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REFLEXÕES Nº 237 — 08/11/2026

há 5 minutos
17 min de leitura

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno
Imagem criada com IA

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível até o final de 2026.

O DE SEMPRE


Não sei qual foi a última vez que fui até a padaria Pessim. Foi numa semana de outubro, isso eu sei, porque a mudança já estava marcada e as caixas já ocupavam o apartamento. Mas o dia, a hora, o que pedi e quem estava no balcão, não sei. Devo ter pedido o de sempre. Devo ter pagado e saído com a sacola, pensando na reunião das sete do dia seguinte ou numa caixa que faltava fechar.

Com a Rua Curuzu é pior. Passei por ela a vida inteira, e se alguém me perguntasse quando foi a última vez, eu não saberia dizer nem o mês. Os tênis nos fios, não sei se ainda estão lá. Não olhei para cima.

A última noite no apartamento eu sei qual foi, porque era a véspera da mudança. Dormi como em qualquer outra. Não olhei a sala, não me despedi de cômodo nenhum. De manhã tomei o café que sobrou, fechei a porta e passei a chave duas vezes, de hábito. A chave ainda está no meu bolso.

As últimas vezes que reconheci como últimas, reconheci tarde. A da minha mãe, por exemplo: fui no domingo, com pressa, e na terça ela morreu. A do meu pai não teve nem domingo, porque foi de repente.

A padaria Pessim continua lá, a Rua Curuzu também, e o apartamento. Posso voltar quando quiser. Mesmo assim, fico com a sensação de que passou uma vez em que eu devia ter olhado com mais atenção, e não sei qual.

Quando eu voltar a Botucatu, e vou voltar, passo na Pessim e peço o de sempre. Se a moça do balcão for a mesma, tenho que lembrar de perguntar o nome dela. Faz uns quarenta anos que eu compro pão ali e nunca perguntei o nome de nenhuma das que passaram por aquele balcão.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

SUBINDO DEGRAUS


Subir degraus é uma metáfora para a vida. 

Subir degraus não diz respeito somente ao movimento físico, mas simboliza a trajetória pessoal de cada um, marcada por desafios, conquistas e aprendizados, buscando encontrar novos caminhos. Cada obstáculo ultrapassado é como um degrau a mais em direção aos objetivos e sonhos que cultivamos. Nascemos com desejo e impulso de crescer e melhorar continuamente nossas vidas e a nós mesmos.

Em diversos momentos, a subida de degraus parece íngreme e cansativa. Nesses instantes, o apoio de amigos, familiares e companheiros faz toda a diferença. 

Ao compartilhar experiências e celebrar pequenas vitórias, percebemos que cada degrau conquistado é valioso e nos prepara para desafios ainda maiores. 

Chegar perto do que desejamos, olhar para trás, sabendo que atingimos nossos objetivos. Portanto, faça de sua vida uma subida, concentre-se nas lutas e conquistas diárias. 

Suba os degraus de felicidade, satisfação amorosa, saúde e prosperidade. Subir os degraus, sem pressa, com sabedoria para o novo, mesmo que acompanhado pelo medo, amplia nossos horizontes e nos tira da zona de conforto. 

Precisamos encontrar equilíbrio entre buscar nossos objetivos e apreciar as conquistas já realizadas. O verdadeiro desafio não é somente subir mais degraus, mas compreender que cada passo traz uma nova perspectiva nutrida de luzes para nossas vidas.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

NO VACILO DOS VÍCIOS


Um dia ainda quero entender porque saí

De casa cedo, casei com uma mulher

Linda, fui pai e hoje me pergunto: 

A vida é feita de escolhas; sei que

A minha mãe não tem culpa

Dos meus vacilos.


Ela me criou com muito amor, carinho, 

E dedicação me educou e me mostrou 

Os caminhos do Senhor Jesus Cristo,

Mas eu escolhi ir pelo caminho mais

Fácil, e um dia caí do cavalo.


E hoje vivendo atrás dessas grades,

Estou aprendendo a dar valor 

A minha liberdade e a minha 

Mãe, que não me abandonou 

E hoje consigo entender

Por que ela me fez 

Chorar tantas vezes.


E aqui dentro eu conheci o verdadeiro 

Evangelho de Jesus e a palavra de 

Deus que renova diariamente as

Minhas forças, aqui eu conheci

Um homem, um poeta que me

Mostrou os caminhos da

Poesia que tem edificado 

A minha vida. 


AUTOR Kenia Pauli


Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.

A VIDA DÁ VOLTAS…


Morar na Inglaterra, longe de tantas coisas que fizeram parte da minha história, me fez olhar a vida de uma maneira diferente. A distância, as mudanças e os recomeços ensinam muito mais do que imaginamos.

Com o tempo, a gente percebe que a vida não acontece em linha reta. Hoje estamos de um lado, amanhã podemos estar do outro. Situações mudam, pessoas mudam e, muitas vezes, aquilo que um dia julgamos no outro acaba fazendo parte da nossa própria história.

É fácil olhar de fora e apontar o dedo. Difícil é compreender que cada pessoa tem suas dores, suas razões e uma história que nem sempre conhecemos.

A consciência sistêmica nos convida justamente a isso: olhar além do comportamento, entender que carregamos histórias familiares, experiências e padrões que, muitas vezes, nem percebemos que repetimos.

A vida dá voltas, e talvez uma das principais lições seja aprender a não julgar tanto. Não sabemos o que o amanhã nos reserva, nem quais experiências ainda teremos de viver.

Aqui na Inglaterra, até as estações parecem ensinar isso. Após dias frios, cinzentos e longos, a primavera chega. E nos lembra que nenhuma fase dura para sempre.

Não se trata de esperar que a vida coloque alguém no nosso lugar para podermos compreender sua dor. Trata-se de desenvolver humanidade antes que isso aconteça.

A vida dá voltas, os lugares se invertem e as circunstâncias mudam. Que a gente tenha sabedoria para não esquecer de onde veio, humildade para reconhecer os próprios erros e sensibilidade para respeitar a história de cada um.

Portanto, todos estamos vivendo, aprendendo e, de alguma forma, tentando acertar no caminho.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

UMA UMA CONVERSA


É uma conversa...

Bom mesmo é olhar no olho quando se conversa com alguém.

O olhar no olho é diferente.

Você presta atenção a todos os detalhes, demonstra interesse na conversa e naquilo que está escutando.

O importante é dar importância a alguém de verdade.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

ENTRE O SORRISO E A FRAGILIDADE


Vivemos em um tempo em que os sorrisos parecem obrigatórios. As redes sociais se transformaram em vitrines onde quase tudo precisa parecer bonito, leve e perfeito. Fotografias iluminadas, rostos felizes, momentos cuidadosamente escolhidos para mostrar apenas o lado mais agradável da vida.


Eu também gosto de sorrir nas minhas fotos.


Aliás, sorrir é algo muito natural em mim. O sorriso sempre foi uma forma simples de celebrar a vida, de mostrar gratidão pelos dias bons e pela beleza que ainda existe nas pequenas coisas.


Mas a vida não é feita apenas de sorrisos.


Certo dia, publiquei uma foto em que meu olho estava tomado por uma hemorragia. Não havia ali maquiagem que escondesse, nem filtros que disfarçassem, meu eu queria isso! Era apenas a verdade estampada no meu rosto: um momento de fragilidade, um daqueles imprevistos que o corpo às vezes nos apresenta.


Para minha surpresa, vieram críticas.


Algumas pessoas pareciam incomodadas por ver aquilo. Como se mostrar um momento difícil fosse quase uma quebra de regra silenciosa: a regra de que só devemos mostrar aquilo que é bonito.


Fiquei pensando no quanto nos acostumamos a esconder nossas dores. Como se a fragilidade fosse algo que precisasse ser mantido em segredo, guardado longe dos olhares.


Mas eu sou gente.


Sou a mesma pessoa que aparece sorrindo nas fotos bonitas, mas também sou alguém que enfrenta dores, sustos, enfermidades e dias difíceis. O sorriso faz parte de mim, mas a fragilidade também.


E não há vergonha nisso.


Ser humano é exatamente isso: viver entre extremos, entre o riso e a lágrima, entre a força e o cansaço, entre a alegria e os momentos em que precisamos apenas parar e cuidar de nós mesmos.


Talvez o problema não esteja em mostrar a fragilidade, mas na dificuldade que o mundo tem de aceitar que ela existe.


Continuarei sorrindo nas minhas fotos, porque o sorriso faz parte da minha essência. Mas não esconderei os dias em que a vida me lembrar que também sou feita de limites e de vulnerabilidade.


Afinal, é justamente entre o sorriso e a fragilidade que mora a verdade da nossa humanidade.


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

REALMENTE, NESTA NOITE


Lágrimas de saudade,

Rolaram em meu rosto,

A saudade trás o desgosto... 

E estar longe de você, é difícil.

Difícil são as madrugadas frias,

Vazias,

Imensas,

Vivendo da saudade.

Saudade de pelo menos uma vez,

Poder abraçar seu corpo,

Ouvir sua respiração ofegante...

Ser no futuro teu amigo ou teu amante,

Ser teu amado ou namorante,

O que me importa é estar com você. 

 Nesta noite, senti sua falta,

Lá pelas altas horas, 

No meio da madrugada,

A saudade apertou...

Lagrimas derramei,

Seu corpo eu toquei,

Mais e mais te desejei,

E por você, eu chamei...

E como eu diria em inglês, 

Day by day,

Eu te amei,

E sempre te amarei...

Se os anjos me escutaram,

Souberam que te amei,

Mesmo não estando envolvido em meus braços. 

E minha noite foi assim,

Ate o dia raiar,

E os quero-queros fazerem a algazarra,

Em meu telhado e em minha porta.

Está noite,

A cama estava mias vazia,

Uma noite fria,

Dormida ao relento.

A saudade,

O sofrimento,

Que por um momento,

Deu-me a esperança de ter você.

E meus lábios,

Ressecados pela madrugada,

E a falta de ti minha amada.

Ajeitei-me como eu pude,

No piso frio e rude,

Tentando no sonho, amar você.


AUTOR Eduardo Grabovski


EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia –  Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.

A INVEJA NO PICADEIRO E A ALOPÉCIA MENTAL.


“Senhoras e Senhores, aí vem o circo!”


Assim bradava o carro de propaganda. Com seu megafone, ele irradiava o anúncio da atração que iria ancorar suas tendas na pequena vila, despertando a fantasia de crianças e idosos de toda a região.


Ao ouvir o anúncio, o velho Hortelino chamou seus amigos para se divertirem. No entanto, fiel à sua característica obsessiva, ele resolveu armar uma armadilha para pegar o Pernalonga. Para isso, decidiu montar um grupo que o ajudasse a finalmente capturar o esperto coelho.


Em uma noite, isolado em seu quarto, ele elaborou o plano que executaria durante o espetáculo. Começou, então, a fazer seus telefonemas em segredo, sem que ninguém na casa testemunhasse seus intentos. Afinal, Hortelino é uma pessoa ingênua, atrapalhada e até infantil. Porém, seu ciúme doentio e injustificado pelo coelho o fez reunir uma turma de alto teor de controvérsia:


· Zeca Urubu: Com seu jeito vigarista, cínico e vingativo, seria o aliado perfeito para tramas de resposta rápida e astuta.


· Hardy (a hiena triste): Uma convocação curiosa. Sendo um personagem que só reclama e nunca ri, o que Hortelino esperava dele? Será que queria arrancar um sorriso daquele que sempre espera o pior, justificando sua vitória? Ou esperava que ele fosse o oráculo da tragédia, ajudando a evitar o fracasso?


· Patolino: Também foi convidado. Por ser um claro desafeto do coelho, traria um conhecimento profundo do rival. Embora já tivessem sido aliados em várias situações, a eterna competição na cabeça do pato ajudaria na estratégia.


· Zé Jacaré: Um predador bobo que vive faminto. Seu jeito arrogante e ansioso o tornaria um componente facilmente manipulável no grupo.


· Meany Ranheta: Foi convidada para ajudar a articular o plano infalível. Uma visão feminina ajudaria muito, já que ela, além de interesseira, ranzinza e de pavio curto, seria um membro de grande valor prático.


· Dick Vigarista: Para obter sucesso, Hortelino precisaria de um mestre em sabotagem. Ardiloso e traiçoeiro, Dick se autoproclama um gênio do mal infalível. Mesmo quando tudo dá errado, seu desejo obsessivo de vencer por mérito próprio seria de grande utilidade.


· Pepe Le Gambá: Convidado para manipular o alvo através da insistência misturada ao romantismo, o que traria vantagens estratégicas, apesar de seu odor desagradável.


Já era tarde. Hortelino deixou para chamar em outra oportunidade — ou caso esta turma fracassasse — outros integrantes de peso, como Gargamel, Esqueleto ou Mumm-Ra. Mas isso já seria uma outra história.


Na vida e nas relações, existem mentes que funcionam exatamente como essa estrutura. São mentes inspiradas por sentimentos mesquinhos ou alimentadas por frustrações e fracassos. Uma mente como a de Hortelino agrupa as piores características dos desenhos animados para agir em um plano onde, no fim das contas, somente ela mesma sairá prejudicada.


O "vilão", para esse tipo de pessoa, é apenas um misto de sentimentos espelhados em um objetivo não alcançado. O invejoso justifica sua frustração criando um inimigo na figura de sucesso do outro — neste caso, o Pernalonga.


Mas e se, em vez de planos alimentados por antagonistas, a mente pudesse se inspirar em um "Circo da Vida"? Um lugar onde esses sentimentos ruins fossem transformados pelo espetáculo dos bons sentimentos, como o amor-próprio, a autovalorização e a busca pelo mérito independente de quem chegou primeiro.


No fundo, todos nós poderíamos estar dentro das lonas desse circo, comendo pipoca, tomando refrigerante, nos divertindo com as conquistas alheias e aplaudindo o show comandado pelo Palhaço Carequinha. Assim, evitaríamos o incômodo das distorções provocadas pelo ciúme, que nada mais é do que uma triste alopecia mental.


Universo do Tio Dudú


AUTOR Marinalva Almada


Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.

ENEM: ENTRE ANSIEDADE, SONHOS E ESPERANÇA


Hoje é um daqueles dias que ficam marcados na memória e na história. Para cada jovem que se prepara para fazer o ENEM, este não é apenas o dia de responder a questões, interpretar textos, escrever uma redação e marcar alternativas. É um dia de sonhos, expectativas, tensão, ansiedade e esperança.


Por trás de cada estudante que se senta diante da prova existe uma história. Existem noites de estudo, horas de dedicação, renúncias, dificuldades vencidas e muitos momentos em que foi preciso acreditar, mesmo quando o cansaço dizia para desistir. Cada página estudada, cada exercício resolvido e cada dúvida esclarecida representa um passo em direção a um futuro desejado.


E então chega o grande dia.


O coração acelera. As mãos podem ficar inquietas. A mente percorre rapidamente tudo aquilo que foi estudado. Surge a pergunta: “Será que eu vou conseguir?” Misturam-se o medo de não alcançar a tão sonhada vaga e a esperança de que todo o esforço tenha valido a pena.


Para muitos, o ENEM representa a possibilidade de entrar pela primeira vez em uma universidade. Para outros, significa mudar a própria história, conquistar autonomia, ampliar horizontes e abrir portas que pareciam distantes. Por isso, cada questão carrega muito mais do que uma resposta: carrega expectativas, projetos e sonhos.


É natural sentir ansiedade. É natural ter medo. Afinal, quando desejamos muito alguma coisa, o coração também participa da caminhada.


Hoje, mais do que buscar uma nota, é preciso reconhecer a coragem de cada jovem que chegou até aqui. Quem estudou, se preparou e está diante dessa prova já venceu muitos obstáculos. Já demonstrou disciplina, persistência e vontade de construir uma vida melhor.


Que, ao abrir o caderno de questões, cada estudante possa respirar fundo, confiar em tudo o que aprendeu e fazer o seu melhor. Que a ansiedade dê lugar à tranquilidade, que o medo seja transformado em coragem e que a esperança permaneça viva.


E, depois da prova, qualquer que seja o resultado, que ninguém se esqueça: sonhos não terminam em um único exame. Algumas portas se abrem imediatamente; outras exigem mais tempo, novas tentativas e outros caminhos. O importante é não deixar de caminhar.


Que cada jovem que hoje enfrenta o ENEM possa olhar para o futuro com esperança e dizer para si mesmo:


“Eu tenho sonhos. Eu posso. Eu tenho capacidade. Eu consigo!

Lutei por esta oportunidade e continuarei lutando, com fé, determinação e perseverança, até alcançar o meu objetivo.”


Que Deus abençoe cada estudante, acalme cada coração e ilumine cada escolha.


AUTOR Zélia Oliveira


Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.

DE REPENTE


Momentos preciosos em família,

Brincadeiras, batalhas, conquistas.

Sonhos realizados,

Outros interrompidos, roubados,

O peito dilacerado.


A luta constante pela vida.


De repente, tudo acaba.

O coração ferido,

Imerso em tanta dor,

Precisa se recompor,

Encontrar forças para seguir,

Agarrando-se às boas memórias

E ao amor que o avô deixou em sua vida.


AUTOR Arléte Creazzo


ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

O QUE NOS TORNA FAMÍLIA?


Ultimamente tenho ouvido muito falar em famílias. Quais os tipos de famílias que existem? Como funciona uma família?


Mas, na verdade, o que nos torna família?


Família é uma palavra de grafia simples, sem grandes complicações na escrita, mas defini algo imenso.


E nem é preciso ter o mesmo sobrenome, morar sob o mesmo teto ou até mesmo ter o mesmo sangue para que sejamos família.


É preciso ter envolvimento. Precisamos saber que alguém estará lá quando precisarmos, alguém que nos estenda a mão ou nos ofereça um ombro amigo. Não precisa, necessariamente, ajudar a resolver tudo, mas é preciso que esteja presente, só para estar junto.


Família é se encontrar. Não basta apenas ficar enviando mensagens dizendo que ama, se não encontra tempo para um abraço. Família é contato. É tempo para conversas, um cafezinho ou até mesmo um longo silêncio, estando lado a lado.


Como tudo na vida, família também tem problemas, discussões e desentendimentos. Às vezes, nos magoamos e nos afastamos. Ficamos ressentidos por algo que nos foi dito. Mas ser família é também saber relevar, perdoar e buscar um consenso.


Talvez o que realmente defina família seja justamente o não abandonar. Não é aparecer apenas quando tudo está bem ou quando precisamos de ajuda. É preciso gostar de estar na companhia do outro.


Afinal, família não é apenas quem esteve conosco no começo da vida. É quem continua querendo fazer parte dela.









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