REFLEXÕES Nº 186 — 16/11/2025
- Luiz Primati
- 15 de nov. de 2025
- 13 min de leitura


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
MUTANTE
Nada é permanente. Nossos desejos são como brasas: acendem, crepitam, aquecem — e, em silêncio, se apagam. Paixões brotam como flores de uma noite: desabrocham intensas, perfumam o ar, murcham ao amanhecer. O amor, porém, é rio: às vezes corre furioso, às vezes se aquieta em lago, mas nunca deixa de fluir.
Você concorda? Se sim, viver intensamente não significa saltar de penhascos nem esvaziar garrafas até o chão girar. É acender a brasa enquanto ela ainda queima, sem forçar chamas que não são suas. É colher a flor na hora exata, sem arrancar raízes que sustentam o jardim inteiro.
Sinta o desejo pulsar enquanto a juventude ainda bate à porta. Deixe-se desejar, mas não se perca na pressa de provar que está vivo. Guarde o corpo para o que verdadeiramente o chama; guarde a alma para o que a expande.
Para o amor, reserve a vida inteira. Ele não morre: metamorfoseia. Do platônico ao carnal, do furacão ao sussurro, do filho que chega ao companheiro que envelhece ao seu lado. Quando a paixão se esvai, resta o amor maduro — mais lento, mais fundo, mais verdadeiro.
Viva, portanto, com a medida do seu próprio coração: nem tímido demais para sentir, nem imprudente a ponto de se arrepender. Intensidade não é volume; é presença.
E no fim, quando a última brasa se apagar e o rio encontrar o mar, pergunte-se: “Eu vivi o que era meu, ou apenas invejei o que era dos outros?”

AUTORA STELLA_GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
A FALTA DE COMPREENSÃO: GERA AGRESSÃO
A convivência humana é marcada por interações complexas, onde a compreensão mútua desempenha papel fundamental para a harmonia das relações interpessoais. No entanto, a ausência desse entendimento pode desencadear conflitos, mal-entendidos e, em casos extremos, agressões verbais ou físicas. O diálogo deixa de ser saudável, sendo tomado por defesas pessoais. Esta reflexão discorre sobre como a falta de compreensão contribui para o surgimento de lutas pelo poder de quem sabe mais ou tem mais razão.
Compreender o outro vai além de simplesmente ouvir suas palavras; ler o que ele escreve envolve empatia, disposição para escutar, para entender e tentar enxergar a situação sob a perspectiva de outro olhar. Muitas vezes, o indivíduo se sente ignorado ou mal interpretado, fica em perplexidade, frustrado e é inevitável que o diálogo seja transformado em um confronto ou silêncio.
Silêncio que impede crescimentos, efeitos de boa convivência, falta de gentileza. Quem fala ou escreve seus pensamentos é mal interpretado, sente-se magoado.
A agressão, seja ela verbal ou física, está frequentemente enraizada em sentimento de insegurança, medo ou raiva, muitas vezes desencadeados pela frustração de não se sentir ouvido ou compreendido. O agressor precisa, na sua insegurança, validar o seu posicionamento, sem pensar, rever ou flexibilizar a sua postura inconveniente.
É preciso abertura para novas formas de entender, é preciso renunciar a verdades absolutas, evitar julgamentos.
A empatia, a alteridade, é a capacidade de colocar-se no lugar do outro, praticando o saber olhar e escutar. Considerando esses aspectos, destaca-se a importância do controle emocional, do respeito às diferenças individuais e da exclusão de decisões baseadas no imediatismo diante de situações não compreendidas.
Merecemos melhores tempos
Merecemos tantas coisas boas
Merecemos reconhecer que somos o que o outro precisa.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
A LIBERAÇÃO DO PERDÃO
Na vida, nós vivemos errando e
aprendendo, a vida é um jogo
de perde e ganha, onde muita
gente sofre e apanha e com
a velhice nos rendemos as
coisas simples e seguimos
em frente nos desprendendo
cada vez mais dos bens
matérias e deixamos de
brigar por coisas tão banais.
Alguns sentem arrependimento,
mas imersos de tanto o orgulho
não conseguem se render as
desculpas e continuam alimentando a culpa que
vive perambulando na
sua consciência donde
ninguém pode fugir.
Viemos ao mundo despidos
deixando todos a nossa
volta lépidos, nascemos,
crescemos e envelhecemos
e ao final da vida quando morremos é igual a um jogo de xadrez onde todas as peças são guardadas na mesma gaveta, seja pobre ou endinheirado nunca se viu um carro blindado atrás de caixão seguindo em marcha
fúnebre, enfim nós não
levamos nada ao não ser
os bons momentos de
uma vida que foi vivida.
E nessa intensa trajetória vale
a pena guardar na memória algo
de bom que você viveu dentro
dessa história e a moral de tudo isso é que nós devemos matar o orgulho e entender que o rancor
é um veneno que você toma
pensando que vai matar o
outro, mas na realidade
quem morre é você,
portanto, a liberação
do perdão para um irmão
é nada mais, nada menos
que a liberação do perdão
para si mesmo.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clinica, Coach sistêmica, Título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
PERTENCES A ALGUM LUGAR
Ele sempre se sentiu diferente.
Quando ainda pequeno, na escola, era o menino do canto, o que observava os outros como quem tenta decifrar algo que todo mundo já sabe o que é.
Quando ele chegava em casa, não era muito diferente. Ele não se encaixava, não participava das mesmas conversas, das mesmas brincadeiras. Sempre diziam que ele precisa se enturmar.
Será que havia algo de errado com ele? E se ele tivesse nascido em outro lugar?
Talvez esse era somente o sentimento que refletia da sua mera realidade. Ele sentia que havia nascido um pouco fora do lugar.
O tempo se passava e o medo de não caber em algum lugar lhe confundia.
Ele se esforçava, tentava ser o que todos esperavam dele, mas o que ele fazia nunca era o bastante.
Ele vivia num mundo em que seu sapato metaforicamente estava sempre apertado. O mundo servia para ele, mas doía pertencer àquele mundo, sempre estava apertado de incertezas e inseguranças.
Num determinado final de semana, algo mágico aconteceu. Sua avó, já velhinha, estava a passeio com suas tias e, em um momento, sua vó o chamou para sentar ao lado dela.
Sua vozinha segurou sua mão e lhe disse com um sorriso preenchido de todas as respostas que ele procurava:
- Você é igualzinho ao seu bisavô. Ele tinha esse mesmo olhar curioso que você tem, meu bom rapaz.
Uma frase, uma única frase, conseguiu recompor o que até então lhe faltava.
Dentro dele, tudo se acalmou, algo se ajeitou.
Uma peça faltava naquele antigo quebra-cabeças que, após anos, foi possível ser resgatada e, dessa forma, ele encontrou seu espaço.
Ele não estava sozinho, ele carregava histórias dentro de si que hoje lhes fazem tanto sentido.
Pertencer a um lugar nos traz essa mensagem: ninguém precisa mudar para caber. O amor sempre está ali, só precisa ser reconhecido.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
REVIRANDO O BAÚ
Guarda-se tantas coisas —
pedacinhos de papéis,
retratos,
rosas ressecadas pelo tempo
que ainda exalam
uma lembrança
de épocas doces.
O tempo apaga,
e ao mesmo tempo traz
recordações —
boas, ou nem tanto.
Mas se guarda em baús,
é porque são momentos eternos,
que ficam lá no fundo da memória,
ou presentes,
em forma de lembranças.
Dentro do baú,
guarda-se o tempo,
a saudade,
em um cantinho especial da casa.
É assim…
a saudade adormece
dentro de baús,
espalhadas pelos bosques da vida.

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
PENSAMENTOS
Meus pensamentos,
São crias de minha imaginação,
Carrego no peito a esperança,
Mesmo acompanhado da solidão.
Cavalo alado não usa reio,
Muito menos uma sela,
Na vida, temos devaneios,
E ainda carrego amor por ela.
Tudo fica belo,
O sol mais amarelo,
Quando tenho a liberdade...
Seja no campo ou na cidade,
Não quero uma prisão,
Quero apenas uma razão para sempre voltar.

AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA
ZÉLIA OLIVEIRA é natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
LUGAR DE ACONCHEGO
Casa é lugar de paz e aconchego;
Depois de um dia exaustivo,
Na correria,
A família é a melhor companhia.
Em casa,
A alma encontra paz,
No carinho se apraz
E se refaz.
Em casa,
Compartilhamos desafios e conquistas.
Em casa, o coração encontra refúgio.
Em casa, o amor floresce
E nossa vida aquece.

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
ENTARDECER
Vestes floridas,
O sol bateu na terra -
Poeira subiu.

AUTORA MARINALVA ALMADA
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
INDAGAÇÕES
Hoje eu me peguei pensando:
Quem me conhece, afinal?
Quem eu conheço, afinal?
Quantas pessoas já passaram por mim?
Quantos alunos, vizinhos, parentes?
Quantos amigos(as), colegas tenho?
As perguntas povoam a minha mente.
Será o calor, a dúvida, o medo?
O que será que será?
A vida passa rápido, o tempo voa.
Quem viver, verá.

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
AMO-TE AUSENTE
Sinto tanta saudade de tal jeito
Como se o céu estivesse caindo sobre mim
Meu peito ardendo de tal jeito
E minha vida fosse acabar assim
Tanta dor. Amo-te mesmo ausente
Porque nós dois, éramos um só
E se meu peito já de arder para sempre
Hei de te amar até virar pó
Tanta angústia se apossou de mim
Desta poeta entristecida
Por que me deixaste assim?
Se seríamos um só por toda avida?
Amo-te mais do que imaginava
Atormenta-me minhas poesias
Tantos planos nosso coração guardava
Agora sobrevivo de fantasias.

AUTORA MONIQUE MONAH
Carla Simone Barbosa, Pseudônimo -Monique Monah -Residente em Brumado -Ba,cuidadora de idosos,amante da literatura, e escrita uma das suas poesias foi publicada no livro Art- poesia em 2000, atualmente participou da Antologia Retalhos de Vida,Tem a poesia como forma de expressão e reflexão.
PALAVRAS
Escrever para mim
É melhor que falar
Você consegue usar bem as vírgulas,e ponto final
Não fica palavras no ar
Escrever me acalma a alma
É como uma terapia
Transformar minha dor
Em versos e poesia
Amo as palavras
Tenho muito cuidado em usá-las
Procuro não magoar ninguém
Mesmo quando as usam contra mim,
Como agulhadas
Diante de ofensas, me calo
Respiro fundo,
Mesmo me doendo no tálamo
Organizo minhas ideias
Então, depois eu falo
Gosto de me perder nas palavras escritas
Me fascino
Em interpretar textos
Seu conto
Seu contexto
E pretexto
Palavras,
Nunca são vazias
Tem sempre o porque
Ditas ou escritas.
Portanto, fale ou escreva
Somente o que edifica!

AUTORA ARLÉTE CREAZZO
ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
BOAS LEMBRANÇAS
Há momentos em que olhamos para trás, não com nostalgia triste, mas com gratidão. Percebemos o quanto fomos abençoados por termos vivido tantos momentos especiais.
Sempre se falou em conquistas materiais: casa, carro, viagens – que realmente devemos agradecer, pois são fruto do nosso esforço –, mas existem também as conquistas que guardamos na memória. Momentos que, mesmo acontecendo todos os dias, eram únicos, como assistir ao programa favorito da família.
Tínhamos apenas uma televisão em casa – preto e branco, com transformador –, que precisávamos ligar quase meia hora antes do programa para que esquentasse.
A família reunida na sala transformava aquele espaço no centro de tudo. Ajeitávamo-nos no sofá enquanto aguardávamos o início do programa, já que a programação tinha hora marcada. Para ir ao banheiro, era necessário esperar o comercial, e então a correria começava para ver quem chegava primeiro.
A pipoca precisava ser estourada antes do início, já que não havia pausas – nem sequer controle remoto – e tudo isso tornava o momento ainda mais divertido.
Programas como Banana Splits, com seus animais coloridos e chapéus engraçados, nos faziam dançar no meio da sala a cada episódio. Perdidos no Espaço nos levava a mundos inimagináveis, despertando em nós o desejo de embarcar em uma nave espacial. Eram episódios que logo viravam brincadeiras.
Morei em uma casa com uma escada de madeira que ligava a garagem ao porão, e ali ficava nossa espaçonave. A vizinhança se dividia entre membros da equipe perdida e extraterrestres, formados com qualquer acessório encontrado no quintal.
Brincávamos também na rua, onde bastava alguém aparecer e gritar “bora jogar taco” para que, sem precisar tocar campainhas, as crianças surgissem aos montes, formando diversos times. Um terreno baldio ao lado de casa, duas latinhas – às vezes substituídas por gravetos –, uma bola de borracha e dois tacos de madeira garantiam a diversão da molecada por toda a tarde.
A alegria das crianças fazia com que os gritos da torcida ecoassem pelo bairro – às vezes chegando até um pouco mais longe.
Hoje, os terrenos baldios se transformaram em prédios enormes e silenciosos, mas não há tristeza nisso. Tudo tem sua época, e é preciso valorizarmos cada momento.
A vida parecia mais simples, sem agendas lotadas e sem a constante sensação de falta de tempo.
Agradecer pelos bens materiais é importante, afinal, são nossas conquistas e fazem parte da construção de quem somos. Mas agradecer pelas lembranças felizes é essencial, pois são elas que nos lembram que estamos vivos.




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