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REFLEXÕES Nº 212 — 17/05/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

A ARQUITETURA DO SILÊNCIO


Não sou filósofo de formação, mas confesso que sempre fui atraído por essa arte de desenterrar o que está oculto sob a superfície da normalidade. As ações cotidianas, aquelas que a maioria deixa passar como ruído branco, me deixam profundamente reflexivo. Costumo estudar o jeito das pessoas, a microfisiologia de seus movimentos e a semântica de seus silêncios, tentando descobrir o motivo por trás do agir. Como diria Michel Foucault, o poder não é apenas algo que se exerce de cima para baixo, mas algo que se entranha nos corpos, criando o que ele chamava de "corpos dóceis".


As mulheres carregam traumas de milhares de anos. Elas não carregam apenas suas próprias dores, mas uma herança transgeracional de invisibilidade. Sentem-se diminuídas, e isso não é nenhuma novidade para quem se dispõe a olhar. Existem milhares de estudos, da sociologia de Simone de Beauvoir à psicologia moderna, que confirmam essa construção do "segundo sexo". No entanto, minha maior escola não são os livros, mas a observação atenta das mulheres com quem convivo.


Observei Helena. Ela é brilhante, mas sempre que precisa pedir um favor, começa a se desculpar antes mesmo de enunciar o pedido. "Se estiver muito ocupado", "se der muito trabalho", "se te atrapalhar", diz ela, com uma voz que parece pedir permissão para existir. É o que a psicologia chama de Síndrome da Impostora levada ao limite da interação social. Ela sente que sua necessidade é um fardo para o mundo.


Essas mulheres sentem-se submissas aos homens e acabam pedindo desculpas por coisas que não deveriam. E isso é perigoso. Alguns homens, operando em uma lógica de dominação muitas vezes inconsciente, abusam dessa submissão, fazendo com que elas se sintam cada vez mais inferiores. É um erro sistêmico. Mesmo quando uma mulher como Beatriz consegue se libertar de um casamento sufocante, onde ocupava um papel menor, ela ainda carrega os resquícios dessa arquitetura de opressão. Ela age com outros homens como se ainda estivesse sob o teto do antigo algoz. Por quê? Porque o trauma não é apenas um evento, é uma memória celular que dita o ritmo da respiração e a postura dos ombros.


Em outros casos, observo Clara. Ela não quer ser tocada. Rejeita um beijo no rosto, um abraço, um toque casual no braço. O corpo dela se retrai como uma planta mimosa ao menor sinal de proximidade. Como explica Bessel van der Kolk em "O Corpo Expulsa o Trauma", a pele tem memória. Teriam essas mulheres sofrido abuso físico ou simbólico por um homem e, nessa condição, passam a rejeitar gestos que poderiam confortá-las? A rejeição ao toque não é apenas uma preferência; é um sistema de defesa de um território que já foi invadido.


Que você possa olhar para as suas mãos e perceber que elas não foram feitas apenas para carregar fardos ou pedir permissão, mas para moldar o próprio destino.


É preciso que se diga: os nomes que você leu nestas linhas — Helena, Beatriz e Clara — não são nomes reais. Suas histórias não são parábolas literárias, mas fragmentos de vidas que cruzaram o meu caminho e cujas identidades preservei por respeito à sacralidade de suas batalhas internas. O que torna esses relatos ainda mais urgentes e brutais é a cronologia: tudo isso ocorreu somente nesta semana. Uma única semana de observação foi o suficiente para testemunhar o peso de milênios se manifestando em gestos de desculpas desnecessárias e retrações corporais instintivas.


Isso nos leva a uma reflexão provocadora e desconfortável: se em apenas sete dias a opressão se fez tão visível, quantas semanas já se passaram despercebidas enquanto essas atitudes continuam acontecendo diante dos nossos olhos? Quantas décadas de silêncio foram normalizadas enquanto fingíamos que a igualdade já havia sido alcançada? Vivemos em um oceano de microagressões e submissões herdadas, onde o tempo passa, mas as correntes apenas mudam de cor, tornando-se invisíveis para quem não quer ver.


Diante desse espelho de sombras e heranças, a pergunta que resta é: até quando a sua inércia será o oxigênio que mantém essas correntes intactas, e o que você fará na próxima semana para que o silêncio de outra mulher não seja o preço da sua conveniência?


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

A SAUDADE


Sentir saudade é sentir vazios que o tempo vai deixando em tantas sensações que parecem pontos finais. AH! Choramos, sorrimos, olhamos para o relógio como se o tique-taque chamasse a pessoa, ou as pessoas ausentes.


Amamos um tempo passado, adoramos a possibilidade de viver o tempo presente e a continuidade necessária que preenche nossos corações. A nossa existência é como nuvem: olhamos, saudosos, para um além, querendo encontrar alguém, uma palavra, uma luz.


A saudade aflora a nossa sensibilidade como os versos de um poema de sonhos. É preciso amor, alteridade e coragem para sentir os vazios do coração despertando o adormecido em nós. Para amar e sermos amados, precisamos assumir que podemos suportar muita saudade. Mesmo que você não seja poeta ou filósofo, você é a grandiosidade humana.


O que fazer para suportar uma grande saudade?


Quando a saudade aperta demais, o que a gente faz?


A saudade brinca de doer; ela nos leva para distâncias oceânicas. Ter paciência é um privilégio. Sentir saudades é como guardar escritos de horas, tempos, momentos.


Das utopias Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não as querer... Que tristes os caminhos, se não fora A presença distante das estrelas!

Mario Quintana 


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

FUGA


Eu achava que estava no topo

E que tinha um autocontrole,

Por isso eu só queria chamar atenção,

Eu só queria ser importante,

Eu só queria ser engraçado,

Eu só queria ser forte.


Mas dentro deste abismo

Cruel chamado alcoolismo

Passei a sentir a indiferença,

E, com isso, me tornei um ser insignificante,

Um homem internamente triste,

Um homem fraco.


E, no silêncio da alma, eu não me encontrava

Com isso, o vazio, o medo e a solidão

Me destruía e me frustrava

Me levando para a escravidão

E, com isso, a dor se alastrava

E eu só enxergava trevas e escuridão.


E, no fundo do poço, eu não dormia

E, mergulhado no álcool, eu não comia

E dentro dessa disforme fisionomia

O pavor cada vez mais me consumia

E nesse profundo estado de alcoolemia

Estou sofrendo na carne com essa epidemia.


Até que um dia, numa noite escura

Alguém me trouxe uma luz

E me falou de Deus que me tirou dessa loucura

E hoje vivo para servir o nosso Rei Jesus

Porque somente ele tem o poder da cura

Por isso vivo para Jesus

Que me transformou em nova criatura

E hoje é Jesus quem me conduz.


AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

HERANÇAS INVISÍVEIS DA ALMA


Tem um tipo de cansaço que não nasce apenas do presente.


Às vezes, ele vem de histórias antigas. De dores familiares que atravessaram gerações em silêncio. De mulheres que aprenderam a suportar tudo, a engolir emoções, a carregar a casa, os filhos, os relacionamentos e a própria dor sem nunca parar.


E, sem perceber, muitas pessoas continuam repetindo esses mesmos movimentos.


Assumem responsabilidades demais.


Tentam salvar todo mundo.Se colocam sempre por último.Vivem buscando amor, reconhecimento e pertencimento em relações que quase sempre exigem mais do que oferecem.


Até que o corpo começa a falar.


O cansaço aumenta.


O silêncio passa a ser necessário.As pessoas começam a pesar.E a alma solicita distância daquilo que já não faz bem.


Muita gente chama isso de frieza, mas talvez seja apenas alguém cansado de sobreviver emocionalmente.


Na visão sistêmica, repetimos histórias sem perceber. Não porque queremos sofrer, mas porque fomos aprendendo, desde cedo, qual era o nosso lugar na família. E, muitas vezes, o papel de quem sustenta tudo acaba virando uma prisão emocional.


A psicossomática também nos lembra que o corpo guarda aquilo que a alma não conseguiu expressar. Emoções silenciadas não desaparecem, elas encontram outras formas de existir.


Talvez por isso algumas fases da vida tragam tanto desconforto interno. Porque chega um momento em que já não é mais possível continuar carregando dores antigas como se fossem destino.


E talvez amadurecer seja justamente interromper aquilo que vem ferindo gerações.


Olhar para a própria história com consciência.


Colocar limites sem culpa.E entender que descansar também pode ser um ato de cura ancestral.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

O SILÊNCIO QUE DESPERTA


Demorou a se encontrar… mas, quando aconteceu, foi uma descoberta transformadora. Com o tempo, surgiu uma vocação que, ao se revelar, trouxe sentido e plenitude. Essa busca profissional, que antes era sutil, agora se torna uma fonte de realização, mostrando que, com o tempo, a gente sempre encontra o caminho certo. Em qualquer idade, pode haver um reencontro com algo que preenche, tanto no campo profissional quanto no emocional. E você, o que o silêncio desperta em você?


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

AMOR E PAIXÃO


O amor,

É diferente da paixão,

O amor vem da alma,

A paixão do tesão.


O amor nos enlouquece,

O amor não se esquece,

A paixão. Enfurece,

E entristece.


O amor é. Divino,

A distância não separa,

A dificuldade é. Compreendida.


A paixão,

É motivação,

Para uma noite de prazer e um adeus.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

FLORESCER NA HORA CERTA


Na rua, encontrei uma mulher jovem na idade, porém transparecia tão acabada, cansada e sofrida. Fiquei pensando em como as pessoas são como as flores. A roseira, quando fica velha, é podada. Depois, floresce generosamente, enchendo-se de rosas e espinhos. Era o cuidado necessário para a roseira. E as pessoas também precisam dos cuidados necessários na fase certa. Precisam de atenção, precisam de manutenção, para não se acabarem mais cedo. Sou uma sessentona, ou sexagenária, que se cuida. Eu me arrumo, me maquio, faço atividades físicas, cuido da minha parte espiritual e mental. Fiquei entristecida ao me deparar com aquela transeunte que, apesar de eu não conhecer, me tocou com sua aparência. Ela se foi, seguiu seu rumo. Talvez eu nunca mais venha a me deparar com ela. O que posso fazer? Somente orar. Dizem que a melhor oração é amar. E é mandamento de Deus amar. Então vou orar por ela, para encontrar seu momento de autocuidado, de amor-próprio, de cuidar de si mesma, para que também possa cuidar dos seus. O que posso dizer com isso é que ninguém passa por nós de forma neutra. Sempre deixa impressões, deixa um pouco de si e também leva um pouco de nós.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

A BONDADE EM TEMPOS DIFÍCEIS


Ser bom em tempos tão difíceis não é fácil, mas não é impossível.

É a coragem disfarçada de gesto simples.

É dividir o pão quando a carestia nos rouba, todo dia, cada centavo conquistado com muito suor.

É ouvir o outro sem pressa quando queremos correr de tanto o que fazer.

É escolher a palavra certa, na hora certa, do jeito certo, para a pessoa certa.

O mundo endurece o coração da gente.

Diante de tantas notícias que a gente vê, da decepção, do cansaço que nos consome, bate a vontade de fechar as portas, mudar o caminho, cruzar os braços e cuidar só do que é seu. No entanto, a consciência persiste em dizer que não deve ser assim.

A bondade insiste.

Ela lembra que dureza não cura dureza. Só "gentileza gera gentileza".

Que um copo d’água na hora certa vale mais que mil palavras.

Ser bom quando está difícil é dizer ao mundo:

"Eu ainda acredito que a gente consegue se salvar junto".

Esse mundo ainda tem jeito.

Para isso fomos feitos:

"Fazer o bem sem olhar a quem".


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

CONSERVE O CARINHO EM MOLHO E TEMPERO


Um abraço tem um quê de tempero e molho, temperar uma pessoa através de um abraço é muito bom, você encontra alguém que não via há muito tempo e o abraço é o primeiro sinal sentido da saudade, desejo ou respeito, abraçar sem medo, com carinho ou até apego.


Se apegar através do abraço é fruto que cai do pé cedo, pois um abraço dado a esmo, pode refletir tudo que a gente tem por dentro; mesmo sendo a falta do que perdemos, do tipo: perda de oportunidade, vergonha limitante ou falta de atitude por imperícia, inexperiência ou medo.


Tem momentos em que o abraço é mais que um amigo, no frio às vezes a roupa não aquece o suficiente e quando a gente percebe já está envolvendo as mãos dentro das mangas da blusa, e se parar para reparar bem, é um abraço a si mesmo cheio de calor humano e detrimento ao acaso; afinal, se mixarmos o momento do frio com o calor das boas sensações que estamos passando, é bem certo que o calor vai além da cútis e o calor vem da alegria do nosso coração.


Nosso coração aquecido é igual ao centro do planeta, emana a energia necessária para vida e desenvolvimento, daí penso que está uma chave para o sentido dos abraços, a gente pode reparar que sempre um abraço dado por quem quer que seja, sempre traz a verdadeira forma da pessoa ser, repare:


 Um abraço envergonhado é cheio daquele tipo toque não me toque, onde a pessoa tão envergonhada, não sabe se te aperta ou sai correndo.


Um abraço respeitoso, sendo de verdade, te aperta na mesma maneira que o olhar condiz com o ato, pois olho no olho, você logo sente a intenção da congratulação, ou a alegria do encontro entre pessoas sociáveis que se respeitam, e olha só, quando o abraço é falso ou manipulado pela intenção meramente formal, ele é frio, o olhar desconexo com o seu já entrega somente a obrigação de demonstrar para quem quer que seja que é um abraço amigo, mas no fundo a própria voz ao falar muda a entonação em descordo com o abraço dado.


Um abraço carinhoso de Pai e Mão é outra coisa, é divino, emociona, aquece e tem perfume característico, quem nunca sentiu o cheiro do colo da Mãe ou do Pai, que mesmo você já adulto reconhece toda vez que um deles te abraça, é mágico, cheio de encanto e inesquecível, eu acredito que um cego jamais deixaria de reconhecer o abraço de um Pai e Mãe, pois esse tipo de abraço, traz o além de tempero, o molho necessário para formar sim o máximo de interação de almas, pois um abraço entre pessoas carrega sempre um tempero diferente, com nuances sutis e podem variar de pessoa para pessoa, já o abraço materno  tem o toque de um molho especial, pois faz o carinho do ato percorrer pelo corpo todo e se misturar ao nosso sangue e verter na pele o perfume do bem querer transmitido por quem o desfere.


Mantendo o raciocínio do abraço cheio de tempero e molho; imagino o como esta fusão se torna mais incrível no abraço entre os amantes, aquela maneira que a gente pega com segurança e quer demostrar o desejo e a vontade de estar com quem a gente gosta, o abraço que incendeia nossos desejos, e que tem o pode de para o tempo, pois quando se abraça alguém que ama, a gente faz tudo, beija, cheira, acaricia e quer repetir por horas  e horas, sem prestar atenção ao tempo, e no final, o corpo vai reverberando o encontro e os amantes já estão sem perceber exercitando no ato do abraço a conversa, lembrança ou até vão fazendo planos, sabe aonde? Dentro de um abraço, aí já dá para sentir como o molho temperado da paixão se mixa entre os corpos, e o melhor, a fluidez da harmonia se desloca num vai e vem de paixão cujo itinerário é viajar entre um corpo e outro numa intensidade única ministrada na ponta dos dedos dos amantes a trocar carícias dentro de um abraço.


No fundo, um abraço também traz um recado mágico universal, que pode ser entendido como o encontro de auras adocicadas por sangue e pele, nervos e ossos, mãos e costas, olhar e desejo.


Que tal aquecer seu dia ao encontrar alguém querido e temperar o molho desta pessoa com um verdadeiro e sincero abraço? Se for com amor e carinho, aí sim, estará completo o molho de tempero especialmente aprazível que realça os ingredientes de carinho e respeito que você preserva em reserva aí dentro do peito.


Universo do Tio Dudú


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

POR QUÊ?


Tantos gestos de carinho,

Demonstração de cuidado,

Preocupação, amor.

Porém, tudo resulta em dor.


Como o outro reage?

Com ignorância, dando patadas,

Com a língua atirando farpas.

Emudeço diante de tanta frieza,

Oceanos de indelicadezas..


É difícil receber tanta ingratidão

Quando você emana bondade, afeto.

Qual é a explicação?

Ah, não sei!

É complexa a situação.


Carradas de desafeto despejadas na alma.

O coração esmigalhado,

Dilacerado,

Grita socorro por todos os lados.

Anos a fio de perseverança,

Luta constante...

Exaurido,

Pensa que foi vencido.


Enfim, o coração desperta

Precisa agir

Para a vida prosseguir.

Quem sabe a alma

Voltará a sorrir!


AUTOR Simone Gonçalves


SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.

O TREM


O trem está passando

Levando um pouco de mim

Até você...

Por trilhos longos

Ao vento que balança galhos

Que se encontram pelo caminho

Até chegar onde estás...

O trem está indo embora

Vai levando pelo ar

O cheiro bom das macieiras

E o das roseiras

Por estradas de trilhos velhos

O trem avisou

Que logo chegará

Até onde você estiver

E vai trazer de volta

O teu recado de domingo

Que está com saudades

A semana foi uma loucura

Mas que logo chegará em casa

O trem agora está longe

Mas breve voltará

E teu abraço quente

Chegará no apito de aviso

Esse abraço

Chegará calmamente

Na linda noite de outono

Onde juntos estaremos

Entre as estrelas...

Num sonho de amor!


AUTOR Lucélia Santos


LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.

LIÇÕES DE VIDA


A vida vai nos moldando através de cada encontro, despedida, alegria e decepção. São as experiências vividas que nos ensinam quem merece permanecer ao nosso lado e quem apenas passou pela nossa história, deixando lições.


Com o tempo, percebemos que nem toda ausência dói e algumas distâncias, na verdade, nos salvam. As decepções abrem nossos olhos para enxergarmos com mais clareza o valor das pessoas, das atitudes e principalmente do que é verdadeiro.


Aprendemos que sentir falta não significa querer de volta tudo aquilo que se foi, mas apenas aquilo que fazia bem à alma, trazia paz ao coração e leveza aos dias difíceis.


A maturidade nos ensina a valorizar os amigos que permanecem nas tempestades, aqueles que se tornam família mesmo sem laços de sangue. São essas pessoas que nos abraçam nos momentos de aflição e nos lembram que nunca estamos sozinhos.


E, no fim, cada experiência deixa uma marca, uma lição e uma transformação. Porque a vida não apenas nos ensina a escolher melhor as companhias, ela também nos ensina a sermos pessoas melhores.


AUTOR Arléte Creazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

VOCÊ NÃO SE INCOMODA, NÉ?


Há perguntas que não precisariam ser feitas – aliás, nem deveriam existir – se as pessoas tivessem um mínimo de bom senso.


Como fumantes, por exemplo, que acredito serem os inventores destas situações. Você está lá, em uma roda de conversa, quando alguém, já com o cigarro na boca, parando o isqueiro a poucos centímetros do cigarro, pergunta:


- Você não se incomoda, né?


A pessoa não pergunta se você se incomoda. Ela praticamente afirma que você não se incomoda. A pergunta é feita por uma “falsa educação”, já que o correto seria não perguntar e muito menos acender o cigarro


E então acontece o inevitável: você é colocado em uma situação totalmente intimidadora. Se por um lado disser que não, terá que aguentar aquela fumaça tóxica entrando por suas narinas, cabelo, roupas e muitas vezes penetrando no cérebro, já que passará o tempo todo se questionando por não ter negado.


Mas se disser sim, você se tornará o mal educado da conversa, o amigo intolerante do encontro.


Há os “amigos” que chegam com crianças à sua casa, permitindo que desmontem sua prateleira de enfeites, enquanto apenas observam com tranquilidade. E, após terem tirado tudo do lugar, esses pais alienados perguntam:


- Você não se incomoda, né?


Afinal, como se incomodar se são apenas crianças? E quem não ama crianças, mesmo que sejam pequenos furacões?


E não podemos nos esquecer do vizinho ao lado, que faz com que seu cachorro queira se mudar para outro planeta, e não percebe que há outras pessoas no mundo. Além de ouvir o som alto, ainda faz questão de te encontrar e comentar orgulhoso:


- Amo ficar no descanso do meu lar, ouvindo música alta.


E mesmo que seu semblante esteja claramente mandando-o às favas, ele ignorará por completo.


O ideal é entendermos que, se esse tipo de pessoa não se incomoda com o incômodo alheio, não deveríamos nos incomodar em expor nossas opiniões com medo de sermos julgados por um simples NÃO.


Porque há pessoas com quem precisamos ser extremamente literais. Já que, como diria o poeta:


“Meia palavra é bosta.”








1 comentário


Textos incríveis, tão verdadeiros. É engraçado como há conexões entre eles e me identifico com a maioria (ou todos).

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