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BECO DOS POETAS Nº 154 — 13/08/2026

Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


Imagem do caderno Beco dos Poetas
Imagem criada com Chatgpt

AUTOR Luiz Primati


LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.

O QUE FICOU POR DIZER NO VELÓRIO


Visitei minha mãe num domingo, com pressa. Ela tinha câncer no cérebro havia um tempo, e eu tinha aprendido, sem perceber que estava aprendendo, a tratar aquilo como uma doença de longo prazo — dessas que a gente visita, comenta, se preocupa, mas segue vivendo a própria vida em paralelo, porque tem reunião segunda, tem entrega terça, tem sempre alguma coisa. Fiquei pouco tempo. Dei um beijo, disse que voltava logo, e voltei mesmo para minha rotina, achando, sem nunca ter formulado isso em palavras, que ainda tinha tempo.


Na terça, ela morreu.


A pressa que tive no domingo — aquela pressa boba, de duas horas roubadas de um compromisso qualquer — virou, na terça, durante o velório, um peso que não saía. Fiquei ali, olhando o caixão, pensando em tudo que eu não tinha dito porque achei que teria outro domingo. Não foi uma coisa só. Foram várias, pequenas, do tipo que a gente adia achando que pode dizer amanhã: um "obrigado" mais demorado, um perdão por alguma bobagem antiga, só ficar sentado do lado dela sem pressa nenhuma, vendo a novela que ela gostava, sem checar o relógio.


Jurei, ali no velório, que não faria aquilo de novo com meu pai.


Fiz de novo.


Ele morreu de repente — nada de doença anunciada, nada de tempo para se preparar, nada de domingo de despedida possível. Um dia estava lá, no dia seguinte não estava. E, mesmo tendo aprendido com minha mãe, mesmo tendo jurado, eu continuava visitando meu pai com pressa. A promessa que fiz no velório dela não sobreviveu ao primeiro mês de rotina normal. Voltei a ser o filho que passa, dá um abraço rápido, olha o relógio, sai. Achei, de novo, sem nunca formular isso em palavras, que ainda tinha tempo.


Não tinha.


E lá estava eu outra vez, agora no velório dele, com outra lista de coisas não ditas — parecida com a primeira, só que com nome diferente, e o mesmo peso exato.


Fico pensando: por que a gente faz isso duas vezes seguidas, sabendo? Não é burrice. Acho que é uma espécie de fé equivocada, meio religiosa, meio biológica — a gente vive como se fosse imortal, e vive como se os outros também fossem, mesmo tendo visto de perto que não são. O corpo sabe da morte. O compromisso, não. E o compromisso, na maioria dos dias, é quem manda na rotina.


O seu Arlindo, aquele vizinho de um prédio em que morei, também morreu assim, de um jeito que ninguém notou a tempo — o síndico descobriu por causa de uma assinatura, não por saudade. Meu sogro se foi de um jeito que também não deu tempo de nada. Minha sogra, a mesma coisa. Cada um com sua última frase engolida, guardada para um depois que não veio.


Queria saber se é assim com todo mundo, ou só comigo. Será que existe gente que visita os pais sem pressa, que não guarda nada para depois, que diz cada coisa no momento exato em que precisa ser dita? Ou será que essa é só mais uma mentira bonita que a gente conta para si mesmo, tipo "viva cada dia como se fosse o último" — frase que todo mundo repete e ninguém, nem eu, consegue de fato viver?


Não sei responder. Só sei que agora, quando visito alguém que amo, tento ficar mais um pouco. Às vezes consigo. Às vezes, o compromisso vence de novo, e eu saio olhando o relógio, prometendo voltar com tempo — e só espero, com um misto de culpa e súplica, que dessa vez o "tempo" ainda exista.


AUTOR Stella Gaspar


STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.

DENTRO DE UM SONHO


Olho a paz e te vejo.

Olho as flores e teu perfume,

se confunde com o vento,

penetrando nos meus poros,

que se agasalham com a tua chegada.


Em sonhos renascem as faíscas da nossa paixão.

Te amar é caminhar com asas nos pés,

pousando no quadro com moldura de desejos.


Em todos os sonhos,

o amor amante nos faz flutuar,

relaxando com o grande amor,

que sinto por ti.


AUTOR André Ferreira


ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.

CORAÇÃO EM CACOS


Meu coração está em cacos

E como um espelho quebrado,

O meu amor virou desilusão

E aquilo que me fez sonhar um dia

Agora é dor e luto para sobreviver

E juntar os cacos dessa ferida aberta

Em minha alma, que está dilacerada

Com os fragmentos de vidros cortantes

E dolorosos que estão me fazendo sangrar.


E essa amargura é um peso que me

Impede de voar, um fardo difícil de

Carregar e que eu não sei como largar,

Vejo uma luz que brilha a me chamar E sinto uma chama que arde dentro de mim

E que ainda tem esperança e persiste,

E com essa coragem que me resta, Preciso seguir em frente.


Mas antes preciso juntar os pedaços

E tentar novamente viver um novo amor

E talvez um dia eu possa encontrar forças

Para reconstruir aquilo que foi quebrado

E o meu coração possa ser novamente

Inteiro e que isso me leve para

Um novo recomeço.


AUTOR Célia Nunes


Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.

CENSURA


Época dos diários femininos

Praticamente um segredo

Uma autocensura

Um não falar delas mesmas para os outros

 Falando delas somente para elas!

Daí vinha o escrever

Escrever para não enlouquecer

Escrever para desabafar

Escrever para se esvaziar

Do que não se podia falar.

Tudo era proibido

Não se podia sentir prazer

Sexo somente para procriar.

Não podia se expor

Não podia falar de amor.


Agora as mulheres

Têm vez e voz

Sobressaem além do seu papel de filha, esposa ou mãe

Elas não precisam de ninguém para falar por elas

 Não precisam de pseudônimo masculino

Não precisam esconder o seu lado feminino

Atrás de cortinas

Atrás das janelas

No fundo dos camarotes!

Agora lutam por seus direitos

Sem serem esquecidas

Lutando por suas conquistas

Sem sofrer caladas!


AUTOR Wagner Planas


WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.

O AMOR É A RESPIRAÇÃO MAIS PROFUNDA DA MINHA ALMA


Ah, o amor,

Respira e bate,

Move minha alma,

Move meu ser.


Eu respiro amor,

Eu exalo a paixão,

Minha alma,

Meu coração,

Ama a Deus

Ama a você.


Minha vida,

Dia após dia,

É buscar sua companhia,

Seu amor,

Minha vida.


O Amor,

A mais profunda respiração,

Que toca fundo em minha alma,

Guiando-me,

Na conquista de seu coração 


Você é minha mulher,

Meu sonho,

As loucuras repentinas,

Os namoros vespertinos,

Até uma noite,

Revirando no colchão.


E,

Com Deus no guiando,

Como nossos corações,

Cada vez mais apaixonados,

Estaremos lado a lado,

Em busca da paz e amor eterno,

Em nossa vida.


AUTOR Ilze Matos


ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.

O SORRISO


Um olhar que sorri para a vida

e um sorriso que espalha amor.


O sorriso dos olhos que encantam…


O sorriso do riso que revela uma alegria espontânea, cheia de graça.


Ah! Como é bom receber um sorriso pela manhã…


Melhor ainda é oferecer um, cheio de felicidade, ao amanhecer, depois de um sonho que parece tão real.









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