BECO DOS POETAS Nº 141 — 14/05/2026
- Luiz Primati
- há 2 horas
- 11 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
LUZ NOS INTERSTÍCIOS
Na semana passada, reclamei do frio que não chegava — e parece que ele ouviu. Resolveu se vingar, como se conhecesse nossos limites melhor que nós mesmos. "Se é frio que você quer, toma" — deve ter dito, com aquele sorriso ambíguo de quem guarda segredos dentro da neblina.
E o frio chegou. Com ele, essa névoa que não pousa apenas sobre os campos — pousa também sobre os pensamentos. Os pensamentos, então, começam a pensar por conta própria. E é assustador quando isso acontece: perceber que a mente, às vezes, não nos pertence inteiramente.
Quantas pessoas, neste exato momento, estão sem esperança — esvaziadas de razão, de chão, de nome? Quantas vezes eu mesmo já murmurei que minha vida não tinha mais sentido? Quantos sussurros habitaram minha cabeça sem eu perceber que não eram meus — eram ecos de medos herdados, de dúvidas que se multiplicam no escuro, de vozes que nunca pedi para ouvir, mas que, de alguma forma, aprendem o meu idioma?
É de uma estranheza perturbadora descobrir que nem sempre somos os donos de nossa própria morada interior.
Encontrar esperança nas pequenas fissuras da escuridão cotidiana é, talvez, a tarefa mais silenciosa e mais corajosa que existe. Mas — e aqui está a pergunta que não me solta — como atingir aquela clareza que nos permite pensar sem tremer, decidir sem hesitar, agir sem pedir licença ao medo? Como se libertar daquilo que não pedimos para carregar, mas que, mesmo assim, pesa?
Talvez a resposta não esteja em nos tornarmos fortalezas. Talvez esteja nas rachaduras. A verdadeira autossuficiência não é solidão — é reconhecer que alguns fios vieram de outras mãos, de outras vozes que ainda ecoam dentro de nós, e então, com paciência e sem julgamento, começar a desenredar. Não para ficar puro. Para estar inteiro. Para estar presente. Porque estar presente é o primeiro passo para pensar com clareza: parar de lutar contra a própria sombra e aprender, devagar, a dançar com ela.
A resiliência verdadeira nasce de madrugada, quando admitimos que não temos todas as respostas. Nasce quando aceitamos que o frio vem, que a escuridão existe, que os pensamentos nem sempre nos pertencem — mas que nela, na escuridão, há fissuras. E essas fissuras não fecham sozinhas. Nós as mantemos abertas, diariamente, com pequenos atos de rebeldia suave: uma xícara de chá quente enquanto a janela registra o frio lá fora, uma conversa honesta com alguém que também está perdido, o perdão a nós mesmos por ainda estarmos aprendendo. São esses rituais invisíveis que transformam o inverno em escola — e a escola, com o tempo, em casa.
A autossuficiência que buscamos não é a do herói solitário que não precisa de ninguém. É a do ser que aprendeu a ouvir sua própria voz entre tantas outras — que consegue dizer não aos pensamentos que envenenam e sim aos que alimentam. É ação: pequena, lenta, às vezes imperfeita, mas segura. Porque a ação é o único antídoto real contra o desespero. E, quando agimos, mesmo que timidamente, descobrimos algo que esteve aqui o tempo todo: que éramos nós mesmos a luz. Pequena, às vezes vacilante, às vezes quase apagada — mas nossa. E isso, só isso, já é suficiente para iluminar as fissuras.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
TEU BEIJO
Cabe na minha vida inteirinha,
vibrando com nossos corpos em festa.
Teu beijo ofusca as imperfeições do mundo,
deixando nossos corações com cores de primavera.
Teu beijo me veste das melhores sensações que um ser humano pode sentir.
Teu beijo tem tamanhos de amores despertados em um universo,
com as cores da paixão e do amor.
Teu beijo é viciado em nossos lábios,
deixando-me em estado de loucura.
Faz-me tão bem te amar, te beijar,
amar você pedaço por pedaço.
Teu beijo,
chega perto dos meus pensamentos mais íntimos.
Como é bom ser feliz
E dizer “eu te amo”.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
DÍVIDA
A guerra contra o preconceito floresce
No jardim onde mora a desigualdade
Por isso vivemos a era da impunidade
Onde o racismo impera e cresce.
E, após mais de um século de liberdade,
Nós ainda nos sentimos acorrentados
Porque vivemos uma falsa verdade
E, no atual regime, ainda somos açoitados.
Basta ver que os herdeiros dos escravocratas
Continuam alternando entre si o poder
Afinal eles não têm nada a perder
Com a lei no bolso e o apoio dos magnatas.
Eles dizem que querem nos tirar da pobreza
O povo acredita e diz que a favela venceu
Mas a lei que prevalece só favorece a nobreza
Só assim o povo se dá conta de que perdeu.
Vivemos a era da escravidão moderna
Onde o povo negro continua sendo aliciado
Sem se dar conta de que está sendo vilipendiado
Enquanto a burguesia é quem governa.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
O MAR NO OLHAR
Ao adormecer,
segue para o mar,
onde aves livres
voam delicadamente
e repousam
na areia úmida,
cheia de conchas.
Na claridade da lua,
o sonho silencioso
colhe estrelas-do-mar
só para admirar…
em silêncio,
o guarda no olhar.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
AMANTES
Quando estávamos juntos
Irrompia uma excitação que mais parecia uma descarga elétrica
Fazendo todo o corpo tremer
Como se fosse uma convulsão.
Você tomava minhas mãos nas suas
Entrelaçando os dedos nos meus
Me conduzindo, me tirando o fôlego
Me deixando em êxtase com paixão.
Fui vencida por sua pegada ousada
Você percorria meu corpo
Navegava em minhas entranhas
Meu coração acelerava
Com vontade de gritar ao mundo
A nossa paixão.
Mas ao contrário
Mantinha meus sentimentos em surdina
Tudo era condenável
Esconder era preciso.
Devido a nossa condição de amantes
Tudo era reprimido.

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
O RUGIDO DO CORAÇÃO
A vida é multicolor,
Já ficou rosa, azul, lilás
Quando o amor floresceu.
Outras vezes, ficou cinza, breu,
Quando o sentimento morreu.
A vida é uma explosão de sentimentos,
Tudo depende de cada momento.
Quando há reciprocidade,
O íntimo exala felicidade.
Quando há mentiras e traição,
A dor é devastadora.
O rugido do coração
É um grito de desilusão,
Ecoando no peito ferido,
Transpassado pela decepção.
Precisa ser convencido
A desistir de “desistir”;
O rugido passará
E voltará a sorrir.

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
PACIÊNCIA
Tudo que preciso,
É um pouco de paciência,
Talvez, um pouco de inocência,
Como de uma criança.
Às vezes,
Preciso ficar zen,
Pois o nervosismo,
Nunca nos fazem bem.
Eu preciso ter paciência,
Para saber conquistar,
Paciência para prolongar a vida,
Para poder amar.
Eu preciso de paciência,
Para cultivar um sorriso,
Para ter juízo,
Para o próximo,
Poder auxiliar.
Eu preciso,
De paciência,
Pois até a natureza,
Levou séculos,
Para se formar.
A paciência,
Para acalmar meu coração,
Paciência,
Para ter razão,
Paciência,
Para uma vida,
Junto a você,
Poder brindar.

AUTOR Simone Gonçalves
SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
A FOTO
Tem coisas
Que não me cabem mais.
Não tem mais passagem...
O café da manhã na cama
Aquela flor roubada no caminho
O beijo escondido
O olhar atrevido...
Já não me pertencem mais nessa vida
Ninguém mais fará por mim... eu sei
Eu sinto que meu tempo se foi
Se perdeu junto da esperança desse amor.
Mas tem alguma coisa sua
Que me acompanha
Me devora a alma de vez em quando
Me consome na saudade
Algo que é só meu
E que me sustenta nesse tempo restante...
Teu sorriso!
Na foto perdida por aqui
Que você esqueceu na despedida.
E esse sorriso...ah!
É só meu!
É o que me resta nessa jornada
De sei lá quantos dias ainda.
Um sorriso que ilumina
Mesmo numa foto
Todas as minhas manhãs
Tardes
Noites.
E mais um pouco dessa vida
Que me resta...

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
O VALOR DA SAÚDE
Como é bom ter saúde!
Às vezes estamos bem, mas reclamamos que temos isso ou aquilo para fazer.
A correria que não acaba. “Só eu tenho que resolver tudo.”
No entanto, quando adoecemos, tudo muda.
Continuamos tendo que resolver tudo, mas sem reclamar.
Só pedimos a Deus para ficar bem e agradecemos por estarmos vivos, lutando.

AUTOR Gabriely Ramos
GABRIELY BRANDÃO RAMOS é uma voz multifacetada vinda de Itaguaí, Rio de Janeiro. Aos 31 anos, equilibra a precisão da sua formação técnica em mecânica com a fluidez da poesia e da produção cultural. Graduanda em Serviço Social e educadora social, utiliza a escrita como ferramenta de transformação e registro. Com uma trajetória marcada pela participação em diversas coletâneas — como Suspiros Poéticos, Eternamente Teu/Tua e Memórias de um Tempo Dourado —, foi organizadora da antologia Um Olhar Sobre Itaguaí e marcou presença na Bienal do Livro do Rio com a obra Se tem um dom, seja. Sua escrita é o ponto de encontro entre a sensibilidade poética e o olhar social.
O TECELÃO INVISÍVEL
O tempo não corre, ele esculpe,
Com mãos de vento e cinzel de memória.
Não pede licença, nem aceita desculpe,
Vai escrevendo em nós a nossa própria história.
É rio que passa sem nunca ser o mesmo,
É o agora que foge enquanto se tenta segurar.
Vivemos, por vezes, perdidos a esmo,
esquecendo que o tempo é o mestre em ensinar.
Não se mede em horas, ponteiros ou traços,
Mas na intensidade do que a alma sentiu.
O tempo é o espaço entre dois abraços,
e o rastro de luz de quem nunca partiu.
"O tempo é um ponto de vista.
Velho é quem não tem mais curiosidade".

AUTOR Lucélia Santos
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
CHAMA ACESA
Ouvir tua voz outra vez foi como sentir o céu desabar dentro de mim.
Abalaste minhas estruturas com a leveza de quem nada fez, e ainda assim me roubaste o ar, como se cada palavra tua soubesse exatamente onde tocar.
Despertaste um sentimento que dormia em silêncio, guardado nas profundezas do peito, escondido a sete chaves entre memórias e renúncias.
Era um desejo antigo, desses que o tempo não apaga, apenas ensina a calar.
Segredo de um amor proibido, nascido em horas erradas e caminhos desencontrados.
Um amor que nunca pôde ser vivido como merecia: com a urgência da paixão, com a entrega inteira, com a intensidade de dois corações que sempre se reconheceram.
E agora... tu apareces.
Como quem retorna das brumas do passado para incendiar tudo o que eu julgava adormecido.
Então imagino nosso reencontro.
Teu corpo vindo ao encontro do meu, o abraço longo e inevitável, desses que silenciam o mundo ao redor.
Sinto, antes mesmo de acontecer, teu calor encostado ao meu, tua presença preenchendo vazios que ninguém soube tocar.
Imagino teu olhar fixo, profundo, atravessando minhas defesas e alcançando aquilo que escondi por tantos anos.
Olhar que marca, que chama, que desnuda a alma sem precisar de palavras.
Décadas nos separaram, é verdade.
Mas o tempo, por mais cruel que seja, jamais foi capaz de apagar o fogo da paixão que meu coração guardou por ti.
Ele apenas transformou a chama em brasa viva, esperando o sopro certo para incendiar-se outra vez.
E bastou tua voz.
Somente tua voz... para que tudo em mim voltasse a arder como uma chama acesa.






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