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REFLEXÕES Nº 4 — 23/01/2022

A quarta semana do ano de 2022 nos traz reflexões sobre o TEMPO que passa, o FUTURO que não nos espera. Ser ou não ser NORMAL? Um cão resgatado depois rompimento da barragem de Brumadinho virou poesia nas mãos de Laíse. É possível amar alguém imperfeito? Na espiritualidade, Alessandra nos traz o tema da INDULGÊNCIA. E que mensagem pode nos trazer um dia na PRAIA? A música está sendo substituída por ruídos? As letras das músicas estão sendo banalizadas? Leia e nos diga o que pensa sobre tantos assuntos diversos.


Foto: Isto é dinheiro



ANORMAL?


por Regina Prado


Penso que sou anormal.

Nesses dia-a-dia transviados,

Receio fazer algum movimento

Melhor então ficar parado?


Anormal sim! Por que não?

Pois, busco o olhar que fala,

O sorriso que aconchega,

Mesmo que não diga nada.


Aí então pergunto:

Será isso então normal?

Quando simples atitudes

Trajam de forma tão formal?


E nessa multidão silenciosa,

Que age somente consigo,

Questiono-me e acabo refletindo,

Será que o problema é comigo?



O FUTURO NÃO NOS AGUARDA


por Arléte Creazzo


Esses dias, ouvi uma jovem de dezesseis anos dizer que está preocupada com o futuro, em uma época que os jovens mal se preocupam em arrumar suas próprias camas e lavar seus próprios pratos.


Isso me fez pensar no tempo em que tinha dezesseis anos.

Não sei se pelo fato, de que com esta idade, eu já estava trabalhando a um certo tempo, não me lembro de pensar tão preocupadamente sobre o futuro.

Mas o fato de pensar em pensar no futuro, me fez perceber que, na verdade, pensamos constantemente nele.

Estamos sempre tão preocupados no que vai acontecer amanhã, que nos esquecemos do hoje.

E se pensarmos bem, o futuro é algo que nunca atingiremos, já que quando o alcançarmos, ele deixará de ser futuro e passará a ser presente.

Sendo assim, devemos nos preocupar muito mais no presente, do que no futuro.

Talvez nossos anseios fossem diminuídos se transformássemos o futuro.

A ansiedade pelo que nos aguarda no futuro, nos deixa preocupados em demasia. Devemos então canalizar essa preocupação em transformações.

O futuro não é nada mais do que mudanças.

Estamos constantemente mudando.

Desde pequenas mudanças como cabelo e a roupa que vestimos, às grandes mudanças como escola, casa, cidade, namorado…

Elas fazem parte de nossas vidas diariamente.

Mudamos de rua, de horário, mudamos o pedido no bar.

Então se encarássemos o futuro apenas como uma mudança, quem sabe nos preocupássemos menos?

Devemos nos preparar para mudanças e não para o futuro, afinal se o futuro é incerto, as mudanças sempre estarão fixas em nossas vidas.

Costumamos dizer que o futuro nos aguarda, mas acredito que somos nós que aguardamos mais do futuro.

Afinal, o futuro não nos espera, ele estará sempre um passo a nossa frente.



TEMPO


por Odilon Azevedo Filho


Há momentos

em que o tempo

corre.


Em outros,

apenas

ocorre.


E você?


Corre

com o tempo?

Ou o tempo

ocorre com você?


Você olha mais para o fim?

Ou há mais fim em você?




PARA VOCÊ, MEU CÃO PISTACHE


por Laíse Leão


Por você,

Acredito na telepatia,

Com um só olhar

Já me transmite alegria.


Suas garras me acariciam,

Ao invés de machucar.

É realmente insana

A capacidade de amar,


Não importa o tempo,

Nem a hora que eu chegar,

Pois, no seu olfato

A memória do meu cheiro sempre estará,


Cada traço seu,

Traz-me suspiros,

Como a brisa da manhã:

Arrepios!


Como sempre digo,

Obrigada por estar.

Estar ciente que, mesmo que esteja longe,

Minha orelha sempre irá balançar.




PARA ONDE FORAM AS BOAS MÚSICAS?

por Luiz Primati


Estava ouvindo clássicos da MPB dos anos de 1960 e 1970 e me deparei com Tim Maia, cantando "PRIMAVERA":


“Quando o inverno chegar,

eu quero estar junto a ti,

Pode o outono voltar,

Que eu quero estar junto a ti”.


E hoje, os jovens ouvem:


“Minha paz não tem preço e é isso que eu prezo Eu não posso ir preso, por isso fico quieto Na hora da treta, cê acorda o prédio Na hora da foda, nóis fode até o teto Eu tô saindo fora, você é bipolar demais Me xinga toda hora, depois quer vim sentar pro pai”.


Para onde foram as palavras, a poesia, o amor? Isso aí é o que chamamos “música” hoje em dia?


Hoje a régua baixou até o chão e isso não é referência à nenhuma música, somente revolta pela decadência.


Fico imaginando a que níveis chegaremos daqui a uma década. As músicas, que ainda lembramos, serão esquecidas, engavetadas, aniquiladas. Elas não tocam mais os corações dos jovens, não fazem mais os jovens se emocionarem. Isso é o que fala a mídia especializada. E o que “toca” os jovens hoje em dia?


Nunca imaginei que Tim Maia, Elis Regina, Belchior, Beto Guedes, Lô Borges, Milton Nascimento fossem esquecidos, substituídos por Kevinho, Mr. Catra, Lexa, Ludmila, Anitta, MC Guimê.


A cultura evolui e nunca imaginei que regredisse.


Já falei muito sobre esse assunto e não vou me repetir.


Tenho pena dessa nova geração que aceita cultura de baixa qualidade.


O que concluo é que estamos colocando descendentes no mundo que retornam para a idade da pedra.


Se daqui para frente é essa a lógica, o que imaginar para as gerações de 60 anos adiante? Humanidade aniquilada ou pessoas adaptadas à sub-cultura do lixo?


Não estarei vivo para comprovar, apenas posso entender que atingimos o cume e agora, só ladeira abaixo.


Dou graças de não estar vivo para constatar a derrocada da sociedade.




AMOR AOS (DE)FEITOS


por Joana Pereira IG: @temjuizo_joana


Sabes que, nas questões do amor, primeiro vem o próprio, depois o recíproco. Porque aceitar e amar incondicionalmente o ser que habita em ti, traduz-se na fonte do amor ao próximo, ou aos demais.

O amor nada mais é que a ânsia por seres melhor a cada dia que vives, então, ama-te, mas ama-te na íntegra. Pois, a perfeição não existe e é tão gracioso amar os defeitos, por ser neles que te acolhes, para revigorares o equilíbrio saudável de saber ser.


Se o amor não fosse nada disto, as imperfeições não seriam estrondosas obras de arte.




INDULGÊNCIA COM TODOS,

INCLUSIVE COMIGO MESMA


por Alessandra Valle


Como seguir adiante, trilhando o caminho do bem, se me falta a indulgência?

Essa é uma pergunta que mexe comigo, me tira da zona de conforto, da inércia na evolução moral e vou te explicar o por quê.


De início, observemos o conceito de indulgência e percebamos o quanto ela pode estar longe ou perto de ser desperta na nossa consciência. 


Indulgência é a virtude que se traduz pela facilidade de perdoar os erros cometidos pelos outros; a compreensão diante das fragilidades naturais dos outros; é não valorizar os equívocos dos outros.


Para apaziguar meus pensamentos cito o exemplo do Mestre Jesus.


Jesus havia acabado de fazer uma de suas pregações em praça pública quando um alvoroço começou no meio da multidão. Algumas pessoas estavam exaltadas e gritavam pedindo pelo apedrejamento de uma mulher.


A mulher foi trazida até Jesus, descabelada, ofegante e seu olhar retratava um pedido de socorro, pois ela não queria morrer apedrejada. 


Vários judeus estavam com pedras nas mãos, esperando pelo momento. 


Jesus, calmamente, se abaixou próximo à mulher caída ao chão e ficou escrevendo na areia. 

Interpelaram Jesus chamando-o a atuar como um juiz dos costumes, pois aquela mulher havia traído o marido.  


— Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra — disse Jesus.


E ninguém atirou, foram todos saindo da praça.


Jesus então ajudou a mulher a se levantar e perguntou onde estavam aqueles que a acusavam.  


— Foram embora — disse a mulher, procurando se recompor. 


— Então nem eu te condeno. Vai e não peques mais — aconselhou Jesus.


O conselho dado por Jesus à mulher não tem o peso de uma acusação, mas sim um pedido de reflexão para que ela não tornasse a fazer atos dos quais pudesse se envergonhar, se magoar ou magoar alguém.


Quanta sabedoria do Mestre em apaziguar os ânimos, colocando todos para refletirem sobre si mesmos ao invés de acusar a quem quer que seja.


Perguntas que me faço na tentativa do autoconhecimento: atiro pedras ou pratico a indulgência diante dos erros dos irmãos de caminhada? Acolho minhas fragilidades buscando me melhorar sem martírio? Quem não necessita de um apaziguador indulgente diante de nossos próprios equívocos?


Nem eu, nem os amigos leitores, devemos externar nossas reflexões, pois são de foro íntimo e a cada nova etapa no processo do autoconhecimento podemos e devemos mudar de ideias.


Divido com vocês um sentimento de alívio que invadiu minha alma ao escrever esse texto. Chegamos até aqui mais tranquilos, leves e sem ferimentos, pois ninguém nos atirou uma pedra sequer durante essa leitura. 


Sigamos sem paus, nem pedras, pois nunca será o fim do caminho para aqueles que desejam se melhorar.


Apenas precisamos estar mais despertos para que não voltemos a cometer atos dos quais nos arrependamos mais adiante, pois é melhor perdoar do que ser perdoado.


Estamos na jornada do autoconhecimento com Jesus à luz da Doutrina Espírita, na busca por sermos melhores a cada dia.


Na semana que vem, aprenderemos com Jesus a humildade.

 

Fontes de consulta:

Boa nova — Chico Xavier, pelo espírito de Humberto de Campos.

O Evangelho segundo o Espiritismo — Cap X, 11, 12 e 13. Cap XVII, Sede perfeitos.

Evangelho de João 8, 1 – 11.



UM DIA DE PRAIA


por Rick Soares


O caminho foi repleto de perguntas, curioso e esperto do jeito que é, nada passava despercebido aos olhos do garoto. Às vezes eu nem chegava a ver sobre o que ele tinha perguntado, pois, o carro em que estávamos já tinha passado pelo objeto. Perdi as contas de quantas perguntas foram. Mas nenhuma ficou sem resposta de minha parte e ele só desistia com a questão realizada quando, satisfeito com o retorno, finalizava com um: “Ah! Entendi! ” O motorista até fez uma observação:


— Ele gosta de perguntar, né? — disse sorrindo.


— Pois, é rapaz! E assim vai apreendendo muita coisa! — respondi!


Era um domingo de sol e decidimos ir à praia. Há uns meses eu havia prometido este passeio aos meus filhos e enfim, chegou o dia! Minha filha Letícia, de dez anos, já havia feito comigo um passeio desses, mas a Laura, de oito anos e o Filipe, de quatro anos, não. Era o primeiro passeio deles, em minha companhia, à praia.


Já em nosso destino e após um certo tempo de brincadeiras e bom proveito dos momentos, enquanto eu brincava com Filipe à beira da água, de costas para o mar, reparei que a poucos metros outra criança também brincava de costas para o mar e na companhia de um homem! O homem em pé, na mesma posição que eu, como se protegesse a criança da marola que desaguava na praia, apanhava um pouco da água para derramar em seu protegido. Águas chegando ao tornozelo no máximo. A criança mal se movia, apenas aguardava ser banhado enquanto pegava com as mãos dois punhados de areia molhada e colocava sobre as pernas.


Meu filho, que também observava a cena, perguntou:

— Pai! O que o homem está fazendo?


— Ele está dando banho na criança dele, filho. — respondi! Meu filho sorriu como se soubesse que eu tentava enganá-lo:


— Não é criança, pai. É um vovô! Pensa que eu não sei, é?


— É uma criança, filho, de quase 80 anos — respondi sorrindo.

Tudo isso fez-me refletir um pouco mais sobre a atenção que devemos dar aos idosos. Nada mais justo que o amparo, o carinho, o cuidado com aquele que, enquanto pôde e como pôde, se dedicou para a construção de uma sociedade melhor. Fez-me, por um instante também, pensar que, como se já não bastassem as dificuldades que enfrentam devido ao cansaço causado pelo tempo, muitas vezes têm de enfrentar os maus tratos e desafetos no seio familiar.


Aproveitei o momento oportuno para ensinar ao meu filho: — Está vendo? Assim como você precisa de cuidados, ele também precisa. Ele já está cansado e não consegue mais fazer as mesmas coisas de antes. — creio que ele ficou satisfeito, pois, me voltou com a resposta: — Ah! Entendi!

Talvez um dia ele recorde esta conversa quando eu for a criança dele.




QUADRINHOS

Quadrinho: Instituto Caranguejo: http://www.caranguejo.org.br/



NOSSOS COLUNISTAS


Da esquerda para a direita: Arléte Creazzo, Alessandra Valle, Regina Prado. Depois Laíse Leão, Luiz Primati, Rick Soares. Nossos últimos colunistas: Odilon Azevedo Filho e Joana Pereira.

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