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REFLEXÕES Nº 84 — 01/10/2023


Imagem gerada com IA MidJourney


 

AUTOR AKIRA ORDINE


AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.

 

FLUIDEZ


Eu não sabia quem eu era

Agora eu sei

Mas nesse mundo de Fera e Bela

Nasci com nome de rei


E não me sentia no trono

Nunca me senti lá

Como lidar com isso, então?

"Aceite, você não vai mudar!"


Será?


Não sou rei, nem rainha

Hoje afirmo isso

Talvez eu seja marginal

[talvez com certeza]

E até prefiro ser

Do que ser outra farinha

No saco, outro tijolo no muro


Se os rios fluem,

Porque você quer impor o meu futuro?


 

AUTOR LUIZ PRIMATI


LUIZ PRIMATI (1962), é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books e seu último lançamento foi o livro "A MALDIÇÃO DO HOTEL PARADISIUM".

 

SOMBRAS PERMANENTES


O que você lerá é muito mais do que palavras em uma tela; é o testemunho de uma alma que navegou pelas águas turbulentas de uma era que nos desafiou em todos os sentidos. Sentiu esse peso? Isso porque eu, como você, temos uma história para contar sobre essa época que balançou as fundações de nossa existência: a pandemia.


Você se lembra do dia em que o silêncio tomou conta do mundo? Ruas vazias, lares cheios. Era como se tivéssemos entrado em um grande paradoxo. Estávamos juntos em nossa solidão, unidos em nosso isolamento. O exterior era um deserto, mas e por dentro? Ah, por dentro a tempestade era implacável.


"E agora?" - essa pergunta ecoava em nossas mentes. Muitos de nós tínhamos planos, sonhos, e de repente nos vimos confinados, presos em uma realidade que mais parecia um pesadelo. Foi um teste de resiliência, de paciência, de fé.


E a fé, meus amigos, foi posta à prova como nunca antes. Quantos de nós questionamos a existência de um Deus que permitiria tal sofrimento? Quantos de nós gritamos em silêncio, esperando por um milagre, uma luz no fim do túnel?


Mas, como você e eu sabemos, a vida continua. Sobrevivemos. E com a sobrevivência veio o entendimento, mesmo que doloroso, de que somos mais fortes do que imaginávamos. Para alguns, essa força foi a chave para abrir novas portas; para outros, uma maldição que os mantém presos ao passado.


Sim, alguns ainda vestem suas máscaras como armaduras, não contra um vírus, mas contra um medo que se tornou uma sombra permanente em suas vidas. Você é um deles? Se for, saiba que não está sozinho. E que mesmo nas sombras, há sempre um feixe de luz à espera de ser encontrado.


Por isso, eu lhe pergunto: como você está reescrevendo sua história após essa tormenta que foi a pandemia? Compartilhe. Porque cada experiência, cada palavra, cada lágrima e cada sorriso são capítulos do livro que ainda estamos escrevendo. E pode ter certeza, é uma história que merece ser contada.


Então, meu caro leitor, enquanto as marcas da pandemia ainda pulsam em nossas veias, o que você está fazendo para tornar este novo capítulo digno de ser lido? Pense nisso. E mais importante, aja. A história ainda está sendo escrita, e você é o autor.


 

AUTORA ARLÉTE CREAZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

 

DONA DE CASA


Houve um tempo em que ser uma dona de casa era o orgulho de qualquer mulher.


Nos preparávamos desde pequena para criarmos nossa família. Aprendíamos a lavar, passar, cozinhar, costurar, tudo o que fosse necessário para nos ocuparmos enquanto nossos maridos trabalhavam e nossos filhos estudavam.


A mulher cresceu, evoluiu e ganhou seu espaço.


Hoje ela pode ser médica, engenheira, astronauta, costureira, professora, escritora, qualquer coisa que queira, inclusive dona de casa.


Mas o engraçado de tudo isso, é que o que antes era um orgulho para a mulher, se tornou algo vergonhoso aos olhos de outras pessoas.


Quando vejo uma mulher dizendo que é dona de casa, as pessoas olham como se pensassem: - mas não faz mais nada da vida?


Da mesma forma que quando uma mulher leciona seus alunos perguntam: professora, o que a senhora faz para ganhar dinheiro?


Até parece que administrar uma casa é tarefa fácil.


Ainda somos muito cobradas, tendo que nos desdobrar em inúmeras tarefas e ninguém percebe que uma dona de casa tem várias funções: somos professoras, psicólogas, cozinheiras, arrumadeiras, lavadeiras, passadeiras, enfermeiras; e mesmo assim nos sentimos sem eira nem beira.


Quando alguma mulher diz que é dona de casa, as pessoas a olham como se ela tivesse uma doença contagiosa incurável.


O que antes era sinônimo de status, hoje parece que é de vergonha.


A mulher sentia orgulho em dizer que era casada, tinha filhos e cuidava dos afazeres domésticos.


Algumas tinham empregados outras não, mas todas com um orgulho enorme em cuidarem das pessoas que amam.


Sempre tive vontade de ser dona de casa, mas sempre trabalhei fora. Meu sonho de consumo era poder administrar meu lar vinte quatro horas por dia. Minhas amigas me acham louca quando digo que gosto de serviço doméstico. E gosto mesmo.


Tenho prazer em fazer as coisas para minha família, meu maior tesouro. Sou das antigas, confesso.


Mas o problema maior não é sobre as mulheres que trabalham fora ou as que são donas de casa, o problema é que a mulher tem obrigação de ser tudo.


Se ela trabalha fora tem que saber administrar uma casa e se ela tem como serviço integral cuidar de sua casa, lhe perguntam se não sente falta de ter uma profissão.


O homem que faz serviço doméstico é visto como um ser extraterrestre, superdotado com uma inteligência fora do comum. Um pobre coitado que além de trabalhar fora, ainda tem que “ajudar” em casa.


Enquanto a mulher que trabalha fora e cuida do lar, não faz mais que a obrigação.


Esse assunto ainda trará muitas observações e indignações, mas faz parte do processo de evolução, afinal as mulheres ainda têm um longo caminho a percorrer e a humanidade muito o que aprender.


 

AUTORA SIMONE GONÇALVES


Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.

 

OS EXTRAS DO DIA A DIA


Ultimamente, venho enfrentando um desafio: o de ter paciência e esperar meu momento para me dedicar mais à poesia, principalmente no trabalho com minha voz, já que agora a sinusite veio com tudo, fazendo com que, na última semana, eu procurasse cuidados médicos. 


Cheguei ao UPA, naquele famoso horário de congestionamento de troca de médicos, e a sala de espera já me deixou assustada. Com o tempo, foi se esvaziando e depois de duas horas de espera, fui atendida. 


Conforme fui relatando meu problema, o médico, bem jovem, me examinava e constatou uma forte crise de sinusite, que trouxe consigo um pouco de bronquite, e me passou medicações para casa, mas não antes de me aplicar algumas injeções. 


Nesse período, já havia constatado vários episódios entre idas e vindas de pessoas com vários tipos de problemas. Um acidentado, aparentemente sem muita gravidade, apesar de uma costela quebrada que não o impedia de ficar no meio dos pacientes, reclamava para os quatro cantos que sua moto havia sido levada para outro local e que não sabia como recuperá-la, misturando assuntos que se transformavam em verdadeiras abobrinhas; mães tão jovens com bebês, com aparência de tanto cansaço… 


Enfim, estava bem atípico em comparação aos outros momentos em que estive por lá. E, esperando as injeções, ouço nos corredores que acabava de se confirmar um caso de covid, deixando todos assustados. Inclusive, uma moça com sua filha ficou espremida num canto, afastadas com medo de tudo, e eu refletindo a tudo que via… que ouvia. 


Voltei no tempo, numa das épocas mais importantes da minha vida. Foi quando trabalhei num Pronto Socorro da minha cidade, como auxiliar de limpeza. Como aprendi, meu Deus! Quantas lembranças! 


A humildade passa a ser nossa identidade, o contato com pessoas doentes, outras já desenganadas. A necessidade que as acompanham, de serem ouvidas para não serem esquecidas. 


Alimentei um preso amarrado na cama, vi pessoas que fizeram parte da minha vida partindo para outro plano… Enfim, foi um momento rápido e demorado ao mesmo tempo, à espera de ser medicada, e assim me fez refletir quase um filme da minha vida. 


Voltei para casa dolorida, mas não menos pensativa com esses episódios extras do meu dia, juntando-se aos extras do meu passado.



 

AUTORA STELLA_GASPAR


Natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

 

ESCREVER... FAZ TÃO BEM!


Escrever não tem hora, dia ou obrigação.


A escrita literária é uma inspiração que em cada palavra, parágrafo ou frases formam o sentido que desejamos dar. As palavras podem ser como danças ao vento, elas são livres ao expressarem saudades, medos ou angústias.


Na escrita podemos encontrar a paz desejada.


No momento escrito, é só você e sua autoria e quando alguém lê o que você escreveu, estamos juntos, criamos laços.


Quando escrevemos dialogamos, conversamos com nossos pensamentos. Parece que estamos abraçando alguém. esse é um dos prazeres do ato de escrever e o tempo vai passando.


A aprendizagem da escrita nos deixa mais sensíveis, nos melhora e nos ensina a lidar com o outro.


Compomos textos que viram amor, isso é lindo,


Estar em boa companhia, é também estar com a nossa escrita, com a nossa intimidade.


 

AUTORA ALESSANDRA VALLE

IG: @alessandravalle_escritora


Alessandra Valle é escritora para infância e teve seu primeiro livro publicado em 2021 - A MENINA BEL E O GATO GRATO - o qual teve mais de 200 downloads e 400 livros físicos distribuídos pelo Brasil. Com foco no autoconhecimento, a escritora busca em suas histórias a identificação dos personagens com os leitores e os leva a refletir sobre suas condutas visando o despertar de virtudes na consciência.

 

SÍNDROME DE BOAZINHA


Na trama da vida, um enredo peculiar,

A síndrome da boazinha, a desafiar.

Um fardo invisível a carregar,

Busca incessante por agradar.


Em cada gesto, sorriso no olhar,

A dizer sempre sim, tarefas a acumular,

A boazinha se perde, a se anular.


Deixando-se esquecer, em seu próprio viver,

Boa filha, boa aluna, boa esposa, boa mãe, boa profissional,

Tudo para ser aceita como tal.


Mas não é fraqueza, é força de doar,

Um coração gentil, pronto a amparar.

Na síndrome da boazinha, há beleza e candura,

Há exercício de compaixão e empatia, doce essência pura.


No entanto, lembre-se, querida boazinha,

Que cuidar de si mesma também é sua missão.

Equilíbrio e amor-próprio, é a solução,

Para transcender a síndrome, é preciso ser feliz de coração.


 

AUTORA ROBERTA PEREIRA


Roberta M F Pereira nasceu em 1986 e cresceu na cidade de Brumado, interior da Bahia. É Historiadora, Tradutora, Intérprete de Libras, Professora e Poetisa. Desde bem jovem já demonstrava seu amor e dedicação a escrita, especialmente poesias. Tem suas poesias publicadas em diversas coletâneas e no site Recanto das Letras com o pseudônimo, Betina. É autora do livro “Verdades de um Coração Ferido”.

 

A DOR QUE HABITA EM MIM


As dores pelo caminho, os tremores entorpecidos, o choro engasgado...


Cada dia vivemos mais um dia e menos um dia...


Cada dia eu escolho viver, escolho sorrir, mesmo que a dor se faça presente em mim...


As borboletas no estômago, o estranho balançar que existe em minha mente...


Adormecida estou, desperta estou, sou dia, sou noite, riso e choro...


Sou única, minha dor é única, no entanto, eu não existo somente pela dor!


 

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1 Comment


Stella Gaspar
Stella Gaspar
Oct 01, 2023

É impressionante a sintonia que existe entre nós, os textos se complementam naturalmente, uma beleza harmoniosa. Estou feliz entre vocês, queridos e queridas! 😍😍

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