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REFLEXÕES Nº 217 — 21/06/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


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Imagem criada com IA

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

A CORAGEM DE NÃO TER OPINIÃO


Para que minhas ideias caibam aqui, preciso primeiro contar um fato. Mas antes do fato, uma pergunta que carrego há tempos.


As pessoas, no geral, tentam se encaixar em algum grupo. Sempre foi assim. Desde os tempos das cavernas, sobreviver significava pertencer — adotar um lado, vestir uma bandeira, marchar com a tribo que oferecia fogo e proteção. Quem ficava de fora virava presa fácil da noite. O instinto é antigo, gravado fundo em nós. Mas e hoje? Num mundo onde ninguém mais precisa de uma fogueira coletiva para não morrer de frio, ainda é necessário escolher um lado a qualquer custo?


Conto agora o caso que prometi. Foi na década de 1990, num bate-papo online, com uma psicóloga que parecia mais interessada em me ver acuado do que em me entender. Ela me lançou a pergunta como quem joga uma rede:


— Imagine que você está numa ilha deserta. A única companhia que existe é a de outro homem e a de um macaco. Quando chegar ao seu limite, ao auge do desejo, e quiser fazer sexo, qual dos dois você escolheria: o animal ou o outro homem?


Respondi sem pressa:


— Nenhum dos dois.


Ela se espantou. Insistiu, como se eu não tivesse compreendido as regras do jogo:


— Mas você precisa escolher um lado.


— Eu já escolhi — disse. — Minha escolha foi não aceitar nenhuma das suas opções.


Ela ficou inconformada. Talvez tenha lido naquilo uma fuga, uma covardia disfarçada. Mas eu me mantive firme, porque sabia de algo que ela parecia ignorar: a pergunta não era sobre desejo. Era sobre obediência. Era um teste para ver se eu aceitaria entrar num tabuleiro montado por outra pessoa, jogando com peças que não eram minhas.


Os psicólogos chamam de falso dilema essa armadilha que apresenta duas portas e esconde que existem outras, ou que a sala inteira pode ser abandonada. E há algo ainda mais profundo embaixo disso, que a ciência do comportamento já mediu: a pressão do grupo dobra até quem enxerga com clareza. Nos célebres experimentos de Asch, pessoas perfeitamente lúcidas concordavam com respostas absurdas só para não destoar dos demais. O medo de ficar sozinho é mais forte do que o compromisso com a verdade. Engolimos o erro alheio para não perder o lugar à mesa.


É aqui que mora a inversão que poucos percebem. Recusar-se a opinar não é ausência de coragem — é, muitas vezes, a sua forma mais autêntica. Os filósofos existencialistas diriam que estamos condenados a escolher, que até o silêncio é uma escolha. Concordo. Mas há uma diferença enorme entre o silêncio de quem se cala porque não tem nada dentro de si e o silêncio de quem se cala porque se recusa a mentir. O primeiro é vazio. O segundo é resistência.


Vivemos hoje numa época que transformou o posicionamento em obrigação moral. Tudo exige um lado: o time, o partido, a guerra distante, a polêmica do dia que amanhã ninguém lembrará. Quem hesita é acusado de omissão. Quem pondera é chamado de frouxo. E assim, multidões inteiras se colam a opiniões que nem sequer examinaram, apenas para não experimentar o isolamento — aquele mesmo da época das cavernas, agora vestido de algoritmo.


Mas eu aprendi, naquele bate-papo, que existe uma dignidade em segurar a própria língua quando ela seria usada apenas para agradar. Pertencer ao custo de deixar de ser quem se é não é pertencimento: é exílio dentro de si mesmo. E talvez a forma mais rara de liberdade, neste mundo barulhento, seja simplesmente a de poder dizer "nenhum dos dois" e dormir em paz.


Concordar para ser aceito é trocar a verdade por companhia. E no fim resta a dúvida: você escolheu um lado, ou apenas cedeu ao medo de não ter nenhum?


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

O GOSTO DO SABOR DE PENSAR


Pensar nas coisas boas que fazemos.


Pensar nas nossas atitudes iluminadas, sentindo os mimos que nossas energias podem passar, a todo instante, a partir de nosso corpo, alma e coração, bem cuidados. Olhando para os nossos potenciais, para um mundo ainda sem imagens, pois diante da ausência de influências, pensamos na rosa, no perfume que exala e nos espinhos, que diante de tanta vida, ficam em segundo plano.


Pensar em quem amamos e podemos amar, a vida nos espera e vamos fazer o que ninguém, pode fazer por nós, que é sentir o gosto do nosso pensar. São muitas as oportunidades, encontramos pessoas generosas e agradáveis.


Viver com esse sabor, é atrair o bem na gente.


Esse gosto leva-nos a caminhos, que nos fazem relembrar, que somos construtores do nosso destino, que tudo que plantamos, haveremos de colher.


A vida é resultado de nossas escolhas.


Ter o gosto do amor em nossos pensamentos é a melhor delas…


Pense, reflita, deseje, afinal, a vida é um ir e vir.


Tudo é começo, meio, e um fim recomeçado.

Desabroche seus pensamentos;

sinta o gosto de seus esperançados momentos reflexivos!


AUTOR Alessandra Valle


ALESSANDRA VALLE é escritora para infância e teve seu primeiro livro publicado em 2021 - A MENINA BEL E O GATO GRATO - o qual teve mais de 200 downloads e 400 livros físicos distribuídos pelo Brasil. Com foco no autoconhecimento, a escritora busca em suas histórias a identificação dos personagens com os leitores e os leva a refletir sobre suas condutas visando o despertar de virtudes na consciência.

CANSADA DE MISANTROPIA


Na madrugada de 20 de junho de 2026, para muitos brasileiros, o fim do mundo pareceu ter sido anunciado pela Defesa Civil Nacional, quando um alerta sonoro extremo foi disparado para celulares em diversas regiões do país.


A maioria das pessoas ainda comemorava a vitória do Brasil sobre a seleção do Haiti na Copa do Mundo e, por isso, levou um enorme susto com a sirene estridente que ecoou de seus aparelhos.


Poderia ter sido apenas um alerta sonoro, mas não foi. Junto dele surgiu uma mensagem contendo a palavra MISANTROPIA.


Alguém sabe o que significa misantropia?


Segundo informações divulgadas, o termo rapidamente se tornou um dos assuntos mais pesquisados do país, levando milhares de pessoas a buscar seu significado na internet.


Poucos minutos após o disparo do alerta, a Defesa Civil Nacional informou que o sistema oficial do Governo Federal havia sido alvo de uma invasão, resultando no envio indevido de um falso "Alerta Extremo" para celulares.


A essa altura, praticamente todos já sabem o que significa o termo misantropia. A mim cabe apenas convidar o leitor a uma reflexão um pouco mais profunda.


Você tem evitado sair à noite por medo de ser assaltado? Faz trajetos muito mais longos para chegar aos lugares de que precisa porque prefere evitar áreas sob influência de grupos criminosos armados?


Permita-me um alerta — desta vez, sem sirenes estrondosas: talvez você esteja desenvolvendo uma tendência ao isolamento motivada pelo medo e pela insegurança.


Vamos continuar refletindo, querido leitor.


Você desconfia de qualquer pessoa que se aproxima caminhando na rua, nas escadas rolantes ou que pare ao seu lado de motocicleta enquanto aguarda o sinal abrir, receando ser vítima de um assalto ou de um sequestro-relâmpago?


Se a resposta for positiva, talvez esteja experimentando uma crescente desconfiança em relação ao comportamento humano.


Mas não deveríamos "amar uns aos outros"?


Será que aquele alerta sonoro — e até mesmo uma palavra até então desconhecida para muitos — não pode servir como um convite ao despertar da consciência coletiva e à busca por melhores condições de vida, segurança e convivência social?


Não sei vocês, mas eu já estou cansada de viver com medo.


E, se isso é uma forma de misantropia, talvez esteja na hora de reaprendermos a confiar no próximo sem deixar de exigir uma sociedade mais justa e segura para todos.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

O PERDÃO É PARA VOCÊ!


Após a primeira mentira, toda verdade

Vira dúvida e após a traição

Vem um pedido de perdão

Que estremece a lealdade

Que traz o fel da decepção

Ao constatar uma vida de devassidão.


Após a primeira mentira, toda verdade

Vira dúvida, mas a falta de amor

Próprio nos deixa irracional e cego,

Por isso aceitamos tudo, mas sem um pingo de piedade

Sentimos novamente aquele desamor

E agora não se trata de vaidade e nem de ego.


Após a primeira mentira, toda verdade

Vira dúvida e nós chegamos à conclusão

Que é muito difícil não se magoar

E diante dessa conduta de promiscuidade

Voltar a conviver novamente é uma ilusão

Mas é preciso perdoar para o coração se aliviar.


AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

PRIMAVERA E VERÃO NA INGLATERRA


A primavera e o início do verão na Inglaterra têm algo de especial. Após meses de frio, dias curtos e céu cinzento, a luz volta a ocupar os espaços. As flores aparecem nos jardins, os parques se enchem de vida e as pessoas parecem respirar mais fundo.


Nessa época, gosto de pensar em ancestralidade. Muito antes de existirem relógios ou agendas, nossos antepassados observavam a natureza para entender o tempo. Eles sabiam que, depois do inverno, a terra voltaria a florescer.


Talvez seja por isso que essa estação nos emocione tanto. Ela nos lembra que também somos feitos de ciclos. Passamos por períodos difíceis, silenciosos e frios, mas carregamos em nós a mesma força que sustentou aqueles que vieram antes. A força de recomeçar.


Enquanto os dias ficam mais longos e o sol demora a se despedir, a natureza parece nos contar uma velha lição: florescer leva tempo, mas sempre chega a sua hora.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

A VIDA


Há dias em que a vida parece se estreitar. Como se as paredes se aproximassem devagar, formando um corredor apertado.


Caminhamos e, de repente, temos a sensação de estar em um beco sem saída. Olhamos para frente e não enxergamos caminho. Olhamos para trás e o passado pesa. São fases que passamos em que a vida tem dessas curvas inesperadas.


E viver, descubro aos poucos, não é apenas respirar,   é ter sabedoria para atravessar desafios todos os dias.


Nem todos conseguem.


Há quem tropece nas próprias escolhas.


Há quem se perca nas consequências.


Há quem se machuque com os próprios resultados.


E quando os resultados ferem, a alma se recolhe.


Tudo parece escuro e frio.


A solidão se instala, mas a vida,  essa mestra silenciosa,  nunca deixa de ensinar.


Ela nos mostra que cada queda, gera um aprendizado. Que a forma como reagimos às dores molda nossos relacionamentos. Que a maneira como tratamos o hoje determina a felicidade que tanto almejamos.


Ficar preso ao passado é permanecer parado diante do beco.


Aprender com ele é encontrar uma saída invisível.


Viver o hoje é um ato de coragem.


Construir o amanhã é um gesto de esperança.


A vida não se resume aos dias difíceis.


Ela é o movimento constante entre perder-se e reencontrar-se.


E, no fim, sempre há um espaço de luz esperando por quem decide continuar caminhando.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

CASA DE INFÂNCIA


Ainda me lembro,

De quando corria,

Em rua de barro.

Corria para todo lado.


Em frente de casa,

A grande árvore a sombrear,

Brincava até a noite,

Até o dia acabar.


Quanto tempo se passou,

Lembranças ficaram as vidas voou,

São mais de cinco décadas e o tempo não apagou.


Saudades de minha infância,

Quando ainda era criança,

E minha única preocupação era sorrir e brincar.


AUTOR Gabriely Ramos


GABRIELY BRANDÃO RAMOS é uma voz multifacetada vinda de Itaguaí, Rio de Janeiro. Aos 31 anos, equilibra a precisão da sua formação técnica em mecânica com a fluidez da poesia e da produção cultural. Graduanda em Serviço Social e educadora social, utiliza a escrita como ferramenta de transformação e registro. Com uma trajetória marcada pela participação em diversas coletâneas — como Suspiros Poéticos, Eternamente Teu/Tua e Memórias de um Tempo Dourado —, foi organizadora da antologia Um Olhar Sobre Itaguaí e marcou presença na Bienal do Livro do Rio com a obra Se tem um dom, seja. Sua escrita é o ponto de encontro entre a sensibilidade poética e o olhar social.

A GEOMETRIA DO AFETO


​Muitas vezes, olhamos para o amor como um evento grandioso, um arrebatamento que idealiza o outro e nos transporta para fora da realidade. No entanto, a verdadeira poesia dos encontros não está no extraordinário, mas na capacidade de encontrar abrigo no comum. O amor real não exige a perfeição estática de uma tulipa e nem vive apenas do drama ardente de uma rosa; ele habita o espaço do meio.


​Amar é, fundamentalmente, um exercício de paciência e tradução. É aprender a ler os silêncios do outro, a respeitar os dias de inverno e a celebrar as primaveras cotidianas. Não se trata de duas metades que se completam para anular suas próprias formas, mas de duas texturas diferentes que escolhem caminhar no mesmo canteiro, dividindo o mesmo sol e a mesma chuva.


​O amor não pressupõe a ausência de espinhos, mas a disposição de cultivar o jardim apesar deles.


​No final das contas, refletir sobre o afeto é compreender que a maior segurança que podemos oferecer a alguém é o direito de ser exatamente quem se é. Quando o abraço vira porto, o tempo deixa de ser um inimigo que passa e se torna o cenário onde a vida ganha sentido. É na simplicidade de saber-se esperado e compreendido que o amor deixa de ser apenas um sentimento e passa a ser uma escolha consciente de permanência.


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

IDEALIZAR UMA META IDEAL


Idealizar ou ter uma ideia sempre me traz contrapontos e contrapartidas, eu idealizo sempre um resultado, o resultado de um passeio, o resultado de uma expectativa, o resultado de uma conquista, acredito que idealizar é um meio, que circunda todo o processo de conquista.


Imagine que a vida do idealista é inspiração para as melhores e mais belas histórias de finais felizes que possamos imaginar. Afinal, o que é ideal para uns, pode não ser o ideal de outros.


É um balé de palavras que exemplificam muito mais que letras e significados, é impulsionar o íntimo que ruge no peito em silêncio, retraído secretamente dentro de cada um. Existem condições psicológicas em que se acredita não ser de bom agouro dizer ou verbalizar o que se tem por ideal, até o momento em que a conquista é atingida satisfatoriamente.


São pontos de contraste interessantes, como a vida nos coloca no furor de querer realizar o mais alto trono de conquista, seja qual for, um imóvel, um bem automotivo, um relógio tecnológico ou o conquistar de uma bolsa de estudo de um curso de rentável futuro.


Atualmente, reflito sobre as contraposições entre longas horas de estudo para alcançar o diploma desejado e o transcorrer de décadas lutando ou circulando por várias empresas, até que o valor intelectual obtido pela experiência prática obtida no estudo, agora testada, se revela tão insuficiente para atingir uma estabilidade profissional que se torna apenas um meio para fomentar novos sonhos.


Existe um surpreendente contraste na imagem da ideia, que surge em nossa mente e nutre nossa força de vontade até alcançar o tão desejado instrumento que nos conduz à almejada vitória.


Concordo com a visão de que o empirismo de que nascemos e nos desenvolvemos com uma ideia de mundo adquirida através do acúmulo de ideais que formamos desde a infância e nos impulsionam a idealizar o resultado de nossas conquistas, assim formando nossas metas.


Sim, ter metas é primordial, elas nascem da idealização do desfrute da conquista e circulam incontrolavelmente por diversas ideias de como iremos realizar o processo até se atingir a tal sonhada meta.


Para um breve momento de pensar, limpo a mente, procuro sentir se toda ideia que tenho hoje, está em acordo com o sentimento que poderei estar sentindo no futuro quando tudo isso me levar finalmente até o realizar de minhas metas.


Sendo assim, ainda é possível, mesmo para um adolescente, aprender mesmo que suas ideias não o levem a nenhum lugar, a realinhar suas metas idealizando em conjunto com o autoaceitar de resultados incutidos pelas falhas que irão ocorrer no caminho.


Ter bons ideais requer ter boas ideias para realizar o processo e aprender a superar o que aconteça de ruim e ir recolocando a mente no caminho idealizado e necessário para alcançar com furor o prazer de realizar as incontáveis metas que surgirão ao longo da vida.


Tenha você também bons devaneios imaginados hoje, qual a melhor ideia ter para o idealizado caminhar do dia a dia ser mais leve e te inspire sempre a saber qual a direção certeira para chegar a suas metas.


Universo do Tio Dudú


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

COLOCANDO AS OFENSAS NA CONTA DO AMOR


Olho para trás e vejo o quanto já fui ajudada pelos meus pais, irmãos, irmãs, amigos e amigas e, sobretudo, pelo Criador. Sou muito grata pela ajuda recebida, que foi essencial para o meu crescimento pessoal, profissional e para as minhas conquistas. Sem esse apoio, eu não seria quem sou. Jeová cuidou de mim em todos os sentidos — material, emocional e espiritual —, usando inúmeras pessoas que foram instrumentos em Suas mãos para me amparar ao longo da vida.


Para externar minha gratidão, procuro demonstrar solidariedade, sendo prestativa, generosa e empática. Sinto prazer em agir assim, pois é muito gratificante partilhar, seja materialmente, seja oferecendo nosso tempo, apoio emocional, espiritual ou ajuda prática. Atitudes como essas proporcionam felicidade. Como diz a Bíblia: “Há mais felicidade em dar do que em receber”.


Embora ajudar os outros traga grande satisfação, nem sempre a resposta recebida corresponde ao bem que foi feito. Algo que me intriga é a incapacidade de algumas pessoas de reconhecer o apoio que receberam.


Mais doloroso ainda é descobrir que alguém que foi ajudado espalha calúnias e difamações, tentando construir uma imagem negativa de quem lhe estendeu a mão. Que triste constatação! Como algumas pessoas podem ser ingratas!


Às vezes, me pergunto o que leva alguém a agir dessa forma. Seria falta de bom senso, inveja ou ressentimento? Prefiro acreditar que há fatores que desconheço e, assim, aliviar um pouco a dor que essas atitudes causam.


Sei que mais importante do que a forma como as pessoas me veem é a forma como Jeová me vê. Ele conhece profundamente cada um de nós, nossos pensamentos, intenções e motivações. É a Ele que prestaremos contas.


Por isso, não devemos permitir que atitudes assim roubem nossa paz. Devemos ser perdoadores e construir pontes entre as pessoas, e não muros. Quando nos esforçamos para promover a paz, experimentamos mais felicidade e tranquilidade.


Portanto, devemos deixar as mágoas para trás e agir de acordo com nossa consciência treinada pela Bíblia, colocando as ofensas na conta do amor, perdoando e buscando sempre ser pacificadores.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

CADÊ O SABOR QUE ESTAVA AQUI?


Quando chegamos a uma certa idade, percebemos que algumas coisas mudam silenciosamente. Entre elas, a nossa relação com os alimentos.


Alimentos que antes faziam parte da nossa rotina e nos traziam tanto prazer passam a exigir cuidado. Aquilo que comíamos sem preocupação e que não fazia mal algum, agora vem acompanhado de restrições, recomendações e orientações médicas.


De repente, o sal precisa ficar no mar. O açúcar deve passar longe. O óleo não pode nem chegar perto. E, entre uma orientação e outra, surge uma pergunta inevitável: cadê o sabor que estava aqui?


Mas talvez o verdadeiro desafio não seja apenas abrir mão de certos ingredientes. É aprender a encontrar novos sabores na vida. Descobrir que o prazer pode estar no equilíbrio, nas boas escolhas, na saúde preservada, na oportunidade de continuar compartilhando refeições e momentos com quem amamos e queremos por muitos anos perto de nós.


Afinal, o tempo muda o cardápio, a rotina, mas não precisa tirar o gosto e o prazer de viver de maneira saudável e com gratidão.


AUTOR Arléte Creazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

OS ESPECIALISTAS DE FORA DO CAMPO


Há uma lei natural no mundo:  quanto mais distante de uma tarefa a pessoa está, mais ela entende do assunto.


Quem carrega caixas, atende pessoal, separa mercadoria, resolve problemas e apaga incêndios tudo ao mesmo tempo, normalmente não encontra tempo para dar opiniões. Agora, quem está do lado de fora, sempre tem uma ótima sugestão, uma grande ideia e muitas opiniões sobre o que deveria ter sido feito.


É muito fácil opinar quando já está tudo pronto, afinal isso ajuda você a enxergar os erros cometidos e as faltas que tiveram. Quando se vê tudo arrumado, fica muito mais fácil dar uma opinião. Enquanto isso, o que trabalha mal tem tempo para respirar.


No trabalho voluntário, isso fica muito mais evidente. O voluntário dedica seu tempo, sua energia e, muitas vezes, sua paciência para que tudo corra da melhor forma possível. São pessoas que deixam seus lares para se dedicarem a algo que consideram grandioso, fazendo sempre a diferença no acontecimento. Pessoas que não são especialistas, mas estão prontas a cumprir qualquer tarefa que lhes seja oferecida.


Mas o curioso é que os erros cometidos são percebidos primeiramente por quem não colocou a mão na massa. Aqueles que, do lado de fora, apenas observam e encontram - na verdade têm de sobra - tempo e energia para criticar o que já está pronto.


Eles sabem sempre como os mantimentos deveriam ser armazenados, qual música deveria tocar, como o bolo deveria ser cortado ou até mesmo qual parafuso apertar, a ponto de os organizadores pensarem:


- Que ótimo, mais um voluntário.


Mas, quando são chamados a ajudar, por um passe de mágica, os especialistas desaparecem. Surge um compromisso inadiável, uma viagem de última hora ou até mesmo uma doença que antes não existia.


Toda obra tem imperfeições. Todo projeto enfrenta problemas. Pessoas cometem falhas. Mas quem está trabalhando merece mais apoio do que julgamento. Afinal, apontar o erro é mais fácil do que oferecer ajuda.


Se cada pessoa que dissesse: “Por que você não faz desse jeito?”, completasse a frase com: “Eu posso colaborar”, talvez o mundo funcionasse melhor.


Afinal, os resultados não são construídos pelos especialistas sentados na arquibancada. São construídos por aqueles que descem para o campo, mesmo correndo o risco de errar, sujar as mãos e ouvir críticas de quem nunca entrou no jogo.


AUTOR Miguela Rabelo


Miguela Rabelo escritora de crônicas, contos e poemas, com seu primeiro livro solo de poemas: "Estações". Também é mãe atípica e professora da Educação Especial no município de Uberlândia-mg.

INVESTIMENTO EM PORCELANAS DO ORIENTE


Estava eu engasgada com uma falência afetiva quando subitamente engoli em seco uma avalanche despejada, piedosamente, pelo professor e neurocientista Pedro Calabrez “A dor de um amor impossível”. O vídeo veio como aqueles sais de fruta para má digestão que pouco a pouco vão se dissolvendo até desobstruir a azia anterior.


O conteúdo em si, fala de saudade, mas muito além, minha percepção alcançou entender... confesso que a ressaca ainda perdura, mas acredito que agora tomei nota do tombo e do déficit afetivo que terei que reconstruir em mim mesma. Pois a correlação que ele estabelece entre relacionamento e investimento é assustadoramente realista e fatídica.


Há mais de uma década, me aventurei com meu pai em sociedade na abertura de uma sorveteria que representava uma grande marca em minha região. Então, para o negócio dar certo, investi todas as minhas economias, aproximadamente uns R$ 5 ou R$ 7 mil na época, que era fruto do meu trabalho como vendedora ambulante de picolé e sorvetes para a sorveteria de uma amiga.


Investimos todo o capital financeiro, adaptando o lugar, reformando, comprando produtos tanto os sorvetes para a pista self-service, como potes de 2L, freezer abarrotados de picolés de todas as qualidades e também os melhores acompanhamentos e utensílios, eu priorizava particularmente os melhores produtos, mesmo que isso gerasse mais gastos. Passava horas debatendo com meu sócio na defesa de manter o preço para não espantar a freguesia e assim, dedicava tempo integral ao negócio, mesmo não conseguindo retirar um único pro labore para mim ou para ele.


Cheguei a trabalhar em paralelo como garçonete à noite em um bar para conseguir investir o que ganhava na minha microempresa... Mas quase dois anos se passaram e ela faliu inevitavelmente... Sofremos horrores, mas tudo que tinha para fazer, fizemos. Me adaptei ao mercado e, além de sorvetes, assava pães de queijo, vendia salgados, fazia cafés, milk-shake e açaís. Vendia até cartela de jogos, lavava todos os dias o espaço, recebia sorridente e com escuta resiliente os clientes, mas infelizmente, nada adiantou...


Manter por mais tempo só geraria mais gastos e desgastes emocionais. Então, com o coração quebrado, encerramos nossa sociedade. E como isso soa familiar quando lembro do que estou sentindo agora, após todo investimento emocional de tempo... além da crença de acreditar, após tantos anos, na possibilidade do amor. Entretanto, entrei sabendo que não era um “negócio” confiável, calculei que poderia gerar falência emocional para além da curtição momentânea... mas diante da impossibilidade de ter vivido esta história no passado, resolvi arriscar, como uma forma de resgatar o passado que me foi furtado... era como se conseguisse voltar no tempo e viver o amor platônico da juventude, agora em vantagem por estar amadurecida... Porém, coitada e doce engano...


Posso ter amadurecido diante de tantas batalhas, desilusões e decepções, mas quando nos deparamos com a paixão, ela impiedosamente nos deixa descalços e ao relento. Ou aprendemos a nos despir das nossas armaduras e vestes ao permitir que o outro acesse a pele que nos habita, seja pelo tato ou pelo olhar que nos faz mergulhar... ou não conseguiremos viver verdadeiramente essa experiência única que literalmente se assemelha a dependência química.


Pensei realmente que já estava vacinada disso... porém, quando se remexe em feridas passadas, é muito raro as brasas não se reacenderem. No entanto, apesar de toda a dor, ressaca e sensação de insignificância diante do desdém alheio... respiro fundo e agradeço, pelo ponteiro do relógio avançar e as engrenagens da vida rolarem ao ponto de saber e sentir o que vivenciei nestas 10 semanas, onde tenho plena certeza que me doei inteiramente, mas não por carência ou por agradar o outro... mas porque amar, ser gentil, carinhosa, acolhedora, sensível, generosa e gostosa, não somente como mulher, mas como companheira, levando leveza, doçura e profundidade de maneira espontânea, faz parte da minha essência.


Por isso, não fiz nada para provar absolutamente a ninguém, fui eu mesma e talvez ser como sou, seja um erro, em uma época em que demonstrar se torna um delito punido com mais frieza e distanciamento. Sendo literalmente andar pisando em ovos. Mas, infelizmente ou não, essa sou eu e não fugir de quem sou talvez seja a forma mais autêntica de deixar minha marca na vida do outro. Porque sou como o sol, ilumino, aqueço... mas às vezes posso também queimar, assim como o escorpião que é capaz de se aventurar nas profundezas, mas que se nega a se manter nas águas rasas das relações. Por isso, eu mergulho profundamente no oceano ou então prefiro nem molhar os pés.


Mas confesso, assim com a mesma sensação que tive quando minha sorveteria faliu: apesar de todos os pesares e de investimento, valeu muito a pena, por todos os momentos de satisfação, conversas, risadas e insights... Porém, estou tão quebrada que não tenho mais coragem de me arriscar de novo, seja em abrir uma nova empresa ou em reabrir meu coração... restando-me somente tentar juntar os cacos e, sozinha, remendar com cola de ouro, através do Kintsugi, tudo que outrora já tinha sido renovado... mas que, pelo jeito, não o suficiente para minha expansão necessária.









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