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REFLEXÕES Nº 216 — 14/06/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


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Imagem criada com IA

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

O ESPELHO SEM REFLEXO


Há um espelho diante de nós, e ele não mostra nada.


Não porque esteja quebrado, mas porque já não há ninguém ali para refletir. Apenas uma persona, montada peça por peça com o que os outros aprovaram ontem — e que amanhã, quando a maré da aprovação mudar de direção, será desmontada e remontada com a mesma pressa com que se troca uma foto de perfil.


Vivemos a era da imagem antes do ser. Acordamos e, antes de perguntar quem somos, perguntamos como estamos sendo vistos. O dia começa não com um pensamento, mas com uma verificação: quantos gostaram, quantos viram, quantos passaram reto. E, aos poucos, sem perceber, deixamos de viver a vida para administrá-la — como quem cuida de uma vitrine e esquece que existe um interior atrás do vidro.


Byung-Chul Han chamou isso de sociedade da transparência: tudo exposto, tudo exibido, tudo polido até o brilho — e justamente por isso, tudo vazio. O que se mostra demais já não revela; apenas reflete o que se espera ver. E Bauman, com sua lucidez melancólica, percebeu que a identidade deixou de ser uma construção para se tornar um guarda-roupa: vestimos versões de nós mesmos conforme a estação, e descartamos as que saíram de moda. A pergunta "quem sou eu?" foi substituída por outra, mais urgente e mais pobre: "quem devo parecer agora?"


O resultado está aí, visível em qualquer rolagem de tela. Os mesmos ângulos, os mesmos filtros, as mesmas frases de efeito, os mesmos rostos corrigidos pela mesma régua. Há clínicas de estética recebendo pacientes que não pedem mais para parecer com atrizes ou cantoras — pedem para parecer com a própria selfie filtrada. Querem ser a versão editada de si mesmos. O original tornou-se rascunho; a cópia, o objetivo. Pesquisadores deram nome a isso — dismorfia do filtro — mas talvez o nome mais correto fosse outro: saudade de um rosto que nunca existiu.


E há os casos que terminaram em confissão. A australiana Essena O'Neill, aos dezenove anos, com mais de meio milhão de seguidores, abandonou tudo e revelou o que havia atrás de cada foto: dezenas de tentativas, fome disfarçada de leveza, patrocínio disfarçado de espontaneidade. "Não era vida real", disse ela, antes de apagar a vitrine. Não era. Nunca é. Mas quantos continuam dentro dela, sorrindo para uma câmera enquanto se apagam por dentro?


Aqui está o paradoxo que ninguém parece notar: todo mundo quer se destacar, e por isso todo mundo faz exatamente a mesma coisa. A multidão inteira correndo na mesma direção, vestida igual, falando igual, posando igual — convencida de que está sendo única. Mas o que é igual a tudo não se destaca de nada. Um espelho coberto por outro espelho não reflete coisa alguma. Apenas multiplica o vazio.


Fernando Pessoa, que de personas entendia como ninguém — ele que inventou tantas para poder existir — escreveu que o poeta é um fingidor. Mas Pessoa fingia para se encontrar; nós fingimos para nos perder. Os heterônimos dele eram portas para dentro. As nossas personas são portas para fora — e, uma vez do lado de fora, esquecemos o caminho de volta.


Porque é disso que se trata, no fim: esquecer o caminho de volta.


Deus nos criou diferentes, e foi nos detalhes que assinou a obra. A pinta no rosto que a maquiagem insiste em cobrir. A voz rouca que destoa do tom ensaiado. A falha na sobrancelha, o dente torto, o riso largo demais para caber numa foto posada. Aquilo que chamamos de defeito é, na verdade, a impressão digital da alma — o traço que nenhum filtro reproduz, porque nenhum algoritmo foi treinado para o irrepetível. Apagar isso não é se corrigir. É rasurar a assinatura do autor.


Querer ser igual a todo mundo é como querer se esconder. É camuflagem, não estilo. É o animal que se confunde com a paisagem para não ser visto — só que aqui o predador somos nós mesmos, e a paisagem é a multidão. Há uma ironia cruel nisso: passamos a vida buscando ser notados e escolhemos, para isso, justamente o disfarce que nos torna invisíveis.


Clarice Lispector dizia que perder-se também é caminho. Talvez. Mas há uma diferença entre perder-se buscando e perder-se fugindo. O primeiro é travessia; o segundo, deserção. E a maioria de nós não está atravessando nada — está apenas desertando de si, um post de cada vez.


A admiração que se conquista com uma máscara nunca chega a quem está atrás dela. Os aplausos batem no rosto falso e caem no chão, sem nunca tocar a pele verdadeira. Por isso há tanta gente cercada de seguidores e morrendo de solidão: o ser amado é a persona, e a persona não tem peito onde guardar afeto. O homem real assiste, dos bastidores de si mesmo, ao sucesso de alguém que ele inventou — e que agora o mantém prisioneiro.


E tudo muda tão rápido. O que ontem rendia aprovação, hoje rende cancelamento. A multidão que ergue é a mesma que derruba, e com o mesmo entusiasmo. Construir a identidade sobre o gosto alheio é construir casa sobre a maré: bonita na foto, condenada na primeira virada de vento.


Já dizia o poeta Augusto dos Anjos, em "Versos Íntimos" (1912): "A mão que afaga é a mesma que apedreja".


Então fica a pergunta — e ela não é retórica, é encruzilhada:


Você quer se destacar ou se ocultar na multidão?


Porque não dá para fazer as duas coisas. Destacar-se exige aceitar o risco de ser visto inteiro — com a pinta, a rouquidão, a falha, o riso. Exige devolver ao espelho um rosto, e não uma estratégia. Ocultar-se é mais seguro, é verdade. A multidão acolhe, anestesia, aprova. Mas tem um preço, e o preço é este: um dia você olha para o espelho e ele não devolve nada.


Não porque esteja quebrado, mas porque você não está mais aí.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

A BELEZA QUE NOS CERCA


Há uma beleza silenciosa que se revela nas coisas simples — aquelas que o dinheiro não compra e que, ainda assim, enriquecem a vida de um jeito que nada material consegue. Está na natureza, no movimento do vento, na luz que toca a pele, no nascer de um novo dia que insiste em nos lembrar que sempre há recomeços.


Sentir-se digno das próprias conquistas traz uma alegria serena, quase íntima. Amar e perceber a beleza do amor é um privilégio que nos eleva, como se o coração respirasse mais fundo. A abundância que recebemos diariamente — a luz do sol, o brilho das estrelas, o perfume das flores que se abrem — é um convite constante para desacelerar e apreciar.


A vida se torna mais plena quando aprendemos a escolher o que nutre a alma e acalma o coração. Encontrar beleza no mundo é mais do que observar; é permitir que essa energia nos conduza a caminhos onde a alegria pode ser compartilhada.


Mas, para isso, é preciso aprender a enxergar. A olhar com olhos que desejam ver de verdade. Como lembra John Barrett, nada substitui o contato direto com a vida: tocar, cheirar, ouvir, sentir. É nesse envolvimento que a beleza se revela por inteiro.


Permitir que a beleza penetre fundo é um gesto de presença. Onde quer que estejamos, basta olhar, deleitar-se e olhar de novo. A vida, afinal, sempre oferece algo digno de admiração — basta que estejamos dispostos a perceber.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

A DOR DE UMA MÃE


Na beira da calçada, uma arma foi apontada

E, no confronto, um corpo ficou estendido,

A mãe foi avisada e chegou apressada e desorientada

Ela ficou ao ver o filho morto ser chamado de bandido.


Esse é o fim de quem vai pelo caminho mais fácil

E entra nesse mundo cruel da criminalidade

E quem sobreviver no futuro vai ter uma vida mais difícil

E logo serão encontrados e serão cobrados pela sua iniquidade.


Porque este mundo de ostentação

É sinônimo de ilusão

E só traz dor e destruição

Então, pega essa visão 

E em Jesus busque a sua salvação

E não perca tempo para tomar essa decisão. 


E, antes que seja tarde, você precisa se arrepender

E pedir perdão a Deus pelo seu pecado

E para Jesus, você precisa se render

E após o seu amor ter te tocado

Você vai conseguir entender

Porque o sangue do cordeiro foi sacrificado.


Enfim, no crivo da violência

Seja vítima ou seja o ladrão

Tudo na vida tem consequência

No final, um vai para o camburão

E outro vai sair no caixão

E quem perde com isso são as mães.


AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

FALAMOS ATRAVÉS DE QUEM VEIO ANTES DE NÓS


Tem coisas nas famílias que não começam na gente.


A gente acha que está reagindo só ao presente: ao filho, ao parceiro, ao trabalho, mas, muitas vezes, está respondendo a histórias antigas, que vieram de antes.


Em muitos sistemas familiares, o amor não chega simples. Ele chega misturado: com silêncio, cobrança, ausência, dor. E a criança cresce achando que isso é o normal, porque ela não conhece outro jeito.


E essa criança cresce. Se torna adulta e, continua tentando acertar, só que agora, com as mesmas ferramentas de antes.


Pois é, tem gente que passa a vida tentando ser forte demais. Outras tentando dar aos filhos tudo o que não tiveram. Outras tentando controlar o que sentem para não desabar. E outras tentando segurar a vida de todo mundo, porque alguém precisa segurar.


O problema é que, quando uma pessoa carrega demais por muito tempo, o amor começa a pesar.


Não porque esse amor deixou de existir.


E sim, porque virou responsabilidade demais.


E aí, em casa, tudo fica mais sensível. O filho parece mais difícil. O parceiro parece mais distante. E a pessoa, no meio disso tudo, sente que precisa dar conta de tudo sozinha.


Mas isso não é amor leve. Isso é uma forma de sobrevivência.


E quando se sobrevive, também não se descansa.


Na visão sistêmica, muitas vezes não é sobre culpa ou erro. É sobre lugares que se confundiram. Filhos que recebem peso demais. Adultos que deixam de ser parceiros e viram suporte um do outro. Famílias inteiras tentando acertar com o que aprenderam.


Sabe, no fundo, quase todo mundo está tentando fazer o melhor que consegue.


Não porque seja sobre fazer mais força. Mas sim, seja sobre perceber. Perceber o que é de cada um. 


O que não é meu. O que vem de agora. O que vem de antes.


E, aos poucos, permitir que cada um volte ao seu lugar. Para que o amor possa respirar de novo.


Porque amor que respira, sustenta.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

A SAGA DA CARTEIRA DE HABILITAÇÃO


Quando eu fui tirar carteira de habilitação pela primeira vez, passava tanto mal, que me dava vertigem, tremedeira, crise de choro e eu acabei desistindo.


Após uns anos, resolvi retornar, confesso que nunca tive sonho de dirigir! Fui criada na roça e tinha medo de carro! Fui forçada pelo meu marido, que tomava bebida alcoólica e queria que eu aprendesse a dirigir para ele ficar à vontade nas festas, por outras necessidades e outros motivos.


Comecei na Autoescola Cristal, fiz os treinos, chegava na hora marcada da prova prática, era tanto nervoso, que não passava!


Assim aconteceu por três vezes. Na terceira vez, a prova foi na Praia da Brisa, não me conformei de jeito nenhum, entrei e saí da baliza, depois o examinador me tirou ponto, porque disse que olhei para a marcha, falou com tanta truculência que fiquei nervosa e quando cheguei no cruzamento, deixei o carro morrer. Nesse dia, desejei me esticar na areia da praia, pegar sol e morrer seca igual a uma lagartixa!  Daí, chorei da praia até á minha casa, na Areia Branca, em Santa Cruz. Entrei chorando, fui direto para o quarto e chorei o restante do dia.


Nisso me mudei para Itaguaí, meu processo venceu e entrei na autoescola de lá.


Eu dormia, acordava, respirava, comia e bebia pensando em Detran.


Ia treinar com meu marido e era tanta gritaria, que eu passava mal. Meus peitos arfavam, minha respiração ficava ofegante, meus braços ficavam bambos, minha cor fugia, chorava, tremia e a tensão era tanta, que ficava com dor nas costas e me sentia muito cansada!


Meu marido não entendia, dizia que era frescura, que eu estava decepcionando, que ele não esperava isso de mim. Ele me levava para treinar num lugar ermo, me deixava dirigir sozinha, me largava lá chorando, sentada no meio fio, dando crise de ansiedade e tendo uma síndrome do pânico sem saber o que era nada disso, pois não tinha ideia do que estava sentindo, só sei que era um pavor por dentro, que eu não tinha como controlar, e que não adiantava as pessoas de fora falarem para eu ficar calma.


Eu orava dia e noite, dormindo ou acordada e só pensava em Detran!


Eu já estava achando que precisava de um psicólogo, porque não era normal sentir vertigem, tremedeira, falta de ar, etc. Eu não fingia passar mal! Eu não fingia ficar pálida, branca como uma folha de papel ofício, prestes a desmaiar.


Na nova autoescola, eu treinei, fiz simulado, entrei e saí da baliza com um minuto e meio. Meu marido ficou feliz, confiando em mim.


Chegou o dia da prova, me deu um branco, que eu nem entrei na vaga da baliza!


Nesse dia, passei mal o dia todo, chorei tanto que me faltou respiração, parecia que eu ia morrer, a vizinha me abanando, eu engasgada com o próprio ar. Então tomei uma decisão: vou ao médico relatar tudo o que se passa em relação a dirigir. Contei que sentia um pavor por dentro, que quando ia treinar, parecia um boi indo para o matadouro, esquecia tudo, parecia que ia enfartar! O psicólogo me disse que eu estava com Síndrome do pânico e crise de ansiedade e me receitou dois tipos de remédios. Com um mês de tratamento, já senti melhoras nos sintomas. Fiz uma prova, entrei e saí da baliza com perfeição, mas fiquei no percurso novamente, dessa vez, não me desesperei. Meu marido viu tudo, estava acreditando em mim. Tentei novamente após três meses de tratamento e estava me sentindo mais segura, mais confiante. Cheguei ao local da prova, no Parque Municipal de Itaguaí, fiquei andando e falando com Deus, pedindo a Ele o domínio próprio, o fruto do Espírito, que eu estava precisando. Fiquei cantando louvores pedindo a Deus que me habilitasse, não que das outras cinco vezes eu não tivesse pedido! Tudo sempre esteve na direção de Deus, mas eu precisava também de ajuda médica.


Confesso a vocês que tirar carteira de habilitação foi a coisa mais difícil da minha vida! Fiz faculdade, fiz pós-graduação, trabalho dando aulas, faço eventos literários, pregava na igreja, era professora na igreja, sempre falei em público, trabalhei fazendo palestras, sempre fui vendedora, mas nada foi tão trabalhoso para mim quanto tirar a carteira de motorista!


Eu não me sentia capaz, não confiava em mim, por isso, tudo se tornava mais difícil!


As pessoas confiavam mais em mim do que eu em mim mesma. As pessoas diziam que eu era disciplinada, que eu era de obedecer a regras, que eu não teria dificuldades, mas não foi assim!


Enfim na sexta vez, eu passei na prova! A luta foi tão grande que merece escrever em letras garrafais. Venci uma etapa desafiadora em minha vida, de todas a mais difícil,  mas Deus me deu capacidade para me habilitar e hoje dirijo para todo lado, para honra e glória de Senhor.


Meu marido estava aguardando e chorando de felicidade, pois realizei o desejo dele de me ver dirigindo!


Tenho orgulho de dizer que venci por mérito próprio. Se tem uma coisa que eu prezo é isso! Quando fiz meu TCC na faculdade e depois na pós-graduação, acordando de madrugada, fazendo e refazendo, também foi por mérito próprio.


E tirar a minha carteira de habilitação não foi com suborno, como meu marido queria, isto é questão de princípio, do que eu penso que é o correto. Com toda choradeira, todo tremor, todas as dificuldades enfrentadas, com todas as minhas limitações, foi por meu mérito e agradeço a todos que torceram por mim!


Agora só Deus me segura! Prometo honrar minha carteira, pois foi com muito sacrifício e preço de muito choro. Prometo dirigir com atenção, porque o trânsito está caótico e temos que dirigir por nós e pelo próximo, com a prioridade de evitar acidente.


Amigas, aguardem minha visita! Chegarei com aquele louvor no último volume "Campeão, vencedor, Deus dá asas faz seu voo...”


Ao mesmo tempo, penso que esse meu exemplo de persistência serve para que outras pessoas não desistam. Devemos vencer nossos gigantes, e renascer das cinzas como uma fênix!


Desistir é para os fracos realmente!


Com Deus ao nosso lado, é vencer ou vencer!


Essa é mais uma história de superação.


Confiem em Deus e não desistam do que vocês pedem a Deus em oração! Nada é impossível para Deus!


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

DECEPÇÃO


Para muitos, decepção,

Machuca coração,

Castiga a alma,

Cria desilusão.


A decepção,

É a forma dolorida,

Mágoa sofrida,

Que acompanha a desilusão.


Mas não esqueça,

Que, por mais que machuque,

A verdade que prevaleça.


E por mais que a vida cutuque,

Deus te ajude,

A crescer e evoluir espiritualmente.



AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

QUANDO A VIDA CONDUZ


Delicadeza é deixar ir

a dor

a saudade

a tristeza

É permitir que a vida

com suas surpresas

conduza os rumos

que devemos seguir

Tudo vai se encaixando

nas caixas que guardamos

na memória

e no coração

E seguimos com fé

atravessando pontes

estradas

e tudo o que surgir

nas travessias da vida


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

O MUNDO DEPOIS DAS REDES SOCIAIS


O mundo jamais será igual depois das redes sociais. Elas deixaram de ser apenas ferramentas de entretenimento e se tornaram parte da rotina, do trabalho, das relações e até das decisões mais íntimas das pessoas.


Hoje, independentemente do poder aquisitivo, grande parte da população tem algum acesso às redes — seja por um celular simples, um plano de dados móveis limitado ou conexões compartilhadas. Isso criou um grande espaço digital onde todos podem falar, escrever, interagir, consumir informação, influenciar ou ser influenciado.


Nesse ambiente, circula de tudo: receitas de comidas, chás caseiros, indicações de suplementos, dicas de produtividade, conselhos sobre alimentação saudável, exercícios físicos, opiniões de psicólogos, médicos e especialistas de diferentes áreas. O conhecimento, que antes parecia distante ou restrito, passou a caber na palma da mão.


Mas, junto com a democratização da informação, veio outra realidade: cada pessoa, marca ou profissional tenta “vender o seu peixe”. Todos disputam atenção. Uns oferecem experiências reais e úteis; outros fazem promessas, simplificam problemas complexos ou transformam qualquer assunto em produto ou em receitas mágicas de melhoria de vida.


As redes sociais aproximaram pessoas distantes e separaram pessoas próximas. A mensagem chega rápido, emociona rápido e convence rápido. Por isso, o desafio do nosso tempo não é apenas ter acesso ao conteúdo, e sim desenvolver senso crítico para escolher em quem confiar e o que é melhor.


As redes sociais mudaram o mundo porque mudaram a forma como aprendemos, consumimos, nos relacionamos e construímos autoridade. O desafio do nosso tempo não é mais encontrar informação, e sim separar o que é útil, confiável e responsável em meio a tantas vozes tentando chamar atenção. É preciso ter cuidado, ficar atento(a) ao que acrescenta, agrega, de fato, na nossa vida.


Como você está usando as suas redes sociais?


Você concorda com essas afirmações ou pensa diferente?


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

CELEBRAR UM CORAÇÃO EM CATARSE


Ah, como é bom celebrar:

  • A vida

  • Amigos

  • Asseclas

  • Anfitriões

  • Amor em catarse


A catarse comedida, aquela sensação de liberação de sentimentos que pode ser impulsionada e inspirada por um momento especial, um encontro inesperado ou até mesmo uma data especial, acontece de uma forma em que o coração se torna o invólucro fundamental para o reagente principal de um dia especial que pode ser o atualmente celebrado dia dos namorados.


Pois é, numa data em que os recém-amantes esperam para poder selar um dos primeiros marcos do compromisso, onde só o futuro vai ditar o rumo e o teor de um relacionamento iniciado, se for recém-iniciado tem ainda mais força na conduta dos amantes em transformar num evento que marcará a vida de um casal por muitos e muitos anos, pode ser aquele relacionamento que iniciou há algumas semanas.


Um relacionamento iniciado semanas antes do dia dos namorados é tudo que poderíamos querer, é oportunidade, é conexão, é liberação descontrolada de hormônios que afetam jovens, adultos e experientes pessoas, pois traz na sensação a liberação da energia do novo, o reluzir do brilho no olhar, a tensão da esperança em quem busca um recomeço de não errar. Marca o deixar para o passado o que não foi bom para uns, mas em contrapartida é a esperança de uma conexão duradoura para outros.


Numa breve interrupção na minha escrita, eis que, como um sinal de conexão e catarse momentânea com meu devaneio, passa por mim uma mariposa na sala. Fico imaginando como a sala é o lugar onde são selados inúmeros relacionamentos. Imagine um dia dos namorados em que muitas uniões estão celebrando a união e tendo aquela sensação de ter “mariposas no estômago”, pois é, isso mesmo, é diferente das borboletas no estômago.


Sabe por que acho isso? Pois borboleta é poético, singelo, doce, flertando como amor puro e vigoroso. Penso eu que mariposas têm um impacto profundo na analogia imaginada de um efeito que está diretamente relacionado a uma emoção súbita e forte, pois assusta, emociona, impacta, faz os hormônios alcançarem picos elevados em questão de segundos. Aí é que mora a potente catarse de sentimentos relacionados ao que pode ser um Dia dos Namorados de profunda conexão.


Dia dos namorados com emoção de encontro de dois amantes é pleno, duradouro e cheio de emoções aleatórias, afinal, uma vida inteira pode ser escrita a partir de anos que virão após o primeiro dia dos namorados unidos.


Imagino tamanha sensação entre quem mutuamente se admira, se cobiça e se funde, imagino também as vertentes que nascem de um dia dos namorados, os que trazem finais felizes, mas também os que findam em revés muitas vezes catastróficos.


Existem namoros marcados por pessoas que se tornam stalkers na vida da outra pessoa, seja em um relacionamento, até mesmo entre amigos, em que a catarse transmuta o relacionamento para uma transformação doentia em sentimento de ciúmes, controle e obsessão.


Veja, você já assistiu àquela série da Netflix de título: YOU?


É de um jovem que stalkeia jovens que encontra em sua vida e passa a persegui-las de forma doentia, levando-o a cometer incontroláveis crimes, fantasiando em seus tormentos que o que faz é para proteger a pessoa amada, inclusive chegando a prendê-las numa gaiola de vidro, para encobrir seus crimes. Vale a pena assistir e analisar, mas deixemos de lado o spoiler.


O que quero expressar é que é importante evitar que a falada catarse das mariposas no estômago se transforme em sentimentos de descontrole, obsessão e impulso descontrolado. Veja, a reação tem que acontecer dentro do coração, e acredite que o amor verdadeiro e respeitoso faz um casal transmutar o mal que existe dentro do coração de um magoado em um sentimento nobre, puro e real de respeito interior e ao seu futuro cônjuge.


Libere a melhor catarse de emoções fortes e vislumbre o que pode acontecer, quando você sentar em uma sala com alguém que tenha um incrível valor e possa transformar sua vida, seus sentimentos e afastar toda mal intenção de um coração machucado.


Renove seu instrumento de filtrar o que te machuca e se permita sentir o melhor da melhor emoção que se vive num encontro entre duas pessoas em um evento maravilhoso que é celebrar o dia dos namorados.


Se tiver alguém aí do seu lado, não deixe de trocar carícias, dar flores, comer um lanche com paixão e assistir juntinho embaixo do cobertor da sala, uma série de inspirador teor de catarse que faça vocês dois intensificarem a paixão e encontrarem o melhor futuro apaixonado.


Desejo que assim você não seja como o Joe Goldberg da série, que quando colocava o boné, é certeza que algum assassinato iria acontecer. Tem pessoas que hackeiam a câmera da empresa para vigiar um amigo só por ciúme, controle e obsessão, afinal, afaste de perto dos seus sentimentos aquele vulgo de boné que pode somente querer ter o seu controle e alimentar incertezas e trazer um final triste para sua vida, e sabe como podemos evitar alguém assim?


Seguindo a bondade e compaixão de nosso coração, pessoas também podem ser lidas por suas atitudes. Aprenda a analisar e viva com paixão e profundidade a verdadeira relação de catarse que é ter um dia dos namorados com quem te traz e faz sentir:


BORBOLETAS NO ESTÔMAGO


Universo do Tio Dudú


AUTOR Gabriely Ramos


GABRIELY BRANDÃO RAMOS é uma voz multifacetada vinda de Itaguaí, Rio de Janeiro. Aos 31 anos, equilibra a precisão da sua formação técnica em mecânica com a fluidez da poesia e da produção cultural. Graduanda em Serviço Social e educadora social, utiliza a escrita como ferramenta de transformação e registro. Com uma trajetória marcada pela participação em diversas coletâneas — como Suspiros Poéticos, Eternamente Teu/Tua e Memórias de um Tempo Dourado —, foi organizadora da antologia Um Olhar Sobre Itaguaí e marcou presença na Bienal do Livro do Rio com a obra Se tem um dom, seja. Sua escrita é o ponto de encontro entre a sensibilidade poética e o olhar social.

O AMOR NOS DETALHES INVISÍVEIS


Pensar sobre o amor é compreender que ele não cabe em definições estáticas. Ele se recusa a ser apenas o fogo do sexo ou a calmaria de um abraço. O amor real é uma construção paciente, feita de tijolos invisíveis que chamamos de "detalhes".


​No início, somos engolidos pela urgência. Queremos o contato constante, as conversas que atravessam a madrugada, a eletricidade da pele. Mas o tempo passa, e a paixão — que é barulhenta e urgente — inevitavelmente dá lugar ao amor — que é silencioso e profundo. É nessa transição que muitos se perdem, confundindo o fim do incêndio com o fim do sentimento, sem perceber que é ali que a verdadeira história começa.


​O amor amadurece quando deixa de ser apenas um abrigo contra o mundo e passa a ser uma escolha diária.


​Onde o amor realmente mora: ​muito além do sexo. O sexo une os corpos, mas o amor une as vulnerabilidades. É a coragem de se deixar ver por inteiro, com defeitos, medos e imperfeições, sabendo que haverá acolhimento.​ Muito além do abraço: o abraço físico é um porto, mas o amor é a certeza de que, mesmo na distância ou no silêncio de um dia difícil, existe um fio invisível que conecta as almas.​ A beleza dos detalhes: o amor se manifesta no tom de voz que decifra o cansaço do outro, no respeito pelo espaço individual, no café preparado sem que ninguém peça, e na capacidade de rir juntos de uma bobeira qualquer no meio da rotina.


​Muitas vezes, buscamos o amor nos grandes gestos, nas declarações dramáticas ou nas idealizações perfeitas. Mas a verdade é que ele é feito de miudezas. Amar não é o fato de dormir junto ou falar 24 horas por dia; é saber que, mesmo quando o silêncio se instala, ele não é desconfortável, mas sim o som de dois corações que encontraram paz na presença um do outro.


​É caminhar lado a lado, fase por fase, descobrindo que a maior poesia da vida não está no extraordinário, mas na beleza discreta de compartilhar cotidiano com quem se escolheu ficar.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

NOVO DIA


A lua se escondeu,

As estrelas pararam de brilhar,

O céu escureceu,

O firmamento é puro breu.

Que bom, o dia amanheceu!


Os raios de sol despertando,

Acordo bocejando,

Inicio o dia orando.


Agradeço à vida,

A família, o trabalho.

Peço a Deus coragem, 

Força e sabedoria 

Para enfrentar o novo dia.


Corpo fatigado,

Agora descansado,

Espírito renovado.

Sigo o novo dia

De modo animado.


AUTOR Arléte Creazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

A INVEJA É FÁCIL


A inveja talvez seja um dos sentimentos mais fáceis de sentir. Não precisamos de curso, treinamento ou qualquer tipo de esforço. Basta olharmos para a vida alheia e pensarmos: “Como eu queria isso!”.


Olhamos para a casa do vizinho que tem piscina? Eu queria isso.


O carro novo, com bancos de couro e teto solar? Eu queria isso.


A viagem para um belíssimo resort em uma ilha paradisíaca? Eu queria também.


Mas o olhar do invejoso é seletivo. Ele enxerga o objeto de desejo, mas não o trabalho que foi necessário para conquistá-lo. Ao ver a piscina maravilhosa, não vê os anos de financiamento ou os sacrifícios feitos para economizar.


A viagem dos sonhos? Ele enxerga apenas as fotos, mas não o tempo em que se comeu em casa em vez de ir a restaurantes, ou os presentes que deixaram de ser comprados para que aquele dinheiro fosse guardado.


É como amar comer bolo, mas não querer quebrar os ovos nem misturar a farinha. Queremos apenas saborear uma fatia, sem nos preocuparmos com a forma como ela foi feita ou quanto custou.


Sentir inveja é fácil. Difícil é acordar às cinco horas da manhã, trabalhar o dia inteiro e cumprir horas extras para alcançar um objetivo.


Há também a inveja maldosa, que, além do desejo de possuir aquilo que é do outro, ainda deseja que o outro não tenha o que conquistou.


Achamo-nos mais merecedores do que aqueles que realizaram seus sonhos, mas não prestamos atenção em todas as atitudes, escolhas e renúncias que tiveram de fazer para que esses sonhos se tornassem realidade.


Os filósofos do grupo Ultraje a Rigor já diziam: “A inveja é uma merda.” Alguns acreditam que a merda é não ter aquilo que a inveja deseja. Mas, na realidade, a verdadeira merda é não termos a capacidade, a vontade ou a determinação de batalhar para conquistar aquilo que admiramos nos outros.


A inveja deveria ser transformada em admiração. E, por meio dessa admiração, buscar conquistar aquilo que acreditamos merecer. Afinal, se é para a inveja permanecer firme e forte neste mundo, que seja o outro a sentir inveja das nossas conquistas.









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