REFLEXÕES Nº 213 — 24/05/2026
- Luiz Primati
- há 10 horas
- 20 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
A SOLIDÃO CONECTADA
Já abordei esse assunto antes. E vou abordar de novo. Porque as pessoas parecem não estar ouvindo — ou talvez estejam ouvindo demais o barulho das notificações para escutar o que realmente importa.
Vivemos numa era em que nunca estivemos tão conectados. E nunca estivemos tão sozinhos.
Não é apenas uma impressão. As redes sociais manipulam nossos circuitos de dopamina com notificações, vídeos curtos e o feed infinito. Cada toque na tela funciona como uma pequena dose de prazer — mas passageira. O cérebro entende aquilo como recompensa. Quer mais. E nós entregamos mais. Curtidas, notificações, polêmicas instantâneas — cada estímulo isolado parece inofensivo, mas o conjunto cria um padrão de dependência. É o mesmo princípio das máquinas caça-níqueis de um cassino: você nunca sabe quando vem a próxima recompensa, então continua rolando. Sempre rolando.
Após os picos de dopamina, o cérebro passa por uma queda — uma sensação de vazio, de tédio — o que motiva o usuário a retornar rapidamente às redes para aliviar esse desconforto. É uma armadilha engenhosa. E o pior: foi construída de propósito. O modelo de negócio dessas empresas é gerar vício.
Então a solidão não chega como ausência. Ela chega disfarçada de presença. Você está ali, com o telefone na mão, rodeado de rostos digitais — e se sente vazio por dentro.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han já apontava isso com precisão desconcertante. Para ele, a busca por visibilidade e exposição constante gera uma forma de vigilância que compromete a intimidade e a privacidade dos indivíduos — e a autenticidade das relações é sacrificada em nome da aceitação, resultando numa sociedade onde a verdade e a intimidade se tornam cada vez mais escassas. Estamos todos expostos. E, paradoxalmente, cada vez mais ocultos.
Zygmunt Bauman, por sua vez, descreveu isso com outra metáfora igualmente precisa. As redes sociais permitem que as pessoas se conectem instantaneamente, mas essas conexões são frequentemente caracterizadas pela brevidade e pela falta de engajamento emocional. As relações humanas tornam-se cada vez mais frágeis, marcadas por uma sensação de desconexão e solidão, mesmo em meio a uma aparente hiperconexão. Vínculos frágeis como um like. Afetos com prazo de validade.
E como sair disso?
Honestamente? É difícil. As redes sociais configuram-se como espaços de estímulo contínuo que afastam as pessoas do próprio silêncio e trazem uma sensação momentânea de preenchimento do vazio existencial. Quem está sozinho, quem se sente abandonado, encontra ali um anestésico acessível, disponível a qualquer hora, que não cobra nada — exceto a sua atenção. E a sua paz.
A única saída real, dizem alguns, é não entrar. Mas dizer isso para quem está sozinho às duas da manhã, sem ninguém para ligar, sem lugar para ir — soa como crueldade. Como dizer a um faminto para não pensar em comida.
O problema não é a tecnologia em si. O problema é o que fazemos com ela quando estamos com dor. Usamos o digital como ponte. E ele virou parede.
Talvez a pergunta que devêssemos fazer não seja como sair das redes sociais — mas por que entramos nelas com tanta fome. O que estamos procurando em feeds infinitos que não conseguimos encontrar nos olhos de quem está ao nosso lado?

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
CADA DIA REPRESENTA UMA NOVA OPORTUNIDADE
Cada dia representa uma nova oportunidade...
“Todo dia é dia de uma nova chance...” nos leva a ponderar sobre a beleza de recomeçar e de contemplar a vida com uma nova perspectiva. Não importa o que aconteceu, sempre há tempo para recomeçar e ajustar caminhos e sonhos, encontros e conquistas.
Ter confiança, ter fé, ter valor, é ter a plena consciência de que, mesmo diante das incertezas e desafios, a vida nos abraça com novas visões que ressurgem a cada amanhecer, pois a luz que habita em nós persiste em brilhar, mesmo quando nos perdemos nos mais obscuros labirintos da existência.
O amor é, como sempre, uma espera serena que não nos deixa. Sejamos humildes como as flores do campo, que, em sua simplicidade e inocência, acolhem a luz, enfrentam os ventos e continuam a florescer.
Da mesma forma, nossa alma deve ser: aberta, tocada e disposta a perceber que é no amor, na espera e na humildade que descobre a força que precisa para recomeçar, esculpindo nossos destinos com a beleza que um novo dia nos proporciona, nos alimenta.
Que nunca nos falte a coragem necessária para acolher as novas chances que a vida nos oferece, pois recomeçar é um gesto de fé, esperança e amor-próprio. Quando nos damos conta disso, entendemos que cada novo dia que se inicia, não é apenas mais um dia que começa, mas uma pequena oportunidade de renascer em nós mesmos, com mais luz no coração, cheio de verdades e sentimentos.
O céu é como uma poesia, a lua funciona como uma vírgula, e uma estrela cadente é uma interrogação brilhante. Vamos curar antigas mágoas com novas energias e finalmente acolher uma nova estrela brilhante, repleta de vida e extremamente bem-vinda!

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
UM CLAMOR DIANTE DO ALTAR
É tempo de proteger as crianças!
É tempo de cuidar das crianças!
É tempo de ensinar as crianças!
É tempo de amar as crianças!
Um clamor acontece no altar!
E a audiência da TV sobe e traz,
Frente às câmeras, um pai arrasado
Um pai que por dentro está destroçado
E que, diante desse caos, está sendo abraçado
Pelo povo que está sofrendo, indignado.
E, diante desses atos de pura maldade
Que são cometidos diariamente contra
As nossas crianças que nos últimos anos,
Sem pudor nenhum, são aliciadas
Na beira das calçadas.
E, após isso, elas são vilipendiadas
E covardemente bolinadas,
Elas são brutalmente estupradas
E, após esse rito cruel, são ameaçadas
E obrigadas a ficarem caladas.
E totalmente encarceradas, elas continuam
Sofrendo com diversas formas de abusos
E assim têm a sua infância interrompida
E rapidamente roubada, e isso vem
Deixando a sociedade perplexa.
E o pior é que, na maioria das vezes
Esses abusos são praticados por alguém
Próximo ou conhecido que logo Acabou revelando a face cruel
E contumaz de um abusador.
Vivemos em uma sociedade onde, infelizmente,
A violência está presente em todas as camadas
E ao som da liberdade diante dos gideões uma
Mulher de muita coragem se posicionou
E o seu grito de indignação se levantou
Contra a pedofilia que há anos se alastrou
Por isso, ela colocou o dedo na ferida e apertou
Denunciando aquele que se calou.
E essa semana nós nos deparamos
Com o cárcere privado de uma criança
Que vivia acorrentada e que dia após
Dia era vilipendiada pelo pai com
A conivência da madrasta e da avó
Que agora negam as agressões.
O fato é que, infelizmente, a criança morreu,
Deixando a sociedade perplexa com aquilo
Que foi revelado pela polícia, afinal, a pelo
Menos um ano, ela estava privada da sua
Liberdade e da luz do dia, por isso que a
Vizinhança não a conhecia, até a
Polícia ficou aterrorizada com
A crueldade que aquela criança
Foi encontrada visivelmente
Em pele e osso, isso causou
Nos policiais, um grande desgosto.
Enfim, a sociedade apodreceu
E até nos meandros da igreja, infelizmente
Circulam falsos profetas, fariseus,
Espancadores de mulheres
E abusadores de crianças
E, diante disso, nós não
Podemos nos calar,
Nós devemos ter
Coragem e denunciar.

AUTOR Kenia Pauli
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
O PODER QUE MORA DENTRO DA GENTE
Às vezes fico pensando nesse poder que existe dentro da gente, sabe? Nessa energia mesmo, nessa força que a gente carrega e que muitas vezes a gente nem percebe que tem. Porque a verdade é que somos feitos de muita coisa. Somos feitos da nossa ancestralidade, das histórias que vieram antes da gente, das dores, das alegrias, dos silêncios, das lutas e também dos aprendizados que foram passando de geração em geração, mesmo quando ninguém falou nada diretamente.
E é engraçado, porque às vezes a gente acha que é tão diferente da nossa família, né? A gente fala: “Nossa, eu não sou assim”, “eu penso diferente”, “eu quero outro caminho”. E sim, talvez a gente realmente escolha caminhos diferentes. Mas, ao mesmo tempo, quando a gente para para olhar com carinho, a gente percebe que tem muita coisa parecida. Tem jeitos, tem forças, tem receios, tem até maneiras de amar e de sobreviver que vêm lá de trás, do nosso sistema familiar, daquilo que foi construído antes mesmo da gente existir.
Só que a vida também vai moldando a gente. A gente não é uma coisa pronta. Vamos nos transformando conforme o tempo vai passando, conforme as experiências vão chegando e, principalmente, conforme as pessoas vão caminhando conosco. Cada encontro muda um pouco quem nós somos. Cada conversa, cada dor, cada recomeço, cada lugar novo… tudo isso vai abrindo a nossa mente de um jeito diferente.
Moro na Inglaterra hoje, e isso me faz pensar muito sobre isso. Porque quando a gente vive fora, quando a gente conhece outras culturas, outras formas de viver, outras pessoas, inevitavelmente alguma coisa na gente se expande. E não é sobre ser melhor nem pior do que ninguém, jamais. Não é sobre quem ficou ou quem saiu. É só sobre entender que as experiências diferentes acabam trazendo outros olhares, talvez uma mente mais aberta para algumas coisas, assim como outras pessoas, vivendo outras realidades, também carregam aprendizados que a gente nem imagina.
No final das contas, eu acredito muito que existe um poder enorme dentro de cada um de nós. Uma força silenciosa, às vezes até adormecida, mas que está ali. Uma energia construída por tudo o que vivemos, por tudo o que herdamos e também por tudo aquilo que escolhemos transformar. Porque nós não somos só aquilo que recebemos da vida, nós também somos aquilo que decidimos fazer com tudo isso.
E talvez o mais bonito seja justamente isso: perceber que em nós existe muito mais potência do que medo, muito mais sabedoria do que dúvida, muito mais luz do que conseguimos enxergar nos dias difíceis. Às vezes, só falta a gente lembrar do próprio poder que já mora aqui dentro, sabe?

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
OLHAR DO MORRO
Hoje,
Voltei ao morro,
Para lá eu corro,
Quando sinto saudade.
Lá de cima olho o mar,
A vontade louca de te amar,
Toma todo meu corpo e minha alma,
Caio em lágrimas, perco a calma.
Mas te amar é minha vida,
Seja nesta vida ou em qualquer céu,
Sei que você não usará véu, mas usará meu ser
E se você perceber,
Estaremos ligados não pelo tesão dos corpos,
Mas o amor das almas gêmeas.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
A MUDANÇA
A menina, pequena ainda, era muito faladeira, conversava demais, falava demais sobre tudo e todos. Era muito alegre e risonha. As pessoas ficavam incomodadas e mandavam-na se calar. Após tantas reclamações, a menina torna-se retraída, se encosta pelas paredes, anda pelos cantos, começa a se calar.
Não entende os adultos e fica pensativa, falando com os seus botões. Começa a ficar estranha, passando as mãos pelas paredes, como se elas a entendessem. Passa a viver reclusa em seu quarto, a conversar com seus livros, no seu mundo imaginário. O tempo passa. Os adultos percebem a diferença, mas agora é tarde.
A mocinha é calada, não dá opinião em nada, fica sempre em cima do muro, nem lá, nem cá. Deixa os outros falarem! Isso não é mais para ela. Muitos anos se passaram, a moça casou, não teve filhos, não conversava com ninguém, não tinha autonomia dentro de sua casa, entrou em crise, o casamento acabou.
Agora mais velha, ainda não compreende esse mundo tão falante. Trabalha o dia inteiro, sempre de forma calada, é a melhor funcionária, parece comprovar o que está escrito “A linguagem é uma fonte de mal-entendidos” (O Pequeno Príncipe).
Vive sua vida da melhor forma possível. Reconstituiu sua vida conjugal, mas de uma forma diferente, cada um na sua. Vive calada, se dá bem com todos e todos a respeitam do jeito que ela é, calada, sempre! Só fala o absolutamente necessário. Sua filosofia é: “O calado vence”. E faz o sinal de V com os dois dedos na boca.
Aprendeu a viver assim e se acostumou a ser assim.

AUTOR Lucélia Santos
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
PRIMAVERAS
Há um tempo em que a vida deixa de florescer apenas por encanto e passa a florescer por entendimento.
As primaveras vão ficando para trás, e com elas também se vão muitas ilusões, excessos e dores carregadas em silêncio. A madureza chega devagar, trazendo marcas invisíveis no corpo e profundas lições na alma.
Após tantas tempestades, a mente cansada aprende que paz vale mais do que razão, que silêncio vale mais do que palavras vazias e que permanecer em lugares tranquilos é uma forma de amor-próprio.
O coração já não busca intensidade em tudo, passa a desejar apenas abrigo, sinceridade e descanso. As folhas secas representam tudo aquilo que um dia doeu, mas que agora repousa serenamente dentro de nós.
Não são esquecidas, porque cada cicatriz carrega um ensinamento. A maturidade nos ensina que sofrer não deve ser moradia eterna, mas apenas passagem.
E quando finalmente encontramos calma dentro de nós mesmos, percebemos que a verdadeira beleza da vida não está na juventude das primaveras, mas na sabedoria adquirida após cada estação vencida.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
NO CORAÇÃO DO SENTIR
Existe um sentimento que se sente no coração,
uma conexão inexplicável.
Às vezes, as pessoas pensam que isso não existe,
mas é um sentir que vem de dentro,
como uma experiência plena e interna.
Tentam fugir, mas não adianta.
Vão para Paris, para o mar, para as montanhas,
mas o pensamento só se intensifica.
Há horas em que, nos risos e nas diversões,
isso passa um pouco,
mas algo ainda fica ali,
sentado na poltrona do coração.
São as intensidades de um coração
que já não consegue fugir de si mesmo.
E, sem mais lugar para correr,
diante do mundo, o que resta fazer?

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
A PROFESSORA NO BANCO
Todo ano, a professora vai ao banco pegar a ficha financeira. Ela insiste em não usar o aplicativo.
Ao chegar, a rotina é sempre a mesma: precisa colocar todos os pertences de metal na caixinha pra passar pela porta com detector de metal. E aí começa o ritual.
Ela tira a chave da motinha, uma Biz vermelha.
Tira o terço de Nossa Senhora das Graças.
Tira a Medalha Milagrosa.
Tira o unhex, o grampo de cabelo e até um clipe perdido.
O segurança, já impaciente, observa que aquela bolsa não oferece risco.
Entende que, se esperar ela tirar tudo, vai acabar o expediente.
Suspira, balança a cabeça e libera a porta.
Porque ele sabe: naquela bolsa de professora, sempre cabe mais um milagre... e mais um pedaço de metal.
Você já passou por um situação parecida?
Tira quase tudo da bolsa e a porta insiste em lhe barrar?

AUTOR Gabriely Ramos
GABRIELY BRANDÃO RAMOS é uma voz multifacetada vinda de Itaguaí, Rio de Janeiro. Aos 31 anos, equilibra a precisão da sua formação técnica em mecânica com a fluidez da poesia e da produção cultural. Graduanda em Serviço Social e educadora social, utiliza a escrita como ferramenta de transformação e registro. Com uma trajetória marcada pela participação em diversas coletâneas — como Suspiros Poéticos, Eternamente Teu/Tua e Memórias de um Tempo Dourado —, foi organizadora da antologia Um Olhar Sobre Itaguaí e marcou presença na Bienal do Livro do Rio com a obra Se tem um dom, seja. Sua escrita é o ponto de encontro entre a sensibilidade poética e o olhar social.
O CULTIVO DO TEMPO
Muitas vezes, vivemos esperando pelo momento perfeito: a carreira ideal, o amor sem falhas, o dia em que teremos tempo para respirar. Olhamos para o futuro como se a felicidade fosse um destino final, uma linha de chegada que insiste em se mover para mais longe.
Mas a vida, em sua sabedoria silenciosa, acontece no agora.
Assim como as rosas não brotam já prontas e perfeitas, a nossa história é feita de fases. Há o tempo de plantar no escuro da terra, o tempo de criar raízes em silêncio, o tempo de lidar com os espinhos e, finalmente, o tempo de florescer.
Se pressupormos que a beleza está apenas no desabrochar, perderemos a magia do crescimento. A pressa nos impede de ver que cada cicatriz que carregamos é, na verdade, uma linha fina que desenha quem somos.
Que hoje possamos desacelerar o passo. Que possamos olhar para as nossas próprias pétalas — imperfeitas, vivas e em constante transformação — e perceber que o sentido da vida não é chegar a lugar nenhum, mas sim aprender a apreciar o perfume do caminho.

AUTOR Maximilian Santos
MAXIMILIAN SANTOS, natural de Feira de Santana, Bahia, é escritor, poeta e técnico em computação. Escreve desde os 17 anos, quando descobriu na palavra um refúgio e uma forma profunda de expressão. Coautor de cinco antologias poéticas, encontra na escrita não apenas arte, mas libertação, um espaço onde a alma se aquieta e o coração encontra voz.
REENCONTROS
Pensei que a vida era só uma.
Mas, com o passar dos tempos, percebo que não
Lembro de coisas que vivi
Lembro de momentos que não passei .
Agora, deitado, debruçado em minha cama, eu sinto,
Sinto que vivi e agora estou vivendo,
Vivendo um momento intenso, ardente, constante e abrasador.
Parece mentira, mas sim,
Sim, eu vivo, vivo este momento, lembranças de outra vida, que estão se repetindo.
Repetindo uma história
De loucura e paixão,
Deitado em seus braços
Vivendo essa emoção,
Onde o amor é verdadeiro e infinito.
Não é um sonho, é real e verdadeiro, amor louco sem mentiras, e com brasas que não se apagam.
Amor além da vida, ele existe e eu sinto, se não fossem as lembranças, de nada adianta,
Nem a morte foi capaz de apagar um amor forte, real e voraz, que nem o tempo apaga.
Viveria essa vida, quantas vezes fosse necessário,
Porque amor verdadeiro nunca será apagado, onde a morte seria o fim, agora ela é a porta que se abre novamente para o reencontro.

AUTOR Simone Gonçalves
SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
REFLEXÕES DA BONDADE
Eu te desejo
A chuva mansa no final do dia
Com a chegada de uma noite estrelada
Eu te desejo
Flores coloridas banhadas pelas abelhas
Para florir e perfumar sua árdua caminhada
Eu te desejo
A sombra de uma macieira
Para recolher com calma tão desejada fruta
Eu te desejo
O brilho no olhar de esperança
O sorriso para realçar tal felicidade
Aquela rede na varanda para teus sonhos embalar
Os anjos a cuidarem de você
E dos seus...
Te desejo paz e amor
Vida em abundância
O abraço cheio de humano calor
O doce sabor da alegria
Desejas o mesmo para mim?

AUTOR Zélia Oliveira
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
NO TEMPO CERTO
Às vezes, nos apressamos,
Imaginamos, planejamos,
Queremos que as coisas aconteçam
Como idealizamos.
Quando ocorre o contrário, nos frustramos,
O fardo que carregamos se torna mais pesado,
E o coração fica sobrecarregado.
Logo achamos que não temos forças
Para velejar nas ondas da vida.
Julgamento errado...
Somos falhos.
Deus sabe todas as coisas;
No momento certo, virá em nosso auxílio.
Ele jamais abandona um coração aflito.
Jeová é perfeito,
Age no tempo certo,
Vê muito além dos nossos olhos,
Examina e compreende o coração,
Mostra a direção.
Em nossa humana miopia
Limitados pela imperfeição,
Não conseguimos enxergar além,
Fraquejamos na compreensão.
Pois Ele estende a mão
A quem Nele se refugia.
Que sejamos resilientes,
Que nunca nos falte o combustível da fé
Para manter a alma fortalecida,
Navegando nas ondas da vida.

AUTOR Eduardo Grabovski
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
SUFIXO EM MORFOSO TEOR, SEM DOR
Sufixo é uma maneira importante de adicionar letras ou grupos de letras no final das palavras. Isso acontece depois do radical. O sufixo muda a função da palavra e dá um novo significado a ela. Assim, ele ajuda a criar novas palavras ou muda o sentido de palavras que já existem.
Apesar de não ser um expert em gramática, apreciei bastante ver os exemplos de uso de sufixos, já que eles podem indicar movimentos, aumento ou redução, profissões ou estados.
Palavras como: os gatos, carro, beleza, palidez, padeiro, jornalista, educador... são exemplos disso.
Sufixos: eiro, ista, dor... aí vem uma analogia interessante, penso na dor de muitas pessoas no hoje em dia que descobrem doenças, perdem o emprego, perdem um relacionamento, perdem alguém da família e até mesmo a paciência e a sensatez no dia a dia, seja por qualquer motivo que for, os sufixos estão sempre nos lembrando que algo mudou na forma de uma mudança brusca e repentina, muitas vezes indesejadas.
A dor de um sufixo é de uma amplitude sem nenhuma formosura, pois sempre traz para quem é submetido pela dor deste sufixo a incerteza de estado, qualidade e sempre perambula em torno de aumentativas e diminutivas formas de raciocínio, pois quem é acometido de dor perde o senso de lógica.
Imagine a dor de receber o laudo médico de que você está acometido de uma doença grave, mas ainda não tem confirmação de todas a s nuances do problema, simplesmente por não ser sua profissão, você não é médico, mas ao contrário de antigamente, hoje na internet além de podermos ler os resultados dos exames , antes dos médicos, temos a curiosidade de sufixo aumentativo de pesquisar e por assim já nos diagnosticar, antes mesmo de um médico analisar os resultados, e o pior, você já percebeu que através do sufixo de teor diminutivo, quando o resultado do exame está com valores abaixo do esperado, já entramos no estado de desespero desesperado, mesmo, e logo estamos nos medicando, calculando possibilidades e até mesmo encontrando terapias alternativas, tudo numa ilusão desconhecida de possibilidades mal interpretadas.
Antes, só abríamos o resultado de exames na presença do médico, mas com o tempo, a gente burlava o lacre e chegava meio que preparado para o resultado não o resultado inesperado, mas aquela sensação de paz por ver que tudo estava dentro do esperado, em contrapartida ficávamos desesperados quando algo estava fora demais dos resultados esperados.
Mas com paciência e calma, é possível estar fora dos padrões de sufixos que mudam nosso humor e nos trazem a dor em sufixo acentuado na pele. Podemos mudar os sufixos de agitador, temor e buscar outras formas de aceitação e paciência, pois se o profissional correto analisar os resultados de um exame, poderemos nos surpreender pela nossa falta de aptidão em encontrar saídas onde somente quem tem um olhar apurado e estudou para isso saberá nos guiar.
Enfim, um sufixo de dor pode facilmente ser trocado por um sufixo de felicidade, e olha que através do morfema poderemos trazer maravilhosas sensações de paz, alegria e humor para resoluções de quaisquer conflitos.
No fundo, lembro da série de TV: Power Rangers e acho que a maneira mais bem-humorada de lidar com reveses é se inspirar no brado dos personagens que, para mudar de forma e se tornarem heróis com capacidade de enfrentar os ataques extraterrestres à Terra, e assim adquirir poderes especiais e habilidades não humanas necessárias para os enfrentamentos, era desferido assim:
“É hora de morfar!”
Que tal então o morfema a seu favor e passar a transformar a dor em pura felicidade, beleza, frescor, formosura e sensatez? Se não criarmos novas palavras, poderemos dar novos sentidos a elas e sim, não mofar nossa força de vontade.
Universo do Tio Dudú






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