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BECO DOS POETAS Nº 150 — 16/07/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

O LADO INTERNO DOS OBJETOS ABANDONADOS


Tem um sapato na rua Curuzu, perto da esquina onde o asfalto cede pro paralelepípedo, faz mais de um mês. Um só. Masculino, número grande, o couro já virando outra coisa com a chuva. Passo por ele quase todo dia e ainda não me acostumei. Sapato perdido no meio da rua não é objeto: é pergunta. Onde está o outro? Onde está o pé? Como é que alguém perde um sapato e continua andando?


Ninguém perde um sapato devagar. É coisa que acontece no meio de alguma história — uma correria, uma mudança malfeita, um caminhão de coleta que passou rápido demais. O sapato ficou. A história foi embora sem ele.


Eu tenho essa mania de olhar para as coisas abandonadas e sentir que elas estão me olhando de volta. Sei que não estão. A matéria não sente, não lembra, não espera. O couro é couro, a madeira é madeira. Qualquer químico me explica isso em dois minutos, e eu concordo com tudo. Depois passo de novo pelo sapato e desconcordo um pouco.


Uma cadeira vazia, por exemplo. Não uma cadeira nova de loja, que ainda não é de ninguém — essa é só mobília. Falo da cadeira que foi de alguém. A que ficou na varanda depois que o dono desencarnou, com o assento afundado no formato exato de um corpo que não senta mais ali. Aquele afundamento é o que a madeira tem de memória. Não guarda o rosto, não guarda a voz. Guarda o peso. Anos de um mesmo peso, todas as tardes, sempre no mesmo lugar. A gente desencarna e a cadeira fica ali, teimando em manter o nosso formato vivo.


Minha avó tinha uma dessas, de balanço. Depois que ela se foi, ninguém sentava. Não por proibição — ninguém proibiu nada. Era o corpo que não deixava. A gente chegava perto, olhava, e ia sentar em outro lugar. A cadeira vazia mandava mais na sala do que muita gente sentada e às vezes até parecia balançar sozinha.


E as casas. Ah, as casas fechadas. Toda cidade do interior tem uma, aquela em que o mato foi subindo pela grade e a caixa de correio entortou de tanto não receber carta. Do meu apartamento enxergo várias. Quem passa na calçada aperta o passo sem saber por quê. Não é medo de assombração — é outra coisa, mais fina. É que casa fechada continua sendo casa. As paredes foram feitas para guardar gente, e ficam ali, guardando o vazio com o mesmo empenho. A tinta descasca por fora. Por dentro, imagino, o tempo passa mais devagar, criando poeira em cima da forma dos móveis que já saíram, marcando na parede o retângulo mais claro onde um dia houve um quadro.


O retângulo mais claro. Talvez seja isso o lado de dentro dos objetos abandonados: a marca do que encostou neles. O degrau de pedra gasto no meio, de tanto pé pisando. O corrimão polido, brilhante, pela soma de todas as mãos que ali deslizaram. A xícara com a borda manchada na altura exata de uma boca. Nada disso é memória de verdade, eu sei. Mas é o que a matéria consegue fazer com a nossa passagem, do jeito bruto dela. Nós escrevemos crônicas; as coisas escrevem desgaste.


Meu avô Otércio guardava ferramenta velha que já não servia. Chave de fenda com o cabo rachado, martelo de cabeça solta. Minha avó Maria vivia querendo jogar fora. Ele não deixava, e não sabia explicar — dizia só "essa aí ainda funciona", mentindo sem saber que mentia com aquele sotaque italiano, carregado de palavrão. Hoje entendo. Não era a ferramenta. Era a mão dele dentro dela.


O sapato da Curuzu deve ir embora qualquer dia desses, na enxurrada ou na vassoura de algum vizinho mais zeloso. A rua vai ficar mais limpa e um pouco mais muda. E em algum lugar existe um homem que talvez nem lembre mais de como o perdeu — enquanto o sapato, esse, passou o fim da vida inteirinho lembrando do pé.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

VIDA E AMOR. VIVER E AMAR


Encontros perfeitos.

Vida e amor.

Viver e amar.

Plenitude de vidas.

Em mundos de brisas.

Soprando teu belo sorriso.


Uma centelha de luz.

Na busca de atender,

a necessidade do outro.


Poetas e poemas.

Alcançando corações.

Na arte de sentir.

Escrevendo com amor.


Um amor formoso e amado.

Ah, meus delírios na noite e no dia.

Fecundando nossas misturas.

Em desejos profundos.


Te amando,

vejo as rosas das manhãs.

Misturadas à minha imagem.

No espelho, o indizível.

Amor e vida.


Oh! Viver te amando.

É uma volúpia doce.

Com meus lábios vermelhos.

Sonhando com teus beijos.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

A GAVETA E SEUS SEGREDOS


Na escrivaninha do meu quarto, tenho uma gaveta

Sem maçaneta, que está trancada com uma chave

Que eu mesmo descartei e do lado de fora mora

Uma versão secreta de tudo que sinto, mas nunca

Contei para ninguém que lá estão as minhas

Memórias de infância, além daquele papel

Amassado de uma carta sem remetente

Com uma foto virada sem imagem

Que me faz sentir o amor que

Busquei, mas nunca encontrei

Pelo contrário, só me decepcionei

Com aquela que um dia amei

E nessas horas, sinto vergonha de mim,

E preciso entender que não sou amado

E por isso durmo de porta aberta. 


Mas, quando o sol se põe, fecho as cortinas

E na minha escrivaninha, volto a escrever

Os capítulos e um filme de terror estilo Hitchcock

E, entre um gole de café, o pavor aumenta e durante

A madrugada, o sono vem, eu apago as luzes do abajur

E ao pé da cama, oro e me deito, mas quando

Estou quase pegando no sono, a gaveta vibra,

Tento dormir, mas diante daquele barulho

Ensurdecedor, finjo que não ouço e que

Estou num sono profundo, mas aquele

Rangido se repete constantemente, Provocando um eco na minha

Alma que está me atormentando. 


E, como num filme diante daquele suspense,

Quero fugir da escuridão e calar aquele gemido

Guardando as histórias tristes naquela gaveta

Que está trancada, mas que um dia quero abrir

E soltar todos os monstros e morcegos que há

Anos estão aprisionados com as histórias que

Ficaram registradas nas fotos emboloradas Em meio ao pó daquele calabouço dentro

Daquela escrivaninha onde tudo está se

Deteriorando com as traças e, com o tempo

Elas vão se transformar em uma lembrança

De um desabafo que entre a tinta, o papel

E a caneta vai se tornar um poema

De amor não correspondido.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

BUQUÊ


Buquê de poemas

Buquê cheio de poesia

Buquê delicado

Sofrido e rimado.

Faço um buquê de flores

Para o meu amado

 Tirado de um jardim poético

Cheio de trevos da sorte

Cheio de flor mal me quer

Bem me quer

Para despetalar como quiser.

Chamo o seu nome

Trago flores singelas

Amor-perfeito

Flores amarelas

Lírio da paz

Pedindo trégua no sofrimento.

Trago flores dente de leão

Espalhando seu perfume pelo firmamento.

Assim vou formando o meu buquê

Com versos perfumados

Cheio de aroma variado

Cheia de saudade de você!

 Para preencher a folha

Escrevo uma canção

Desenho emojis de amor

Para tocar o céu e seu coração

Quero renascer em você

Portanto, aceite o meu buquê!


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

UMA NOVA EMOÇÃO


Lá se vão, 

Mais de 47 anos vividos,

Todos eles sofridos,

Mas todos com inspiração.

Desde a primeira poesia,

Aos nove anos de idade,

(Pena que não dá para contar para aposentadoria),

Minha vida é assim.


Uma vida rodeada de gente,

De pessoas humildes,

E gente granfina,

E ao mesmo tempo,

Um imenso vazio,

Confortado com minhas poesias.


Este é o jeito do poeta ser,

Se doar a todos,

Sem nada receber,

Baseado na oração de São Francisco de Assis,

A quem eu peço para interceder.


A vida de poeta,

Sempre será terra deserta,

Um mausoléu de sentimentos,

Com conta-gotas de amor.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

PÉTALAS NO BOLSO


Andou jogando por aí pétalas de rosas. Queria ver o mundo perfumado e cheio de encantos.


Tem essa mania de sonhar coisas boas. Então… anda sempre com algumas pétalas no bolso, para jogar onde o tempo está frio e sem alegria.


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

O SÁBIO SILÊNCIO


"O silêncio é a melhor resposta".

Às vezes, é melhor silenciar.

Falar pode provocar discórdia.

Calar-se encurta sofrimentos.

Não é fácil, mas é possível.

Exercite a paciência e o silêncio.

Com paciência podemos encontrar a paz e acalmar os corações.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

CONCENTRE-SE NO PRESENTE


Viva o presente, Esqueça os erros do passado. Por que relembrar O que deve ser deixado de lado?

Foque no hoje, Deixe para trás o que passou. O importante é o agora; Esqueça o que magoou.

Feche as portas do passado. O que feriu, Deixe do lado de fora. Viva o hoje, Usufrua do agora.

Deus perdoa, Apaga os erros E dá a oportunidade de recomeçar. Então, por que se martirizar?

O coração é traiçoeiro; Às vezes, quer nos condenar. Mas lembre-se: Deus é amor. Ele está sempre pronto para perdoar Quem tem o sincero desejo de mudar.


AUTOR Lucélia Santos


LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.

CORTINA DO SILÊNCIO


Tuas palavras, qual um pote de mel,

derramaram doçura sobre mim.

Vi verdade em teu caráter fiel,

tocando o meu ser tão fundo assim.

Tu és repleto de encantos,

sempre a me surpreender;

por isso meu peito arde tanto

quando tens algo a dizer.

Rasgaste a cortina do silêncio,

e meus lábios puseram-se a falar.

São tantos os motivos intensos

que me fazem contigo desabafar.

Teu sentir adentrou minha alma,

ateando fogo ao coração.

Tuas palavras me embriagam

e atravessam toda a imensidão.

Não sei ao certo se haverá um fim

ou um começo lindo e marcante;

mas o que despertaste em mim

incendiou meu ser como nunca antes.









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