REFLEXÕES Nº 204 — 22/03/2026
- Luiz Primati
- há 3 dias
- 23 min de leitura


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março, lançou seu livro de prosas poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em 2025.
CORAÇÃO ACORRENTADO
Estava revendo fotos antigas de viagens quando me deparei com aquelas imagens do Parque Güell. Barcelona. Aquele dia de Ano Novo quando acordei com ressaca moral por perder a meia-noite em um Uber. Lembrei do verde exuberante, das curvas e mosaicos coloridos de Gaudí, daquele terraço sinuoso coberto de azulejos. E lembrei também daquele mural na entrada, completamente coberto de cadeados. Centenas deles. Milhares, talvez. Cada um uma promessa, cada um um símbolo de amor eterno.
Continuei folheando as fotos e, sem querer, encontrei imagens da Ponte dos Cadeados em Paris. A mesma coisa. O mesmo ritual. O mesmo cobre brilhante prisioneiro de correntes e fechaduras. E foi aí que algo clicou em mim — aquela sensação incômoda de estar diante de algo que parecia romântico demais, perfeito demais, fabricado demais.
Pensei: quem lucra com isso? Quem realmente se beneficia dessa tradição que se espalhou por cidades inteiras como um vírus comercial? E a resposta veio clara como água: os fabricantes de cadeados. Aqueles que tinham estoque parado, aqueles que precisavam vender mais metal. Alguém, em algum momento, percebeu uma oportunidade brilhante — literalmente brilhante — e criou uma narrativa. Uma história tão bonita, tão sedutora, que as pessoas pagam para participar dela. Pagam pelo cadeado, pagam para gravar nomes, pagam para tirar fotos. A indústria do romance é lucrativa. Muito lucrativa.
Mas o que realmente me incomodou não foi o cinismo comercial. Foi a contradição filosófica que aqueles cadeados representam. Quando você coloca um cadeado, você está dizendo algo muito específico: preciso prender isso para não escapar. Você está admitindo, silenciosamente, que tem medo. Medo de que a liberdade seja uma ameaça. Medo de que, se soltar, a pessoa saia correndo. E se você precisa prender o amor, se você precisa congelá-lo em cobre e oxidação, então aquilo que você está prendendo já não é amor. É insegurança. É possessão. É a negação da própria essência do que você diz estar celebrando.
Amor verdadeiro não teme a liberdade. Ele prospera nela. Ele escolhe estar junto todos os dias, não porque está preso, mas porque decide estar. Essa é a diferença entre uma corrente e uma escolha. E quanto mais penso naqueles cadeados sob a chuva de Paris, sob o sol de Barcelona, mais vejo a metáfora perfeita: cobre que se oxida, que perde seu brilho e se cobre de pátina verde — é exatamente o que acontece quando algo que deveria estar vivo é congelado no tempo, imobilizado, sufocado pelo peso da possessão. O metal que era promessa se torna apenas resíduo de uma intenção que não resistiu ao tempo.
A tradição nos prende de forma ainda mais insidiosa porque nos convence de que estamos sendo livres. Você vai até lá, vê milhares de pessoas fazendo a mesma coisa, sente a pressão invisível de adicionar seu cadeado também. Não porque realmente acredita que isso vai preservar seu amor — no fundo, você sabe que não vai — mas porque todos estão fazendo. Porque parece romântico. Porque não quer parecer cínico ou desapegado. Porque teme ser julgado como alguém que "não acredita em amor". A tradição nos prende através da vergonha.
E aqui está o ponto que não consigo deixar de lado: se você realmente escolhesse livremente, se realmente acreditasse que seu amor era forte o suficiente, você precisaria de um símbolo? Você precisaria de testemunhas? Precisaria congelar um momento em cobre para convencer a si mesmo e aos outros de que aquilo é real?
Talvez a verdadeira revolução seja recusar o cadeado. Não por cinismo, mas por confiança. Pela coragem de dizer: meu amor não precisa de correntes porque é livre. E porque é livre, escolhe ficar.
Então deixo a pergunta para você, leitor: quantos cadeados você carrega que não são seus?

AUTORA STELLA GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
OUTONO É POESIA
O outono no Brasil, que ocorre entre março e junho, é caracterizado por um clima de transição que traz tons dourados, passando do verde vibrante para amarelo, laranja e vermelho, como se cada folha guardasse um pedaço do pôr do sol. É uma estação de clima ameno e atmosfera propícia ao romantismo, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Diferente do outono europeu, a estação brasileira combina folhas secas com a persistência do verde tropical, criando cenários únicos.
É um privilégio ter um outono para admirar e sentir: as notas cítricas das frutas e o calor das cores acobreadas. Cada dia traz um horizonte à espera e uma folha ao vento — umas lentas, outras parecendo ter pressa, e outras ainda com a leveza de simplesmente ir. Sentimos vontade de guardá-las na nossa coleção de memórias.
O outono é poesia transbordando na pele, nos poros e na imaginação. Uma estação romântica, bela, intensa e confortável. Uma estação que sempre chega com um silêncio cheio de significados.
O mundo outonal muda de cor, apresenta um dourado que não é vaidoso; o silêncio é paz, e não ausência. O outono é a estação das transições suaves, dos recomeços que começam por dentro, da beleza que existe no desprendimento.
E talvez seja por isso que, quando ele chega, a gente também aprende a cair melhor, a florescer de novo, a ser mais verdadeiro com o que sente.
Mergulhar na poética do outono nos enche de entregas e liberdades, como pontos de compreensão.
É uma estação de transição, mas não de pressa. O outono acontece no ritmo da natureza — um convite silencioso para observar, sentir e perceber que até o ato de mudar pode ser belo.
Um pequeno poema para finalizar
Outono...
Uma emoção.
Que invade dia e noite.
Essa alma sonhadora.
Que espera o teu abrigo colorido.
Outono belo.
Tempo de repouso.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
SEM ANISTIA
O pecado está comendo solto na era da
Promiscuidade, da luxúria e da ostentação,
Vivemos em um mundo que está cultuando
Bebedices, fornicação, prostituição e traição
Que, aliás, está na moda e, infelizmente,
Uma pequena parcela do povo Cristão
Está vivendo dentro de um falso evangelho.
Essa é a era dos falsos profetas que
Estão ministrando para multidões
O evangelho da prosperidade,
Onde só eles engordam as
Suas contas bancárias,
Raça de víboras que
Se alimentam de um povo
Alienado e desprovido
De conhecimento bíblico.
Vivemos a era dos espertalhões, a era dos
Camelôs da fé, dos pregadores remunerados
Que estão fazendo do evangelho um balcão
De negócios com shows caríssimos onde
A prioridade é ter visibilidade, ao invés
De alcançar os corações e as almas,
Um evangelho frio que prega a
Riqueza, mas faz pouca caridade.
Enfim, esses falsos profetas estão anistiando
Os pecadores e os blasfemadores e com isso,
Estão normalizando de tudo no altar,
E vivem uma vida dupla, ignorando
A eternidade e o fim que está
Próximo, afinal eles ainda
Não se deram conta de que
No dia do juízo final,
Diante do nosso Rei Jesus,
Todos serão desmascarados,
Contudo, eles não se importam
E continuam distribuindo
Anistia para todo mundo.

AUTORA KENIA PAULI
Olá, eu sou a KENIA MARIA PAULI. Nasci em Colatina ES, mas já venho desbravando o mundo por duas décadas. Hoje, nesse atual momento moro na Inglaterra. E trabalho de forma que facilito e auxilio a conscientização nos sistemas. Sistemas esses, em que nós, de alguma forma nos relacionamos, quer seja de forma ativa ou passiva. Sou Conscientizadora Sistêmica. Escritora há dois anos com três co-autorias: "LEGADO - O VALOR DE UMA VIDA vol 3", "SEMENTES DE PAZ", "O PODER DA VOZ FEMININA NA LITERATURA". No final de 2024 lancei meu primeiro livro "INESQUECÍVEIS SÃO AS MARCAS QUE CARREGO EM MIM", pela editora Valleti Books; em março de 2025, mais dois lançamentos: "CRÔNICAS PARA MELHOR VIVER" e "CUIDANDO DE SI PARA CUIDAR DOS OUTROS", ambos pela editora Valleti Books. Também atuo como Consteladora Familiar, Palestrante Internacional, Hipnoterapeuta clínica, Coach sistêmica, título renomado como terapeuta internacional pela ABRATH (Associação Brasileira de Terapeutas). Sou graduada em Gestão Comercial e efetuei várias mentorias e cursos que me ajudaram nessa linda jornada.
AR DE LIBERDADE
Hoje pela manhã, enquanto o café esfriava, eu me voltava aos meus pensamentos, eu lia uma matéria sobre um livro em que o autor comparava o ser humano a um computador. Falava da nossa capacidade de armazenar, processar, responder. Falava de lógica, de padrões, de programação.
E, sem perceber, a leitura deixou de ser sobre a ideia do autor.
Passou a ser sobre nós.
Há algo curioso nesse espelho silencioso que criamos. O computador, essa invenção tão sofisticada, carrega em si traços muito humanos: memória, lógica, adaptação, resposta a estímulos. Mas quanto mais avançamos, mais a pergunta se inverte: não é mais o quanto ele se parece conosco, mas o quanto temos nos comportado como ele.
Programados.
Repetindo padrões.
Executando comandos que, muitas vezes, nem lembramos quando foram instalados.
E então surge um desconforto sutil: será que fomos nós os grandes influenciadores dessa “máquina universo” que percebemos, ou somos apenas partes de um sistema muito maior, operando dentro de códigos que não escrevemos?
Porque, se olharmos com cuidado, a vida moderna, tão ágil, tão facilitada, parece nos dar a ilusão de autonomia. Tudo está ao alcance de um toque, de uma escolha rápida. Mas, paradoxalmente, nunca foi tão fácil também viver no automático.
Como um sistema rodando em segundo plano.
É curioso pensar que falamos sobre “reprogramação pessoal” como se fosse algo simples. Como se bastasse decidir e pronto: nova versão instalada. Mas quem já olhou para dentro com honestidade sabe que não é bem assim.
Existem camadas.
Histórias.
Lealdades invisíveis.
E na perspectiva sistêmica, especialmente quando olhamos para os vínculos familiares, percebemos que não operamos sozinhos. Somos parte de uma rede. Há um sistema vivo, onde emoções, comportamentos e até destinos parecem circular de geração em geração.
Às vezes, acreditamos estar escolhendo.
Mas estamos apenas repetindo.
Repetindo dores que não são nossas.
Repetindo padrões de amor que aprendemos sem perceber.
Repetindo silêncios que alguém, lá atrás, precisou sustentar.
Nesse sentido, somos muito mais complexos que qualquer máquina, sabe por quê? Porque não apenas processamos informações, nós sentimos, herdamos, carregamos.
E, ainda assim, existe um ponto de encontro entre nós e os computadores: ambos precisam de consciência para operar melhor.
A diferença é que, no nosso caso, essa consciência não vem de fora.
Ela exige pausa, descanso, observa-o, coragem para se mover.
Coragem para questionar o que parece natural.
Coragem para interromper padrões.
Coragem para admitir que, talvez, nem tudo que fazemos seja, de fato, escolha.
Então, até que ponto podemos nos mover sozinhos?
Talvez a resposta esteja menos na independência e mais na percepção de que precisamos, sim, de auxílio. Não como fraqueza, mas como parte do funcionamento do sistema ao qual pertencemos.
Porque ninguém se reprograma completamente sozinho, concorda?
Precisamos do outro para enxergar.
Da relação para compreender.
Do espelho para reconhecer.
No fim, talvez não sejamos máquinas tentando ser humanas, nem humanos tentando ser máquinas.
Somos sistemas vivos tentando, pouco a pouco, nos tornar conscientes em algo muito maior.
E talvez seja justamente aí, nesse espaço um pouco não reconhecido, entre o automático e o consciente, que mora a nossa verdadeira liberdade.

AUTORA ILZE MATOS
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
VIVER SEM PRESSA
Voar, viajar, voltar,
viver o que é pra viver devagar,
sem pressa, sem perfeição,
sem intenção, com atenção,
com dedicação, admiração, emoção,
inspiração.
Vai com calma, vai com alma, no vai e vem,
sentindo o movimento,
revirando as caixinhas do coração,
vivendo o dia a dia, na sua versão,
sem medir a emoção,
sem vontade de reter, mas com
atenção.
Pegue a caixinha do amor
e solte afagos, ternura e rosas
pela estrada, céu e mar.
E recomece quantas vezes for preciso
para se amar.

AUTOR WAGNER PLANAS
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
MEUS SONHOS
Meus sonhos
Meus encantos,
Passa pelo brilho de seus olhos,
Pelo qual fui me apaixonar...
Eu sou uma pessoa simples,
Perdida na desolação,
De um carinho,
Sem uma paixão.
Desejo,
Transpiração,
Nossas almas unidas, num só coração...
E, se assim você desejar,
Por noites sem fim, vou te amar e respeitar,
Mesmo que seus lábios eu não possa tocar... Nunca...

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
OUTONO
O outono chegou com a delicadeza
Das folhas que caem
E se despedem sem pressa
Ao sabor do vento e do tempo.
Soltar as folhas é um gesto de cuidado e amor,
É deixar ir
Para que novas folhas possam surgir,
Mais viçosas e mais brilhantes.
Nem toda queda é perda.
Às vezes, perder é ganhar vida nova
É recomeçar
O amor não aprisiona,
Sempre é tempo de soltar
Amar não é manter na gaiola.
É voltar com nova essência,
Novo significado,
Trazendo leveza e acolhimento.
O outono também pode ser uma fase da vida:
Um tempo de novas sombras,
Novas folhagens e roupagem
Com seu cheiro tão característico
E cheio de sensibilidade.
É bom abrir a janela da alma e do coração
Para sentir a nova estação.
Viva o outono!
Com toda a sua plenitude e inspiração!

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
QUANDO A TEMPESTADE MORA DENTRO...
Há dias em que o corpo se torna território
desconhecido.
Tudo o que era abrigo, de repente, vira ameaça.
É assim que a ansiedade chega, sem pedir licença, sem anunciar o horário, sem explicar o motivo.
Primeiro, um arrepio leve, quase imperceptível, como um vento frio atravessando a pele. Depois, o peito se fecha, como se o ar tivesse decidido ir embora sem avisar. O coração, inquieto, dispara como quem tenta fugir de algo que nem os olhos conseguem ver. E então vem o medo, esse visitante antigo, que conhece cada canto da alma e sabe exatamente onde tocar.
O corpo fala alto nesses momentos.
O estômago queima, os músculos doem, como se carregassem um peso invisível. Há uma exaustão que não se explica, uma dor que não se vê, mas que se espalha, ocupando tudo. É como se a própria existência fosse comprimida, triturada por algo maior, impiedoso, silencioso.
E eu me recolho.
Deito-me não por escolha, mas por rendição.
Porque lutar contra a tempestade, às vezes, é inútil.
Há dias em que a única coragem possível é permanecer respirando como dá, esperando que o vendaval se canse antes de mim.
É estranho…
Porque, por fora, o mundo continua o mesmo. As pessoas seguem seus passos, os relógios não param, o céu não muda de cor.
Mas aqui dentro, tudo desmorona. Como se um caminhão atravessasse minha alma lentamente, esmagando cada pensamento, cada sensação, cada tentativa de paz.
E, ainda assim, eu sobrevivo.
Entre uma crise e outra, há um fio invisível que me mantém de pé.
Talvez seja esperança.
Talvez seja resistência.
Talvez seja apenas o instinto silencioso de continuar, mesmo sem entender como.
A ansiedade me atravessa, me desmonta, me faz pequena, mas não me apaga.
Porque, depois da tempestade, mesmo que ainda trêmula, eu respiro de novo.
E nesse simples ato de respirar, existe uma vitória que ninguém vê,
Mas que, dentro de mim, ecoa como um novo recomeço.

AUTORA ARLÉTE CREAZZO
ARLÉTE CREAZZO (1965) nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80, fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.
QUERO UM FUTURO MAIS HUMANO
Quero um futuro mais humano. E não digo isso rejeitando o presente; afinal, a tecnologia veio para ficar, fazendo parte do nosso cotidiano quase como o ar que respiramos. Não há como contestar que vivemos em um mundo tecnológico do qual acreditamos não haver volta.
Mas, em meio a tantas máquinas, tantos botões e tantas facilidades para a nossa vida, sinto falta do que não pode ser automatizado.
Sinto falta do abraço apertado e do sorriso ao vivo, que não aparece em tela alguma. Das reuniões presenciais, onde podemos ver o semblante de cada um, já que não há a possibilidade de desligar câmeras.
Quero mais ligações telefônicas, nas quais posso ouvir a voz do outro, do que mensagens digitadas com palavras prontas e emojis com pouco significado.
Não estou negando a tecnologia, já que, graças a ela, consigo conversar com amigos que moram em países distantes e tenho a chance de obter respostas quase imediatas. Quero que o avanço sirva para aproximar quem está longe, mas que não distancie quem está perto.
Quero mais convites entregues em mãos e cartões de Natal que chegam pelo correio. Afinal, o que guardamos na vida não são arquivos salvos, mas os momentos vividos.
Não quero esperar a morte chegar para valorizar um encontro que não aconteceu. Não quero olhar para o meu passado como alguém que não teve tempo de viver de verdade, presente.
Que a tecnologia continue evoluindo, sim — mas que não deixemos de lado o básico: viver juntos. Porque o que nos move não é a velocidade das conexões, mas a intensidade delas.

AUTORA MARINALVA ALMADA
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
MARÇO, MÊS DA MULHER
Março terminando e tantos fatos continuam acontecendo.
É o mês da Mulher, mas, infelizmente, as atrocidades não param.
Que as águas de março levem o egoísmo que mata;
Que as águas de março lavem a indiferença que destrói;
Que libertem a voz silenciada que não aceita mais tanto sofrimento;
Que façam ouvir o pedido de socorro;
Que levem o medo de agir quando tudo parece imutável;
Que derrubem os muros invisíveis que impedem que a ajuda chegue;
Que lavem a dureza dos corações.
Que um novo tempo chegue logo e torne este mundo melhor.
Que a coragem de lutar se fortaleça.
Que nunca se perca a esperança de uma vida feliz e em paz.

AUTORA SIMONE GONÇALVES
Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
MAIS UM OUTONO
Outono... linda estação!
Das folhas cor de terra
Fazem na estrada a festa
Com o vento feito dança
Rodopiam andorinhas a cantar
As manhãs se tornam serenas
E tudo fica leve...
Tudo me lembra o teu olhar
Teu primeiro sorriso
Naquele doce outono
Que me trouxe de presente
Esse belo e inesquecível amor...
Feito beija-flor
A bailar nas flores do meu coração
Que (re)nascem na nova estação
A doce e linda estação...
Outono... outra vez!

AUTOR EDUARDO GRABOVSKI
EDUARDO GRABOVSKI é natural de São Paulo, nascido no Butantã e criado entre Osasco e Cotia – Eduardo Celestino Silva Grabovski, filho de humildes: pai catarinense e mãe baiana, leitor na infância e adolescência de: revistas em quadrinhos, revistas de conhecimentos gerais e desde cedo se interessava por todas as formas de artes; teatro, cinema, música e tv e literatura técnica. Colorista formado em Técnico químico, trabalha em fábrica de tintas; utiliza a química, música e leitura, tal como o contato com as pessoas e cotidiano como a inspiração para desenvolver uma escrita própria e original. Na pandemia (2020-2022), descobriu-se como escritor e leitor apaixonado por poesias e reflexões, onde, à sua maneira, escreve e coloca seu ponto de vista inserido em seus textos. Participou de antologias ligadas às editoras: Brunsmarck, Invitro, Valleti Books; com textos publicados na revista internacional: The Bard. Aos 12 anos, iniciou um livro de terror chamado "Fenomenal Thriller", nunca terminado, mas segue aprendendo e executando dia a dia conforme o possível, o aprimorar de escrever e incentivar o melhor nas pessoas através da escrita. Assina seus textos como: Universo do Tio Dudú.
PERCENTUAL DISFORME DAS GRANDEZAS
Oswaldo voltava do trabalho em mais um cansativo dia de trabalho. Seu ônibus, como sempre, estava muito lotado, gente se empurrando, suor misturado com cigarro estava evidente em nuvens de mau cheiro que pairavam no ar, como se ele estivesse à beira de uma chaminé de uma indústria metalúrgica, produzindo a mais meticulosa mistura de ureia de fertilizante e breu de pneu derretido dentro de uma caldeira efervescente, a poucos metros de si.
Sabe, há dias em que as pessoas divagam sobre seu dia a dia com muita inspiração, algo bem característico de quem tem suas contas para pagar, ou pior, algumas delas já estão vencidas, mas é fato corriqueiro que ganha contornos dramáticos quando você tem o corpo cansado e esgotado dentro de um ambiente que tira sua paciência, mas veja só, em um instante, como se fosse o pedido atendido em prece, o ônibus faz uma parada e vários lugares são liberados, fazendo com que senhoras e senhores idosos possam ter um pouco de dignidade em conseguir um assento conquistado como o direito recebido por tanto suor derramado em suas vidas, e, assim, podem se sentar e aproveitar o restante da viagem de forma mais reconfortante, o mesmo ocorre com Oswaldo, que se senta à janela; respira e, por um segundo, se sente Romário, naquele dia de julho de 1994, quando a seleção brasileira retornava dos Estados Unidos com o tetracampeonato mundial.
Ele sentia como se a pequena janela aberta no assento em que ele estava o fizesse ser aclamado por quem o visse do lado de fora, mesmo que a sua poltrona não fosse a do lado do piloto de um Boeing, e sim um humilde assento plastificado, onde pudesse, pelo restante de seu trajeto, sentir ar puro e descanso para seu tão cansado esqueleto.
Um pouco mais tranquilo, Oswaldo passou a relaxar e olhar a paisagem, entre ruas sem pavimentação finalizada e árvores e vegetação silvestre em meio à Mata Atlântica da região em que morava com sua esposa e sua filha adolescente.
Por uns momentos do trajeto, Oswaldo passou a calcular o possível bônus que receberia no final do mês, na empresa em que trabalha, ficou ele calculando, e olha só o que motivou sua esperança: ano passado, ele começou a trabalhar em uma empresa siderúrgica e soube que, entre os benefícios, estava prevista uma bonificação que poderia chegar no meio do ano, até o valor de premiação correspondente a 100 por cento do seu salário, o que, com certeza, se caracteriza como um décimo quarto salário, muito incentivador para qualquer um hoje em dia, mas olha que essa é uma bela motivação para encarar a rotina diária de seu cansativo serviço, e assim poder trazer um pouco mais de conforto e dignidade a seus entes queridos.
No caminho, ele pensava em como é difícil não ter todas as informações precisas para dar boas notícias para a esposa, afinal, quanto seria o bônus: 40, 50, 80... 100 por cento? Lembrou-se das notícias e da situação de guerra pela qual o mundo está passando e das possibilidades de catástrofe mundial que podem afetar nosso jeito de viver, ou pior, que podem ter consequências nefastas na vida de todos nós. Ponderou em seu íntimo como será o futuro de sua filha, cheia de expectativas e momentos que ela ainda vai viver, de tudo o que ela vai sentir e passar no seu processo, suas escolhas e seus medos e realizações, por tudo aquilo que todo adolescente ainda passaria.
Seus olhos lacrimejaram ao temer pelo que pode provocar o atual conflito e guerra no Oriente Médio e com as condições e impactos que isso pode acarretar para nossa economia, nossa saúde e no impacto ambiental, por estar sendo descarregado na atmosfera, além de toneladas de tecnologia militar de destruição, o sempre alarmante risco de utilização de armas nucleares ou de poderio ofensivo iguais aos utilizados em Hiroshima e Nagasaki, o que seria pior que uma guerra atômica, Oswaldo raciocinava que o perigo atual desta guerra já é a consequência emocional e psicológica na mente das pessoas, pessoas que se afetam, desligam da realidade e passam a investir seu futuro em medo e pânico, eclodindo do peito sensações de tristeza e caos fantasiados e alimentados por tais sensações, Oswaldo lembrava-se de comentários que ouvira recentemente de pessoas de diversas vertentes religiosas e até líderes religiosos em pequenos nichos da sociedade que se aproveitam do momento para instaurar caos em seus seguidores e distorcer a realidade dos fatos através da pregação, utilizando exemplos até bíblicos para fins pretensiosos de manipulação, distorção e autobenefício, uma blasfêmia se apoderar da fé alheia, da necessidade de conforto espiritual e assim ofuscar a benesse da boa edificação de bons pensamentos; claro que estes líderes citados já estão atrás das grades, mas e as pessoas lesadas, como seria o futuro na visão delas?
Estando alarmado com tais visões, logo, Oswaldo se depara com outra memória recente que lhe vem à cabeça ao ver uma fila imensa no itinerário para casa, dentro do ônibus, que passa pelo trajeto logo saindo da cidade antes de pegar o entorno que levaria até a estrada de terra de seu bairro, ele visualiza, numa sexta-feira, uma fila quilométrica de garotos e garotas à porta de uma badalada danceteria da região, imaginava como seria o futuro de sua filha, e de todos os jovens com suas também expectativas.
Voltando seus pensamentos para si e recolocando seu pensar em sua família, Oswaldo recebe a notícia de um amigo em seu telefone celular, de que a empresa conseguiu atingir suas metas, e devido a esse sucesso, houve o balanço calculado pelo índice EBITDA (indicador financeiro que representa o lucro operacional de uma empresa antes dos juros, impostos, depreciação e amortização). Explicações à parte, esse índice influi por indicar como vai a saúde financeira da empresa e auxiliar a definir a faixa de premiação anual dos funcionários; o resultado deste ano foi de 43 por cento de premiação, ou seja, ele irá receber esta faixa em relação ao seu salário total, o que o faz se emocionar e vibrar com a possibilidade de poder dar um presente para sua esposa, colocar algumas contas em dia e, por fim, levar sua filha no final de semana para um evento jovem, coisa atual de japonês, um tal de dorama com pessoas fantasiadas de personagens se intitulando cosplay....
Oswaldo reflete com seus devaneios no trajeto do trabalho até sua casa, que possibilidades de interpretação podemos obter ante os fatos do dia a dia, e a expectativa do futuro influenciada pelos fatos que impactam as pessoas e suas alienações, veja só: um líder religioso aproveitador, jovens vivendo sua fase com alegria e divertimento, guerra com possibilidades de efeitos devastadores no planeta, e o próprio Oswaldo, batalhando com o seu trabalho para dar o melhor futuro para sua filha e esposa; são as variações de comportamentos que podem sim influenciar a rota de uma história, emanar bons pensamentos inconscientes e se utilizar de uma forma de bom alheamento, sabendo filtrar notícias ruins, informações enganosas e romper com padrões que possam gerar mais desconexão com a boa realidade.
Ora, se toda a humanidade souber se ater ao seu melhor momento, poderia ser que, em um momento, as guerras parassem de acontecer, os desentendimentos seriam abrandados e o caos das manipulações pudesse ser contido, tudo para que o futuro dos jovens possa ser menos traumático e mais inspirador.
Oswaldo sente que não pode mudar ou influenciar para que nações evitem guerrear, mas idealiza, em seus sonhos, que, se focar em fazer o melhor e esperar o melhor de seus esforços, ele pode colocar, gota a gota, dia a dia, um pouco de luz no mundo, e, por isso, ele aperta a campainha do ônibus, seca seu suor e já se prepara para passar em uma banca de flores e levar rosas para sua esposa e uma caixa de chocolate para ele, esposa e filha degustarem enquanto farão seus planos.
Pois, para Oswaldo, simbolicamente, mediante um bom pensar, ele pretende influenciar as pessoas a seu lado para espalhar as melhores energias e influenciar os envolvidos na guerra atual, para acharem a melhor solução passível e possível.
Pronto, Oswaldo desce do ônibus, sua alegria o faz esquecer seu cansaço e lhe dá forças para desejar que os seus dias e os de sua filha sejam os melhores.
Finalizo esse conto imaginando que podemos não nos afetar tanto com as situações inusitadas do dia a dia e atribuir a elas grandezas equivocadas, afinal:
Não se confunda com o tamanho abissal do vazio de tais grandezas disformes.
Universo do Tio Dudú.

AUTOR MAXIMILIAN SANTOS
MAXIMILIAN SANTOS, natural de Feira de Santana, Bahia, é escritor, poeta e técnico em computação. Escreve desde os 17 anos, quando descobriu na palavra um refúgio e uma forma profunda de expressão. Coautor de cinco antologias poéticas, encontra na escrita não apenas arte, mas libertação, um espaço onde a alma se aquieta e o coração encontra voz.
ENTRE O QUE FUI E O QUE TEMO SER
Há um lugar dentro de mim onde o tempo não passa.
Ali, o passado respira, não como lembrança leve,
mas como uma presença densa, que toca meus ombros
e sussurra verdades que eu não consigo esquecer.
Dizem que a vida acontece no agora,
que o futuro é promessa aberta como o céu ao amanhecer.
Mas eu… eu escolhi o passado.
E não por apego ao que foi bonito,
mas por respeito às cicatrizes que ainda ardem.
Foi lá que aprendi o gosto amargo da decepção,
o som seco das promessas quebradas,
o peso das traições que não pedem licença para ficar.
E desde então, fiz de mim mesmo um guardião, não de sonhos,
mas de defesas.
Prometi.
Prometi ao silêncio do meu próprio peito
que não amaria outra vez.
Que não entregaria meu coração
como quem oferece uma taça rara
a mãos que não sabem sustentar.
Porque corações, quando se quebram,
não voltam a ser inteiros.
Podem até ser colados, dizem…
mas nunca mais brilham da mesma forma.
Sempre haverá uma linha,
uma falha,
um lembrete.
E assim eu vivo,
com um pé no ontem
e o outro hesitando no agora.
Às vezes me pergunto, em noites mais quietas, e se alguém surgir?
E se o amor bater à porta
com mãos diferentes,
com um cuidado que eu nunca conheci?
Será amor…
ou apenas mais uma ilusão bem vestida de esperança?
Será chama…
ou apenas faísca destinada a se apagar?
Talvez eu nunca saiba.
Porque o medo também aprende a falar alto,
e ele me diz para recuar
antes mesmo de tentar.
No fundo, eu sei que o poder sempre esteve em mim.
Escolher ficar acorrentado ao que passou
ou arriscar os passos frágeis rumo ao que pode ser.
Mas entre a liberdade incerta
e a dor já conhecida…
eu ainda me sento ao lado do passado,
como quem prefere uma ferida antiga
ao risco de sangrar de novo.
E assim sigo,
inteiro na aparência,
mas feito de estilhaços por dentro.

AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
DESAPEGO EMOCIONAL
Palavras ríspidas,
Desapontamentos, falácias,
Atitudes que atormentam,
Frustrações não verbalizadas
Que dormem camufladas...
Essas coisas deixam a alma fatigada.
Magoou?
Esqueça o que passou!
Por que ficar remoendo
E continuar sofrendo?
Não fique ressentido,
Aprenda com o ocorrido...
Não permita que tirem
A sua paz mental.
O lixo emocional
Deve ser descartado
Ou reciclado.
Readapte-se às situações,
Intensifique suas relações
Com quem transmite leveza,
Vivendo boas conexões.






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