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REFLEXÕES Nº 65 — 28/05/2023


Imagem gerada com IA MidJourney
 

AUTOR LUIZ PRIMATI


Luiz Primati é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books e retorna para o tema da infância com histórias para crianças de 3 a 6 anos e assim as mães terão novas histórias para ler para seus filhos.
 

DÚVIDAS EXISTENCIAIS


Refletindo sobre a existência, questionamentos profundos surgem em minha mente, ecoando desde tempos remotos. Quais são minhas atribuições neste mundo? Por que estou aqui? Para onde nos dirigimos? O que me reserva o futuro? Existe uma continuidade após a morte?


Desde jovem, encontrava paz ao deitar-me sob os raios do sol e contemplar o céu azul, enquanto observava as nuvens dançarem pelo capricho dos ventos. Por horas a fio, eu me perdia na contemplação das formas que surgiam e desapareciam. No entanto, minha mente ultrapassava os limites visíveis.


No vasto espaço, além do infinito, minha imaginação buscava vislumbrar a presença divina ou qualquer entidade responsável pela criação deste universo. Nessas divagações, me perdia em dúvidas incessantes: será que Deus existe ou será que o universo surgiu de uma explosão chamada Big Bang?


A verdade é que jamais chegava a uma conclusão. E, quando me dava conta de meu estado de imersão nesses devaneios, quase me perdia em um universo paralelo, à beira da insanidade.


Refletir sobre Deus, o universo, o infinito e todas essas elucubrações mentais apenas solidifica minha convicção de que não estou aqui por mero acaso. Existe um propósito em meio a tudo isso, pois se estivesse resignado e aceitasse tudo que me é apresentado, não seria verdadeiramente eu. Sou movido por uma inquietude interna.


Desejo explorar, descobrir que este local não marca o fim, mas apenas o começo de algo grandioso. Por que haveria vida somente na Terra, quando Deus criou um universo colossal e sem fim?


São bilhões de galáxias, trilhões de estrelas, quase 100 constelações oficialmente reconhecidas, sem mencionar os possíveis bilhões de planetas existentes. Então, por que o Todo-Poderoso do universo conceberia tudo isso se fôssemos os únicos a habitar esse imenso jardim?


É hora de permitirmos que nossos pensamentos viajem e questionem se somos dignos de conhecer a verdade, pois é somente a verdade que nos liberta.


Assim, deixo apenas um pensamento: qual é o papel desempenhado por cada um de nós nesta encarnação?


 

ANTES QUE ME ESQUEÇAS


Por favor, siga-me. Sentemo-nos aqui, sob esta árvore generosa. Permita-me sentir o sabor de seus lábios em um beijo delicado e profundo, como nunca experimentamos antes.


Vamos voar alto, juntos, mergulhando entre nuvens como aves libertas, desafiando a gravidade. Quero que façamos isso antes que nossas vidas se reduzam a uma memória debaixo da terra, silenciadas para sempre sob o manto verde da grama.


Celebremos este outono efêmero, lançando-nos da mais alta queda d'água, num voo vertiginoso que desafia a morte, sem medo de um possível impacto. E depois de tudo, aninhe-se em mim, dentro de nós, unidos em um só ser. Pensemos apenas em momentos sublimes e singulares.


Segure minha mão e corra comigo, sem destino definido, entre os carros de uma rua frenética, desafiando o fim. Solte uma gargalhada estrondosa no silêncio de uma biblioteca, nade no rio gelado de um inverno rigoroso, dance descalça sob a chuva torrencial. Em cada ato de rebeldia, estarei a seu lado.


Se precisar, chore até sentir sua cabeça estourar, abrace-me com tamanha intensidade que pareça quebrar ossos, deixe-me carregá-la em um rodopio infinito até que caiamos, tontos de amor, sobre a grama aveludada.


O nosso amor, sei, não será eterno. Não veremos a lua iluminar nossos rostos por incontáveis noites, nem sentiremos juntos a carícia da brisa por uma eternidade. O amor é breve como um sopro, rápido como uma queda livre, efêmero como um beijo, finito como a nossa existência.


Por favor, antes que a aurora do amanhã se faça presente, antes que nossos corpos se separem irremediavelmente, vamos viver tudo isso. Juntos. Antes que me esqueças.

 

AUTORA ARLÉTE CREAZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

 

DIVINA INOCÊNCIA


Uma das coisas mais lindas da vida é a inocência infantil, como o fato de crianças se esconderem por baixo de panos pensando não estarem sendo vistas.


Me lembro quando criança que ao utilizar banheiros fora de minha casa, tapava os ouvidos ao dar a descarga, pensando que se eu não escutasse, também outros não escutariam.


Meu pai dizia que ao pegar um doce na padaria de meu avô, fechava os olhos, acreditando que que se não estivesse vendo sua façanha, ninguém mais estaria.


Tudo me parece perfeito dentro deste mundo infantil.


As crianças acreditam no que é dito a elas, e nos cobram quando não cumprimos com o prometido.


Não importa argumentarmos que a vida é feita de acasos, para elas existem apenas as promessas.


Ah se os adultos continuassem com esta mesma inocência!


A inocência de que tudo pode ser simples. Que um beijo pode curar um machucado e um abraço apertado aquecer um coração.


Nada mais reconfortante que um sorriso de criança, principalmente quando vem acompanhado de uma deliciosa gargalhada.


A inocência é leve, flutua magicamente como um belíssimo balé de cores, de sons, de movimentos.


Até as brigas são inocentes, já que “o nunca mais” se torna segundos.


Criança não perde tempo brigando, já que sobra menos tempo para brincar.


Elas são excelentes professores, já que nos ensinam que a vida pode ser simples.


Esta mesma inocência se vê nos idosos que passam a esquecer o presente e revivem o passado, lembrando-se de quando eram crianças.


Cada filho passa a ser um irmão, já que as lembranças são antigas.


Perdemos nossa inocência ao longo do caminho. O percurso não nos permite que sejamos ingênuos.


Mas podemos aproveitar em diversos momentos esta inocência.


Se permita andar descalço, gargalhar em público, comer uma manga verde com sal embaixo da árvore e até mesmo andar num carrossel (quando a regra do parque permitir).


Que a vida possa sempre nos trazer momentos de infantilidade e que possamos ter grandes momentos de inocência dentro de nossa experiência de adultos.


 

AUTORA STELLA_GASPAR


Natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
 

DOR E BÁLSAMO DA SOLIDÃO


Escuto as portas dos quartos se fechando. Queria escutar outro som, talvez o de uma música que fizesse meu corpo inteiro cantar para o meu coração solitário. Penso nas ondas do mar, com seus intermináveis movimentos que me fazem sonhar. Como quando era criança, temia-as, corria para a areia da praia e sorria. Porém, a solidão da noite tem o poder de mexer com os meus sentimentos. Ela não me deixa em paz, está neste momento a tirar-me o sono, a atormentar-me. E quando olho para os lados, estou entre paredes decoradas com quadros que me fazem recordar os cenários maravilhosos das viagens incríveis que vivi.


É também angustiante escrever sobre o amor em solidão, mas com a força de um elefante, corro para o meu recanto poético. E com inspiração, começo a escrever, com todas as vozes silenciadas, exceto a dos poemas que me abraçam em inspirações. Já não estou mais na dor da solidão, a magia poética chega com seu bálsamo e encantamentos.


De repente, tenho uma ideia: vou para a varanda para conversar com a noite, iluminada pelas estrelas. E tudo do passado vai desaparecendo, deixando-me com um sorriso e emoções despertadas que me alegram, assim como a lua se alegra ao ser apreciada pelos amantes apaixonados.


Todos dormem, então decido fazer um lanche. Torradas com geleia de morangos... Gosto tanto, mesmo que estes sejam pequenos e sem muito caldo aqui na minha região.


Percebo então que a solidão é comum à noite, mas sabendo lidar com ela, pode-se perceber que é relaxante e estimulante, evocando em nós a doce saudade das carícias de um tempo cristalino.


 


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2 Kommentare


Luiz Primati
Luiz Primati
28. Mai 2023

Parabéns aos últimos sobreviventes desse caderno. Obrigado Stella, Simone e Arléte.

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Stella Gaspar
Stella Gaspar
28. Mai 2023

Preciosos textos, recheados com belas inspirações, guardadas na nossa alma e despertadas para nossos escritos. 🤗

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