O problema só começa quando confundimos a máscara com o rosto.
E é aqui que faço questão de traçar um paralelo. Adaptar-se não é ter múltiplas personalidades, nem tentar parecer o que não se é. A essência permanece intacta — os valores, o caráter, aquilo que nos define quando ninguém está olhando. O que muda é a superfície, o tom, o volume. Sou o mesmo homem no consultório e na fila do supermercado; apenas doso o que cada lugar necessita. Quem não faz essa dosagem, aliás, costuma ser insuportável: é o sujeito que conta piada em velório, que fala de trabalho na festa de criança, que trata o garçom como se fosse seu funcionário. A incapacidade de se adaptar não é autenticidade — é falta de leitura do mundo.
Bauman, com sua modernidade líquida, diria que vivemos tempos em que tudo escorre e se molda aos recipientes. Há quem veja nisso uma tragédia, a perda de uma identidade sólida. Eu prefiro ver de outro modo: talvez nunca tenhamos sido sólidos. Talvez a solidez fosse apenas a ilusão de quem frequentava poucos lugares.
Mas confesso que me diverte imaginar o encontro impossível: todos esses meus "eus" reunidos numa mesma sala. O paciente calado do dentista, o comentarista climático do elevador, o monge resignado da fila, o pai, o profissional ao telefone com voz que só existe no telefone. Seria uma cena constrangedora. Eles se olhariam com desconfiança, como parentes distantes num casamento, sem saber ao certo o que dizer uns aos outros. No entanto, nenhum deles poderia acusar o outro de impostor. Todos seriam legítimos. Todos seriam eu.
No fim, entendi que o estranhamento daquela manhã não merecia culpa, e sim um certo alívio. Não sou um só, engessado e previsível — sou um repertório. E há algo de profundamente humano nisso: a capacidade de ler cada situação e responder a ela, sem se trair, sem se perder. O camaleão que muda de cor não está mentindo para a árvore.
Está simplesmente vivendo nela.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
SINFONIA DE INSPIRAÇÕES
Todas as mulheres que vivem em mim estão conectadas a ti.
Sinto você, quero você, amo você.
Você é o sorriso que ilumina o meu mundo.
Continue morando em mim, meu aconchego;
eu existo melhor com você, pois amar é também ajudar o outro a existir.
Ao me deitar, eu te amo;
dormindo, estou te amando, e, ao acordar,
eu sonho os nossos sonhos à luz do novo dia.
És a minha sinfonia de inspirações.
Com a tua elegante beleza simples, que hoje em dia é tão rara.
Fonte de inspiração para mim.
É um privilégio viver e te amar;
você me reinicia todos os dias, fazendo-me muitíssimo bem,
acendendo a fogueira de meu coração.
Um coração vermelho vivo, pulsante, sentindo-se amado.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
LÁGRIMAS DE ALEGRIA
Ah, minha querida Matilde, tu sabes o quanto sonhei
Com este momento e diante da sua beleza cintilante
Estou ébrio de felicidade com o dia do tão sonhado
Sim, e agora aos pés do altar, na presença de Deus
Vejo que fiz a escolha certa, porque no seus
Olhos brilham o amor e neles vejo o meu futuro.
Você está tão bela, minha querida Matilde, que vejo
O seu rosto corado, brilhando por trás do véu, seu
Perfume de rosas me deixa ébrio de tanta felicidade
E os seus cachos ondulados derramam-se sobre
O teu colo e eu não vejo a hora de beijar os
Seus lábios de mel e, só assim, eu morrerei
De amores, pois você furtou o meu coração
Com uma só pérola do seu olhar.
Enfim, após ter dito sim, nós fomos para nossa
Lua de mel e escolhemos a tranquilidade do
Campo e a sós na beira da lareira diante do
Fogo ardia em nós, eu senti pela primeira
Vez a pureza de Matilde sussurrando em
Meus braços de tanto contentamento e
Após uma noite inesquecível de amor,
Despertamos do amor profundo
Em lágrimas de alegria.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
APENAS MAIS UMA VEZ!
Queria apenas mais uma vez
Sentir os pés fora do chão.
Ir para um lugar só nosso
Numa fuga clandestina
Dar lugar às coisas do coração.
Mas sou afogada pelo silêncio
Na mais triste solidão
Você não está mais aqui.
À meia luz, imagino eu e você
O amor é infinito dentro de mim
Saudade me define nessa hora
Sozinha estou com meus pensamentos
Você me deixou e foi embora!

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
HUM, BOM SABER...
Hum,
É bom saber,
Que a cada dia,
Deus está lá para interceder.
É muito bom saber,
Que ao amanhecer,
Algo quente poderá beber,
Após uma noite fria.
É muito bom saber,
Que o amor é a alegria,
Brotara em meu sorriso,
A cada amanhecer.
É muito bom saber,
Que aconteça o que acontecer,
Deus pai todo poderoso,
Hei de me proteger.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
O CAMINHAR
Com passos de criança que aprende a andar, a vida nos ensina que não há pressa.
A gente cai, levanta… e se agarra ao sonho que deseja alcançar.
E assim, aos poucos, vai alçando voos, mesmo com as asas frágeis.
Segue em frente, para onde o coração aponta.

AUTOR Lucélia Santos
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
PLANOS...
Julguei meu coração enfim adormecido
incapaz de outra vez se incendiar
mas teu sorriso, manso e atrevido
fez meu silêncio inteiro despertar.
Tua voz, melodia tão desejada
desata em mim um doce vendaval
e cada palavra tua apaixonada
transforma o instante em algo especial.
Sem perceber, fui me achegando lenta
presa ao encanto do teu doce olhar
minha alma, que antes era tão isenta
agora reaprende aos poucos a sonhar.
Teus gestos têm perfume de ternura
teu sorriso traz abrigo e direção
e com essa inesperada formosura
talvez roubaste já meu coração.
Não existia nos meus próprios planos
nem nos caminhos que escolhi seguir
mas, às vezes, mudam-se os desenganos
para ensinar um coração a novamente florir.
E veio um moço, belo e gentil
de alma serena e jeito encantador
lançando aos céus, num gesto tão sutil
todos os planos meus… por puro amor.

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
NOS BRAÇOS DO CRIADOR
Não importa quantos erros tenhas cometido, Nem quantas vezes tenhas caído. Lembra-te: Jeová é um terno amigo; Ele perdoa se estás arrependido.
O coração, tão traiçoeiro, quer nos condenar, Mas nunca duvides do perdão de Jeová; Seu amor nos envolve e nos faz levantar.
Não importa que tempestade estejas enfrentando; Derrama teus sentimentos em oração, Fala sobre o que te aflige, E sentirás Sua paz acalmar teu coração.
Pede força e sabedoria, Entrega a Ele toda a dor; Assim serás fortalecido Nos braços do Criador.

AUTOR Gabriely Ramos
GABRIELY BRANDÃO RAMOS é uma voz multifacetada vinda de Itaguaí, Rio de Janeiro. Aos 31 anos, equilibra a precisão da sua formação técnica em mecânica com a fluidez da poesia e da produção cultural. Graduanda em Serviço Social e educadora social, utiliza a escrita como ferramenta de transformação e registro. Com uma trajetória marcada pela participação em diversas coletâneas — como Suspiros Poéticos, Eternamente Teu/Tua e Memórias de um Tempo Dourado —, foi organizadora da antologia Um Olhar Sobre Itaguaí e marcou presença na Bienal do Livro do Rio com a obra Se tem um dom, seja. Sua escrita é o ponto de encontro entre a sensibilidade poética e o olhar social.
ONDE O TEMPO PARA
O mundo lá fora corre, faz ruído,
Mas tudo emudece quando você chega.
O espaço que antes parecia perdido,
No brilho dos teus olhos se aconchega.
Você é o verso que faltava na rima,
A nota mais doce da minha canção,
O Sol que de repente muda o clima,
E faz florescer o inverno do coração.
Amar você é ver o mar em calmaria,
É ter certeza de que o porto é seguro,
É transformar a noite escura em dia,
E caminhar, sem medo, rumo ao futuro.
Não sei onde termina o meu próprio traço
E onde o teu desenho em mim começa;
Só sei que o universo cabe no teu abraço,
E que perto de ti, a vida não tem pressa.
Se o amor é o mistério que o mundo procura,
Eu já não preciso de mais nenhuma pista:
Encontrei a resposta na tua ternura,
No avesso do abraço onde a paz exista.






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