REFLEXÕES Nº 195 — 18/01/2026
- Luiz Primati
- há 13 horas
- 14 min de leitura


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
RUÍDO MENTAL
O ruído mental não chega como um pensamento claro, desses que a gente consegue segurar, olhar de frente e responder. Ele chega como névoa. Uma soma de abas abertas por dentro: uma lembrança antiga que cutuca, uma tarefa que não termina, uma conversa que você “devia” ter conduzido melhor, um medo sem nome, uma comparação injusta, uma urgência que ninguém assinou, mas que o corpo obedece mesmo assim.
O curioso é que, muitas vezes, o ruído não é feito de problemas reais — é feito de simulações. A mente ensaia discussões, tenta prever tragédias, repete cenas, fabrica roteiros, coleciona “e se…”, como se pensar mais fosse sinônimo de se proteger. E, por um tempo, parece funcionar: você se sente ocupado, alerta, produtivo. Mas por baixo disso existe uma exaustão discreta, porque o ruído mental não é trabalho: é atrito. Ele gasta energia sem mover a vida.
Há dias em que o ruído é só excesso de estímulo: notificações, notícias, opiniões, telas, listas, metas, conselhos. A cabeça vira um corredor de aeroporto. Gente passando, anúncio chamando, sirene tocando, alguém correndo, e você ali tentando decidir o que é importante. Só que o ruído também aparece quando tudo está quieto. E aí ele revela outra coisa: talvez não seja falta de silêncio ao redor; seja falta de espaço dentro.
Porque o silêncio, quando finalmente vem, às vezes assusta. Sem o barulho, a gente escuta o que estava abafado: uma tristeza pequena, um cansaço antigo, uma vontade engavetada. O ruído, nesse sentido, pode ser um mecanismo de proteção — não elegante, mas eficiente. Ele evita que você encoste em certas verdades. E ainda assim, cobrar de si “mente vazia” como se isso fosse um botão pode virar mais uma camada de barulho: o ruído do eu deveria estar melhor.
Talvez o ponto não seja eliminar o ruído, e sim reconhecê-lo. Dar nome. Separar o que é sinal do que é interferência. Às vezes, o ruído mental é só um pedido de pausa, e a vida responde com mais café, mais scroll, mais controle. Mas o corpo sabe: quando a mente vira rádio fora de sintonia, não é porque falta volume — é porque falta direção.
O que ajuda, às vezes, é uma pergunta simples e honesta: “isso que eu estou pensando agora é útil?” Não no sentido de “vale dinheiro”, mas no sentido de te aproximar de algo real. Se a resposta for não, talvez seja hora de trocar a força pela presença. Voltar para o básico que não mente: respiração, água, um banho, uma caminhada curta, escrever duas linhas num papel, olhar pela janela sem objetivo, fazer uma coisa de cada vez — não como receita, mas como um lembrete: você mora no agora, não nas possibilidades.
E quando o ruído insistir — porque ele insiste — talvez você possa tratá-lo como se trata um vizinho barulhento: não brigar o dia inteiro, não fingir que não existe, mas também não abrir a porta e convidar para jantar. Você percebe, reconhece e escolhe: “hoje eu não vou te seguir”. Isso é maturidade emocional em forma de gesto pequeno.
No fundo, ruído mental é a mente pedindo controle quando o que ela precisa é cuidado. E cuidado não é pressa. Cuidado é ritmo. É aprender a viver com a cabeça como quem vive com o mar: alguns dias calmo, outros dias agitado — mas sempre possível de atravessar quando você para de lutar contra a água e começa a aprender a flutuar.
Você conhece alguém assim?

AUTORA STELLA_GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
AS BORBOLETAS ADORMECEM...
Um tempo, uma reflexão, e a ternura de uma beleza celestial.
Um ritmo que parece o mar em sussurros, e uma crescente força absorvendo o pensamento, no cérebro do poeta com fartura de lirismos.
Entre todas as flores, estou sentindo um perfume que ultrapassa a minha pele como voos de borboletas livres.
Acreditar na felicidade faz sentido quando sentimos que temos estrelas piscando na gente, em uma vibração constante como borboletas no ar.
Todos os dias, abrimos as portas para o desconhecido, seguindo pela estrada de fazer o sonho acontecer.
Algumas vezes precisamos passar por alguns obstáculos na nossa vida para podermos crescer e amadurecer.
No contexto simbólico e metafórico, a expressão “As borboletas adormecem” pode representar sentimentos, sonhos ou capacidades que ainda não foram despertados ou realizados. Elas são encantadoras e podem voar ao nosso redor como pássaros celebrando os instantes de vida.
As borboletas geralmente encontram abrigos seguros, como debaixo de folhas, em pilhas de pedras ou em árvores, para se esconderem de predadores e do mau tempo.
Assim como as borboletas buscam o verso de uma folha ou a fenda de uma árvore para sobreviver à noite e às tempestades, os seres humanos necessitam de “abrigos” — físicos, emocionais e psicológicos — para processar suas próprias metamorfoses.
O silêncio e a privacidade são os casulos contemporâneos. É no recolhimento, longe das notificações e expectativas externas, que organizamos nossos pensamentos e consolidamos nossa identidade, recarregando nossas energias, renovando e renascendo.
As borboletas adormecem e, no deleite das luzes, o sol faz uma festa com o cenário de borboletas em seus voos rasantes, nos entregando a sua beleza e a fórmula da liberdade.
Como as borboletas, precisamos adormecer, nutrindo a fonte de alimento do corpo e da alma.
Será que você também adormece como as borboletas, para um amanhecer pleno de paz?
Talvez, ao adormecer como as borboletas, entreguemos nossas inquietudes ao repouso necessário para florescer por dentro, permitindo que no alvorecer surja um “eu” renovado, pronto para voar com leveza e clareza para se lançar ao mundo.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
ESPELHO DA VERDADE
De frente para o espelho, eu reluto em enxergar
A verdade que eu não quero aceitar,
Por isso, vivo tentando me enganar
Mas eu não posso negar,
O fato de que preciso acordar
Para a vida e entender que ela já não me quer
Mas, sinto que eu me afoguei nas minhas falhas,
Nas minhas fraquezas e nas minhas mentiras.
E diante do espelho da verdade, eu revisito a minha
Consciência e me deparo com as suas feridas,
Com as dores que causei e com
As cicatrizes que deixei na tua alma,
Contudo, meu amor por ti não cessou,
A esperança não morreu, mas eu não vejo luz,
E agora, sem máscaras, sem disfarces,
Assumo todas as minhas mentiras.
Porém, tenho medo de nunca mais ter você
Em meus braços.
Enfim, por mais que
Eu tentei esconder, inevitavelmente,
O espelho revela a verdade,
E, claramente, vejo o quanto fui um canalha,
E agora estou pagando um preço alto
Por não ter te valorizado, e por maior
Que seja o sofrimento, tenho que aceitar
As minhas falhas e aprender com elas
Para não repetir os mesmos erros.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, Título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
PROCRASTINAR EM RESPEITO AO PASSADO
Outro dia, sentei-me diante da tela em branco, pronto para começar um projeto importante. O prazo estava ali, piscando em vermelho na minha mente. Mas, em vez de escrever, senti uma estranha necessidade de arrumar gavetas, verificar e-mails sem importância e até assistir a um vídeo sobre como dobrar lençóis de elástico — algo que eu, sinceramente, jamais pretendia fazer.
Por que, afinal, eu adiava aquilo que mais precisava ser feito? Era só preguiça? Falta de disciplina? Talvez. Mas e se houvesse algo mais?
Foi assim que me lembrei de uma história que minha avó contava. Falava sobre um antepassado, que perdera tudo em uma crise econômica. Um homem que trabalhava de sol a sol e, ainda assim, mal conseguia colocar comida na mesa. “Ele dizia que gente honesta sua, mas não enriquece”, repetia minha avó, como quem crava um destino na terra.
E ali estava eu, décadas depois, empurrando para amanhã o que eu poderia fazer hoje. E me perguntei: será que estou, sem perceber, sendo fiel a essa história? Será que, em algum canto da minha alma, eu temia que avançar significasse desonrar aqueles que não puderam ir tão longe?
Então, diante da tela em branco, eu me perguntei: E se eu pudesse avançar não apesar deles, mas em honra a eles?
E me veio uma imagem: aquele ancestral, com suas mãos calejadas, me olhando nos olhos e dizendo:
“Vá em frente. Eu fiz o que pude com as condições que tive. Agora, você pode mais.”
Naquele instante, refleti e compreendi mais uma vez que honrar a dor dos que vieram antes não significa carregá-la como uma corrente nos pés. Significa dar novos passos, em reverência ao caminho que eles abriram, mesmo que com sangue e suor.
Levantei-me, fiz um café e voltei à tela. Escrevi sem pressa, mas sem adiar. Como se, ao terminar, eu dissesse a todos os que vieram antes de mim:
“Eu vejo vocês. Eu carrego sua força, mas não o seu fardo. Eu escolho avançar.”
E o prazo, de repente, deixou de ser um inimigo. Tornou-se somente mais uma chance de seguir em frente.
Me libertei do peso.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
FLORES PARA 2026
Dias bons
são no início do ano,
quando planejamos sonhos
e sorrimos
só de pensar
em vê-los realizados.
É quando
a esperança
e a determinação
batem mais forte
em nossos corações.
Até parece
que já vemos
o nosso brilho
lá na frente.
Vamos seguir
com flores no coração,
bem coloridas.
Sonhe, ame, floresça.
A vida vai florir
com certeza
em 2026.

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
SE MEUS SONHOS VÃO SE TORNAR REALIDADE
Se meus sonhos vão se tornar realidade,
Eu não sei, o que sei é que,
Optei por viver o resto de minha vida calado,
Amando-te, mesmo distante.
Talvez. Você não veja,
Talvez você nunca me beije,
Mas nunca deixe esquecer,
Que vivi para amar você.
Sei que sua alma sente minha presença,
E que eu nunca fui ausência,
Em toda a sua vida.
Como também. Sei,
Que na hora da loucura, paixão e tesão,
Na sua imaginação, é a minha presença que te faz ter prazer

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
O CASO DAS ANDORINHAS
Eu tenho um irmão caipira, que é do campo, é sertanejo, que gosta de cuidar e mexer com a terra, plantar e colher.
Hoje, ele foi, mais uma vez, como sempre faz, cuidar das plantas, mas um fato curioso chamou sua atenção. Ele viu uma andorinha na goiabeira, até aí, tudo bem, normal! Só que ele saiu, fez outras coisas, retornou e a andorinha continuava no galho da goiabeira.
Como curioso que é, muito interessado nas coisas da natureza, subiu na árvore, porém a andorinha não se movimentou para voar, ele achou isso mais estranho ainda. Chegando perto, viu que a andorinha estava com os pezinhos enrolados em uma linha de pipa.
Com muito cuidado, tomou a andorinha em suas mãos, tirou a linha de seus pezinhos, viu que estavam machucados, cuidou do ferimento e depois, com as mãos estendidas, soltou a andorinha no ar.
Para a sua surpresa, a andorinha rodopiou em volta dele por uma fração de segundo. Ele interpretou esse voo circular como uma forma de agradecimento por parte da andorinha, que depois, totalmente liberta, alçou um voo pleno, deixando meu irmão com o coração cheio de gratidão e muito emocionado por ter salvado uma vida!
É preciso tomar cuidado com as linhas de pipa e com o uso do cerol, pois vidas podem ser ceifadas.
E todas as vidas importam, mesmo que seja a de um passarinho!
Obrigada, meu irmão Reinaldo, por compartilhar essa história com sua irmã escritora!

AUTORA ARLÉTE CREAZZO
ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
EXPRESSÕES CULTURAIS
Usamos expressões populares todos os dias, encaixando-as perfeitamente em nossas frases e fazendo com que nossos ouvintes compreendam o que queremos dizer.
Nossas crianças, desde cedo, também aprendem essas expressões. Embora nem todas façam sentido ao pé da letra, elas estão tão enraizadas em nossa cultura que já se tornaram parte do nosso vocabulário. São expressões cheias de metáforas improváveis, mas que ninguém mais questiona por estarem totalmente incorporadas ao dia a dia.
Expressões como “falar ao pé do ouvido” remetem a algo delicado, indicando um segredinho ou um sussurro romântico entre apaixonados. Em contrapartida, “levar um pé do ouvido” já não tem nada de delicado: indica que alguém levou um belo tapa, podendo até perder os sentidos (ou a audição), definitivamente sem qualquer romantismo.
Outra expressão surpreendente é “dar a mão à palmatória”. Afinal, mesmo estando errado, quem se atreveria a fazer tal gesto? Sabemos que a palmatória é um artefato antigo, utilizado por educadores de outras épocas para castigar aqueles que agiam de forma considerada incorreta — ou, muitas vezes, apenas por discordarem. Desconheço alguém que se entregasse a esse objeto por livre e espontânea vontade.
Muitas expressões como “engolir sapo”, “viajar na maionese” ou “fazer vista grossa”, quando levadas ao pé da letra, tornam-se confusas e totalmente sem sentido. O curioso é que as usamos por força do hábito, fazendo com que, mesmo sem conhecer sua origem, elas se tornem essenciais ao diálogo, já que todos entendem o que queremos dizer sem a necessidade de maiores explicações.
Essas expressões mostram como as pessoas são criativas e bem-humoradas ao encontrar formas de se comunicar. Elas carregam história, cultura e, muitas vezes, um toque teatral — raramente literal — que torna a comunicação mais simples. O encanto está justamente nisso: dizermos coisas estranhas para expressar algo absolutamente comum.

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
ENQUANTO HOUVER
Enquanto houver poesia
Amor louco em demasia
Enquanto houver inspiração
Paixão que explode o coração.
Enquanto houver palavras
Doces contos que acalmam
Enquanto houver melodia
Que traz recordação e alegria.
Enquanto houver romances
Amores puros e constantes
Enquanto houver fantasia
Sonhos que encantam o dia.
Há de haver esperança
Boas memórias, lembranças
Regada de paz infinita
E celebraremos a vida.

AUTORA MARINALVA ALMADA
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
TEMPOS DE ESCOLA
Antes, escrevíamos a data todos os dias, no cabeçalho da escola. Quando chegava o outro ano, costumávamos errar o novo ano, em virtude das repetidas vezes que escrevíamos o ano anterior.
Quando retornávamos à escola, geralmente no primeiro dia de aula, a professora pedia uma redação sobre "Como foram suas férias?"
Quem vivenciou essas experiências? Como é bom recordar essas memórias!




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