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REFLEXÕES Nº 215 — 07/06/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


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AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

A ÉTICA DO DESCARTÁVEL


Há algo que me incomoda toda vez que um aparelho para de funcionar logo após vencida a garantia. A geladeira que rodou quinze anos na casa dos meus pais, e a que comprei há três anos, já range, já hesita, já dá sinais de cansaço. O celular que, após duas atualizações, fica lento como se envelhecesse de propósito. Não é impressão minha — e, o que é pior, não é novidade.


Em 1932, em plena Depressão, um corretor chamado Bernard London escreveu um panfleto defendendo que o governo deveria impor uma data de morte aos produtos, uma validade forçada, para que as pessoas comprassem de novo e a economia respirasse. Antes dele, em 1924, um grupo de fabricantes de lâmpadas — o cartel Phoebus — se reuniu e combinou que nenhuma lâmpada deveria durar mais que mil horas. Repare bem no detalhe: eles sabiam fazer durar mais. Escolheram não fazer. A obsolescência programada nasceu ali, de uma decisão deliberada de encurtar a vida das coisas. Décadas depois, em "Os Desperdiçadores", Vance Packard já denunciava esse jogo de empurrar o novo sobre o que ainda servia.


Então, a minha pergunta inicial — estaria a finitude da vida migrando para as coisas? — talvez esteja de cabeça para baixo. Não foi a finitude que migrou para os objetos. Fomos nós que ensinamos os objetos a morrer cedo, porque a engrenagem do desejo precisa de mortes constantes para girar. O produto que dura é um inimigo do mercado. O que se conserva como novo e de repente para, como se morresse, não morreu de velho: foi projetado para isso.


E é aqui que o cerne da questão começa a apertar. Guy Debord, em "A Sociedade do Espetáculo", e Jean Baudrillard, em "A Sociedade de Consumo", já apontavam, lá nos anos 1960 e 70, que tínhamos parado de comprar coisas para usar e começado a consumir símbolos — imagens de nós mesmos, status, sensações. O objeto deixou de valer pelo que é e passou a valer pela facilidade com que pode ser substituído. O novo virou um vício. E todo vício precisa de doses cada vez mais curtas.


A pergunta que me persegue é: por que paramos por aí? Por que a lógica do descartável não ficou confinada às prateleiras?


Não ficou. E foi Zygmunt Bauman quem deu nome ao que muitos de nós sentimos sem saber explicar. Em "Amor Líquido", ele descreve relacionamentos líquidos — vínculos que evitamos estreitar demais, que mantemos com a porta entreaberta, sempre com um pé do lado de fora, com medo de "ficarmos presos". O parceiro virou um produto: consumido enquanto satisfaz, dispensado quando dá trabalho, trocado por um modelo mais novo assim que aparece. Bauman dizia que aprendemos a desejar a possibilidade de trocar mais do que aquilo que já temos nas mãos. E, quando olho a mídia anunciando, sem cansar, famosos em novos romances — e, meses depois, anunciando o fim, e o novo começo com outra pessoa, como quem renova o estoque —, percebo que isso deixou de ser exceção. Virou corriqueiro. Virou normal.


Eu reluto. Ainda me espanto, ainda me revolto, mesmo entendendo que a sociedade muda, que os jovens mudam, que os aplicativos transformaram o afeto num catálogo onde se desliza o dedo sobre rostos como quem folheia um cardápio. Byung-Chul Han, em "Agonia do Eros", diz uma coisa que me assusta: vivemos a morte do outro. O verdadeiro amor exige o outro como mistério, como alteridade, como atrito — e nós perdemos a capacidade de suportar o atrito. Queremos o outro sem o peso do outro, o afeto sem a fricção, o vínculo sem a vulnerabilidade. Han chama nossa era de sociedade do cansaço, esgotada de tanto produzir e otimizar, sem paciência para a lentidão que o amor cobra. E Gilles Lipovetsky, ao descrever os tempos hipermodernos, completa o quadro: vivemos a tirania do agora, do efêmero, do instantâneo. Tudo agora. Tudo descartável. Tudo story que some em 24h.


Mas eis o que mais me intriga. Lá em 1956, muito antes dos aplicativos, Erich Fromm escreveu em "A Arte de Amar" que o nosso erro era tratar o amor como um problema de encontrar o objeto certo, e não como uma arte a ser cultivada. Amar, para ele, exige o que exige tocar um instrumento ou plantar uma árvore: disciplina, paciência, presença, tempo. Coisas que não se encaixam na pressa. Coisas que não se encontram prontas.


E então volto às suas perguntas, que são as minhas. Deixar de cultivar uma relação com tempo, até que ela dê frutos, é tão difícil assim? Será que isso é mesmo melhor para a nova geração — herdar a leveza de não se prender, mas também a solidão de nunca ter raízes? Trocamos a profundidade pela velocidade e chamamos isso de liberdade. Mas será liberdade, ou apenas mais uma forma de consumo — agora de pessoas?


Temos tanta pressa em viver. E eu me pergunto, sem encontrar resposta que me conforte: se a vida já é, ela própria, a coisa mais finita que existe, por que insistimos em torná-la ainda mais descartável?


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

DETALHES, PEQUENOS? GRANDES?


Um detalhe é algo importante em muitas áreas, como nas investigações, em que um simples ponto pode ser essencial para solucionar um caso. Os detalhes também são fundamentais em um relacionamento: sutis percepções e gestos revelam que a outra pessoa realmente se importa com você.


Não importa se os detalhes são grandes ou pequenos — eles transbordam significados. Não precisam ser perfeitos. Os detalhes aparecem em nossas emoções fortes, saudosas ou festivas. São características de algo específico, marcante.


Nos detalhes sutis encontramos encantos. É a pequena flor sobre a mesa na sala que alegra a casa. O toque de mel e mostarda que transforma o gosto da salada. A roupa básica com um corte que faz toda a diferença. O presente inesperado… Muitas vezes, a presença, o cuidado e o encantamento moram nesses singelos gestos, nos momentos e coisas.


De repente, estamos em uma reunião entre amigos, em conversas animadas, e um sorriso chega até o nosso coração. Que detalhe precioso, afetivo e até despertador de amor.


Os detalhes se espalham pelo nosso cotidiano — em casa, no trabalho, no supermercado, entre tantos outros lugares.


Um abraço apertado e perfumado com o aroma preferido, deixando a marca de um momento. Um beijo demorado e cheio de amor. O detalhe de um “eu te amo”, descortinando o sentimento em declarações que chegam e ficam ressoando em nossos ouvidos, tirando nossos pés do chão. Quando a gente está amando, até os minuciosos detalhes se tornam os mais lindos do mundo.


A memória pode se perder no tempo, mas são os detalhes que marcam e dão sentido às nossas lembranças — desde um pequeno gesto até os momentos que realmente importam mais atenção.


Estar em diferentes situações, caminhando sem pressa.


É no desejo de harmonia e equilíbrio que ajustamos o que falta e o que transborda, o que fere e o que cura, o que se vai e o que fica gravado em nós.


Qual detalhe importa mais para você.





AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

A SOMBRA DA LEI


À sombra da lei, eles agem

E a violência cresce demasiadamente

E aqueles que deveriam nos proteger

Estão matando jovens violentamente

Mas nós não podemos nos calar e nos render

E contra essa corja de gente indecente

Que nos oprime, nós devemos nos defender.


À sombra da lei, nós devemos

Ir para as ruas e seguir juntos lutando

Contra essa corja de homens fardados

E despreparados que estão matando,

E o pior é que esses foras da lei são blindados

Enquanto o pobre sofre e segue protestando,

Buscando por justiça mesmo quando são intimidados.


À sombra da lei, o povo da periferia está cansado

Da truculência e das falsas abordagens

E desse sistema que está colapsado

Onde alguns aplicam as suas chantagens,

Enquanto isso, um pai de família sofre, arrasado

E vê os seus algozes receberem as suas vantagens.


A sombra da lei no Brasil a impunidade

Se tornou sinônimo do caos e da insegurança

Que está invadindo a comunidade

Que não acredita e não tem mais confiança

Na lei que está ferindo a nossa dignidade

Tirando definitivamente a nossa esperança.

Por isso, chegamos à conclusão de que a justiça

É como uma serpente que só morde os pés descalços.


AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

PAUSA OBRIGATÓRIA


Sem que a gente perceba, a vida nos pede pausa.


E não é uma pausa bonita, planejada, organizada… é aquela pausa meio forçada mesmo. Um tombo aqui, uma fratura ali, um corpo que não acompanha mais o ritmo que a mente insiste em manter.


Eu fico pensando nisso quando vejo histórias que se cruzam.


Uma amiga minha caiu da escada, fraturou o pé, já vinha de um processo grande no corpo, uma cirurgia importante, uma reorganização profunda da vida. E isso me lembra também de mim, de quando fraturei o meu pé no final do ano. Quantas coisas eu estava tentando dar conta… e, de repente, não dava mais para ir.


O pé, de algum jeito, fala muito sobre isso. Sobre sustentar, sobre seguir, sobre direção. E, quando ele para, tudo para junto.


Na consciência sistêmica, a gente aprende a olhar para esses movimentos com mais presença. Não para criar explicações prontas, nem dizer que “é isso ou aquilo”, mas para perceber o que está por trás do ritmo da vida. O que está pedindo pausa. O que está pedindo menos pressa. O que está pedindo mais escuta.


Estamos acelerando, indo no automático, e o corpo precisa gritar por ajuda de algum jeito. E ele não grita com palavras… ele grita com sintomas, com quedas, com interrupções.


E, ao mesmo tempo, nem tudo precisa virar símbolo o tempo todo. Às vezes é só o corpo mesmo. É só o limite humano aparecendo. E tudo bem também.


Mas o que percebo é que, quando a vida nos desacelera de uma forma assim, meio “sem pedir licença”, ela também abre um espaço diferente. Um espaço de olhar. De reorganizar por dentro. De perceber o que estava passando batido.


Talvez a grande pergunta não seja “por que isso aconteceu?”, mas “o que eu faço com esse tempo que me foi dado agora?”


Eu acredito que essas pausas forçadas também carregam um recado: voltar para si, sem tanta pressa de ir além do próprio passo.


E o corpo sabe disso antes da gente.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

A SAUDADE COM MALA


A saudade não tem aeroporto fixo.

Hoje ela chegou com mala, violão e muita canção.

Não quis saber de mais nada e, sem ao menos avisar,

tomou conta de todo o espaço da casa e do coração.

Tem dias assim, não tem?

Então, às vezes, não sabemos o que fazer.

Pegar um avião e sair por aí sem destino talvez fosse o certo.

Ou ir à praia, caminhar, conversar com o mar,

molhar os pés na água, sentir a brisa no rosto

e voltar para casa com o coração mais leve.

A saudade fica ali,

entre o que se vive e o que se sente.

Talvez passe.

Ou apenas adormeça no peito.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

A PRAÇA


A praça é um dos poucos lugares onde a vida acontece sem convite. Não é preciso senha, roupa adequada ou status social. Basta chegar. Ali, no mesmo chão batido ou no mesmo mosaico de pedras, caminham crianças, velhos, ricos, pobres, professores, apaixonados e toda sorte de humanidade. Todos iguais na condição de passantes. Todos diferentes nas histórias que carregam.


Há sempre o mendigo no canto, guardando seus silêncios e suas ausências. A madame passeia com seu cãozinho bem cuidado. Os corredores apressados cruzam o espaço com olhares indiferentes, como se a praça fosse apenas atalho e não destino. E, no entanto, ela é muito mais do que passagem.


As árvores formam um corredor de sombra generosa. Não escolhem a quem acolher. O gramado verdejante serve de palco para risos, tombos e descobertas. Ali, crianças inventam mundos e, sem perceber, começam a descobrir também as pequenas maldades do mundo real. A praça ensina sem quadro-negro: ensina convivência, frustração, partilha e, às vezes, solidão.


É também território dos namorados, que acreditam que o amor é eterno enquanto dura o entardecer. Banco de promessas sussurradas. Testemunha de mãos entrelaçadas e de despedidas que doem mais do que deveriam. Quantos amores começaram sob suas árvores? Quantos terminaram antes mesmo que as folhas caíssem?


O tempo, implacável, passa pela praça todos os dias. Ele não se atrasa. Apenas transforma. O menino que corria atrás da bola torna-se o adulto que atravessa apressado. A jovem sonhadora vira mãe que agora empurra o carrinho do filho.


A praça permanece,  guardiã das lembranças da infância que insistem em florescer na memória.


E há ainda os dias de discursos. Políticos sobem em pequenos palanques improvisados, prometem mudanças, distribuem apertos de mão e sorrisos ensaiados. A praça ouve tudo. Já viu promessas nascerem e morrerem. Já testemunhou aplausos e vaias, no entanto, ela continua ali, sabendo que o seu verdadeiro significado não está nas palavras ditas ao microfone, mas na vida que pulsa diariamente em seus bancos, em suas mesas e em seus aparelhos de ginástica, proporcionando vida e movimento através dos gritos e gargalhadas.


A praça é democrática porque não discrimina. É humana porque reflete nossas contradições. É mágica porque transforma o comum em memória.


No fim, quando o dia se despede e as luzes dos refletores se acendem, ela permanece serena, abraçando histórias que ninguém escreve oficialmente, mas que ficam gravadas no coração de quem por ali viveu momentos tão marcantes.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

QUANTO TEMPO


Há quanto tempo,

Fico cobiçando seus lábios,

Percorrendo meu corpo,

Encontrando meus lábios.


Há quanto tempo,

Estamos em outro patamar,

Amar-te,

Não é apenas tesão de corpo.


Há quanto tempo,

Beijo você em meus sonhos,

Estando em seus braços.


Tudo é luz quando te sinto,

Amo você por amar

E sempre será assim.



AUTOR Gabriely Ramos


GABRIELY BRANDÃO RAMOS é uma voz multifacetada vinda de Itaguaí, Rio de Janeiro. Aos 31 anos, equilibra a precisão da sua formação técnica em mecânica com a fluidez da poesia e da produção cultural. Graduanda em Serviço Social e educadora social, utiliza a escrita como ferramenta de transformação e registro. Com uma trajetória marcada pela participação em diversas coletâneas — como Suspiros Poéticos, Eternamente Teu/Tua e Memórias de um Tempo Dourado —, foi organizadora da antologia Um Olhar Sobre Itaguaí e marcou presença na Bienal do Livro do Rio com a obra Se tem um dom, seja. Sua escrita é o ponto de encontro entre a sensibilidade poética e o olhar social.

O RITMO DOS INTERVALOS


A vida não é um roteiro que precisamos seguir à risca, mas um rascunho que escrevemos todos os dias.


Muitas vezes, passamos tempo demais esperando o momento ideal, a estabilidade perfeita ou o cenário dos sonhos para começarmos a viver de verdade. O problema é que, nessa espera pelo "grande dia", esquecemos que a vida acontece justamente nos intervalos: no café que esfria enquanto conversamos, no imprevisto que muda a nossa rota ou no silêncio de uma tarde comum.


Nossa maior ilusão é achar que temos o controle de tudo. A verdade é que a maturidade não está em dominar o vento, mas em aprender a ajustar as velas com o que o dia nos oferece. É saber a diferença entre o que merece o nosso desgaste e o que simplesmente deve ser deixado para trás.


Viver bem não é acumular certezas, mas ter a coragem de abraçar as próprias imperfeições e continuar caminhando, sabendo que cada tropeço também faz parte da nossa história. No fim das contas, a beleza da jornada não está no destino final, mas na nossa capacidade de nos transformarmos ao longo do caminho.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

5 DE JUNHO – DIA DO MEIO AMBIENTE


Todo ano é a mesma coisa. Todo mundo recorta uma imagem, posta texto bonito na internet sobre o meio ambiente. E depois?

O que está sendo feito, de verdade, para melhorar?

Será que as leis ambientais estão sendo respeitadas?

Será que existe uma fiscalização intensa que realmente protege, e não só multa no papel?

Muitos já morreram defendendo o meio ambiente.

Até quando isso vai continuar acontecendo?


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

AURORA CELESTIAL POR TRÁS DOS MONTES


Um dia, ao despertar, olhei pela janela e, ao observar o sol se pondo no horizonte, refleti sobre as várias maneiras de observar o nascer do sol. Convidei-me a imaginar várias formas de apreciar a natureza e os sentimentos que poderia absorver emocionalmente através da contemplação direta, e como isso poderia me influenciar positivamente para simplesmente continuar sonhando.


Sonhar é bom, almejar é forte, desejar é gatilho, transportar a mente e ter a sensação descrita em emoções é magia e encanto puro, pois quando o desejo nasce de dentro para fora e carrega consigo o sentimento que emociona o idealizar da conquista, é belo.


Olhando uma foto de um amanhecer, o que vemos são os raios de sol formando a aura de energia da natureza que compõe o delineado desenho das montanhas, se você observar os vales entre o horizonte aqui descritos.


Se olhar o amanhecer tingindo o mar e colorindo o púrpura do oceano e estender o tapete de beleza límpida da aurora do novo dia, você contempla a energia da natureza que limpa em forma de soro fisiológico de alto teor salino e sem iodo em sua composição, é igual a uma lavagem nasal, só que acontecendo perante as telas da íris dos olhos de quem contempla a maravilha da visão da janela de um hotel à beira-mar, é encantador sentir a energia de limpeza e renovação que a praia tem poder de impelir nas mentes e corpos de quem realmente sabe admirar o oceano.


Creio que há indivíduos que preferem a aurora que emoldura o horizonte que lhes é acessível através do olhar àquele momento de amanhecer e despertar, ao contemplar a paisagem a partir do interior de um quarto de uma propriedade rural ou de um hotel fazenda. Refiro-me àquela visão de energias simples e tenras que o sol da aurora irradia, colorindo o misto de verdes folhos e tons terrosos que evocam o potencial visual de quem se dedica ao cultivo da terra, à criação de animais e ao cuidado das árvores mais altaneiras de sua propriedade. Essa perspectiva incita o desejo por um copo de café quente, leite fresco extraído diretamente da vaca, e um bolo de milho cuja receita é uma verdadeira alquimia ancestral, onde apenas a cozinheira é capaz de reproduzir. O amanhecer na fazenda é carregado de intensidade, profundidade e proporciona uma revitalização singular. Não se trata de inspirar a busca por bens materiais além do essencial; de forma resumida, instiga o anseio de acompanhar o sol ascender por horas, experimentando, sem perceber, aquela força vital que nos impele a viver, é uma visão perene de anseio genuíno.


Muitas outras formas de vislumbrar o horizonte podem ocorrer em mentes inquietas e cheias de desejo, que é difícil exemplificar. Vai que existam pessoas que prefiram somente acordar e ver a luz do dia nascendo sem se preocupar e não ter que fazer nada, só ficar ali quieto e esperar a vontade de ficar na cama passar, isso também revitaliza. Imagina seu final de semana, pós tantas responsabilidades dentre os afazeres corriqueiros, você resumir um despertar como esse numa simples palavra: merecimento.


Temos a oportunidade de parar um pouco e poder recarregar nossas energias, vislumbrando o que há de mais barato e ao mesmo tempo de valor inestimável que existe, que é o sentir do irradiar de um novo amanhecer em meio à aurora que desperta lá no horizonte de qualquer lugar onde te traga: paz, saúde e renovação.


Sabemos ser difícil relaxar, mas se pararmos um pouco para pensar, quantas oportunidades de renovar nossas esperanças, desejos e paz interior o fato de deixar nossa mente desenhar o nascer do sol de um lugar que nos seja encantador pode trazer de energia e conexão divina, e isso acontece sem perceber. Pois nossa correria nos faz nem perceber a beleza, além dos olhares, que existe diante da potente obra da natureza que é uma aurora.


Dessa forma, se não conseguirmos elaborar a compreensão da experiência de sentir no momento em que uma bela imagem da natureza nos impacta, podemos apenas nos submeter à energia essencial que a natureza insufla em nosso interior, sem nos darmos conta, transformando-se em um combustível vigoroso que renova nossas forças e nos faz retornar de uma viagem, passeio, ou até mesmo ao levantar mais tarde em um final de semana.


Quero desejar um amanhecer para você cheio daquela renovação interior com luminosidade de milhões de graus de energia da natureza, onde você não precise racionalizar, mas no fundo seu coração saiba te levar ao mesmo roteiro que você siga para reencontrar a sua sempre verdadeira e viril forma de viver.


Universo do Tio Dudú


AUTOR Arléte Creazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

QUANDO O CORAÇÃO DÓI


Existem dores que nenhum remédio cura, nenhum conselho ameniza e nenhum tempo consegue apagar completamente. São as dores das perdas. Quando perdemos alguém que amamos, ou mesmo um animal de estimação que fez parte da nossa vida por tantos anos, sentimos um vazio difícil de explicar. É como se uma parte de nós fosse embora junto com quem partiu.


A morte é uma das coisas mais certas de nossa vida, e também, uma das coisas para as quais menos estamos preparados. Não importa nossa idade, a experiência ou fé que tenhamos. Quando chega a hora da despedida, o coração dói.


Perder quem amamos significa perder a presença que fazia parte de nossos momentos. É deixar de ouvir a voz, receber o abraço, ou ouvir pequenas patinhas passeando pela casa. De repente, o lugar fica vazio e os sons desaparecem.


É uma dor silenciosa que não há remédio que cure. Uma dor que só quem teve um animal de estimação entende. Quem nunca conviveu com um ser de quatro patas, não entenderá a intensidade desse sofrimento. Porém, quem já teve a alegria de conviver com esses anjos de quatro patas, sabe o espaço que ocupam nossos corações.


Eles não julgam, não cobram e não se importam com nossos defeitos. Oferecem amor incondicional e pedem quase nada em troca. São companheiros de alegrias e também de momentos difíceis. Por isso, quando partem, levam consigo nossa rotina de carinho e cumplicidade.


A perda costuma vir acompanhada de muitas lembranças. Algumas nos trazem lágrimas aos olhos, outras nos colocam um sorriso inesperado no rosto. Percebemos que a saudade é uma forma de amor que fica. A saudade existe porque existiu algo que valeu a pena. Ninguém sente falta do que não teve importância.


Embora o coração doa, a vida nos ensina que amar sempre vale a pena, mesmo quando sabemos que um dia haverá despedidas.


As pessoas que amamos deixam histórias, ensinamentos e memórias. Os animais de estimação deixam pegadas invisíveis que permanecem para sempre em nossa alma.


Quando o coração dói por uma perda, é sinal de que ele foi capaz de amar profundamente. E talvez essa seja a maior prova de que, apesar da tristeza da despedida, o amor sempre será maior do que a ausência.









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