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BECO DOS POETAS Nº 146 — 18/06/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" já está disponível.

A ÚLTIMA VEZ, SEM AVISO


Ninguém nos avisa. Esse é o detalhe cruel das despedidas verdadeiras: elas não vêm com data, não trazem aviso prévio, não nos dão tempo de guardar o gesto na memória com o cuidado que ele merecia. A última vez chega disfarçada de mais uma vez, e só muito depois, quando o retrovisor da vida nos devolve a imagem, é que entendemos — ali, naquele instante banal, alguma coisa terminava para sempre.


Foi assim no ponto de ônibus. A gente se despediu como quem sabe que vai se ver de novo na semana seguinte. Talvez eu tenha olhado o relógio. Talvez tenha pensado no que faria depois, no jantar, no cansaço, em qualquer coisa pequena e urgente que naquele momento parecia mais importante do que ela. O ônibus chegou, ela subiu, eu fiquei. E aquele aceno comum, aquele beijo de sempre, era o ponto final de tudo — só que escrito com tinta invisível. Eu não soube ler. Como se lê o que ainda não aconteceu? Voltei para casa achando que tinha uma vida inteira pela frente com aquela pessoa, e tinha apenas as costas dela sumindo na janela embaçada de um ônibus qualquer.


Houve também o amor que durou o que dura uma vertigem. Eu amei uma garota com a intensidade desproporcional dos que ainda acreditam que sentir muito basta. Foi um dia inteiro de mundo girando, de certeza, daquela loucura boa que faz a gente jurar que encontrou o sentido das coisas. E no dia seguinte, ela não sabia mais quem eu era. Não houve briga, não houve traição, não houve nem o conforto amargo de uma explicação. Houve apenas o esquecimento — eu, que tinha sido tudo por algumas horas, virei ninguém antes mesmo do café da manhã. Aprendi ali que se pode ser a última coisa na vida de alguém e a primeira a ser apagada. Que o que para mim foi inesquecível, para o outro nem chegou a virar lembrança.


Mas a última vez que mais me persegue tem cheiro de hospital.


Foi um fim de semana. Minha mãe estava ali, vencida pelo câncer, mas ainda viva, ainda minha, ainda capaz de me ouvir. E eu cheguei com pressa. Com a pressa imperdoável de quem acredita que terá outras vezes. Olhei para ela e vi alguém que ia sair daquela cama, que ia voltar para casa, que ainda me daria anos de domingos. Conversei rápido. Não me sentei o suficiente. Não segurei a mão dela o tempo que ela merecia. Saí dali achando que estava deixando uma doente em recuperação, quando na verdade estava virando as costas para uma despedida.


Dois dias depois, ela se foi.


E aí veio a parte que ainda não sei perdoar em mim. O tempo que eu não dediquei a ela quando ela ainda respirava, quando ainda podia sentir minha presença, quando um minuto a mais valia o mundo — esse tempo eu dediquei depois. Sentado diante do caixão. Olhando o rosto que já não me olhava de volta. Ficando, finalmente, sem pressa. Ofereci a ela toda a minha paciência, todo o meu silêncio atento, todas as horas que ela não pôde mais receber. Velei a ausência com a dedicação que faltou à presença.


É isso que ninguém nos conta sobre a última vez: que ela só existe no passado. Que, enquanto está acontecendo, é sempre apenas mais uma. E que talvez a única forma de honrar o que perdemos seja viver cada gesto comum como se o retrovisor já estivesse ali, nos avisando baixinho — olha bem, demora-se aqui, pode ser que não haja outra.


Eu não soube. Mas escrevo agora para os que ainda podem saber.



AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

TE AMO COM AMOR


Mil vezes te digo: te amo com amor.

Há uma constelação brilhando nos teus olhos,

uma quietude doce no teu sorriso,

e uma melodia suave nos teus abraços.

Tens encantos que me tomam inteira,

e me fazem desejar-te ainda mais.


Te amo com amor sensorial, intenso, apaixonado.


São tão belos os sonhos que criamos.

Brilham com uma luz profunda,

revelando o tesouro que somos: eu e você,

entrelaçados no mesmo infinito.

Adentrando juntos a esfera de nossa existência.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.


Andando pelos caminhos da verdade

Encontrei um mestre que tem poder de cura

E que nos traz a sua paz e a sua tranquilidade

E me tirou de uma vida de loucura

E me devolveu a minha liberdade

E hoje sou livre e sou uma nova criatura.


Jesus sempre escutou o meu clamor

E na minha mão ele sempre segurou

Eu que demorei para aceitar o seu amor

Que transformou até aquele que um dia roubou

Por isso, eu tenho por Jesus respeito e temor

Porque eu me lembre do preço que na cruz ele pagou.


Então, acredite que a sua luz, em nós ele desperta

Por isso, hoje sou um homem liberto

Que segue em frente com fé e sempre em alerta

E mesmo vivendo em meio a um deserto

Sei que com Jesus a vitória é certa

Porque ele nos guia e faz a gente fazer o certo


Então, meu irmão, se for medo, encara

Mas se for uma enfermidade declara

Para Deus, o que te aflige, que ele dispara

O seu poder em todas as suas feridas e sara.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

LEMBRANÇAS


Não tinha lua nem estrelas.

O quintal estava escuro,

não dava para ver o mar…

Só senti a brisa

que vinha de lá,

que não era tão longe…

nem tão perto assim…

A brisa teimava

em soprar para o lado de cá,

enquanto se ouvia

o balançar das folhas

secas do coqueiro,

vinham as lembranças do mar,

dos dias ensolarados

e das brincadeiras dos

tempos de criança.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

AMOR


Estou aqui

Toda para você

Com o rosto pleno de satisfação

Vermelha como rubi.

Juntos avançamos

Por todos os caminhos

Afeto gerando afeto

Carinho gerando carinho.

Não temos pressa

Sabemos aonde queremos chegar

Tudo o que querem os corações amantes

É se entregar, se entregar

No néctar do amor

Que de sua boca sai

Quero beber desse mel

Até chegar ao céu

Nesse sorriso de canto

Preenchendo a minha vida

Como num encanto

Te amo! Te amo!

Por mim esse amor seria eterno

Sempre eu e você

Com esse amor tão terno

Amantes, amados

Sempre enamorados!


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

TEMPESTADES


Tempestades,

Vem em vão,

Lava a alma,

Acalma o coração...


A tempestade,

Entre raios e trovões,

Na selva é desastre,

No mar, temerosas emoções.


Mas toda tempestade,

Até as que provocam,

Grandes degustações,

Nunca serão maiores,

Que as orações,

Que fazemos em nossos corações.


Nenhuma tempestade é infinita,

Nem uma tempestade é maior,

Que o céu azul,

Que me enche de emoções.



AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

A ÚLTIMA VEZ, SEM AVISO


Ninguém nos avisa. Esse é o detalhe cruel das despedidas verdadeiras: elas não vêm com data, não trazem aviso prévio, não nos dão tempo de guardar o gesto na memória com o cuidado que ele merecia. A última vez chega disfarçada de mais uma vez, e só muito depois, quando o retrovisor da vida nos devolve a imagem, é que entendemos — ali, naquele instante banal, alguma coisa terminava para sempre.


Foi assim no ponto de ônibus. A gente se despediu como quem sabe que vai se ver de novo na semana seguinte. Talvez eu tenha olhado o relógio. Talvez tenha pensado no que faria depois, no jantar, no cansaço, em qualquer coisa pequena e urgente que naquele momento parecia mais importante do que ela. O ônibus chegou, ela subiu, eu fiquei. E aquele aceno comum, aquele beijo de sempre, era o ponto final de tudo — só que escrito com tinta invisível. Eu não soube ler. Como se lê o que ainda não aconteceu? Voltei para casa achando que tinha uma vida inteira pela frente com aquela pessoa, e tinha apenas as costas dela sumindo na janela embaçada de um ônibus qualquer.


Houve também o amor que durou o que dura uma vertigem. Eu amei uma garota com a intensidade desproporcional dos que ainda acreditam que sentir muito basta. Foi um dia inteiro de mundo girando, de certeza, daquela loucura boa que faz a gente jurar que encontrou o sentido das coisas. E no dia seguinte, ela não sabia mais quem eu era. Não houve briga, não houve traição, não houve nem o conforto amargo de uma explicação. Houve apenas o esquecimento — eu, que tinha sido tudo por algumas horas, virei ninguém antes mesmo do café da manhã. Aprendi ali que se pode ser a última coisa na vida de alguém e a primeira a ser apagada. Que o que para mim foi inesquecível, para o outro nem chegou a virar lembrança.


Mas a última vez que mais me persegue tem cheiro de hospital.


Foi um fim de semana. Minha mãe estava ali, vencida pelo câncer, mas ainda viva, ainda minha, ainda capaz de me ouvir. E eu cheguei com pressa. Com a pressa imperdoável de quem acredita que terá outras vezes. Olhei para ela e vi alguém que ia sair daquela cama, que ia voltar para casa, que ainda me daria anos de domingos. Conversei rápido. Não me sentei o suficiente. Não segurei a mão dela o tempo que ela merecia. Saí dali achando que estava deixando uma doente em recuperação, quando na verdade estava virando as costas para uma despedida.


Dois dias depois, ela se foi.


E aí veio a parte que ainda não sei perdoar em mim. O tempo que eu não dediquei a ela quando ela ainda respirava, quando ainda podia sentir minha presença, quando um minuto a mais valia o mundo — esse tempo eu dediquei depois. Sentado diante do caixão. Olhando o rosto que já não me olhava de volta. Ficando, finalmente, sem pressa. Ofereci a ela toda a minha paciência, todo o meu silêncio atento, todas as horas que ela não pôde mais receber. Velei a ausência com a dedicação que faltou à presença.


É isso que ninguém nos conta sobre a última vez: que ela só existe no passado. Que, enquanto está acontecendo, é sempre apenas mais uma. E que talvez a única forma de honrar o que perdemos seja viver cada gesto comum como se o retrovisor já estivesse ali, nos avisando baixinho — olha bem, demora-se aqui, pode ser que não haja outra.


Eu não soube. Mas escrevo agora para os que ainda podem saber.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

RAÍZES DA ESPERANÇA


Perdido no tempo,

Afligido por muitas pedras no caminho,

Em uma jornada íngreme e tortuosa,

De curvas perigosas.

Mas é necessário prosseguir.


Toda tempestade é passageira.

O sol volta a nascer

A cada amanhecer,

Trazendo esperança,

Infundindo forças

E intensificando a vontade de viver.


A esperança é como uma raiz:

Devemos regá-la,

Pois ela precisa sempre brotar.

Se a nossa esperança acabar,

Como continuar?

A vida perderá o brilho,

E o desânimo nos consumirá!


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

ESPERANÇA


O ano é 2026, um ano em que ninguém fala de outro assunto: eleição e Copa do Mundo. Todos se unem na mesma emoção, torcendo juntos, alimentados pela esperança de ver o Brasil campeão e pela fé em dias melhores com a escolha dos novos representantes do país.


Por onde se passa, veem-se ruas enfeitadas com bandeiras verde-amarelas. O Brasil pulsa em um só coração. Cada cidadão tem seu candidato, mas todos pertencem à mesma nação, unida pelo sonho da conquista do hexa — um sonho que parece sempre possível.


As pessoas discutem política com intensidade, defendem ideias e projetos, mas, quando a Seleção entra em campo, as diferenças ficam em segundo plano. Durante noventa minutos, todos torcem juntos. Afinal, tanto no futebol quanto na política, o brasileiro parece viver alimentado pela esperança de dias melhores.


A cada quatro anos, o país experimenta uma dupla emoção: a do gramado e a da urna. Entre gols e votos, vitórias e expectativas, o povo brasileiro renova seus sonhos e sua confiança no futuro.


Porque brasileiro é brasileiro: não desiste nunca de ser feliz.


AUTOR Gabriely Ramos


GABRIELY BRANDÃO RAMOS é uma voz multifacetada vinda de Itaguaí, Rio de Janeiro. Aos 31 anos, equilibra a precisão da sua formação técnica em mecânica com a fluidez da poesia e da produção cultural. Graduanda em Serviço Social e educadora social, utiliza a escrita como ferramenta de transformação e registro. Com uma trajetória marcada pela participação em diversas coletâneas — como Suspiros Poéticos, Eternamente Teu/Tua e Memórias de um Tempo Dourado —, foi organizadora da antologia Um Olhar Sobre Itaguaí e marcou presença na Bienal do Livro do Rio com a obra Se tem um dom, seja. Sua escrita é o ponto de encontro entre a sensibilidade poética e o olhar social.

O DIÁLOGO DO JARDIM


No jardim dos sentimentos confessados,

Crescem duas rainhas, lado a lado,

Em canteiros de perfumes misturados,

Onde o tempo parece desenhado.

A Rosa se abre em veludo e paixão,

Com espinhos que guardam seu segredo,

Ela é o drama, o fogo, a canção,

O amor que se entrega sem ter medo.

Sua voz é um sussurro avermelhado,

Que fala de poetas e de amantes,

Um clássico no tempo eternizado,

De pétalas intensas, marcantes.

Ao seu lado, a Tulipa se ergue altiva,

Em traços de perfeita simetria,

Cálice vivo, elegância nativa,

Que saúda o frescor de um novo dia.

Ela não usa espinhos pra defesa,

Sua força está na linha do contorno,

Na geometria exata da beleza,

Que traz ao vento um colorido adorno.

"Sou o fogo que queima o peito", diz a Rosa.

"Sou a calma que cura o olhar", diz a Tulipa.

E assim dialogam na brisa mansa:

Uma é o mistério que o toque abriga,

A outra é a promessa e a esperança,

Que na primavera a terra mitiga.

Não há disputa entre as duas soberanas,

Pois o jardim precisa desse laço:

A Rosa cura as paixões humanas,

E a Tulipa organiza o jardim









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