REFLEXÕES Nº 205 — 29/03/2026
- Luiz Primati
- há 1 dia
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AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
RELACIONAMENTOS LÍQUIDOS E A RESPONSABILIDADE AFETIVA
Hoje me vi mergulhado na lembrança dos relacionamentos passageiros que atravessaram minha vida — esses encontros fugidios que marcam a contemporaneidade com tanta intensidade quanto brevidade. Quantas pessoas amamos no fervor de um instante e, depois, perdemos para sempre nas esquinas do tempo? Quantas almas tocaram a nossa, desejando eternidade, enquanto, para nós, tudo não passava de um breve clarão — uma chama que arde intensamente antes de se extinguir?
Quantas ruínas silenciosas teremos deixado em corações alheios? Quantos sonhos desmanchamos apenas para saciar a urgência de um desejo que, tão logo satisfeito, esvazia-se de significado?
A dinâmica dos relacionamentos líquidos, conceito cunhado pelo sociólogo Zygmunt Bauman ao descrever nossas sociedades contemporâneas, tornou-se o paradigma dos encontros modernos. Diferentemente dos relacionamentos sólidos — aqueles que demandavam comprometimento gradual, construção mútua e aceitação da vulnerabilidade —, os relacionamentos líquidos caracterizam-se pela fluidez, pela efemeridade voluntária e pela recusa implícita da intimidade profunda. Vivemos numa época em que o medo de nos vincularmos definitivamente é frequentemente confundido com liberdade, e a capacidade de abandonar relacionamentos sem consequências emocionais é celebrada como maturidade.
A cada segundo, em algum lugar do mundo, um coração se parte. E quantos deles, eu me pergunto, terão sido marcados — para o bem ou para o mal — pela nossa passagem? Quantas pessoas carregam feridas que nunca confessamos causar, porque admiti-lo exigiria que encarássemos a responsabilidade afetiva que preferimos negar?
E se, no dia do nosso desencarne, houvesse um tribunal onde nos esperassem todos esses fantasmas de relacionamentos interrompidos? Como nos apresentaríamos diante deles? Teríamos coragem de admitir nossas culpas e buscar redenção, ou nos esconderíamos atrás da velha desculpa de que "nunca foi nossa intenção ferir" — aquela máscara que nos permite dormir tranquilos enquanto outros padecem em silêncio?
Porque aqui está a questão incômoda que raramente formulamos: para quem um relacionamento é líquido? Para aquele que parte, certamente. Para aquele que fica, frequentemente é denso demais, pesado demais, um sólido que lhe machuca a mão ao tentar segurá-lo enquanto ele escorrega entre seus dedos.
A ilusão da liberdade sem consequências
Nos relacionamentos líquidos, parece ter sido aceito como regra natural que não há espaço para arrependimento, tempo para reflexão ou, pior ainda, responsabilidade pelos danos causados. A cultura do descartável — tão característica de nossas sociedades de consumo — infiltrou-se profundamente nos nossos corações. Trocamos parceiros como trocamos smartphones, sempre na esperança de que o modelo seguinte seja melhor, esquecendo-nos de que cada "atualização" deixa para trás um ser humano ferido.
Mas será esse, de fato, o caminho? Se aceitarmos que todo amor nasce apenas para acabar — que ele é, por natureza, transitório e descartável — e insistirmos na mentira reconfortante de que ninguém verdadeiramente se machuca nesses encontros, viveremos mesmo melhor? Ou estaremos apenas nos anestesiando coletivamente, encorajando uns aos outros a negar a dor que sabemos infligir?
A tragédia do relacionamento líquido reside precisamente nessa desconexão entre intenção e impacto. Podemos sinceramente não desejar machucar alguém, mas isso não anula o fato de que o machucamos. A boa intenção é um conforto privado; o sofrimento alheio é uma realidade pública que insistimos em ignorar.
O peso da ambivalência.
Eu ainda carrego algo de antigo em mim — uma sensibilidade que a era líquida tenta nos convencer que é obsoleta. Penso nos meus atos e me pesa saber que também fui responsável por partir alguns corações. Houve momentos em que preferi a covardia da indiferença ao risco da honestidade. Houve ocasiões em que fugi porque o apego era ameaçador, deixando para trás alguém que talvez merecesse uma despedida clara, um reconhecimento de seu valor.
E ainda que o meu próprio coração tenha sido estilhaçado tantas vezes — desgastado pela minha própria vulnerabilidade imprudente — isso me daria o direito de reproduzir a mesma dor em outro peito? O sofrimento que experimentei me autoriza a infligi-lo em outros? Historicamente, essa tem sido a justificativa que herdamos: a de que, tendo sido feridos, temos o direito de ferir em retorno. Mas isso perpetua apenas um ciclo vicioso de dor compartilhada, não redenção.
A verdade desconfortável é que conhecer a dor não nos torna automaticamente mais compassivos. Às vezes, apenas nos torna mais hábeis em causá-la sem culpa.
Um convite à pausa reflexiva
Por isso, proponho um contraste deliberado com a velocidade característica dos relacionamentos líquidos: uma pausa. Uma pausa genuína em que possamos pensar em todas as pessoas que um dia cruzaram o nosso caminho — não para nos autoflagelarmos em culpa improdutiva, mas para recuperarmos a consciência de que cada encontro humano deixa marcas.
Pensemos na forma como nos despedimos delas. Será que deixamos para trás um coração apaixonado, esperando por uma resposta que nunca viria? Será que interrompemos o sonho de alguém porque sua proximidade tornou-se incômoda demais? Será que transformamos uma pessoa em mero episódio da nossa própria narrativa?
E aqui repousa a revolução silenciosa que a modernidade teme: reconhecer que a liberdade emocional verdadeira não reside na capacidade de desapegar-se sem consequências, mas na coragem de nos apegar com responsabilidade. Não é o que está na moda. Não é o caminho fácil. Mas é o caminho verdadeiramente humano.
Pense nisso — porque, às vezes, o que para um foi instante, um lampejo esquecível, para o outro foi eternidade. E essa assimetria não se dissolve apenas porque deixamos de mencioná-la.
Reflexão final
A aceitação dos relacionamentos líquidos como inevitáveis não é um reconhecimento da realidade social — é uma renúncia à responsabilidade afetiva. E talvez o que realmente nos diferencie como seres conscientes seja justamente a capacidade de sentir o peso das nossas ações e, ainda assim, escolher o caminho mais difícil: o da honestidade, do cuidado e da presença real, mesmo quando tudo ao redor nos convida ao distanciamento. Pense nisso.

AUTORA STELLA GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
PACIÊNCIA COM AS NOSSAS IMPERFEIÇÕES
Há sentimentos que nos atravessam como tempestades silenciosas e nos fazem sofrer. São prisões invisíveis que limitam nossos passos, abafam nossos sonhos e nos impedem de seguir adiante com leveza.
Quando nos afastamos de quem realmente somos, perdemos o desejo de crescer, de nos expandir, de ocupar o espaço que a vida generosa ou desafiadoramente nos oferece. Passamos a não nos valorizar e, num gesto quase cruel, inventamos defeitos imaginários, sombras que só nós enxergamos.
Ah, as nossas imperfeições… tantas vezes as julgamos feias, pesadas, vergonhosas. Nos deixando infelizes. Repetimos para nós mesmos que somos fracos, incapazes, insuficientes. Alimentamos pensamentos desanimadores que corroem nossa força e fragilizam a imagem interior que deveríamos proteger com carinho. Assim, deixamos nossa essência impregnada de desânimos, quase apagada.
Mas é preciso coragem para refazer essas imagens distorcidas. É preciso disposição para caminhar até o fim do corredor solitário e, lá no fundo, encontrar a águia dos nossos voos — aquela parte de nós que sempre soube voar alto, mesmo quando esquecemos.
Tudo o que é imperfeito pode tornar se quase perfeito. Digo quase porque a perfeição absoluta talvez nem exista, e talvez nem precise existir. A beleza está no processo, na lapidação diária, na construção silenciosa que fazemos de nós mesmos.
A superação é o nosso trabalho constante, dia a dia, até que possamos avistar as paisagens luminosas que as vitórias nos oferecem.
Vejam só, meus companheiros reflexivos: quando olhamos com olhos iluminados, contemplamos melhor; quando pensamos com elevação, compomos dentro de nós uma harmonia que antes parecia impossível. E então a alma dança — leve, solta, viva.
No fundo, somos isso: perfeitos e imperfeitos ao mesmo tempo.
Criaturas em eterna construção.
Ecos que atravessam o tempo com a pele de leões e a sensibilidade de quem sabe que a vida é feita de quedas, mas também de recomeços.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
SOMBRA NO ESPELHO
Quando eu me olhava no espelho
Eu enxergava uma sombra que estava
Me consumindo e que pouco a pouco
Me transformava em uma figura
Decadente e escrava dos vícios
Mundanos que vinham destruindo
A melhor parte de mim.
Tem horas que eu não me reconheço,
O medo de enfrentar a realidade
Me deixa inseguro e desconfortável,
O copo se torna o meu único refúgio
Tento ignorar a minha fraqueza,
Mas não consigo me aceitar.
E, frente ao espelho, vejo a sombra
De um homem sóbrio que é o reflexo
Da introspecção e agora eu invento as
Minhas próprias dúvidas e me cerco
Dos medos que eu mesmo inventei,
E me deparo com essa armadilha
Chamada incerteza.
Mas sei que preciso me aceitar,
E desse pesadelo preciso acordar,
E só assim vou conseguir me libertar,
E com certeza vou me reencontrar
E quem sabe um dia eu possa voltar
A viver uma vida plena e sonhar.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
SERÁ QUE HÁ GUERRA EM NÓS
Tem dias que parece que está tudo bem. A vida segue, as pessoas trabalhando, fazendo planos, tentando manter uma certa leveza… e aí, de repente, alguma coisa estoura. Um conflito, uma guerra, uma tensão que reaparece com força, como se nunca tivesse ido embora de verdade.
E, olhando por esse lugar do sistema familiar, é difícil não perceber o quanto isso se parece com o que a gente vive nas famílias… e dentro da gente.
Porque, na real, quando algo não é visto, não é acolhido, não é integrado… não desaparece. Fica ali. Quieto, às vezes por muito tempo. Mas uma hora, encontra um jeito de se mostrar.
E o mundo, para mim, funciona muito parecido com isso.
Quando a gente vê essas guerras acontecendo, esses conflitos surgindo em diferentes partes do mundo, não parece ser só sobre o agora. Tem algo mais antigo ali. Histórias mal resolvidas, dores que não tiveram espaço, exclusões que continuam solicitando para serem olhadas. É como se fossem lealdades invisíveis, só que em escala coletiva.
E aí fico pensando… quantas vezes, na nossa própria vida, a gente também não vive isso? Parece que está tudo em paz, e de repente vem um problema, uma emoção forte, um conflito que a gente nem entende direito de onde veio. Mas quando a gente vai olhar com mais profundidade… tem história ali.
A psicossomática fala muito disso, né? Do corpo, trazendo o que não foi elaborado. E eu sinto que o mundo também faz isso. Esses movimentos maiores, essas crises, às vezes parecem sintomas… não no sentido de algo “errado”, mas como uma tentativa de expressão de algo que ainda não encontrou lugar.
E dentro disso tudo, eu não sinto que o nosso papel seja “consertar o mundo”. Até porque isso seria pesado demais… e até ilusório.
Mas sinto, de verdade, que quando a gente olha para o nosso sistema com mais consciência, quando a gente para de excluir partes da nossa história, quando a gente acolhe o que foi difícil sem tanto julgamento… algo começa a se reorganizar.
E isso não fica só na gente.
Cada pequeno movimento interno reverbera. Cada padrão que a gente deixa de repetir, cada reconciliação que acontece dentro, abre um espaço diferente no campo. Mesmo que a gente não veja na hora.
Talvez a paz que a gente tanto espera lá fora não comece nos grandes acordos… mas nesses movimentos mais silenciosos, mais íntimos, mais verdadeiros.
Porque, no fundo, o mundo não está separado da gente.
E aí, a pergunta que fica não é só sobre o que está acontecendo lá fora… mas sobre o que, em nós, ainda está solicitando para ser visto, incluído, reconhecido.
Talvez seja por aí que algo realmente novo comece.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
O DIA QUE ME ESCOLHI
Deixar tudo de lado
para conversar com alguém,
sorrir…
Tirar uma manhã, uma tarde
só para mim.
Sentar na praça,
caminhar no parque,
dançar na rua, feliz…
Andar de bicicleta,
comprar canetas novas,
um perfume floral.
Ir à livraria
e, enquanto leio,
tomar um café
com bolo de aipim.
Fazer algo que me deixa leve,
simplesmente porque mereço.
Sentir-me assim:
inteira, presente,
ainda que por um dia —
no dia em que escolhi
ser eu mesma,
sem me importar
com o que vão pensar.
Porque este foi o dia
em que me escolhi
para ser feliz
comigo mesma.
E você,
já tirou um dia só para você?

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
AVASSALADOR AMOR
Avassalador é o amor,
Quando chega, não pede licença,
Que de Deus venha a bênção,
Para acalmar o coração...
Quando o amor é avassalador,
Supera a distância,
A inconstância,
O Dissabor...
Quando o amor é avassalador,
Não precisa ter toque,
Não precisa ter cheiro...
O desejo vem da alma,
Começa com calma,
E domina todo o corpo...
O amor avassalador,
Provoca o furor,
Dias viram noites,
Noites de amor...
Sonhar de olhos abertos,
Sem momentos certos,
O que interessa,
É poder te amar...
Na cama, ao deitar,
Fechar meus olhos e te sentir,
Bem pertinho de mim...
E tudo que eu vejo,
No espelho é meu reflexo,
Perplexo por tudo que sinto por você...

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
O VALOR DA MULHER
Sabemos que o tratamento dado às mulheres ao longo das eras não é uma história nobre. Ao longo da história judaica, no Velho Testamento, da Bíblia sagrada, já vemos como a mulher era considerada um ser inferior, a ponto de os judeus orarem assim: Obrigado, Deus, por não ter me feito um gentio, uma mulher ou um escravo.
Faço uma pergunta: De onde eles vieram?
Um provérbio chinês diz: A mulher deve ser como água, não ter forma, nem voz!
Que engano! Temos formas maravilhosas! Temos voz que encanta como sereia!
Diz um provérbio indiano: Educar uma mulher é como regar o jardim do vizinho!
O provérbio quer dizer que não terá valor, que será perda de tempo, que será tolice! Na visão deles, cuidar da casa, dos filhos e do marido não precisa ter educação.
Queriam que ela fosse somente do lar, mas ela avançou, é do lar e de onde quiser!
No Hinduísmo, a mulher tem menos valor que a vaca adorada!
No Islamismo, a palavra da mulher não tem valor por si mesma, é preciso três homens para comprovar, para que seu testemunho seja válido. Logo o homem, o maior mentiroso!
Ainda tem mais na China, meninas têm seu clitóris removido. Na África também! Tudo isso para não sentir prazer na hora do sexo!
Como a mulher era desvalorizada!
Mas Deus não nos fez para sermos assim! Ele sempre valorizou a figura feminina! Ele fez a mulher para ser a ajudadora do homem, para estar lado a lado com ele!
Como a mulher passou a ser tão perseguida?
Isso é sinal de que temos muito valor, isso sim!
Ainda bem que estamos vencendo!

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
APRISIONADA
Há noites em que o silêncio pesa mais que o mundo, e é nele que me deito, não para descansar, mas para sentir.
As lágrimas encontram o caminho do travesseiro como quem já conhece o destino, repetindo um percurso antigo, íntimo, inevitável. E eu permaneço ali, imóvel por fora, mas desmoronando por dentro.
Meu coração, esse insistente, não aprende. Continua ardendo como fogueira acesa, lateja, chama, implora por um amor que ainda se move dentro de mim, mesmo sem ter onde pousar.
A sua falta não é ausência simples… Está em tudo: no espaço vazio ao meu lado, no eco dos pensamentos, no ar que parece mais pesado quando respiro. É um vazio que transborda.
Caminho por dentro de mim como quem atravessa uma praia deserta à noite. Não há passos além dos meus, não há vozes além das que carrego. Apenas o som das ondas, esse vai e vem constante, como se o mar tentasse me ensinar a partir, mas eu… eu ainda não sei como ir.
E sigo. Mesmo sem forças. Mesmo com o corpo cansado de sustentar saudade. Mesmo com o peito cheio demais de tudo aquilo que não cabe mais.
Porque amar, às vezes, é isso: uma prisão sem grades visíveis.
Um sentimento que continua, mesmo quando a outra metade já não está.
E aqui estou…
Aprisionada em um amor que ainda vive em mim, sozinha...

AUTORA MARINALVA ALMADA
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
QUANDO ESSE DIA CHEGAR
A aposentadoria será o começo de uma nova fase, uma nova jornada da minha vida.
Por isso, quando eu me aposentar,
Vou viajar por lugares que sempre quis,
Visitar meus familiares e minhas preciosas amigas que o tempo afastou de mim,
Me cuidar, me priorizar,
Ler mais, escrever mais, deixar a vida mais leve, livre e solta.
Será que farei tudo isso mesmo?
Será que vou lembrar de tudo isso?
Só o tempo irá dizer e quem viver, verá.
"Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar", como diz Gilberto Gil.

AUTORA SIMONE GONÇALVES
Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
DOCE INFÂNCIA
Saudades...
Dos chocolates com gosto de gordura hidrogenada
(Nada de qualidade, perfeito no sabor infância)
Os guarda-chuvinhas então...
E as bolinhas de futebol?
O "cigarrinho" da caixinha vermelha ?
Os doces das vendinhas... que delícias!
Suspiros, maria-mole...
Dadinhos, balas 7 belos, juquinhas...
Gente do céu! Eis as maravilhas do nosso mundo nos anos 80.
O verdadeiro sentido de nossas lembranças fazerem tão bem...
Um passado colorido, doce, inocente
Infância que nenhuma outra nova geração
Saberá como é
O gosto da liberdade de um quintal de terra
As frutas mais frescas dadas pelo avô num domingo após o almoço
As brincadeiras com os primos...
Jogar dominó com os tios na mesa do café
Arrastar os sofás e usar a imaginação tentando fazer igual à coreografia de "Thriller", rsrs
Ah, não tinha medo não
Tudo era uma festa só
Sem contar que já era uma garotinha romântica aos 5 anos, assistindo ao clipe de "Careless Whisper" e até hoje sinto uma emoção diferente quando ainda assisto como se fosse a primeira vez...
Ah... doce infância!
Quantas lembranças...
Quantas saudades...

AUTOR EDUARDO GRABOVSKI
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
UM GIRO SOLAR FABULOSO
Olha só como o pensar é interessantemente livre, oportuno e sem intencional teor; existem fábulas que podem ter um imenso poder em nossas vidas. Olha só um resumo desta na minha visão, bora lá:
Existia uma estrelinha que, de tão apaixonada pelo sol, era a primeira a aparecer só para ficar admirando o sol antes do pôr do sol, e após o pôr do sol, ela chorava lágrimas de chuva. Um dia, a lua disse à estrelinha que fazer isto não lhe faria bem, já que a estrelinha nasceu para acompanhar a lua à noite pelo céu; a estrelinha amava cada raio de sol, como se fosse a única luz em sua vida, sendo maior até que sua própria luz. Certo dia, a estrelinha resolveu falar com o rei dos ventos e pedir ajuda para ela ficar olhando para o sol por séculos e séculos. Parece ironia, mas só para divertir com as palavras. O rei, cheio de brisas, explicou que o pedido era impossível, exceto se ela deixasse de ser estrela; ela logo virou estrela cadente e caiu na terra, em forma de semente. Olha só, a sementinha foi plantada pelo rei dos ventos, foi regada com carinho pela mais bela chuva e virou uma planta que sempre crescia com suas pétalas se abrindo em direção ao sol e seguindo seu giro no céu durante o dia, findando por obter a coloração dourada da cor do sol. Uma bela referência de resignação, garra, luta e busca por sua luz interior. Olha que ter brilho próprio é muito belo, mas o que mais me impressiona é a capacidade humana de buscar em si e em seus anseios a vontade de se manter brilhando.
O trecho da fábula citada foi tirado da: “Fábula do Girassol”. Encontrada na internet.
Sabe, uma senhora uma vez disse a mim e outras pessoas presentes em um encontro religioso que, para se manter o respeito, a dignidade e agir com carinho para um superior, deveríamos ser iguais a girassóis, que respeitam o sol superior, mas também têm apreço e respeito pela experiência e tempo de vida da pessoa em questão: o líder.
Acredito que, se vivermos a tal regra do: faça certo, não faça errado, ou a regra da autoridade acima da lei e da justiça, estaríamos prestando um baita desserviço em prol dos bons costumes e bons relacionamentos. Nem tudo precisa de aprovação, nem toda mudança causa fracasso, e não é a aparência de ser servil que destrói a imagem de um superior.
Quero dizer que foi uma bela lição ouvir daquela senhora, a quem chamo carinhosamente de: Minha Vozinha, que, iguais a girassóis, podíamos baixar um pouco nossas pétalas e seguir seu brilho no tingir da regência do evento. Explicando de outra forma: numa turma de escola, foi escolhido um aluno por mérito a ser o responsável por conduzir a sala em um sarau, por exemplo, perante a semana cultural, e assim o aluno escolhido não era o preferido de todos. Afinal, todos como colegas sabiam de seus erros e acertos; para uns, ele era metido, arrogante e até puxa-saco, sendo difícil até se comunicar com ele, e para outros, era motivo de admiração e exagerada cobiça. Então, por ser uma pessoa de destaque — tanto positiva quanto negativamente —, ele acaba por dividir opiniões e, assim também, obter o ônus de ser escolhido para tal tarefa, mesmo contra a vontade e tendo suas limitações.
Ele mostra um caráter no mínimo inspirador, pois para se aceitar tal tarefa, deve-se deixar de ter o medo do certo e errado, assim apostar em sua autoestima, eliminar seus padrões de ideias limitantes e assim executar a missão com o melhor que seu desempenho possa ofertar.
Quero dizer, ver ou entender que quem tenta executar uma tarefa, sendo retirado de sua zona de conforto de ideias, é no mínimo uma pessoa de coragem. Imagino eu que pessoas de coragem são pessoas solitárias, pois o julgamento às vezes acontece dentro de sua própria cabeça, mas também acredito que isso as impulsiona a executar e realizar, tendo o maior índice de probabilidades de acerto. Pois o certo e o errado, na minha visão, estão relacionados diretamente com a maior possibilidade de satisfação geral que afete o grupo ou ao evento em que você ou a pessoa em questão do fato está diretamente ligada.
Ao citar sobre solidão, refiro-me a atuar igual à estrelinha da fábula, que tinha um sonho que parecia egoísta, queria somente estar perto do que lhe fazia bem e seguir a quem lhe traz luz:
— Luz de ideias — Luz de postura — Luz de abrangência — Luz de impulsionamento.
Afinal, se aspirar o ar e compartilhar do desejo da estrelinha, ela vai muito além do horizonte. Ela, no seu íntimo, sabia que não era fazer companhia à lua que a trazia paz, e sim ter seu olhar para o sol, confundido como outra coisa; era confundido com um olhar reprovador da lua, por achar que ela está se anulando. E correlacionando com minha experiência com minha Vozinha, se nos deixarmos ou tivermos benevolência de respeitar a quem conquista o direito de assumir naquele momento as rédeas da liderança, seremos iguais ao girassol, que na sua essência veio à terra e virou uma semente que, regada com carinho e amor, ergue-se como uma partida da luz a se seguir e juntamente brilhar em pétalas de cor de raios de sol.
Imagine que você não pode tocar os raios do sol, mas pode sentir o calor do amor emanado pelo girassol, que segue os passos do sol, trazendo inspiração, o bom exemplo e o caminho de vida próspera e de realizações a se obter.
O grande exemplo que me traz a refletir sobre a “Fábula do Girassol” é que saber exercitar a humildade é igual a contemplar as pétalas de girassol, deixando quem estiver no seu momento de brilhar, simplesmente brilhar. Amigo e amiga, recolham suas pétalas e saibam que existe um momento para cada um deixar sua luz ficar em evidência.
Um conselho: não caia jamais na triste capacidade do ser humano de enterrar a cabeça do semelhante na lama no exato momento em que ele precisa que lhe façam erguer a cabeça e enfrentar seus obstáculos. Afinal, isto só é regra para semelhantes e afins nestes tipos de pensamentos.
Afinal, se puder brilhar, brilhe. Se for necessário mudar, mude. Suas mudanças de direções com humildade e convicção farão você realizar e inspirar pessoas no trajeto.
Universo do Tio Dudú

AUTOR MAXIMILIAN SANTOS
MAXIMILIAN SANTOS, natural de Feira de Santana, Bahia, é escritor, poeta e técnico em computação. Escreve desde os 17 anos, quando descobriu na palavra um refúgio e uma forma profunda de expressão. Coautor de cinco antologias poéticas, encontra na escrita não apenas arte, mas libertação, um espaço onde a alma se aquieta e o coração encontra voz.
EM TEUS BRAÇOS
Deito-me em teus braços
como quem encontra abrigo
depois de longas noites sem amanhecer.
E ali, no silêncio manso do teu acolher,
vejo nascer uma luz,
não qualquer luz,
mas aquela que o amor acende
quando decide florescer no peito.
Ela vem do teu rosto,
doce como promessa cumprida,
e se espalha ao redor
como o sol que desperta o mundo
com mãos quentes e pacientes.
Tua presença ilumina
o que em mim já era sombra,
e me ensina, em pequenos gestos,
que sempre há um recomeço
esperando por coragem.
Em teus braços,
o tempo desaprende a dor,
e o coração, antes cansado,
volta a acreditar nos seus próprios passos.
É ali que descubro:
amar não é passado,
é semente insistente
que brota mesmo depois da seca.
E assim, na luz que emanas,
renasce em mim a esperança,
serena, firme, quase eterna,
de que o amor ainda vive,
e sempre encontra um caminho
para amar outra vez.

AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
AGRADEÇA
Alguns vivem a reclamar,
reclamar,
Como pode ser
Se temos tanto para
a
gra
de
cer?!
Não consigo entender...
Difícil conviver
Com quem lamenta
noite
e
dia,
Ambiente tenso
Que suga suas energias.
Adianta reclamar?
Não!
Fazer isso não mudará a situação.
Precisamos reconhecer
Que há muito a agradecer.

AUTOR DAVID RODRIGUES
Sou DAVID RODRIGUES, nascido em Anápolis, GO, filho mais velho de uma família humilde. Minha jornada foi marcada por perdas e descobertas, até encontrar meu verdadeiro propósito. Apaixonado por desenhar e fascinado por motos, hoje caminho com uma fé inabalável em Deus. Sei de onde vim, quem sou e para onde vou — e quero compartilhar essa jornada, inspirando e levando comigo o maior número de pessoas possível.
DENTRO DO VENTRE
Uma parábola sobre fé, existência e o amor que nos espera
No silêncio quente e acolhedor do ventre materno, dois gêmeos cresciam. Para eles, aquele espaço era o universo inteiro, a única realidade conhecida.
Certo dia, um deles perguntou:
— Você acredita que existe vida fora daqui?
O outro esboçou um riso breve:
— Claro que não! Este lugar é tudo o que existe. Observe ao redor... paredes suaves, calor, o alimento que chega sem esforço... Não há nada além disso.
— Mas... — insistiu o primeiro — às vezes sinto como se algo nos chamasse... Como se houvesse mais, muito mais, lá fora.
O cético retrucou:
— Você está fantasiando. Ninguém jamais saiu e retornou para contar. Quem parte... não volta.
O primeiro silenciou por um instante, como se escutasse algo distante. Depois, falou com serenidade:
— Se você permanecer em completo silêncio, é possível ouvir um som... Como um coração batendo, mas não é o nosso. É mais forte... como se viesse de alguém muito maior.
O outro riu, mas agora com uma ponta de curiosidade:
— Certo, e se esse "lá fora" realmente existir, como ele é?
— Não sei exatamente... mas imagino que seja repleto de luz. Que respiraremos de uma forma diferente, que poderemos nos mover sem a restrição destas paredes. Talvez até conheçamos... a pessoa que nos deu vida.
O cético suspirou:
— Você fala como se tivesse certeza.
— Eu tenho. A cada batida, a cada vibração... sinto que lá fora alguém nos ama, mesmo sem nunca termos visto o rosto d'Ele.
O tempo seguiu seu curso... e então, o grande dia chegou.
O mundo que eles conheciam começou a tremer, a apertar-se, a impulsioná-los com uma força irresistível.
O cético, tomado pelo pânico, exclamou:
— É o fim! Eu disse que isso terminaria mal!
O outro sorriu, mesmo sentindo dor:
— Não... é o começo.
E, num instante, a escuridão deu lugar à luz.
Eles respiraram ar pela primeira vez, sentiram o calor de braços que os envolviam, ouviram uma voz doce sussurrando.
E, finalmente, compreenderam: havia vida... havia amor... havia alguém esperando por eles o tempo todo.
A Reflexão
Assim também é conosco. Aqui, aprisionados no "ventre" deste mundo, muitos afirmam: "Deus não existe, ninguém jamais retornou para contar."
Mas se nos permitirmos o silêncio... se aquietarmos a alma...
É possível sentir o suave bater do Seu coração.
E um dia, quando finalmente nascermos para a eternidade, compreenderemos que Ele sempre esteve ali, à nossa espera — com um amor infinitamente maior do que poderíamos sequer imaginar.

AUTOR GLAYBERSON PEREIRA
GLAYBERSON INÁCIO PEREIRA (1984) é um tapeceiro de talentos e paixões, entrelaçando sua expertise em Educação Especial e Inclusiva [FAEL), Gestão da Educação Inclusiva [UNIFAHE), Mídias na Educação (UESB), Filosofia (UNIFAHE), Geografia (UNEB) e Letras com Inglês (ICSH]. Técnico em informática pelo IFBA e professor de inglês e espanhol, ele harmoniza a docência com sua vivência autista, expressa em desenhos, canções e composições. Seus escritos, bálsamo para as feridas da alma, dançam entre o lirismo das rosas e a resiliência dos girassóis.
PRAÇAS VAZIAS - UMA REFLEXÃO DA MATRIX SOCIAL MODERNA
Numa praça que já foi ponto de encontro, os bancos guardam impressões de conversas antigas e os brinquedos parecem esperar risos que não voltam; ao mesmo tempo, um zumbido constante sai dos bolsos: lives, notificações, vídeos que prometem consolo imediato e indignação em doses prontas. Essa cena concentra um diagnóstico: a liquidez das relações descrita por Bauman, o olhar blasé que Simmel observou nas cidades e a velha fórmula do panem et circenses reaparecem hoje sob uma arquitetura digital que captura atenção, transforma afeto em mercadoria e converte o convívio em espetáculo. O público deixa de ser sujeito e vira audiência, e o que antes costurava a vida comum — confiança, paciência, responsabilidade mútua — vai se esgarçando.
A modernidade líquida acelera quando cada gesto íntimo vira conteúdo curado; amizades se medem por reações, pertencimentos por engajamento. O excesso de estímulos produz uma defesa coletiva: aprendemos a olhar sem ver, a reagir sem escutar, a reduzir o outro a imagem. O algoritmo, por sua vez, não é neutro: ele premia o choque, amplifica a fúria e transforma comportamento em previsibilidade comercial. Assim, a nuance perde espaço para o espetáculo, a deliberação cede lugar à viralidade e a esfera pública se fragmenta em bolhas que se ignoram.
Os efeitos são palpáveis nas pequenas cenas do dia a dia: alunos que recitam manchetes, mas não sustentam um argumento; vizinhos que trocam mutirões por grupos fechados onde ninguém assume compromisso; famílias que substituem conversas por vídeos que anestesiam o cansaço. Não são meras anedotas, mas sinais de um rearranjo estrutural em que tecnologia, economia e cultura se alinham para acelerar a dissolução dos laços. O olhar blasé, antes defesa, tornou-se hábito: passamos a tolerar a indiferença como condição normal da convivência.
Recusar essa anestesia exige mais do que desligar notificações; pede práticas que reconstituam espessura. Fechar o feed só faz sentido se abrirmos a praça; silenciar o celular só vale se convocarmos vozes que não buscam audiência. Há um gesto político em cada biblioteca que resiste, em cada assembleia que não vira espetáculo, em cada encontro que exige presença sem filtro. Educação que cultiva leitura longa, design de plataformas que priorizam atenção qualificada e políticas que limitem práticas predatórias são medidas concretas — lentas, difíceis, necessárias.
A tecnologia ampliou possibilidades, mas também acelerou perdas. Não é inevitável que aceitemos a versão anestesiada da vida pública, é escolha coletiva permitir que o espetáculo nos consuma ou decidir, com pequenos atos cotidianos, recompor o tecido. Que gesto concreto você está disposto a fazer amanhã para que a praça volte a ser lugar e não apenas cenário?







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