BECO DOS POETAS Nº 152 — 30/07/2026
- Luiz Primati
- há 4 horas
- 10 min de leitura
Grandes textos, grandes poesias! Leiam, comentem, compartilhem!


AUTOR Luiz Primati
LUIZ PRIMATI é escritor de vários gêneros literários, no entanto, seu primeiro livro foi infantil: "REVOLUÇÃO NA MATA", publicado pela Amazon/2018. Depois escreveu romances, crônicas e contos. Hoje é editor na Valleti Books. Em março de 2023 lançou seu livro de Prosas Poéticas, "Melancolias Outonais" e o romance de suspense "Peter manda lembranças do paraíso" estará disponível em agosto de 2025.
O TREM QUE NÃO PEGUEI
Tem um ponto de ônibus na minha história que eu não esqueço, embora tenha esquecido o número da linha. Fazia aniversário naquele dia. Ela chegou, me olhou com uma calma que eu devia ter estranhado antes, beijou-me no lábio, beijo seco, sem calor. Caminhamos até o ponto de ônibus, no centro da cidade. Durante o caminhar ela disse que precisava de "um tempo". Eu já sabia que estava tudo acabado. Ali, no ponto, com o ônibus quase chegando. Fiquei paralisado feito poste, sem saber se subia atrás dela no coletivo ou ficava plantado esperando ela mudar de ideia. Ela não mudou. O ônibus foi embora sem mim. Não lembro se comemorei aquele aniversário. Lembro do vento naquele ponto, isso sim, e que me ajudou a secar as lágrimas.
Teve a outra — essa eu amei do jeito que só se ama uma vez, com aquela intensidade burra da juventude que acha que vai durar. Sumiu de um jeito que até hoje não sei explicar direito: entrou num caminho espiritual, disseram que foi tomada por entidades, abduzida por espíritos, vai entender. Eu não entendia nada de religião naquela época — hoje talvez entendesse diferente, ou talvez não. Só sei que um dia ela estava aqui, inteira, e no dia seguinte já não estava mais, nem no corpo nem na cabeça. Não teve ponto de ônibus, nem discurso de despedida. Teve sumiço.
E teve a terceira, essa por minha própria conta. Namorada linda, dessas que os amigos comentam na rua, e eu, com toda a covardia de quem não sabe o que quer, não a amei o suficiente. Ela merecia mais do que eu tinha para dar. Terminei, ou deixei terminar — nunca tive certeza de quem tomou a decisão de verdade. Só nos afastamos.
Três mulheres, três jeitos diferentes de uma porta se fechar. E ontem, vendo minhas filhas com seus companheiros, vida feita, pensei: e se nenhuma delas tivesse me deixado? Se o ônibus tivesse atrasado cinco minutos e ela desistisse de terminar, se aquela mulher nunca tivesse ouvido falar de espírito nenhum, se eu tivesse amado a terceira do jeito que ela pedia? A Natasha e a Ana simplesmente não existiriam. Existiria outra família, com outros rostos, numa casa que eu nem sei imaginar. E esse pensamento não me dá alívio nem culpa — me dá vertigem. Porque eu não escolhi nada daquilo. Só sobrevivi, e depois casei com a Mônica, que foi quem realmente escolhi.
Não foram só mulheres. A vida inteira é feita dessas bifurcações que a gente só reconhece de longe. Trabalhei numa indústria, anos fechado entre paredes, sem ver a cara do sol. Meu tio, que era meu chefe e tinha me arrumado aquele emprego, não merecia a decepção de um pedido de demissão — então fui falar direto com o dono. Se tivesse engolido o orgulho e ficado calado, seguiria numa carreira que hoje nem lembro direito o nome do cargo. Desfiz uma sociedade porque o sócio queria um caminho e eu queria outro — anos depois, soube que a empresa dele se deu bem; a minha, não sei se seguiu melhor, mas seguiu por outro rumo, o meu. Virei à direita numa esquina de Botucatu, achando que era atalho, e conheci alguém que hoje é peça importante na minha vida profissional. Se tivesse virado à esquerda, essa pessoa simplesmente nunca teria cruzado meu caminho — nem eu saberia que perdi alguma coisa, porque a gente não sente falta do que nunca soube que existiu.
É engraçado: decisão grande a gente pesa, ora e adia. Decisão pequena a gente nem registra que tomou. Ninguém escreve no diário "hoje virei à direita". Mas foi a direita, não a esquerda, que decidiu um pedaço de mim que a decisão grande de verdade — devo casar? Devo ter filhos? — só veio confirmar depois.
Não sei se existe um trem que "era" para eu ter pegado. Desconfio que essa ideia de destino único é conforto de quem não aguenta o tanto de acaso que a própria vida carrega. Talvez existam só trens, muitos, passando o tempo todo, e a gente sobe no que dá, no horário que calha, com quem está do lado na plataforma. Uns levam a lugar nenhum. Um, sem que eu soubesse, levava direto para a Mônica, para a Natasha, para a Ana.
Hoje escrevo isso longe daquele ponto de ônibus, numa casa cheia de barulho da rua e a TV ligada na sala. E não sinto saudade de nenhum trem que perdi. Sinto uma coisa mais estranha: gratidão por ter perdido justamente aqueles.

AUTOR Stella Gaspar
STELLA GASPAR é natural de João Pessoa - Paraíba. Pedagoga. Professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Mestre em Educação. Doutora em Educação. Pós-doutorado em Educação. Escritora e poetisa. Autora do livro “Um amor em poesias como uma Flor de Lótus”. Autora de livros Técnicos e Didáticos na área das Ciências Humanas. Coautora de várias Antologias. Colunista do Blog da Editora Valleti Books. Colunista da Revista Internacional The Bard. Apaixonada pelas letras e livros, encontrou na poesia uma forma de expressar sentimentos. A força do amor e as flores são suas grandes inspirações.
AH... PRECIOSA LIBERDADE!
Não. Não voa liberdade.
Se for do teu desejo, eu fecho os meus olhos.
E só te sinto, despertando a minha imaginação.
Te quero sempre.
Te desejo eternamente.
Fecundando meus sonhos serenos.
Como dizia Shakespeare.
“Devemos ser livres ou morrer.
Ser livre com sentimentos puros.
Sem obrigações e ordens.
A canção de amor a escrevi.
Em um livro especial.
Eu a dedico, para além das nuvens.
Liberdade é fonte de bem-estar.
Generosa e afetuosa.
Sem dizer nada.
Em voos profundos e plenos.
Buscamos com a mesma visão.
O lugar que abrigam.
Os Deuses cativantes.

AUTOR André Ferreira
ANDRÉ FERREIRA, 46 anos, solteiro, é natural de São Paulo, cidade onde vive até hoje. De religião cristã, André valoriza profundamente os ensinamentos de sua fé. Filho de Elza, uma paulistana determinada, e de Luís, um bon-vivant, André foi criado com amor e sabedoria por sua avó Maria, a melhor das avós. Apaixonado por atividades físicas, André também aprecia uma boa conversa, a leitura de livros enriquecedores, além de se encantar com a arte e a poesia.
É Entre você e Deus
Ore, confie, se posicione e acredite
Que Deus tem um propósito na sua Vida e que toda dificuldade vem Para nos moldar e tirar os carrapichos
Internos curando a nossa alma E neste processo, até os agentes
Do caos acabam nos ajudando,
José, um dia sonhou e cometeu O seu maior erro contando para
Os seus irmãos, a inveja e a Ganância tomou conta de
Todos que conspiraram Contra o eu próprio irmão.
Entenda que aquilo que ninguém sabe, ninguém
Pode sabotar, por isso guarde os seus sonhos
No seu secreto, porque no final é entre você
E Deus, sabemos que é muito difícil, mas, Às vezes, por falar demais, pecamos e
Caímos num poço e logo somos Vendidos como escravos, na vida Vivemos situações semelhantes A que José viveu, eu mesmo já Tive no fundo do poço, mas Hoje entendo que tudo tem
Um propósito e tudo foi
Para moldar o meu caráter.
Enfim, acredite e confie somente em Deus,
Não crie nenhuma expectativa no homem
Porque o ser humano é falho e cheio de
Pecados, José sofreu na carne e pereceu Por anos, por confiar no homem, até que
Um dia o seu nome foi lembrado e da Prisão, ele foi resgatado e de prisioneiro
José passou a ser governador, por isso,
Se estiver vivendo em um o deserto, Confie que Jesus tem um propósito Na sua vida, só que Ele não vai te
Contar o final dessa história, você
Precisa viver o seu chamado Enfrentando as dores e
Acreditando que tem Um Deus cuidando de você.

AUTOR Ilze Matos
ILZE MARIA DE ALMEIDA MATOS nasceu em Caxias, Maranhão, terra de Gonçalves Dias, e é engenheira agrônoma, ex-bancária e poeta. Atualmente, mora em São Luís do Maranhão. Sempre teve na alma e no coração poesia, música e muitos sonhos. Acredita no amor e nas pessoas, convicta de que tudo pode mudar e de que o amor de Deus transforma vidas. É casada e mãe de três filhos. Sua trajetória começou no Rio de Janeiro, no Parque Guinle, onde, refletindo sobre a vida e observando as pessoas ao seu redor, começou a rabiscar no caderno tudo o que via. Ela é apaixonada pelo mar, pela lua, pelas estrelas, pelas montanhas, pela música e pela dança. Esses elementos são fontes de inspiração constante para sua poesia, e a cada um deles dedica uma admiração profunda. A poesia surge para ela de diversas formas: em conversas, risos e nos momentos do convívio diário, transformando o simples cotidiano em poesia. Gosta de escutar as pessoas e está sempre pronta para oferecer um conselho ou um aconchego a quem se aproxima dela. A escrita é uma forma de expressar os sentimentos guardados em seu coração, e ela vibra quando suas palavras tocam o coração de alguém. Escreve simplesmente para tocar corações. Sempre procurou algo a mais, algo que a tocasse profundamente, e a poesia é o que faz seu coração transbordar de lindos sentimentos, de maneira que todos possam compreender.
AMAR COM LEVEZA
É como andar à beira-mar,
sentir o sol no rosto e os respingos das ondas
molhando a poesia que se escreve
com as pontas dos dedos na areia molhada.

AUTOR Célia Nunes
Meu nome é CÉLIA, nasci em 8 de julho de 1961, em Sepetiba, Rio de Janeiro. Sou casada, tenho quatro filhos e oito netos. Sou aposentada como professora do Município de Itaguaí, formada em Letras (Português/Literatura) e pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos. Trabalhei por muitos anos com projetos voltados para adultos no período noturno, em escolas infantis e bibliotecas. Foram anos que passaram como um sopro, pois fazia o que me trazia felicidade. Sou membro da Academia Itaguaiense de Letras, ocupando a cadeira número 2, cujo patrono é Machado de Assis. Publiquei os livros Retrato Poético, com poemas para adultos e crianças; Reflexões: 150 dias para mudar a sua vida, inspirado nos 150 salmos da Bíblia; e Quintal da Alma, uma coletânea de poemas e reflexões. Também participei de diversas antologias, coletâneas literárias, feiras literárias, festivais e concursos literários. Minha meta é disseminar a literatura, formar leitores e perpetuar minha escrita.
CAIXA DE PANDORA
Vazio
É o que sinto
Sua falta me deixou incompleta
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você pensa em nós?
Será que lembra dos nossos momentos?
É a pergunta que me faço.
Todavia, agora não quero reaproximação
Estou me defendendo psicologicamente
Não quero amar novamente
Amar dói quando se torna impossível
Sonhar não mais é permitido
Mas ainda resta um pouco de esperança
No fundo da minha caixa de Pandora.
Essa esperança é ilusória?
Não sei!
Mas o tempo dirá se sim ou não!
O tempo é o senhor da razão!

AUTOR Wagner Planas
WAGNER PLANAS é nascido em 28 de maio de 1972, na Capital Paulista, estado de São Paulo, Membro da A.I.S.L.A — Academia Internacional Sênior de Letras e Artes entre outras academias brasileiras. Membro imortal da ALALS – Academia Letras Arttes Luso-Suiça com sede em Genebra. Eleito Membro Polimata 2023 da Editora Filos; Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Mairinque pelo vereador Edicarlos da Padaria. Certificado do presidente da Câmara Municipal do Oliveira de Azemeis de Portugal. Autor de mais de 120 livros entre diversos temas literários, além de ser participante de 165 Antologias através de seu nome ou de seus heterônimos.
O CORAÇÃO DE UMA MULHER
O coração de uma mulher,
É como um jardim,
Que precisa de um jardineiro,
E não um trator.
O coração de uma mulher,
Precisa ser adubado,
Com respeito e amor,
Regado com as lágrimas da saudade,
Semeado com a semente do amor, da paz e da fé...
Todo aquele,
Que pensa,
Que coração de mulher,
Precisa de tratoreiros,
São pessoas insensíveis,
Que muitas vezes,
Não tem respeito...
O coração de uma mulher,
É um jardim especial,
Não fica em terras improdutivas,
Mas são os cantinhos dos céus.
O coração de uma mulher,
É solo sagrado,
Por isto,
Eu acredito,
Jardim escolhido,
Nunca é trocado.

AUTOR Marinalva Almada
Marinalva Almada é diplomada em Letras Português / Literatura e com uma pós-graduação em Alfabetização e Letramento pelo CESC/UEMA. Encontrei no ensino a oportunidade de semear conhecimento e despertar amor pelas palavras. Sou professora nas redes públicas municipal e estadual. Tenho como missão transformar vidas por meio da educação e da leitura literária. Deleito-me com a boa música, a poesia, a natureza, os livros e as flores, elementos que refletem em mim uma personalidade multifacetada. Escrevo regularmente no Recanto das Letras, participo com frequência de concursos literários, antologias e feiras literárias. Em 2023, realizei o sonho de publicar pela Valleti Books o livro "Versificando a vida", juntamente com as amigas Cláudia Lima e Zélia Oliveira.
ENCANTOS DA VIDA
Colorir o céu.
Fertilizar a terra.
Perfumar o vento.
Ouvir a chuva.
Varrer as folhas.
Abraçar as raízes.
Respeitar o tempo.
Cristalizar o mar.
Enfeitar os caminhos.
Enfeitar a vida.
Colorir o mundo.
Iluminar a noite.
Espalhar esperança.
Plantar sonhos.
Cuidar da semente.
Multiplicar a vida.
Recomeçar sempre.

AUTOR Simone Gonçalves
SIMONE GONÇALVES, poetisa/escritora. Colaboradora no Blog da @valletibooks e presidente da Revista Cronópolis, sendo uma das organizadoras da Copa de Poesias. Lançou seu primeiro livro nesse ano de 2022: POESIAS AO LUAR - Confissões para a lua.
DEPOIS QUE TE CONHECI
Depois que te conheci
Meu mundo se transformou
Teu sorriso intensificou a força
Do desejo em te ter sempre comigo
Mesmo que só em pensamento...
Depois que te conheci
O amor criou raiz na minha alma
Fazendo o sol da esperança
Nascer todos os dias na estrada
Mesmo em dias tempestuosos...
Depois que te conheci
O medo de amar se desfez no ar
Feito nuvens de chuva no fim de tarde
E teu olhar sereno numa beleza jamais vista
Renovou meus desejos mais secretos
Desvendados por todo meu corpo
Nos beijos que me destes nas noites de verão
E nas manhãs de brisa suave...
Ah, foi depois que te conheci
Que descobri o quanto posso amar alguém
Sentindo a felicidade que só o amor verdadeiro
Pode me proporcionar...
E essa felicidade embrulhada no teu sorriso
Me faz viver da forma mais plena
O amor que só tenho com você
Foi depois que te conheci
Que passei a viver
Na certeza que amo você...

AUTOR Regina Prado
Natural de Jundiaí, interior de São Paulo, onde vive até hoje. Despertou o interesse pela escrita desde muito cedo, porém, somente a partir de 1981, quando cursando Secretariado e participando do grupo de teatro TER (Teatro Estudantil Rosa) despertou interesse em escrever de forma mais estruturada, onde muitos dos sentimentos se transformaram em poesias. Atualmente iniciou a escrita de um novo projeto que será lançado em 2022. Mais do que nunca, a sua intenção é tocar fundo os sentimentos dos leitores, causando emoção em cada palavra.
MESMO QUE...
Mesmo que o coração grite,
mesmo que a lágrima esconda o pranto,
mesmo que a escuridão encubra o caminho,
mesmo que o soluço abafe o canto...
Esquecer de si mesmo não faz sentido,
Dane-se o que pensam ou deixem de pensar,
Cada passo descortina um novo caminho,
Onde nosso verdadeiro Eu vive sem questionar!






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