REFLEXÕES Nº 225 — 16/08/2026
- Luiz Primati
- há 11 minutos
- 17 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
A JUSTIÇA E A LEI
Pelo destino, acabei parando em Botucatu. Vim trabalhar numa escola de informática — primeiro como professor, depois como coordenador — até que saí e abri meu próprio negócio. Foi nessa fase que um advogado de uma cidade vizinha me contratou.
A proposta era boa no papel: eu desenvolveria um software para o escritório dele, e quando ficasse pronto, comercializaríamos juntos, dividindo os lucros. Só que meu salário, ele achava alto — não disse que não pagaria, disse que ia "arrumar alguém para ajudar". Arrumou outra empresa, uma confecção da cidade. Fiquei sabendo que trabalharia meio período para o empresário da confecção e meio período para o advogado, e topei, sem fazer muita pergunta. Parecia arranjo comum: dois patrões, duas metades de expediente.
Passados trinta dias, no fim do meu horário na confecção, a secretária me chamou e entregou um cheque, dizendo que era o meu salário. Guardei no bolso sem olhar o valor — não era hábito meu conferir na frente de ninguém — e segui direto para o escritório do advogado, para completar o resto do dia. Quando finalmente olhei o cheque, já lá dentro, vi o valor integral. Inteiro, como se fosse de um período só, não da metade. Fiquei imaginando que estavam reconhecendo meu trabalho, valorizando, quem sabe pagando em dobro pelas duas frentes. Fiquei feliz — daquela felicidade boba de quem acha que a vida, raramente, decidiu ser generosa sem cobrar nada depois.
Na hora de receber do advogado, ele perguntou se eu já tinha recebido o salário do empresário. Disse que sim, veio inteiro. Ele respondeu que então estava tudo certo, que já tinha "acertado" com o empresário, que ele pagaria o valor combinado para mim e que eu não precisava me preocupar.
Não me preocupei. Levei um tempo para entender o que aquela frase realmente significava.
O que tinha acontecido, eu só juntei depois: o advogado disse ao empresário que eu custava vinte mil por mês — o dobro do que de fato custava — e propôs ratear esse valor inflado entre os dois, dez mil de cada um. O empresário aceitou satisfeito, achando que estava dividindo o custo com seu amigo advogado, e eu, trabalhando meio período para cada um. Passou a pagar seus dez mil religiosamente, todo mês, certo de que o advogado pagava a outra metade. Só que o meu salário verdadeiro, o que eu tinha pedido, era exatamente os dez mil que o empresário já pagava sozinho. O advogado nunca desembolsou nada. Inventou um valor que não existia só para que sua metade coincidisse, por coincidência nenhuma, com o total que eu recebia — e assim ficou de fora da conta, deixando o amigo pagar por dois.
Descobri a armação, mas o dinheiro continuou vindo, todo mês, do mesmo jeito, do mesmo bolso que sempre tinha sido o único. Não fui atrás do empresário para contar o que sabia. Não porque tivesse medo do advogado — porque contar não desfazia nada, só transferia para outra pessoa um desconforto que eu já tinha decidido carregar sozinho. Fiquei quieto. Ainda fico, até hoje, contando isso só agora, décadas depois, sem nomes.
Fico pensando: o advogado fez algo ilegal? Duvido muito. O empresário pagou por um serviço que de fato recebeu, meu trabalho de verdade, minhas horas de verdade, pelo valor que ele mesmo considerou justo pagar. Não tem cláusula quebrada, porque não existia contrato nenhum prevendo que alguém revelasse para o outro o preço combinado. O crime, se existe, não tem nome no código penal. É desonestidade pura, sem forma jurídica — o tipo de coisa que passa reto por baixo de qualquer lei, porque lei precisa de vítima que aponte o dedo e diga "isso aqui, especificamente, foi contra mim". O empresário, a rigor, nem foi lesado no que pagou — pagou o que topou pagar. Só foi enganado sobre com quem, de fato, estava dividindo a conta.
É engraçado como funciona: se o advogado tivesse simplesmente dito o preço real e proposto ratear de verdade, cinco mil para cada um dos dois, eu teria aceitado, ou negociado, ou recusado. A trapaça só funcionou porque ele inventou um número que não existia em lugar nenhum, só para justificar não pagar nada — e o empresário, sem ter como comparar, aceitou dividir um total que na verdade já era o valor total.
Não sei até hoje se fiz certo em ficar calado. Protegi o empresário de uma mágoa que não ia mudar nada prático — ele continuaria pagando o mesmo, eu continuaria recebendo o mesmo. Só que também protegi o advogado, sem querer, deixando ele repetir aquilo, quem sabe, com outra pessoa depois de mim. Isso me incomoda mais do que qualquer cláusula que ele tenha ou não infringido.
Meu avô Otércio dizia que tem gente que rouba sem tirar nada do bolso de ninguém — só inventa um número que não existe, e deixa os outros dois se acertarem com a mentira. Acho que foi exatamente isso que vi acontecer, de camarote, sendo ao mesmo tempo o produto e a testemunha da própria trapaça.
Hoje, se cruzasse com aquele advogado, não sei se falaria alguma coisa. Já são tantos anos. Mas queria, pelo menos uma vez, que ele soubesse que eu soube o tempo todo.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
VESTIDOS DE CORES E OTIMISMO
Quanto mais beleza percebemos, mais cores cultivamos dentro de nós. Cores e perseverança brilham em nossos passos, guiando-nos com otimismo a um futuro cheio de possibilidades.
Recomeçar é abraçar a simplicidade em forma de natureza. A natureza é sábia e nos dotou de mecanismos, instintos e impulsos destinados à nossa sobrevivência e felicidade. Esse é o objetivo de todos os seres humanos: tudo, absolutamente tudo o que realizamos, busca alcançar satisfação na vida e garantir nossa existência.
O dia de hoje é o que temos de real. Fechemos os olhos e tudo pode ser lilás, amarelo, branco. O verde da natureza, o azul profundo do céu, o violeta elegante das flores — todas carregam a mensagem do bom humor, da saúde emocional e do otimismo.
A verdade é que tudo poderia ser muito mais simples se nos deixássemos influenciar apenas pelo natural, se nos apegássemos mais ao mundo tal como ele é.
Se você parar para refletir, perceberá que quando as coisas não estão dando certo, muitas vezes é porque está pensando de forma negativa, autocrítica e exigente. O otimismo saudável não ignora os problemas, mas ajuda a encará-los como desafios temporários e possíveis de resolver.
Cultivar emoções positivas, estimular novas habilidades e identificar coisas boas que aconteceram ao longo do dia ajudam a transformar emoções negativas e a maneira de olhar para as situações, modificando nossas interpretações sobre o que vivenciamos.
Não permita que pessoas ou acontecimentos façam você desistir daquilo que mais deseja na vida. Acredite na sua força, na capacidade que vive em você. Lute. Conquiste. E, acima de tudo, seja feliz!

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
A PAZ DE UM ENTARDECER
A natureza nos revela belezas naturais
Inimagináveis naquela tarde diante daquele
Belo cenário repleto de cores e flores ao som
Dos pássaros, eu e Alice nos banhávamos
Naquela nascente, ah, minha querida Você estava linda, leve e solta e Envolta nas águas, a sua beleza Morena flutuava e os seus Movimentos pareciam
Um nado sincronizado.
E, após bailarmos nas águas, decidimos
Repousar nas montanhas e com uma bela Cesta de queijos e um bom vinho nós Brindamos aquele momento efêmero E degustamos um bom queijo com Algumas taças de vinhos.
Enfim, o desejo aflorou
E a cabrocha desabrochou
Em meus braços ela se entregou
E finalmente a gente se amou
E juntos explodimos e nos Braços de Alice encontrei
A paz na brisa leve
De um entardecer.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
AS CIGARRAS
Existem mais de 1500 espécies de cigarras no mundo. São notáveis devido à cantoria entoada pelos machos, diferente em cada espécie e que é ouvida no período quente do ano, com o objetivo de atrair as fêmeas. Têm um aparelho estridulatório em seu abdômen. Cada cigarra tem um canto diferente, que serve também para afastar os predadores.
Um dos principais predadores das cigarras é o gavião, que caça em pleno voo.
As cigarras passam por uma metamorfose incompleta, pois não possuem asas, nem órgãos reprodutivos, mas depois de anos, saem para a liberdade com asas para voar.
Elas cantam na base de 120 decibéis. As fêmeas morrem após pôr os ovos.
As cigarras têm importância negativa e positiva. Elas servem de alimentação para predadores, mas são consideradas pragas para os agricultores, pois sugam a seiva das plantas, abrem feridas, que são portas de entrada para fungos e bactérias.
As cigarras já foram usadas na medicina tradicional, como símbolo monetário e como alimento.
Nos Estados Unidos, as cigarras são saboreadas banhadas no chocolate.
(Eu as prefiro cantando na natureza! Mas gosto é gosto!)
O som que a cigarra emite era interpretado como sinal de mudança no tempo e de temperatura.
A cigarra ficou famosa na fábula “A cigarra e a Formiga”, atribuída a Esopo e recontada por Jean de La Fontaine em francês. A história apresenta a cigarra cantando, que é seu dom natural, e a formiga trabalhando, que é também o seu dom natural. Enquanto as formigas pensam no futuro, as cigarras cantam alegremente. Nisso o dial mal chega, são os dias chuvosos, dias de inverno, dias de escassez.
A moral da fábula deixa evidente que sempre devemos pensar no amanhã, pois enquanto as formigas estão abrigadas, quentinhas, aconchegantes e têm o que comer, as cigarras, que só viviam cantando, despreocupadas, não têm e pedem ajuda, o que é negado, pois são consideradas pelas formigas como preguiçosas.
Então, devemos buscar o meio termo. Trabalhar sim, mas procurar se distrair também.
Precisamos de trabalho, mas precisamos de uma boa música também!

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
SONO E ESPERA
O sono cedeu lugar à esperança.
Na quietude da espera, ela acompanha o amanhecer.
A cada instante, o coração bate mais forte.
Então, o sol desponta, a manhã floresce,
e a esperança encontra um coração sereno, na certeza de que o melhor há de acontecer.

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
MEUS PASSOS
Meus passos,
Meus pés descalços,
Os percalços da vida,
As dores da decepção, as feridas.
Tudo faz parte da caminhada,
Para encontrar a pessoa amada,
Sejam longas distancias,
Certezas, barreiras e inconstâncias...
Ah! Meu doce encanto,
Quantas vezes, eu me peguei em pranto,
Com saudade de repousar minha cabeça em seus seios.
Receber o cafuné do desejo,
Muito mais que seu beijo,
E me perder no meio... Do seu amor, do seu desejo, de seu prazer...
A vida é assim,
Todos os dias de caminhada,
Com o sonho de encontrar a pessoa amada,
Em uma estrada sem fim...
Com meus passos acelerados,
Corações armados,
De desejos e pecados,
Numa tarde de prazer, apenas eu e você...
Peço a Deus para interceder,
Cruzar nossas caminhadas,
Para poder te fazer a mais amada... Do universo.
Palavras podem ser meu contra-verso,
Como meus lábios, os seus caminhos,
De amores e carinhos... Sem fim, simples assim.

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
CADÊ A CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA E AMBIENTAL?
Ainda é muito comum encontrar pessoas colocando fogo em monturos, pneus, folhas secas, lixo e até mesmo em resíduos dentro do próprio quintal. Talvez, para quem pratica esse ato, seja apenas uma maneira rápida de se livrar do que considera indesejado e inútil. Porém, para quem está ao redor, as consequências podem ser muito maiores e altamente prejudiciais.
A fumaça invade as casas, contamina o ar e torna a respiração difícil, sufoca. Crianças, idosos e pessoas que sofrem com rinite, sinusite e outras sensibilidades respiratórias podem ser especialmente prejudicados. O que para alguns parece apenas uma “fumacinha” pode representar horas de desconforto para outras pessoas.
Que consciência ambiental é essa que ignora o direito do outro de respirar um ar mais puro?
Preservar o meio ambiente não significa apenas cuidar das florestas, dos riachos, rios, mares e dos animais. Significa também cuidar do lugar onde vivemos e amamos.
Antes de colocar fogo no lixo, no quintal ou em um monte de resíduos, é preciso pensar: para onde vai essa fumaça? Quem será obrigado a respirá-la? Quem poderá sofrer as consequências desse ato? Como poderia fazer diferente?
Consciência ambiental também é consciência humana. É compreender que nossas atitudes não terminam no limite da nossa casa. Elas alcançam o vizinho, a rua, a comunidade e, consequentemente, o meio ambiente.
Falta consciência, responsabilidade e respeito. Afinal, o ar que respiramos é um direito de todos.

AUTOR Eduardo Grabovski
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
MÁSCARA EMOCIONAL SEM PICADEIRO
Este final de semana, ouvi muitas coisas diversas sobre diversos assuntos que me fizeram pensar sobre situações caóticas, inesperadas e preocupantes.
Em um dia, ouvi alguém falar sobre a calamidade causada pelas tempestades no Rio Grande do Sul. Alguém disse: 'foram plantados muitos ventos lá', mas será que esta pessoa pensou em algum momento nas famílias desamparadas ou em quem perdeu um familiar?
Eu entendo e não quero ser sensacionalista sobre o comentário, mas refletir além do comportamento, os tempos de hoje pedem uma piada ou gracinha como forma de aliviar o ambiente, sabe, trocar uma dor por uma dor maior, tentar usar a alegria como forma de alívio para a tensão, sai automático.
Na escola temos meninos zombando de outros por não terem características tais como biótipo masculino comum em relação aos outros, e sim banalizando um gordinho, um magrinho, um menino aos nossos olhos feio ou esquisito, tamanhos físicos diferentes, ser grandão para uma parte do corpo é como ser mais masculino, daí a mente infantil e comparativa, isola o outro utilizando-o para zombaria coletiva, a fim de esconder uma característica que o outro não tem. Isso não acontece somente no universo masculino, mas também no feminino. Como vivi o masculino, é mais fácil para mim falar agora, focando neste gênero, pois hoje em dia a divergência de gêneros causa espanto e entrou para o rol das esquisitices a serem pautadas pela mente pequena.
Ser jovem e estranho era difícil na minha época, quem dera hoje, onde até a maneira de falar, se não seguir os padrões universais da internet, tem taxação de zombaria.
Uma pessoa egocêntrica, fria e de comportamento covarde se apresenta como alguém afetuoso, popular e que todos apreciam e desejam o bem. No entanto, nem todos escutam isso, e muitas vezes até concordam. No entanto, ninguém tem a coragem de expressar isso diretamente para a pessoa, com receio de represálias, prejuízos ou até mesmo por não saber como estabelecer um diálogo ou trazer tranquilidade para ela. Incrível, numa época de tanto auxílio psicológico e psiquiátrico, ainda existir dificuldade em auxiliar ou instruir uma pessoa a buscar ajuda, principalmente se você lhe disser a frase contraditória, de que ela pode estar triste, mas ela é uma pessoa sempre feliz.
O fascinante é refletir sobre isso sem julgar o indivíduo por tal observação, mas sim reconhecer a profundidade de detalhes que essa pessoa contém em uma breve afirmação, especialmente ao considerar que o caráter e os valores genuínos de um ser humano honesto e justo constituem uma personalidade que não se altera em períodos de alegria ou tristeza. Com efeito, uma pessoa pode estar contente e, ainda assim, condenar injustamente outrem; da mesma maneira, alguém pode se encontrar em um estado de tristeza, mas manter avaliações acertadas sobre outra. Assim, afirmo que os valores transcendem as manifestações e desabafos temporários.
Na combinação de exemplos, observe que ser homem não implica em exibir um corpo ou masculinidade mais evidente do que o de outros. Se você possui atitude e coragem para assumir suas responsabilidades, você é muito mais homem do que um modelo de força física comparável ao de um Deus Apolo.
Para se manifestar os melhores conselhos e exemplos, às vezes é importante para o cérebro não querer sempre expor uma opinião. Se só quisermos fazer volume, sempre acabaremos caindo na armadilha de tentar amenizar o ambiente com uma brincadeirinha ou uma piada. É como se alguém sempre tivesse a necessidade de colocar uma opinião para parecer solidário e se afogasse no mar das tentativas de ser relevante, isso é carência, não vivência.
Tenho por mim que não traz nada construtivo, mesmo nestas análises, explorar somente a profundidade das características, mas atentar para a necessidade inconsciente que cada um tem de se livrar não com traumas, mas sim com certas pequenas mazelas interiores que sempre assombram quem somente tem o desejo de acertar.
Pode errar tentando acertar, mas quem dera também acabemos acertando errando, acho que é ciclo e fase da vida para desenvolvimento cognitivo também, senão começaremos a caçar serial killers o tempo todo.
No fundo, a necessidade de sempre opinar pode se transformar numa espécie de pílula que ameniza o auto-pertencimento, e é agravada pela prática constante, pois acaba viciando a pessoa em desabafar e assim se torna uma espécie de doença mental que faz qualquer um querer tirar sarro da desgraça alheia sem emoção própria, no fundo acaba fazendo com que a pessoa queira ser o amenizador, e não passe de ser um satírico sem propósito.
Então, não é interessante somente apontar para pessoas com tais características, pois eu, nós mesmos podemos em algum momento ter feito uma piada inoportuna e talvez nem tenhamos lembrança de ter a feito nem de quem afetamos, afinal, quando apontamos um dedo para alguém, quatro se voltam para nós.
É importante manter o caráter firme e não permitir que o valor do estado de espírito supere a espontaneidade de ser e se posicionar no momento exato. Sei que é difícil, não somos máquinas para saber a hora certa de tudo, mas se temos um estado de espírito sempre feliz, deixemos ele dar espaço ao bom senso interior antes de falarmos, ou fiquemos calados, para acariciar o momento de alguém com um olhar sincero e talvez um piscar de olhos seja suficiente para no fundo não utilizarmos a máscara de alegria do palhaço, que em alguns casos, traz alegria no rosto e marcas profundas de tristeza no coração.
Que eu e todos nós busquemos alegrias no coração como valor maior do que uma parte do corpo ou que nos julguemos menos por nossos bens ou conta bancária.
Afinal, um desabafo sincero alivia a dor de um coração ou será que as pessoas não têm muita convivência com pessoas não normais?
Universo do Tio Dudú

AUTOR Arléte Creazzo
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
DIREITA OU ESQUERDA?
Estamos caminhando para mais uma eleição presidencial. E que comecem as brigas...
Mas será que essas brigas seriam necessárias se cada cidadão percebesse que a união faz mais diferença para um país do que a imposição de opiniões?
Se você se diz de direita, parece que jamais poderá admitir que alguma ideia da esquerda seja boa. E se for de esquerda, tudo o que a direita fizer será visto como uma tentativa de oprimir.
Por que não unimos forças?
Quando nos colocamos lado a lado com outras pessoas, automaticamente nossa mão esquerda fica ao lado da mão direita de quem está ao nosso lado, e vice-versa.
Ao olharmos para a mesma direção, passamos a enxergar o que temos pela frente.
Poderíamos aprender com nossas mãos. Elas são diferentes, estão separadas, mas trilham o mesmo caminho. Não há como cada uma tomar uma direção diferente quando precisamos utilizá-las juntas.
Quando precisamos carregar um objeto grande e pesado, é necessário usarmos as duas mãos, para que o peso e a dificuldade diminuam.
É impressionante como o ser humano conseguiu transformar uma opinião diferente em uma ofensa pessoal.
Antigamente, quando alguém dizia pensar diferente, a conversa continuava. Podíamos discordar, argumentar e até mudar de opinião. Hoje as pessoas se olham com raiva por não terem o mesmo ponto de vista. E pior, muitas vezes quebram amizades antigas ou até mesmo relações familiares.
Tudo bem encontrarmos opiniões diferentes das nossas. Isso faz com que possamos analisar diversos lados de um mesmo assunto.
Imagine se nossas mãos resolvessem entrar em discussão e, quando precisássemos utilizar as duas, uma delas simplesmente se negasse a colaborar.
A falta de união entre direita e esquerda faz com que o país enfraqueça, e que o povo não consiga “carregá-lo” de forma equilibrada.
É preciso unir forças, não separá-las.
Nem nossas mãos são totalmente semelhantes. Elas também têm suas diferenças, suas características próprias e cada qual com sua função. Mas caminham sempre na mesma direção e, quando precisamos, trabalham juntas.
Precisamos lembrar que, antes de esquerda ou de direita, somos Brasil.
Podemos pensar diferente. Podemos discordar. Podemos defender ideias opostas. O que não podemos é transformar essas diferenças em muros.
Afinal, embora diferentes, precisamos das duas mãos para bater palmas. E para isso, é necessário que estejam em sintonia no movimento.






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