BECO DOS POETAS Nº 134 — 26/03/2026
- Luiz Primati
- há 2 dias
- 17 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR LUIZ PRIMATI
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
OS ESTÁGIOS DA DOR
Sofri. Sim, sofri como quem bebe veneno esperando que o outro adoeça. Sofri nos primeiros dias, quando o silêncio era mais alto que qualquer grito, quando acordava com o corpo inteiro gritando seu nome antes mesmo da razão acordar. Sofri na carne, nos ossos, naquele vazio que nenhuma comida preenche, nenhuma música distrai. Sofri porque o amor não avisa quando vai embora — ele simplesmente fecha a porta e deixa você sozinho com as chaves na mão.
Arrastei essa dor. Arrastei-a pelos corredores da minha própria casa como quem carrega uma corrente invisível. Acordava com ela, dormia com ela, caminhava com ela colada aos pés. Alguns dias, ela pesava tanto que mal conseguia sair da cama. Outros dias eu a carregava nos ombros, fingindo que era apenas cansaço, apenas uma má noite de sono. Arrastei-a para o trabalho, para as ruas, para os encontros com amigos que fingiam não ver o fantasma que me acompanhava. A dor se tornou minha sombra — e sombras não se perdem facilmente.
Analisei essa dor. Dissecava-a como um cientista louco, procurando entender cada fibra, cada razão, cada momento em que tudo começou a desmoronar. Perguntava-me: quando foi que perdi você? Em qual palavra dita errada? Em qual silêncio não preenchido? Analisei nossos diálogos como quem procura uma pista em uma cena de crime. Procurei culpados — você, eu, o destino, o tempo. Analisei até o ponto em que a análise se tornou uma prisão, e eu, o prisioneiro e o carcereiro ao mesmo tempo.
Aprendi com essa dor. Aprendi que o amor não é garantia de permanência. Aprendi que pessoas podem partir mesmo quando você as segura com toda a força que possui. Aprendi que dor é também um professor — cruel, mas honesto. Aprendi a reconhecer os sinais que antes ignorava, a ouvir o que não era dito, a ver o que estava escrito nas entrelinhas. Aprendi que sofrer nos torna mais humanos, mais frágeis, mais verdadeiros. A dor me ensinou lições que a felicidade nunca teria coragem de sussurrar.
Aceitei essa dor. Ou pelo menos, tentei. Aceitei que ela faz parte de mim agora, que não vou acordar um dia e descobrir que desapareceu como um sonho ruim. Aceitei que algumas feridas não cicatrizam — elas apenas aprendem a conviver com a gente. Aceitei que você se foi, que essa é a realidade, que preciso seguir mesmo com esse buraco no peito. Aceitei porque a alternativa era desistir de viver, e eu ainda tinha fôlego para respirar.
Transformei essa dor. Ou tentei transformá-la em algo que fizesse sentido. Transformei-a em palavras, em versos, em confissões que ninguém pediu para ouvir. Transformei-a em compreensão, em empatia por outros corações partidos que cruzam meu caminho. Transformei-a em força — aquela força silenciosa de quem aprendeu que pode sobreviver ao impossível. Transformei-a em beleza, porque toda dor profunda tem uma beleza terrível, uma verdade que só os que sofreram conseguem enxergar.
Mas aqui está o segredo que nenhuma análise consegue explicar:
Eu não me encaixo em nenhuma dessas categorias.
Porque, após sofrer, arrastar, analisar, aprender, aceitar e transformar, eu ainda tenho esperança. Uma esperança tão irracional quanto o próprio amor. Uma esperança que não faz sentido diante de toda a sabedoria que a dor me ensinou.
Eu espero. Simplesmente espero que um dia você volte. Que um dia essa dor pare de bater à minha porta. Que um dia você perceba que cometeu um erro, que o caminho sem mim é mais vazio do que imaginava. Espero que o tempo, que supostamente cura tudo, traga você de volta para os meus braços.
Porque a verdade é esta: não aceitei completamente. Não transformei a dor em sabedoria. Não aprendi a viver sem você.
Eu apenas espero. E, enquanto espero, sigo vivendo — não porque aceitei, mas porque ainda acredito que essa história não terminou. Que esse final trágico é apenas um intervalo. Que você voltará, e quando isso acontecer, toda essa dor terá valido a pena, porque terá sido apenas o preço de um amor que era grande demais para morrer.
Essa é minha fraqueza. Essa é minha força. Essa é minha esperança — irracional, impossível, mas absolutamente real.

AUTORA STELLA GASPAR
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros técnicos e didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
VIDA DO MEU VIVER
Nenhuma medida de tempo com você seria suficiente.
O nosso amor é superior à arte de amar.
Seduzindo a versão mais bonita da minha vida.
O sol amanhece luzindo nas nossas flores.
O que quero mais?
Com tão afortunado amor...
Amar é um ato de paciência.
É um respirar profundo.
Sentindo sede de prazeres.
Nas mais fiéis poesias.
De um amor fascinante.

AUTOR ANDRÉ FERREIRA
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
A DOR DOS QUE FICARAM
Um silêncio grita num vazio que dói, uma dor
Que não se vê, uma tristeza que não se explica
A depressão é um peso que me esmaga e eu
Não sei como me aliviar dessa melancolia
E internamente, vejo que o mundo lá fora
É um lugar distante que não entendo
E que não consegue me entender.
A alegria dos outros é um mistério para mim,
Infelizmente, é um sentimento que não sinto,
Felicidade é um estado emocional que não
Alcanço e esse vazio é um buraco que não
Se preenche num espaço que me consome,
E não me deixa respirar dentro dessa
Atmosfera que só quer me tragar.
E nela a tristeza é um rio que flui sem parar,
Com um fluxo que me leva para um lugar
Sem vida e sem esperança, onde os meus
Medos são surdos e gritam dentro da
Minha alma, com o intuito de me
Derrotar, me esmagar e me engolir.
Sinto que nessa caminhada
Eu já perdi essa batalha,
E mergulhado na escuridão,
Eu me afastei da luz
E ao invés de vencer,
Eu me perdi na vida,
Apossando-me da dor
E do vazio que grita dentro de mim,
Onde ninguém me ouve
E nem pode me ajudar
A me libertar da depressão
Que é uma dor que ruge
Dentro daqueles que ficaram
E que eu não consigo enfrentar.

AUTORA ILZE MATOS
Ilze Maria de Almeida Matos nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
BARQUINHO DE PAPEL
Mar virou poesia
nos sonhos,
no sorriso da tarde.
O galho de planta
virou caneta na areia
e se escondeu
sobre as ondas do mar.
Trazendo uma poesia
que flutuava
dentro de um barquinho de papel,
quase rasgando
de tão molhado
pelas águas salgadas
do doce mar.

AUTORA CÉLIA NUNES
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
NOSSO FAROL
Luz que brilha na escuridão
Guia para os navegantes
Esperança no coração
O farol é um presente em meio ao perigo
É a direção a seguir
É o conforto da chegada
É o porto seguro que põe fim à indecisão
É a luz refletir.
Jesus é como o nosso farol
Ele é nosso refúgio
Nossa segurança nos momentos incertos
Nossa motivação para continuar
Nossa inspiração para viver
Nossa espera no porvir
Nossa orientação nesse mundo
Nosso sol no horizonte azul
Nossa referência de valor
Socorro bem presente
Nosso Salvador!

AUTORA ZÉLIA OLIVEIRA
Natural de Fortuna/MA, reside em Caxias-MA, desde os 6 anos. É escritora, poetisa, antologista. Pós-graduada em Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Professora da rede pública municipal e estadual. Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores (cadeira 12, patronesse Jane Austen). No coração de Zélia, a poesia ocupa um lugar especial, gosta de escrever, afinal, a poesia traz leveza à vida. Publica no Recanto das Letras, participa com frequência de antologias poéticas, coletâneas, feiras e eventos literários. É organizadora e coautora do livro inspirador "Poetizando na Escola Raimunda Barbosa". Coautora do livro “Versificando a Vida”.
PERDÃO
Alma ferida,
Incompreendida,
Estilhaçada,
Julgada.
Ofensas inintencionais;
Às vezes, propositais.
Aprendeu a perdoar
Para manter a paz.
Aprendeu a lidar com irritações,
A não guardar mágoas;
O perdão promove boas relações.
Por que nutrir o ressentimento?
Empenhe-se pela reconciliação!
Sinta a alma mais leve,
Pratique o perdão.
No relacionamento amoroso,
Quando há infidelidade,
O perdão é mais complicado;
Porém, é necessário virar a página,
Esquecer o passado,
Alçar voo...
Deixar a mágoa de lado.

AUTOR WAGNER PLANAS
Wagner Planas nasceu em 28 de maio de 1972, na capital paulista, estado de São Paulo. Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suíça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
O DIA EM QUE EU PARTIR...
O dia em que eu partir,
Não quero coroas de flores,
Pois o único que deve usar uma é Deus...
O dia em que eu partir,
Não quero lágrimas,
Eu quero festa,
Pois estou retornando para casa...
O dia em que eu partir,
Não fiques chateada,
Pois estarei aguardando sua chegada.
O dia em que eu partir,
Não quero luxo para meu corpo,
Pois eu nunca quis luxo nem aqui...
O dia em que eu partir,
Não fique preocupada com minhas vestes,
Pois não é uma calça ou um terno,
Que vai mudar o que fiz na Terra...
O dia em que eu partir,
Estarei indo em uma viagem,
Mas pela caridade do pai maior,
Sempre estarei ao seu lado...
O dia em que eu partir,
Não serão meus cabelos sedosos,
Que vai mudar meu passado...
O dia em que eu partir,
Não será o ouro que acumulei em Terra,
O meu advogado,
Será a Bondade e Caridade,
Que eu pratico todos os dias.

AUTORA LUCÉLIA SANTOS
LUCÉLIA SANTOS, natural de Itabuna-Bahia, escritora, poetisa, cronista, contista e antologista. Escreve desde os 13 anos. É autora do livro "O Amor vai te abraçar" e coautora em diversas coletâneas poéticas. Seu ponto forte na escrita é falar de amor e escrever poemas e minicontos infantis.
UM ANO SEM VOCÊ
Há um silêncio novo dentro de mim.
Não aquele silêncio que acalma,
mas o que ecoa o que já não existe.
Se o tempo tivesse sido gentil,
agora estaríamos rindo de coisas simples,
contando os anos como quem soma vitórias:
20 de amor, 18 de casamento…
uma história inteira ainda pulsando em nós.
Mas o tempo não foi gentil.
Você sempre soube de algo que eu me recusava a enxergar.
Falava da finitude como quem conhece o caminho de volta,
e eu…
eu insistia em plantar eternidades no peito,
regadas com fé,
acreditando que milagres florescem só porque desejamos muito.
E, por um tempo, floresceram.
Foram 10 anos de mãos dadas contra a dor,
10 anos enfrentando o impossível
com a coragem de quem ama mais do que teme.
E nós vencemos.
Ah, como vencemos…
Mas a vida, às vezes, guarda tempestades
que não respeitam histórias bonitas.
E quando ela veio,
veio com uma força que nem o nosso amor conseguiu conter.
Você partiu...
E desde então, tudo em mim se partiu também.
Fiquei aqui, recolhendo pedaços invisíveis do que fui,
tentando entender como um coração continua batendo
mesmo depois de quebrado.
Nosso filho…
nosso tão sonhado milagre…
cresceu.
Já é um rapaz.
Carrega nos olhos um pouco de você
e, sem saber, é ele quem me sustenta quando eu quase desabo.
Porque eu preciso ser forte.
Mesmo quando tudo em mim quer apenas cair.
Faz um ano…
Um ano sem sua voz preenchendo a casa,
sem o seu sorriso me encontrando nos dias comuns,
sem o som da sua chegada que fazia tudo parecer certo.
E aquele último dia…
ainda vive em mim como uma ferida aberta.
Te deixar ali,
naquele lugar frio,
sem poder te trazer de volta,
foi como deixar metade de mim para trás.
Desde então, as noites se tornaram longas demais.
O sono não vem,
ou quando vem, não me abraça.
A insônia sussurra lembranças
e eu amanheço cansada de sentir saudade.
Você foi o único lugar onde eu realmente pertenci.
E agora, eu me procuro…
nos espaços que você deixou.
Mas ainda não me encontrei.
Há dias em que me olho no espelho
e não reconheço quem sobreviveu.
Só sei que sigo…
não inteira,
não curada,
mas seguindo.
Com os pedaços que restaram,
com o amor que não morreu,
e com essa esperança tímida, quase frágil,
de que um dia
eu consiga me reconstruir
sem precisar deixar de te amar.

AUTOR RICK SOARES
Rick Soares, natural e residente em Recife/PE, tem 37 anos e descobriu sua paixão pela arte ainda na juventude, ao participar de peças teatrais amadoras em igrejas e escolas locais. Sua jornada no mundo literário ganhou destaque ao atuar como gerente técnico do quadro "RECITA-ME" na revista internacional The Bard, além de ter sido vice-presidente da revista digital Cronópolis Brasil e um dos organizadores da Copa Brasil de Poesia, promovida pela mesma publicação. Autodenominado aspirante a poeta, Rick começou a publicar seus poemas em 2014 no site Recanto das Letras, plataforma que o ajudou a descobrir e aprofundar seu apreço pela escrita. Atualmente, ele trabalha como assistente administrativo em um escritório de advocacia, equilibrando sua carreira profissional com a dedicação à literatura.
Entre suas participações em antologias, destacam-se:
"Quando a voz cala, a poesia fala", organizada por Fernando Raine;
"Taverna Poética - Entre o vinho Byroniano e o Ultrarromantismo Moderno", em homenagem ao poeta Álvares de Azevedo, pela Editora Versejar;
"Deixe-me Transbordar", pela Editora Valetti Books;
"1ª Edição da antologia Conto por Conto - Além do Túmulo", pela Valetti Books;
"Conto por Conto - Sentimento Maternal", pela Valetti Books.
Em janeiro de 2022, Rick lançou seu primeiro livro solo, "Só Ares Poéticos — ao vento", publicado pela Editora Valetti Books, marcando um marco significativo em sua trajetória criativa.
CANETA E PAPEL
Uma vez ouvi de alguém:
“Estude.
Uma caneta é mais leve do que uma pá.”
Eu entendi o que ele quis dizer.
Mas ele não sabia
o peso que existe
numa palavra
quando ela vem carregada de tudo
que a gente nunca conseguiu dizer.
Porque tem sentimento
que não cabe no peito,
escorre pra tinta.
Aí a caneta pesa.
Pesa como memória.
Pesa como saudade.
Pesa como aquilo
que a gente tentou esquecer
e falhou.
Tem dia
em que escrever
é cavar o próprio peito
com uma ferramenta feita de silêncio.
Letra por letra.
Linha por linha.
Então não…
A caneta não é leve.
Pergunte a quem precisou
transformar dor em palavra.
Pergunte aos poetas.

AUTORA SIMONE GONÇALVES
Simone Gonçalves, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
AH... O AMOR!
O amor, ah... o amor!
Descobri seu segredo ao avistar teu olhar
Que penetrou minha alma
Disparando meu coração
Como relâmpago à me queimar de desejo
Amor que se conhece uma vez na vida
E perdura para sempre
Nada de tempo marcado
Uma hora combinada
Apenas, simplesmente, um olhar
E tudo se transforma
Um sorriso
E o caminho se floresce numa eterna primavera
E um beijo
Para o paraíso tomar conta do nosso mundo.

AUTORA SIMONE CAETANO
Simone Caetano Farias, nasceu em Salvador (BA) e traz consigo a força de uma leonina. Desde a infância, foi inspirada pelas obras de Monteiro Lobato e pela coleção “Tesouro da Juventude”, pertencentes a seu pai, Almir de Abreu Farias — ex-combatente da Marinha do Brasil e escritor autodidata. É Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo (Faculdade Social da Bahia, 2010), pós-graduada em Relações Públicas (Universidade do Estado da Bahia, 2002) e também Bacharel em Química (Universidade Federal da Bahia, 1992). Atua como Perita Criminal Grafotécnica e Documentoscópica do Estado da Bahia. Publicou artigos, textos acadêmicos e reportagens, como “Major Cosme de Farias – Vida e Memória” e “O choro alegre de Salvador”, entre outros. É autora do livro-reportagem “A voz de Armandinho Macêdo” (Ed. Vento Leste, 2012 / Ed. Garimpo, 2024) e participou de onze coletâneas de contos e poesias com as editoras Neila Bruno (Canal 6 e Kibbutz) e Luiz Primati (Valleti Books), entre 2022 e 2024, com textos como “Reverso da Tristeza”, “Lar dos Pets”, “É Natal”, “Por Toda a Minha Vida”, “Mãe, Olhe para Mim” e “Vidas Entrelaçadas”. Em 2025, organizou “Versos e Universos de Meu Pai Almir de Abreu” (Valleti Books). Recentemente, concluiu o curso de Sommelier pela ABS-RS, unindo o jornalismo à paixão por vinhos, eventos e cultura. Viajante entusiasta, escreve sobre as cidades que visita — no Brasil e no exterior —, transformando suas experiências em crônicas e reflexões que revelam seu olhar sensível e poético. Email: simonecaetanofa@gmail.com | IG: @simonecaetanofa
VENTO
Ei, vento!
Quero você tempestade, forte e presente, dia e noite no meu solo por mais tempo regar.
Vento, não quero tu correria que sopra de vez e vai, não fica e me ver arrepiar, nem vira brisa para me refrescar.
Ei, você, peixe-voador! Foge do mar, voa para mim, mesmo na tempestade eu sou teu abrigo.
Queria você mar imensidão, calmaria, que me cobrisse confortável com tempo para respirar e me desse todas as pérolas a me enfeitar.
Não quero você rio correnteza que só faz beijar as pedras, bagunça, tira os seixos do lugar, não para nem me vê te desejar.
Não quero tu, peixe-voador, que pode fugir e não mais voltar.
Quero você lindo, intenso, rio ou mar sendo brisa constante, sempre pronto para me acariciar.

AUTOR MAXIMILIAN SANTOS
MAXIMILIAN SANTOS, natural de Feira de Santana, Bahia, é escritor, poeta e técnico em computação. Escreve desde os 17 anos, quando descobriu na palavra um refúgio e uma forma profunda de expressão. Coautor de cinco antologias poéticas, encontra na escrita não apenas arte, mas libertação, um espaço onde a alma se aquieta e o coração encontra voz.
AMOR INFINITO
Meu coração está em pedaços, espalhado em silêncios que não sei juntar. Caminho entre lembranças como quem tateia no escuro, procurando entender onde foi que nossos passos começaram a se perder.
Fica aqui comigo mais um pouco… Por que você está se afastando assim, como maré que recua sem aviso?
Procuro dentro de mim alguma resposta, algum gesto, alguma palavra que tenha ferido o que éramos, mas só encontro perguntas. Se eu errei, me diz. Se houve um instante em que falhei em te amar como devia, me mostra o caminho para compreender.
Meu coração chora por ti. Há tanto tempo que carrego essa sensação de que você se perdeu de mim como um barco que some no horizonte.
E mesmo assim, ainda espero…
Espero um sinal.
Um pequeno sinal que me diga que ainda existe um fio invisível entre nós. Algo que sussurre que o teu sentimento não se apagou completamente.
Fala comigo agora.
Diz que ainda me ama… ou diz que não dá mais. A verdade, por mais dura que seja, ainda é mais leve que esse silêncio que pesa sobre o peito.
Mas saiba que o amor que guardo por você não conhece fim.
Ele é desses que não se mede em tempo, nem se desfaz com distância.
Mesmo que a vida nos leve por caminhos diferentes, meu amor por ti permanece infinito como o céu da noite, onde as estrelas continuam brilhando, mesmo quando não as vemos.

AUTORA MARINALVA ALMADA
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
SIMPLESMENTE SAUDADE
Quantos abraços não dados.
Quantas palavras não ditas.
Quantas mensagens não lidas.
Quantos momentos vividos com intensidade.
Quantos olhares trocados.
Quantas risadas esquecidas.
Quantas lágrimas derramadas.
Quantos "eu te amo" adiados.
Quantos beijos não correspondidos.
Quantas noites mal dormidas pensando no que poderia ter sido.
E agora, a saudade...
Que não passa, arde, dói.
A saudade de um olhar, um sorriso, um toque.
A saudade de um amor que se foi, de um momento que não voltou..
Mas a saudade também é...
Um sinal de que o amor existiu, de que a vida foi vivida.
Um lembrete de que os momentos valeram a pena, de que as emoções foram sentidas.
Uma saudade de que, mesmo que o amor tenha ido, permanece vivo na memória.
E assim, a saudade...
Se torna uma mistura de tristeza e felicidade.
Uma lembrança de que, mesmo que a distância ou o tempo nos separem, o amor continua presente em nosso coração e na nossa mente.

AUTOR SIDNEI CAPELLA
Sidnei Capella, natural e residente em São Caetano do Sul — São Paulo, Graduado em Administração. Escrevendo e publicando poesias e contos nos cadernos semanais da Editora Valleti Books. Participou da II Copa de Poesias da revista Cronópolis, em janeiro de 2022. Escreve textos poéticos, contos e mensagens, grande parte dos seus textos é publicada na página do Instagram que administra. Utiliza a frase criada por ele: “Inspiração me leva a escrever sobre tudo, a inspiração vem de Deus, escrevo para o meu próximo, de modo a despertar sentimentos e mexer com suas emoções.”
SONHO
Sonho que me completa.
Que me desperta.
Sonho em que ela entra;
Pela porta aberta.
Sonho que me refaz.
Do desejo voraz.
Sonho do beijo ardente.
Ao que me compraz.
Sonho da alma quente.
Que nasce na mente.
Sonho do apaixonado.
Do pensamento doente.
Sonho de pintar um retrato.
Que me deixa calado.
Sonho mais do que perfeito.
Com os olhos fechados.
Sonho do meu jeito.
Deitado no meu leito.
Sonho que acordo.
Do meu sonho desfeito.

AUTORA EIDI SILVA
Eidi Silva Alencar, paulistana, casada, formada em Letras, Pós-Graduação em Liderança Positiva e Gestão de Sala de Aula e estudante de Psicanálise. Morei boa parte da minha infância e adolescência no bairro do Grajaú, zona sul. Desde cedo demonstrei interesse na literatura e comecei a escrever poesias aos 13 anos de idade. Atualmente, moro numa cidade do ABC Paulista. Sou professora de Língua Portuguesa. Leciono para alunos do Ensino Médio e Ensino Fundamental de uma escola estadual no Parque Andreense, divisa com Ribeirão Pires.
DOCE DE PÃO
Aquele doce de pão
É o que nos esperava
Quando vovó, com suas enrugadas mãos
Fazia com tanto carinho
E que meu pai tanto gostava.
Uma calda deliciosa
E os pães bem molhadinhos.
Que tarde maravilhosa!
Saudades daquele cheirinho
Da vovó bem idosa
Deixando nos docinhos
Momentos de uma vida saudosa.
Quisera eu voltar no tempo
Só por um momento
Sentir o aconchego de seu abraço,
Comer daquele doce de pão melado,
Ir correndo ao encontro do seu afago,
Sentar na cadeira de balanço
E ficar conversando com ela lado a lado.
Ai que saudades que tenho da minha vovó querida,
Daquela infância vivida,
Daquele doce de pão,
Das histórias por ela contadas,
Das batidas do meu coração,
Daquela casa cheia de primos, tios, pais e irmãos!
Hoje só nos resta a lembrança
Do sabor do doce de pão,
Da vovó, daquela alegria,
Os netos sentados no chão
Esperando o momento da euforia
Comendo o doce de pão.







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