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REFLEXÕES Nº 3 — 16/01/2022

A terceira semana do ano de 2022 nos traz reflexões sobre a AMIZADE. Rick Soares, numa belíssima poesia, utiliza a metáfora da ponte para nos mostrar os dois lados que existe em cada situação. Arléte afirma ser possível encontrar algo de bom, no caos. A poesia de Regina nos mostra a vida passando apressada, Joana Pereira fala de como as pessoas são superficiais e Alessandra nos lembra do valor do perdão. Reflita e depois comente. Seu feed-back é muito importante para nós.


Foto: Veja Online/SP


VIDA DESPERCEBIDA


por Regina Prado


Ei você!

Que passa despercebido

pela minha vida...

Se atente, ainda tenho

espaço no meu coração.

Perceba, porém, o tempo urge

A vida continua, segue

E de repente,

Quando se der por conta,

será mera ilusão!

Sim, pois o Amor exige algo

que nem sempre

é tão simples encontrar...

Cuidado, companhia, reciprocidade,

Para juntos, a vida continuar!



FELIZ ANO NOVO, DE NOVO


por Arléte Creazzo


Me encontrando ainda com pessoas que não havia desejado um feliz ano novo, me dei conta de quantas pessoas amaldiçoam o ano que se acabou.


Frases do tipo:

— Ainda bem que este ano acabou.

— Quero apagar 2021 da minha vida.

— Com certeza 2022 será um ano muito melhor.


É lógico que desejamos sempre um ano melhor que o passado, mas será que o que passou não restou nada de bom?


Tive com certeza, terríveis momentos em 2021, afinal meu marido ficou internado com COVID por 10 longos dias (e realmente pareceu uma eternidade).


Também foi triste, quando perdi um amigo para a COVID e fiquei sabendo que outro amigo perdeu a mãe e a irmã.


O ano que se passou, foi um ano de muitas perdas, mas será que não ganhamos nada?

Ganhei a paz quando meu marido saiu do hospital, mesmo tendo ficado com sequelas.


Ganhei mais paz, quando cheguei ao final do ano com toda minha família bem de saúde, inclusive meu marido, que conseguiu vencer as sequelas da síndrome do pânico.


Ganhei solidariedade de meus amigos e de amigos de meu marido, e também da família, enquanto ele esteve hospitalizado.


As perdas foram grandes sim, mas houve ganhos.


Como uma otimista inveterada, gosto de apreciar as conquistas ao invés das perdas.

Afinal, se considerar que um ano inteiro foi horrível, significa que não me aconteceu absolutamente nada de bom, e que também não fiz bem algum.


Por que só me importar com o ruim?


Houve momentos bons, e muitos, dos quais meu marido, filhos, neta e pessoas que amo estavam ao meu lado.


Se isso não for motivo para ficar satisfeita com o ano que passou, poderia bem jogar a toalha.


Entretanto, minha toalha ficará guardada, e se depender de mim, por muito tempo.


Afinal, passarei este ano tentando melhorar a mim mesma, e o mundo que me rodeia, para que no final eu possa estar desejando à todas as pessoas que amo, um feliz ano novo, de novo.




NADA DO QUE EU FUI ME VESTE AGORA


por Joana Pereira IG: @temjuizo_joana


Vestia-me de estampados, dava voz à arrogância e apodrecia na minha própria infelicidade mascarada de satisfação. Vestia-me dos melhores acessórios da presunção e guardava rancor de quem não concordasse comigo. Calçava-me nuns saltos bem altos para falar de um patamar acima, sempre fui uma apaixonada por pódios.


Tudo muito superficial, sujo e de pouca beleza.


Com o avançar da idade, muitos puxões de orelhas, rodeada dos verdadeiros amigos e família de franqueza na língua, percebi que vestir-me de amor era a forma mais leve de viver a vida. Não do amor romântico, não! Desse, acho que sempre tive que chegasse. Falo do amor próprio, do amor pela vida, pelo universo, pela existência. Esse amor infinito e de contornos dourados, que nos enche a alma e o coração. Deixei as competições de lado, deixei as futilidades, os preconceitos, e dei lugar à aceitação, à minha e à de todos os seres presentes na terra. Visto-me, agora, de uma leveza que não tem fim.


Aliás, nem me chego a vestir, sou nua e inteira, bem explícita aos olhos de quem me quer ver. Com as imperfeições de que sou feita, sou pele, pele morena, quente, de sorrisos fáceis, num corpo que dança ao som dos tambores que percutem na euforia que é a minha alma.


Despi-me de hostilidades e a pele, com tudo o que lá vai dentro, passou a ser o meu único adorno.




BBB 22


por Luiz Primati


A fórmula parece esgotada pelo mundo. No entanto, no Brasil parece que a audiência é uma fonte de renda sem fim.


Nas primeiras edições eu acompanhava, por ser novidade e por ter curiosidade em saber um pouco sobre a vida das pessoas. Com o passar dos anos me cansei e abandonei.


Refleti e percebi que horas preciosas de minha vida estavam sendo gastas com algo que não valia mais a pena.


No começo até utilizaram pessoas comuns e quando o programa correu o risco de perder audiência, celebridades foram introduzidas, pois, perceberam que a vida dos famosos era mais interessante que das pessoas comuns.


No final tudo visa o lucro com patrocinadores, audiência diante do concorrente e promoção de celebridades. Há quem diga que alguns participantes são pagos para se exporem. Isso eu não posso confirmar.


Esse ano, mais uma vez o reality será recheado de celebridade e, no meio deles, uma ou outra pessoa “comum”, para que não perca a essência.


Tudo se parece com uma grande experiência, onde as pessoas são testadas com novas fórmulas. As que dão certo, são repetidas ano após ano, outras são descartadas sem o menor pudor.


Houve um tempo em que eu sonhava em participar do reality como escritor e, de dentro da casa, escrever uma espécie de diário do BBB que poderia ser lançado posteriormente e livro. Acabei descartando a ideia, pois, quem leria sobre algo que todos já viram? No entanto, eu contaria os segredos, os pensamentos mais podres das pessoas, algo inusitado. A minha mente era preenchida pela questão: a direção do programa deixaria?


Saber sobre a vida das pessoas, comentando com outrem, não é novidade. A TV e as revistas vivem da fofoca há séculos.


Cansei de tudo isso há anos e me admiro estarmos na edição22. Conheço pessoas que não perdem uma só noite, que costuma durar 3 meses. Se pararmos e fizermos um balanço, quem é assíduo telespectador, já investiu 1890 noites de sua vida em algo inútil.


A vida não pode ser tão superficial como um reality show. A vida é muito mais que isso. Não sei quantos anos de vida ainda me restam, portanto, quero investir cada minuto em pessoas que valham a pena.


Você está disposto a investir mais 90 noites de sua vida no reality? Eu não!




O VALOR DO PERDÃO


por Alessandra Valle


Jesus, por suas peregrinações na companhia de seus discípulos, já haviam alcançado muitos triunfos. Eram muitos doentes que agradeciam o alívio buscado, trabalhadores humildes que se enchiam de santas consolações ante às promessas divinas.

Mas essas atividades não agradaram e começaram a despertar reação contrária que vinha por parte de judeus rigorosos, pois o amor que Jesus vinha pregar acabava por quebrar princípios antigos de costume do povo judaico.

Alguns, mais egoístas, julgavam que Jesus queria tomar o poder contra o rei da época, Herodes.

Haviam outros, que acreditavam que Jesus era um impostor, um feiticeiro e era preciso o evitar.

Por isso, quando Jesus e seus discípulos chegaram à cidade de Nazaré tiveram dificuldades. Encontraram adversários às suas ideias renovadoras, que espalharam notícias falsas sobre Ele, tentando O desmoralizar.

Jesus, com toda delicadeza, compreendeu os acontecimentos e calmamente, ordenou que os discípulos se retirassem da cidade, em Sua companhia.

Todavia, os discípulos não entenderam, esbravejaram. Filipe e Simão Pedro chegaram a discutir com alguns senhores da região. Pedro e André se aborreceram, trocaram palavras ásperas.

Mesmo acompanhando o Mestre, alguns discípulos ainda estavam aborrecidos porque Jesus não se insurgiu contra as falsas notícias.

Jesus explicou que nem todos estavam preparados para ouvir e aceitar a Boa Nova e fez uma comparação de fácil compreensão aos discípulos com relação ao momento em que estavam vivendo: não podemos colher uvas nos arbustos de espinhos.

Simão Pedro se aproximou de Jesus e lhe perguntou:

— Senhor, quantas vezes devo perdoar aqueles que me fizeram mal? Será até sete vezes?

Jesus o respondeu dizendo que não os perdoasse apenas sete vezes, mas sim, até setenta vezes sete.

Hoje, comecei o texto enaltecendo o exemplo de Jesus, pois basta perceber a magnitude de sua atitude ao não discutir com aqueles que não estavam prontos para ouvi-lo.

O Mestre nos mostrou que aqueles cujas consciências ainda dormem, podem nos ser adversários na vida, mas não devem ser causa de nosso desespero, de angústia, de ansiedade.

Por vezes, nos alimentamos de pensamentos e planos vingativos, que nos atrasam e nos afastam da alegria de viver.

Pela força do exemplo de Jesus, nos colocamos à disposição da conciliação com nossos adversários, mesmo sem saber se estes estão dispostos.

Jesus nos faz refletir, que o momento mais intenso de um embate, talvez não seja o momento exato para nos reconciliarmos com os adversários. Que a atitude de se afastar, resguarda nossa paz interior e nos fortalece, para que em momento mais propício, possamos estar mais dispostos a amparar aqueles que se arrependeram, sem lhes guardar mágoa, nem desejo de vingança.

Aprender o valor do perdão com Jesus me impulsiona na busca pela evolução moral.

Questionamentos que me fiz durante o aprendizado:

— Será que estou disposta a não batalhar com meus adversários?

— Será que consigo perceber que alguns irmãos de caminhada têm consciência adormecida?

— Em quais aspectos da vida ainda permaneço dormindo, inconsciente?

— Consigo perdoar sem guardar mágoa ou desejos de vingança?

Não responderei nem cobrarei de meus leitores amigos, suas respostas, pois são de foro íntimo e podem se modificar ao longo das experiências da vida.

Continuemos a trajetória do autoconhecimento à luz dos ensinamentos de Jesus, pautados na Doutrina Espírita.

Na semana que vem refletiremos sobre a indulgência.

Fontes de consulta:

Boa nova — Chico Xavier, pelo espírito de Humberto de Campos.

O Evangelho segundo o Espiritismo — Cap XVII, Sede perfeitos.

Evangelho de Mateus 18: 21 – 22.



AMIZADE


por Rick Soares


Muitas vezes não percebemos...

Há uma ponte!

E como em toda ponte, convenhamos…

Existem dois lados.


Embora sejam distintos os lados,

Se olham entre si.

E como em toda ponte, aprendizado…

Pra onde vou, de onde vim.


Há sempre um lado da segurança.

Um lado desbravador,

Um caos, outro bonança,

Um frio, outro calor.


Um que nos desafia

buscar nosso melhor lado.

O outro somos nós,

inseguro, amedrontado.


Um lado que nos acolhe

E não nos tolhe a verdade.

Do outro lado um amigo...

E a ponte? A amizade.




QUADRINHOS

Quadrinho de Moon e Bá



NOSSOS COLUNISTAS


Da esquerda para a direita: Arléte Creazzo, Alessandra Valle, Regina Prado, Joana Pereira, Luiz Primati e Rick Soares.

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6 comentários


Arléte Creazzo Reginato
Arléte Creazzo Reginato
17 de jan. de 2022

Só hoje consegui me achar para entrar e postar comentário.Como já disse anteriormente (ao menos em algum momento da vida) só nula tecnologicamente. Amei os textos. Nem posso dizer que me identifico com todos por inteiro, mas sempre há algo de nós em outras pessoas. Realmente a vida passa rápido e devemos aproveitar as pessoas enquanto as temos e valorizar os momentos bons. Ainda "entro em muita coisa que já me servia", afinal, a criança que um dia fui, ainda habita em mim, mas concordo que a nudez é fundamental. Aprendizados são sempre bons, e quando algo não nos agrada, devemos realmente nos desfazer "destas vestes". Sobre amizade, já escrevi aqui - amigo é aquele que nos conhece, e ainda…

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Paulo Medina Marques
Paulo Medina Marques
16 de jan. de 2022

Acho que em relação ao texto "Vida despercebida", o recado é claro. O trem está passando, ou você sobe nele ou não reclame depois, pois a vida segue e o maquinista não tem porque ficar esperando a sua decisão.

O "Feliz ano novo, de novo" me fez recordar que perdi dois grandes amigos. Um deles, meu Ir.'. Helião, já era esperado. Sofria de uma série de problemas de saúde e tinha uma idade avançada. Nunca vi o Hélio reclamando dos seus problemas, sempre de bom humor e calmo. O segundo, meu amigo e vizinho, Comandante Maurício, colega da Embraer de Botucatu, na área da Qualidade, onde ele era piloto de ensaios. Esse foi uma surpresa... Estava doente, mas s…


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Henrique Soares
Henrique Soares
16 de jan. de 2022
Respondendo a

Perfeitamente 👏🏽👏🏽👏🏽

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Luiz Primati
Luiz Primati
16 de jan. de 2022

Belíssimos textos de: Rick, Regina, Arléte, Alessandra e a nossa mais nova colaboradora Joana Pereira, direto de Portugal. Seja bem-vinda à nossa equipe.

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