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REFLEXÕES Nº 76 — 13/08/2023


Imagem gerada com IA MidJourney


 

AUTOR AKIRA ORDINE


AKIRA ORDINE é um escritor, poeta e músico carioca. Desde cedo apaixonado pela literatura, utiliza a arte como espaço de luta e refúgio, colocando bastante de si em tudo o que escreve. Tem muitos livros, vários deles, verdadeiros amigos.

 

PAIS POR 13 ANOS (OU MENOS)


No mundo em que vivemos existiram vários pais famosos na história. Hipócrates, o pai da medicina, Newton, o pai da física moderna, Papai Noel, o pai do consumismo,

Oppenheimer, o pai da bomba atômica...


Todos eles, pais com muitos filhos que viveram (e ainda vivem) por muitas (e muitas) gerações. São pais centenários. Fico imaginando o que faz um pai que não tem um filho, ou pior, um pai que perde o filho muito antes do esperado. Imagino a dor de um pai que perde um filho de 13 anos (ou menos)


Imagina você cuidar de alguém por anos, e subitamente, não mais.


Imagina você passar aprendizados e vivências para alguém, esperando que a pessoa faça o mesmo em sua vida, mas não dá tempo, porque a ordem natural das coisas foi invertida.


Imagina que chamam o seu filho, criado por anos por você, de bandido. Uma criança chamada de bandido.


Imagina comemorar o dia dos pais sozinho, porque você é um pai de passado, enquanto muitos celebram.


Imagina só. Se isso não tivesse dado nos jornais, você teria lembrado desses pais? Ou só dos famosos?


 

AUTOR LUIZ PRIMATI


LUIZ PRIMATI (1962), é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books e seu último lançamento foi o livro "A MALDIÇÃO DO HOTEL PARADISIUM".

 

HEROÍNA


Neste Dia dos Pais, convido você a mergulhar na profunda essência do que significa ser “pai”. Em muitos corações, a presença física de um pai biológico não se traduz em amor e apoio. E pergunto: quem realmente ocupou esse papel sagrado em sua vida?


Para mim, esse título foi conquistado por minha mãe. Ela, com sua força e dedicação inabaláveis, foi a heroína de minha infância. Cada refeição que ela preparava, mesmo com recursos limitados, era um ato de amor puro. A beterraba tornava-se um manjar dos deuses. Mesmo ingredientes simples, como testículos de boi ou bucho, nas mãos dela, eram transformados em pratos saborosos. A verdadeira magia estava em seu toque.


Em outros momentos, ela trocava o avental pela agulha e linha, tecendo sonhos em nossas roupas, enfrentando as adversidades financeiras com uma graça inigualável. Sob sua asa protetora, eu e meus irmãos encontramos um refúgio, uma figura paterna.


Inspirado por essa memória, escolhi ser um farol constante na vida das minhas filhas. Jamais quis ser uma lembrança distante ou uma ausência marcante. Estive lá para cada riso, cada lágrima, e para cada marco importante em suas vidas. Porque, para mim, ser pai é ser a pedra fundamental na vida de um filho.


E enquanto as gerações passam, uma pergunta persiste: quem foi o verdadeiro “pai” em sua vida? Que legado você deseja deixar? Acredito que nosso propósito, nesta breve passagem, é ser o amor e apoio incondicional para aqueles que nos são confiados. Que possamos refletir, sentir e honrar esse chamado profundo no cerne de nossas almas.


 

AUTORA ARLÉTE CREAZZO


ARLÉTE CREAZZO (1965), nasceu e cresceu em Jundiaí, interior de São Paulo, onde reside até hoje. Formou-se no antigo Magistério, tornando-se professora primária. Sempre participou de eventos ligados à arte. Na década de 80 fez parte do grupo TER – Teatro Estudantil Rosa, por 5 anos. Também na década de 80, participou do coral Som e Arte por 4 anos. Sempre gostou de escrever, limitando-se às redações escolares na época estudantil. No professorado, costumava escrever os textos de quase todos, para o jornal da escola. Divide seu tempo entre ser mãe, esposa, avó, a empresa de móveis onde trabalha com o marido, o curso de teatro da Práxis - Religarte, e a paixão pela escrita. Gosta de escrever poemas também, mas crônicas têm sido sua atividade principal, onde são publicadas todo domingo, no grupo “Você é o que Escreve”. Escrever sempre foi um hobby, mas tem o sonho de publicar um livro, adulto ou infantil.

 

ERROS E ACERTOS


Não há pai que não tenha cometido erros em sua trajetória nesta função divina. O meu cometeu vários.


Ele faleceu há 18 anos, mas eu já o havia perdido antes disso, por conta de uma distinta, a qual eu e meus irmãos apelidamos de madrastinha, mas não de uma forma carinhosa, já que ela fez de tudo para que meu pai se afastasse da família. E conseguiu.


Eles se uniram em março do ano em que me casei. Ao levar o convite do meu casamento ao meu pai, (que seria no mês de julho) pedi que ele fizesse a gentileza de não a levar, em respeito à minha mãe e demais parentes. Ele não tão gentil assim, me devolveu o convite dizendo que nós não éramos mais sua família e sim ela.


Peguei o convite, dei as costas e tornamos a nos falar mais de dez anos depois, (Embora ele tenha aparecido na igreja com a talzinha. ainda bem que não vi).


Mas não é sobre os erros de que quero falar. É sobre os acertos.


Todo mundo erra, mas será que alguém é errado cem por cento?


Meu pai cometeu diversos erros, mesmo assim tenho excelentes lembranças dele.


Tínhamos uma perua kombi quando era menina, então meu pai era o pai da carona. Lotava a perua (já que não havia obrigatoriedade de cinto de segurança) e andávamos por toda cidade em 10 ou as vezes 20 crianças. Era pura diversão.


Ele também colecionava discos, e quando havia festinhas na escola, era sempre ele que cuidava da parte musical, inclusive quando teve festa dos países onde meu irmão dançou de italiano, eu de mexicana e minha irmã, loira de olhos azuis de alemã.


Sempre foi um pai participativo, nunca perdia uma festinha dos filhos na escola.


Amava reuniões de família e estava sempre chamando todo mundo para um churrasco ou piquenique na beira da estrada, principalmente em nossas viagens à Pirapora.


Nossos amigos estavam sempre em casa, e ele era o tiozão, que levava todo mundo para pular carnaval no clube.


Foi com ele que aprendi uma das frases que trago para a vida: NÃO TENHO TUDO QUE AMO, MAS AMO TUDO QUE TENHO.


Suas atitudes podiam não ser as melhores, mas me ensinou a ter as melhores atitudes.


Acho que o maior legado que me deixou, embora tenha se separado de nós, foi que a família é algo importante.


Pode parecer incoerente, mas acredito que em algum momento, ele se arrependeu de ter nos deixado. Infelizmente sempre foi orgulhoso para admitir.


Sempre foi festeiro, amava a casa cheia de gente, e isso foi um outro legado.


Apesar de tudo o que fez de errado, tinha bom coração.


Embora nunca me esqueça de seus erros, perdoei meu pai. Foi escolha minha que as boas lembranças superassem as más. E se ele estivesse por aqui, não perderia a oportunidade de abraçá-lo.


Você que vive em pé de guerra com seu pai, procure aproveitá-lo enquanto estiver por perto, afinal ninguém dá o que não teve, e nem todos os pais tiveram amor e vida fácil.


Entender nossos pais faz muitas vezes com que consigamos entender a nós mesmos.


Afinal, quem disse que os pais precisam ser perfeitos? Se fossem perfeitos seriam deuses e não pais.


 

AUTORA ALESSANDRA VALLE

IG: @alessandravalle_escritora


ALESSANDRA VALLE é escritora para infância e teve seu primeiro livro publicado em 2021 - A MENINA BEL E O GATO GRATO - o qual teve mais de 200 downloads e 400 livros físicos distribuídos pelo Brasil. Com foco no autoconhecimento, a escritora busca em suas histórias a identificação dos personagens com os leitores e os leva a refletir sobre suas condutas visando o despertar de virtudes na consciência.

 

DEUSES DE SI


Temos o dom de co-criar

Somos deuses

A comandar nossa jornada

Por caminhos a escolher

Tendo consciência das consequências.


Muitas histórias para contar

Alegrias para somar

Perdas, danos irreparáveis

Muitas lágrimas e risos

Capazes de formar rios.


Haverá um momento

Em que a busca pelo belo

Seguirá cansada

Com as marcas irreversíveis

De um tempo que não volta.


Mas é confortante saber

Que existe o depois

Para continuar a ler

Entre linhas tortas

Tudo aquilo que ainda não fizemos.


E quem sabe poderemos enfim,

Doar tudo o que nos sobra

Perdoar a quem um dia amamos

E amar sem cobrar nada em troca.


Não brincaremos mais com sentimentos

Muito menos xingamentos

Agiremos com educação

Distribuindo tesouros do coração.


Se os outros nos corresponderão?

Subalternos educados a fingir conexão

Não importa!


Deuses não precisam de adoração exterior.

Precisam mesmo de autoamor.


 

AUTORA SIMONE GONÇALVES


SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.

 

MEU ETERNO HERÓI SOBRE RODAS


Numa dança diária e persistente, ele deslizava sua bicicleta pela cidade, enfrentando a chuva com apenas um guarda-chuva e uma mão livre. Nas manhãs gélidas, seu agasalho era a energia do pedal, um balé que, aos meus olhos de criança, parecia magia. Esse homem, guiando sua fiel companheira, a bicicleta, desbravava não só as ruas da nossa cidade mas também as dos nossos corações.


E que jornada! Atravessando cidades, cumprindo duplas jornadas de trabalho, sempre com o mesmo objetivo: um futuro melhor para nós.

Até os meus cinco anos, ainda não conseguia identificar as horas num relógio. Mas isso mudou quando ele me deu a “Melissinha” do relógio, cor de rosa (impossível esquecer), e assim comecei a marcar o tempo de sua chegada do trabalho em casa. E era uma festa esse momento!


Lembro de ficar esperando na sala, ver aquela porta abrir e ele entrar.

Ah, as memórias! Como esquecer da vez em que, após a chuva torrencial, ele enfrentou o morro empurrando aquela bicicleta, descalço, após perder seus simples chinelos? Era um balé de resiliência e determinação.

Tantas lembranças, tantos momentos que, agora, visito na minha memória que, se contasse tudo, daria um livro. Um livro sobre um homem que trabalhou mais de 30 anos como eletricista autônomo, sustentando sua família: esposa e quatro filhos, que por muito tempo fez de sua bicicleta sua companheira de lutas e desafios pela vida e, hoje, mesmo aposentado, ainda exerce sua profissão com carinho.


Agora atende casos mais leves, pois já não tem a disposição de antes. Mas segue firme com seus 71 anos de história. A honestidade acima de tudo é seu lema. Generoso, adora uma roda de conversa com os vizinhos, prestativo, confiante na sua fé em Deus.


Esse homem é meu pai. Nunca precisou de uma capa de super-herói (sem menosprezar os heróis em quadrinhos), mas foi e sempre será meu herói de bicicleta. Hoje em dia não anda mais de bicicleta. Em 1997, com 45 anos, tirou a carta e comprou seu primeiro carro. Nossa primeira viagem de carro foi para a praia.


 



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2 Comments


Amei cada texto. Simone sua história é linda, escreva seu livro. Primati ao falar sobre porto seguro, me fez lembrar que devo uma tatuagem à minha filha, nem ela e nem eu temos uma, mas ela quer fazer uma comigo: a dela será um barco em alto mar na tempestade e a minha será um farol pois sempre me diz que sou seu porto seguro. Um excelente dias dos pais à todos.


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Stella Gaspar
Stella Gaspar
Aug 13, 2023

Parabéns escritores, seus Pais estejam onde estiverem estão orgulhosos de seus escritos. Sinto suas almas, luzes, perfumando esse especial domingo de puro amor!!! ❤️

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